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viver a vida

Rascunhos

RASCUNHOS

Não há borrachas, tampouco corretivos

Não dá para apagar ou descartar

Não escrevemos nossa história a lápis

A vida é pintada à tinta

Com as cores que escolhemos

Direto na tela final

Não dá para viver de ensaio

Não dá para ficar rascunhando

A vida é um espetáculo ao vivo

Não se pode parar, retornar

Ou ficar aguardando boa luz

Essa obra-prima é original, única versão

É sempre uma finalização

Não faça rascunhos, não viva de esboços

Talvez não haja tempo para passar a limpo…

Alda M S Santos

Eu me rendo

EU ME RENDO

Um friozinho da manhã

A relva toda molhada de orvalho

Um passeio a cavalo

O sol brilhando atrás da serra

Eu me rendo…

Pássaros cantando, bois mugindo

Cachorros brincando, patos nadando

A vida acontecendo

Eu me rendo…

Uma tarde preguiçosa

A rede na varanda

Todos parecem aboletados em algum canto

Uma soneca relaxante, aroma de café

Eu me rendo…

A noite chegando

A escuridão abraçando todos os espaços

Todos buscando abrigo

A lua reinando no céu

Gatos namorando em cima do telhado

E a gente cá embaixo

Eu me rendo…

A vida acontecendo lá fora

A vida acontecendo cá dentro

Eu me rendo…

Alda M S Santos

Deixa rolar

DEIXA ROLAR

Não se perturbe tanto

Com aquilo que atormenta

Machuca, fere

Deixa rolar

Logo vai passar…

Não se vanglorie tanto

Com aquilo que é bonito

Encanta, alegra

Deixa rolar

Isso também vai passar…

Não se torture tanto

Com aquilo que parece não ter fim

O bom, o mau, o saudoso

Deixa rolar

Logo irá passar…

Entre começos e fins

Angústias e recomeços

A vida segue infinita

Deixa rolar

Ela sempre irá para onde tem esperança e gente bonita…

Deixa rolar…

Alda M S Santos

Injusta

INJUSTA

A vida pode ser cruel

Dolorosa, intensa, parcial

A cada um de nós caberá

Torná-la menos desigual

Muitas vezes parece tão longa

Noutras é por demais curta

Mas é o que fazemos por ela

Que a tornará menos injusta

Buscamos no outro a alegria

Ou a paz que de nós fugiu

Sequer percebemos que está na gente

O prazer de viver que um dia sumiu

Mesmo injusta ela é só nossa

Mas se torna mais bela

Quando destrancamos portas fechadas

E sorrisos abrimos em nossa janela…

Mesmo injusta ainda podemos fazer dela

Uma linda e encantadora aquarela…

Alda M S Santos

Jeito apaixonado de ser

JEITO APAIXONADO DE SER

Aquele modo intenso de tudo viver

Do mais alegre momento que aparecer

Ao mais triste e doloroso carecer

Sempre um jeito apaixonado de ser…

Enfrenta o justo ou injusto padecer

Com a coragem nascida do amadurecer

A esperança e a fé sempre renovadas

Naquele jeito apaixonado de ser…

Nem bem espera o dia amanhecer

E antes que ele venha a anoitecer

De tudo já fez um pouco

Sempre de um jeito apaixonado de ser…

Quase nada a faz mais se enfurecer

Aprendeu que quanto mais paz oferecer

Mais os canteiros do caminho irão florescer

E segue do mesmo jeito apaixonado de ser…

Alda M S Santos

Aprendi, aprendendo…

APRENDI, APRENDENDO…

Aprendi que…

Nem toda lágrima é de dor ou tristeza

Tampouco todo sorriso é de alegria

Que só vale a pena manter quem é de verdade

Quem torna real nossa fantasia

Aprendi que…

Ser humano implica em também sofrer

Encarar com coragem tudo que aparecer

E, mesmo assim, não desistir de tentar

Porque a felicidade é prêmio pelo qual vale a pena lutar

Aprendi que…

A vida passa, as pessoas idem

Mas o que realmente importa, é valioso

Não é tão fluido ou fugaz

Eterniza-se em nós, é grandioso…

Aprendi… aprendendo…

Alda M S Santos

Um dia normal

UM DIA NORMAL

Nada de extraordinário ou excepcional

Tudo que preciso e quero

É a bênção de um dia normal

Por isso não me desespero

Um dia normal nasce primeiro dentro da gente

Da vontade de fazer diferente

Antes até do nascer do sol que nos aquece

Na família que nos ensina o amor, nosso presente

E nos corações agradecidos em prece

Quero somente a paz de um dia normal

Aquela certeza de que tudo está em seu devido lugar

Sem necessidade de ter que colher algo especial

Apenas o sorriso no rosto, reflexo de uma alma plena

E finalmente, sob a luz do luar, descansar…

Quero apenas um dia normal…

Alda M S Santos

Espaços em branco

ESPAÇOS EM BRANCO

Ninguém precisa ter todos os espaços preenchidos

Ninguém precisa preencher “falhas”dos outros

Ou ter todos os seus “quadros” pintados

Precisamos de telas em branco

Para fazermos dia a dia nossa obra de arte

Todos nós necessitamos desse espaço livre dentro de nós

Para que haja oxigenação, livre transitar

Para que a imaginação cresça, o amor floresça

Para que a luz penetre, aqueça

Para que não soframos de excessos

Para que encontremos aquilo que procuramos

Para podermos acolher o que nos fizer crescer

Para que as emoções possam livremente se expressar

Para que não se crie bolor por falta de uso

Tampouco grandes feridas por fricção e uso inadequado

Para que quando voltarmos para casa

Tenhamos usufruído de todas as nossas possibilidades…

Alda M S Santos

Viver de quê?

VIVER DE QUÊ?

Busca por razões de viver

Algo que motive, instigue

Que faça tudo isso valer a pena

E nessa desenfreada busca

Atropela-se tudo, passa-se por cima dos outros

Das razões de viver do outro, inclusive de si mesmo

Sua própria vida vazia é soberana

Vale mais do que todas as outras

Automutilação, autoextermínio

Viver de quê, para quê, para quem?

Enquanto não se perceber que uma vida não se constrói

Destruindo outras vidas

Sendo governo, povo, instituição, indivíduo ou o escambau

Qualquer busca será em vão

Será inócuo qualquer estender de mão

Precisamos viver das boas ações, do amor

Da esperança que um mundo melhor começa em nós

Mas que nunca exclui o mundo do outro

Buscamos por razões de viver

Que façam com que a dor e a alegria

Tenham razão de ser, não sejam em vão…

Precisamos viver da fé

“Só não se sabe fé em quê”

Alda M S Santos

Porque escolhi viver

PORQUE ESCOLHI VIVER

Vou sempre buscar um sorriso

Mas não negarei as lágrimas

Não fugirei das batalhas que surgirem

Terei coragem, mas não me deixarei abater pelos medos

Serei aquecida, feliz, pelo calor energizante do sol

Mas aproveitarei também quando o que vier do céu for chuva

Plantarei um jardim de preciosidades para morar

Mas deixarei espaço para borboletas e beija-flores virem me visitar

Correrei na areia à beira-mar na claridade intensa do dia

E na escuridão me deitarei e repousarei sob a luz das estrelas

Serei primavera perfumada e colorida

Sabendo aproveitar o repouso necessário dos invernos

Caminharei tendo bons amigos a me animar

Mas não estacionarei quando o que deixarem for a solidão ou o vazio

Serei iluminada pelo amor precioso que for merecedora

Mas não abro mão do amor em qualquer situação…

Isso porque escolhi viver

E a vida se impõe sempre, é presente

E o que a gente faz dele é escolha nossa

Eu escolhi viver!

Alda M S Santos

Um dia

UM DIA

Um dia ainda vamos entender

O bem que poderíamos ter feito

E não fizemos

O mal que poderíamos ter evitado

E não evitamos

Aquela dor que causamos a nós e aos outros

E não precisaríamos ter enfrentado

O novo rumo que poderíamos ter tomado

E não tomamos

Todos os avisos e alertas que recebemos

E ignoramos

As oportunidades de crescimento e renovação

E fechamos os olhos

As chances de fazer um movimento pelo amor e pela paz

E ficamos inertes

As famílias que poderíamos ter ajudo a construir

E destruímos

A vida que poderia ter sido bem vivida

E matamos…humanamente!

Mudar, construir o mundo grande lá de fora

Começa por não destruir o mundo pequeno no nosso entorno

Abrir as porteiras e deixar a luz nos iluminar de dentro para fora

Um mundo melhor precisa de cada um de nós!

Um dia pode ser tarde demais…

Alda M S Santos

De frente

DE FRENTE

Encarar a vida de frente

Mesmo que ela não seja sempre

Como uma tarde na praia, ao sol poente

E tantas vezes a brisa não seja tão gostosa

Daquelas que balançam nossos cabelos

Ou arrepiam suavemente nossa pele

Mas a ventania nos arraste para caminhos esburacados

E jogue areia em nossos olhos

Dificultando o ver, o prosseguir

Encarar a vida de frente

Não ignorando os percalços e entraves

Mas nos reabastecendo sempre

De amor, de sorrisos, abraços e beijos

Ainda que nas lembranças e esperança

De uma tarde na praia ao sol poente…

Alda M S Santos

Não foi

NÃO FOI

Não pode dizer que foi barco

Aquele que só ficou atracado no porto

Não pode dizer que foi pássaro

Aquele que viu a vida por trás das grades da gaiola

Não pode dizer que foi borboleta

Aquela que não saiu do casulo

Não pode dizer que foi gente

Aquele que ficou no porto, não voou, não saiu do casulo…

Não foi humano aquele que não soube ser terno

Aquele que mais destruiu que construiu

Que mais invejou que conquistou

Que não soube ser fraterno

Não soube ser amor…

Alda M S Santos

Apenas um bronco

APENAS UM BRONCO

“Queria ser apenas um bronco”

Daqueles dos confins do sertão

Ter toda a “ciência” da natureza

Do mesmo modo que tem a ciência da mente, das emoções

Sem complexidade, sem grandes devaneios

Ter toda a esperança advinda da fé

Toda a paz que a consciência da finitude da vida permite

Nada de grandes preocupações ou conjecturas

Nada de medos, culpas, traumas, desafios intransponíveis

Apenas a certeza que, mesmo em dias difíceis,

Tudo está em seu devido lugar

Não luta contra monstros imaginários

Aceita e abraça o que a vida apresenta

O sol nasce, se põe, a lua surge, as estrelas brilham

O galo acorda a todos, a chuva cai, as árvores produzem

Pessoas nascem, morrem, chegam e se vão

Algumas nos amam, outras não

Somos apenas parte de um universo maior

O rio segue seu curso…

E o bronco que nada tem de complexo

Simplesmente, vive…

Não entende das grandes (des)conexões que afetam os demais

Suas conexões físico/emocionais não se perdem

E, por isso mesmo, mantém-se inteiro

Bronco? Quisera ser…

Alda M S Santos

Uma bela manhã para viver

UMA BELA MANHÃ PARA VIVER

Uma bela manhã para viver

Céu, sol, brisa, flores e cores

Ou uma bela manhã para morrer

Também de belezas, encantos e perfume

O que diferencia uma da outra

Será que ela sabe flutuando por ali

Vive tão intensamente, tão pouco

Nesse mundo tão assustador

Lagarta, casulo, escuro

Tem medo?

Borboleta, luz, cores, brilho

Tem medo?

Tudo tem seu devido tempo…

Será?

Uma bela manhã para viver

Ou uma bela manhã para morrer

Quem determina?

Voa suave e para nas mãos dela confiante

Quer responder à questão silenciosa

Leve, linda, desliza delicada por seus dedos

E voa serena em torno dela no jardim

Mas deixa sua resposta

Quer seja uma bela manhã para viver

Ou uma bela manhã para morrer

É a paz que reina em cada alma

Que será capaz de fazer…

Alda M S Santos

Quem mais viveu?

QUEM MAIS VIVEU?

Quem mais viveu?

Aquele que acumulou mais idade cronológica

Ou aquele que mais cresceu, amadureceu emocionalmente?

Quem mais viveu?

Aquele que acumulou mais sorrisos

Ou aquele que mais chorou?

Quem mais viveu?

Aquele que mais conquistou bens

Ou aquele que mais prestou serviços?

Quem mais viveu?

Aquele que mais prazer vivenciou

Ou aquele que mais se doou?

Quem mais viveu?

Aquele que conheceu o mundo todo

Ou aquele que conheceu melhor a si mesmo?

Quem mais viveu?

O que despertou mais empatia e amor

Ou o que mais intensamente amou?

Quem mais viveu?

Aquele que lutou e brigou por um mundo melhor para si e para os outros

Ou aquele que aceitou o que a vida apresentou

Extraindo dela o melhor?

Quem?

Quem mais viveu foi o que soube ser feliz em qualquer circunstância

Estando pleno mesmo na falta…

Quanto nos “falta” para a plenitude?

Alda M S Santos

Que sejamos praia

QUE SEJAMOS PRAIA

Um grão de areia sozinho fica perdido

Levado pelo vento forte ou arrastado pelas águas

Sequer é visto ou notado

A não ser que esteja entre nossos dedos no sapato, incomodando

Ou que o vento o leve para nossos olhos, irritando

Um grão de areia sozinho desconhece seu poder

Sua capacidade de construção, beleza e importância

Um grão de areia para cumprir sua missão, valorizar-se

Precisa se juntar a outros grãos de areia

Um grão de areia não deixa de ser um grão de areia por estar sozinho

Mas só pode ser casa, lar ou praia

Quando se juntar a outros tantos grãos de areia

Aí entenderá seu propósito por aqui

Humanos sozinhos são grãos de areia

Humanos juntos são praia

E muitas praias formam a linda, complexa e controversa humanidade

Capaz de ser, ao mesmo tempo, construtiva ou autodestrutiva

Que possamos ser praia linda, encantadora e acolhedora…

Alda M S Santos

Temos pressa

TEMOS PRESSA

Os dias passam, a vida corre

O tempo voa…

Queremos também voar

Temos pressa!

O que é bom passa rápido

O que é ruim nem tanto

Corremos em busca do que interessa

Perdemos tempo com o que não presta

Temos pressa!

Tudo muda de lugar

Pessoas se vão, algumas ficam, outras chegam

Família, amigos, amores

Todos procurando se manter inteiros

Nessa ventania louca do tempo…

Temos pressa!

Tantas coisas boas se perdem

Queremos abrir nossas asas

Voar junto com o tempo

Amanhecer, entardecer, anoitecer

Entre alvoradas e luares

Almejamos parar o tempo

Para cessar a pressa de viver

E assim nada perder

Temos pressa!

Não queremos ir embora

Tendo deixado algo por viver…

Alda M S Santos

Deixe virar poesia

DEIXE VIRAR POESIA

Aquilo que te leva ao êxtase

Que provoca risos sem fim

Deixe virar poesia

Aquilo que te machuca, corta

Que causa dores e cicatrizes

Deixe virar poesia

Aquilo que você agora desconhece

Que te magoa, enrijece

Deixe virar poesia

Aquilo que te sensibiliza, emociona

Que aperta o coração, e que você tanto ama

Deixe virar poesia

Aquilo que te amedronta, aterroriza

Causa pesadelos que nem a luz ameniza

Deixe virar poesia

Aquilo que é real, imaginário

Que é fugaz ou que virou saudade

Deixe virar poesia

Aquilo que é beleza, na simplicidade ou na sofisticação

Que traz sabor e aroma ao cotidiano

Deixe virar poesia

Tudo aquilo que é vida, que não se desperdiça ou economiza

Se eterniza

Deixe virar poesia…

Alda M S Santos

Panorâmica

PANORÂMICA

Quero uma panorâmica da minha vida

Que capture tudo do início ao fim em 360 graus

Cores, diversos matizes, claros e escuros, foscos e brilhantes

Pontos em relevo, reentrâncias, 3D, transparências

Áreas secas, outras molhadas, oásis e desertos

Com direito a giros, emoções, sorrisos e lágrimas

Liberdade para extasiar, tontear, sem desabar

Quero nela todos aqueles que fizeram parte do meu viver

E revelar num grande mosaico

A minha simples passagem por aqui

Quero uma panorâmica da minha vida…

Alda M S Santos

Sempre em busca

SEMPRE EM BUSCA

Viver é estar sempre em busca

Ainda que não se saiba exatamente de quê

Mesmo que todos o vejam como preenchido

Aquele a quem nada falta

Por mais que sinta gratidão à vida

A tudo que foi permitido ter, ao que aprendeu a ser

Aquilo que foi conquistado, mantido, até mesmo aquilo que foi perdido

Aquilo que te fez o que hoje é

Tudo só foi e é possível por ter estado sempre em busca

Por nunca ter desistido ou estacionado na aparente completude

Só você sabe os motores que te movem

As necessidades que te (des)orientam, seus medos

Só você sabe seu tempos, suas urgências, suas carências

Ainda que não sejam verbalizadas ou compreendidas

São elas que te mantêm sempre em busca

São elas que dão a aparência de alguém a quem nada falta

Apesar de toda sua inquietude…

Todos veem “tudo” que você tem

São suas buscas e lutas que nem todos veem

Quem está vivo está sempre a buscar…

Alda M S Santos

Faça amor com a vida

FAÇA AMOR COM A VIDA

Chegue lentamente, tire as sandálias

Caminhe devagar, sinta a maciez da areia fina

Deixe seus pés se afundarem

Abra os braços, tire os óculos, feche os olhos

Inspire, expire!

Inspire energia, expire o cansaço

Inspire o calor, expire toda dor

Dê um giro sobre si mesmo, olhe para o alto

Dê um grito de paz, mesmo em seu silêncio, se preferir

Corra para o mar, mergulhe, lave toda negatividade

Seja esponja do bem, seja grato, tenha bons pensamentos

Sinta a brisa, a pele se arrepiar, o prazer em estar vivo

Sorria, abrace, beije, faça amor com a vida…

Viva e deixe viver!

Alda M S Santos

Meu barquinho

MEU BARQUINHO

Bom mesmo é navegar

Com a força dos braços nos remos

Com as velas empurradas pelos ventos

Ou motores fortes a rasgar as águas

O que vale é navegar…

Desbravar nossos mares escuros

Irrigar nossa esperança de novas descobertas

Cuidando para evitar naufrágios

E, se acontecer, saber sobreviver, resistir e seguir

O que vale é navegar

Mas encontrar um porto seguro para descansar

Repor as energias e agradecer

É tão importante quanto…

Sigo navegando e atracando

Com meu pequeno barquinho

Ora sendo apoio, ora buscando apoio…

O que vale é seguir o curso…

Alda M S Santos

Belezas

BELEZAS

A beleza de dentro

Admira a beleza de fora

Uma abastece a outra

É uma magia que vibra

Encanta e irradia…

A beleza de fora

Invade e preenche

Os vazios da beleza de dentro

Uma complementa a outra

É um espetáculo ímpar

Que gera vida, amor que contagia

Que ousa curar os males de fora

Que se atreve a sanar os males de dentro…

Alda M S Santos

Energias

ENERGIAS

Energia que vem da luz solar, de seu calor

Ecologicamente correta, vivência autossustentável

Energia que vem do petróleo, da água, dos recursos naturais escassos

Uma vida em risco, tempo contado, extinção

Preocupações válidas…

Energia que vem de dentro, das emoções

De uma mente saudável, sem culpas, sem medos

De um corpo forte, vigoroso, ativo

Particularmente de um coração pulsante, amoroso

E de uma alma em paz consigo mesma…

São todas energias… interdependentes

Qual delas se faltar nos leva mais rapidamente à extinção?

Precisamos da energia do sol, da água, dos ventos

Precisamos da energia do amor…

Alda M S Santos

Quero um romance

QUERO UM ROMANCE

Quero um romance, mas que seja especial

Não qualquer romancezinho água com açúcar

Quero um romance com minha existência

Daquele tipo que me tire de órbita

Mas me traga de volta, não me deixe num universo paralelo qualquer

Quero um romance com minha existência

Daqueles que não me aprisionem

Ao contrário, que abram minhas próprias algemas

Que me instiguem a não me acovardar atrás de trincheiras

Que me encorajem a enfrentar a vida em campo aberto

Quero um romance com minha existência

Daqueles que aceitem meus gritos e medos

Interpretem meus silêncios, aceitem minhas limitações

Me incentivem a usar minhas próprias asas

A voar para novos ares com segurança

Quero um romance com minha existência

Daqueles que me façam ser melhor sempre

Que me apontem pontos positivos e falhas

Sem contudo minar minha autoestima

Quero um romance com minha existência

Daqueles que me levem a mergulhar em rios gelados

Que me convidem ao cinema, a um parque, à Lua

Mas que, sobretudo, produzam comigo o enredo do meu próprio filme…

Quero um romance com minha existência

Quero um romance comigo mesma…

Alda M S Santos

Longe ou perto?

LONGE OU PERTO?

Longe ou perto é questão de perspectiva

Mais que um referencial em metros, é questão de sensações

Como saber se estamos longe ou perto Dele?

Estamos perto ou longe do que Ele nos ensinou?

Estar perto de Deus não é estar dentro de uma igreja

Nos sentimos perto quando estamos às voltas com quem amamos

Quando valorizamos o que recebemos, conquistamos e conservamos

Estamos perto quando construímos algo de bom

Para nós, para aqueles que têm menos que nós, que precisam

O peito fica, paradoxalmente, cheio e leve, tranquilo

Estamos longe quando destruímos o que Ele construiu

Em nossas vidas, nas vidas dos outros

Estamos longe quando nos omitimos…

Estamos perto, quando mesmo na solidão, nos conectamos com Ele

Podemos senti-lo na paz que reina em nosso coração

Estamos longe quando a sensação de culpa nos invade alertando para a proximidade do erro

Estamos longe quando nos afastamos de nós, envergonhados

Estamos perto quando podemos olhá-Lo nos olhos

Sem medos, nos arrepender e, com coragem, recomeçar…

Perto ou longe?

Alda M S Santos

De frente para a vida

DE FRENTE PARA A VIDA

De frente, braços abertos, receptivos

A vida nos manda de volta aquilo que a ela enviamos

Sorriso que envia fagulhas de esperança e alegrias

Atitudes que emitem amor em cada gesto

Palavras que são néctar a ouvidos sensíveis

E são ímãs de carinho e confiança a atrair levezas

De frente para a a vida, se emitirmos luz

Receberemos reflexos de calor e energia

Mas, se emitirmos negatividade

Receberemos decepções e mágoas…

Isso é lei do retorno, efeito bumerangue

Ele vai, ele volta…

De frente para vida…quero estar sempre…

Abram os braços!

Alda M S Santos

Passado, presente, futuro…

PASSADO, PRESENTE, FUTURO…

Se quero saber algo do futuro, olho um pouco para trás

Se quero, saudosamente, lembrar o passado, olho para frente

Assim mesmo! Paradoxal!

Ver-se nos filhos, nos pais

Saudades, expectativas…

Meus filhos me mostram meu ontem, minha infância e juventude

Meus pais me possibilitam visualizar meu futuro

Uma idade que não sei se virá

Se quero que chegue, se terei coragem de vivê-la

Tento me concentrar no hoje, agir nele

Aproveitando o que o ontem me forneceu

E a expectativa e incerteza do que o amanhã me possibilita

Eu também fui o ontem e sou o amanhã de alguém

Quero apenas um hoje bom, para que a lembrança seja boa

Para mim, para os que comigo conviverem…

Alda M S Santos

Carregando…

CARREGANDO…

Minutos que vão passando, a imagem carregando…

Uma barrinha em trinta, quarenta, sessenta por cento concluída

Exigindo calma, tolerância, tranquilidade

E a paciência enchendo mais rápido que a barra

Quando estiver com carregamento total é fim ou início?

Na perspectiva da vida carregamento total seria o fim?

Tudo que teria para viver já se foi em vinte, setenta, cem por cento?

Carregou, usou, gastou…

Ou carregamos tudo primeiro para começar a viver?

Estamos carregando para viver, ou vivendo até carregar?

Melhor seria saber qual a porcentagem concluída, ou simplesmente viver?

Existe algo que acelera, desacelera ou paralisa o processo?

Tristezas e decepções, lágrimas e dores a pré-enchem mais rápido?

Alegrias, prazeres, intensidade, amores desaceleram?

Como saber?

Se faltar energia vital, de todo modo, tudo termina antes de acabar, antes do final…

Carregando…

Alda M S Santos

Dores e delícias do viver

DORES E DELÍCIAS DO VIVER

É dor ou delícia?

Dispor de um céu infinito para voar

E encontrar alimento num cativeiro alheio?

É dor ou delícia?

Ter asas leves e fortes capazes de alçar voo nos sonhos do coração

E precisar manter os pés firmes e pesados no chão?

É dor ou delícia?

Avistar um deslumbrante e convidativo horizonte além-mar a desbravar

E desejar um porto distante e inalcançável a um barquinho de papel?

É dor ou delícia?

Flutuar nas águas límpidas e leves do amor incondicional

E, afoito, se afogar nas águas turvas e densas da ilusão?

Viver é se molhar e se secar, tornar a se molhar e tornar a se secar

No brilho líquido e vibrante dos sorrisos e das lágrimas

Que nos tomam todo o tempo de delícias e dores….

É dor ou delícia?

Cada qual que responda por si…

Alda M S Santos

Do what you love

“DO WHAT YOU LOVE”

Faça o que você ama, diz a canção

Ainda que seja difícil, tente

Mesmo que o momento exija reflexão, introspecção, negação

Encare!

Faça o que você ama!

Chore, grite, silencie, permita-se sentir

Respeite seus tempos!

Faça o que você ama!

Busque a natureza, água, mato, bichos

Busque a sua natureza interior

Faça o que você ama!

Tome sol, tome chuva, tome coragem

Perca os medos, perca a vergonha, perca a preguiça

Só não perca o respeito por si, pelo outro

Faça o que você ama!

Mate as saudades, deixe lembranças jorrarem

Afogue as dores, faça boca a boca com a paixão

Faça o que você ama!

Abra bem os olhos para o que se mostra

Abra os braços para os abraços

Mergulhe na vida de cabeça!

Mas faça o que você ama!

Alda M S Santos

Sinto-me parte

SINTO-ME PARTE

Sou parte desse universo tão infinito

Em meio à natureza pura e simples

Quando me sinto um tudo

Ou quando me assemelho a um nada

Sinto-me parte desse universo

Que parece muitas vezes tão aleatório

Noutras tao cuidadosamente planejado

Cada pedra, cada galho, cada mato seco

Cada inseto irritante que pica

Cada árvore centenária que balança ao sabor do vento

O riacho que se desfaz em cachoeiras nas rochas

Sinto-me parte…

Mesmo no silêncio ora tranquilizador, ora constrangedor

Que contrasta com meu barulho interior

Tudo parece tão bem encaixado ali

Todos representam tão bem seu papel

Ainda que meus barulhos sem nexo

Pareçam intrusos num roteiro de sons

Que demonstram total harmonia

Sinto- me parte…

Não sei se sou a parte aleatória ou a cuidadosamente planejada

Sei apenas que sinto-me parte…

Alda M S Santos

O valor de uma vida

O VALOR DE UMA VIDA

Ânsia, necessidade premente de seguir

Seguir em frente para o desconhecido, o novo

Até onde não haja mais chão para caminhar

E ali pousar…

Ânsia, necessidade premente de seguir

Seguir, mas pegando o retorno, voltar

Até um bom lugar, um ponto pacífico, saudoso, confiável

Buscar o conhecido, prazeroso, sentar

E ali pousar…

Todo desejo de seguir esconde um embutido desejo de estacionar

Num lugar de tranquilidade e paz…

Enquanto houver propósito de seguir haverá vida

Em pouso ou em trânsito…

Cada qual faz sua melhor versão do caminho

Cada um sabe o valor de sua vida e das vidas alheias …

Alda M S Santos

Coringa

CORINGA

Uma carta coringa assume qualquer valor

Habilidade de encaixar-se, de se sobrepor

Coringas são neutros, adaptam-se sem qualquer pudor

Uma roupa coringa cai bem em qualquer ocasião

Um prato coringa que atende qualquer refeição

Um programa coringa que alegra qualquer coração

Um sentimento coringa que lida bem ou substitui qualquer emoção

Uma pessoa coringa que acalma ou anima com prazer, sem razão, com paixão

Um palhaço que alegra, mesmo chorão

Que encanta, mesmo bobalhão

Que alegoricamente malicioso, da sua inteligência não abre mão…

Ser ou ter um coringa? A pergunta não é se…

Mas quando lançaremos mão dessa enigmática representação

Que muitas vezes nos salva de nossas próprias tolices, boas ou não…

Alda M S Santos

#carinhologos

Mata adentro

MATA ADENTRO

Quanto mais para dentro da mata, mais queremos entrar

Mata adentro as trilhas diminuem

O caminho torna-se mais difícil

É preciso abrir espaços à foice

Mas o desejo de mergulhar no silêncio é grande

A pureza do ar quase sufoca, as árvores tornam-se mais grossas

A impressão de estar sendo vigiado aumenta

A sensação de invadir o desconhecido é animadora e aterradora

Nesgas de luz passam por entre os galhos e copa das árvores

Anjos e fantasmas se apresentam, a gente escolhe

A gente se abraça ou se enfrenta

O céu azul e branco continua lá em cima a insistir: prossiga!

Não se sabe o que buscar, apenas que é preciso seguir

Quando for chegado o que procura, saberá

E poderá descansar em paz!

Alda M S Santos

Apenas um dia normal, mas…

APENAS UM DIA NORMAL, MAS…

O relógio despertou, o sol nasceu brilhante e forte do mesmo jeito

Um banho, a padaria, o café da manhã, trocar-se e se preparar para o trabalho

Um “bom dia” displicente, a correria de sempre

Era apenas um dia normal…

Nenhum aviso de que algo poderia ser diferente, nada

Um tchau apressado, um beijinho rápido

Nem um “eu te amo”, ou “se cuida”

Nem um olhar mais demorado para aqueles que queria bem

Tampouco um abraço apertado e quentinho

Apenas um “não se esqueça de passar no banco”

Afinal, era apenas um dia normal…

Nem uma mensagem ou cuidado especial ao longo do dia, não teve tempo

Apenas queria concluir tudo rapidamente e voltar para casa

O dia chegou ao fim, mas ele não chegou em casa, não na casa terrena

Não pôde mais rever os que amava,

Nada mais de abraços, beijos, cuidados, ou gastar os “eu te amo” economizados

Afinal, não era um dia tão normal assim…

Foi o último dia de vida desse amigo

E de tantas outras pessoas nesse mundo

Soubesse antes teria feito alguma diferença?

Coisas boas, coisas ruins, tragédias ou bênçãos

Todas acontecem em dias aparentemente normais

Como está nosso dia hoje?

Alda M S Santos

Me leva

ME LEVA

Me leva com você para os caminhos que já trilhou

Para que possas me ensinar a ser feliz no conhecido

E a me alegrar com o que passou sem sofrimentos

Me leva com você por caminhos novos

Para que possas encantar-se junto a mim com novas descobertas

E fazer delas uma boa opção

Um rio de águas cristalinas a molhar os pés cansados

Me leva, melhor ainda,

Siga-me por caminhos que só eu conheço

Aqueles cujas trilhas marcadas por sulcos de sorrisos e lágrimas

Estão bem dentro de mim

Esperando por bons caminhantes

Me leva por qualquer caminho, qualquer um,

Havendo tristeza ou alegria, não pare!

Mas não me deixe na mão, não me desampare…

Me leva todos os dias, vida,

Com você poderei sempre aprender

Mas não me deixe ao léu

Ensina-me teus segredos

De continuar a existir

Quando tudo no entorno parecer ruir …

Me leva…

Alda M S Santos

A bola é minha!

A BOLA É MINHA!

Emburrado, saía pisando duro com a bola debaixo do braço

E voltava sozinho para casa

– A bola é minha!- dizia sentindo-se superior

Não podendo ser contrariado ou aborrecido

Sem saber perder o que quer que fosse

O garoto “riquinho”, dono da bola, não sabia ceder

Encerrava a brincadeira em que todos se divertiam juntos

Sem saber negociar, não percebia

Que ao apelar para o recurso do “dono do brinquedo”

Com o intuito de punir os companheiros, de mostrar quem mandava

Ele também se punia…

“Brincar sozinho não tem graça! “- concluía

Os outros, muitas vezes, substituíam a brincadeira e continuavam a se divertir…

Quanto mais cedo descobrirmos que mais vale saber brincar,

Aceitar os outros como são, com suas falhas e excessos

Que ser o dono da bola ou da verdade

Mais vamos aproveitar os bons momentos

Quanto antes percebermos que é mais divertido oferecer o que temos

Quando aceitamos o que os outros podem nos dar também

Mais amigos verdadeiros faremos

Mais felizes seremos…

Com a bola e com a vida, mesmo sendo os donos, não se brinca sozinhos…

Alda M S Santos

Medo da morte

MEDO DA MORTE

Morte, tão desconhecida e tão temida

Aquela que, mesmo sendo perda de tempo, por natureza, lutamos contra

É destino certo de todos nós

Ao menos a morte física

Mas mal sabemos que morremos todos os dias

Que tiramos vida de nós e dos outros

Quando não confiamos, quando fugimos, quando traímos

Quando acreditamos em mentiras,

Quando não nos tocamos com o sofrimento do outro

Quando alimentamos discórdias e tristezas

Quando criamos muralhas em torno de nós

Quando ignoramos a luz brilhante que se apresenta

Tantas vezes por temer a morte nós a atraímos mais e mais

Morremos quando evitamos a vida para não morrer

Morremos quando lamentamos a vida que não temos

Morremos quando invejamos ou desejamos a vida do outro

Ignorando a vida que está presente em nós

Morremos quando deixamos de amar, de nos entregar para não sofrer

De enxergar a vida que nos cerca por todos o lados

Em forma de pessoas, de seres vivos, de natureza, de sentimentos…

A vida pulsa no centro de nós como um milagre diário, não nos isolemos

A morte, apesar de certa, não precisa nos levar antes da deterioração do corpo

Não precisamos desejá-la!

Muitas vezes morremos por dentro, muito antes do corpo

Morremos diante de nosso corpo vivo

Essa morte é assustadora!

Alda M S Santos

O que nos move?

O QUE NOS MOVE?

Seres distintos que somos todos

Iguais apenas em nossa humanidade

Essa máquina complexa: corpo, mente, alma

Possuímos os mesmos combustíveis a mover nosso motor diariamente:

A dedicação ao trabalho

O conforto da fé

Carinho das amizades sinceras

Calor de um amor verdadeiro

Alegrias e dores da maternidade/paternidade

Gratidão pela família unida

Satisfação com o estudo e aprendizado

Prazer em cultivar corpo e mente saudáveis

Bem estar em fazer o bem, sempre que possível

Consciência tranquila e cuidado para não machucar ninguém

Acúmulo de bens materiais

Diversões variadas…

As preferências por um ou outro

Leva-nos a tecer a trama complexa da vida

A costurar esse tecido que nos ampara, liberta ou aprisiona

A dependência maior de um ou de outro é que nos difere

E nos torna mais ou menos felizes…

O que nos move?

Alda M S Santos

Ciranda da vida

CIRANDA DA VIDA

“Ciranda, cirandinha vamos todos cirandar…”

A vida é uma grande ciranda, nem sempre divertida

Onde todos somos “convidados” a brincar

“Vamos dar a meia volta, volta e meia vamos dar…”

Ora giramos para um lado, ora giramos para o outro

Ora somos vítimas, ora somos réus

Caindo ou derrubando nas voltas e meias

Quase sempre nos “tornando” juízes

“O anel que tu me destes era vidro e se quebrou…”

Vigiando para não quebrar o que temos de frágil

Cuidando para conservar aquilo que temos de mais precioso

“O amor que tu me tinhas era pouco e se acabou…”

Nas nossas vidas e naquelas vidas que se entrelaçarem às nossas

“Por isso, dona Rosa, entre dentro desta roda…”

O convite é feito a todo momento,

Deem-se as mãos, unam-se

Quem perde a ciranda da vida, essa cantiga de roda

Quando atina, o tempo já se foi…

“Diga um verso bem bonito,

Diga adeus e vá se embora”…

Vamos cirandar?

Alda M S Santos

Esquecimento

ESQUECIMENTO

Esquecer…

Um alívio que muitos procuram

Apagar o que machuca, deixar para trás

Esquecer…

Necessidade real, do que às vezes parece tão irreal

Cargas pesadas, difíceis, dolorosas, mágoas

Esquecer…

O que deixou de fazer por covardia, o que fez sem querer, os medos

O que fizeram consigo, com ou sem permissão

O que você fez com os outros sem pensar bem

Esquecer…

Para isso, muitos buscam drogas, alucinógenos, leveza para o que pesa

Esquecer…

A verdade é que na tentativa de esquecer, busca-se entorpecimento

Cria-se, muitas vezes, mais lembranças dolorosas a serem esquecidas…

Esquecer…

Sem resolver dentro de si o que machuca

É como suturar uma ferida infeccionada que ainda sangra…

Alda M S Santos

Apenas mais uma

APENAS MAIS UMA…

Nada tão humano quanto a necessidade de nos sentirmos especiais

De sermos importantes na vida dos outros, de fazer a diferença

Ao menos na vida de um alguém…

Descobrir-nos apenas uma pessoa a mais pode ser doloroso

Por mais que isso pareça ilógico ou infantil

Particularmente, se for na vida de alguém que nos é especial

Todos temos essa necessidade de sentir-nos amados, valorizados

Ser “apenas mais uma” deixa a sensação de fracasso

De não cumprimento de nossa tarefa por aqui, de vazio

E torna-se um círculo vicioso

Quando não nos sentimos especiais para o outro, não nos amamos o bastante

Se não nos amamos, menos chance temos de ser amados

E um mundo sem amor não é digno de ser vivido…

Alda M S Santos

Sem borracha

SEM BORRACHA

Viver é escrever à caneta, desenhar sem borracha

É precisar aproveitar cada linha escrita, cada traço feito

E nessa louca procura, em que o que se quer nem sempre se acha

Precisamos transformar dor em versos, disfarçar o que é tido como defeito

Para cada flor desenha-se um beija-flor

Para cada lágrima que cai uma rosa a sugar e reaproveitar sua dor

Para cada risco incerto desse desenho, às vezes sem cor

Tentamos fazer um grande e colorido mosaico furta-cor

Viver é pintar com verde-mata, vermelho-sangue ou branco- neve

Mas não dispensar o preto retinto ou o amarelo-girassol

É entender que nessa mistura é que se faz o que é eterno ou o que é breve

É saber dia ou noite, ser lua, céu, mar, estrela ou sol

Viver é desenhar sem borracha, é não descartar o borrão

É fazer uma obra-prima digna do Mestre, original

Ter sempre o olhar do artista, valorizar toda a emoção

É acreditar que a arte da vida sempre tem um tom divinal…

Alda M S Santos

Saber ou não saber?

SABER OU NÃO SABER?

A ignorância ou o conhecimento, qual escolher?

Que a doença é incurável, que há pouco tempo?

Prefiro não saber!

Que sou importante, necessária, o amor de alguém?

Prefiro saber!

Que sou dispensável, indiferente, que não sou mais a razão daquela alegria, daquele sorriso?

Prefiro não saber!

Que os caminhos podem estar esburacados ou sem saída?

Prefiro não saber!

Saber ou não saber?

Que fiz o bem, que alegrei, que errei e acertei, que distribuí o amor?

Prefiro saber, sentir!

Fechar os olhos ou estar ciente de tudo?

Saber ou não saber?

Seguir sabendo “tudo” de antemão ou ser surpreendido pela emoção?

Há coisas que pela mágoa e paralisia que podem causar,

Melhor não saber, simplesmente, ignorar e mergulhar

Para manter um mínimo de sanidade e prazer de seguir, de viver…

Alda M S Santos

Contradições (des)humanas

CONTRADIÇÕES (DES)HUMANAS

Silenciar, quando o desejo é gritar

Conformar-se, quando a sombra deixada pede luz

Acreditar, quando há tantos incrédulos e mentirosos

Justificar um erro, apoiado em erros alheios

Agir de modo contrário ao que se apregoa

Querer o que é eterno, destruindo eternidades

Gostar de jardim florido, mas não regar, não cuidar da terra

Mascarar para si mesmo o que está óbvio para todos

Insistir no mesmo erro infinitas vezes

Apontar no outro uma falha que é sua

Querer colher aquilo que não plantou

Plantar ou construir em terreno que não é próprio, que não pode colher

Fazer ao outro o que não aceitaria que fizessem consigo

Confiar, gerando desconfianças

Querer mudanças, sem ações concretas, sendo sempre o mesmo

Amar, mesmo sendo derrubado infinitas vezes.

Viver, mesmo que a “morte” se insinue todo o tempo

Somos assim, humanos carregados de desumanidades, em evolução…

Alda M S Santos

Muitas maneiras de estar sozinho

MUITAS MANEIRAS DE ESTAR SOZINHO

Um dos grandes temores de todos nós: a solidão

Tantas são as maneiras de se estar só

Cercados de gente, numa festa ou num bar

No trabalho, na academia, no lar ou na igreja

Pode-se estar mais só que sozinho no quarto,

No alto de uma montanha, num hospital, numa casa de repouso ou numa praia deserta

Solidão é estado interior, é negação da própria presença

Se dentro estiver vazio ou mal preenchido

Se não houver amor próprio e boas lembranças

Consciência limpa e fé no caminhar, no porvir

Podemos nos cercar de tudo e de todos

Que a sensação de solidão persistirá

Antes de buscar superar a solidão com companhias

Transferir para o outro a responsabilidade de nos preencher, que é nossa

Precisamos estar bem com nossa própria pessoa,

É com ela que sempre poderemos contar…

Alda M S Santos

Sim ou não

SIM OU NÃO?

Se é sim tudo é animação

Se é não quase sempre é frustração

Mas não se deixe enganar, meu irmão

O sim quando precisa ser não

Ou o não quando deveria ser sim

Fazem muita confusão na mente de qualquer Cristão

Sim ou não?

Pergunte ao seu coração

E o ouça com ajuda da razão

Sim ou não?

Porque em quase toda situação

É você quem paga o alto preço, ouve o sermão

E aguenta-se nos rochedos a forte arrebentação…

Alda M S Santos

Reclamações

RECLAMAÇÕES

Não podemos reclamar das flores murchas no jardim

Se não formos bons e zelosos jardineiros

Não podemos reclamar da destruição das tempestades

Se nós mesmos ignoramos as advertências da meteorologia

Não podemos reclamar da solidão

Se nós mesmos não cultivamos bons e saudáveis relacionamentos

Não podemos reclamar da saúde

Se negligenciamos cuidados mentais e físicos

Não podemos reclamar do tédio da vida

Se não buscamos algo de útil para nos ocupar

Não podemos reclamar do sol que nos castiga a pele

Se nós mesmos derrubamos as árvores que nos dariam sombra

Não podemos reclamar de dores físicas

Se nós mesmos criamos a carga a pesar nossos ombros

Não podemos reclamar pelo que não temos, por ausência de amor

Se nós mesmos que fizemos nossas escolhas

E não cultivamos o bom que se apresentou

Até podemos reclamar, mas que as reclamações se convertam em mudanças

Necessário é que deixemos o que faz mal ser levado,

Que possamos receber de braços abertos o novo, o correto, que faz bem

Buscar ações que partam de dentro de nós mesmos,

E nos tornem, a nós e aos outros, mais felizes…

Alda M S Santos

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