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poemas e reflexões da vida cotidiana

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barreiras emocionais

Através da janela

ATRAVÉS DA JANELA

Uma janela aberta, um mundo de possibilidades
O olhar vai longe, em busca de verdades
Lá fora a vida convida, nos chama
Quer nos levar para o  novo, o viver proclama

Janela aberta para o mundo, dentro da gente
Queremos passar, seguir em frente, na corrente
Não podemos viver sempre por um fio
É preciso vencer os medos, os desafios

Chega até nós o brilho e calor do Sol
Nos viramos para ele feito girassol
Cores e perfumes das rosas seduzem
Lua e estrelas na escuridão reluzem

Há um ímã, através da janela há atração
Um viver além de nós mesmos, mais emoção
Pode ser de bondade, estender de mãos
Também de amor,  paz, um viver mais irmão

Alda M S Santos

Pra depois

PRA DEPOIS

Melhor deixar para depois, agora não
Quem sabe o vento muda a direção
Ou amanhã não vai chover, haverá Sol
Poderei me encantar com o canto do rouxinol

Esse trabalho pode esperar outra hora
O lazer não precisa ser para agora
Aquele desejo antigo que carregamos conosco
Já perdeu o brilho, a cor, ficou fosco

Num eterno procrastinar,  deixar para depois
O tempo não espera ninguém, é sabido
Quando se percebe já não se acha mais abrigo
A vida vai passando, deixando feridos

Urge aproveitar agora cada anoitecer
Aproveitar a vida entre as flores no alvorecer
Fazer nossa hora, ensolarada ou nublada
Não dá é para ficar por aqui estacionada

De depois em depois a vida se esvai…

Alda M S Santos

Esconderijos

ESCONDERIJOS

Somos, a vida toda, eternas crianças
A brincar conosco de esconde-esconde
São vários esconderijos nessas andanças
E vamos tentando não cair desse bonde

Há nessa nossa viagem refúgios diversos
Para cada situação ou momento adverso
Ora escondemos numa atividade exterior
Ora bem lá dentro de nós, nosso interior

Às vezes estamos atrás de um sorriso feliz
Noutras num momento de lágrimas ou oração
Ou naqueles em que estendemos nossa mão

Esconder pode ser um momento de nos refazer
Poupar energias, encontrar a harmonia
Para seguir esse caminho em total sintonia

Alda M S Santos

O valor de uma vida

O VALOR DE UMA VIDA
Ânsia, necessidade premente de seguir
Seguir em frente para o desconhecido, o novo
Até onde não haja mais chão para caminhar
E ali pousar…
Ânsia, necessidade premente de seguir
Seguir, mas pegando o retorno, voltar
Até um bom lugar, um ponto pacífico, saudoso, confiável
Buscar o conhecido, prazeroso, sentar
E ali pousar…
Todo desejo de seguir esconde um embutido desejo de estacionar
Num lugar de tranquilidade e paz…
Enquanto houver propósito de seguir haverá vida
Em pouso ou em trânsito…
Cada qual faz sua melhor versão do caminho
Cada um sabe o valor de sua vida e das vidas alheias …
Alda M S Santos

É preciso permitir-se!

É PRECISO PERMITIR-SE!
É preciso se permitir sorrir para o bem propagar, o bem atrair
Mas também é preciso se permitir chorar,
Para a tristeza extravasar, a alma lavar.
É preciso se permitir amar para a vida ser plena, o coração não ser pequeno,
Mas também é preciso se permitir não gostar, se afastar do que faz mal,
Para respeitar a si e ao outro.
É preciso ser permitir falar, dizer tudo que agrada ou incomoda,
Mas também é preciso se permitir calar, silenciar, segredar,
Para não magoar, não magoar-se!
É preciso se permitir ser o que é, viver a própria essência,
Mas também é preciso saber aceitar a essência dos outros.
É preciso se permitir viver,
Mas de um modo que não fira ou impossibilite a vida alheia.
É preciso permitir e permitir-se!
Alda M S Santos

De pouquinho em pouquinho

DE POUQUINHO EM POUQUINHO

Um passo de cada vez, sem atropelar
Dá para ir longe nessa viagem, nesse lugar
Fora ou dentro de órbita, só ou acompanhado
A vida gira, segue, sabe o que deixar de lado

O sorriso pode se esconder, o olhar ficar apagado
Mas de pouquinho em pouquinho dá para esquecer
O que deixa o coração triste e amargurado
E buscar nas reservas internas uma razão de ser

Bem devagarinho dá para ir cicatrizando
Com carinho e atenção, a alma vai acalmando
Não desistir de seguir, tampouco ficar chorando
Até a ferida ficar curada, não dá para ficar cutucando

De gota em gota dá para cuidar do broto
Hidratar, reanimar, cozer o que estiver roto
Quero mesmo é apagar o que está dolorido
E pintar sempre nessa tela um novo colorido

Alda M S Santos

Quem sou eu para questionar?

QUEM SOU EU PARA QUESTIONAR?

Tenho direito às minhas sombras!

Até o Sol se esconde no horizonte, tira um tempo para si
As rosas perdem suas pétalas que adubam o jardim
A Lua tem suas fases, sua luz e sua escuridão
O rio tem tempo de seca, quase desertificação

Tenho direto às minhas sombras!

Os ipês têm tempo de beleza, de florescer
Mas também têm períodos em que parecem morrer
O mar tem as marés, altas, baixas, as ressacas
Os trópicos também têm períodos de friaca

Também tenho direito às minhas sombras!

Até mesmo a fé tem momentos em que não move tantas montanhas
Ou os heróis tiram a capa, sem grandes façanhas
O amor tem momentos carentes, em que tem mais fome ou sede
E a vida pede uma pausa, um descanso na rede

Então, quem sou eu para questionar minhas sombras?

Alda M S Santos

Sexta-feira, treze

SEXTA-FEIRA, TREZE

Sexta-feira treze, dia de cuidar de nossos gatos pretos

Sejam eles quais forem

Sexta-feira treze, dia de proteger nossos bichinhos

Daqueles que têm o “azar” da ignorância

E neles descontam suas fobias, superstições e preconceitos

Sexta-feira treze, quatorze ou quinze

Com gatos pretos, cães marrons ou pessoas amarelas

Debaixo de uma escada ou sobre um arranha-céu

Dia de acreditar que a sorte se faz todo dia

Começando com ambos os pés

Dia de saber que despedidas são sempre tristes, sobre pontes ou não

Que fazer caretas é feio todo o tempo, que calçados virados são apenas distração

Sorte somos nós que fazemos, de segunda a segunda

Primeiro a trinta e um, a gosto de Deus

De preto, de branco ou multicolorido

Tendo ou não os pés varridos

O amor não será varrido de nós

Se mantivermos atitudes de bondade, sabedoria e compaixão…

Boa sexta-feira a todos! ❤️ 🐈Alda M S Santos

Era uma vez…

ERA UMA VEZ…

Era uma vez…
Um alguém que confiava em todos os alguéns
Acreditava nas palavras belas, nos sorrisos
No que trazia, no modo de ver a vida, de fazer poesia
Não enxergava as sombras, as energias ruins
Vivia no bem, via o bem, atraía-se pelo belo

Era uma vez…
Uma menina ingênua, ela sempre foi assim,
Alegre, sorridente, encantada e encantável
Chegavam trazendo o afeto, a amizade
Um estender de mão que parecia realidade
Sonhos doces a alimentar sua vaidade
Até tudo desmoronar com a cruel verdade:
Não é todo alguém que merece sua lealdade!

Era uma vez…
Um alguém que tenta se corrigir
Quer não mais confiar, só seguir
Apagar os sonhos, ficar só com a realidade
Abrir bem os olhos, afastar toda maldade
Ativar o botão de alerta, ser severidade
Será que conseguiria não ter mais docilidade?

Era uma vez…
Um alguém que tenta seguir
Sem perder a fé no ser humano, no existir
Que quer não se enganar pelas aparências
Mas não quer perder a luz, sua boa influência
De uma alma que confia e mantém sua essência

Era uma vez…

Alda M S Santos
Tarde de Poesias: ERA UMA VEZ

Você está curado?

VOCÊ ESTÁ CURADO?
Se já não dói quando o tempo esfria
Se não muda de cor de acordo com as fases da Lua
Você está curado…
Se não fica febril ou não tosse mais
Se os espirros e coriza foram embora
Você está curado…
Se os pesadelos não mais te atormentam, os calafrios cessaram
Crises de pânico e tristeza passaram
Você está curado…
Se a cicatriz fechou, não mais sangra
Se as lembranças são apenas lembranças e não machucam mais
Você está curado…
Se não chora ao ouvir aquela música ou passear naquele jardim
Se um poema, um livro ou autor são apenas boa literatura
Você está curado…
Mas se a mágoa é maior do que a esperança
Se oferecer a si o perdão é mais difícil que a revolta
Ainda não curou…
Se as minhocas na cabeça ainda são assustadoras, incomodam
As borboletas ainda reviram o estômago
Ainda não curou…
Se só quer dormir ou sumir
Se se esconder é melhor que viver
Ainda não curou…
Mas se quer mesmo se curar
Física, mental ou emocionalmente
Escolha viver e os males enfrentar
A vida é receptiva aos que sabem lutar!
Alda M S Santos

Lançando laços

LANÇANDO LAÇOS
A vida eu sigo lançando laços
Desfazendo nós, conquistando abraços
Numa brincadeira séria procuro me divertir
Ora sou mágica, ora bailarina, ora palhaça
Nesse circo faço meu espetáculo
Percorro caminhos, venço distâncias, detono o cansaço
Não provoco grandes barulhos ou estardalhaço
Me protejo, no picadeiro tento não me partir em mil pedaços
Mesmo que, muitas vezes, seja ferida pelos estilhaços
Sigo nessa travessia em busca de luz e paz
Procuro demarcar meu próprio espaço
Tentando não depender de aplausos
Cuidadosa para não afastar os gostosos amassos
Nesse eterno vai e vem, levanta e cai
Me desembaraço, me enlaço, me desfaço e me refaço
Alinho a fé, a coragem e nossos passos
Para chegar ao final dessa travessia num único compasso
Sigo a vida lançando laços…
Alda M S Santos

Perto de você

PERTO DE VOCÊ

Perto de você eu não tenho medo
Nas situações difíceis não faço segredo
Peço sua presença todo o tempo
Com você enfrento qualquer contratempo

Você me aceita, me acolhe, me ampara
Afasta o negativo, do mal me separa
Me corrige, me dá colo, me anima
Sou mulher, sou terna, sou sua menina

Não tenho medo se tiver você
Longe ou perto, pode parecer clichê
Sinto sua proteção, seu amor, seu porquê

Você está comigo no sol, no céu, na lua
Em cada anjo que me manda, te sinto, sou tua
Com valentia, a ti me apresento de alma nua

Alda M S Santos
XLI Encontro Pôr Do Sol
Tema:” Não Tenho Medo Perto De Você

Eu gosto

EU GOSTO

Gosto de quem acredita que vale a pena
Não é superior, nivela, mantém a alma serena
Que sabe ser aconchego, acolhimento
Não desvaloriza dor, não desfaz do sofrimento

Gosto de quem sabe ser afeto, ser calor
Demonstra isso em atos e palavras com ardor
Esse mundo anda tão sem sentido, doloroso
Urge ser colo, ser abraço, ser amoroso

Gosto de quem sabe gostar, não machucar
Sabe compreender, ajudar, sem julgar
Gosto de gente que sabe ser gente, mesmo ao errar

Gosto de aprender com nossa humanidade
A cada passo ou descompasso ser verdade
Gratidão, liberdade, lealdade e simplicidade

Alda M S Santos

TOMBOS

TOMBOS

Qual o tombo mais alto, que mais machuca
Aquele que se cai de cima de uma árvore
Dos galhos verdes da esperança
Ou dos desejos de pujança?

O que se perde a classe, sai do salto
O que cai das expectativas de felicidade
Ou o que despenca da magia dos sonhos
E cai forte na cruel realidade?

Qual tombo machuca mais?
O que fere o corpo, causa fraturas
Ou o que faz sangrar o coração
Sem esperança de qualquer cura?

Qual tombo machuca mais?
A queda da razão ou da emoção?
A tristeza da desconfiança ou da decepção?
Qual ferida que não cura, não há cicatrização?

Qual?

Alda M S Santos

Desapego

DESAPEGO

Deixar para lá, essa é a nova ordem, desapegar
Não insistir no que só faz machucar
No que te afasta de si, te deixa sem lugar
Ou que tira o foco, faz nublar, faz chorar

Desapegar com consciência
Ter a alma livre, sem dependência
Somos feitos de mente e coração
Equilibrar é bom, não faz mal não

Busquemos assim o desapego
Mas não vale trocar um por outro apego
É preciso algo que traga paz e sossego

A vida pede carinho, busque arrego
Ainda que venha de si mesmo
Amar-se é por aqui um bom emprego

Alda M S Santos

Canoa furada

CANOA FURADA

São tantas as canoas nas quais embarcamos nessa vida
Algumas por querer, por escolha, boa opção
Outras por não haver alternativa, imposição
E aquelas que parecem, na verdade, melhores do que são

Bem ou mal as canoas são transportes
Devagarinho, certo ou não, mostram-nos um norte
Mas todo cuidado é pouco com as canoas furadas
Elas podem nos fazer afundar e sofrer nessa jornada

Mau uso, super lotação, descaso ou abandono
Tudo isso pode quebrar ou furar a canoa
E fazer dessa nau uma viagem à toa

Quero uma canoa que seja forte para não me afogar
Que me leve a navegar, por aí passear, flutuar
E encontrar um bom cantinho, parar e amar…

Alda M S Santos

Sentimentos

SENTIMENTOS

Se formos hierarquizar sentimentos
No topo os que trazem mais contentamento
E lá embaixo os que são mais sofrimento
Em que lugar estariam os seus a contento?

Amor está no topo, de todos o melhor
Mas outros que não são tão nobres
Ele pode trazer atrelados consigo
Causando mágoas, parecendo castigo

Respeito, confiança, lealdade são bons aliados
Indiferença e desatenção são mal falados
Machucam e ao fracasso estão fadados
Mas o ciúme é o pior e mais mal avaliado

Ciúme ruim de sentir, além de doer e cortar
Também pode coisas boas podar ou matar
Certamente lá embaixo é seu lugar

Alda M S Santos

O bem contido no mal

O BEM CONTIDO NO MAL
Em todo mal, se olhado com cuidado, se melhor observado
Há algo de bom que possa ser aproveitado
A luz não teria tanto brilho, se a sombra não amedrontasse
A liberdade só é tão almejada por quem já viveu qualquer tipo de prisão
A saúde é percebida como um bem maior quando sofremos qualquer dor
O silêncio é melhor sentido pós barulho intenso
O amor é indispensável a quem sofreu com indiferença
A paz é maior bênção onde já se viveu a guerra
Alimento e abrigo são presentes para quem viveu ao relento e passou fome
A vida tem maior valor quando vencemos a morte dia a dia
Sentimos melhor a presença
Onde antes houve ausência
O cheio só tem valor onde houve vazio
A percepção da falta mensura a fartura
A iminência da perda evidencia qualquer preciosidade
Faz-nos valorizar e ser gratos ao que temos…
Alda M S Santos

Um novo lar

UM NOVO LAR
E o isolamento acabou
Saímos de nossas cavernas internas
A luz forte até doía nas vistas
Mas a gente não se importava
Éramos só sorrisos, pura alegria
O mundo era um novo lugar
Todos se abraçavam, como nunca antes
As pessoas pareciam outras, eram outras
Energia renovada para essa nova morada
Tudo tinha mais cor e brilho
O coração era mais emoção, compaixão
Havia grande necessidade de união, de ser irmão
Muito havia sido destruído lá fora
Alguns não resistiram, foram embora
Vidas ceifadas nessa longa jornada de regeneração
Acolhidas seriam noutra dimensão
Havia muito para reconstruir na Terra
Mas cá dentro tudo estava em paz
E se dentro há paz ela será disseminada
Quem nos preparou para isso não erra
A humanidade tinha esperança, estava animada, renovada
Éramos novas pessoas para fazer um mundo novo
E esse despertar do amor só a fará ganhar
Vida, paz, um novo lar…
Em orações para que seja breve esse sonhar…
Alda M S Santos

Provisões

PROVISÕES

Arrumou bem arrumada sua bagagem
Nada queria deixar para trás naquela viagem
Seu intento era ter muitas provisões
Para enfrentar o que viesse, muitas emoções

Colocou boas memórias, muitas lembranças
Cada passo dado, estacionado, as andanças
Guardou na mala expectativas, sonho especial
O motor de tudo, suas vontades, seu natural

Seguiria em frente, não haveria um rumo
Certo é que buscaria onde quer que fosse
Um cantinho que oferecesse paz, um prumo

Abriria as porteiras da alma, sentaria à mesa, tomaria um café
Uma prosa longa, pacífica, demorada, desejada
Restaurando consigo a alegria, o autoconhecimento, a fé

Alda M S Santos

Não dá!

NÃO DÁ!

Não dá para viver na desconfiança

Na incerteza, na dúvida, na desesperança

A vida pede mais amor, mais aliança

Não dá para viver só de desejos e sonhos

Por mais belos e encantadores que sejam

O viver clama por momentos reais, mais risonhos

Não dá para viver contando as horas

Esperando que logo chegue aquela hora

E não deixar a alegria ir embora

Não dá para fugir para o mundo da imaginação

Precisamos voltar, recapitular, fazer a lição

Amar é tarefa que exige dedicação

Não dá viver sempre essa  montanha russa de sensações

Ora feliz, ora triste, tantas emoções

E a vida necessitando, gritando por ponderações

Não dá para esperar a magia cair do céu

Precisamos lançar mão de papel e pincel

E pintar aqui nosso divertido carrossel

Alda M S Santos

Renovação

RENOVAÇÃO

Hora de se recolher, hibernar, renovar
Perder folhas, abrir espaço para o novo chegar
Que seja lindo, que possa a tudo purificar
Uma alma leve e em paz tem seu lugar

A vida pede calma, pede paz e união
Que possamos num momento de introspecção
Encontrar num cantinho especial do coração
Um estoque de bondade, luz e compaixão

Afastar o que machuca, jogar fora a amargura
Restaurar a força, a energia e a bravura
Somos melhores quando semeamos a doçura
Se há ingratidão, doe perdão e mais ternura

Vamos saudar essa nova estação
Abrir espaço, ser luz em cada coração
Perde quem não sabe amar, ser emoção
Façamos um lindo louvor de purificação

Alda M S Santos

Diante do Espelho

DIANTE DO ESPELHO
Diante do espelho eis a questão:
Quem é essa que me retribui o olhar?
Que olha além do brilho úmido, do tom castanho?
Dos cílios negros, do piscar intermitente?
Que tenta atravessar, ver em 3D, do outro lado?
O que vê? O que quer? Do que precisa?
Corajosa, mantém o olhar fixo em mim.
Mergulho profundamente, navego ali, temo me perder.
Vasculho recantos escondidos, cutuco pontos doloridos
Áreas obscuras, fechadas, há muito trancadas.
Retiro descartes jogados num canto, recupero itens da lixeira,
Troco “objetos” de lugar, demoro-me junto a alguns sentimentos
Sento, converso com eles, negocio, tento compreendê-los,
Aceitá-los, aproveitá-los, reativá-los ou descartá-los.
Tanta gente que já se foi e está ali. Reencontros, sorrisos. Para sempre serão amadas.
Vejo muito, vejo tudo, entendo tanto!
Hora de voltar!
Ela continua a me olhar. Lágrimas escorrem ali…
Lubrificaram o caminho difícil.
Encaram-se. Sorriem.
Não foi difícil encontrar o caminho de volta.
Bastou seguir o amor, como migalhas de pão, deixado nas trilhas.
Apesar de tudo, são vitoriosas.
Lembram de um verso que leram:
“Perdoa o que tiver que perdoar, abrace o que tiver que amar e o resto deixa, que a vida se encarrega de afastar”- (Tati Zanella)
Ou trazer de volta.
Alda M S Santos

Descaminhos

DESCAMINHOS
Um caminho acertado se faz de muitos descaminhos
Quantos desalinhos são necessários para se alinhar
Quantos despareados encontramos antes de bem parear
Quantas lágrimas são necessárias para fazer brilhar o sorriso
Quanto precisamos nos perder para ter a certeza que nos encontramos
Quantos desatinos cometemos até conseguirmos nos atinar
Quanto precisamos entender do que se passa dentro de nós
Para entendermos minimamente o que se passa dentro do outro?
Quanto?
Todo histórico de acerto carrega consigo um sem número de rascunhos…
Alda M S Santos

Grade de proteção

GRADE DE PROTEÇÃO

Marcamos em nosso entorno o que nos causa mal
Uma caveira num produto que pode ser fatal
Uns cones onde transitar não seria o ideal
Grades de proteção onde há perigo real

Para as ameaças físicas sabemos nos alertar
Para poder da ameaça nos desviar
Que fazer quando o alerta precisa ser emocional
Fugir das tempestades, do vendaval?

Lembrar que não dá mais para mexer ali
Pode nos dar choques, nos ferir
Não mais nos enveredar nesses caminhos
Que parecem bonitos, mas são daninhos

Como avisar a alma, qual grade usar?
Que fazer para ela se proteger, se cuidar
Um quadro bem grande em letras garrafais
Escritas em alerta vermelho: AQUI JAMAIS?

Risco de abalo císmico da emoção
Proteja sua vida, sua lida, seu coração
Será que vale esse alerta, não há senão
Esse quadro de aprendizado e lição?

Tão importante quanto não cair num buraco
É não deixar o coração se expor, ficar fraco
Quem não aprende na primeira lição
Sofre depois em busca de recuperação

Alda M S Santos

Confusão interna, carinho externo

CONFUSÃO INTERNA, CARINHO EXTERNO
Ela acordou meio down. Um dia cheio a aguardava.
Adorava dias cheios, mas nem isso a animava a sair da cama.
Espreguiçou-se longamente e levantou. Escovou os dentes e nem quis se olhar no espelho. Seria assustador!
A bagunça interna estaria em seus olhos.
Resolveu fazer o que toda mulher faz nessas ocasiões: cuidaria do exterior primeiro.
Seria mais fácil. Aumentaria a autoconfiança e a atenção poderia ser total à bagunça interna.
Unhas, cabelos e pele tratados, partiu para a mente e o coração.
Conversou com amigos e familiares queridos.
Leu um livro que gostava, escreveu um pouco.
Partiu a ajudar os outros…
Talvez quando terminasse, a bagunça nem seria mais tão importante!
Alda M S Santos

Quisera

QUISERA
Quisera poder voar
Bem alto, bem longe
A tudo de lá observar
Devagarinho, asas bem abertas
Poder planar, descansar
Calmamente, escolher onde pousar
Quisera poder voar
Como que por encanto
Cessar a dor, o pranto
De uma nuvem qualquer fazer meu canto
De travesseiro, repouso e acalanto
Quisera poder voar
Passar pela mente de toda gente
Sondar a alma, fazer inspeção
Saber onde há pouso para meu coração
Quisera poder voar
Para o mundo da magia, da fantasia, da poesia
E levar comigo quem quiser amar
Quisera poder voar…
Alda M S Santos

Loucuras?

LOUCURAS?
Quero ser um caracol, fechar-me dentro de mim mesma
Sair apenas quando a luz de fora entrar
Ou a de dentro conseguir iluminar tudo lá fora
Quero brincar de esconde-esconde
Encontrar um esconderijo bem original
E lá ficar até ser encontrada por alguém com a mesma ideia.
Quero inspirar fundo, bem fundo, sufocar-me em coisas boas
E expirar, jogando fora tudo que faz mal
Quero correr, correr muito, sem direção, até esgotar todas as forças e não sentir mais nada.
Quero ser uma bolha de sabão, subir, subir nas árvores, nas nuvens, encantar e desaparecer.
Quero mergulhar, sem máscaras ou snookers, sentir tudo, descobrir tudo
Afogar-me, se preciso for, e renascer.
Loucuras?
Às vezes são necessárias para se manter a sanidade.
Alda M S Santos

O acaso existe?

O ACASO EXISTE?

O acaso é aquele que chega e faz acontecer
Expõe o que estava brincando de esconder
Não importa se te fará feliz ou sofrer
Ele chega e faz bagunça no seu viver

O acaso desnuda almas, clareia emoções
Um jeito de ser, atitudes e sensações
Abre portas, escancara janelas da alma
Confronta palavras e atitudes sem calma

Será mesmo coincidência, um acaso?
Ou não existe nada aqui por acaso
Não importando se é de teor profundo ou raso

Se o acaso quiser mostrar algo
É bom olhar, prestar atenção
Em tudo há que se tirar uma lição

Alda M S Santos

Errante

ERRANTE
Já sofri, já chorei, quis fugir, desaparecer
Já fui forte, frágil, ponte, muro, travessia
Já fui luz e sombra, frio e calor
Já fui arredia, também colo acolhedor
Já me doei, ja recebi, fui roubada
Andei meio perdida, desamparada
Amei e fui amada
Já fui arco-íris, céu azul, dia cinzento
Já fui falta e complemento
Já fui raiva, decepção, saudade e solidão
Fui também coragem, destruição, reconstrução
Não digo que nunca mais vá errar
Ou que não vá pela contramão
Sei apenas que a cada queda, um machucado
A cada levantar, mais vida, mais aprendizado
Sou apenas um ser errante, falho, aprendiz
Que procura por aqui ser e fazer feliz…
Alda M S Santos

Depois da tempestade

DEPOIS DA TEMPESTADE

O Sol sai entre nuvens, meio devagar
Talvez incerto do momento a brilhar
Desce sobre espaços antes alagados
Atravessa e invade cada cantinho molhado

Como nossa coragem ao acordar
Depois de uma noite fria, levantar
É preciso sair dos pesadelos, da lama
Sabendo que lá fora a vida chama

Pós- tempestades é reavaliação
O que fica, o que merece reconstituição
E o que já era, não tem salvação

Toda tempestade tem sua função
Em cada um de nós pode ser libertação
A chance de seguir, ser mais razão ou coração

Alda M S Santos

Levezas

LEVEZAS
Não quero pesos, encostos
Preciso dispensar excesso de bagagens
Particularmente cargas emocionais que subjugam a alma e o corpo
Distribuir com equidade os demais “pesos”
Tornando-os mais leves, prazerosos de carregar
Preciso de mais confiança, esperança e paz
Preciso de mais cores, mais brisa, mais brilho
Mais reflexos positivos de mim nos outros
Dos outros em mim
Preciso manter a fé na humanidade
A fé em mim mesma
Por um mundo onde reinem
A suavidade, a beleza, a delicadeza
O encanto, o amor e a magia
Que nos atinja a todos
E que aconteça em via dupla
Que haja reciprocidade!
Alda M S Santos

Tá no ar

TÁ NO AR

Não precisa ir muito longe, não há mistério
Tudo que precisa saber está ali, é sério
Basta um olhar atento, aguçar a percepção
Inspirar, expirar, pra captar no ar toda a emoção

Se quer algo direto é só as palavras ouvir
Mas cuidado, com elas é fácil fingir
Mas se quer algo verdadeiro busque o olhar
Ali poderá ver opacidade ou sua luz brilhar

Há profundidade na essência, ela não é superficial
É o que temos de autêntico, belo, bem natural
E quando atiçada causa até mesmo um vendaval

Mas se quer mesmo alguém desvendar
Veja as atitudes, o sorriso, inspire, tá no ar
Perfumada como rosa, linda e clara como a luz do luar

Alda M S Santos

Quando falta o ar…

QUANDO FALTA O AR…

Entre tantas as coisas a nos faltar
Se for matéria já nem tem em nós lugar
Se for um sentimento bom para apaziguar
Buscamos sedentos para nos emocionar

Há tanta coisa que pode nos faltar
Acostumados já estamos a lidar
Até por alguns momentos ficamos sem ar
Quando a emoção vem nos subjugar

Mas só assim ele é bom se faltar
Pois representa expectativa de alegria
E não quando a vida foge, agonia

Na maior fonte de oxigênio do mundo
Falta o ar, falta vida, cuidado, proteção
Que Deus nos abençoe, nos estenda a mão

Alda M S Santos

Minhas pedras

MINHAS PEDRAS

Há coisas que devemos por bem compartilhar

Alegrias, amor, sorrisos, carinho

Coisas que fazem bem trocar

Também é bom, até necessário, falar, conversar

Desabafar, dividir com alguém as pedras do caminhar

Mas é importante também saber a hora de calar

Há pedras que podemos com o outro revezar

Outras são só nossas, não dá para repassar

Sob pena de o peso ser grande demais

Para que qualquer um possa carregar

Melhor deixar apenas as flores perfumar

As minhas, as suas, as nossas pedras

Um dia serão um belo calçamento

Onde desfilarão somente bons sentimentos

Alda M S Santos

Passeio em mim

PASSEIO EM MIM

Gosto de passear em mim
Em meus espaços ensolarados
Nos meus jardins encantados
Nos meus sonhos amalucados

Gosto de passear em mim
Nos meus recantos mais secretos
Nos meus caminhos nem sempre retos
Nos meus desejos tantas vezes incertos

Gosto de passear em mim
Derrapar nas dúvidas das curvas sinuosas
Nas memórias doces, às vezes perigosas
Nas esperanças do amanhã, majestosas

Gosto de passear em mim
Posso me cansar ou relaxar
Me perder, para me encontrar
E retomar o caminho de me amar…

Alda M S Santos

Saudades de mim

SAUDADES DE MIM
Saudades de mim…
Do tempo em que eu me bastava
Não por autossuficiência,
Mas por saber o que buscar
Como, porque, quando.
Saudades de mim…
Do tempo em que eu era o bastante
Não para todos,
Mas para aqueles que me são caros…
Saudades de mim…
Do tempo em que eu sempre estava aqui.
Que me atendia prontamente ao primeiro chamado
E não era preciso gritar tão alto.
Ou me encontrar no silêncio mais profundo de mim mesma.
Saudades de mim…
Alda M S Santos

Além das nuvens

ALÉM DAS NUVENS

Subindo, subindo, além das nuvens
Cada vez mais alto, mais longe
Qual seria o limite permitido
Para um coração tão incontido?

Além das nuvens, altitude indefinida
Desejo de subir, seguir, não parar
Buscar o que há além do que a vista alcançar
Até não ser mais possível retornar

Quem sabe haverá no espaço
Aquilo que não encontramos aqui embaixo
E nos faça entrar de novo no mesmo compasso

Talvez haja um botão liga/desliga
Que afaste a letargia, a briga, a fadiga
E plugue a todos no amor, na mesma cantiga?

Alda M S Santos

Como rosa

COMO ROSA

Como uma rosa quero receber feliz a chuva da madrugada
E amanhecer viçosa e alegre mais uma alvorada

Como rosa quero me aquecer ao sol agradecida
E exalar para todos meu perfume intenso, bem colorida

Como rosa que atrai borboletas e joaninhas para se alegrar
Quero encantar quem de mim se agradar

Como rosa quero de intrusos me proteger
Se preciso, usar meus espinhos para me defender

Como rosa quero estar entre flores num jardim
Ou nas mãos de alguém apaixonado, a fim, enfim…

Como rosa quero cor, perfume, delicadeza, intensidade
Ser prazer e alegria nesse mundo cheio de maldade

Como rosa quero carinho, amor, presença e cuidado
De um jardineiro que sabe o que faz, apaixonante, apaixonado

Como rosa quero deixar doçura numa alma impregnada
Quando minhas pétalas forem adubo na terra molhada

Alda M S Santos

Não gosto

NÃO GOSTO
Não gosto de saber
Dessa vida tão passageira
Não gosto de não saber
Das necessidades não atendidas
Não gosto de querer
Impossibilidades
Não gosto de não querer aquilo que me cabe
Não gosto de me envolver naquilo que não tem sentido
Não gosto de estar à parte do que tem verdadeira importância!
Não gosto da ausência de respostas
Não gosto de parecer mal agradecida
Não gosto de não gostar
Tento muito gostar
Mesmo do que não mereça meu gosto, meu gozo, meu prazer…
Gostando ou não gostando,
Vou seguindo meu caminho
Fazendo meu viver
Enquanto não perecer.
Alda M S Santos

A casa

A CASA
Era uma casa tão linda, iluminada, acolhedora
Ajudou a construir, tijolo a tijolo, decorou
Conhecia cada detalhe, cada recanto, cada morador
Cada espaço especial, cada fresta
Pontos fortes, fragilidades, a tudo amou
Abriu janelas, escancarou portas
Plantou flores, distribuiu perfume, delicadezas espalhou
Regou todos os canteiros do jardim com cuidado
Ajeitou as imperfeições do telhado
Grandes festas houve ali, bem animadas
A Lua refletindo na linda casa do lago testemunha dos afagos
Algumas tempestades enfrentou, ventanias acalmou
Ir e vir de visitantes encantados superou
Tinha naqueles corredores livre trânsito
Mas agora a chave se perdera, não a possuía
Já não tinha mais fácil acesso ali
De fora tudo parecia diferente, nada se apresentava do mesmo modo
A casa permanecia perfeita, cada dia mais formosa
Entre tantas outras na rua, bem parecidas, era a mais linda, tinha história
Sentia-se orgulhosa com tão linda construção
Morada que sempre faria parte de seu coração
Se quisesse entrar precisaria bater à porta
Aguardar permissão para estar em comunhão
Era um novo modo da vida seguir, continuar
Novas paredes construir, se proteger, telhados levantar
Sempre, sempre plantar belos jardins, cuidar, enfim
E jamais se esquecer que nunca, nunca se perde na vida por amar

Alda M S Santos

Pegadas

PEGADAS
Se daqui a um século
Tudo que existir de você
For aquilo que deixou registrado
Em palavras, versos quase apagados
Se seguissem suas pegadas
Aquelas impressas, leves ou pesadas
Conseguiriam ao menos de você fazer um esboço?
Em tudo que compôs, escreveu
Que iria sobressair como seu?
Paz, esperança, amor, tranquilidade
Medos, lutas, persistência, coragem, solidariedade
Qual seria seu retrato, seu moço?
Não é preciso um grande feito para se eternizar
Vários pequenos feitos também têm seu lugar
Suas pegadas, poetas, são suficientes
Para seu presente no futuro te eternizar?
Alda M S Santos

É preciso

É PRECISO

Não dá para engolir ou segurar
Aquilo que fica preso no peito
Que parece que vai entalar ou machucar
Se não fizer algo a respeito

Sentimento foi feito para se expressar
Não importa se é bonito ou feio
Se está preso pode uma hora estourar
Não vale a pena por nele um freio

Se for tristeza deixe a lágrima lavar
Se for desarmonia deixe o diálogo acertar
Se for decepção ache espaço para o perdão
Se for solidão busque outro coração

Se for alegria deixe o sorriso iluminar
Se for amor, deixe ocupar seu lugar
Se for esperança deixe a alguém contagiar
É preciso, de todo modo, a alma extravasar

Alda M S Santos

Dores

DORES

Qual a dor que mais dói em nós,
Aquela que nos isola, nos deixa sós?
A que corta laços, cria nós
Ou será a que o mundo todo escurece
E as cores já não nos enternecem?
Qual a dor que mais dói em nós
A que é forte, caráter pulsante
A que nos põe em luto, amargurante
A que nos torna um rio de lágrimas a brotar
Ou aquela que nos deixa tensos, sem lugar?
Qual a dor que mais dói em nós
Aquela em que culpamos a nós mesmos por ingenuidade
Ou a que a outros atribuímos, por insensibilidade?
Qual dor que mais dói em nós?
A que se cura com um chá e um analgésico
Ou aquele que pede mesmo é um colo, um abraço, doce anestésico?
Qual dor dói mais em nós?

Alda M S Santos

Fragilidade

FRAGILIDADE

Dias que qualquer coisa te faz rir ou chorar
Emoções à flor da pele, sensibilidade total
Não importa se é algo bom que acontece
Ou a decepção que te enfraquece, já é normal
Acaba em lágrimas, como rio, desaguando
Não entende bem o porquê
Ou se entende não quer fazer fuzuê
A vida sacode, joga para baixo e para cima
Para ver se você se convence que essa é sua sina
Não adianta esconder, fugir, desaparecer
Sempre haverá algo para te fazer muito sorrir
Ou para te fazer chorar, sofrer
Ora querer seguir, ora desistir
Mas, como sempre, a vida segue suas trilhas
Será que faltam ainda muitas milhas?
Tem horas que gostaria de saber
Só para ver se valeria a pena esse viver

Alda M S Santos

Entre rosas e espinhos

DUETO POÉTICO

ANGOLA & BRASIL

ENTRE ROSA E ESPINHOS

Quem ama rosas, quem ama jardins
Sabe que entre tantas cores, perfume e suavidade
Há espinhos que fazem parte, são afins
Como a vida com seu pacote de maldade e bondade (AMSS)

Rosa encarcerada nos espinhos
que se vergam nos seus contornos
vive caçando orifício para sair
almeja turistas lá fora atrair (MK)

Não pode dizer que ama a rosa se não aceita seus espinhos
Não pode dizer que ama a vida e só aceita seus carinhos
Na rosa espinhos machucam, afastam invasores, são proteção
Na vida os espinhos servem de aprendizado, são lição para evolução(AMSS)

Espinhos seduzem raios ardentes do sol
para a rosa da vida murchar
a água nasce para a rosa regar
sorvando suas gotas sempre vai se erguer(MK)

A rosa é encanto, fala de amor, de atração
O jardim é seu espaço, mas pode estar em cada coração
Na vida é presente, é beleza, com espinhos ou não
É ofertada a quem se tem amor, admiração e devoção (AMSS)

Rosa inserida nos espinhos
enfrenta raios ardentes
com gotas refrigerantes
não enterra sua fé
de algum dia se solevar (MK)

Amizade pode ferir, amor pode machucar
A vida é mesmo assim, tudo vem para nos ensinar
Se se aprende com beijinhos, também se aprende com espinhos
Tudo vale por aqui, nessa vida de (des)caminhos (AMSS)

Rosa que inocente é
é esmagada por espinhos
lírio que se abre como
boca que aufere um beijo
suga tanto e tanto fumo
não negreja o seu queijo
é rosa que sufoca espinhos
e está perto da mercê (MK)

Alda Maria Silva Santos
Moisés Kudimuena

Refém

REFÉM

A vida às vezes nos faz reféns
De emoções, sentimentos, situações
Que muitas vezes não nos convém
Pressões que vêm do outro
Energias diversas que vêm de alguém
É difícil e embaraçoso ser refém
Não dá para ser feliz, viver bem
Estando preso à negatividade de outrem
Bom mesmo é a livre consciência
Por mais complicado que seja se abstrair
É necessário trabalhar em si, evoluir
Lidar bem com o que entra e o que sai
Deixar ficar em nós só a benevolência
Mandar embora, extirpar, sem maledicência
Acender a luz, a paz, e a escuridão se esvai

Alda M S Santos

Compreensão

COMPREENSÃO

Há quem seja pura sensibilidade e intuição
Mas também há quem seja uma negação
Em matéria de leitura e compreensão
Nem desenhando e colorindo entende não
Não entende quando a chuva cai
Tampouco quando a tempestade se vai
Se o Sol brilhar e fizer aquecer
Nem assim a alegria irá entender
Se o que o vento traz é harmonia
Fica bem, mesmo não entendendo a magia
Mas se não há brisa, há furacão
Luta, esbraveja, não entende a desconstrução
Se a noite chegar e trouxer a escuridão
Nem adianta gastar energia, tentar
Quem não conseguir ver quando o sol raiar
Tampouco enxergará na claridade de uma noite de luar
Mas deixa o barco seguir seu rumo
Logo a vida endireita, acerta seu prumo

Alda M S Santos

Quero fazer um pedido

QUERO FAZER UM PEDIDO

Quero fazer um pedido à estrela cadente
Pode tornar realidade o meu sonho mais urgente?

Quero fazer um pedido ao gênio da lâmpada de Aladim
Pode trazer um amor na medida só para mim?

Quero fazer um pedido aos mais valentes ancestrais
Podem nos ensinar a não lutar por motivos tão banais?

Quero fazer um pedido à chuva que cai torrencial
Pode levar embora tudo aquilo que me faz mal?

Quero fazer um pedido à fada que mora em mim
Pode me afastar os medos de uma vida assim, assim?

Quero fazer um pedido ao Deus do amor e da paz
Pode nos ensinar um viver um pouco mais eficaz?

Quero fazer um pedido a todo mago, amigo da poesia
Promete não me deixar desistir de nela encontrar a magia?

Alda M S Santos

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