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poemas e reflexões da vida cotidiana

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barreiras emocionais

Na janela

NA JANELA

Na janela ela mergulha num mundo diferente

Ora tão longínquo, ora tão perto

Vive naquelas páginas uma história que não é sua

Mas que tantas vezes parecem escritas para ela

Mergulha nas dores e amores imaginários

Nas derrotas e vitórias, nos “personagens” tão diferentes

Chora e sorri, se alegra e se entristece

Aprende em cada página, em cada capítulo, uma lição:

A vida está em constante movimento

Nem tudo é sempre bom

Nem tudo é sempre ruim

Somos nós mesmos que construímos nosso caminho

E nele caminhamos…

Nem sempre levamos quem queremos

Há quem siga na frente

Há quem fique para trás

Há quem não queira ir conosco

Há quem a gente não quer levar

Mas a gente segue o nosso caminho

Na certeza de um dia chegar

A um lugar onde haja apenas paz…

E ela fica ali na janela…

Ora vivendo a história dos outros

Que no final das contas também são suas

Ora escrevendo a própria história

A história daqueles que caminham consigo

Juntos, à frente ou lá atrás

Todos fazem parte dessa história…

Alda M S Santos

Eis-me aqui

EIS-ME AQUI

Eis-me aqui, ora inteira, ora faltando pedaços

Mas ainda assim, eu mesma

Buscando a cola que irá reconectar

O pedaço que de mim se quebrar

Eis-me aqui, ora frágil, ora forte

Mas com a mesma essência

Procurando algo que possa preencher

O que hoje se tornou ausência

Eis-me aqui, ora louca, ora sã

Sem deixar de ser humana, machucada

Gritando silêncios em resposta a dores caladas

Eis-me aqui, ora amante, ora amada

Persistente em busca do que justifica todo o viver

A alegria do amor sempre fazer, refazer

Eis-me aqui, ora sorrisos, ora lágrimas

Sem nunca desistir dessa caminhada

Conquistando a reciprocidade que acalenta, a paz que alimenta…

Eis-me aqui…até quando?

Alda M S Santos

Há dias assim…

HÁ DIAS ASSIM…

Há dias de extremo cansaço

Falta a coragem, sobra desejo de jogar a toalha

Há dias de muita agitação

Energia e vontade de tudo fazer, melhorar

Há dias de dúvidas intensas

A fé mina, raciocínio falha, inércia pura

Há dias de emoções turbulentas

Desestruturam, balançam e tiram tudo do lugar

Há dias de calmaria, paz

O barco da vida segue seu curso sem grandes solavancos

Há dias de mergulhos emocionantes e profundos nas águas da vida

Mas também há dias de emoções rasas e superficiais

Tudo parece não fazer sentido

Há dias de amor, paixão, sintonia

Tudo é beleza, carinho e acolhimento

Há dias de ausência de conexão e interatividade

Falta comunicação, silêncios e distância prevalecem

Há dias de saudades, de esperança

Onde o presente fica espremido entre passado e futuro

Há dias de sonhos e realidades interagindo

Tentando encontrar um equilíbrio que satisfaça

Há dias felizes, outros nem tanto

Enquanto houver dias por viver

Sempre haverá dias assim…

Alda M S Santos

Histórias arrancadas

HISTÓRIAS RABISCADAS

São tantas as histórias, tantos os momentos

Bons ou ruins, saudosos ou amargos

E muitas vezes queremos rabiscar alguns capítulos

Arrancar algumas páginas

Apagar definitivamente algumas cenas dolorosas

Mas isso não é possível…

Tudo está gravado definitivamente

Seja rabiscado, arrancado, queimado, lançado fora

Tudo está lá em nosso HD interno

E salvo no Livro da Vida o qual não temos acesso

Podemos desfocar, desviar a atenção

Deixar ir embaçando por falta de uso

Grifar com brilho páginas mais interessantes

Destacar capítulos alegres e prazerosos

Colocar rosas a marcar o que se quer “reler”

Mas apagar, definitivamente, não dá!

Vira e mexe cenas reaparecem

E só podemos aprender com elas

Reeditar, consertar, reestruturar, melhorar o que for possível

E mandá-las novamente para a caixinha de histórias rabiscadas

Daquelas que só serão relidas do outro lado da vida…

Alda M S Santos

Onda de quê?

ONDA DE QUÊ?

Onda de calor, quarenta graus, frente quente

Daquelas que sugam a energia da gente

Onda de frio, temperaturas baixas, frente gelada

Daquelas que nos fazem encolher na madrugada

Tanta onda que aparece por aí

Queria tanto saber quando chegará por aqui

A onda de amor, frente de bondade

Que é dessa que tanto precisa a humanidade

Onda de compaixão, um pouquinho de atenção

Que levanta alguém do chão, que acolhe o irmão

Onda de solidariedade, que atinge qualquer idade

Desperta a piedade, atiça a caridade

Onda de carinho, chegando de mansinho

Daquelas que matam a saudade

Que nos pegam e nos dão um colinho

E afastam qualquer maldade…

Quando a onda do amor irá nos abater?

Só queria saber…

Alda M S Santos

De volta para casa

DE VOLTA PARA CASA

Quero pegar o caminho mais gostoso

Nem sempre flores, tantas vezes pedregoso

Quero pegar um atalho que me leve ao que amo

Àquilo que nunca deixou de existir

Quero pegar o caminho de volta para casa

Quero pegar o caminho do qual me afastei

Em busca daquilo que estava tão perto

Quero pegar o caminho que tão bem conheço

Que poderia perfazer de olhos fechados até aqui

Quero pegar o caminho de volta para casa

Quero pegar o caminho que me leve até mim

Aquela que outros caminhos percorreu

Voltas e voltas que deu para chegar cansada, voltar crescida

Quero pegar o caminho de volta para casa

Aquela que sempre esteve aqui

Que sabe o que quer e habita em mim

E logo percebi que todos os caminhos, afinal,

Eram necessários para me trazer de volta para casa

Para me trazer de volta para mim …

Oi! Voltei! Senti saudades!

Alda M S Santos

Temos pressa

TEMOS PRESSA

O tempo voa, a vida passa

E ficamos a esperar na janela

Por aquilo que de nós não sai

Ainda que pareça balela

Temos pressa…

Nem tudo o que a gente quer

Chega na velocidade desejada

Mesmo sabendo que o mais valioso

Chegará só na hora apropriada

Temos pressa…

A paciência é uma virtude

Que precisa ser bem dosada

Porque se confundida com inércia

Não nos ajuda em nada

Temos pressa…

Cansados de ver ir embora

Tantos sonhos que viraram pó

Queremos aproveitar melhor agora

Para não terminar a vida só…

Temos pressa…

Alda M S Santos

Utopia ou paz?

UTOPIA OU PAZ?

Não é no dia em que tivermos vencido

Todas as nossas guerras internas

Enfrentado todos os nossos monstros

Que teremos alcançado a paz

Isso é utopia!

Teremos paz quando finalmente

Aprendermos a conviver com elas

Sem nos ferirmos de morte

Sem machucarmos nossos amigos

Sem matar nossos “inimigos”

Apenas aprendendo a neutralizá-los em nós

Até dançando com eles, independente de seu tamanho

Permitindo que nossos “amigos” apareçam mais

Dando aval para nosso verdadeiro eu ter primazia

Isso é paz!

Alda M S Santos

Ventos e ventanias

VENTOS E VENTANIAS

Ventos e ventanias que vêm e que vão

Vendavais que nos tiram do chão

Tempestades que abalam estruturas

Mas põem em teste a força de muitas criaturas

Alguns apenas trazem um leve frescor

Outros mexem com nosso interior

Batem portas e quebram janelas

Que deixamos abertos ou com fracas tramelas

Há ainda aqueles tipo furacão

Que aparentam trazer somente destruição

Na verdade levam embora o que era apenas perdição

O que ficar vale a pena a reconstrução

Tudo bem pesado e medido

Depois de passado o perigo

É avaliar o que restou

E aproveitar o que de bom ficou…

Ventos, ventanias, tempestades, furacões

Fazem parte de toda vida que não almeja a perfeição

Mas, madura, sabe que é assim

Que se escala degraus na evolução…

Alda M S Santos

Eu te diria

EU TE DIRIA

Olho para você e sinto saudade

Não é que aqui não seja um bom lugar

Apenas sua inocência e expectativa de felicidade

Me fazem nostálgica e levam-me a divagar

Olho para você e sinto arrependimentos

Pela coragem que não tive em alguns momentos

Ou pelos atropelos decorrentes do excesso de ousadia

Que nem sempre me trouxeram sabedoria

Olho para você e sinto orgulho

Apesar de tantas quedas e espinhos

Não nos perdemos uma da outra nos pedregulhos

Você e eu sempre traçamos juntas nossos caminhos

Olho para você e sinto alegria

Mas se pudesse, uma coisa eu te diria

Desculpe por algumas vezes ter te deixado para trás

Se tivesse deixado você agir mais

Tudo estaria mais em paz…

Olho para você, a criança que fui um dia

E sei que poderia muitas coisas te dizer

Mas é desnecessário, você me entende, há sintonia

Estivemos juntas ao nascer, no viver

E assim estaremos até morrer…

Alda M S Santos

Presentes

PRESENTES

Há muitas maneiras vistosas

Coloridas, enfeitadas com laçarotes

Que certos “presentes” são embrulhados

E a nós oferecidos por aí

Como consumidores vorazes

Muitas vezes até pagamos para tê-los

E a decepção é grande

Ao notarmos que a propaganda era enganosa

Que a ideia não era assim tão original

A vitrine nos fazia ver brilho onde não existia

Novidade no que era apenas repetição

Mesmo produto ultrapassado com nova roupagem

O conteúdo não correspondia ao embrulho

Notamos que “levamos gato por lebre”

Fomos ludibriados…

Será mesmo?

Podemos mesmo culpar o engodo do outro

Ou devemos assumir nossa vaidade

Ao querer levar algo tão “valioso e belo”

Sem avaliar sabiamente o que era oferecido?

A culpa é de quem presenteia

Ou de quem se deixa presentear?

Nesse comércio onde tudo se vende ou se troca

Sábio é quem sabe o que comprar

E não se deixa mais enganar…

Alda M S Santos

Fazer as pazes

FAZER AS PAZES

É preciso fazer as pazes

Com aqueles que nem sempre agimos como deveríamos

Pelas atitudes não tomadas quando necessário

Pela inaptidão em estender a mão

Pelo uso inadequado dos dons recebidos

É preciso fazer as pazes

Pelos erros cometidos contra os outros

Voluntária ou involuntariamente

Pela incapacidade de voltar atrás e desfazer algo

Pelos medos que impedem de seguir em frente

Mas é preciso, principalmente, fazer as pazes consigo mesmos

Encarar a própria fragilidade e/ou (des)humanidade

Reconhecer-se falho, errante, imperfeito, aprendiz

Perdoar-se, propor-se a fazer diferente daí em diante

E seguir…

Reconciliar-se com o outro é fundamental

Mas passa pela reconciliação conosco mesmos

Façamos as pazes!

Alda M S Santos

Autores

AUTORES

Autores o tempo todo

Escrevendo uma história original

Não importa tanto a capa

Sequer a página inicial

O que vale mesmo nessa obra

Que escrevemos até sem perceber

É a audácia e delícia de viver

Cujo fechar de olhos é que determina o final

Num momento que não sabemos quando vai ser

Páginas em branco recebemos

Com a tarefa de ali algo belo registrar

Não importa o estilo textual

Sequer a linguagem ou idioma

Independente do número de páginas, personagens

É pessoal!

Se sua história fosse um livro

Você ousaria indicar?

Teria prazer em (re)ler?

Se virasse filme assistiria com seus pais, filhos?

Ao final, tudo que fica é nossa história

Não precisa ser um best seller

Basta que seja uma bela história!

Caprichemos!

Alda M S Santos

Você está curado?

VOCÊ ESTÁ CURADO?

Se já não dói quando o tempo esfria

Se não muda de cor de acordo com as fases da Lua

Você está curado…

Se não fica febril ou não tosse mais

Se os espirros e coriza foram embora

Você está curado…

Se os pesadelos não mais te atormentam, os calafrios cessaram

Crises de pânico e tristeza passaram

Você está curado…

Se a cicatriz fechou, não mais sangra

Se as lembranças são apenas lembranças e não machucam mais

Você está curado…

Se não chora ao ouvir aquela música ou passear naquele jardim

Se um poema, um livro ou autor são apenas boa literatura

Você está curado…

Mas se a mágoa é maior do que a esperança

Se oferecer o perdão é mais difícil que a revolta

Ainda não curou…

Se as minhocas na cabeça ainda são assustadoras, incomodam

As borboletas ainda reviram o estômago

Ainda não curou…

Se só quer dormir ou sumir

Se se esconder é melhor que viver

Ainda não curou…

Mas se quer mesmo se curar

Física, mental ou emocionalmente

Escolha viver e os males enfrentar

A vida é receptiva aos que sabem lutar!

Alda M S Santos

Escondidos

ESCONDIDOS

Quantas palavras não ditas

Um silêncio sufoca?

Quantas questões e dúvidas dolorosas

Uma sabedoria esconde?

Quantas angústias e lágrimas intermitentes

Um sorriso camufla?

Quanta inteligência e bondade

Uma simplicidade carrega?

Quantos medos e traumas

Uma coragem disfarça?

Quantas loucuras e desatinos

Uma sanidade “sossega”?

Quanta esperança e fé

Um orgulho embaça?

Quanto companheirismo e amizade

Uma distância destrói?

Quanta evolução e aprendizado

Uma soberba apaga?

Quanto carinho e amor

Uma indiferença mata?

Quanta vida feliz

A inércia impossibilita?

Quanta coisa boa anda escondida

Nos recônditos secretos de nós mesmos

Aguardando para ser revelada

E navegar no barco da vida?

Alda M S Santos

Não vale!

NÃO VALE!

Não vale sufocar, tirar o ar

Não vale enterrar viva uma raiva

Um sentimento ou uma emoção

Não é saudável engolir as lágrimas, engolir em seco

Expresse-se!

Chore, gargalhe, grite, perdoe, peça perdão

Cultive apenas o que faz bem, ame!

Tapar uma ferida não cicatrizada

É cultivar uma infecção que pode ser fatal

Deixe rolar, deixe sair, purgar, ir embora

Represas super lotadas se rompem

Baús estufados mofam, trancas enferrujam

É preciso liberar espaço para o bem circular

Para o sorriso aquecer, a vida fluir…

Alda M S Santos

Perder ou ganhar?

PERDER OU GANHAR?

Dependendo de quem ou do que ganha

É melhor perder…

Há vitórias que só trazem desilusão

Há derrotas que carregam em si muito mais honra

Mesmo que sejam dolorosas

E, com o tempo, acaba-se percebendo

Que o que é vitória ou derrota é muito relativo

O tempo atenua uma e engrandece a outra

É só se percebe mesmo vitorioso

Quem enfrentou a “derrota” com graça e sabedoria

Ainda que tenha caminhado por trilhas esburacadas e frias

Olha para trás e vê aprendizado

Olha para frente e vê o sol brilhar

Cedo ou tarde tudo se esclarece

Derrota? Vitória?

Quem poderá mesmo dizer?

“Sou um milagre estou aqui”!

Alda M S Santos

Ferida

FERIDA

Aquela ferida que todos carregamos

Causada por um machucado doloroso

Relíquia de um tombo inesquecível

De bicicleta, da escada, do galho de uma árvore

De um sonho, do alto de uma esperança, de uma ilusão

Escorregando de um colo ou despencando de um coração qualquer

Ferida que está disfarçada, coberta por uma cicatriz

Para não chamar a atenção dos curiosos

Para não assustar os mais sensíveis

Para que se evite cutucar

Para que não sangre tudo outra vez

Para que cure, se cure, se cuide

Cicatrizes servem para nos lembrar que sobrevivemos

E que saudade é a bonita cicatriz da vida que doeu, sangrou

Que nos ensinou pela alegria e pela dor

Que ela pode ser bela

Mesmo com nossos machucados…

Alda M S Santos

As folhas que perdemos

AS FOLHAS QUE PERDEMOS

Uma grande e frondosa árvore

Quantas folhas produziu, quantas flores e frutos gerou

Quantas folhas secaram, caíram, “perderam-se”?

Mas a cada folha seca que caiu

A cada estação ou jornada que enfrentou

Ela engrossou tronco, aumentou galhos

Fortaleceu e aprofundou raiz

Tornou-se mais copada e bela, mais resistente às intempéries

Não controlamos as folhas ou frutos que perdemos

Mas, como acontece com as árvores,

Onde folhas, flores e frutos

Caem aos seus pés, viram húmus e as nutrem através do solo

O mesmo se dá conosco…

Cada folha perdida, chorada, sentida ou não

Nos fortalece, firma nossa emoção

Nutre nossa alma e nos abastece de amor…

Na verdade, nenhuma folha se perde

Nunca!

Quanto mais folhas e frutos “perdemos”

Deixamos cair, irem “embora”

Mais fortes nos tornamos…

Somos árvores!

Alda M S Santos

Buraco negro

BURACO NEGRO

Um grande abismo gravitacional

Que atrai para si tudo que se aproxima

Como um buraco negro na galáxia

A anos-luz de distância da terra

Alimenta-se, absorve, suga para si tudo que passa perto

Bom ou ruim, produtivo ou não

Quantas vezes somos assim?

Sugando sem critério a sorte ou o azar do outro

Suas alegrias e tristezas

Sua energia positiva ou negativa

Sua luz, sua escuridão, seus lixos existenciais

No buraco negro do espaço tudo desaparece lá dentro

Não sei o que isso causa com o tempo

Quanto a nós, chega o momento do basta

Muita coisa negativa absorvida e não processada

Não desaparece em nós, não some

Causa explosões, reverte-se em doenças físicas e emocionais

Transtornos diversos na alma

Morte em vida…

Precisamos de critério ao absorver energias alheias

Receber apenas o que pudermos processar e devolver em forma de luz…

Não somos um buraco negro!

Alda M S Santos

Descartáveis

DESCARTÁVEIS

Num mundo onde prevalece a lei do menor esforço

Onde se opta pelo que dá menos trabalho

Os descartáveis estão em alta

Copos, pratos, papéis, objetos diversos

Usou, não precisa lavar, descarta-se, joga fora

Nessa mesma onda, nessa avalanche descartável

Estão sentimentos, emoções, pessoas, relações

Se exige um pouco mais de atenção

Se cobra reflexão, valorização, tempo, reciprocidade

Ah, dá muito trabalho!

Deixa pra lá, passa a vez…

A fila anda!

Amizades, famílias, dons, aptidões, fé

Joga-se fora lares e o que tem dentro dele

Joga-se fora familiares

Reutilizar, renovar, para quê?

Joga fora e compra-se um novo

Pega, toma ou empresta de alguém!

Tudo que exige atenção, dedicação, cuidado diário

É perda de tempo…

E vamos nos enchendo de lixos descartáveis

Entupidos, pesados, cansados, doentes…

Mais vale uma taça de cristal que se lava a cada uso

Um amor que se irriga e se renova todo dia a cada beijo

Que a troca desenfreada para obter algo novo

Tudo de bom nesse mundo é o que nos empenhamos para ser duradouro

Para se eternizar em nós…

Alda M S Santos

Distribuindo responsabilidades

DISTRIBUINDO RESPONSABILIDADES

Depois de apontarmos diversos culpados

Pelo que somos, fazemos ou deixamos de ser ou fazer

Pela situação em que nos encontramos

Pais, filhos, cônjuges, amigos, familiares, chefes

A escola, o emprego, o clima, a igreja, Deus

Depois de apontados diversos responsáveis pelos nossos entraves

Nossos erros e acertos

Depois de termos nos dado os devidos descontos

Que fica de verdade para nós mesmos?

Qual a responsabilidade que assumimos pelo que somos

Pelo que fizemos com a vida que nos foi oferecida

Pelas escolhas que foram nossas?

Pelo bem ou mal que causamos?

Quem ainda pode ser responsabilizado

Além de nós mesmos?

Tendo tudo isso esclarecido e assumido

Fica mais fácil prosseguir evitando cair nos mesmos buracos

Fugindo da escuridão e da falsa luz que ofusca…

Alda M S Santos

Fragilidade

FRAGILIDADE

Um pequeno sopro, uma brisa qualquer

E ela se desfaz, se desmancha

Morre, deixa de existir aqui

Para virar mil novas mudas de si por aí

Espalha-se por todos os lados

Levada pelo que, aparentemente, veio para destruir

Mas renasce noutros cantos,

Em terrenos propícios, terra boa

Tão bela quanto antes

Força que vem da fragilidade

Leveza que tem razão de ser

Em cada ser da criação

Força ou fragilidade é só uma questão de ponto de vista

De tempo, de fase, de estação…

Alda M S Santos

Ovelhas: qual delas é você?

OVELHAS: QUAL DELAS É VOCÊ?

Ovelhas brancas, negras, “coloridas”

Qual delas é você?

A quem você aponta como ovelha negra

Da família, do trabalho, da igreja, das amizades

Já pensou no que ela significa pra você?

No que tem a te ensinar, proporcionar

No que você tem perdido por só criticar

Por se achar melhor, superior

Por ignorar ou, simplesmente, se afastar?

Ovelhas negras têm missão especial

Foram escolhidas a dedo por Ele

Seu trabalho por aqui é (des)equilibrar o meio

É mexer em estruturas tão firmes, intactas e castradoras

Aparentemente corretas, mas cruéis e paralisantes

Aquelas que te provocam raiva, dor, vergonha ou compaixão

O diferente instiga, cutuca, sofre, faz sofrer

Se devidamente aproveitado em seu meio

Provocará mudanças evolutivas

Nos outros, em si mesmo

Quanto mais diferente a ovelha negra for

Quanto mais excluída e excludente

Maior e mais importante seu trabalho por aqui

São as ovelhas negras que ousam mudar

Que se contrapõem ao “certo” de todos

Que agem “errado” por questionar padrões cruéis e ultrapassados

Que encaram os desafios, que abrem e despertam sorrisos

Que gritam e se rebelam, se revelam, nos revelam

E dão um pontapé naqueles que delas fazem pouco

Mesmo que entre lágrimas…

Que ovelha é você?

Alda M S Santos

Com as mesmas armas?

COM AS MESMAS ARMAS?

Se quisermos vencer o que nos faz mal

Não será usando as mesmas armas que conseguiremos

Armas carregadas e recarregadas

Pentes repostos, violência sem fim

Mesmo que a arma seja o verbo desenfreado

A intolerância, a impaciência, o desamor

A palavra má e cortante que flui infinitamente

O bate-boca maléfico e improdutivo

Acusações e calúnias paralisantes

São tão fatais quanto um fuzil

O bom combate é feito no antagonismo

Silêncios em resposta a gritos

Paciência e sabedoria se contrapondo a ignorância

Tolerância e resiliência para enfrentar a rigidez e radicalismo

Bem nos ensina a oração de São Francisco de Assis

“Onde houver ódio que eu leve o amor”

Oh, mestre, ajudai-nos!

Alda M S Santos

Estilingues e vidraças

ESTILINGUES E VIDRAÇAS

Estica bem, encaixa a pedra, prepara

E, ajeitando a pontaria, lança ao alvo

Certeiro ou não, sempre atinge alguém

Machuca, fere, opera ou não mudanças

Vidraças parecem tão seguras de si, “inatingíveis”

Vidraças trincadas, arranhadas, quebradas, atingidas

Tentam parecer fortes, se proteger, blindar-se

Mas as pedras sempre chegam

Estilingues são cruéis, nunca estão “satisfeitos”

Estilingues ou vidraças?

Qual nossa posição e olhar?

Somos alvo, peito aberto, vidraça, à mercê dos estilingues?

Somos estilingues lançando as pedras?

A visão de quem já foi estilingue

Muda sua postura quando vidraça?

Quais temos sido e como temos nos portado

Nessa luta incessante entre estilingues e vidraças?

Alda M S Santos

Tragédia anunciada

TRAGÉDIA ANUNCIADA

Uma parede torta, trincada

Um céu de nuvens negras, pesadas

Uma raiva intensa, acumulada

Pessoas falantes quando caladas

Tragédia anunciada!

Hipertensão, colesterol alto, glicemia elevada

Medos e traumas não vencidos

Uma vida sedentária, muito parada

Falhas e erros conhecidos, repetidos

Tragédia anunciada!

Uma encosta pesada, encharcada

Bêbados descontrolados aos volantes

Uma represa não fiscalizada, sobrecarregada

Aquela vida falsa e secreta dos “amantes”

Tragédia anunciada!

Um planeta tão maltratado, explorado

Bomba-relógio armada, um perigo

Um futuro não valorizado, ignorado

Não há como manter intacto esse abrigo

Tragédia anunciada!

BUM!

Alda M S Santos

Joga no chão

JOGA NO CHÃO

Tão velha, caindo aos pedaços

Paredes de adobe, ainda fortes

Telhado gasto, em ruínas, madeiras de sustentação abaladas

Assoalho rangendo, janelas caídas

Uma casa centenária, morada de muitos

Lar de uma família, muitas histórias

Quem vê de fora não nota as marcas que ela deixou nele

“Não compensa reformar, desperdício”

“Joga no chão e faz outra”

Mas ele não quer, afirma que ela está boa

Só refazer aqui, consertar ali…

Como jogar no chão uma história?

Seria o mesmo que jogar por terra o coração que está ali

Como se ao conservar a casa de pé

Estivesse conservando o amor que ali viveu

Respeitando a história que ainda vive dentro dele

Bom seria se não precisasse se preocupar com capital financeiro

Se o capital emocional fosse o bastante para mantê-la de pé

Conservá-la inteira, segura e habitável

Como o amor e o respeito pelos que ali viveram e se foram

E permanece inalterado dentro de si…

Ruínas… será?

Por dentro dele está tudo inteiro

Até que ponto o que está inteiro nele

Depende da sustentação dessa “casa velha”?

Ou o amor à sua história e aos antepassados que ali viveram

Depende exclusivamente de seu coração amoroso?

Alda M S Santos

Pobres de nós

POBRES DE NÓS

“Nem tudo que reluz é ouro”

A vida vai nos ensinando pouco a pouco

Tombo a tombo, escuridão a escuridão

Batalha por batalha, derrota ou vitória

Nem todo sorriso é felicidade

Pode ser também desejo de se manter forte

Nem toda lágrima é negativa

Pode ser a limpeza que faltava nesse terreno baldio que somos tantas vezes

Uma vida festeira pode carregar uma pessoa solitária

Buscando companhias na agitação do cotidiano

Nem toda bela estampa exterior revela um interior bonito

Nem toda imagem familiar de comercial de margarina

Revela uma vida tão simples, fácil e bonita

O que cada um de nós enxerga do outro

É apenas aquilo que o outro permite que seja visto

Por dentro, cada qual sabe de si

Suas lutas e dificuldades, suas derrotas diárias

E o quanto custa manter um sorriso ou segurar uma lágrima

Nem tudo que reluz é ouro

Mas todo ouro, mesmo fosco, não lapidado, carrega seu valor

Muitas vezes quem está ao nosso lado aparentemente “tão feliz”

Enfrenta males que sequer desconfiamos

São poucos que conseguem atravessar essa couraça protetora do cotidiano

E ver o que o outro realmente é ou precisa

Pobres de nós!

Alda M S Santos

Ponte: uma saída

PONTE: UMA SAÍDA

Uma ponte sempre é uma boa opção

Une pontos, encurta caminhos

Aquela que nos leva de cá para lá

Que nos tira de algo não mais desejado

E nos leva para o almejado

Uma ponte nunca é o destino, apenas a passagem

Mas cada qual a vê de um modo

Pode ser bonita, tranquila, bem aproveitada

As saídas enxergadas ali são variadas

A disposição para seguir, idem

Uns a atravessam em busca do novo

Alguns querem voltar, na contramão

E outros se lançam dali, do alto

Entregam os pontos, desistem

Veem apenas o fim de uma dor…

Que não fiquemos estacionados na ponte

Que ela nos aponte vida, luz, esperança e paz!

Alda M S Santos

Oh, jardineira

OH, JARDINEIRA
“Oh, jardineira por que estás tão triste”?
Não se importe com uma flor que se perdeu
Não será essa a sina das flores, das rosas
Nascer, crescer, florescer, perfumar, encantar
E partir?
Não fique triste, não se perca também
A cada flor o seu perfume e encanto
A cada jardineiro o seu cuidado e proteção…
Seja você flor ou jardineiro, seja cor
Seja amor!
“Não fique triste que esse mundo é todo teu”
Você é pessoa digna da vida florida que ainda nao morreu…

Alda M S Santos

Como entender?

COMO ENTENDER?

Passaremos a vida inteira por aqui

Sem entender os critérios do fim

Quem fica ou quem se vai

Como, quando ou por que ficam ou se vão

(De)méritos, ônus, bônus, proteção, acerto de contas?

Tentar entender essa (i)lógica seleção ou exclusão

É pura perda de tempo…

Não somos capazes de compreender

Há muitas coisas que não nos foi dado conhecer

Para não enlouquecermos ou jogarmos a toalha

Resta-nos confiar em quem nos colocou aqui

E aceitar seus desígnios para nós

Ainda que doa, magoe, corte fundo

Afinal, Ele mesmo foi embora muito cedo

E de um modo crucial para todos nós…

Alda M S Santos

Nossa bagunça

NOSSA BAGUNÇA

Uma ampla sala arejada com poltronas aconchegantes

Um quarto quentinho, macio e acolhedor

Uma cozinha receptiva, com aroma de café e pão de queijo

Uma rede na varanda com uma vista da Serra

Um quintal com flores, frutos e balanço na goiabeira

Um gramado para brincar, dançar, se exercitar

Um sótão para guardar as bagunças e ferramentas…

Cada qual tem seu sonho de casa, de moradia

Mas para um lar todos têm o mesmo desejo

Que seja amoroso, pacífico, harmonioso

E isso independe da casa em que se mora

Depende muito de com quem se mora

E da sabedoria em manter organizados nossos ambientes internos

Nossa “casa” não é sempre um amplo espaço arejado

Mas também não pode ser toda ela um sótão bagunçado

Um lar “arrumado”, ou não, está diretamente ligado

Ao modo como cada pessoa presente ali

Lida com a bagunça que traz dentro de si

E com a bagunça que o outro traz consigo

Alda M S Santos

Nas batalhas

NAS BATALHAS

Batalha pelo pão que alimenta o corpo

Batalha pelas águas claras que hidratam o ser

Batalha pelo chão firme sob os pés

Batalha pelo céu azul que possibilita voos livres

Batalha pelo abraço gostoso que une os seres afins

Batalha pelos bons relacionamentos que enriquecem o viver

Batalha pelo amor recíproco que alimenta a alma

Batalha para sentir-se membro dessa nau

Batalha para ter onde repousar corpo, mente e coração

E viver um sonho real

De amor e compaixão…

Nas constantes batalhas para nos firmar como gente

Devemos nos cuidar para não perdermos nossa humanidade

Nas batalhas da vida precisamos, às vezes, nos render

Pedir uma trégua, talvez até nos sentir meio presos

Para poder sermos verdadeiramente livres e vitoriosos

E seguir em paz quando chegar o momento de voltar para casa

Alda M S Santos

Minha idade não permite

MINHA IDADE NÃO PERMITE

A única coisa que a idade não permite

Seja ela pouca ou muita, iniciando ou já avançada

Masculina ou feminina, é a infelicidade

Se a felicidade pede, não é a idade que deverá impedir

Se a felicidade pede, não é o olhar maldoso do outro que irá impedir

Se a felicidade pede e não fere a consciência

Se a felicidade pede e não está retirando nada de ninguém

Se a felicidade pede e não põe em risco a felicidade do outro

Não é a idade que poderá impedir

Corpo e mente devem estar em uníssono, em sintonia

Para ouvir o que a alma precisa realmente para ser feliz

E não abrir mão da felicidade por preconceitos próprios ou alheios

A idade, seja ela qual for, não só permite

A idade pede, exige que façamos o que nos faz bem

A idade apenas nos mostra que o tempo tá passando veloz

E cabe a nós fazê-lo correr o mais prazerosamente possível

Para nós e para os outros

Enquanto há vida…

Minha idade não me permite ser infeliz!

Alda M S Santos

Abalando muralhas

ABALANDO MURALHAS

Aquelas tempestades que vêm e derrubam tudo

As que todos tememos e olhamos com desconfiança

Enxergando nelas apenas destruição e tragédias

Podem ser exatamente o que precisamos para recomeçar

Há muros que construímos ao redor de nós

Realidades que carregamos como verdades absolutas

Construídas sobre rochas aparentemente fortes

Que só uma boa tempestade para abalar suas estruturas

Mostrar sua real fragilidade e inconsequência

E nos permitir reconstruir, recomeçar

Mas há algumas construções que nenhuma tempestade derruba

São verdadeiras, reais, fortes, divinas

Construídas sobre a rocha do amor…

Muitas muralhas algumas tempestades conseguem derrubar e permitem reconstrução

Outras, é preciso cuidado, só com amor é possível derrubar

Pois carregam consigo estruturas que nos sustentam por inteiro

E que precisam ser resguardadas

Pois são impossíveis de serem reconstruídas…

Alda M S Santos

Bandeira branca

BANDEIRA BRANCA

Se houver paz dentro

Não há guerra cá fora que interfira

Que mude esse status

Mas se dentro for batalha atrás de batalha

A paz exterior pouco terá efeito

Levante a bandeira branca dentro de si

Peça uma trégua a sua alma

E deixe a guerra cá fora entender

Que a paz que todos almejamos

Nasce primeiro em cada um de nós

Em cada coração disposto a amar, perdoar

Acreditar, e seguir em frente…

Alda M S Santos

Hora de partir…

HORA DE PARTIR…

Era chegada a hora de partir

Para onde não sabia

Apenas sentia, ouvia o chamado

Um chamado incessante de um novo lugar

Desconhecia o caminho, o destino

Sabia apenas que precisava ir…

Sequer tinha conhecimento se teria companhia

Mas era chegado o momento

Despiu-se do passado, foi nua

As novas vestes viriam com o tempo

As únicas vestimentas que levaria consigo

Seriam aquelas que acalentaram, aqueceram a alma

Tornando-a sensível e forte

Ou aquelas que iriam clarear e perfumar sua nova trilha

Jogou para trás as velhas sandálias

E seguiu nua, calçada de coragem

Em busca de novo destino…

Alda M S Santos

Defeitos

DEFEITOS

Aqueles dias que só conseguimos enxergar nossos defeitos

Sequer temos vontade de sair do quarto

Cabelos rebeldes, rugas, dores aqui e ali

Olhos úmidos, ausência de brilho no sorriso

O espelho diz verdades desagradáveis…

Uma avaliação mais profunda mostra sensações ruins

Tristeza com ingratidões, ciúmes, mágoas, desesperança

Saudades de tempos idos, de tempos não vindos

Melhor voltar para a cama e cobrir-se toda

Na expectativa de esconder o que dói

Dormir, talvez sonhar com um “amanhecer” melhor

Buscar lá dentro, bem lá no fundo

O equilíbrio da balança entre qualidades e defeitos

Aquela coragem que sempre faz tudo seguir, sempre em frente

A autoestima necessária para nos tornar melhor para os outros

Mas, especialmente, para nos fazer melhor para nós mesmos

Uma atitude de bondade e compaixão deve começar pelo mais próximo:

Nós mesmos!

Alda M S Santos

Depois das tempestades

DEPOIS DAS TEMPESTADES…

Todo pássaro canta feliz depois da tempestade

A noite pode ter sido de muita chuva, barulhos e destruições

Mas eles saem felizes a cantar ao amanhecer

Ao surgirem os primeiros raios de sol…

Eles olham para a frente, para a vida que ainda existe

Não olham para trás, agradecem cantando

E seguem…

Talvez por terem ciência da finitude da vida

Que de uma hora para outra tudo pode se acabar

Não perdem tempo a lamentar

Vivem… e cantam…

Celebram como a dizer

Enquanto houver vida, cantarei…

Minúsculas, lindas e sábias criaturas,

Me levem a dar um voo cantante com vocês?

Alda M S Santos

Super-heróis

SUPER-HERÓIS

Um é de aranha, outro é de ferro

A questão é ser herói, super-herói

Uma pantera negra, um humano que se agiganta e se transmuta de raiva…

Um modo de se achar pouco, menos

Ou, ao contrário, perceber-se capaz de ser mais?

Fuga, covardia, alienação ou coragem?

Covardia por imaginar um mundo em que apenas heróis teriam vez

Ou coragem por colocar ali suas angústias, limitações e sonhos?

Entre fantasia e realidade, em quartetos ou duetos, viveu 95 anos

E fez menos amarga, mais feliz, a vida de muitos admiradores e fãs

Quem nunca sonhou em ser um super-herói

Ou ser salvo por um?

Quem nunca valeu-se dessa fantasia em momentos difíceis

Que se enrole na própria teia

Que tenha um coração doce num corpo de ferro

Que seja atingido por raios cósmicos, destruído pela kriptonita

Ou que fique verde de raiva…

O melhor disso tudo é saber que mesmo sem super poderes especiais

De ultra força, visão de longo alcance, capacidades extras

Sem Marvel ou DC

Somos nossos próprios heróis!

RIP STAN LEE

Alda M S Santos

Que procuras?

QUE PROCURAS?

Um mundo feito de muitas procuras

Muitas vidas feitas de poucos achados

-O que procuras, que buscas?

– Ainda não sei, mas hei de encontrar!

-Se não sabes nem o que buscas

Como queres encontrar?

-Quando encontrar saberei o que preciso

Será sintonia instantânea e atração imediata.

Essa crença que move boa parte da humanidade

É que mantém a roda da vida girando

Que procuras?

Podemos não saber, mas enquanto sentirmos a falta

Estaremos sempre em busca, sem estacionar

Ainda que pensemos ter desistido

O desejo de encontrar o que buscamos

Estará tal qual fumacinha lá no fundo

Bastará um sopro, um toque

Para tudo se acender e voltar ao fogo que atiça a vida…

Que procuras?

Um mundo feito de muitas procuras

Mas muitas vidas feitas de achados na mesma proporção

E a roda segue seu curso infinito…

Que procuras?

Alda M S Santos

Não quero!

NÃO QUERO!

Não quero amor por obrigação ou segurança sob tensão

Quero respeito por convicção, ainda que seja sonho vão

Não quero tranquilidade assegurada, atrelada à prisão

Quero paz condicionada à igualdade, ao direito de expressão

Não quero liberdade de alçar voo muito além

Se minhas asas impedirem o voo de alguém

Não quero uma fé retrógrada, ameaçadora, excludente e cega

Quero um Deus de amor, de igualdade e esperança que só agrega

Não quero viver feliz, protegida e segura

Se para isso o outro precisar morrer ou viver na amargura…

Alda M S Santos

Deixa quieto

DEIXA QUIETO

Aquelas palavras que atiçam o que temos de pior

Aqueles silêncios que têm pretensões de se tornar gritos

Deixa quieto!

Aquela ferida que volta a sangrar quando é cutucada

Aquele medo que volta a assombrar quando é relembrado

Deixa quieto!

Aquela luz forte que volta a cegar quando tiramos os óculos

Aqueles gritos que ensurdecem quando se atenta a eles

Deixa quieto!

Aqueles sedimentos que voltam a se misturar à água quanto retirados do repouso

Aquela tranquilidade que passa a doer quando questionada

Deixa quieto!

Mas se for …

Aquela música bela que inunda nossos olhos quando ouvida

Aquelas lembranças boas que invadem nossa alma de saudade

Aquela brisa suave que traz leveza e esperança

Aquela onda que vem e leva o que perturba

Deixa quieto, bem quieto

Encosta num cantinho, respira fundo e deixe a paz reinar…

Alda M S Santos

Reservado

RESERVADO

Num mundo que se assemelha a um gigante estacionamento

Onde há vagas demarcadas, ou não

Mas não temos lugar reservado, personalizado

E nem sempre há vagas ou espaço para todos

Gostamos mesmo é de estacionar nossos corações no mesmo lugar

Naquele espacinho onde nos cabe direitinho

Onde o sol aquece, mas não queima

Onde o silêncio aconchega e acalenta

Onde há sombra de uma boa cobertura sem esfriar

Onde estamos protegidos de tempestades e granizos

Onde não há qualquer dificuldade de manobras, sem medos

Onde nos encaixamos de olhos fechados sem erros

Com a certeza e prazer de ter chegado em casa…

Encontrar ocupada essa “vaga” não reservada, mas sempre utilizada

Com cones de proteção ou placas de estacionamento proibido

Ou sequer desconfiar que ela não esteja mais disponível para nós

É, no mínimo, angustiante…

Desejo de colocar uma placa de uso cativo com letras garrafais nas vagas que “ocupo”

RESERVADO!

Sujeito a reboque!

Alda M S Santos

Choques

CHOQUES

Vivemos nos equilibrando entre virtudes e defeitos

Que trazemos dentro de nós, que são inerentes a todo ser humano

Tentando fazer valer o que nos faz bem sem machucar ninguém

Lutando para deixar prevalecer o que nos faz crescer sem decrescer ninguém

Qualidades e defeitos de dentro em confronto com as de fora

Acionadas pelos convívios que travamos todo o tempo

Uns atiçando mais nossos defeitos

Outros despertando mais nossas virtudes

Tentando não queimar ou sofrer com os curto-circuitos

E sobreviver aos choques entre nosso céu interno que quer brilhar

E o inferno externo que quer se impor e ganhar

E vice-versa…

Buscando um fio terra que estabilize esse circuito de vida e morte…

Alda M S Santos

Muletas e braços

MULETAS E BRAÇOS

Ora braços, ora muletas

Esse é o rodízio, essa é a alternância da vida

Quem está acostumado a ser apenas braços

Terá dificuldades quando precisar se tornar muletas

E a recíproca também é válida

Braços se apóiam, precisam da segurança da muleta

Para manterem firme o corpo todo

Precisam confiar no apoio que recebem para se entregar

Para não tombar…

Muletas precisam ser fortes e aguentar o peso

Suportar com firmeza o corpo que recai sobre elas

Enquanto forem necessárias!

E a vida segue sempre em frente

Ora braços, ora muletas

Ora caminhos, ora caminhantes

Ora fragilidade, ora força

Ora ombros, ora cabecinha…

Alda M S Santos

Blindados?

BLINDADOS?

Há como nos blindar dos golpes da vida

Ou sempre existirá algo a nos ferir

Até mesmo dentro de uma bolha

Para onde, vez ou outra, preferimos fugir?

Um amigo doente, alguém querido ausente

O emprego que falta, a injustiça que maltrata

Famílias que tentam se preservar, unidos para não tombar

Velhos esquecidos, largados, crianças com um péssimo legado

Alguém que decepciona, a fé que às vezes abandona

A morte que não tem critérios, a vida com poucos refrigérios

Humanos vivendo blindados pelo egoísmo

Humanos atingidos pelo próprio individualismo

Blindados?

Até quando vamos querer nos blindar da vida

Sabendo que é assim, absorvendo tudo que ela apresenta

Do jeito que damos conta, golpeando ou sendo golpeados

Que ela é verdadeiramente vivida?

Alda M S Santos

Fim de semana

FIM DE SEMANA

Sexta, sábado e domingo

Dias da semana associados a prazer e alegria

Fugida da rotina, da corrida frenética por não se sabe o quê

Descanso, sossego, lar, soneca, churrasco, família para alguns

Baladas, noitadas, bebidas, passeios, viagens, grandes programas para outros

Solidão, televisão, um livro, igreja, músicas para outros

Um novo vocábulo surge: “sextou”

Dando início a algo “novo e maravilhoso”

Euforia total que leva muitos que não seguem a corrente ao desespero

À tristeza com gosto amargo de solidão e abandono

A medicamentos controlados, alucinógenos, drogas

É quando o autoextermínio mais aumenta

Entre aqueles que se enfurnam a fazer um balanço da vida

E, frustrados, “invejam” o que os outros “têm” ou estão fazendo

Em quantos se divertem, comem pipoca debaixo do edredom

Vão a cinemas, viajam, fazem amigos, fazem amor…

Mas a balança estraga, pesa só o negativo para si e o positivo para os outros

E, paradoxalmente, os vazios são muito mais pesados

Focar no que é, aparentemente, presença no outro

É evidenciar a ausência em si mesmo

E isso acaba sendo doentio e ineficaz

Não existe nada e nem ninguém tão feliz e tão completo

Nem tão infeliz e tão incompleto

Comparações não são benéficas, são contraproducentes

Nada há de errado com o fim de semana de ninguém

Desde que nele se busque estar em paz consigo mesmo, sem ferir ninguém

Independente das vidas alheias

Todos estamos nesse grande barco aprendendo a remar, a nadar…

Até o cais final…

Alda M S Santos

Anti-Gênio

ANTI-GÊNIO

Chateada com a vida ela tropeça numa lâmpada e a chuta longe.

Sem esfregadinha a lâmpada se acende e logo um gênio cansado aparece.

“Oba! Já sei! Tenho direito a três pedidos!” -ela diz

“Sou o Anti-Gênio, vou retirar três coisas de você!”- ele fala impassível.

“Como assim?”- ela se assusta

“Vou levar três coisas suas, mas deixo você escolher quais.”- retruca

“Mas não tenho nada valioso que você possa querer”

Ela reclama, pede, implora…e nada…

“Se você não escolher eu levo o que quiser”- rebate.

E na lâmpada vão aparecendo as cenas da sua vida

Presas na lâmpada longe dela tudo que pretende destruir

Com as pessoas que ele pretende levar:

Seus pais cuidando dela com carinho

Os irmãos brincando com ela na rua de terra

Os amigos queridos da escola, da igreja

Seu casamento, seu parceiro de todos os dias

Os filhos queridos, tão lindos, tão seus, tão pequenos ainda…

A saúde, a disposição para o trabalho

As amigas sempre presentes…

A cada cena que passava ela chorava e dizia: “isso não”!

“Por que você não procura alguém com muitos bens”?- desabafou

“Isso eu já tenho, quero coisas valiosas”…

“Mas tudo isso é valioso apenas para mim! De que servirão para você”?

“São valiosos para você? Achei por aí….”- pergunta o Anti-Gênio

Ela não sabia o que dizer temendo afirmar que sim, que eram muito valiosos

E ele levar a todos…

“São tudo que eu tenho, não quero mais nada, apenas que fiquem comigo”…

Ela estendeu a mão e foi tocando com carinho as cenas na lâmpada

Cada uma que tocava ia desaparecendo

Voltavam para dentro de si…

E o Anti-Gênio, sem nada mais dela preso em sua lâmpada,

Foi em busca de outras coisas valiosas perdidas de seus donos…

Tudo é tão leve, tão fugaz

E pode escapar de nossos dedos e ir embora a qualquer momento…

Alda M S Santos

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