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poemas e reflexões da vida cotidiana

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Quero um tempo

QUERO UM TEMPO

Hoje não dá pra brincar
Peito apertado, coração angustiado
Medos, dores, inseguranças e incertezas
Quero um tempo …

Hoje não dá pra sonhar
Mente confusa, corpo cansado
Vontade de ir para um canto, chorar
Parar, voltar, redirecionar, que fazer?
Quero um tempo…

Hoje não dá para sorrir, avançar
Preciso de um tempo com o Criador
Como um técnico com seu time de jogadores
Ouvir orientações, puxões de orelha, dicas
Erros, acertos, um estímulo, um crédito, esperança

Talvez até ir pro banco, dar um tempo…

Hoje não dá! Quero um tempo!
Preciso… para seguir sem desfalecer
Para talvez mais tarde vencer…

Alda M S Santos

A sabedoria

A SABEDORIA

Viver a sabedoria do deserto
Proteger-se do calor intenso
Cuidar-se nas tempestades de areia
Logo a noite chega e com ela o frio intenso
Poupar energias para desfrutar do oásis

Viver a sabedoria da Lua
Ainda que sozinha, brilha, encanta, inspira
Sem orgulho, reflete a luz que recebe
Sem perder a própria essência

Viver a sabedoria da infância
Se há saúde, sol e amigos, chorar para quê?
A vida aguarda no quintal ou na rua
Cada dia traz consigo a própria magia

Viver a sabedoria da areia
Deixar-se moldar pelas ondas
Na certeza de que nada é eterno
Nem a tormenta, nem a calmaria…

Alda M S Santos

Perfeição: Deus me livre!

PERFEIÇÃO: DEUS ME LIVRE!
Deus me livre de ser perfeita!
Argh para as pessoas ditas perfeitinhas!
Isso mesmo! Ou a pseudo-perfeição que há por aqui
A pessoa que toma para si e senta no trono da perfeição
E dali passa a julgar o que os outros fazem, não fazem
O que eles são ou não são, até aquilo que pensam
Medindo tudo com a régua de seu agir e pensar sempre tão “perfeito”
São sempre os pais mais dedicados, os profissionais mais exemplares
As pessoas mais corretas e “legais”, literalmente, do mundo
E no trono do qual se julgam dignas
Abusam da intolerância e impaciência, são ranzinzas
São o juiz e o carrasco do agir, pensar, rezar, ser ou não ser do outro
Imputam a pena máxima, sem dar o direito de recorrer da sentença
E esquecem a maior lição da verdadeira perfeição
Aquela que passou por aqui através Dele em forma humana
A empatia, a compreensão, a compaixão, a solidariedade
A capacidade de entender as falhas e dificuldades humanas
A habilidade de usar o que acha que tem de melhor em prol do outro
Nunca para diminuir ou se gabar ou afastar pessoas
A perfeição está atrelada a amor e perdão, à simplicidade
À capacidade de rir de si mesmo, reconhecer os próprios erros
Gosto de gente imperfeita, sim, são reais, autênticas
E se dispõem a melhorar a cada dia ajudando e sendo ajudada
A perfeição verdadeira não temos por aqui
A perfeição é divina!
Alda M S Santos

O que cabe

O QUE CABE

O que cabe dentro de um viver
Das horas, dos dias, dos anos
Que intensifica e potencializa o tempo
Seja a vida curta ou comprida

O que cabe dentro de um viver
Aquilo que faz rir ou chorar, faz doer
Que dá prazer, causa medo, até mesmo um adoecer?

O que cabe dentro de um viver
Dentro de um corpo, uma mente, um coração
Mesmo que não se saiba o que é certo ou não
Usando os erros para evolução?

O que cabe dentro de um viver
Que fortalece num perigo, traz um amigo
Que afasta o mal, desvia dos tubarões
E faz seguir confiante em suas emoções?

O que cabe dentro de um viver
O que equilibra essa balança
Entre tanto ir e vir nessa roda viva, que cansa
Entre os giros e rodopios nessa dança
Em busca de amor, de confiança?

O que cabe no viver? E em você?

Alda M S Santos

A luz brilha para todos?

A LUZ BRILHA PARA TODOS?
Num espetáculo de fogos no céu de Copacabana
Sob os braços abertos do Cristo Redentor
Uma música animada no palco ali armado
A luz pipocava no céu em cores e formas variadas
Uns nas festas luxuosas nas grandes coberturas
Outros deitados nos cantos, no asfalto, na vida dura
As vestes brancas pediam paz para o novo ano chegando
Uns mendigando, muitos vendendo, outros roubando
Alguns apenas esbanjando o que tinham
Outros festejando como podiam
Será que tentavam equalizar diferenças, injustiças
Equilibrar uma balança meio descalibrada?
Poucos com tanto, tantos com tão pouco
Será que não percebiam a parte errada
Tanto de quem dos outros tirava
Como daqueles que apenas esbanjavam?
E Iemanjá ia devolvendo as oferendas, matéria
Certamente queria essência…
Humanos de todo gênero, idade, nação, profissão
Condição social, financeira, religião
Todos de olhos no alto saudavam o novo ano que chegava
A luz maravilhosa no céu brilhava para todos
Será que iluminava a cada um do mesmo modo?
E a imagem do Cristo Redentor ali, sabedor de tudo, abençoava
E, mais que todos, pedia amor e paz para essa gente que tanto amava…
Alda M S Santos

Sabotagem

SABOTAGEM

Chorar quando algo machuca é normal

Mas viver cutucando a ferida é masoquismo

Ter medo daquilo que virou trauma é comum

Ficar esmiuçando o trauma em detalhes é maluquice

Errar é por demais humano

Mas ficar se auto flagelando por ter errado é desumano

Sentir saudade daquilo que não volta mais é até saudável

Mas deixar que isso impeça novo caminhar é patológico

Ter cuidado para não cometer os mesmos erros é sabedoria

Esconder-se da vida para não errar é autossabotagem…

Alda M S Santos

Partes de mim

PARTES DE MIM

Há partes de mim que ficaram lá atrás

Essas sei bem que não voltam mais

Boas ou ruins, agora são só lembranças

Mas construíram atalhos para minhas andanças

Há partes de mim que são apenas projetos

Estão em constante e firme construção

Sua massa são os sonhos, geram preocupação

São ainda algumas estrelas de uma grande constelação

E há as partes de mim que são a realidade

O hoje que bate à porta, se impõe, é minha verdade

É onde posso agir, mudar, optar pela bondade

Passado, presente e futuro agem em mim

Não tem jeito, sempre será assim

O que prevalecer é o que fará florir meu jardim

Alda M S Santos

Curas

CURAS

Somos como uma casa cheia de remendos

Trincas abertas, fechadas, cicatrizes e fendas

Troca daqui, troca dali, põe, repõe, substitui

E a casa fica com uma aparência de nova

Só quem nela mora sabe de todas as reformas

Cada base reconstruída, vigas levantadas

Estrutura a duras penas renovada

Como nossas dores, alma machucada

Lágrimas molhando a massa da nova fachada

Amizades substituindo amizades falidas

Amores curando feridas de outros amores

Brilhos e sorrisos eliminando medos e dores

A vida se renovando em novos jardins, novas flores

Medicamentos que vão tratando corpo, alma, coração

Só não dá pra ficar dependente, não

Remédio bom, que cura, ilumina, vitaliza

Não pode escurecer ou matar um coração…

Alda M S Santos

Basta

BASTA

Não é preciso uma fé que mova montanhas

Basta uma que apazigue nosso coração

Que não nos cause medos nem se valha de artimanhas

E que seja estímulo para o amor e compaixão

Não é preciso um amigo que esteja em nós grudado

Basta um que mesmo de longe acalme nosso enfado

Que festeje conosco nossas alegrias

Ou que seja ombro acolhedor, mesmo calado

Não é preciso ter muitos bens ou dinheiro guardado

Basta não passar necessidades e poder ajudar alguém

Não é preciso energia de atleta ou um corpo “sarado”

Basta ter saúde e disposição para o trabalho no bem

Não é preciso fama ou sucesso desmedido

Basta ter alguém especial que nos conheça de verdade

Alguém que saiba ser colo, ouvidos, ser amigo

Que ouça nossa história e nos acolha, sem maldade

Não é preciso um amor sem fronteiras

Basta um que seja verdadeiro e não vá embora

Que saiba ser calor na dor

E todo o tempo um aliviante frescor

Alda M S Santos

Piloto automático

PILOTO AUTOMÁTICO

Deixando o barco correr, o avião plainar

A carroça ranger, a vida nos levar

Seguimos deixando o piloto automático acionado

Sem notar qualquer esforço que foi adicionado

A vida segue e nos arrasta sem piedade

O viver se impõe, tentamos manter a sanidade

O piloto automático alivia muitas vezes o cansaço

Dá uma trégua para apertarmos alguns laços

O risco de viver no automático é esquecer como se faz

Quando for necessário retomar a direção manual

Ser capaz de pegar o leme, usar o próprio potencial

Voltar a assumir o timão, direcionar as velas da vida

Implica em rever e aceitar pontos falhos dessa lida

Lembrar que somos nós os comandantes até a despedida

Alda M S Santos

Superpoder

SUPERPODER

Se pudesse adquirir um superpoder

Qual deles você gostaria de ter

Ver o futuro, mudar o passado, viajar no tempo

Mudar no outro um sentimento?

Uma superforça física, exímia visão

Supervelocidade ou tirar a dor com a mão?

Debaixo d’água respirar, no céu azul poder voar

Ou com quem morreu poder se comunicar?

Ser capaz de voltar à vida, todo sonho realizar

Poder todo o mal apagar

Ou a vida de alguém poder restaurar?

Para bem viver nem é preciso superpoder

Basta a gente ter um coração a bater

E alguém que saiba nosso amor receber

Alda M S Santos

Uma gota

UMA GOTA

Basta uma gota d’água para o pote transbordar

Basta uma única palavra para o pranto desabar

Basta um simples olhar para o coração apaixonar

Basta o primeiro passo para se estender o caminhar

Basta uma gota de carinho para a tristeza passar

Basta um abraço acochado para a alma sintonizar

Basta um minuto de atenção para conquistar um coração

Basta uma dose de compaixão para mudar a direção

Basta uma gota nesse mundo de tanta carência

Um tiquinho que seja de consciência

Para melhorar um pouco nossa existência

Uma gota é o bastante para fazer extrapolar

A dor, a tristeza, a alegria, o ato de amar

E podemos escolher onde queremos transbordar

Alda M S Santos

Quem sou?

QUEM SOU?

Sou o amor, o carinho, os erros e acertos

Sou a risada, a lágrima, as dores, os consertos

Sou aqueles a quem tenho apreço

Sou bondade, solidariedade, preguiça ou animação

Sou beijo, sorriso, abraço de montão

Sou a marca da paixão que deixo em seu coração

Sou fada, sou bruxa em noite de luar

Sou a magia, a poesia que há em cada olhar

Sou porção de Deus por aqui a passar

Sou a noite, o dia, o Sol e a Lua

Sou família, sou amigos, sou vento, tempestade crua

Sou eu, natureza, clareza, de alma nua…

Alda M S Santos

Não sei

NÃO SEI

Não sei em qual parte do caminho eu estou

Sei que o que vivi já é bem mais do que restou

Quantativa ou qualitativamente

Não dá para saber acertadamente

Sei que por muito já passei, alegrias vivenciei

Trouxe vidas ao mundo, trabalhei, magoei, amei

Já ganhei, perdi, tive momento frustrante

Já fui amada, necessária, importante

Não sei se cumpri o script a mim designado

Se fiz ao menos boa parte do combinado

Ou se ficarei devendo algo para momento mais afortunado

Uma coisa afirmo com toda certeza, eu me entreguei

Sou humana, errei, acertei, desanimei, continuei

Mas em tudo dedicação e amor coloquei, nisso não falhei

Alda M S Santos

Lendo a minha mão

LENDO A MINHA MÃO

A cigana quis ler a minha mão

Antes, porém, me pediu autorização

Ela olhou-me nos olhos, confiei

Seu olhar transmitia sabedoria, acreditei

Um pouco ansiosa, meio tensa, aguardei

Ela olhava minha mão, passava os dedos nas linhas

Olhou de novo em meu rosto, suspirei

Que será que ela tanto via que a detinha?

Disse que eu era firme em meus propósitos

Sabia bem o que queria ou não

E quando amava, amava de montão

Até aí estava tudo certo, então

Vais passar por mudança, perrengue sério

Não dá ainda para saber qual é o mistério

Mas depende só de você saber lidar com tal revertério

Assustei, preocupei, medrei, na oração busquei refrigério

Alda M S Santos

Contato

CONTATO

Tantas vezes queremos fazer contato

Contatos com extraterrestres, contatos mais humanos

Sem saber que é preciso muito tato

Pois o mais essencial é o autocontato

Aquela conexão especial que fazemos conosco mesmos

Buscando em nosso interior o fio de amor e compreensão

Numa yoga, numa meditação

Num momento relax, de prazer, de comunhão

O novo ser que precisamos nos tornar nessa nossa evolução

Irá brotar do mais íntimo de nós mesmos

De lá vem o fio conector que nos ligará aos demais

Que promoverá a verdadeira união

Uma transição de paz começa numa autoaceitação

Num ato de amor que brota na alma, cresce no coração

E se espalha por toda a nação…

Vamos lá?

Alda M S Santos

Quase nada sabemos

QUASE NADA SABEMOS

O que se passa com quem se fecha no quarto

Com quem se esconde atrás de um sorriso

De atitudes que atraem ou afastam

Ou atrás de um comportamento diferente ou “antinatural”

Quase nada sabemos …

Todo excesso carrega em si uma falta

Se nos déssemos ao trabalho de investigar

Se tivéssemos habilidade para apurar, ajudar, sem julgar

Talvez não existissem tantas faltas

Quase nada sabemos…

Tantos mundos fechados nos quartos, claros ou escuros

Nos sorrisos, nos falsos abrigos

Quase nada sabemos…

Alda M S Santos

Cicatrizes

CICATRIZES

Cicatrizes carregam consigo uma trilha

Um caminho a lembrar do percorrido até ali

Caminho que nela teve fim

Da cicatriz para trás, o vivido, vencido, curado

Da cicatriz em diante nada há, exceto expectativas

Dali para a frente, novas trilhas, novos caminhos

Independentes do caminho anterior

As feridas passadas deixaram a marca

Mas não é ela que irá determinar para onde ir

Novos caminhos, novos aprendizados, novas feridas ou cicatrizes

Ou não!

É preciso seguir para descobrir …

Vamos?

Alda M S Santos

Mito?

MITO?

Dragões são monstros,

Horrendos, alados, rastejantes

Que sopram fogo…

Amigos ou inimigos?

Mitos ou verdades bruxuleantes?

Eles estão por aí

A nos assustar ou a nos salvar?

Carregam o mal e a destruição

Ou são fonte de sabedoria e imaginação?

Que se esconde atrás de sua aparência horrenda?

Qual dragão “rege” nossas vidas?

Qual dragão habita em nós?

Ou você acredita que tudo isso é lenda?

Um dragão, quimera ou não

Não posso resolver essa contenda

Mas fico com meus diversos dragões

Feios ou bonitos, acolhedores ou assustadores

Eles acalmam meus furacões…

Alda M S Santos

Mais no meu blog vidaintensavida.com

#flalfestival2019

Qual seu maior medo?

QUAL SEU MAIOR MEDO?

Qual seu maior medo?

Envelhecer, enfraquecer, adoecer

Dos outros depender?

Qual seu maior medo?

Perder dinheiro, o emprego

A segurança, a fé, a alegria, o prazer?

Qual seu maior medo?

Perder o amor, a admiração

Família, amigos, o desejo de viver?

Qual seu maior medo?

Não mais conseguir belezas admirar

Perder a capacidade de amar

De com qualquer coisa se importar?

Tenho medo dos meus medos

Que me assustam, me tiram o sono

Me estacionam muitas vezes

Porém, mais medo teria de não ter medos

Isso significaria nada ter de valioso a perder

Ou de que a vida não me bastaria…

Qual seu maior medo?

Alda M S Santos

Conexão perfeita

CONEXÃO PERFEITA

Busco a perfeita conexão

Que não use fibras, mas quero sintonia

Não quero cabos, fios, quero magia

E um ponto que ligue direto ao coração

Busco a perfeita conexão

Certeira, verdadeira, sem ilusão

Na natureza, na mata densa

No rio, na cachoeira, no humano que pensa

Encontro a perfeita conexão

No meio do nada, inspiro paz, ar apuro

Expiro amor, alivio a dor, a pressão

E daqui não saio não, eu juro!

Alda M S Santos

Feche os olhos

FECHE OS OLHOS!

Fecho os olhos para não ver

Mas fecho os olhos para melhor ver também

Fecho os olhos para sentir a brisa fresca

Ou para sentir o calor do seu olhar

Fecho os olhos para voar na imaginação

Ou num beijo cheio de paixão

Fecho os olhos para ouvir uma bela canção

Ou para valsar contigo no salão

Fecho os olhos para não ver o que magoa

Ou para fingir existir o inexistente

Fecho os olhos para sentir o amor

Ou para fugir do descaso e me proteger da dor

Fecho os olhos para mergulhar na saudade

Ou para brincar de felicidade

Fecho os olhos para pedir ou receber bênçãos

Fecho os olhos para ver o essencial

Fecho os olhos para enxergar com a alma

Fechando os olhos vejo tudo

Fechando os olhos, potencializo os sentidos

Torno tudo real

E vejo como se estivessem abertos

Feche os olhos!

Alda M S Santos

Lotado de vazios

LOTADO DE VAZIOS

Sentir-se cheio, estufado

Extravasando, repleto

Incompleto, porém

Lotado de vazios…

Espaços preenchidos

Mas nada que atenda

Às necessidades da alma

Cantinhos esquecidos

Escuros, carentes, sofridos

Lotado de vazios…

Urge uma faxina

Limpar, separar o que for eficaz

E os entulhos descartar

Guardar apenas o que trouxer paz

Abrir espaços, vazios evidenciar…

Somente assim será possível

Encher-se de amor e compaixão

Um coração tão sensível

E, assim, preencher os vazios da solidão…

Lotado de vazios?

Não, quero poder dizer

Lotado de amor!

Alda M S Santos

Amora

AMORA

“Se te contar minha história

Debaixo de um pé de amora,

Você chora!”

Será assim mesmo?

Aqui debaixo tudo parece tão suave

Tão doce e terno…

Quantos pés de amora

Já ouviram uma alma que chora

Quantas histórias ali ficaram sem senão

E cada lágrima usada para irrigação

Quantas vezes não curou dores

Segredadas entre seus galhos e flores?

Quantos abraços não notou fortes quanto suas cores?

Amora, se eu te contar minha história

Você me acolhe em sua sombra, me abraça

Guarda meus segredos, respeita meus medos

Cuida de mim com carinho

Enquanto a dor não passa?

Alda M S Santos

Com as mãos

COM AS MÃOS

Há quem faça tudo com as mãos

Elas são extensão de sua emoção

Tá triste, encolhe as mãos

Tá feliz, fala com as mãos

Tá com raiva, sacode e xinga com as mãos

Tá emotivo, alisa as mãos

Tá tenso, aperta as mãos

Tá de qualquer modo, largado

As mãos se jogam de lado

Tá saudoso, abraça com as mãos

Conversa com alguém, as mãos são complemento

Se é alguém querido,

As mãos se tocam todo o tempo

Se quer levar carinho, matar saudades

As mãos se cruzam e ficam juntinhas

Mãos cumprimentam, dão adeus

Postas, oram a Deus

Pode ser específico de algumas personalidades

Mas, mãos que se dão são prenúncio

De uma relação baseada no afeto

Mãos se doam, se dão, acolhem o irmão

Pelas mãos das pessoas

Dá para alguém saber o que se passa

Na alma de outro alguém…

Alda M S Santos

Na janela

NA JANELA

Na janela ela mergulha num mundo diferente

Ora tão longínquo, ora tão perto

Vive naquelas páginas uma história que não é sua

Mas que tantas vezes parecem escritas para ela

Mergulha nas dores e amores imaginários

Nas derrotas e vitórias, nos “personagens” tão diferentes

Chora e sorri, se alegra e se entristece

Aprende em cada página, em cada capítulo, uma lição:

A vida está em constante movimento

Nem tudo é sempre bom

Nem tudo é sempre ruim

Somos nós mesmos que construímos nosso caminho

E nele caminhamos…

Nem sempre levamos quem queremos

Há quem siga na frente

Há quem fique para trás

Há quem não queira ir conosco

Há quem a gente não quer levar

Mas a gente segue o nosso caminho

Na certeza de um dia chegar

A um lugar onde haja apenas paz…

E ela fica ali na janela…

Ora vivendo a história dos outros

Que no final das contas também são suas

Ora escrevendo a própria história

A história daqueles que caminham consigo

Juntos, à frente ou lá atrás

Todos fazem parte dessa história…

Alda M S Santos

Eis-me aqui

EIS-ME AQUI

Eis-me aqui, ora inteira, ora faltando pedaços

Mas ainda assim, eu mesma

Buscando a cola que irá reconectar

O pedaço que de mim se quebrar

Eis-me aqui, ora frágil, ora forte

Mas com a mesma essência

Procurando algo que possa preencher

O que hoje se tornou ausência

Eis-me aqui, ora louca, ora sã

Sem deixar de ser humana, machucada

Gritando silêncios em resposta a dores caladas

Eis-me aqui, ora amante, ora amada

Persistente em busca do que justifica todo o viver

A alegria do amor sempre fazer, refazer

Eis-me aqui, ora sorrisos, ora lágrimas

Sem nunca desistir dessa caminhada

Conquistando a reciprocidade que acalenta, a paz que alimenta…

Eis-me aqui…até quando?

Alda M S Santos

Há dias assim…

HÁ DIAS ASSIM…

Há dias de extremo cansaço

Falta a coragem, sobra desejo de jogar a toalha

Há dias de muita agitação

Energia e vontade de tudo fazer, melhorar

Há dias de dúvidas intensas

A fé mina, raciocínio falha, inércia pura

Há dias de emoções turbulentas

Desestruturam, balançam e tiram tudo do lugar

Há dias de calmaria, paz

O barco da vida segue seu curso sem grandes solavancos

Há dias de mergulhos emocionantes e profundos nas águas da vida

Mas também há dias de emoções rasas e superficiais

Tudo parece não fazer sentido

Há dias de amor, paixão, sintonia

Tudo é beleza, carinho e acolhimento

Há dias de ausência de conexão e interatividade

Falta comunicação, silêncios e distância prevalecem

Há dias de saudades, de esperança

Onde o presente fica espremido entre passado e futuro

Há dias de sonhos e realidades interagindo

Tentando encontrar um equilíbrio que satisfaça

Há dias felizes, outros nem tanto

Enquanto houver dias por viver

Sempre haverá dias assim…

Alda M S Santos

Histórias arrancadas

HISTÓRIAS RABISCADAS

São tantas as histórias, tantos os momentos

Bons ou ruins, saudosos ou amargos

E muitas vezes queremos rabiscar alguns capítulos

Arrancar algumas páginas

Apagar definitivamente algumas cenas dolorosas

Mas isso não é possível…

Tudo está gravado definitivamente

Seja rabiscado, arrancado, queimado, lançado fora

Tudo está lá em nosso HD interno

E salvo no Livro da Vida o qual não temos acesso

Podemos desfocar, desviar a atenção

Deixar ir embaçando por falta de uso

Grifar com brilho páginas mais interessantes

Destacar capítulos alegres e prazerosos

Colocar rosas a marcar o que se quer “reler”

Mas apagar, definitivamente, não dá!

Vira e mexe cenas reaparecem

E só podemos aprender com elas

Reeditar, consertar, reestruturar, melhorar o que for possível

E mandá-las novamente para a caixinha de histórias rabiscadas

Daquelas que só serão relidas do outro lado da vida…

Alda M S Santos

Onda de quê?

ONDA DE QUÊ?

Onda de calor, quarenta graus, frente quente

Daquelas que sugam a energia da gente

Onda de frio, temperaturas baixas, frente gelada

Daquelas que nos fazem encolher na madrugada

Tanta onda que aparece por aí

Queria tanto saber quando chegará por aqui

A onda de amor, frente de bondade

Que é dessa que tanto precisa a humanidade

Onda de compaixão, um pouquinho de atenção

Que levanta alguém do chão, que acolhe o irmão

Onda de solidariedade, que atinge qualquer idade

Desperta a piedade, atiça a caridade

Onda de carinho, chegando de mansinho

Daquelas que matam a saudade

Que nos pegam e nos dão um colinho

E afastam qualquer maldade…

Quando a onda do amor irá nos abater?

Só queria saber…

Alda M S Santos

De volta para casa

DE VOLTA PARA CASA

Quero pegar o caminho mais gostoso

Nem sempre flores, tantas vezes pedregoso

Quero pegar um atalho que me leve ao que amo

Àquilo que nunca deixou de existir

Quero pegar o caminho de volta para casa

Quero pegar o caminho do qual me afastei

Em busca daquilo que estava tão perto

Quero pegar o caminho que tão bem conheço

Que poderia perfazer de olhos fechados até aqui

Quero pegar o caminho de volta para casa

Quero pegar o caminho que me leve até mim

Aquela que outros caminhos percorreu

Voltas e voltas que deu para chegar cansada, voltar crescida

Quero pegar o caminho de volta para casa

Aquela que sempre esteve aqui

Que sabe o que quer e habita em mim

E logo percebi que todos os caminhos, afinal,

Eram necessários para me trazer de volta para casa

Para me trazer de volta para mim …

Oi! Voltei! Senti saudades!

Alda M S Santos

Temos pressa

TEMOS PRESSA

O tempo voa, a vida passa

E ficamos a esperar na janela

Por aquilo que de nós não sai

Ainda que pareça balela

Temos pressa…

Nem tudo o que a gente quer

Chega na velocidade desejada

Mesmo sabendo que o mais valioso

Chegará só na hora apropriada

Temos pressa…

A paciência é uma virtude

Que precisa ser bem dosada

Porque se confundida com inércia

Não nos ajuda em nada

Temos pressa…

Cansados de ver ir embora

Tantos sonhos que viraram pó

Queremos aproveitar melhor agora

Para não terminar a vida só…

Temos pressa…

Alda M S Santos

Utopia ou paz?

UTOPIA OU PAZ?

Não é no dia em que tivermos vencido

Todas as nossas guerras internas

Enfrentado todos os nossos monstros

Que teremos alcançado a paz

Isso é utopia!

Teremos paz quando finalmente

Aprendermos a conviver com elas

Sem nos ferirmos de morte

Sem machucarmos nossos amigos

Sem matar nossos “inimigos”

Apenas aprendendo a neutralizá-los em nós

Até dançando com eles, independente de seu tamanho

Permitindo que nossos “amigos” apareçam mais

Dando aval para nosso verdadeiro eu ter primazia

Isso é paz!

Alda M S Santos

Ventos e ventanias

VENTOS E VENTANIAS

Ventos e ventanias que vêm e que vão

Vendavais que nos tiram do chão

Tempestades que abalam estruturas

Mas põem em teste a força de muitas criaturas

Alguns apenas trazem um leve frescor

Outros mexem com nosso interior

Batem portas e quebram janelas

Que deixamos abertos ou com fracas tramelas

Há ainda aqueles tipo furacão

Que aparentam trazer somente destruição

Na verdade levam embora o que era apenas perdição

O que ficar vale a pena a reconstrução

Tudo bem pesado e medido

Depois de passado o perigo

É avaliar o que restou

E aproveitar o que de bom ficou…

Ventos, ventanias, tempestades, furacões

Fazem parte de toda vida que não almeja a perfeição

Mas, madura, sabe que é assim

Que se escala degraus na evolução…

Alda M S Santos

Eu te diria

EU TE DIRIA

Olho para você e sinto saudade

Não é que aqui não seja um bom lugar

Apenas sua inocência e expectativa de felicidade

Me fazem nostálgica e levam-me a divagar

Olho para você e sinto arrependimentos

Pela coragem que não tive em alguns momentos

Ou pelos atropelos decorrentes do excesso de ousadia

Que nem sempre me trouxeram sabedoria

Olho para você e sinto orgulho

Apesar de tantas quedas e espinhos

Não nos perdemos uma da outra nos pedregulhos

Você e eu sempre traçamos juntas nossos caminhos

Olho para você e sinto alegria

Mas se pudesse, uma coisa eu te diria

Desculpe por algumas vezes ter te deixado para trás

Se tivesse deixado você agir mais

Tudo estaria mais em paz…

Olho para você, a criança que fui um dia

E sei que poderia muitas coisas te dizer

Mas é desnecessário, você me entende, há sintonia

Estivemos juntas ao nascer, no viver

E assim estaremos até morrer…

Alda M S Santos

Presentes

PRESENTES

Há muitas maneiras vistosas

Coloridas, enfeitadas com laçarotes

Que certos “presentes” são embrulhados

E a nós oferecidos por aí

Como consumidores vorazes

Muitas vezes até pagamos para tê-los

E a decepção é grande

Ao notarmos que a propaganda era enganosa

Que a ideia não era assim tão original

A vitrine nos fazia ver brilho onde não existia

Novidade no que era apenas repetição

Mesmo produto ultrapassado com nova roupagem

O conteúdo não correspondia ao embrulho

Notamos que “levamos gato por lebre”

Fomos ludibriados…

Será mesmo?

Podemos mesmo culpar o engodo do outro

Ou devemos assumir nossa vaidade

Ao querer levar algo tão “valioso e belo”

Sem avaliar sabiamente o que era oferecido?

A culpa é de quem presenteia

Ou de quem se deixa presentear?

Nesse comércio onde tudo se vende ou se troca

Sábio é quem sabe o que comprar

E não se deixa mais enganar…

Alda M S Santos

Fazer as pazes

FAZER AS PAZES

É preciso fazer as pazes

Com aqueles que nem sempre agimos como deveríamos

Pelas atitudes não tomadas quando necessário

Pela inaptidão em estender a mão

Pelo uso inadequado dos dons recebidos

É preciso fazer as pazes

Pelos erros cometidos contra os outros

Voluntária ou involuntariamente

Pela incapacidade de voltar atrás e desfazer algo

Pelos medos que impedem de seguir em frente

Mas é preciso, principalmente, fazer as pazes consigo mesmos

Encarar a própria fragilidade e/ou (des)humanidade

Reconhecer-se falho, errante, imperfeito, aprendiz

Perdoar-se, propor-se a fazer diferente daí em diante

E seguir…

Reconciliar-se com o outro é fundamental

Mas passa pela reconciliação conosco mesmos

Façamos as pazes!

Alda M S Santos

Autores

AUTORES

Autores o tempo todo

Escrevendo uma história original

Não importa tanto a capa

Sequer a página inicial

O que vale mesmo nessa obra

Que escrevemos até sem perceber

É a audácia e delícia de viver

Cujo fechar de olhos é que determina o final

Num momento que não sabemos quando vai ser

Páginas em branco recebemos

Com a tarefa de ali algo belo registrar

Não importa o estilo textual

Sequer a linguagem ou idioma

Independente do número de páginas, personagens

É pessoal!

Se sua história fosse um livro

Você ousaria indicar?

Teria prazer em (re)ler?

Se virasse filme assistiria com seus pais, filhos?

Ao final, tudo que fica é nossa história

Não precisa ser um best seller

Basta que seja uma bela história!

Caprichemos!

Alda M S Santos

Você está curado?

VOCÊ ESTÁ CURADO?

Se já não dói quando o tempo esfria

Se não muda de cor de acordo com as fases da Lua

Você está curado…

Se não fica febril ou não tosse mais

Se os espirros e coriza foram embora

Você está curado…

Se os pesadelos não mais te atormentam, os calafrios cessaram

Crises de pânico e tristeza passaram

Você está curado…

Se a cicatriz fechou, não mais sangra

Se as lembranças são apenas lembranças e não machucam mais

Você está curado…

Se não chora ao ouvir aquela música ou passear naquele jardim

Se um poema, um livro ou autor são apenas boa literatura

Você está curado…

Mas se a mágoa é maior do que a esperança

Se oferecer o perdão é mais difícil que a revolta

Ainda não curou…

Se as minhocas na cabeça ainda são assustadoras, incomodam

As borboletas ainda reviram o estômago

Ainda não curou…

Se só quer dormir ou sumir

Se se esconder é melhor que viver

Ainda não curou…

Mas se quer mesmo se curar

Física, mental ou emocionalmente

Escolha viver e os males enfrentar

A vida é receptiva aos que sabem lutar!

Alda M S Santos

Escondidos

ESCONDIDOS

Quantas palavras não ditas

Um silêncio sufoca?

Quantas questões e dúvidas dolorosas

Uma sabedoria esconde?

Quantas angústias e lágrimas intermitentes

Um sorriso camufla?

Quanta inteligência e bondade

Uma simplicidade carrega?

Quantos medos e traumas

Uma coragem disfarça?

Quantas loucuras e desatinos

Uma sanidade “sossega”?

Quanta esperança e fé

Um orgulho embaça?

Quanto companheirismo e amizade

Uma distância destrói?

Quanta evolução e aprendizado

Uma soberba apaga?

Quanto carinho e amor

Uma indiferença mata?

Quanta vida feliz

A inércia impossibilita?

Quanta coisa boa anda escondida

Nos recônditos secretos de nós mesmos

Aguardando para ser revelada

E navegar no barco da vida?

Alda M S Santos

Não vale!

NÃO VALE!

Não vale sufocar, tirar o ar

Não vale enterrar viva uma raiva

Um sentimento ou uma emoção

Não é saudável engolir as lágrimas, engolir em seco

Expresse-se!

Chore, gargalhe, grite, perdoe, peça perdão

Cultive apenas o que faz bem, ame!

Tapar uma ferida não cicatrizada

É cultivar uma infecção que pode ser fatal

Deixe rolar, deixe sair, purgar, ir embora

Represas super lotadas se rompem

Baús estufados mofam, trancas enferrujam

É preciso liberar espaço para o bem circular

Para o sorriso aquecer, a vida fluir…

Alda M S Santos

Perder ou ganhar?

PERDER OU GANHAR?

Dependendo de quem ou do que ganha

É melhor perder…

Há vitórias que só trazem desilusão

Há derrotas que carregam em si muito mais honra

Mesmo que sejam dolorosas

E, com o tempo, acaba-se percebendo

Que o que é vitória ou derrota é muito relativo

O tempo atenua uma e engrandece a outra

É só se percebe mesmo vitorioso

Quem enfrentou a “derrota” com graça e sabedoria

Ainda que tenha caminhado por trilhas esburacadas e frias

Olha para trás e vê aprendizado

Olha para frente e vê o sol brilhar

Cedo ou tarde tudo se esclarece

Derrota? Vitória?

Quem poderá mesmo dizer?

“Sou um milagre estou aqui”!

Alda M S Santos

Ferida

FERIDA

Aquela ferida que todos carregamos

Causada por um machucado doloroso

Relíquia de um tombo inesquecível

De bicicleta, da escada, do galho de uma árvore

De um sonho, do alto de uma esperança, de uma ilusão

Escorregando de um colo ou despencando de um coração qualquer

Ferida que está disfarçada, coberta por uma cicatriz

Para não chamar a atenção dos curiosos

Para não assustar os mais sensíveis

Para que se evite cutucar

Para que não sangre tudo outra vez

Para que cure, se cure, se cuide

Cicatrizes servem para nos lembrar que sobrevivemos

E que saudade é a bonita cicatriz da vida que doeu, sangrou

Que nos ensinou pela alegria e pela dor

Que ela pode ser bela

Mesmo com nossos machucados…

Alda M S Santos

As folhas que perdemos

AS FOLHAS QUE PERDEMOS

Uma grande e frondosa árvore

Quantas folhas produziu, quantas flores e frutos gerou

Quantas folhas secaram, caíram, “perderam-se”?

Mas a cada folha seca que caiu

A cada estação ou jornada que enfrentou

Ela engrossou tronco, aumentou galhos

Fortaleceu e aprofundou raiz

Tornou-se mais copada e bela, mais resistente às intempéries

Não controlamos as folhas ou frutos que perdemos

Mas, como acontece com as árvores,

Onde folhas, flores e frutos

Caem aos seus pés, viram húmus e as nutrem através do solo

O mesmo se dá conosco…

Cada folha perdida, chorada, sentida ou não

Nos fortalece, firma nossa emoção

Nutre nossa alma e nos abastece de amor…

Na verdade, nenhuma folha se perde

Nunca!

Quanto mais folhas e frutos “perdemos”

Deixamos cair, irem “embora”

Mais fortes nos tornamos…

Somos árvores!

Alda M S Santos

Buraco negro

BURACO NEGRO

Um grande abismo gravitacional

Que atrai para si tudo que se aproxima

Como um buraco negro na galáxia

A anos-luz de distância da terra

Alimenta-se, absorve, suga para si tudo que passa perto

Bom ou ruim, produtivo ou não

Quantas vezes somos assim?

Sugando sem critério a sorte ou o azar do outro

Suas alegrias e tristezas

Sua energia positiva ou negativa

Sua luz, sua escuridão, seus lixos existenciais

No buraco negro do espaço tudo desaparece lá dentro

Não sei o que isso causa com o tempo

Quanto a nós, chega o momento do basta

Muita coisa negativa absorvida e não processada

Não desaparece em nós, não some

Causa explosões, reverte-se em doenças físicas e emocionais

Transtornos diversos na alma

Morte em vida…

Precisamos de critério ao absorver energias alheias

Receber apenas o que pudermos processar e devolver em forma de luz…

Não somos um buraco negro!

Alda M S Santos

Descartáveis

DESCARTÁVEIS

Num mundo onde prevalece a lei do menor esforço

Onde se opta pelo que dá menos trabalho

Os descartáveis estão em alta

Copos, pratos, papéis, objetos diversos

Usou, não precisa lavar, descarta-se, joga fora

Nessa mesma onda, nessa avalanche descartável

Estão sentimentos, emoções, pessoas, relações

Se exige um pouco mais de atenção

Se cobra reflexão, valorização, tempo, reciprocidade

Ah, dá muito trabalho!

Deixa pra lá, passa a vez…

A fila anda!

Amizades, famílias, dons, aptidões, fé

Joga-se fora lares e o que tem dentro dele

Joga-se fora familiares

Reutilizar, renovar, para quê?

Joga fora e compra-se um novo

Pega, toma ou empresta de alguém!

Tudo que exige atenção, dedicação, cuidado diário

É perda de tempo…

E vamos nos enchendo de lixos descartáveis

Entupidos, pesados, cansados, doentes…

Mais vale uma taça de cristal que se lava a cada uso

Um amor que se irriga e se renova todo dia a cada beijo

Que a troca desenfreada para obter algo novo

Tudo de bom nesse mundo é o que nos empenhamos para ser duradouro

Para se eternizar em nós…

Alda M S Santos

Distribuindo responsabilidades

DISTRIBUINDO RESPONSABILIDADES

Depois de apontarmos diversos culpados

Pelo que somos, fazemos ou deixamos de ser ou fazer

Pela situação em que nos encontramos

Pais, filhos, cônjuges, amigos, familiares, chefes

A escola, o emprego, o clima, a igreja, Deus

Depois de apontados diversos responsáveis pelos nossos entraves

Nossos erros e acertos

Depois de termos nos dado os devidos descontos

Que fica de verdade para nós mesmos?

Qual a responsabilidade que assumimos pelo que somos

Pelo que fizemos com a vida que nos foi oferecida

Pelas escolhas que foram nossas?

Pelo bem ou mal que causamos?

Quem ainda pode ser responsabilizado

Além de nós mesmos?

Tendo tudo isso esclarecido e assumido

Fica mais fácil prosseguir evitando cair nos mesmos buracos

Fugindo da escuridão e da falsa luz que ofusca…

Alda M S Santos

Fragilidade

FRAGILIDADE

Um pequeno sopro, uma brisa qualquer

E ela se desfaz, se desmancha

Morre, deixa de existir aqui

Para virar mil novas mudas de si por aí

Espalha-se por todos os lados

Levada pelo que, aparentemente, veio para destruir

Mas renasce noutros cantos,

Em terrenos propícios, terra boa

Tão bela quanto antes

Força que vem da fragilidade

Leveza que tem razão de ser

Em cada ser da criação

Força ou fragilidade é só uma questão de ponto de vista

De tempo, de fase, de estação…

Alda M S Santos

Ovelhas: qual delas é você?

OVELHAS: QUAL DELAS É VOCÊ?

Ovelhas brancas, negras, “coloridas”

Qual delas é você?

A quem você aponta como ovelha negra

Da família, do trabalho, da igreja, das amizades

Já pensou no que ela significa pra você?

No que tem a te ensinar, proporcionar

No que você tem perdido por só criticar

Por se achar melhor, superior

Por ignorar ou, simplesmente, se afastar?

Ovelhas negras têm missão especial

Foram escolhidas a dedo por Ele

Seu trabalho por aqui é (des)equilibrar o meio

É mexer em estruturas tão firmes, intactas e castradoras

Aparentemente corretas, mas cruéis e paralisantes

Aquelas que te provocam raiva, dor, vergonha ou compaixão

O diferente instiga, cutuca, sofre, faz sofrer

Se devidamente aproveitado em seu meio

Provocará mudanças evolutivas

Nos outros, em si mesmo

Quanto mais diferente a ovelha negra for

Quanto mais excluída e excludente

Maior e mais importante seu trabalho por aqui

São as ovelhas negras que ousam mudar

Que se contrapõem ao “certo” de todos

Que agem “errado” por questionar padrões cruéis e ultrapassados

Que encaram os desafios, que abrem e despertam sorrisos

Que gritam e se rebelam, se revelam, nos revelam

E dão um pontapé naqueles que delas fazem pouco

Mesmo que entre lágrimas…

Que ovelha é você?

Alda M S Santos

Com as mesmas armas?

COM AS MESMAS ARMAS?

Se quisermos vencer o que nos faz mal

Não será usando as mesmas armas que conseguiremos

Armas carregadas e recarregadas

Pentes repostos, violência sem fim

Mesmo que a arma seja o verbo desenfreado

A intolerância, a impaciência, o desamor

A palavra má e cortante que flui infinitamente

O bate-boca maléfico e improdutivo

Acusações e calúnias paralisantes

São tão fatais quanto um fuzil

O bom combate é feito no antagonismo

Silêncios em resposta a gritos

Paciência e sabedoria se contrapondo a ignorância

Tolerância e resiliência para enfrentar a rigidez e radicalismo

Bem nos ensina a oração de São Francisco de Assis

“Onde houver ódio que eu leve o amor”

Oh, mestre, ajudai-nos!

Alda M S Santos

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