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poemas e reflexões da vida cotidiana

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barreiras emocionais

Não são só palavras!

NÃO SÃO SÓ PALAVRAS

Elas podem ser impensadas
Rispidas, fortes, mal analisadas
Podem ferir, machucar, magoar
São lâminas fazendo a alma chorar

Não são só palavras!

Podem estar carregadas de desesperança
De desânimo, de cansaço, de mentira, destemperança
Podem instigar um lado negativo, punitivo
Fazendo de nós um coração fugitivo

Não são só palavras!

Podem estar recheadas de fé e amor
Trazendo luz, esperança, colo e calor
Podem animar, ser carinho, abraços e beijinhos
A doçura que todos precisamos para não seguir sozinhos

Não são só palavras!

Aquilo que falamos não pode mais ser recolhido
Vai encontrar um terreno para crescer, é sabido
Se quisermos plantar o bem, lançar ao vento
Vamos transmitir coisas boas do pensamento

Não são só palavras!

Alda M S Santos

Quando o mundo acabar

QUANDO O MUNDO ACABAR

Quando o mundo acabar, não quero chorar
Vou sentar num canto, refletir, analisar
Será que fiz tudo que me cabia
Sem esmorecimento, preguiça ou letargia?

Quando o mundo acabar, voltarei para casa
Livre de todos os pesos, leves asas
O quanto ficará de mim nesse espaço
Ao menos deixarei algum forte laço?

Quando o mundo acabar, não quero chorar
Serei grata, penso que o pranto vai chegar
Seja saudade, não arrependimento ou pesar

Mas enquanto o mumdo não acabar por aqui
Assumirei minha parte, vou amar, vou agir
O voo de volta por hora pode seguir sem mim

Alda M S Santos

Tá doendo?

TÁ DOENDO?

“Mas tá doendo muito, muito mesmo”, a criança dizia
E em seu choro de dor se desfazia
Será que há como medir uma dor
Há como saber o que dói mais ou causa menos torpor?
Sei que causa dor aguda se ainda está aberta a ferida
Cabeça, dente, coluna, rim, nervo ciático, difícil a lida
Mas há outras dores difíceis de suportar
As que apertam e machucam o coração
Ou aquelas que trazem mágoa ou decepção
Dói não ter sua intensa afeição correspondida
Dói saber que aquela pessoa não era mesmo amiga
Dói o vazio da fome, a carência de nutriente
No corpo, na alma, no coração da gente
Dói perder por alguém a admiração
Dói saber que fez tanto por nada, indignação
Dói não conseguir se fazer entender
Também dói não saber com certas coisas viver
Dói se sentir envelhecer sem aproveitar o presente
Fixado no passado ou com o futuro imprevidente
Dói não saber sorrir, brincar, fazer do dia a dia algo prazeroso
Na verdade, viver pode ser bem doloroso
Melhor se fixar na cura, no que pode ser gostoso
Deixar a dor ir embora com o vento, sem lamento
Ou soprá-la para longe do pensamento
Assim o viver traz menos sofrimento…

Alda M S Santos

Não me cabe

NÃO ME CABE

Nessa caixa não me cabe
Não é que eu não seja flexível
É que ela tende a me moldar
Colocar num padrão que me machuca
E que não vai me agradar

Nessa caixa não me cabe
Dobra daqui, dobra dali
Tira um pedaço desse lado
Aperta o outro, transfere de lugar
Até eu não mais me identificar

Nessa caixa não me cabe
E mesmo se coubesse eu não gostaria
É que prezo a liberdade de ser o que sou
Colocar-me ali me mataria

Nessa caixa não me cabe
Não sou boneca para viver em caixa, preciso de ar
Prefiro jardim, mata, rio, mar ou cachoeira
E assim quero viver a vida inteira…

Alda M S Santos

Os três da sobrevivência

OS TRÊS DA SOBREVIVÊNCIA

Três minutos sem ar
Três dias sem água
Três semanas sem alimento
Essa é a lei dos “Três” da sobrevivência
É o que aguentamos sem perecer
Mas será que isso basta para poder viver?
O que mais é necessário para não apenas sobreviver
E viver com intensidade e alegria
Sendo e fazendo o bem em total harmonia?
Quanto tempo se vive sem companhia
Ou pode-se encontrar na solidão uma sintonia?
Será que suportamos a tirania
De uma vida tensa em seu dia a dia?
Será que dá para suportar bem
Estar sem carinho, sem amor, sem alguém
Há como medir a quantidade de amor
Que cada ser humano precisa para ser calor
Sendo o ar, a água e o alimento
Nessa vida nem sempre a contento?
O que representa nosso ar nesse lugar
Qual nossa água, sempre a nos hidratar
Alimento da alma é tão precioso quanto o pão
Sem ele pode haver vida, mas sem coração…
Quais são seus três da sobrevivência?

Alda M S Santos

Pela raiz


PELA RAIZ

Se queremos manter, cuidamos da raiz
Isso todos sabem, até um aprendiz
Se desejamos que cresça irrigamos
Tratamos com carinho, adubamos

Se é flor a gente trata com jeitinho
Fica junto, admira, abre caminho
Se é erva daninha arrancamos de vez
Antes que estrague o canteiro, seria estupidez

Vale para plantas, gente, emoções
Não vale cultivar certas situações
Sob pena de apertar grilhões

Viemos munidos de sabedoria
Utilizar faz bem, gera alegria
Desatenção só traz desarmonia

Alda M S Santos

Relações completas?

RELAÇÕES COMPLETAS?

Somos uma caixinha de uma riqueza interessante
E vamos distribuindo nossos pedacinhos de modo intrigante
Selecionamos até sem ver o que e com quem partilhar
Cada pessoa acaba nos dizendo com o que é capaz de lidar

Há pessoas que partilhamos mente, pensamentos e ideias, reflexões
Com outras dividimos nossa habilidade física, corpo, ações
Há aquelas com as quais trocamos sentimentos e emoções
Desafiante é encontrar com quem partilhar todas essas nossas frações

Com Fulano falo sobre minhas convicções tranquilamente
Com Beltrano brinco, pulo, trabalho, vivo, faço amor alegremente
Com Sicrano sorrio, choro, me amparo, abro coração docemente
Uma relação completa traz tudo isso divinamente

Não quer dizer que vamos descartar as relações “parciais”
Somos corpo, mente, coração, são partes fundamentais
Em sua parcialidade elas podem ser inteiras, completas
Nos fazer bem nessa troca que pode parecer incompleta

Alda M S Santos

Um viver morno

UM VIVER MORNO

Um mundo densamente povoado
Há gente de todo tipo, para todo lado
Tem para todos os gostos e preferências
Mas nunca houve tanta solidão e negligência

Gente que não se demora num olhar
Gente que já não sabe mais abraçar
Gente que tem pressa de chegar
Sem saber sequer aonde vai parar

Gente que busca uma conexão qualquer
Não se identifica o que a alma requer
Gente que anda carente de colo e atenção
Do ombro, da palavra ou do silêncio irmão

Um mundo de várias pessoas no entorno
E tanta gente nesse viver morno
Falta calor humano, amor de verdade
Ganhar tempo é perder em humanidade

Alda M S Santos

Jeito de olhar…

JEITO DE OLHAR

Um passo atrás pode ser avançar
A tempestade pode vir para limpar
A queda pode ensinar a levantar
O vendaval pode colocar as coisas no lugar

Tudo depende do jeito de olhar

Chorar ensina a valorizar o sorriso
Medo e inércia nem sempre são coisas de indeciso
Talvez seja um modo de usar o perigo
Para encontrar melhor abrigo

Tudo depende do jeito de olhar

Solidão nem sempre é ausência de companhia
Talvez seja escolha de pessoas
Que usam de muita sabedoria
Ao não insistir em buscar no outro
Aquilo que encontram em si mesmas: paz e sintonia

Tudo depende do jeito de olhar

Preta, branca, cinza ou multicor
A vida sempre será uma tela
Para artistas que pintam com estilo e amor
E usam a paleta preferida para torná-la ainda mais bela…

Tudo depende do jeito de olhar
Do jeito de a vida encarar …

Alda M S Santos

Perguntas…respostas?

PERGUNTAS… RESPOSTAS?

O que fazer para não nos machucar
Ou se isso acontecer, como parar de chorar
Uns com tanto, outros na necessidade
Será que dá para ter um pouco de felicidade?

Dois mil anos é há quem acredite na guerra
Doença, maldades e mortes assustam na Terra
Será que há um espaço além do espaço sideral
Que possa ativar nosso lado menos animal?

Viver cansa, dói, fere, alegra, dá prazer
Um vai e vem frenético sem saber quando irá acontecer
Aquele momento que nos levará embora, interrupção fatal 
Para onde será que iremos, afinal?

São tantas as perguntas nessa vida de labuta
Tantas coisas a nos deixar de calça curta
Qual o sentido disso tudo, meu Deus?
A pergunta não cala, mas é melhor confiar nos desígnios Seus

Alda M S Santos

Fim

FIM
Do princípio ao fim
Ou do fim ao princípio
Tantas questões dentro de mim
Chego só, volto só
Enfim, qual é o propósito
Disso tudo, Serafim
Será o fim?
Aterrisso sem nada saber
Tenho tanto ainda para aprender
E já começo a voltar
Para casa regressar
Perco a mobilidade, a habilidade
A memória e, por vezes, a consciência
Não é uma incongruência
Disso tudo, Serafim?
Tudo que amealhei por aqui
Não mais me pertencerá
O que me acompanhará é aquilo que ganhei ou perdi
Conquistei ou doei, e que poderei também deixar
Com quem esteve comigo do princípio ao fim
Chego nua, volto vestida de Lua, perfume de jasmim
Várias fases, brilho e luz…
Um ciclo que se fecha em mim e me conduz…
Alda M S Santos

Acordo prévio?

ACORDO PRÉVIO?

Até que ponto o que temos foi determinado pelo destino
Ou fomos nós quem pedimos num momento de desatino
Será que aqueles que caminham conosco por aqui
Foram escolhidos do outro lado para nosso evoluir?

Aqueles que nos decepcionam são lição
Os que nos encorajam, atiçam, são animação
Há os que são puro carinho e amor, eterna gratidão
Penso: qual foi nosso acordo prévio com a Criação?

Certo é que nada nem ninguém é por acaso, tudo vem a calhar
Importante é saber o que jogar fora ou manter, depois da lição tirar
Olho em meu entorno e vejo tanta gente diferente 
Será que precisamos uns dos outros mutuamente?

Percebo que há também um constante ir e vir
Ha quem já cumpriu sua missão por aqui, seu evoluir
Chega a hora de voltar para casa, para o eterno lar
Bom seria tanta gente boa poder reencontrar…

Alda M S Santos

Como você se sente?

COMO VOCÊ SE SENTE?

Sabe, esse mundo anda meio abilolado
Ninguém quer mesmo entender nosso lado
O que sentimos não interessa, dizem: suporta!
Só o modo que agimos é o que importa

Bom se há um alguém que te olha e te diz
Eu sei como se sente, parece infeliz
Pode estar sendo difícil ou doloroso
Estou contigo, te compreendo, dê cá um abraço caloroso

Ser humano precisa aprender a usar o coração
De que adianta ter tanto raciocínio e razão
Se nas horas difíceis te deixam na mão?

Amar ao próximo como a si mesmo: essa é grande lição
Mas tem nisso tudo apenas um senão
Desprendemos o amor próprio, como amar nosso irmão?

Alda M S Santos

Há gente assim…

HÁ GENTE ASSIM…

Há gente de todo tipo nesse mundão
Há gente luz, há gente escuridão
Há gente que briga, outras que dão a mão
Há gente que é separação, outras união

Há gente que é lágrima, gente sorriso
Gente que é força, gente fragilidade
Gente que é medo, gente que é coragem
Gente que foge, gente que segue viagem

Há gente que que é peso, outras leveza
Gente que é feiúra, outras beleza
Há gente que é amor e doação
Gente que é descaminho e perdição

Há gente de todo tipo por aqui, incrível
O que nem sempre é tão perceptível
É que todas elas podem fazer morada
Dentro de nós mesmos em diferentes jornadas

Alda M S Santos

Faz falta na vida da gente…

FAZ FALTA NA VIDA DA GENTE…

O que faz falta na vida da gente
Que dói se estiver ausente
Aquilo que deixa a alma carente
E o coração parece que fica dormente?

Faz falta um sorriso, a fantasia
Um abraço apertado, carregado de magia
Um Sol quente que renova a vida todo dia
A chuva que faz brotar a semente da alegria…

Faz falta na vida da gente a fé na Criação
Em algo maior para depositar nossa gratidão
Deixa-nos vazios a ausência de perseverança
Faz a vida parecer inócua, sem esperança

Faz falta ter um alguém, família, amor, amigos
Não fomos feitos para estar por aí sem abrigo
Nossa melhor morada é dentro de um alguém
Faz falta sermos boa morada também

Alda M S Santos

Desatinos

DESATINOS

De quantos desatinos se faz uma loucura?
De quantas loucuras se faz uma alegria?
De quantas alegrias uma vida precisa para ser feliz?

De quanta felicidade se faz uma história
De quantas histórias se faz uma memória
De quantas memórias uma vida precisa para renascer?

De quantas vidas se faz essa viagem
Em quantas viagens embarcamos nessas paragens
Dá para viver vendo o mundo se desfazer em bobagens?

De quantos desatinos precisamos para não enlouquecer
A quantos nãos conseguimos sobreviver
Dá para viver sem o amor fazer acontecer?

Alda M S Santos

Pedaços de mim

PEDAÇOS DE MIM

Quantas vezes eu me quebrei toda por aqui
Sobre mil pedaços de mim, chorei, não havia mais conserto 
Quantas vezes eu me despetalei toda nesse jardim
E, juntando cada pétala, em harmonia, fiz um concerto?

Quantas vezes quis negar as lágrimas, ignorar
Mas foi com elas que pude os cacos colar
Quantas vezes me cortei com pedaços pontiagudos
Me recolhi, silenciei, sarei, em gritos agudos?

Quantas vezes quis me mudar para um canto escuro
Onde ninguém pudesse ver meu pranto obscuro
Quantas vezes quis pedir para esse mundo parar
Estava cansada, não queria mais brincar…

Tantas vezes sem conta eu me colei, fiz reparos
Até mesmo em peças de cristal, saiu bem caro
As marcas ficaram, as linhas de suturas 
Hoje me olho no espelho, estou mais segura?

Sou um alguém que perdeu partes nessa viagem
Os pedaços de mim fazem parte dessa bagagem
Meu eu tem cicatrizes, são valiosas, são minhas
Grudei com quem me amparou, não andei sozinha

Alda M S Santos

Permita-me!

PERMITA-ME!

Não quero suas roupas, elas não me servem
Ora vão apertar, incomodar, machucar
Ora vão ficar grandes demais, desconfortáveis
Vez ou outra, se me aprouver, posso até tentar
E com sabedoria usar o que puder me ajudar
Mas, deixe que eu faça minhas escolhas, por favor!
Você pode, por amor ou amizade, me acolher
Mas não é legal impor seu modo de ser, ou como tenho que fazer
Você veste o que já testou e ajustou para si
Eu preciso descobrir o que cabe em mim
Meu corpo é outro, minhas emoções idem
Nosso modo de viver e nossos tempos não coincidem
Para meu crescimento eu preciso fazer no meu tempo
Aquilo que acredito e posso lidar sem muito sofrimento
Cabe ao amor e à amizade estar perto
Estar junto, acolher, abraçar, isso é certo
Caminhar lado a lado exige fé no outro, em si mesmo
E, acima de tudo, respeito e confiança
A base de toda relação que traz alegria é esperança
Deixemos cada qual ser o que é…

Alda M S Santos

Pessoas

PESSOAS

Gosto de pessoas que sabem ser pessoas
Independente da situação, nos transmitem coisas boas
Pessoas que são a luzinha quando tá escuro
Ou uma ponte convidativa quando só se vê muro

Gosto de pessoas que são o sorriso, a alegria
A palavra firme e doce, a sintonia
O abraço que te acalma, te aquece
O colo que ameniza a dor, coração em prece

Gosto de pessoas que são sombra, árvore frondosa
Ou como cachoeiras, energizante, água gostosa
Gosto de quem sabe ser mar, frescor no verão
E calor no inverno, lareira para o coração

Gosto de pessoas que não ficam ausentes
Não importa como, sempre se fazem presentes
São aquelas que lembramos quando tudo está bem
Ou quando tudo dói, é o alguém que na mente  vem

Gosto de pessoas assim…

Alda M S Santos

Lágrimas que rolam

LÁGRIMAS QUE ROLAM

Lágrimas que rolam, puro sentimento
Dor, alegria ou contentamento?
Sinal da mais profunda emoção
Liberá-las vez ou outra é libertação

Sorrisos são mais democráticos, mais partilháveis
Lágrimas são mais seletivas, inconfessáveis
Não é qualquer um que “merece” essa nossa expressão
É fragilidade humana, de um sofrido coração

Aqueles com os quais dividimos sorrisos são amigos naturais
Mas as lágrimas unem almas afins, especiais
Duas pessoas que se entendem na dor
tornam-se fundamentais

Lágrimas ou sorrisos são vivências com intensidade
Bom mesmo é se são expressão de nossa verdade
Na vida é bom nada aprisionar em busca de felicidade

Alda M S Santos
Tarde de Poesias: LÁGRIMAS

Céu e inferno

CÉU E INFERNO
Ansiamos pelo céu, tememos o inferno
Mas ambos estão muito pertinho de nós
Na verdade, ambos estão dentro de nós, ou nós dentro deles
Estamos no paraíso quando experimentamos boas sensações
Amor correspondido, amizade sincera, família unida
Corpo e mente saudáveis, paz conosco mesmos
Tudo lá fora torna-se lindo, colorido, brilhante, mesmo com raios e trovões, gelo ou nuvens pesadas…
Isso é paraíso.
Experimentamos o inferno quando não temos sintonia conosco, com os outros
Quando faltam empatia, amor, amizade, sossego
Quando sobram culpas, autoflagelos, dores, males físicos e mentais
Autopiedade, desconfianças, desamor, escuridão
Lá fora pode ser um espetáculo maravilhoso, sol quente, amor, natureza viva
E nós de olhos cerrados nos sentindo destruídos …
Isso é inferno.
O céu e o inferno, se fossem um lugar específico
Se tivessem que ser localizados num mapa
Seriam dentro de nossa própria mente, de nossa consciência
No mais íntimo de nossa alma
E depende de nós entrar ou sair de cada um deles
Fazer malas, mudar, deixar pra trás o que fere, ainda que com sofrimento
Mudanças sempre são dolorosas
E não precisamos morrer para isso…
Alda M S Santos

Miopia

MIOPIA

Nosso mundo anda sofrendo de miopia
Tudo tão nebuloso, deturpado, desarmonia
Dificuldade de enxergar ao longe, à distância
Também de perto, falta paciência, tolerância

Tanta gente que não se demora num olhar
Fica perdido, sem rumo, sem lugar
Quero poder apurar minha visão
Poder ver melhor com o coração

Sou míope, mas uso correção visual
Além disso, ativo o olhar emocional
Esse faz enxergar bem o que está mal
E buscar na empatia a correção ideal

Precisamos sintonizar melhor nossos sentidos
Apurar o que seria o chamado sexto sentido
A intuição pode ser nossa grande aliada
Para a humanidade que se sente desamparada

Alda M S Santos
Mais no meu blog vidaintensavida.com

Como criança

COMO CRIANÇA

Quisera ter a almejada e permanente confiança
Aquela que há no sorriso de uma criança
De que será firmemente  segurada
Quando for para o alto lançada

Como criança queria não temer chorar
Ou poder falar tudo que machucar
Questionar o que não está tão legal
E buscar uma brincadeira que não faça mal

Quisera saber derrubar os muros do coração
Pedir ajuda se o joelho esfolado doer de montão
E buscar colo, arrego, quando pedir a emoção

Ter a agilidade infante de escalar a árvore no quintal
A inocência e alegria de se molhar num temporal
E saber que tudo passa,  como todo vendaval

Alda M S Santos

Nuvens pesadas

NUVENS PESADAS

Olho para o céu, há sol, mas há nuvens pesadas
A qualquer momento podem desabar, carregadas
Ligeiras, assustadoras, são levadas pelo vento
Mexem com a mente, ativam o pensamento

Por que estão tão densas e apressadas
Onde será que irão desabar na madrugada
Ventos, umidade, nuvens cinzentas, vendaval
Tempestade é assim, mas quase sempre dá sinal

Em nosso céu interior também funciona assim
Nossas nuvens vão sendo alimentadas
Emoções que permitimos na alma serem acumuladas

Urge curtir uma brisa, um ventinho
Que leve a escuridão para longe, outro caminho
E deixar na alma o Sol brilhar, ser luz e carinho

Alda M S Santos

(IN)FINITO

(IN)FINITO

Se tudo por aqui é fugaz, é finito
Será que há algo que possa ser em nós infinito?
Não sabemos como será do outro lado
Será que doeria ver tudo isso acabado?

Tantas coisas vividas por aqui, outras por viver
Será que levo juntinho comigo meu HD
Para nos momentos de saudades poder reviver?
Gostaria de saber exatamente o que pode acontecer

Queria deixar pronta minha mala, sabe?
Com cuidado, organizar aquilo que me cabe
Como faço para uma boa e longa viagem
Para não esquecer nada, mesmo em outra roupagem

Na mala vou colocar um pouco de tudo
Como Noé fez há tempos naquela arca
O que desejo que se perpetue colocarei na minha barca 
Assim o finito pode ser infinito, será minha marca

Alda M S Santos

O que sobra?

O QUE SOBRA?

De tudo que trazemos em nós
Pós-análise dos contras e prós
O que fica, o que sobra
Que nos impele a agir, nos desdobra?

Se foi grande a tempestade
Ventos fortes mostrando nova realidade
Separando o aproveitável do que é lixo
Dá pra juntar o que sobra com algum capricho?

O que sobra de uma noite de lágrimas e dores
O que fica depois de grandes amores
Sabemos que nem tudo por aqui são flores
Será que podemos ser autoprotetores?

Sei que a vida pode ser vivida em plenitude
Mas é preciso se entregar, ter atitude
Nossa alma tem verões, invernos, mistérios
Urge acolher a ambos sem sermos muito sérios

Alda M S Santos

A Lua e eu

A LUA E EU

Olho para ela que suavemente me chama
Diz em silêncio: acenda sua chama
O coração se enternece, a alma clama
Pede um viver leve, sem muito drama

A Lua e eu falamos o mesmo idioma
Temos várias fases, diferentes sintomas
Ora ficamos bem nessa nossa redoma
Ora nos afligimos, o viver nos embroma

Somos assim, ora do Sol refletindo a luz
Cheia de si, puro encanto, seduz
Aos poucos míngua, carrega sua cruz
Ora é Nova, brilho interno, só em seu céu reluz

Somos assim, nós duas, eu e a Lua
Misteriosas, ainda que de corpo e alma nua
O amor é alimento em qualquer fase
Temos na intensidade de viver a nossa base

Alda M S Santos

Ressaca

RESSACA

Excessos que causam mal-estar
Desejo de estar em outro lugar
Tantas vezes somos acometidos pela ressaca
Dói a cabeça, o corpo, angustiante friaca

Ressaca também pode ser de ausência
Excesso de espaço vazio, carência
Ressaca que dói, aperta, má influência
Coração pulsa fraco, fica em dormência

A ressaca alcoólica se cura com muita água e repouso
Um cantinho qualquer para o corpo, bom pouso
Talvez um antiácido, um analgésico
Mas a ressaca emocional pede mais, um anestésico

Se o excesso é de carência e solidão
Essa ressaca machuca, gera muita emoção
Bom mesmo é carinho, paz,  boa sensação
Só assim se cura ressaca que atinge o coração

Alda M S Santos

Reiniciar

REINICIAR

Quero encontrar um meio de me reiniciar
Quando tudo estiver travando, poder recomeçar
Não funcionou, deu pau, aperta um botão
Apaga tudo e faz nova inicialização

Será que um modo de reiniciar
Não seria encontrar um bom lugar
Conosco mesmo ficar quietinho
Até encontrar nosso próprio jeitinho?

Seria buscar no nosso HD interno
O que há de especial, cara de eterno
Que nos faz sensiveis, também fortes
E não nos deixa perder nosso norte?

Será que para nos reiniciar
Não precisamos de alguém para nos ajudar
Mostrar o que temos de mais valioso
Jogar fora o inútil e ficar só com o precioso?

Vamos reiniciar?

Alda M S Santos

No tempo certo

NO TEMPO CERTO

Uma das lições da vida: tudo acontece no tempo certo
Mas como saber se já chegou esse momento
Como identificar, como saber o sentimento?
Será que o tempo certo dirá: é agora!
Ou nos colocará no canto: calma, não apavora!
Será que precisa do Sol e da chuva para ele chegar
Como planta que carece de água e calor para brotar?
Será que é quando algo lá dentro abala nossas estruturas
E se move, mexe e remexe, novas conjecturas?
Será que é quando já não há mais lágrimas, tudo esgotou
Ou quando o sorriso já se impõe, aflorou?
Como saber esse tal de tempo certo
Para não deixá-lo passar,  puxá-lo para perto?
Posso acelerar esse relógio, mudar meu calendário
Ou não posso atropelar, devo aguardar novo cenário?
Tenho medo de ficar sempre a esperar
E esse tempo certo nunca chegar!
Muitas vezes penso: é agora, preciso fazer acontecer
O tempo precisa de minha coragem para florescer
E assim sigo a vida, a linha, equilibrando desejos e ansiedades
Em busca da melhor hora dos sonhos virarem realidades…
Vou controlar a ansiedade
Será que hoje é o tempo certo?

Alda M S Santos

Através da janela

ATRAVÉS DA JANELA

Uma janela aberta, um mundo de possibilidades
O olhar vai longe, em busca de verdades
Lá fora a vida convida, nos chama
Quer nos levar para o  novo, o viver proclama

Janela aberta para o mundo, dentro da gente
Queremos passar, seguir em frente, na corrente
Não podemos viver sempre por um fio
É preciso vencer os medos, os desafios

Chega até nós o brilho e calor do Sol
Nos viramos para ele feito girassol
Cores e perfumes das rosas seduzem
Lua e estrelas na escuridão reluzem

Há um ímã, através da janela há atração
Um viver além de nós mesmos, mais emoção
Pode ser de bondade, estender de mãos
Também de amor,  paz, um viver mais irmão

Alda M S Santos

Pra depois

PRA DEPOIS

Melhor deixar para depois, agora não
Quem sabe o vento muda a direção
Ou amanhã não vai chover, haverá Sol
Poderei me encantar com o canto do rouxinol

Esse trabalho pode esperar outra hora
O lazer não precisa ser para agora
Aquele desejo antigo que carregamos conosco
Já perdeu o brilho, a cor, ficou fosco

Num eterno procrastinar,  deixar para depois
O tempo não espera ninguém, é sabido
Quando se percebe já não se acha mais abrigo
A vida vai passando, deixando feridos

Urge aproveitar agora cada anoitecer
Aproveitar a vida entre as flores no alvorecer
Fazer nossa hora, ensolarada ou nublada
Não dá é para ficar por aqui estacionada

De depois em depois a vida se esvai…

Alda M S Santos

Esconderijos

ESCONDERIJOS

Somos, a vida toda, eternas crianças
A brincar conosco de esconde-esconde
São vários esconderijos nessas andanças
E vamos tentando não cair desse bonde

Há nessa nossa viagem refúgios diversos
Para cada situação ou momento adverso
Ora escondemos numa atividade exterior
Ora bem lá dentro de nós, nosso interior

Às vezes estamos atrás de um sorriso feliz
Noutras num momento de lágrimas ou oração
Ou naqueles em que estendemos nossa mão

Esconder pode ser um momento de nos refazer
Poupar energias, encontrar a harmonia
Para seguir esse caminho em total sintonia

Alda M S Santos

O valor de uma vida

O VALOR DE UMA VIDA
Ânsia, necessidade premente de seguir
Seguir em frente para o desconhecido, o novo
Até onde não haja mais chão para caminhar
E ali pousar…
Ânsia, necessidade premente de seguir
Seguir, mas pegando o retorno, voltar
Até um bom lugar, um ponto pacífico, saudoso, confiável
Buscar o conhecido, prazeroso, sentar
E ali pousar…
Todo desejo de seguir esconde um embutido desejo de estacionar
Num lugar de tranquilidade e paz…
Enquanto houver propósito de seguir haverá vida
Em pouso ou em trânsito…
Cada qual faz sua melhor versão do caminho
Cada um sabe o valor de sua vida e das vidas alheias …
Alda M S Santos

É preciso permitir-se!

É PRECISO PERMITIR-SE!
É preciso se permitir sorrir para o bem propagar, o bem atrair
Mas também é preciso se permitir chorar,
Para a tristeza extravasar, a alma lavar.
É preciso se permitir amar para a vida ser plena, o coração não ser pequeno,
Mas também é preciso se permitir não gostar, se afastar do que faz mal,
Para respeitar a si e ao outro.
É preciso ser permitir falar, dizer tudo que agrada ou incomoda,
Mas também é preciso se permitir calar, silenciar, segredar,
Para não magoar, não magoar-se!
É preciso se permitir ser o que é, viver a própria essência,
Mas também é preciso saber aceitar a essência dos outros.
É preciso se permitir viver,
Mas de um modo que não fira ou impossibilite a vida alheia.
É preciso permitir e permitir-se!
Alda M S Santos

De pouquinho em pouquinho

DE POUQUINHO EM POUQUINHO

Um passo de cada vez, sem atropelar
Dá para ir longe nessa viagem, nesse lugar
Fora ou dentro de órbita, só ou acompanhado
A vida gira, segue, sabe o que deixar de lado

O sorriso pode se esconder, o olhar ficar apagado
Mas de pouquinho em pouquinho dá para esquecer
O que deixa o coração triste e amargurado
E buscar nas reservas internas uma razão de ser

Bem devagarinho dá para ir cicatrizando
Com carinho e atenção, a alma vai acalmando
Não desistir de seguir, tampouco ficar chorando
Até a ferida ficar curada, não dá para ficar cutucando

De gota em gota dá para cuidar do broto
Hidratar, reanimar, cozer o que estiver roto
Quero mesmo é apagar o que está dolorido
E pintar sempre nessa tela um novo colorido

Alda M S Santos

Quem sou eu para questionar?

QUEM SOU EU PARA QUESTIONAR?

Tenho direito às minhas sombras!

Até o Sol se esconde no horizonte, tira um tempo para si
As rosas perdem suas pétalas que adubam o jardim
A Lua tem suas fases, sua luz e sua escuridão
O rio tem tempo de seca, quase desertificação

Tenho direto às minhas sombras!

Os ipês têm tempo de beleza, de florescer
Mas também têm períodos em que parecem morrer
O mar tem as marés, altas, baixas, as ressacas
Os trópicos também têm períodos de friaca

Também tenho direito às minhas sombras!

Até mesmo a fé tem momentos em que não move tantas montanhas
Ou os heróis tiram a capa, sem grandes façanhas
O amor tem momentos carentes, em que tem mais fome ou sede
E a vida pede uma pausa, um descanso na rede

Então, quem sou eu para questionar minhas sombras?

Alda M S Santos

Sexta-feira, treze

SEXTA-FEIRA, TREZE

Sexta-feira treze, dia de cuidar de nossos gatos pretos

Sejam eles quais forem

Sexta-feira treze, dia de proteger nossos bichinhos

Daqueles que têm o “azar” da ignorância

E neles descontam suas fobias, superstições e preconceitos

Sexta-feira treze, quatorze ou quinze

Com gatos pretos, cães marrons ou pessoas amarelas

Debaixo de uma escada ou sobre um arranha-céu

Dia de acreditar que a sorte se faz todo dia

Começando com ambos os pés

Dia de saber que despedidas são sempre tristes, sobre pontes ou não

Que fazer caretas é feio todo o tempo, que calçados virados são apenas distração

Sorte somos nós que fazemos, de segunda a segunda

Primeiro a trinta e um, a gosto de Deus

De preto, de branco ou multicolorido

Tendo ou não os pés varridos

O amor não será varrido de nós

Se mantivermos atitudes de bondade, sabedoria e compaixão…

Boa sexta-feira a todos! ❤️ 🐈Alda M S Santos

Era uma vez…

ERA UMA VEZ…

Era uma vez…
Um alguém que confiava em todos os alguéns
Acreditava nas palavras belas, nos sorrisos
No que trazia, no modo de ver a vida, de fazer poesia
Não enxergava as sombras, as energias ruins
Vivia no bem, via o bem, atraía-se pelo belo

Era uma vez…
Uma menina ingênua, ela sempre foi assim,
Alegre, sorridente, encantada e encantável
Chegavam trazendo o afeto, a amizade
Um estender de mão que parecia realidade
Sonhos doces a alimentar sua vaidade
Até tudo desmoronar com a cruel verdade:
Não é todo alguém que merece sua lealdade!

Era uma vez…
Um alguém que tenta se corrigir
Quer não mais confiar, só seguir
Apagar os sonhos, ficar só com a realidade
Abrir bem os olhos, afastar toda maldade
Ativar o botão de alerta, ser severidade
Será que conseguiria não ter mais docilidade?

Era uma vez…
Um alguém que tenta seguir
Sem perder a fé no ser humano, no existir
Que quer não se enganar pelas aparências
Mas não quer perder a luz, sua boa influência
De uma alma que confia e mantém sua essência

Era uma vez…

Alda M S Santos
Tarde de Poesias: ERA UMA VEZ

Você está curado?

VOCÊ ESTÁ CURADO?
Se já não dói quando o tempo esfria
Se não muda de cor de acordo com as fases da Lua
Você está curado…
Se não fica febril ou não tosse mais
Se os espirros e coriza foram embora
Você está curado…
Se os pesadelos não mais te atormentam, os calafrios cessaram
Crises de pânico e tristeza passaram
Você está curado…
Se a cicatriz fechou, não mais sangra
Se as lembranças são apenas lembranças e não machucam mais
Você está curado…
Se não chora ao ouvir aquela música ou passear naquele jardim
Se um poema, um livro ou autor são apenas boa literatura
Você está curado…
Mas se a mágoa é maior do que a esperança
Se oferecer a si o perdão é mais difícil que a revolta
Ainda não curou…
Se as minhocas na cabeça ainda são assustadoras, incomodam
As borboletas ainda reviram o estômago
Ainda não curou…
Se só quer dormir ou sumir
Se se esconder é melhor que viver
Ainda não curou…
Mas se quer mesmo se curar
Física, mental ou emocionalmente
Escolha viver e os males enfrentar
A vida é receptiva aos que sabem lutar!
Alda M S Santos

Lançando laços

LANÇANDO LAÇOS
A vida eu sigo lançando laços
Desfazendo nós, conquistando abraços
Numa brincadeira séria procuro me divertir
Ora sou mágica, ora bailarina, ora palhaça
Nesse circo faço meu espetáculo
Percorro caminhos, venço distâncias, detono o cansaço
Não provoco grandes barulhos ou estardalhaço
Me protejo, no picadeiro tento não me partir em mil pedaços
Mesmo que, muitas vezes, seja ferida pelos estilhaços
Sigo nessa travessia em busca de luz e paz
Procuro demarcar meu próprio espaço
Tentando não depender de aplausos
Cuidadosa para não afastar os gostosos amassos
Nesse eterno vai e vem, levanta e cai
Me desembaraço, me enlaço, me desfaço e me refaço
Alinho a fé, a coragem e nossos passos
Para chegar ao final dessa travessia num único compasso
Sigo a vida lançando laços…
Alda M S Santos

Perto de você

PERTO DE VOCÊ

Perto de você eu não tenho medo
Nas situações difíceis não faço segredo
Peço sua presença todo o tempo
Com você enfrento qualquer contratempo

Você me aceita, me acolhe, me ampara
Afasta o negativo, do mal me separa
Me corrige, me dá colo, me anima
Sou mulher, sou terna, sou sua menina

Não tenho medo se tiver você
Longe ou perto, pode parecer clichê
Sinto sua proteção, seu amor, seu porquê

Você está comigo no sol, no céu, na lua
Em cada anjo que me manda, te sinto, sou tua
Com valentia, a ti me apresento de alma nua

Alda M S Santos
XLI Encontro Pôr Do Sol
Tema:” Não Tenho Medo Perto De Você

Eu gosto

EU GOSTO

Gosto de quem acredita que vale a pena
Não é superior, nivela, mantém a alma serena
Que sabe ser aconchego, acolhimento
Não desvaloriza dor, não desfaz do sofrimento

Gosto de quem sabe ser afeto, ser calor
Demonstra isso em atos e palavras com ardor
Esse mundo anda tão sem sentido, doloroso
Urge ser colo, ser abraço, ser amoroso

Gosto de quem sabe gostar, não machucar
Sabe compreender, ajudar, sem julgar
Gosto de gente que sabe ser gente, mesmo ao errar

Gosto de aprender com nossa humanidade
A cada passo ou descompasso ser verdade
Gratidão, liberdade, lealdade e simplicidade

Alda M S Santos

TOMBOS

TOMBOS

Qual o tombo mais alto, que mais machuca
Aquele que se cai de cima de uma árvore
Dos galhos verdes da esperança
Ou dos desejos de pujança?

O que se perde a classe, sai do salto
O que cai das expectativas de felicidade
Ou o que despenca da magia dos sonhos
E cai forte na cruel realidade?

Qual tombo machuca mais?
O que fere o corpo, causa fraturas
Ou o que faz sangrar o coração
Sem esperança de qualquer cura?

Qual tombo machuca mais?
A queda da razão ou da emoção?
A tristeza da desconfiança ou da decepção?
Qual ferida que não cura, não há cicatrização?

Qual?

Alda M S Santos

Desapego

DESAPEGO

Deixar para lá, essa é a nova ordem, desapegar
Não insistir no que só faz machucar
No que te afasta de si, te deixa sem lugar
Ou que tira o foco, faz nublar, faz chorar

Desapegar com consciência
Ter a alma livre, sem dependência
Somos feitos de mente e coração
Equilibrar é bom, não faz mal não

Busquemos assim o desapego
Mas não vale trocar um por outro apego
É preciso algo que traga paz e sossego

A vida pede carinho, busque arrego
Ainda que venha de si mesmo
Amar-se é por aqui um bom emprego

Alda M S Santos

Canoa furada

CANOA FURADA

São tantas as canoas nas quais embarcamos nessa vida
Algumas por querer, por escolha, boa opção
Outras por não haver alternativa, imposição
E aquelas que parecem, na verdade, melhores do que são

Bem ou mal as canoas são transportes
Devagarinho, certo ou não, mostram-nos um norte
Mas todo cuidado é pouco com as canoas furadas
Elas podem nos fazer afundar e sofrer nessa jornada

Mau uso, super lotação, descaso ou abandono
Tudo isso pode quebrar ou furar a canoa
E fazer dessa nau uma viagem à toa

Quero uma canoa que seja forte para não me afogar
Que me leve a navegar, por aí passear, flutuar
E encontrar um bom cantinho, parar e amar…

Alda M S Santos

Sentimentos

SENTIMENTOS

Se formos hierarquizar sentimentos
No topo os que trazem mais contentamento
E lá embaixo os que são mais sofrimento
Em que lugar estariam os seus a contento?

Amor está no topo, de todos o melhor
Mas outros que não são tão nobres
Ele pode trazer atrelados consigo
Causando mágoas, parecendo castigo

Respeito, confiança, lealdade são bons aliados
Indiferença e desatenção são mal falados
Machucam e ao fracasso estão fadados
Mas o ciúme é o pior e mais mal avaliado

Ciúme ruim de sentir, além de doer e cortar
Também pode coisas boas podar ou matar
Certamente lá embaixo é seu lugar

Alda M S Santos

O bem contido no mal

O BEM CONTIDO NO MAL
Em todo mal, se olhado com cuidado, se melhor observado
Há algo de bom que possa ser aproveitado
A luz não teria tanto brilho, se a sombra não amedrontasse
A liberdade só é tão almejada por quem já viveu qualquer tipo de prisão
A saúde é percebida como um bem maior quando sofremos qualquer dor
O silêncio é melhor sentido pós barulho intenso
O amor é indispensável a quem sofreu com indiferença
A paz é maior bênção onde já se viveu a guerra
Alimento e abrigo são presentes para quem viveu ao relento e passou fome
A vida tem maior valor quando vencemos a morte dia a dia
Sentimos melhor a presença
Onde antes houve ausência
O cheio só tem valor onde houve vazio
A percepção da falta mensura a fartura
A iminência da perda evidencia qualquer preciosidade
Faz-nos valorizar e ser gratos ao que temos…
Alda M S Santos

Um novo lar

UM NOVO LAR
E o isolamento acabou
Saímos de nossas cavernas internas
A luz forte até doía nas vistas
Mas a gente não se importava
Éramos só sorrisos, pura alegria
O mundo era um novo lugar
Todos se abraçavam, como nunca antes
As pessoas pareciam outras, eram outras
Energia renovada para essa nova morada
Tudo tinha mais cor e brilho
O coração era mais emoção, compaixão
Havia grande necessidade de união, de ser irmão
Muito havia sido destruído lá fora
Alguns não resistiram, foram embora
Vidas ceifadas nessa longa jornada de regeneração
Acolhidas seriam noutra dimensão
Havia muito para reconstruir na Terra
Mas cá dentro tudo estava em paz
E se dentro há paz ela será disseminada
Quem nos preparou para isso não erra
A humanidade tinha esperança, estava animada, renovada
Éramos novas pessoas para fazer um mundo novo
E esse despertar do amor só a fará ganhar
Vida, paz, um novo lar…
Em orações para que seja breve esse sonhar…
Alda M S Santos

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