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Encontro Marcado

ENCONTRO MARCADO

Temos por aqui um encontro marcado
Desde sempre tentamos fazê-lo afinado
Sem fugir, correr ou deixar de lado
O ideal é querer, buscar, ser seu aliado

Um encontro especial que se faça presente
Que seja verdadeiro, forte na vida da gente
Que se faça importante, caliente, envolvente
Que nunca nos deixe na solidão, alma carente

Nessa travessia é preciso saber aproveitar
À nossa revelia, o tempo segue sem cessar
Queremos com o amor poder encontrar

Não importa se é através do outro que ele vem
Certo que é um encontro de amor que convém
Mas, o ideal,  que seja o amor-próprio também

Alda M S Santos

DICOTOMIAS

DICOTOMIAS

Nos polos diversos da vida nos encontramos
Em diferentes extremos nos entendemos, nos enfrentamos
Quanto maior a diferença, maior a possibilidade
De se fazer maior e melhor na diversidade

Percebe-se o brilho da luz ao vislumbrar a escuridão
Valoriza melhor a companhia quem já se viu na solidão
Só se entrega livremente à doçura do amor
Quem já ficou preso e abandonado na dor

A força é evidenciada na fragilidade
A grandeza de alma despertada na pequenez de uma bondade
A coragem maior vem no confronto com o medo
A liberdade é valiosa quando já se esteve no degredo

Vive melhor quem tem a vida como um presente
Boa, má, com sorrisos ou lágrimas, não se mostra ausente
Não fica na superfície, mergulha fundo
É preciso aproveitar o que há de bom no mundo

Alda M S Santos

Uma sacudida

UMA SACUDIDA

Muitas vezes a vida nos dá um sacudida
Traz situações que deixam a mente aturdida
Parece que quer nos despertar de alguma letargia
Dizer pra gente: levanta, viva essa magia!

Pode ser uma perda importante e dolorosa
De algo ou alguém que deixa a alma chorosa
Pode ser a saúde que debilita, fragiliza
Ou uma decepção, sonho que não se materializa

Um novo olhar para o que se tem
Até mesmo para o que falta também
Fazer as pazes, aceitar o que convém

Bom aproveitar toda oportunidade
De acreditar na vida, lutar por liberdade
E abraçar o que surgir com amor e verdade

Alda M S Santos

Perguntas…respostas?

PERGUNTAS… RESPOSTAS?

O que fazer para não nos machucar
Ou se isso acontecer, como parar de chorar
Uns com tanto, outros na necessidade
Será que dá para ter um pouco de felicidade?

Dois mil anos é há quem acredite na guerra
Doença, maldades e mortes assustam na Terra
Será que há um espaço além do espaço sideral
Que possa ativar nosso lado menos animal?

Viver cansa, dói, fere, alegra, dá prazer
Um vai e vem frenético sem saber quando irá acontecer
Aquele momento que nos levará embora, interrupção fatal 
Para onde será que iremos, afinal?

São tantas as perguntas nessa vida de labuta
Tantas coisas a nos deixar de calça curta
Qual o sentido disso tudo, meu Deus?
A pergunta não cala, mas é melhor confiar nos desígnios Seus

Alda M S Santos

A cada amanhecer

A CADA AMANHECER

A cada amanhecer abro as janelas da casa
Deixo o Sol entrar, aquecer, abro minhas asas
Permito que invada, abro as janelas do coração
Um sorriso, uma prece, momento de gratidão

Uma longa espreguiçada, já me sinto preparada
Um “bom dia” de carinho a todos, à vida, minha namorada
Penso no dia que tenho pela frente, faço planos
Prometo lidar com sabedoria e alegria, amenizar os danos

Logo o estômago pede um alimento, um café
A alma se alimenta de boa leitura, de fé
Tão bom se sentir parte: amor, paz, saúde, bom tripé
Não me faço de rogada, sigo a boa maré

Lá fora a vida já segue em atividade
Tanta coisa acontecendo, há maldade, há bondade
O desafio é estar sempre do lado do bem
Revidar só aquilo que for bom também!

Bom dia! Belo amanhecer!

Alda M S Santos

Vergonha de ser gente

VERGONHA DE SER GENTE

Tantas vezes tenho dessa humanidade uma danada vergonha
Essa impunidade e injustiça dolorosa e enfadonha
Gente que ainda acredita que pode se matar
Por qualquer motivo parte para o guerrear

De que nos vale o título de racionais
Se o que fazemos nos torna piores que animais
Por um pedaço de terra, petróleo ou religião
Acabamos em lutas de morte com nosso irmão?

Já são mais de dois mil anos que Ele se fez humano
Para nos mostrar um viver mais leve, menos insano
Esteve entre nós, ensinou o amor como caminho
O que ficou em nós desse especial carinho?

Vejo nações e  povos matando, tendo supremacia
Adultos, crianças e idosos em total arrelia
Fuga, fome, dores, diversos males e feridas
A amorosidade sendo cada vez mais preterida

O que será preciso para o ser humano aprender
A Terra ir pelos ares, desaparecer?
Talvez haja um planeta melhor, mais acolhedor
Quero estar onde reine verdadeiramente o amor…

Alda M S Santos

Senta aqui

SENTA AQUI
Senta aqui do meu lado, precisamos conversar
Quero falar de tudo que me alegra
De tudo que sinto falta
Da falta que você me faz
Daquilo que me faz chorar…
Senta aqui do meu lado, só nós dois
Quero jogar conversa fora, sorrir
Rir de mim mesma, da vida
Chorar pelos meus erros e falhas
Ouvir suas histórias e bons conselhos
Senta aqui do meu lado
Quero brincar, te contar casos
Quero dividir contigo o prazer de ter aqueles que amo
Ou as tristezas de não poder ser útil a tantos outros
Lamentar por aqueles que partiram
E que deixaram vazios e saudades
Senta aqui do meu lado
Conversar com você é vencer medos
É saber-me aceita mesmo com todas as minhas falhas
É sentir acolhimento e seu olhar de amor
É sorrir chorando, é chorar sorrindo
É olhar ao longe e enxergar dentro de mim mesma
É perceber que há muito ainda a viver
E saber que VOCÊ, como prometeu
Estará comigo até o fim dos tempos…
Senta aqui, vamos conversar!
Alda M S Santos

Pedaços de mim

PEDAÇOS DE MIM

Quantas vezes eu me quebrei toda por aqui
Sobre mil pedaços de mim, chorei, não havia mais conserto 
Quantas vezes eu me despetalei toda nesse jardim
E, juntando cada pétala, em harmonia, fiz um concerto?

Quantas vezes quis negar as lágrimas, ignorar
Mas foi com elas que pude os cacos colar
Quantas vezes me cortei com pedaços pontiagudos
Me recolhi, silenciei, sarei, em gritos agudos?

Quantas vezes quis me mudar para um canto escuro
Onde ninguém pudesse ver meu pranto obscuro
Quantas vezes quis pedir para esse mundo parar
Estava cansada, não queria mais brincar…

Tantas vezes sem conta eu me colei, fiz reparos
Até mesmo em peças de cristal, saiu bem caro
As marcas ficaram, as linhas de suturas 
Hoje me olho no espelho, estou mais segura?

Sou um alguém que perdeu partes nessa viagem
Os pedaços de mim fazem parte dessa bagagem
Meu eu tem cicatrizes, são valiosas, são minhas
Grudei com quem me amparou, não andei sozinha

Alda M S Santos

Ser como antes…

SER COMO ANTES…

Às vezes queremos ser como éramos antes
Tempos idos, talvez como infantes
Mas não dá para voltar lá atrás
O rio segue para o mar, não corre para trás

Quando dói, fere, nos desconhecemos
Nem sempre é fácil que nos acostumemos
Vem a necessidade de apagar tudo
Retroceder a algo conhecido nesse mundo

Imaginar que tudo era menos complicado
É um modo de não nos ter como aliados
O hoje é o que é, somos o que somos
Seguimos a vida com aquilo que nos tornamos

A cada dor ou obstáculo superado
Somos novos seres, mais adaptados
Se não é possível voltar aos tempos de outrora
Urge aprender a lidar com quem somos agora

Alda M S Santos

Tenho controle?

TENHO CONTROLE?

Quando ter tudo sob controle vira necessidade
Que nos acompanha sem qualquer piedade
Descobrimos que isso nem sempre faz bem
É verdade, controle de tudo nunca a gente tem

Não controlo o que o outro sente
Tampouco o que ele faz ou me dá
Mas posso de certo modo controlar
O que ao mundo vou permitir ou ofertar

Se não quero sofrer com a decepção
Devo controlar as expectativas, a emoção
Essas são minhas, nelas posso trabalhar
E em meus cantinhos secretos adaptar

Descobri que se lutar com meus pensamentos
Contra sonhos e vontades traz sofrimento
Sei que é um modo de crescer e evoluir
Só mexendo neles para poder melhor seguir

Alda M S Santos

Para sempre não existe!

PARA SEMPRE NÃO EXISTE!

Não é uma afirmação pessimista
Ou de alguém que desistiu de ser otimista
É apenas uma visão de mundo mais realista
O que temos de real na vida, faça sua lista!

Há família, saúde, trabalho, amor, felicidade?
Isso tem cara de para sempre, de eternidade…
Até quando pode durar ou ser de nós subtraído
Nos relegando a um mundo triste, dolorido?

Como determinar um para sempre, afinal?
Enquanto houver vida, atividade, algum sinal
Ou vai além disso aqui, é atemporal?

Já fico feliz se puder me ater ao hoje, ao agora
O meu para sempre é toda e qualquer hora
E é melhor aproveitar, antes de ir embora

Alda M S Santos

Só isso!

SÓ ISSO!

Chega um ponto da vida que só queremos ser a gente mesmo
Não queremos dar murro em ponta de faca a esmo
Claro que queremos ser amados e aceitos
Mas já não vale qualquer coisa por esse preceito

Queremos sim, ser valorizados pelo que somos
Mas principalmente ser respeitados pelo que não somos
É primordial a autoaceitação e o autorrespeito
Por que demora tanto para alcançarmos esse feito?

Queremos ir ou ficar só onde faz bem
Não precisar disfarçar o que se sente também
Estar em paz com a própria consciência, ser alguém

É bom ver no olhar do outro a admiração
O carinho, o cuidado traz boa sensação
E aquela real companhia que afasta a solidão

Alda M S Santos

A vontade

A VONTADE

Mola propulsora dos conquistadores
Força soberana dos desbravadores
Ela acende o brilho no olhar dos amantes
É a vontade, ela que nos faz seguir adiante

É a centelha de quem sabe se doar
O combustível de quem quer se encontrar
É a vontade que não nos permite estacionar
Ela nos leva a buscar um novo e bom lugar

Nem precisa ir tão longe, tão distante
Descobrimos que o que é mais instigante
É despertarmos em nós esse viver apaixonante

Quando eu me permito, me disponibilizo
Abro a mente, o coração, internalizo, socializo,
A vontade surge, cresço, sigo e me harmonizo

Alda M S Santos

Jogue fora!

JOGUE FORA!

Malas desnecessárias pesando nossas costas
Deixando nossas fragilidades expostas
Tão bom seria conseguir jogar tudo fora
Aquilo que faz mal e não nos deixa ir embora

Jogue fora aquilo que até parece normal
Mas causa dor, não é natural
Felicidade forçada não é real
Bom mesmo o que é bênção, é luz, afinal

O que vale a pena não machuca
É leve, faz sorrir, não te deixa maluca
A vida exige de nós muita coragem
Se é fardo doloroso, largue essa bagagem

Em nossa organização emocional
Vale separar o que eleva nosso astral
Importar só o amor, sem efeito colateral
Que faz de nosso viver alegria atemporal

Alda M S Santos

Na linha do tempo

NA LINHA DO TEMPO

Uma vida marcada na linha do tempo
Sobe, desce, segue, aparentes contratempos
Grandes espaços de retas continuadas
Será nos momentos em que pareci apagada
Como as linhas marcadas num eletrocardiograma
Aqueles intervalos em que o coração se questiona
Quando se sentiu no chão, jogado na lona
Se valeria a pena prosseguir ou parar nessa estação
Ou continuar batendo mesmo na contramão..
Se cada subida, descida ou parada fosse assinalada
Quantas seriam com carinha de tristeza, sorriso, lágrima, decepção
Raiva, angústia, mágoa ou frustração
Quantas haveria parceria, quase uma linha pulsando sobreposta
Ou solidão e abandono, a dor exposta
Ando avaliando minha linha, as marcas nesse lugar
Será que algo avisa quando vai parar?
Sei lá… Melhor continuar agindo, pulsando
Tentando descobrir o que continua melhor registrando
Buscar mais linhas entrecruzadas, abençoadas
Dar as mãos e ir tentando descobrir o que pontua boa emoção
E nessa grande história deixar registrado um grande coração…
Alda M S Santos

Dê voz!

DÊ VOZ

Dê voz ao que no momento te sufoca
Verbalize, coloque para fora, tire essa broca
Que fere fundo, não cicatriza, machuca
E aos poucos te faz se sentir maluca

Ouça o que grita seu coração
Seja boa ouvinte, estenda a mão
Como faz para tanta gente
Seja para si mesma um presente

Aquilo que fica preso pode deteriorar
Necessário é processar, compartilhar
Não com qualquer um, com quem possa ajudar

O falar ajuda na compreensão de toda questão
A organização interna pede essa comunhão
Somos seres que evoluímos com interação

Alda M S Santos

Que eu não perca!

QUE EU NÃO PERCA!

Tantas coisas perdidas por aqui e ali
Sem rumo, sem prumo, sem saber aonde ir
Dá vontade de chutar o balde ou rodar a baiana
Mas é bobagem, nada disso nos engana
Se a perda é inevitável, podemos escolher
Ainda que seja o que não perder!

Que eu perca dinheiro, amigos, o ônibus, o juízo
A sombrinha, a carteira, os óculos, o sorriso
Que eu perca a inspiração, a paz, a energia
Mas que mantenha a magia que contagia
E a vontade de trabalhar, de sonhar, recomeçar
E fazer lá dentro meu mundo interior girar

Que eu perca a voz, o canto, o pranto
Mas mantenha em mim um certo encanto
Que eu perca um amor, a ilusão, a vaidade
A saúde, a sanidade ou a melhor idade
Contanto que não me perca de mim mesma
Mantenha aceso o desejo de virar a mesa

Que eu perca roupa, calçado, fé na humanidade
Que está perdida, iludida, envolta em maldade
Mas que eu não perca a capacidade de amar
Aquela vozinha lá dentro sempre a cutucar
Vai mais uma vez, você consegue, vá lutar!
Que eu não perca meu modo de humanizar!

Alda M S Santos

Comprei passagem!

COMPREI PASSAGEM!

A coisa por aqui não anda muito legal
Quero comprar passagem, qualquer lugar no espaço sideral
Será que há algum canto que aceite morador da Terra
Que esteja cansado, querendo recomeçar, sem guerra?

Talvez um astro, uma estrela, um outro planeta
A Lua de São Jorge, os anéis de Saturno, só o coração na maleta
Talvez Júpiter em sua grandeza aceite, basta de mutreta
Sei lá, só me deixar ir sem precisar de apoio ou muleta

Será que vão exigir uma passagem carimbada
Que garanta que sou do bem, imune, abençoada
Quero um espaço em que possa crescer e deixar crescer
Seja planta, bicho, gente, que o amor possa vencer

Será que além do arco-íris há esse espaço
Depois da tempestade, um alguém, um abraço
Onde possa levar quem amo para manter os laços
Vejo o disco voador, vou até ele, chega de ser palhaço

Alda M S Santos

Tatuado na alma

TATUADO NA ALMA

Chegávamos na maior alegria na casa dela
Que já nos aguardava esperando na janela
Cercada de plantas e de flores amarelas
Vovô e vovó são lembranças singelas

Um longo quintal que levava ao ribeirão
Galinha caipira e verduras com feijão
No fogão à lenha o tempero era o amor
E um doce sorriso espantava o torpor

Aromas de infância, cheiro de vó
Na”venda”, pinga, fumo de rolo e alho cipó
Impregnados na alma são doces lembranças
Tatuadas na pele, eternas andanças

Tios, primos e primas eram nossa alegria
Brincadeiras mil de noite e de dia
A criatividade era tanta, não carecia dinheiro
A rua era nossa extensão, nosso terreiro

Para estar bem bastava amor e simplicidade
Ali a riqueza era nossa união, nossa verdade
Pela ótica da infância não havia falta, carência
A família em paz suplantava toda querência

Alda M S Santos
Sarau HISTÓRIAS DA INFÂNCIA

De que vale?

DE QUE VALE?

Há tantas coisas por aqui valiosas
Muitos bens que lutamos para alcançar
Conquistas que nos parecem preciosas
Vamos fazendo de tudo para acumular

Mas de que vale tudo isso sem amor?

A fartura traz alegria, prazer
Nosso objetivo é evoluir, crescer
Será que há felicidade se houver falta
Onde a dor grita, nos assalta?

De que vale nosso prazer se o outro padecer?

Há muitas trilhas nessa viagem
É preciso escolher com coragem
Eu escolho o amor, peço reciprocidade
Ofereço calor, carinho, paz, bondade

De que vale um viver se não houver solidariedade?

Não sabemos a hora de voltar
O passeio nessa nau é um leve divagar
A qualquer hora podemos despertar noutro lugar
É preciso fazer valer esse caminhar

De que vale tudo isso, sabe dizer?

Alda M S Santos

Nunca é tarde

NUNCA É TARDE

Nunca é tarde demais para preservar bom hábitos
Tampouco para novos hábitos criar…

Nunca é tarde demais para se arrepender e os erros corrigir
E um novo caminhar na vida seguir…

Nunca é tarde demais para encarar o fim como estágio vencido
E recomeçar a viver com novo sentido…

Nunca é tarde demais para ser jovem
A idade do coração e a juventude da alma é que nos movem…

Nunca é tarde para ser de verdade parte desse mundão
E aprender a viver em comunhão…

Nunca é tarde demais para reaprender a amar, ser mais
Pois, quase sempre, a vida vai embora cedo demais…

Alda M S Santos

O que sobra?

O QUE SOBRA?

De tudo que trazemos em nós
Pós-análise dos contras e prós
O que fica, o que sobra
Que nos impele a agir, nos desdobra?

Se foi grande a tempestade
Ventos fortes mostrando nova realidade
Separando o aproveitável do que é lixo
Dá pra juntar o que sobra com algum capricho?

O que sobra de uma noite de lágrimas e dores
O que fica depois de grandes amores
Sabemos que nem tudo por aqui são flores
Será que podemos ser autoprotetores?

Sei que a vida pode ser vivida em plenitude
Mas é preciso se entregar, ter atitude
Nossa alma tem verões, invernos, mistérios
Urge acolher a ambos sem sermos muito sérios

Alda M S Santos

Nos bastidores

NOS BASTIDORES

Quanto de nossas vidas acontece nos bastidores
Atrás das cortinas e dos refletores
Quanto de nosso brilho vem de lá
E nem sempre sabemos valorizar?

Quem está por trás daquilo que tu és
Que te anima, auxilia em todo revés
Acolhe quando você se alegra ou chora
E nao te deixa só quando quer ir embora?

Há muito no cantinho de nossos porões
Sempre lá encontramos boas sensações
Aquelas que são nossas várias memórias
Ajudando a viver e construir novas histórias

Não importa se somos bastidores ou refletores
Importa é acreditar e seguir, mesmo amadores
Bom lembrar que a plateia sumirá quando a cortina fechar
É que iremos para casa, nosso melhor lugar

Alda M S Santos

Ressaca

RESSACA

Excessos que causam mal-estar
Desejo de estar em outro lugar
Tantas vezes somos acometidos pela ressaca
Dói a cabeça, o corpo, angustiante friaca

Ressaca também pode ser de ausência
Excesso de espaço vazio, carência
Ressaca que dói, aperta, má influência
Coração pulsa fraco, fica em dormência

A ressaca alcoólica se cura com muita água e repouso
Um cantinho qualquer para o corpo, bom pouso
Talvez um antiácido, um analgésico
Mas a ressaca emocional pede mais, um anestésico

Se o excesso é de carência e solidão
Essa ressaca machuca, gera muita emoção
Bom mesmo é carinho, paz,  boa sensação
Só assim se cura ressaca que atinge o coração

Alda M S Santos

Reiniciar

REINICIAR

Quero encontrar um meio de me reiniciar
Quando tudo estiver travando, poder recomeçar
Não funcionou, deu pau, aperta um botão
Apaga tudo e faz nova inicialização

Será que um modo de reiniciar
Não seria encontrar um bom lugar
Conosco mesmo ficar quietinho
Até encontrar nosso próprio jeitinho?

Seria buscar no nosso HD interno
O que há de especial, cara de eterno
Que nos faz sensiveis, também fortes
E não nos deixa perder nosso norte?

Será que para nos reiniciar
Não precisamos de alguém para nos ajudar
Mostrar o que temos de mais valioso
Jogar fora o inútil e ficar só com o precioso?

Vamos reiniciar?

Alda M S Santos

Ritmo

RITMO

Quem determina o ritmo que essa banda toca
Se há parceria ou intenso troca-troca
Quem se importa se não há harmonia
Se a orquestra não está em sintonia?

Quem determina o ritmo do lazer, do trabalho
O leve transitar da consciência em frangalho
Quem coloca limites em nossa velocidade
No que fazemos, queremos, por necessidade?

Quem determina o ritmo do rio, da caminhada
Se a marcha está saudável, (des)acompanhada
Quem dá o tom, o sabor, a cor e o som do amor
Num ritmo calmo, louco, alucinado, por favor!

Quem determina o ritmo dessa aeronave
Que nos transporta sempre, veloz ou suave
Quem tem a nós acesso, nossa chave
De um viver ora despreocupante, ora grave…

Quem determina seu ritmo?

Alda M S Santos

Não sei…

NÃO SEI…

Se o tempo passa veloz e me deixa para trás
Se estou aproveitando tudo que a vida traz
Se sou esponja ou ímã em todo canto por aqui
Não sei…queria ter certeza de como agir…

Se estou absorvendo o bastante o calor do Sol
Se aproveito o encanto desse arrebol
Se a Lua me parece companheira, confiável
Não sei…será que sou fases, meio instável?

Se exijo demais do amor, de mim
Se aceito o que me cabe, relaxo, enfim
Se vou à luta ou se jogo a tolha
Não sei…às vezes cansa a batalha

Se sigo o caminho, sou gratidão
Ofereço o que tenho, sou doação
Se entendo que tudo por aqui é lição
Sei lá…entendo que em tudo há evolução…

Alda M S Santos

O olhar passeia

O OLHAR PASSEIA

Olhar no horizonte, para um lado é tudo azul, pujança
Para o outro é tudo verde, esperança
Areia, mar, mata, céu… na alma, festança
Para qualquer lado que se olhe é inspiração
É muita beleza que faz pulsar o coração
Para dentro o olhar passeia, cinzento torna-se colorido
O viver em diversos tons, bem floridos
As sombras já não assustam mais, tornam-se iluminadas
Pela luz e força que vêm de fora, abençoadas
Uma troca de energia do interior com o exterior
Acalmam, acolhem, doce e terno calor
Na vida quase tudo funciona assim
Quem não se fecha para o mundo, diz sim
Cresce, aprende, ensina, evolui, vive, enfim…

Alda M S Santos

Tudo bem também

TUDO BEM TAMBÉM

Não seremos sempre a animação e a alegria
Muitas vezes seremos desânimo, letargia
O sorriso não estará sempre presente
As lágrimas poderão tomar conta da gente
E está tudo bem também…

Podemos nos acovardar diante da dor, da perda
Querer desistir diante de uma decepção
Ou de algo que venha a partir nosso coração
Causando na vida muita ansiedade e frustração
E está tudo bem também…

A saudade pode apertar, sufocar o peito
A fé não mover montanhas, não surtir efeito
As nuvens apagarem o Sol, escurecem o céu
E as estrelas perdidas atrás de um grosso véu
E está tudo bem também…

Sabendo que somos falíveis, acertando, errando, aprendizes
Aceitando as guinadas que a vida dá, jogando tudo pelo ar
Entendendo que uma hora tudo volta para o lugar
Fica mais fácil nos aceitar sem tanto nos culpar
E está tudo bem também …

Alda M S Santos

Pau que nasce torto

PAU QUE NASCE TORTO

“Pau que nasce torto, morre torto”
Será que dá pra crer em algo tão radical
Acreditar que somos assim tão imutáveis
Que não é possível ajeitar um mal?
Não seria isso descartar a capacidade de mudança
Afastar toda e qualquer esperança
Que estamos por aqui para evoluir
Crescer, aprender, melhorar em cada ato?
Quero crer que o que há de fato
São pessoas aprendizes e em constante evolução
Aqui vamos errando, acertando, mudando a cada emoção
Torcendo esse pau, ajeitando e buscando o céu
Pau que nasce torto só permanece torto se quiser
Na vida tudo é possível a quem tem fé!

Alda M S Santos

Preste atenção

PRESTE ATENÇÃO
Olhe para o que te falta, busque
Mas veja aquilo que você tem de verdadeiramente seu
Olhe devagar, absorva o positivo, o divino
Preste atenção!
Inspire fundo, sinta o perfume doce da paz
Mesmo que precise inspirar muitas vezes
Sinta-se vivo! Preste atenção!
Olhe no seu entorno
Natureza viva, ar puro, brisa suave, calor humano
Entregue-se! Delicie-se!
Veja quem te estende a mão, quem te cuida
Quem te abraça, te acolhe, te ama
Quem reza por você, pensa em você
Quem sempre te coloca como prioridade
Preste atenção!
Veja com um novo olhar tudo aquilo que está dentro de você
Demore-se um pouco nesse olhar, tenha calma
Preste atenção! Sinta-se!
Ainda que seja apenas você mesmo
Olhe! Veja de verdade! Preste atenção!
E valorize! Valorize-se!
Onde você se encontra, também encontra Deus
A vida é aquilo que fazemos dela…
Alda M S Santos

Encaixes

ENCAIXES
Quase tudo nessa vida depende de combinações e encaixes perfeitos
Bola na cesta do basquete, na raquete do tenista, na rede do gol
Veículos na pista, altitudes dos voos, barcos nas rotas
Portas nas casas, fechaduras nas portas, chaves nas fechaduras
Sapatos nos pés, roupas no corpo, alimentos no organismo
O anel no dedo, uma mão na outra, cabecinha no ombro
As palavras nas frases, as frases nos textos, os textos nos contextos
Passamos a vida buscando essas combinações
Afinando a percepção, aperfeiçoando esses encaixes
Mas nem tudo é tão prático e fácil assim
Alguns encaixes exigirão uma perícia maior
A fé e o indivíduo, o cidadão e sua profissão,
Uma pessoa com a outra, o indivíduo consigo mesmo
Mente, alma, coração num só corpo
Sorriso no rosto, alegria na alma, um abraço que se enlaça
Um corpo no outro… uma alma na outra.
Como crianças com seus Legos, vamos tentando
Encaixando, montando, desmontando, aprendendo
E, se possível, nos divertindo enquanto brincamos
Enquanto vivemos…
Alda M S Santos

Essência do existir

ESSÊNCIA DO EXISTIR

Voltar é reavaliar, é reconsiderar
É refazer a memória, um lugar
É dar continuidade também
É repensar o que nem sempre faz bem
Voltar é um modo de restaurar
Ainda que momentaneamente
Algo que ficou lá atrás
Mas ainda nos atiça, se faz presente
Mesmo em momento fugaz
Voltar é possibilitar o prosseguir
Pois nesse constante ir e vir
Está a essência de nosso existir

Alda M S Santos

Suave travessia

SUAVE TRAVESSIA

Ora a vida pede calma
Ora grita por agitação
Há incertezas que doem a alma
É preciso atender ao coração

Quando há uma certa letargia
A esmorecer o corpo, lenta agonia
Ou quando há descompasso
Entre a razão e coração, eu passo

Ora o tempo por aqui é longo
Tantas outras vezes se esvai, é fugaz
Não dá para se fazer de incapaz

Para uma proveitosa viagem, em sintonia
Uma tranquila, leve e suave travessia
Busquemos entre nós a harmonia

Alda M S Santos

Quero fazer um pedido

QUERO FAZER UM PEDIDO

Quero fazer um pedido à estrela cadente
Pode tornar realidade o meu sonho mais urgente?

Quero fazer um pedido ao gênio da lâmpada de Aladim
Pode trazer um amor na medida só para mim?

Quero fazer um pedido aos mais valentes ancestrais
Podem nos ensinar a não lutar por motivos tão banais?

Quero fazer um pedido à chuva que cai torrencial
Pode levar embora tudo aquilo que me faz mal?

Quero fazer um pedido à fada que mora em mim
Pode me afastar os medos de uma vida assim, assim?

Quero fazer um pedido ao Deus do amor e da paz
Pode nos ensinar um viver um pouco mais eficaz?

Quero fazer um pedido a todo mago, amigo da poesia
Promete não me deixar desistir de nela encontrar a magia?

Alda M S Santos

Somos fortes

SOMOS FORTES
Quando a gente ouve ou diz “você é forte, vai superar, isso vai passar”
Não quer dizer pouco caso com a dor ou sofrimento do outro
Quer dizer, quase sempre, “sei como é isso, uma hora há de passar”
Ainda que quem diz não tenha superado nada
Apenas tem tentado seguir a vida
Aprendendo a cada passo do caminhar, sozinho ou não
Que não é fingindo que a dor não existe
Ou engolindo o choro, tampouco se escondendo do mundo
Que tudo irá se encaixar…
Enfrentar o que fere e sangra dentro de si
Fazendo curativos de fé, usando compressas de amor
Tendo esperanças em dias mais amenos, apagando pesadelos, ativando sonhos bons
Evitando culpas, recriminações e autopiedade excessivas, confiando em si mesmo…
Isso fará o sol voltar a brilhar um dia
Isso é ser forte!
Essa capacidade de resistir todos temos
Chama-se sobrevivência e é forte em todo ser vivo
Apenas oscila e tem botões acionadores diferentes…
Somos fortes! 😇🙏
Alda M S Santos

A Lua mudou

A LUA MUDOU
A coluna dói mais quando a Lua muda de fase
Se o tempo esfria, aquela dor crônica nas articulações piora
Se o joelho incomoda já sabe que vem chuva
A Lua Cheia inspira os amantes
A maré baixa causa indisposição
A natureza dando sinais no corpo
Ou o corpo buscando justificativa para suas alegrias e mazelas?
Chuva, dias nublados, Sol, Lua, estrelas
Belezas, dores e amores inspiram poetas
Ou sua inspiração que faz com que vejam tudo isso
Onde ninguém mais vê?
Transformam em poemas o que veem lá fora
Ou o lá fora apenas ativa, atiça o que já têm cá dentro?
O joelho dói porque vai chover
Ou vai chover porque o joelho doeu?
Qual a mudança na Lua lá em cima
Que sensibiliza poetas cá embaixo?
Que marés são capazes de virar nossos ventos internos?
Ou será que a sensibilidade está bem mais perto daqui
E a Lua é apenas a Lua, o mar apenas o mar,
O amor apenas mais uma dor?…
A Lua mudou…
Alda M S Santos

É preciso viver!

É PRECISO VIVER!

Construir um caminho
E não seguir sozinho
Ainda que sair do ninho
Não seja tão bom, passarinho

É preciso viver!

Não dá pra ser o próprio algoz
Nesse viver, às vezes, atroz
É como ser rio sem foz
Um desejo calado, um amor sem voz

É preciso viver!

Afrouxar os muitos nós
Fazer amor, apertar os abraços
Transformar “eu” em “nós”
Derreter nos amassos, criar eternos laços

É preciso viver!

Alda M S Santos

As surpresas da vida

AS SURPRESAS DA VIDA
A vida todo o tempo a gente surpreende
Nem sempre como gostariamos, positivamente
Tantas vezes entristece, enraivece, esmorece
Crescemos quando aprendemos, dia a dia,
A aceitar e lidar corajosamente
Com os revezes e ventos contrários que ela nos traz
E até a sorrir e brincar na adversidade
Dançando na chuva, brincando nas poças d’água
Quando o sol se esconde, não aparece
Buscando uma sombra quando ele chega com total furor
E nos amolece de tanto calor
De nada adiantam a fúria, a amargura
Com o tempo aprendemos a colher frutos até nas desventuras
Sabedores que na circularidade do existir
Ora estamos em cima, ora embaixo
E dá para nos divertir aqui ou ali
Até chegar a hora de partir
Isso se chama maturidade
E não depende tanto da idade
Mas da sabedoria que cultivamos em qualquer realidade

Alda M S Santos

Fazendo as pazes

FAZENDO AS PAZES

Somos a soma de tudo aquilo que vivemos
Das memórias que, querendo ou não,  cultivamos em nós
Mesmo aquelas que não gostamos de lembrar
Que gostaríamos de esquecer ou apagar
Que machucam, ferem, envergonham, são traumas
Tudo, tudo faz parte do que em nós há
Fazer as pazes com nossas memórias, com nosso jeito de ser
Viver feliz com as lembranças boas é importante
Mas estar em paz com nossos erros é fundamental
Um mergulho em nossas vivências nos faz nos reencontrar
Para podermos  a vida seguir e  melhor caminhar
Cada erro, cada acerto forma a liga de toda nossa estrutura
Eles precisam estar ali para nos manter de pé
Mas não precisam pesar ou doer, é preciso entender
São ressignificados em nós, mas não mais propulsores do viver
Mergulhar fundo,  buscar- nos sempre,  encontrar-nos, reconhecer-nos
Perdoar-nos, se preciso for, e seguir…

Alda M S Santos

Caí no poço

CAÍ NO POÇO

Paira uma certa angústia, ansiedade
Não se sabe bem de que, qual vontade
Apenas que é preciso seguir, ser liberdade
Ainda que de pensamentos e sonhos
Por um mundo mais justo, mais amoroso
Sem tanta injustiça ou desigualdade
Vontade de sentar num tronco de árvore
Conversar com fadas, duendes, anjos, borboletas
Ouvir o que tem a dizer a natureza
Banhar num riacho, na cachoeira
Captar um pouco dessa força e beleza
Sabedora de que ali irá encontrar
Como que por magia ou encanto
A fonte de luz e energia que afasta o pranto
Que abastece a alma de fé e esperança
E faz da vida uma paisagem de pureza
Acolhedora de todo aquele que em suas andanças
Busca um pouco de refrigério e descanso
Natureza é poço cheio de pura magia
Satisfaz toda e qualquer fantasia
Eu quero cair nesse poço!

Alda M S Santos

Não preciso de muito

NÃO PRECISO DE MUITO

Não preciso de muito
Basta um cantinho qualquer
Para me aboletar, aconchegar
Minha alma incansável de mulher

Não preciso de muito
Somente um espaço no seu coração
Para que eu possa assim crescer
Nessa troca de carinho e emoção

Não preciso de muito
Mas o que vier, que seja verdadeiro
Somos espetáculo, sem picadeiro

Não preciso de muito
Só preciso não me perder de mim
Nesse eterno encontro comigo, enfim

Alda M S Santos

Um lugar

UM LUGAR

Acordei aqui meio sem lugar
Sensação estranha, de agonia
Senti que precisava muito conversar
Na natureza encontraria a magia

Ali fiquei, sentei, tudo em volta observei
Tão rica e preciosa é a criação
Somos parte dela, isso eu sinto, eu sei
Fomos criados pelo Amor, fiquei em adoração

Sou apenas uma pequena e frágil luzinha
Que por aqui luta, segue, sempre caminha
Tentando iluminar, não estar sozinha

Pouco a pouco respostas vou encontrando
Olho para o alto, me entrego, fundo inspirando
Grata, sinto meu lugar, a boa energia voltando

Alda M S Santosu

No limite

NO LIMITE
A vida no limite é intensa
Por vezes animadora, noutras cansativa
Será que vai sendo gasta, se esvaindo
Ou sendo reenergizada, reabastecida?
Se ela se esvai, se desgasta
Gostaria de não viver tanto no limite
Ter mais espaço, mais folga, mais liberdade de movimento
Dentro do meu “pequeno” interior
Não estar tão próxima da linha tênue
Que separa o bem do mal estar
Os sonhos doces dos pesadelos amargos
A realidade fria do calor do realmente desejado
Que separa a alegria da tristeza
Os medos da coragem, a confiança da desconfiança
O sorriso das lágrimas, a fé da descrença
Que separa a sanidade da loucura
O amor do desamor, a vida da morte!
Mas se a intensidade reenergiza, autoabastece
Que eu aprenda a andar na corda bamba
A me divertir nos altos e baixos, a dançar nos desequilíbrios
Ou que eu encontre mais espaços dentro de mim
Ou os ocupe de modo mais organizado
Sempre com mais e mais equilíbrio, alegria e fé
E que consiga carregar comigo quem quiser ou merecer…
Alda M S Santos
Ilha Grande- Angra dos Reis

O que me move?

O QUE ME MOVE?

O que me move, que não me deixa estacionar
Que me leva para outros lugares, me faz caminhar
O que me move, me faz estrelas alcançar
E num céu de anil poder voar?

O que me move, me embaralha a visão
Que faz bater mais forte o coração
O que me move, me acorda nos sonhos
Em busca de sua realização?

O que me move em direção ao infinito
Que me faz crer num mundo mais bonito
O que me move me instiga a crescer
Enfrentando a dor e o padecer?

O que me move é aquilo que me dá prazer
Que me faz ser mais gente
Gente que gosta de gente
Que quer ser feliz, fazendo mais gente contente

Alda M S Santos

Inocência, ingenuidade

INOCÊNCIA, INGENUIDADE

Inocência, ingenuidade
Credulidade, confiança
Quando se perde na vida
Tão bonita cumplicidade?

Inocência, ingenuidade
Pureza, sorriso solto, iluminado
Quando se perde na vida
Tão agradável docilidade?

Inocência, ingenuidade
Transparência, curiosidade
Quando se torna ambiguidade
O olhar que era pura afinidade?

Inocência, ingenuidade
Sinceridade, esperança
Quando se perde na vida
Tão humana liberdade?

Inocência, ingenuidade
Carinho, naturalidade
Quando isso se transforma em
Tão adorável sensualidade?

Inocência, ingenuidade
Paz, gratuita amorosidade
Quando se perde na vida
Tão almejada felicidade?

Certamente, digo,
Quando se perde a simplicidade
Tudo isso fica na saudade…

Alda M S Santos

Um tudo,um nada

UM TUDO, UM NADA

Somos um nada quando a alegria foge da gente
E percebemos que somos derrubados por pouco
Quando entramos em linha descendente
Tudo parece ruir, mesmo o que parecia crescente

Somos um nada quando não vemos saída
A desesperança e medo nos consomem
Coração aperta, alma fica dolorida
Tudo parece uma triste despedida

Somos um tudo quando nos alimentamos de amor
Em cada perda conseguimos manter a fé
Sabedores que logo tudo estará de pé

Somos um tudo quando em nossa insignificância
Conseguimos aprender o que tem importância
Fazendo parte do que virá em abundância

Alda M S Santos

Ela incomoda?

ELA INCOMODA?
Por que a solidão incomoda?
Por que é ela a que mais dói no recolhimento imposto?
Além das preocupações com a saúde em risco
Com o trabalho lá fora que não está sendo feito
Com o futuro que parece cada dia mais incerto
Com a economia que poderá trazer novos problemas
Aumentando as desigualdades sociais
Com pessoas amadas em risco constante…
Mas por que a solidão, o isolamento incomodam?
Não estamos acostumados à reflexão, à introspecção
Parece que o barulho lá de fora nos “salva” de nós
Da reunião que devemos ter conosco mesmos
A confusão do dia a dia nos impede de acessar nosso interior
Estar em casa, estar em nós mesmos acaba constrangendo
Lidar com nossa mais (im)pura natureza assusta
E é o que a humanidade mais precisa
Acessar o que há de mais humano em si mesma
Para talvez conseguir consertar esse mundo
E foi preciso um vírus para fazer isso…
Alda M S Santos

ESBOÇOS

ESBOÇOS
A vida pode ser cor, brilho,
Traços definidos, clareza de informações
Outras vezes, há apenas um esboço
Traços leves e indefinidos
Apenas um borrão
Cabe a nós interpretar e a ela  dar a cor
Chegar devagarinho, despertar um sorriso
Acolher, abraçar,  brincar
Instigar um pouco, fazer amor
Temos o papel, a tinta e os pincéis
Podemos pintar, captar a  poesia
Vivendo uma bela história, pura fantasia
Vale o esforço!
Alda M S Santos

Um teatro


UM TEATRO

A vida é muitas vezes um grande teatro
Ora estamos no iluminado palco atuando
Fazendo nosso papel, representando
Ora estamos na plateia aplaudindo, ou vaiando

Importante lembrar que essa peça está valendo
O tempo está passando, as cenas acontecendo
Drama, comédia, suspense, romance, não importa
Vale mesmo é como agimos, o que dela estamos fazendo

No palco ou na plateia, fazemos parte
Essa é nossa história, nossa obra de arte
Precisamos nos unir, não fazer apartes

O espetáculo só termina quando as cortinas se fecham
E cada um retorna para o camarim, dentro de si
E é aí que os aplausos mais interessam

Alda M S Santos

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