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poemas e reflexões da vida cotidiana

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Entre Eles

Na madrugada

NA MADRUGADA

Ausência de luz, a cidade descansa

Sombras escuras se agigantam nas luzes artificiais

Shshshshsh, silêncio total

Crianças, jovens, famílias inteiras adormecidas

Os males, o medo, parecem muito maiores na madrugada…

Escondidos durante o dia, disfarçados na luz, de luz

Buscam os desprevenidos…

À noite parecem ganhar força

Sorrateiros, entram em lares, nas pessoas, nos corações

Se escondem, disfarçam, crescem, assustam

Invadem, arrombam, pilham, roubam,

Bens materiais, a família, a paz, o sossego, a vida…

Distraídos, por descuido ou enganados,

Muitas vezes cedemos a chave

Sonhos, pesadelos e realidades se misturam

E nossos anjos têm muito mais trabalho para nos salvar

Inclusive de nós mesmos

De nossa “escuridão” interior…

Mostrando que a luz é mais forte

E brilha imperiosa como o sol da manhã

Para aqueles que a querem ver…

Alda M S Santos

O que sobra de mim?

O QUE SOBRA DE MIM?

O quanto há dos outros em mim

E o quanto há de mim nos outros?

Quando alguém amado ou bem próximo morre ou se afasta

Sabemos que ali com eles foi uma boa parte de nós…

Morremos um pouco na morte ou afastamento de entes queridos: familiares, amigos, mentores

E porque não dizer também dos desafetos?

O que sobra de mim,

Sem a parte de mim que os outros carregam?

O quanto de mim é, na verdade, baseado no que sou para os outros,

No que eles são para mim?

Minha história seria a mesma

Se fossem retiradas pessoas que a ajudaram a compor?

Nossas vidas são entrelaçadas a outras vidas

Se um fio é retirado, todo o novelo se modifica!

O fio original já não sabemos mais qual é

Está emaranhado no todo.

Seria como retirar o ovo de um bolo pronto.

O que é ovo, leite, farinha, e o que é bolo?

Alguns fios são como o fio base que sustenta toda a estrutura do novelo

Somos fios estruturais na vida de algumas pessoas

E a recíproca também é verdadeira

Cada qual tem o seu: pais, filhos, amores, amigos…

Daí o tanto que balançamos com as perdas da vida…

Morremos um pouco ao morrer cada ser que amamos

O que sobraria de mim sem você?

O que sobraria de você sem mim?

Um novelo, que falta fios, talvez sem cor, frágil

Mas, ainda assim, um novelo…

Alda M S Santos

Coisificando

COISIFICANDO
Substituir, esse é o lema moderno, a nova ordem
Estragou, avariou, deu problema, preocupação, trabalho
Jogue fora, troque, substitua!
Mundo do descartável! 
Pode ser um copo, um eletrodoméstico, eletrônico, objetos pessoais, pessoas…
Nada se conserta mais!
Nem amizades, nem amores, nem família: substitui-se!
Pessoas estão sendo transformadas em coisas, em objetos
Estão sendo coisificadas!
Nada errado em ter novas pessoas na vida, em acolher,
Em ser acolhido, amparado
Mas pessoa não pode substituir pessoa
Pessoas descartadas também poluem o ambiente
Danificam a si mesmas, ao outro
Pessoas não se joga fora e fica-se bem
Como se tivesse trocado de celular
Cada qual tem seu lugar, seu espaço
Se a rotatividade de pessoas estiver grande demais
Estamos nós mesmos a um passo de nos transformar em coisas!
Alda M S Santos

Reencontro

REENCONTRO
Em sonhos, encontrei-me com uma amiga
Que há muitos anos não via
Parecíamos, fisicamente, diferentes uma para a outra
Mas nossa essência e carinho não haviam mudado
Amigas de segredos, de intimidades, de adolescência
De primeiro “amor”, de descobertas, de medos e planos
E a conversa fluiu tão natural que parecia não ter havido distância
Cada qual com sua vida, sua família, uns planos realizados
Outros que ficaram apenas na vontade, decepções
Mágoas, vitórias e conquistas, novos planos…
Aquela história dividida debaixo de um pé de amora
E que quase sempre a gente chora…
Tudo na verdade se resume aos nossos sonhos, sempre.
E pensamos em quanto tempo tínhamos ainda pela frente.
Sensação maravilhosa reencontrar alguém que foi especial
Que fez parte de um capítulo importante de nossa história
E que ficou guardadinho lá no fundo aguardando
As voltas da vida e os propósitos de Deus!
Saudades! Amei rever você, ainda que em sonhos…
Alda M S Santos

Por aí, noutra dimensão…

POR AÍ, NOUTRA DIMENSÃO…
Estava deitada, dormindo suavemente, corpo meio descoberto.
Ele a tocou de leve, fez um carinho no rosto, uma brisa suave na pele.
Ela acordou, ele a olhou nos olhos, deu a ela uma mão: “venha”!
E ela foi com aquele ser que parecia conhecer a vida toda…
Estavam no alto, quando ela olhou para além dele, estavam flutuando, acima de qualquer mal.
Sentaram-se numa nuvem, ela olhou para baixo e chorou tudo que queria.
“Vai derreter minha nuvem de algodão! Não chore”!
Mostrou a ela lá de cima os caminhos de tanta gente!
Tudo parecia fácil, simples, e as pessoas escolhiam o caminho mais difícil.
“Merecemos qualquer coisa que nos aconteça, visto que temos escolhas!”- ela disse, chorando ainda mais.
“Não quer dizer que acerte sempre, todos estão aprendendo lá embaixo”!
“Eu morri, é isso?”
“Só se você quiser ficar aqui. Você tem escolha.”!
Ela olhou para seu caminho lá embaixo, tão nítido e simples dali…
Sentiu a presença daquela pessoa amada ali nas nuvens, tão protegida, sem qualquer dor!
Ele a observava com amor e esperava…
Ela viu de novo seu caminho, com dores, tristezas, amores e alegrias,
E tanta gente que esperava por ela, contava com ela, sofreria com sua ausência…
Ele percebeu tudo, olhava-a com muito amor e olhos rasos d’água.
Deu-lhe um beijo no rosto, um abraço como nunca havia sentido!
E voaram mais um bom tempo, juntinhos.
Sentiu um beijo delicado na testa e um “até breve”.
E acordou, estava descoberta e com o rosto banhado em lágrimas.
Mas leve e feliz, tinha estado noutra dimensão,
Onde a dor não tinha qualquer poder…
E sempre seria uma possibilidade!
Alda M S Santos

No parque

NO PARQUE
Descem de mãos dadas aos gritos no tobogã
Um tiro ao alvo certeiro, ursinho conquistado, um beijinho recebido
Aquele abraço juntinho na roda-gigante
O frio na barriga no balanço
Gargalhadas no carrossel,
Uma lambida para desgrudar o algodão-doce da bochecha,
Uma pipoca doce roubada e compartilhada,
Tranquilidade na paz do por-do-sol no pedalinho,
Uma foto apertadinhos no lambe-lambe.
A volta pra casa no quadro da bicicleta.
Amor de domingo, amor antigo,
Amor dos sonhos…
Alda M S Santos

Esperança

ESPERANÇA
Esperança: motiva ou paralisa?
Instiga, encoraja, estimula, impele
Ou abate, esmorece, deprime, limita?
Dizem que é a última que morre.
Esgotadas as possibilidades, ela morre?
Ou quando morre, mata também as possibilidades?
Tudo vai depender dos aliados que a esperança amealha.
Ela sozinha é paralisante, único foco, coloca viseiras
Nada mais permite que se veja ou faça.
Mas se ela se une à força, à determinação,
A uma razão equilibrada com o coração,
Tem muitas chances de ser estimulante,
E levar à conquista do objetivo.
Esperança é inerente aos seres humanos de qualquer idade.
Uma pessoa sem esperanças é uma pessoa sem sonhos…
Uma pessoa sem sonhos…
É uma pessoa sem vida!
Alda M S Santos

Correndo com a Lua

CORRENDO COM A LUA
Saudade de correr atrás da Lua, ela lá, eu cá,
Rua acima, rua abaixo, virar a esquina, voltar
Numa disputa para ver quem é o vencedor.
E ela sempre à frente…
Um bando de crianças sorridentes!
Energia pura, suadas e livres,
Livres de preocupações e ansiedades.
Objetivo único: aproveitar antes de a mãe as chamar para dentro.
Esse desejo deveria tornar-se uma constante, um mantra,
Aproveitar antes de sermos chamados para casa.
Alda M S Santos

Sonhos que podemos ter

SONHOS QUE PODEMOS TER
Quais os sonhos que podemos ter?
Existem limites para eles também?
Separados em caixas:
Fáceis, médios e difíceis, ou
Possíveis, impossíveis, loucura total, ou ainda
Realizáveis, impensáveis, impraticáveis.
Sonhos nascem, brotam, crescem
O que os faz florir e frutificar é
A crença que temos neles,
E a determinação de fazê-los acontecer.
Sonhos que podemos ter?
Aqueles que não nos causam lutas internas,
Pois só elas limitariam nossas forças,
Essenciais na realização de qualquer um deles.
Dos realizáveis aos impraticáveis.
Alda M S Santos

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