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Banhos

BANHOS

Se existe algo bom é poder banhar

Banho de sol, lua, cachoeira ou mar

Não há pressa, melhor ir bem devagar

Banho de sol bronzeia, amolece

Banho de lua acalma, aquece

Banho de mar é forte, amortece

Banho de cachoeira é intenso, instigante

Água fria, desperta, é estimulante

Para o amor é parceria constante

Lua, sol, mar ou cachoeira

Leve contigo uma alma bem faceira

Seja feliz, aproveite a brincadeira

Lua, sol, mar ou cachoeira

Banhe-se, apaixone-se, não dê bobeira

É amor de verdade, para a vida inteira…

Alda M S Santos

Mar ou cachoeira?

MAR OU CACHOEIRA?

O mar é tão bom de se olhar

Águas mornas, convidativas, doce balanço

Vista infinita, atiça a imaginação mais bonita

Carrega em si muita poesia

Impossível resistir a sua magia

A cachoeira é puro mistério, águas geladas

Matas densas e encantadas

Morada das lendas, ogros, magos e fadas

Pássaros que cantam e bichos na madrugada

Um lugar que atrai, encanta e deixa a alma embriagada

Uma vez cachoeira, pessoa enfeitiçada

Uma vez mar, não dá para não voltar!

Mar ou cachoeira?

De alma aberta sou mais cachoeira

Mas nada me afastaria também do mar

Num lindo pôr do sol, sou bem praieira…

Mar ou cachoeira?

Alda M S Santos

Lua e Sol

LUA E SOL

Vi tanto o Sol esses dias

Ele tanto iluminou e aqueceu

Mas a Lua não apareceu…

Não deu o ar de sua graça

Não foi vista no céu, no horizonte

Nem pelos namorados na praça, aos montes

Mesmo assim ela agiu todo o tempo

Nós a sentimos na maré, na velocidade dos ventos

Interferindo ativamente nas pessoas, nos sentimentos

Tanto tomei banho de Sol

Mas senti falta do banho de Lua

Estava numa fase de repouso, recolhimento

Nome tão sugestivo: Lua Nova

Será que sai da fase escura rejuvenescida

Mudada, mais forte, reabastecida?

Somos assim, pessoas de várias fases

Talvez menos certos de cada uma na consciência

Mas sabedores de sua importância e influência

Quero da Lua Nova a reflexão e inovação

E da Lua Cheia a magia, euforia, animação

Mas da Lua em qualquer fase quero lenda, amor e paixão

Alda M S Santos

Sol

SOL

Ele nos dá a mais preciosa das lições todos os dias

Como ele, a vida se faz de ciclos, vai e vem

De repouso e atividade, claro e escuro

Frio e calor, companhia e solidão

Mas enquanto durar cada fase, precisamos aproveitar

Nada é tão contínuo ou ininterrupto

As interrupções precisam também ser aproveitadas

As mais belas e valiosas coisas da vida são gratuitas

E as despedidas não precisam ser tristes

Nem sempre significam o fim, um adeus

Podem ser apenas um até breve

Vale a vida que viveu, o amor que se fez

E se hoje não foi tão bom, amanhã é um novo dia

E novamente ele estará por aqui

Sempre disposto a gerar vida e calor

Nos permitir mais um dia para amar e acolher

Pois só assim vale a pena viver…

Alda M S Santos

Quero um banho

QUERO UM BANHO

Quero um banho de cachoeira

Daqueles que lavem a alma inteira

Que provoquem gritos de alegria

E nos permitam ter com a vida melhor sintonia

Quero um banho de mar

Daqueles que nos tirem o ar

Que nos façam sentir noutro mundo

Onde haja um lugar especial para amar

Quero um banho de ducha quentinha

Onde eu possa deixar ir embora pelo ralo

Tudo aquilo que me aperta o calo

Quero um banho de rio

Onde eu possa me deitar num cantinho sob o luar

E junto a uma árvore amiga poder desabafar

Alda M S Santos

Banhos de Lua

BANHOS DE LUA

A noite parecia não ter fim

Virava e mexia e nada do sono vir

Carneirinhos contava, a mente divagava

E, desistiu de dormir, enfim

Levantou-se devagar, e saiu dali

Cabelos emaranhados, descalça a caminhar

Longa camisola de seda a flutuar

Foi atraída pelo brilho fascinante do luar

Na imensidão de água, sob o brilho intenso da Lua

Foi despindo-se de tudo que a incomodava

Vestes, dores, medos, culpas, até ficar toda nua

A Lua de longe carinhosamente a chamava

E no encontro com o mar mais fascinada ficava

E, num banho de lua e mar, ao amor se entregava

Alda M S Santos

Escalando

ESCALANDO

Um galho de cada vez, se estica

Faz força, gira, apoia o pé

Dependura-se mais em cima

E escala a árvore como chimpanzé

Parece criança, dizem, é muita sapequice

Se tá difícil pede ajuda, insiste

E vai subindo, pura meninice

Senta, lá em cima nada é triste

Plantou aquela árvore, boa sensação

Regou, cuidou, viu crescer, não foi em vão

Agora é acolhida em seus galhos, seu coração

Em cima é encanto, embaixo é paraíso

Sombra que refresca, que acalma

E diverte-se na gangorra que traz leveza à alma

Alda M S Santos

Não tem explicação

NÃO TEM EXPLICAÇÃO

Não adianta questionar

Não tem explicação

Sequer posso argumentar

Sei apenas que é paixão

Relação intensa, muito especial

Com fenômenos naturais até parece anormal

Chuva, vendaval, temporal

É um encanto atemporal

Rios, lagos, mares, cachoeiras, natureza

Flores, bichos, matas, árvores, é muita grandeza

Não dá para resistir a tanta beleza

Posso dizer que sinto-me parte

De tudo isso que a mim fascina

E fazer parte já é algo que me ilumina…

Alda M S Santos

Na cachoeira, ao luar…

NA CACHOEIRA, AO LUAR…

Um dia ela acordou sem acordar, sabe como é, estava noutro mundo.

Andava nas trilhas da mata, pé ante pé. Ia em direção ao som que ouvia.

Era um som mágico. Não sabia se os outros também ouviam.

Não importava!

Ela só queria ir em direção à cachoeira. Seguia assim, toda faceira!

Buscava proteção!

Parecia ouvir passos indo na mesma direção, mas não via ninguém. Apenas sentia!

Sentia que alguém a seguia, mas nada temia. Era uma boa vibração, tal qual a que vinha da cachoeira e de seu coração.

Era noite ainda, o intenso luar iluminava o caminho.

Chegou à cachoeira, maravilhosa!

Sem sequer se despir, nela entrou. Lavou tudo, deixou lágrimas rolarem, lavou a alma…

Sua veste branca parecia uma segunda pele, grudada.

Foi atraída por uma força incomum.

E lá estava ele. Olhar profundo, doce, pidão!

Não teve medo, lentamente foi se aproximando…

E a ele estendeu a mão, os lábios, o corpo, a alma, o coração…

E toda a sua vida…

Alda M S Santos

Mais no meu blog vidaintensavida.com

#flalfestival 2019

Miniconto- palavra “proteção”

Sedução

SEDUÇÃO

Um toque de sedução

Leve, irresistível, puro

Nos envolve em emoção

Seja na luz ou na escuridão

Como um sonho, vem suave

Aos poucos, devagarzinho

Nos abraça, nos acolhe

Nos aquece de mansinho

Logo é torrente, sensação

Como onda fria, intensa vibração

Nos encanta, nos invade

Forte, prazerosa, sem maldade

Pura sedução em forma de natureza

É vida, é prazer, é grandeza!

Entregue-se!

Alda M S Santos

No meio do rio

NO MEIO DO RIO

Uma estrada, a volta para casa

No meio da estrada, uma ponte

Sob a ponte, um outro caminho…

No meio do caminho tinha um rio

No meio do rio tinha uma pedra

No meio da pedra e de toda essa beleza

Estava eu…

Encantada, embriagada com toda essa natureza

Nas águas mornas do rio, muitos peixinhos

Beliscando meus pés, fazendo cócegas, risinhos

Ai que vontade de mergulhar

De roupa e tudo ou como vim ao mundo…

Apenas àquela maravilha poder me entregar

Ser feliz, relaxar…

Uma estrada, uma ponte

Um caminho, um rio, uma pedra

E lá estava eu…

Tentando ser mais eu!

Alda M S Santos

A natureza

A NATUREZA

A natureza fala conosco todo o tempo

Usa de muitos recursos para se comunicar

É deslumbrante, fala de vida

Às vezes nos tira para dançar

Grita nos trovões, nas tempestades

Sussurra nas leves ondas do mar

Abraça-nos nos raios do sol escaldante

Acaricia dois corpos de amor ao luar

Como brisa em nossos ouvidos um canto entoa

Aquece nossa pele, doce verão

Ora nos refresca numa leve garoa

É sempre amor, não importa a estação

Nas águas de uma cachoeira

Ela mostra sua beleza, sua magia

E eu cá embaixo entendo, não dou bobeira

E logo registro a poesia…

Alda M S Santos

Quero água

QUERO ÁGUA

Quero água!

Pode ser do rio ou do mar

Ou de uma bela cachoeira

Não sou tão exigente

Límpida, cristalina, quero é me banhar

Não dá para ficar de bobeira

Para não desidratar

O calor não tá de brincadeira

O ar tá seco, tá difícil respirar…

Quero água!

Uma piscina, uma ducha

Até mesmo um banho de mangueira

Mas bom mesmo seria

Uma boa chuva na moleira

Correr, brincar, me esbaldar

Poder na tempestade me encharcar

E depois, toda molhada, refrescada

Ter alguém para, toda faceira,

Poder abraçar e amar…

Quero água!

Alda M S Santos

Refresque-se!

REFRESQUE-SE!

Precisando de uma pausa ou um refresco?

Vá para o mato, área de linda natureza

Uma fazenda, um sítio, um parque na cidade

Procure um rio cristalino, tire a roupa, mergulhe

Nade de braçadas, deixe a água fria lavar tudo

Fique até sentir toda a musculatura aquecida

Até a correnteza levar embora pra longe todo mal

Se não for possível, sente-se à margem de uma lagoa

Coloque os pés na água

Inspire e expire profundamente várias vezes

Pense em tudo de negativo que aquelas águas estarão levando embora

Atraia para si apenas bons pensamentos

Conserve os sentimentos positivos

Faça uma oração pessoal e verdadeira

Agradeça cada coisa boa que tem na vida

Faça um trato consigo mesmo:

A despeito de tudo e de todos,

Manter a paz e a serenidade

Priorizar o amor sempre…

Esse desejo é forte e poderoso

Porque vem de dentro de você

Tente! Refresque-se!

Alda M S Santos

Sob o luar

SOB O LUAR

Sob a luz intensa do luar

Quero relaxar, me entregar

A um banho quente, envolvente

Que afaste tudo da mente

Exceto o prazer de ser gente

Quero um banho de Lua!

Sob a beleza da Lua

Por uma noite sem fim, sem pudor

Ou por toda a vida, de alma despida

Poder sem medo me abrir, me expor

Preciso de um banho de Lua!

Sob o poder e encanto da Lua

Deixar tocar e brilhar em mim

Raios de amor, gotas de poesia

Da pele suave à alma nua

Pura magia…

Quero um banho de poesia!

Embriagada de poesia ao luar

Mergulhada na ânsia de amar

Um nostálgico desejo me faz te chamar

Não quer comigo também se banhar

No mar, sob o luar?

Precisamos nos banhar

De lua

De poesia

De amor…

Alda M S Santos

Visita preciosa

VISITA PRECIOSA

Certas visitas quando chegam

São tão preciosas e queridas

Fazem-nos vibrar, sentir bem

Simplicidade e beleza que encantam

Mostram que o ambiente está receptivo

Trazem a paz consigo e nos dão sensação de pertencimento

A esse lugar, a esse plano, a essa natureza tão rica

Nos fazem crer que resta ainda uma esperança

Para o nosso tão lindo planeta

Que nos foi dado a cuidar e amar

Que pode ainda haver salvação

Para nossa alma, nosso coração

Para nós mesmos como membros dessa humanidade tão complexa

Precisamos acreditar e agir

Proteger-nos como espécie integrante de um todo maior

E, principalmente, fazer tornar sempre atual a lição

Amar aos outros como a nós mesmos

Aqui somos visitantes apenas

Que deixemos melhor que encontramos…

Alda M S Santos

Fascinação

FASCINAÇÃO

Não há fascínio tão grande

Quanto aquele diante do mar

Tanto faz se é a primeira

A segunda ou a vigésima vez a olhar

Um mundo de mistérios que amedronta e encanta

Beleza que se move, aquieta, envolvente

Dispara o coração, aciona a imaginação

E nos atrai para si, lentamente

Águas calmas ou revoltas

Numa dança contínua e sensual, cativante

Vai e volta, canta, silencia, conquista

Aos nossos pés repousa, apaixonante…

Entregues ficamos

Fascinante…

Alda M S Santos

Miniaturas

MINIATURAS

Somos miniaturas do mundo lá fora

Dessa bela natureza e vasto universo

Tudo em nós está em movimento

Somos perda e reparação

Somos destruição e reconstrução

Entre atração e repulsão

Formamos nossa galáxia interna

Nesse mundo interior tão cíclico

É necessário haver espaço para a dor de perder

Para a alegria de renascer

É preciso juntar os pedaços de nossa alma

Cada uma tem um lugarzinho especial nesse nosso multiverso

E é de extrema importância nesse nosso “passeio” por aqui

“Na (nossa) natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma…”

Alda M S Santos

Curas homeopáticas

CURAS HOMEOPÁTICAS

A natureza tem poderes curativos

Não apenas os que vêm das plantas medicinais, que brotam do chão

Natureza tem poderes curativos da emoção

Aqueles que trazem paz, acalmam o coração

Em doses homeopáticas e constantes

Atingem pontos importantes na alma

Via tato, visão, olfato, paladar, audição

Paulatinamente despertando a nossa reação

Nos salvam até de nós mesmos

Quando não enxergamos mais saída

E nos tornamos nós mesmos nossos maiores adversários…

Natureza desperta em nós o que é essencial

E que, por vezes, fica escondido em meio a tanta coisa artificial…

Alda M S Santos

Aproveite o orvalho

APROVEITE O ORVALHO

Mesmo nas noites mais secas e escuras

Nas mais frias e longas

O orvalho é produzido e depositado

Belo, natural, encantador, motivador

Quando tudo parecer secar e morrer

Quando tudo for noite fria, assustadora

Com seus barulhos ensurdecedores do silêncio

Aproveite o orvalho

E nova alvorada há de despontar na serra

Mais linda e iluminada que antes

Despertando e trazendo de volta vidas adormecidas

Com mais cores, brilho, beleza e perfume…

Alda M S Santos

Além do horizonte

ALÉM DO HORIZONTE

Além do horizonte tudo parece mais belo

Mesmo que inalcançável, inatingível

Ainda que fique apenas no mundo das ideias

Pode ser atrás de uma densa mata

Além do mar, no alto de uma montanha

Sentindo o doce cheiro de natureza

A terra úmida, a areia quente, a clorofila ou a maresia

Levando-nos ao nosso estado humano natural

Apesar de estarmos meio desconectados do todo

Respiramos profundamente, mergulhamos fundo nessa imagem

Aquela que nos instiga a alçar voo

Ainda que seja apenas nas asas da imaginação…

Vamos?

Alda M S Santos

Sol e chuva

SOL E CHUVA

Entardecer, o dia vai ceder o lugar para a noite

Ora sol, ora chuva, ora sol e chuva

Nessa disputa entre secos e molhados, quem vencerá?

Sei que o espetáculo sou eu quem curto

Cada flor, cada folha, cada matinho mais verde e brilhante

A cadelinha se espreguiça em busca de um carinho

Canarinhos já não se recolhem

Comem, voam, namoram na chuva e sol

Sequer se preocupam, acostumados a qualquer mudança

E às intempéries da natureza…

São resilientes!

Não carregam pesos desnecessários

São apenas o que são, criaturas do Criador

E se alegram por isso

Voam livres… vivem…

Alda M S Santos

Na varanda

NA VARANDA

Sentada na varanda ela vê a vida passar noutro ritmo

Com uma trilha sonora diferente, rica

Cantos, sem vozes, algazarra e encantos

Sob cores fortes, intensas, naturais

Observa o enredo matutino que se desenrola no telão da vida

Tudo ali fala, o silêncio grita, há comunicação

As palavras são supérfluas, desnecessárias

Canarinhos entram e saem do ninho sob o telhado

Conversam entre si, renovam e festejam a vida de seus ovinhos

Calangos passam correndo, saracuras idem

Beija-flores se refestelam e passeiam de flor em flor no jardim

Borboletas e joaninhas fazem a polinização

Lagartas sapecam quem ousa encostar nelas

A cadelinha se estira na grama macia e úmida

O sol reina sobre todos, debaixo de um céu de intenso azul

Cada qual sabe bem seu papel e o executa com alegria

E ela ali, a observar…

Busca dentro de si aquela mesma harmonia

Aquela “certeza” leve de também executar bem seu papel

Na tantas vezes complexa trama da vida…

Alda M S Santos

Confusão no ninho

CONFUSÃO NO NINHO

Uma barulheira próxima ao pingo de ouro no jardim

Atenta, observo tico-tico entrar e sair dali várias vezes com galhos no bico

Quando ela sai vou verificar: dois ovinhos num dia, três no outro

Quero ver o momento em que o pássaro preto, chupim, entra e bota seus ovos

E o tico-tico continua a chocar ovos alheios como seus

Mas esse momento nunca consigo “pegar”

Só dias mais tarde é que percebemos tico-tico orgulhosa do filhotinho

Chupim filhote, bem maior que a mamãe tico-tico

Criando o filhotinho de outra espécie, sem saber, enganada

Ou será que sabe?

Infiltra-se no ninho do outro, destrói vidas

Pois o chupim nasce primeiro e acaba por matar os tico-tico que chegam de fome

Como pode atitude tão oportunista de um ser que sequer pensa?

Não monta seu ninho, não choca, não cuida

Quer apenas aproveitar do que encontrou pronto…

E tico-tico mãe cuida, alimenta, protege…

Fosse no mundo dos humanos, por muito menos

Seria tragédia na certa!

Será que aprenderam conosco esse oportunismo

Ou ainda têm algo a nos ensinar que não percebemos?

Alda M S Santos

Névoa

NÉVOA

Caía uma névoa fininha

Daquelas que embaçam o tempo

Esfriam até nossos ossos

Da varanda, tomando uma xícara de café recém coado eu observava

Como a natureza tem a capacidade de atingir nossas emoções!

Quando fica assim sinto-me em outro mundo

Dizem que é o momento em que a tristeza e depressão têm seu auge

Tem-se a percepção de que a Terra parou…

Poucos passarinhos se arriscavam a sair de suas casas

A cigarra sossegou seu canto

Beija-flor aparecia e beijava mais rápido que o normal

Para logo se recolher e se aquecer

Parece que a ordem geral em suspense era: recolham-se!

Uns recolhiam-se para dentro de suas casas

Outros, para dentro de suas lembranças e emoções

Outros para os recônditos de suas almas inquietas

Muitos não achavam para onde se recolher

Perdidos…

Esses que costumam não achar o caminho de volta…

Gosto de tempo assim!

Saio admirando as flores molhadas

Os bichos recolhidos, as pessoas que passam apressadas

Ou aquelas que nem se importam com aquela névoa

Que insistia em atingir os ossos

Volto e vou acender o fogão à lenha

Aquecendo…

Alda M S Santos

Águas passadas

ÁGUAS PASSADAS

Águas passadas não movem moinhos

Diz sabiamente o ditado popular

Por que sempre voltamos ao mesmo moinho

Acreditando encontrar as mesmas águas a movê-lo

Ou buscando naquelas novas águas que agora o fazem rodar

As mesmas características anteriores?

Se o moinho é o mesmo, e continua sendo movido à água

Algo semelhante haverá entre essas e as águas passadas.

Buscamos nova familiarização, nova sintonia

O que nem sempre nos atentamos

É para o fato que o moinho também se modificou,

Não é o mesmo moinho de outrora

Tem fissuras, partes escurecidas, está mais silencioso ou barulhento

As mesmas águas que passaram e foram embora rio abaixo

Fizeram seu trabalho na roda do moinho

Deixaram ali sua marca…

Águas passadas não movem moinho

É verdade!

Mas o deixam cada vez mais forte e eficiente

E capaz de aproveitar melhor a força das novas águas …

Águas passadas são lições aprendidas

Nos livros dos moinhos de nossa existência…

Alda M S Santos

Pescaria

PESCARIA

Não estou nervosa, não estou tensa

Mas algo me leva a pescar…

Na beira do lago coloco a isca, lanço o anzol

Pesco a beleza que se transmuta em sons, movimentos e cores

Uma revoada de pássaros que canta no céu

Uma vaca que muge ao longe

O vento que balança as árvores e derruba frutos

As galinhas que cacarejam fugindo dos cães

A água que escorre numa bica e cai no lago

Uma tilápia que nada apressada na água calma

Pesco a beleza visual que dança descuidada sob meus olhos

Pesco o amor do criador em cada criatura

Uso apenas o anzol do desejo de paz

No qual coloco a isca da sensibilidade

Ouço alguém me chamar lá dentro

E saio com o cesto da alma carregado nessa pescaria…

Aceitam um pescado?

Alda M S Santos

Há esperança

HÁ ESPERANÇA

Há esperança, ah, esperança…

Aquela que vai, voa, se perde, volta

Flutua e pousa insegura em sua mão

Ah, esperança…

De asas leves, voo verdejante

Machucada, temerosa, insistente

Repousa em sua alma, batendo asas no ritmo de seu coração

Há esperança!

Voa na brisa suave, deixa-se levar nos vendavais

Ou apenas se recolhe num canto…

Espera, paciente, que alguém nela espere

Como toda esperança será a última a morrer

Ah, esperança…

Há esperança?

Alda M S Santos

Deixe-se levar

DEIXE-SE LEVAR

Deixe-se balançar ao sabor do vento que sopra forte

Ora para um lado, ora para o outro

Deixe-se encharcar pelas águas que inundam

Ora as doces do céu, ora as salgadas do oceano

Deixe-se emocionar pelos sentimentos dentro de si

Não resistir, não fincar pé, não engolir choro gera resiliência

A capacidade de envergar, mas não quebrar, nos fortalece

Quanto maior a capacidade de se flexibilizar

De mover-se ao sabor do que é maior, mais forte do que nós

Mais engrossamos nosso tronco, nossas raízes, nossa essência

Preservamos o que é importante…

As grandes árvores balançam ao sabor das ventanias

E suas raízes são cada vez mais profundas

Seu equilíbrio entre flexibilidade e rigidez é que garante sua sobrevivência…

Alda M S Santos

Aqua(Rio)

AQUA(RIO)

Quando pensamos que toda essa beleza que é uma região de praia

Grande extensão de areia para caminhadas à beira-mar…

Originaram-se de algo que se desfez

Da ação de ventos e chuvas sobre as rochas

Que foram se desprendendo em inúmeros pedacinhos

E, com o tempo, aos poucos, desgastes sucessivos

Acrescentando fragmentos de conchas e carapaças de animais

Juntaram-se até formar aquela areia fofinha…

Aquela imensidão que é o oceano que a gente vê

E toda a vida que existe ali embaixo que a gente não vê

Que desconhecemos e nem sempre respeitamos…

É a natureza nos ensinando que tudo se transforma

Que o que pode nos parecer ser o fim, perda irreparável

É apenas uma transformação

O início de algo maravilhoso e ímpar

Que não existiria sem as “perdas” sofridas

Que tantas vezes só lamentamos…

Alda M S Santos

#aquario

Alda M S Santos

Sinto-me parte

SINTO-ME PARTE

Sou parte desse universo tão infinito

Em meio à natureza pura e simples

Quando me sinto um tudo

Ou quando me assemelho a um nada

Sinto-me parte desse universo

Que parece muitas vezes tão aleatório

Noutras tao cuidadosamente planejado

Cada pedra, cada galho, cada mato seco

Cada inseto irritante que pica

Cada árvore centenária que balança ao sabor do vento

O riacho que se desfaz em cachoeiras nas rochas

Sinto-me parte…

Mesmo no silêncio ora tranquilizador, ora constrangedor

Que contrasta com meu barulho interior

Tudo parece tão bem encaixado ali

Todos representam tão bem seu papel

Ainda que meus barulhos sem nexo

Pareçam intrusos num roteiro de sons

Que demonstram total harmonia

Sinto- me parte…

Não sei se sou a parte aleatória ou a cuidadosamente planejada

Sei apenas que sinto-me parte…

Alda M S Santos

PRIMAVERANDO

PRIMAVERANDO

Doce expectativa, espera tranquila

Raízes que se desenvolvem e grudam no tronco da mangueira

Buscam ali os nutrientes que precisam para crescer

Sem causar danos, perfeita harmonia

Numa manhã, alguns botões surgem

Se abrem para a luz, para o calor do sol

Tal qual meu sorriso a saudá-las

Brancas, lilases, rosas, amarelas e mescladas

Passo a vigiar, parecem demorar mais

Noutra manhã, mais cores, perfume, ternura

Beleza pura e delicadeza que encantam

Que necessitam para ser tão belas assim?

Precisam antes terem sido plantadas no coração

No desejo de quem as ofereceu ou recebeu

No carinho de quem cuidou e por elas esperou

Precisam do tempo, do repouso, da paciência, da reclusão

Fases que a maioria não nota, sequer considera

Querem apenas a beleza da flor, que antes foi raiz, galhos, folhas

Quem curte apenas a orquídea em flor perde todo um processo de vida

Que germina, brota, cresce, luta pela sobrevivência

A flor é mesmo bela, digna de admiração e encanto

Mas quem acompanha todas as etapas do desabrochar, do primaverar

Sabe mesmo ser jardim!

Vale para jardins de flores ou de pessoas…

Alda M S Santos

Quando primavera

QUANDO PRIMAVERA

Quando sou primavera

Sou flor, cheiro, cor

Beleza, harmonia…

Atraio, encanto,

Perfumo e embelezo.

Porém, não sou primavera todo o tempo

Venho de invernos frios, longos e solitários…

Quase destruída nos verões de muitos ventos e tempestades.

Abandonada e recolhida em mim mesma nos outonos em que perdi boa parte de mim…

Reconstruí, floresci, renasci….

Enfim, primavera!

Trago comigo arraigados

Meus verões, outonos e invernos…e com eles

Quem me acompanhou.

Com eles quero dividir

Minhas flores, minhas alegrias, meu perfume, minhas cores, meu encanto!

Sabiamente, me abasteço para o próximo outono.

Ele sempre vem!

Alda M S Santos

Repostando

Descompasso

DESCOMPASSO

Em qual estação estamos lá fora?

E cá dentro?

Estamos no mesmo compasso

Ou há flores perfumadas, cores vivas e macias na primavera lá fora

Enquanto cá dentro perdemos folhas e poupamos a raiz em secos e terrosos outonos?

Em qual estação estamos?

Mergulhamos em mornos oceanos e cachoeiras refrescantes

No verão quente, colorido e cheio de energia lá de fora

Ou hibernamos em longos, frios e escuros invernos cá dentro?

Somos atingidos pela força e vitalidade da estação lá de fora

Flores, perfumes, cores, calor, animação e alegria

Ou somos contagiados apenas pelo frio, pela neve, pelo repouso, pelas ventanias?

Dançamos, brincamos e amamos na chuva

Ou apenas fugimos das tempestades?

Esse constante descompasso entre a estação interna e externa

Tem sido capaz de promover a dança da vida

Ou passamos a festa toda sentados numa cadeira?

Viver todas as estações em plenitude é que importa

Independente se estamos no mesmo compasso da música lá de fora

A música cá de dentro é que precisa tocar e nos satisfazer…

Alda M S Santos

Mata nativa

MATA NATIVA

É sabido que a paz não está

Em lugares físicos ou espaços externos

Quem a busca fora de si perde tempo

Ela se encontra dentro de nós

Mas um lugar tranquilo, amado, com cheiro de mato

Onde nos sentimos parte integrante desse universo

Tão dual: tão simples e tão complexo

Pode nos reconectar a nós mesmos

Tal qual mata nativa tão perfeita ali

Matar a saudade de nossa essência tantas vezes perdida ou “escondida”

Noutros cantos que nem sempre temos acesso

Dentro de outros seres, muitas vezes inacessíveis

Nem sempre receptivos

Mata que mata ansiedade, mata que desperta anseios

Sempre a nos lembrar

Somos gente, somos nativos, somos vida, somos parte…

Alda M S Santos

Ela caminha

ELA CAMINHA
À beira-mar ela caminha
Olha longe no horizonte
Sempre gostou muito de caminhadas
Nas avenidas, nas estradinhas de terra
Na beira de um rio, nas matas, montanhas…
O corpo é exigido, a mente trabalha, vai relaxando
A alma se abastece de belezas, de levezas
Busca um veleiro que navega sozinho ao longe
Quem estará ali? Será feliz?
Uma gaivota que mergulha atrás de alimento
Uma lancha de transporte de aluguel num cais improvisado
O vento desarruma seu cabelo, arranca o chapéu
Levanta sua saída de praia, refresca a alma
As ondas quebram a seus pés espumando e se recolhem de volta ao mar
“Tragam coisas boas, levem as ruins”, ela profetiza
Chuta a água, chuta os problemas, inspira e expira fundo
Sente os músculos sendo exigidos
Tensão, relaxamento, prazer…
Vê uma família de golfinhos nadando despreocupada
Um casal enamorado se exercita debaixo de um coqueiro
Como seria morar ali?
O encanto seria o mesmo?
Faria essa caminhada diária?
E ela segue…
Caminhando, chutando a água, refletindo
Sugando da natureza tudo que consegue de maravilhoso
Aprende com ela, seu ir e vir constante…
Enchendo-se de coisas boas, esvaziando-se do que faz mal…
Ela caminha…
Alda M S Santos 

Paradoxal e intensa relação

PARADOXAL E INTENSA RELAÇÃO
Paradoxal encantamento e admiração
Associados a um medo gigantesco
Contraditória e intensa atração atrelada
À incapacidade de profunda proximidade e enfrentamento
Fascinante e envolvente como o canto de uma sereia
Assustadora como noite sem lua e estrelas
Chama, esfria e esquenta, encoraja e atemoriza
Atrai e repele, vai e vem
Tão necessária quanto o oxigênio
Tão completa, tão essencial
Amor incomparável
Doce ou salgada, parada ou corrente
Amor bandido, amor sem fim
Complexa essa minha relação
Jamais saberia viver sem ela
Mas nunca poderia mergulhar fundo nessas águas
Sob o risco de não mais voltar…
Vou, assim, “mergulhando”, mas com os pés firmes no chão…
Alda M S Santos

Não precisa ser flor

NÃO PRECISA SER FLOR

Basta se abrir para despertar o carinho

Basta estar vivo para ter afinidades

Basta ser sensível para sentir ameaça ou segurança

Não precisa ser flor para atrair amor

Ou borboletas…

Basta amar para atrair amor…

Alda M S Santos

A lua de sangue

A LUA DE SANGUE

Em alto mar, numa escuna que travou do nada

O condutor disse que ficaríamos ali para ver a lua vermelha

Mar estava agitado, turbulento

Parecia querer atrair a atenção de volta para si

E teve, quando ficamos sem saber quanto tempo demoraríamos naquele entrevero

Comentários tensos ou bem humorados em vários idiomas

E o céu, lindo nas cores do pôr do sol, não nos dava visão da lua

Escondida atrás das matas altas da ilha

Desistimos de procurar por ela que não queria ser vista

E observamos o que se mostrava para nós no momento

Mar, céu, sol poente, e o balançar das ondas no casco da escuna

Que logo voltou a funcionar e nos trouxe para nossa realidade

Vermelha, azul, verde, amarela, multicor ou cinzenta…

Aquela que preferirmos focar…

Alda M S Santos

É natural…

É NATURAL…

É natural amar e querer reciprocidade no amor

É antinatural exigir o que deve ser gratuito

É natural buscar a paz, a tranquilidade

É antinatural fazê-lo em detrimentos dos outros

É natural sorrir, encantar, contagiar, espalhar vitalidade

É antinatural querer que todos sejam iguais nesse processo

É natural conquistar, evoluir, crescer

É antinatural passar por cima dos outros para consegui-lo

É natural chorar, sofrer, sentir dor

É antinatural causar isso nos outros

É natural valorizar a saúde, a vida, a sobrevivência, nossa e dos outros

É antinatural colocar tudo isso em risco conscientemente

É natural confiar, acreditar, ter fé e esperança, se entregar

É antinatural desconfiar de tudo e de todos, temendo se prejudicar

É natural a vida que se impõe sempre

É antinatural não se importar com ela

Alda M S Santos

Ele nasceu e eu vi

ELE NASCEU E EU VI…

O Rei Sol nasceu às 06:28, 26/07/18 e eu vi

Não como o percebo, sem notar, nos outros 364 dias do ano

Mas no alto do Pico do Papagaio, a 982 m de altitude na Ilha Grande, Angra dos Reis

Despertei à 1:30 da manhã para uma trilha de 7000m de subida íngreme na mata

Para essa caminhada que teve início às 2:17h foram 10 trilheiros valentes

7 nacionalidades: Brasil, França, Alemanha, Bélgica, Canadá, Chile, Argentina

3:30h mais tarde, muitas árvores, troncos, rios, pedras,

Vagalumes, lua, esquilos, suor, pequenas paradas de 2minutos

Respiração ofegante, parcerias, goles d’água, apoio de um cajado

Chegamos às 5:45h no cume do pico, vento forte, frio de gelar

Mas a vista maravilhosa na madrugada escura

Calava qualquer cansaço, qualquer dor, qualquer desconforto

Corações acelerados, todos sentados numa pedra escorregadia e perigosa

Aguardavam ansiosos ao nascer do sol mais lindo de nossas vidas

Às 6:28h ele começou a despontar e logo reinava grandioso

Lindo, sabedor de sua grandeza e poder

Várias línguas o saudaram…

Rei da vida, rei do céu, criado pelo Rei dos reis

E nós, desafiando nossos limites e a natureza

O homenageamos com nosso deslumbramento…

Às 7:20h, aos 51,8 anos de idade, num grupo cuja média era 30 anos

Superei meus limites, agradeço a Deus

E iniciamos a descida forte já sob ele, enxergando tudo, terminando às 9:45h.

A nós todos nota 10!

Quem disse que números são frios?

Eles podem ser emocionantes!

E viva o Sol e seus súditos!

Alda M S Santos

 

Mar aberto

MAR ABERTO

Em mar aberto, água em movimento lento e sensual por todos os lados

Céu azul abrigando asas fortes de pássaros a plainar, certos de sua beleza e liberdade

Ou de vento forte a nos dar a sensação de paz, cabelos aos vento

Sol a aquecer a pele, o balanço calmante da lancha

A rasgar as águas velozmente em busca de uma ilha

Sob nós, nas águas verdes e convidativas, peixes e toda espécie marinha

Cercados de vida por todos os lados

Seguimos, cada qual no seu habitat

Sentindo sua força e fragilidade

Vidas fortes e seguras em seus espaços

Vidas frágeis e em risco se tiradas dali

Peixes fora da água, pássaros fora do céu,

São como humanos fora do chão, coração vazio

Bastaria um mergulho na direção errada

Do pássaro, do peixe ou do homem

Para tudo se acabar

Flertamos com a morte todo o tempo

Só não podemos nos deixar atrair pelo desconhecido

Só não podemos nos apaixonar…

Em mar aberto, ou em qualquer lugar

Sempre de coração aberto para a vida…

Alda M S Santos

Somos natureza

SOMOS NATUREZA

Somos natureza, das árvores, somos flores

Perfumadas, encantadoras, suaves e delicadas

Mesmo com espinhos em autoproteção

Somos natureza, das árvores somos troncos

Levando a seiva que alimenta tanta vida

Sendo abrigo de outros que buscam por nosso aconchego

Somos natureza, das árvores somos folhas

Ora em completo esplendor, cor e brilho

Ora, sabiamente, caindo e cedendo a vez em benefício do todo

Somos natureza, das árvores somos frutos

A alimentar a quem de nós necessitar

Sempre produzindo sementes para perpetuar o existir

Somos natureza, das árvores somos raízes

Aquela que comanda a vida, lida bem com fartura e carestia

E preserva o que tem de essencial

Somos natureza, das árvores almejamos o verde intenso da esperança

Confiando que em seu entorno há tudo que necessita para viver

Ainda que no fundo de si mesma…

Somos natureza…

Das árvores falta-nos saber aceitar bem cada fase

Falta-nos a confiança na proteção da Criação…

Alda M S Santos

Aprendi com a natureza

APRENDI COM A NATUREZA

Aprendi com a natureza que quando o sol se põe aqui

Ele nasce e ilumina o outro hemisfério terrestre

Quando um lado nosso anoitece, escurece

Bom é valorizar nossa parte “dia”, iluminada

Sempre haverá um lado com luz forte e quente

Enquanto o outro estiver escuro e frio

Aprendi com a natureza a aceitar e apreciar todas as nossas estações

O perfume suave que nos anima e encanta quando tudo são flores em nossas primaveras

O calor de nossos verões com leveza e intensidade nos instigando a mergulhar no frescor da vida

As cores de terra, as perdas de “folhas” de nossos outonos para preservar as raízes, tempo de reflexões e plantio

O frio e hibernação no recolhimento de nossos invernos, tempo de esperança, gestando uma nova vida…

Somos assim também: fases que se interligam e se intercalam

Fases que se completam e se precisam

Fases que não têm fim, apenas rotatividade

Estou aprendendo com a natureza a lidar com seus paradoxos e antagonismos

A lidar com seca e cheia, sombra e luz, flor e fruto, vida e morte

Aprendendo com a natureza a lidar com as dicotomias humanas

Amor e ódio, alegria e tristeza, sorriso e lágrimas, interesse e indiferença, prazer e dor

Aprendi com a natureza que é preciso parecer morrer para poder nascer mais belo e mais forte

Tudo isso são apenas duas faces da mesma moeda

A moeda valiosa do viver…

Alda M S Santos

Que fazemos com nossos lixos?

QUE FAZEMOS COM NOSSOS LIXOS?

Cuidar do meio ambiente é também cuidar de nossos lixos: tóxicos ou não

Que temos feito com nossos lixos?

Jogamos nas águas rasas humanas, contaminando o ambiente alheio?

Enterramos em nós mesmos, bem fundo, contaminando nossos lençóis freáticos?

Reciclamos, transformando dor em pérolas, o nocivo em algo útil para nós e para todos?

Bom lembrar que todo lixo que jogamos “fora” circula e volta para nós

Produzir menos lixo, menos sentimento tóxico é importante

Mas saber transformar o lixo produzido em arte é fundamental

Reciclar os cacos de vidro cortantes que recebemos dos outros

Transformando-os em amor é habilidade especial

É um modo de preservar nosso meio ambiente

É uma maneira de conservar nossa alma viva!

Que você tem feito com seus lixos?

Alda M S Santos

Flores no caminho

FLORES NO CAMINHO

São flores, doces, lindas, coloridas

Enfeitam, perfumam, ocupam todos os espaços possíveis

Alegram os caminhos nem sempre fáceis ou justos

São vida!

Pelo olhar adentram a alma, invadem recônditos escuros

Deixam uma suave fragrância de vida onde passam

Abrem um sorriso iluminado onde tocam, em quem presenteiam

Fazem minar nos olhos gotas brilhantes como orvalho

Mas também precisam ser podadas, cortadas

Ou podem sufocar tudo a sua volta, matar por asfixia

A sabedoria consiste em identificar o momento certo da poda

E o quanto é possível cortar sem matar

E seguir o caminho …

Na esperança de novo broto, mais forte e mais bonito

Nos ciclos vitais da natureza que brotam dentro de nós

A primavera vem mais bonita para quem soube apreciar o inverno

Não somente tolerá-lo!

Alda M S Santos

Pôr do Sol

PÔR DO SOL

Hora mais linda do dia, hora do sol se recolher no horizonte

Sereno, colorido e vibrante

Beleza poderosa, calmante, extasiante, reflexiva

Em meio à simplicidade e soberania da natureza

Só nos lembra do quanto somos pequenos e privilegiados

Perante tão grandiosa obra divina

Não importa como foi o dia, se sorrisos se abriram

Ou se lágrimas prevaleceram

Se foi de fé ou descrença, não importa

Sempre há esperança ao admirarmos o pôr do sol

É preciso saber se recolher, ceder a vez, adormecer

Para retornar em nova aurora, como novo presente recebido, nova energia

Independente se, encantados e sensibilizados, observamos ou não

Porque até mesmo para enxergar, apreciar e entender tal maravilha

Precisamos tê-lo aceso dentro de nós…

Alda M S Santos

Como um rio

COMO UM RIO

Quero viver como um rio quando “morto”

Não somente quando possui águas calmas, mornas, convidativas

Ou quando as águas furiosas e geladas arrebentam tudo a abrir caminhos

Mas quero, como o rio, viver no que deixar de mim depois de partir

No que deixou de si depois de seco

Na terra que irrigou, silenciosamente

Nas plantas que hidratou e gerou vida

Nos frutos do qual foi núcleo e a tantos alimentou

Nos corpos amantes que banhou sob o sol ou a lua

Nos rostos lavados, sorrisos despertados, saudades deixadas

Quero ser como o rio morto

Porque depois de morto, apenas o que deixou de vida,

Ainda que em diferentes formatos, com ou sem reconhecimento, é que fica,

Sem cobranças, avaliações ou acusações

O rio morre…

Mas a vida que salvou, que perpetuou pelo caminho

Seguirá silenciosa até desaparecer por completo…

Alda M S Santos

Naufrágios

NAUFRÁGIOS

Em naufrágios, quando ficamos à deriva

Não importa o tamanho da embarcação

Ou o valor da carga transportada

Navios, escunas, barquinhos…

Depois de tudo lançado ao mar pela força da tempestade

O que temos de mais valioso e poderá nos salvar é a tripulação

E o que trazemos dentro de nós…

Alda M S Santos

Ervas daninhas no jardim

ERVAS DANINHAS NO JARDIM

Cuidando das plantas, retirando galhos com ervas de passarinho de uma mangueira

Observei o quanto é importante não perdermos o “timing” da vida

Retiramos as ervas já floridas perdendo inúmeros galhos, mas salvamos a mangueira

Um tempo a mais que demorasse talvez não fosse possível salvar a árvore

Como uma doença descoberta no início, podendo ser curada

A questão é identificar o mal, as ervas daninhas, os matos sufocantes e extraí-los

Mesmo amando plantas tenho dificuldade de identificar os matos e ervas “disfarçados” no jardim

Acho lindas as flores com suas cores maravilhosas e perfumes embriagantes e me perco

Tantas vezes não identificamos o mal que se apresenta em nossas vidas

E perdemos o momento certo de arrancá-los

Talvez nem seja uma erva daninha, apenas uma outra “flor” que ocupa espaço demais

Que impede de vermos, de recebermos a luz, nos afasta do essencial e nos sufoca

Mas, o que é importante sabermos e estarmos atentos

É que o momento certo de extirpar uma erva

Pode significar a diferença entre vida ou morte

Tanto para as roseiras quanto para as pessoas…

Alda M S Santos

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