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poemas e reflexões da vida cotidiana

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Nem tudo

NEM TUDO

Nem tudo que é sentido precisa ser dito
Basta que faça bem, que seja bonito
Nem tudo precisa sufocar, silenciar
Quando calar fizer doer ou machucar

Nem tudo que é sonhado pode parecer real
Mas enquanto dura acalma o vendaval
Nem tudo que parece difícil é impossível
Se houver disposição para torná-lo possível

Nem tudo que mexe com a emoção
É necessariamente errado, sem razão
Faz parte do que faz pulsar o coração

Nem tudo que acontece é por si só bem ou mal
Tudo dependerá do nosso sentir ou agir
Daquilo que for capaz de nos fazer seguir

Alda M S Santos

Não importa

NÃO IMPORTA
Não importa quem começou a briga,
Importa quem saberá por fim à pendenga
Não importa quem primeiro criou a mágoa
Importa quem será capaz de perdoar e seguir
Não importa quem adoeceu ou mais sofreu
Importa quem saberá ser a cura,
Não importa se a tempestade quase tudo levou
Importa quem irá se levantar para começar a reconstrução
Não importa se a doença não sara
Importa quem aprende a conviver com ela
Não importa se errou, todo mundo erra
Importa se aprendeu com o erro e prosseguiu
Não importa quem começou o amor
Quem o interrompeu, teve dúvidas ou fraquezas
Se houve tropeços, quedas, obstáculos
Importa mesmo é quem nunca deixará de amar…
Alda M S Santos

Como é possível?

COMO É POSSÍVEL?

Como é possível, ao mesmo tempo

Estar tão perto, estando tão longe

Estar tão longe, estando tão perto

Estar tão dentro, sem haver cabimento

Como é possível, ao mesmo tempo

Ser tão doce sorriso, escondendo amargas lágrimas

Ser tão acolhedor colo, estando carente de aconchego

Ser reflexo de si mesmo, de tão brilhante luz,

Tendo apenas uma faísca acesa

Como é possível, ao mesmo tempo

Ser o amor em meio a tanta indiferença

A esperança em meio a dolorosa ingratidão

A paz em meio a tanta maldade e confusão

Como é possível, ao mesmo tempo

Ser o norte quando se está perdido

O recomeço depois de haver desistido

A continuidade de um viver intenso, meio sofrido

Quando sabemos que a qualquer hora

Seremos pelo tempo engolidos, consumidos?

Como é possível?

Alda M S Santos

Vejo em você

VEJO EM VOCÊ

Vejo em você o que preciso para crescer

Para ser melhor a cada dia

E não são só coisas boas que me possibilitam isso

O que há de negativo em você também me ensina a evoluir

Me permite desenvolver o que é falho também em mim

Aprendo quando você me faz sofrer, me faz chorar

Aprendo quando você me leva ao êxtase, à alegria extrema

Sou melhor quando preciso esquecer um pouco de mim

E me concentrar no que você insiste em me mostrar

Vejo em você vários caminhos que me desnorteiam

Mas que também me ensinam a responsabilidade das escolhas

Vejo em você, Vida, tudo que preciso para ser eu mesma

Um ser humano em evolução que busca no amor a sua luz

Por isso ainda insisto em ficar com você!

Obrigada, Vida!

Alda M S Santos

Mas não sou só eu!

MAS NÃO SOU SÓ EU!

As crianças montam seus castelos cuidadosamente na areia.

Escolhem os moldes, carregam água, dedicam-se parte por parte

Olham, admiram o feito, sorriem

Num tropeço, num descuido o castelo do menino desmorona, despenca, trabalho perdido

A menina olha e diz “faz outro”

E continua a montar o seu com dedicação e cuidado

O menino, chateado, destrói “sem querer” o castelo da menina

Como se dissesse “se eu não tenho, você também não tem”…

E chegam as mães para ensinar e apaziguar…

São crianças, estão aprendendo a viver com perdas.

Mas há tantos adultos assim!

Por não conseguirem algo, ou perderem

Passam a vida invejando ou destruindo os castelos alheios

Ou impedindo que sejam construídos

Perdendo um tempo precioso que poderia ser gasto com um novo castelo…

Castelos iniciados e abandonados pelo caminho…

Talvez um jeito inconsciente, até patológico, de resolver sua própria frustração.

Ao perceber que o mal que o atinge, que as dificuldades que tem

Não são só dele!

Como se dissessem: caí, mas outros caem também

Ou: acontece com todo mundo

O fracasso do outro justificando o seu próprio…

O desafio da vida adulta é enfrentar os próprios desmoronamentos

Se possível, evitá-los, aprendendo a poupar seus próprios castelos

E daqueles que lhes são caros…

Alda M S Santos

Batata quente

BATATA QUENTE

Batata quente, quente, quente

A regra é clara, seja rápido e preciso

Passe a batata quente para frente

Não há tempo para lamúrias ou reflexões

Se segurar muito tempo, se queima

Se estiver com ela na mão quando a “música” parar

Uma prenda irá pagar

Batata quente, quente, quente

Passe para frente, não a deixe cair ou irá se queimar

Outra prenda irá pagar

Batata quente, quente, quente

Assim aprendemos, assim fazemos

Assim vamos “brincando”…

Passando para frente nossas batatas quentes

Recebendo outras tão quentes quanto

E vamos pagando nossas prendas no caminho

Batata quente, quente, quente

Queimou!

Até aprendermos a nos livrar tão facilmente quanto os outros das batatas quentes

Ou até não querermos ou não mais conseguirmos pagar a “prenda”

Decidimos descascar nossas próprias batatas

Não passarmos para frente

Optarmos por não receber batatas alheias, por mais apetitosas que possam parecer

Sair dessa brincadeira e ir pular Amarelinha

Pulando e se equilibrando ora num pé só , ora nos dois

Pulando até o céu!

Alda M S Santos

Plagiando a vida

PLAGIANDO A VIDA

Já nascemos plagiando, independente de nossa vontade

“Copiamos” sangue, nome, traços físicos, um código de DNA

E seguimos plagiando a personalidade daqueles que nos cercam

Daqueles que nos dão amor ou indiferença, cuidado ou desprezo

“Plagiamos”, incorporamos ao nosso modo de ser aquilo que gostamos

E que pensamos nos tornar uma pessoa única, admirável

Ainda que aos nossos próprios olhos carentes

Escolhemos o que nos representa ou identifica melhor

Na música, na arte, na religião, na literatura, na culinária, na ciência…

Infelizmente, nem sempre coisas boas ou valiosas

E fazendo nosso aprendizado, imprimimos nosso modo de ser até a morte

Aprendemos e ensinamos todo o tempo, sem sequer perceber

Rindo, chorando, sofrendo, nos escondendo, amando, odiando

Fugindo, guerreando, nos divertindo, errando, acertando

Lendo, escrevendo, cantando,

Profetizando, sendo profetizado, ajudando ou sendo ajudado…

Os “professores” estão aí todo o tempo

Usando dos mais variados recursos.

Que estamos “plagiando” todo o tempo não há dúvida

A questão é escolher bem o que e como plagiar

A Bíblia, por exemplo, é uma só

E cada qual a plagia de acordo com seu entendimento

Somos grandes plagiadores da vida…

Plagiando, melhor dizendo, parafraseando Esopo

“Ninguém é tão pequeno que não tenha nada pra ensinar e nem tão grande que não tenha nada a aprender”.

Alda M S Santos

Aprendendo a pescar

APRENDENDO A PESCAR

Pode ser prazeroso receber um peixe delicioso nas mãos, sem esforço

Prontinho para ser degustado, saboreado

Mas nada se compara ao prazer de pescar o próprio peixe

O sabor é outro: de satisfação, de vitória, aprendizado, superação dos limites…

Mesmo porque, nada dura para sempre

Cedo ou tarde, se faltar o fornecedor do peixe, precisaremos nos virar…

Somente se compara ao prazer de pescar

O ato de ensinar alguém a fazê-lo, vibrar com a conquista do outro

Pescar juntos, no mesmo barco, enfrentando os ventos contrários,

As marés desfavoráveis, a restrição da piracema, esperar novo momento

Saborear juntos um pescado desejado

Isso é divinamente lindo!

Alda M S Santos

Fases da vida

FASES DA VIDA

Se parássemos antes para refletir, avaliar

Talvez fosse mais fácil entender e aceitar as fases da vida, seus ciclos

Estar “no comando” da vida, ser quem segura o leme acarreta preocupação, ocupação, responsabilidade

Adultos guiando o caminho dos filhos pequenos, contando com ajuda e experiência dos próprios pais…

Mudar de fase implica reconhecer que as crianças cresceram, sabem dirigir sozinhas suas vidas

Que nossos pais envelheceram, precisam mais de nós

E que nós já não somos “soberanos”, tão fortes e “infalíveis”

Ver nossos filhos segurando o leme de suas vidas com confiança gera um misto de amor e orgulho

Mas também de certa “inutilidade” e medo

Eles se tornaram aquilo que queríamos, ou não, mas dói um pouco saber que foi tão rápido, que não curtimos o bastante

Decepcioná-los seria o fim para nós, mesmo que não sejamos mais seus super-heróis

Ficamos meio vazios, órfãos, “sem perspectiva”

“Perdemos” os filhos pequenos que tanto precisavam de nós

E nossos pais que tanto nos ajudaram agora precisam de ajuda, de colo…

Encaixar-nos nessa perspectiva gera sensação de que a maior parte da vida já foi embora…

Aceitar com bom humor e fé essas novas nuances é o melhor meio de mudar de fase sem grandes danos

Passar para o banco de trás e olhar a vida desse ângulo

Desfazer os nós da dúvida que apertam a garganta

Focar nos laços de afeto que permanecem nos corações

Aceitar tranquilamente que não temos mais controle de tudo

Aliás, nunca tivemos, apenas essa ilusão acabou…

Tudo são fases, fizemos um bom trabalho, outras virão!

Alda M S Santos

Modo de fazer

MODO DE FAZER

A receita parece simples, os ingredientes são conhecidos:

Ser fiel a si mesmo, respeitar os próprios limites

Não fazer ao outro o que não gostaria que fizessem consigo

Deixar o coração comandar, acompanhado da razão

Viver intensamente com retidão e disposição

Escolher sempre os melhores caminhos

Aprender com os erros, evitando repetí-los,

Doar amor, aceitar o amor,

Ser solidário, ter fé e esperança…

Na prática o “modo de fazer” complica-se um pouco

Os ingredientes parecem diferentes,

Muito líquidos ou “perdidos”, fora de validade,

O coração se engana, a razão exagera

Os caminhos não são tão claros

O amor declarado se transforma,

Os medos e traumas surgem

As escolhas parecem difíceis…

A disposição, esperança e fé minam…

E o bolo não cresce, encrua!

Isso é ser humano!

Testar receitas, criar a própria receita!

Isso é viver!

Cada receita vira um novo prato dependendo do gourmet…

Ou como uma planta que adormece, se fortalece

E floresce em apenas algumas épocas,

Assim, vamos seguindo

Acreditando que Alguém sempre olha por nós,

E faz nosso bolo crescer…

Alda M S Santos

Somos uma fraude?

SOMOS UMA FRAUDE?

Quantas vezes nos decepcionamos nessa vida

Com os outros, conosco mesmos?

Aquelas vezes em que a realidade é cruel

Diante do que esperamos dos outros ou de nós…

Quando esperamos coragem e nos acovardamos,

Quando esperamos audácia e fraquejamos,

Quando esperamos alegria e entristecemos,

Quando esperamos parceria e não encontramos,

Quando esperamos força e sucumbimos,

Quando queremos colo e ele nos falta,

Quando esperamos fé e a montanha não se move…

Somos uma fraude? Para os outros, para nós mesmos?

Talvez sejamos como crianças grandes emburradas porque perderam o doce…

Ou somos apenas seres humanos errantes e temerários

Em busca de aprendizado, evolução e amor?

Somos uma fraude quando mais precisam de nós?

Somos uma fraude quando mais precisamos de nós?

Alda M S Santos

Inspire, expire!

INSPIRE, EXPIRE!
Inspire o ar que te cerca, rico em oxigênio
Expire o ar de dentro de si, carregado de gás carbônico
Inspire a luz e a energia boa à sua volta
Expire a escuridão e o medo lá de dentro
Inspire confiança, sabedoria, fé
Expire a raiva, a decepção e a desesperança
Inspire amor e amizade em forma de sorrisos e abraços
Expire a tristeza e a desilusão junto às lágrimas
Inspire, expire! Expire, inspire!
Às vezes tudo parece se inverter
Inspiramos dor, desamor, desconfianças e medos
Somos frágeis, somos humanos, erramos, sofremos…
Temos o direito de não sermos sempre fortes!
Mas como humanos não desistimos, insistimos
E acabamos, cedo ou tarde, aprendendo a respirar corretamente.
Em qualquer lugar que estiver…
Inspire, expire!
Alda M S Santos

Pra se fazer entender

PRA SE FAZER ENTENDER

Se a palavra não se faz entender

Use o olhar sincero

Se o olhar não se faz entender

Use um sorriso iluminado

Se o sorriso não se faz entender 

Toque delicadamente nas mãos, nos braços, 

Se o toque não se faz entender

Abrace ternamente, beije suavemente. 

Ou faça tudo isso junto…

O que não vale é manter os mal entendidos

Que nublam, embaçam 

E minam qualquer relação.

Alda M S Santos

Luzes e Sombras

LUZES E SOMBRAS

De nada adianta reclamar da sombra.

Se ela ainda se forma há esperanças!

Sombra só torna-se perceptível onde há luz.

E não convém eliminar a luz que a possibilita.

Ao contrário, mantendo a atenção na luz,

O “objeto” que a intercepta e sua sombra

Tornar-se-ão insignificantes.

Alda M S Santos

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