Busca

vidaintensavida.com

poemas e reflexões da vida cotidiana

Categoria

comportamento

Ressaca

RESSACA

Quando a ressaca não é alcoólica

Aquela que passa com um café bem forte

Alimentação e muita hidratação

Quando a ressaca é de sentimentos e emoções

É de tristeza, frustrações e decepções

Quando o excesso é de descrença no viver

Impaciência, cansaço e desejo de adormecer

Como se cura essa ressaca?

Descansar, esperar, insistir, reabastecer

Só sei que não dá para esmorecer

Hidratação a gente não dispensa não

E a uma dose injetável de fé, acrescente disposição

Adicione boas amizades, amor, união, compaixão

E uma taça de vinho também é boa opção

E a vida terá novo alento, beleza, tesão…

Alda M S Santos

A fome

A FOME

Que sabemos da fome

Aquela que leva alguém

A subtrair algo de outro alguém

Qualquer coisa que sacie o apetite voraz

Que preencha o vazio contumaz

E que já faz qualquer coisa, tanto faz?

Que sabemos dessa fome?

Um almoço, baião de dois, peixe assado

Salada, farofa, prato enfeitado

Ela passa, vende bijuterias, meia idade

Digo: não, obrigada, sorrio, ela sem qualquer vaidade

Vejo que seus olhos estavam na refeição

Volta, pergunta sem qualquer senão

Vocês não comem a cabeça, não?

Podem me dar quando acabar, então?

A ela entregamos boa parte da comida

Senta-se atrás da gente e come, esquece a partida

Ficamos a observar a mulher desnutrida

Que, satisfeita, enchia sua barriga

Olhava pra gente, sorria, agradecida

Não causei essa fome, não tirei nada de ninguém

Não sou governante, mas sou humana

Enquanto houver outro humano com fome

Sou responsável!

Que conhecemos dessa fome?

Alda M S Santos

Certezas

CERTEZAS

Quantas certezas já tivemos

E se desfizeram com o vento

Quantas dúvidas nos consumimos

E ainda assim, seguimos?

Quantas certezas nos sustentaram

E depois nos derrubaram

Quantas dúvidas nos derrubaram

E finalmente nos levantaram?

Quantas certezas nos salvaram

E depois nos enganaram

Quantas dúvidas nos enrijeceram

E, enfim, nos amoleceram?

Certezas e dúvidas…

Na dúvida, melhor não se fiar nas certezas

Nas certezas, um pouco de questionamento é de extrema nobreza…

Alda M S Santos

Muita sede ao pote

MUITA SEDE AO POTE

Quem vai com muita sede ao pote

Com muita ânsia e gula em busca de saciedade

Acaba por derrubá-lo e morrer de sede

Se se demora demais perde-se o pote para outro sedento

Bom mesmo é ir devagar

Gole por gole, um pouquinho de cada vez

Antecipando o prazer da satisfação

Saciando aos poucos o desejo que se apresenta

Vale para todo tipo de sede

De água, de vinho, de amor ou de carinho

Física, profissional, financeira ou emocional

Se não se busca pelo pote d’água morre-se de sede

Se se quebra o pote perde-se o conteúdo

Morrendo de sede à beira do rio…

Tudo é uma questão do tamanho da sede

E da sabedoria na hora de satisfazê-la…

Tá com sede?

Alda M S Santos

A humanidade perdeu

A HUMANIDADE PERDEU

A polícia venceu, o bem prevaleceu

Mas…

Um ônibus sequestrado, muitos reféns

Um homem armado ameaça vidas

Que se passa em cada mente, em cada coração?

Posso calcular!

Já estive em situação similar, arma na cabeça

Trancada no porta-malas, puro terror

Numa situação dessas ninguém vence

Nem quem foi abatido, tampouco quem abateu

A humanidade perdeu…

Quando um ser humano mata outro ser humano

Algo ali se rompe, o fio humano se parte

Toda vida tem seu valor

E se se perde, é triste

Não estou julgando ninguém

Situação difícil e complicada

Mas o que leva um ser humano a isso?

Não somos todos responsáveis?

Sinto-me triste!

Ele era filho de alguém, talvez pai de alguém…

Qual história de dor traz consigo?

Em que estamos transformando nossos jovens?

Temos feito algo para reduzir esse ciclo que forma marginais

Que exclui pessoas?

Que fazemos para reduzir desigualdades?

Uma mea-culpa todos devemos fazer…

Hoje, mais uma vez, a humanidade perdeu…

Alda M S Santos

A primeira vez

A PRIMEIRA VEZ

Nunca se esquece ou se apaga

A emoção da primeira vez

Os primeiros amigos, as brincadeiras

Primeiro dia na escola, primeiro namorado

Um olhar, um beijo, um sorriso

O mergulho no mar, a escalada até uma cachoeira

Casamento, maternidade…

A vida é feita de emoções

Aquele friozinho na barriga, rosto ruborizado

Respiração entrecortada, ansiedade descontrolada

Tudo isso dá prazer de viver

Essa montanha russa alucinada

Mas nada se iguala ou se compara

À tranquilidade de uma vida sossegada

Um tranquilo carrossel que gira

A emoção de um rio que segue seu curso

Com alguns entraves no caminho, algumas quedas

Encantando-se com alguns banhistas que nele mergulham

Mas sem grandes sobressaltos, repleta de amor

A certeza de saber para onde vai, sem medos

Sendo valorizado, querido, amado…

Uma vida boa é feita de entrega e muitas primeiras vezes

Mas é melhor ainda uma vida

Que é feita de uma primeira vez que se eterniza…

Alda M S Santos

Tão pequenos

TÃO PEQUENOS

Tão pequenos somos nós

Diante da grandiosidade do universo

Tão grandes somos nós

Em busca de algo precioso

Tão pequenos somos nós

Quando nos recolhemos em nós mesmos

E ignoramos todo o resto

Tão grandes nos sentimos nós

Frente a tanta batalha inócua

Tão pequenos somos tantas vezes

Ao nos sentir perdidos e sem rumo

Tão grandes somos nós

Lutando, debatendo, ferindo, machucando a todos

Tão pequenos, tão grandes

Depende do referencial

O que vale de verdade, e é preponderante

É o que fazemos de especial

Quando nos sentimos tão grandes

Quando nos sentimos tão pequenos

Tão acompanhados ou tão solitários…

O mundo precisa de gente grande

Não de críticas ou julgamentos

O mundo precisa de gente grande

De sentimentos e de atitudes!

Alda M S Santos

Data limite

DATA LIMITE

Uma data “limite” para a vida continuar ou se findar

Para o amor fluir, acontecer

Vida, tecnologia, ciência, evolução

Mas, principalmente, amor

Uma data limite na batalha contra a morte e destruição

Uma data limite para interação entre os seres da criação

Data limite para sentir-se parte, para ajudar, para a autoaceitação

Um mundo tão injusto e cruel

Mas cheio de oportunidades de crescimento, de compaixão

Nunca se falou tanto de amor

Nunca se “brigou” tanto pelo amor

Pelo amor aos pequenos, às minorias, àqueles que nem podem se defender

Amor a vegetais, animais, amor aos que não são “iguais”

Amor à natureza, ao planeta, à galáxia, a seres especiais

Quem é mesmo que sempre amou o diferente, o pequeno

Quem se entregou pelos fracos e pecadores

Quem lutou por justiça pelos desamparados?

Ele está aqui…tão perto…tão dentro…

Vamos deixar o amor fluir…

A data não é limite, é continuidade

Se você está aqui, você faz parte

Deixe o amor fluir de você, para você

A nova era chegou…

Alda M S Santos

#datalimite

Agasalhe seu coração

AGASALHE SEU CORAÇÃO

Massa de ar polar, temperaturas negativas

Ar congelante, pernas endurecidas, andar trôpego

A ordem é só uma: aquecer-se

Edredons, cobertores, sobretudos

Meias, botas, toucas e luvas são escudos

E uma bebida quente não faz mal não

Mas não deixe que a frieza lá de fora

Congele o seu coração

Aqueça sua alma e entre em ação

O frio que tanto te aflige

Age em dobro naquele irmão

Que está ao relento, ali no chão

Divida com ele seus agasalhos, seu pão

Seja abraço, seja acolhimento, seja compaixão

Se você por qualquer motivo ali não consegue chegar

Posso fazer a intermediação

E se não for pedir muito

Pode para ele também ser abrigo, ser oração?

Agasalhe seu irmão, aqueça seu coração!

Alda M S Santos

Blog no WordPress.com.

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: