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viver a vida

Rascunhos

RASCUNHOS

Não há borrachas, tampouco corretivos

Não dá para apagar ou descartar

Não escrevemos nossa história a lápis

A vida é pintada à tinta

Com as cores que escolhemos

Direto na tela final

Não dá para viver de ensaio

Não dá para ficar rascunhando

A vida é um espetáculo ao vivo

Não se pode parar, retornar

Ou ficar aguardando boa luz

Essa obra-prima é original, única versão

É sempre uma finalização

Não faça rascunhos, não viva de esboços

Talvez não haja tempo para passar a limpo…

Alda M S Santos

Na multidão

NA MULTIDÃO

Na multidão procura-se amenizar a solidão

Mas na multidão aumenta-se ainda mais essa sensação

Se com alguém dali não houver uma conexão

E enquanto não se perde essa ilusão

De que muita gente não é para ela a solução

A solidão continuará a apertar o coração…

Solidão é estado interior

É desarmonia entre tanta gente dentro da gente

Com tanta gente do lado de fora

É alma desgrudada do corpo

Mal que não se resolve no exterior

Um sintoma que é falha na sintonia interna

Ou ausência de um amor:

O próprio!

É preciso reconectar-se!

Alda M S Santos

Imperfeita

IMPERFEITA

Ela é assim, imperfeita

Interessante, atraente, convidativa

Ora boa, outras nem tanto

Mas com fé a gente se ajeita

Ela é assim, imperfeita

Bela, cinzenta ou colorida, engraçada

Faça rir ou faça chorar

Ninguém nunca a rejeita

Ela é assim, imperfeita

Inteira ou faltando pedaços

Repleta de amores e desamores

E de coragem que a gente respeita

Ela é assim, imperfeita

Nem sempre como almejamos

Mas é a vida que a gente não enjeita

E a amamos mesmo assim:

Imperfeita!

Alda M S Santos

Sequelas

SEQUELAS

Viver é uma brincadeira que deixa sequelas

As cicatrizes nos joelhos

Dos tombos nos passeios de de bicicleta

Os vergões, deformações e paralisias

Dos descaminhos por abismos emocionais

Os hematomas e traumatismos

Dos mergulhos em mares escuros e em amores frustrantes

As fraturas na alma

Das quedas do alto das expectativas

Os traumas e medos

Deixados pelos monstros que alimentamos e nos assustam

As lombalgias e hérnias

Do peso desnecessário que insistimos em carregar

As decepções e mágoas

Causadas pelos ídolos que “criamos”

Tudo isso deixa sequelas para a vida toda

Nem sempre agradáveis ou prazerosas

Muitas vezes, sequer toleráveis

Mas o viver sempre vale a pena

Sequelas nos lembram que vencemos

Que sobrevivemos

A cada marca, uma história

Todas as sequelas são lesões que ficaram

Depois que a cura se estabeleceu

Sequelas? Tenho algumas!

E a vida segue certeira como tem que ser

Sempre em frente!

Alda M S Santos

Lançando laços

LANÇANDO LAÇOS

A vida eu sigo lançando laços

Desfazendo nós, conquistando abraços

Numa brincadeira séria procuro me divertir

Ora sou mágica, ora bailarina, ora palhaça

Nesse circo faço meu espetáculo

Percorro caminhos, venço distâncias, detono o cansaço

Não provoco grandes barulhos ou estardalhaço

Me protejo, no picadeiro tento não me partir em mil pedaços

Mesmo que, muitas vezes, seja ferida pelos estilhaços

Sigo nessa travessia em busca de luz e paz

Procuro demarcar meu próprio espaço

Tentando não depender de aplausos

Cuidadosa para não afastar os gostosos amassos

Nesse eterno vai e vem, levanta e cai

Me desembaraço, me enlaço, me desfaço e me refaço

Alinho a fé, a coragem e nossos passos

Para chegar ao final dessa travessia num único compasso

Sigo a vida lançando laços…

Alda M S Santos

Espaços em branco

ESPAÇOS EM BRANCO

Ninguém precisa ter todos os espaços preenchidos

Ninguém precisa preencher “falhas”dos outros

Ou ter todos os seus “quadros” pintados

Precisamos de telas em branco

Para fazermos dia a dia nossa obra de arte

Todos nós necessitamos desse espaço livre dentro de nós

Para que haja oxigenação, livre transitar

Para que a imaginação cresça, o amor floresça

Para que a luz penetre, aqueça

Para que não soframos de excessos

Para que encontremos aquilo que procuramos

Para podermos acolher o que nos fizer crescer

Para que as emoções possam livremente se expressar

Para que não se crie bolor por falta de uso

Tampouco grandes feridas por fricção e uso inadequado

Para que quando voltarmos para casa

Tenhamos usufruído de todas as nossas possibilidades…

Alda M S Santos

Uma festa

UMA FESTA

A vida é uma festa, independente da magnitude dela

Se uma pequena reunião ou um grande baile

Só precisamos nos situar

E saber em qual parte dela estamos

Na fase da preparação

Planejamento, expectativa, ansiedade, preocupação

No auge, a hora em que ela rola, pura emoção

É só curtição, alegria, brilho, animação

Mas se for fim de festa, quando todos vão embora

É cansaço, limpeza, organização

Aí vem a fase do “vazio”

Aquele que existe entre o fim de uma festa

E a preparação de outra

Fase do repouso e descanso, fase de germinação

E uma festa não acontece sem passar por cada etapa

Aproveitar o que cada uma oferece é essencial

Saber que o fim de uma festa

Não é o fim da vida ou da alegria

É início de outra fase de preparação

Novas festas sempre virão

Até o fechar definitivo do salão…

Alda M S Santos

Viver de quê?

VIVER DE QUÊ?

Busca por razões de viver

Algo que motive, instigue

Que faça tudo isso valer a pena

E nessa desenfreada busca

Atropela-se tudo, passa-se por cima dos outros

Das razões de viver do outro, inclusive de si mesmo

Sua própria vida vazia é soberana

Vale mais do que todas as outras

Automutilação, autoextermínio

Viver de quê, para quê, para quem?

Enquanto não se perceber que uma vida não se constrói

Destruindo outras vidas

Sendo governo, povo, instituição, indivíduo ou o escambau

Qualquer busca será em vão

Será inócuo qualquer estender de mão

Precisamos viver das boas ações, do amor

Da esperança que um mundo melhor começa em nós

Mas que nunca exclui o mundo do outro

Buscamos por razões de viver

Que façam com que a dor e a alegria

Tenham razão de ser, não sejam em vão…

Precisamos viver da fé

“Só não se sabe fé em quê”

Alda M S Santos

Porque escolhi viver

PORQUE ESCOLHI VIVER

Vou sempre buscar um sorriso

Mas não negarei as lágrimas

Não fugirei das batalhas que surgirem

Terei coragem, mas não me deixarei abater pelos medos

Serei aquecida, feliz, pelo calor energizante do sol

Mas aproveitarei também quando o que vier do céu for chuva

Plantarei um jardim de preciosidades para morar

Mas deixarei espaço para borboletas e beija-flores virem me visitar

Correrei na areia à beira-mar na claridade intensa do dia

E na escuridão me deitarei e repousarei sob a luz das estrelas

Serei primavera perfumada e colorida

Sabendo aproveitar o repouso necessário dos invernos

Caminharei tendo bons amigos a me animar

Mas não estacionarei quando o que deixarem for a solidão ou o vazio

Serei iluminada pelo amor precioso que for merecedora

Mas não abro mão do amor em qualquer situação…

Isso porque escolhi viver

E a vida se impõe sempre, é presente

E o que a gente faz dele é escolha nossa

Eu escolhi viver!

Alda M S Santos

Respeitável público

RESPEITÁVEL PÚBLICO

Respeitável público

Bailarinas ficam tontas, desequilibram, caem

Sem nunca perderem o encanto

Palhaços choram, fazem sorrir, gargalham e se entristecem

Sem nunca perderem a graça

Mágicos engolem e cospem fogo, duplicam objetos, fazem aparecer e desaparecer coisas, menos o sofrimento

Sem nunca perderem a magia

O circo da vida é assim

Bailarinas, palhaços e mágicos

Com encanto, graça e magia

Tudo fazem para animar o respeitável público

Do qual também fazem parte

Mesmo que nem sempre esse público seja tão respeitável assim…

Alda M S Santos

Não foi

NÃO FOI

Não pode dizer que foi barco

Aquele que só ficou atracado no porto

Não pode dizer que foi pássaro

Aquele que viu a vida por trás das grades da gaiola

Não pode dizer que foi borboleta

Aquela que não saiu do casulo

Não pode dizer que foi gente

Aquele que ficou no porto, não voou, não saiu do casulo…

Não foi humano aquele que não soube ser terno

Aquele que mais destruiu que construiu

Que mais invejou que conquistou

Que não soube ser fraterno

Não soube ser amor…

Alda M S Santos

A majestade

A MAJESTADE

Toda majestosa ali, a primeira que noto

O cartão de visitas, a recepcionista

Parece convidar à sua sombra

Chamar-nos para nos sentarmos em suas raizes

Subir em seu tronco, alcançar seus galhos

Admirá-la, ou, simplesmente, abraçá-la

E sermos gratos a tanta beleza e encanto

Ali, fazendo parte dessa história

Participando de tudo, silenciosa e receptiva

Pode entrar, aqui sempre cabe mais um…

Amo flamboyant, amo árvores!

Alda M S Santos

Camping

CAMPING

Tudo escuro aqui dentro

Silêncio!

Lá fora há a luz do luar

Sons da noite, noite no campo

Noite de camping

Todos aboletados em suas barracas

Silêncio!

Uma risada abafada, um ronco leve

Bichos da noite e seus barulhos

Silêncio!

Depois de tanto riso e alegria

Conversas, músicas, violão, diversão

Uma brasa resta ainda no fogão improvisado

As estrelas brilham intensamente no firmamento

Silêncio!

E o rio, ah o rio, o encanto maior de todo acampamento

É vida de todas as maneiras

Na alimentação, na higiene, na diversão…

Silêncio!

Noite no camping, noite rústica, simplicidade…

Aqui valorizamos mais ainda tudo que temos de bom

O que é mesmo necessário e o que é supérfluo…

Silêncio, escuro, noite de camping

Logo o sol irá nascer…

Mais barulho, mais vida, mais amigos, mais rio

Dia de camping…

Alda M S Santos

Uma bela manhã para viver

UMA BELA MANHÃ PARA VIVER

Uma bela manhã para viver

Céu, sol, brisa, flores e cores

Ou uma bela manhã para morrer

Também de belezas, encantos e perfume

O que diferencia uma da outra

Será que ela sabe flutuando por ali

Vive tão intensamente, tão pouco

Nesse mundo tão assustador

Lagarta, casulo, escuro

Tem medo?

Borboleta, luz, cores, brilho

Tem medo?

Tudo tem seu devido tempo…

Será?

Uma bela manhã para viver

Ou uma bela manhã para morrer

Quem determina?

Voa suave e para nas mãos dela confiante

Quer responder à questão silenciosa

Leve, linda, desliza delicada por seus dedos

E voa serena em torno dela no jardim

Mas deixa sua resposta

Quer seja uma bela manhã para viver

Ou uma bela manhã para morrer

É a paz que reina em cada alma

Que será capaz de fazer…

Alda M S Santos

Que sejamos praia

QUE SEJAMOS PRAIA

Um grão de areia sozinho fica perdido

Levado pelo vento forte ou arrastado pelas águas

Sequer é visto ou notado

A não ser que esteja entre nossos dedos no sapato, incomodando

Ou que o vento o leve para nossos olhos, irritando

Um grão de areia sozinho desconhece seu poder

Sua capacidade de construção, beleza e importância

Um grão de areia para cumprir sua missão, valorizar-se

Precisa se juntar a outros grãos de areia

Um grão de areia não deixa de ser um grão de areia por estar sozinho

Mas só pode ser casa, lar ou praia

Quando se juntar a outros tantos grãos de areia

Aí entenderá seu propósito por aqui

Humanos sozinhos são grãos de areia

Humanos juntos são praia

E muitas praias formam a linda, complexa e controversa humanidade

Capaz de ser, ao mesmo tempo, construtiva ou autodestrutiva

Que possamos ser praia linda, encantadora e acolhedora…

Alda M S Santos

Que haja vida em nós

QUE HAJA VIDA EM NÓS

Tantas vidas valiosas se perdendo todos os dias

Levadas de modos tão estúpidos e cruéis

Nos tiram o chão, o ar, nos deixam à mercê do acaso

Fazem-nos crer que não valemos grande coisa

Que não temos controle de nada

Somos um grão de areia nessa imensa galáxia

Que podemos simplesmente sair para trabalhar e não voltar

Sem sequer poder nos despedir, nos desculpar

Dar um último abraço ou beijo

Ou fazer uma bela declaração de amor

Com palavras, com uma delicadeza, um olhar ou um aceno

Mas será que há mesmo acaso?

Qual nossa responsabilidade sobre nossas vidas

E sobre as vidas dos que nos são caros

Ou que são caros para os outros?

Quero crer que um propósito há nisso tudo

Que ainda podemos seguir, abraçar, amar, viver

Porque no dia em que não acreditarmos mais nisso

A vida já terá se acabado em nós

Com ou sem tragédias

E isso é pior que morrer…

Que a fé e o amor prevaleçam

Que os aprendizados aconteçam

Que as mágoas arrefeçam

E que sempre haja vida em nós para recomeçar

Quantas vezes forem necessárias…

Alda M S Santos

Foto Serra da Moeda – MG

Perdendo vida

PERDENDO VIDA

Perder documentos, óculos, carteira, chaves

Num bolso, na bolsa, no transporte público ou na rua

Talvez se recupere, talvez não

E a vida continua…

Mas perder ideias, sonhos, ideais, pessoas, sentimentos

Escondidos num coração ou numa alma

Que não se mostra para o mundo

Que teme a dor, a rejeição, o sofrimento

É muito mais danoso, é perder o rumo, é perder vida

E talvez de modo irreversível

Todo cuidado é pouco com o que deixamos se perder de nós por aí …

Alda M S Santos

Loucuras

LOUCURAS

A loucura é o tempero da vida

A pimenta que dá o toque especial ao prato principal

O sabor agridoce que nos inebria

Loucura é a válvula de escape em meio a tanta “realidade”

O sorriso e a lágrima entre o saudável e o doente

A gargalhada ou o grito que diferem felizes e infelizes

Entre cada ato tido como maluco

Ou em cada inércia tida como sã

Moram a alegria e o prazer de viver

A loucura é o traço sutil a distinguir o certo do errado

Mas é também a linha tênue entre a insanidade e a felicidade…

Loucura responsável é saudável!

Alda M S Santos

Faça amor com a vida

FAÇA AMOR COM A VIDA

Chegue lentamente, tire as sandálias

Caminhe devagar, sinta a maciez da areia fina

Deixe seus pés se afundarem

Abra os braços, tire os óculos, feche os olhos

Inspire, expire!

Inspire energia, expire o cansaço

Inspire o calor, expire toda dor

Dê um giro sobre si mesmo, olhe para o alto

Dê um grito de paz, mesmo em seu silêncio, se preferir

Corra para o mar, mergulhe, lave toda negatividade

Seja esponja do bem, seja grato, tenha bons pensamentos

Sinta a brisa, a pele se arrepiar, o prazer em estar vivo

Sorria, abrace, beije, faça amor com a vida…

Viva e deixe viver!

Alda M S Santos

Meu barquinho

MEU BARQUINHO

Bom mesmo é navegar

Com a força dos braços nos remos

Com as velas empurradas pelos ventos

Ou motores fortes a rasgar as águas

O que vale é navegar…

Desbravar nossos mares escuros

Irrigar nossa esperança de novas descobertas

Cuidando para evitar naufrágios

E, se acontecer, saber sobreviver, resistir e seguir

O que vale é navegar

Mas encontrar um porto seguro para descansar

Repor as energias e agradecer

É tão importante quanto…

Sigo navegando e atracando

Com meu pequeno barquinho

Ora sendo apoio, ora buscando apoio…

O que vale é seguir o curso…

Alda M S Santos

Belezas

BELEZAS

A beleza de dentro

Admira a beleza de fora

Uma abastece a outra

É uma magia que vibra

Encanta e irradia…

A beleza de fora

Invade e preenche

Os vazios da beleza de dentro

Uma complementa a outra

É um espetáculo ímpar

Que gera vida, amor que contagia

Que ousa curar os males de fora

Que se atreve a sanar os males de dentro…

Alda M S Santos

Energias

ENERGIAS

Energia que vem da luz solar, de seu calor

Ecologicamente correta, vivência autossustentável

Energia que vem do petróleo, da água, dos recursos naturais escassos

Uma vida em risco, tempo contado, extinção

Preocupações válidas…

Energia que vem de dentro, das emoções

De uma mente saudável, sem culpas, sem medos

De um corpo forte, vigoroso, ativo

Particularmente de um coração pulsante, amoroso

E de uma alma em paz consigo mesma…

São todas energias… interdependentes

Qual delas se faltar nos leva mais rapidamente à extinção?

Precisamos da energia do sol, da água, dos ventos

Precisamos da energia do amor…

Alda M S Santos

Vestidos de amor

VESTIDOS DE AMOR
Não importa se usaremos branco
Amarelo, vermelho ou rosa
Se pularemos sete ondas, se comeremos lentilhas
Ou o que guardaremos na carteira
Nada disso nos trará amor, paixão, sorte, dinheiro ou paz…
Devemos nos vestir de amor, bondade, esperança
E ir à luta, se quisermos um ano novo melhor!
Vista o que quiser, coma o que lhe aprouver ou tiver
Dê as mãos a quem sempre te acompanha
Estenda-as a quem precisa de apoio
E, se possível, não guarde muita coisa na carteira
Opte por encher o coração, a alma de levezas
Partilhe, faça feliz, seja feliz…
Feliz 2019!
Alda M S Santos

Oferendas

OFERENDAS

Quero lançar ao mar tudo o que de negativo vivi

Não que eu entenda suas águas como depósito de lixo

Mas poderosas para dissolver lágrimas e amenizar dores e decepções

Levá-las para longe e trazer de volta apenas esperança e força

Quero lançar ao mar tudo que de bom eu vivi

Não é que eu seja mal agradecida ou queira me desfazer das bênçãos recebidas

Oferto com um forte desejo de partilhar com os outros o que recebi, conquistei

Amor, compaixão, carinho, perdão e amizade

Nesse vai e vem das ondas do mar

Cada um de nós deseja apenas um certo equilíbrio

Uma alma em paz para nós e para os outros

Que em cada pé que suas águas salgadas tocarem

Haja mais esperança, fé, respeito

Mais igualdade, menos preconceito, mais amor

E que um sorriso iluminado de paz possa reinar

Essas são minhas oferendas ao mar, à vida

Oferendas que vão e voltam

Com as ondas do mar…

Alda M S Santos

Roda da vida

RODA DA VIDA

Intensa e contínua circularidade da vida

Tempos, fases, ciclos

Onde se encontram diversas gerações, todas as idades

Um verdadeiro entra e sai nessa roda

Um trajeto completado

Fim da linha? Reinício?

Linha de largada, linha de chegada

O que as difere?

A disposição, esperanças, expectativas

Frustrações, sensação de dever cumprido?

Entra mês, sai mês, dezembro, janeiro

Fim, início ou continuidade?

Tempo contado, marcado, demarcado

Para quê?

Será que assim temos a sensação de um mínimo de controle

Sobre aquilo que não sabemos quando irá se acabar?

Sei que em qualquer etapa é possível dar uma parada

Reavaliar a trajetória, redirecionar

Só não podemos estacionar

Sempre seremos levados na roda da vida…

Quanto tempo temos?

Alda M S Santos

Quero um romance

QUERO UM ROMANCE

Quero um romance, mas que seja especial

Não qualquer romancezinho água com açúcar

Quero um romance com minha existência

Daquele tipo que me tire de órbita

Mas me traga de volta, não me deixe num universo paralelo qualquer

Quero um romance com minha existência

Daqueles que não me aprisionem

Ao contrário, que abram minhas próprias algemas

Que me instiguem a não me acovardar atrás de trincheiras

Que me encorajem a enfrentar a vida em campo aberto

Quero um romance com minha existência

Daqueles que aceitem meus gritos e medos

Interpretem meus silêncios, aceitem minhas limitações

Me incentivem a usar minhas próprias asas

A voar para novos ares com segurança

Quero um romance com minha existência

Daqueles que me façam ser melhor sempre

Que me apontem pontos positivos e falhas

Sem contudo minar minha autoestima

Quero um romance com minha existência

Daqueles que me levem a mergulhar em rios gelados

Que me convidem ao cinema, a um parque, à Lua

Mas que, sobretudo, produzam comigo o enredo do meu próprio filme…

Quero um romance com minha existência

Quero um romance comigo mesma…

Alda M S Santos

Parque de diversões

PARQUE DE DIVERSÕES

Há brinquedos para todos nesse grande parque de diversões

Afoitos, aventureiros, intensos, pura adrenalina

Cautelosos, ponderados, tranquilos, medrosos

Crianças, jovens, adultos e idosos

Há inclusive espaço para quem não quer brincar

Para quem se diverte vendo a roda gigante subir e girar

Ouvindo os gritos de quem se aventura na montanha-russa

Observando o leve e sem graça vai e vem do carrossel

Atento às gargalhadas do palácio do riso

Ou aos semblantes assustados de quem sai da casa de terror

Há lugar para quem se assenta no banco no jardim

E observa os casais enamorados com rosas e bichos de pelúcia

As crianças agitadas com algodão-doce colorido e bolas enormes de sorvetes

Há lugar para todos: individuais ou coletivos

Há também quem queira tomar a vez do outro

Burlar a ordem, a lei, bagunçar a diversão

Ainda que não haja desejo de brincar

Esse parque de diversões chamado vida não para

Com ou sem a gente

Ele continua sempre….

Alda M S Santos

Queria viver…

QUERIA VIVER…

Queria um dia chegar aos 103 anos como a Dona Geralda

Mas só se for para ter a lucidez e clareza de ideias dela

Ainda que o corpo não obedeça mais tão bem aos comandos

Queria ter grandes alegrias nos pequenos momentos como a Dona Clarice e seus bichos

Passar o tempo realizando sonhos como a Dona Cristina se alfabetizando

Ou sempre buscando inovação como a minha xará Alda com seu tablet…

Queria viver talvez 95 anos como Dona Altina

Com o prazer de cantar, ter fé e ser grata à vida, ainda que seus olhos não mais enxerguem

Queria manter o dom de fazer poemas e declamar como Dona Yara

Não ter vergonha de chorar como a Dona Eugênia quando tudo doer

Ou de ser receptiva a carinhos e afagos como Dona Tereza, sempre vaidosa

Ter aquele sorriso puro e ingênuo de quem sabe todas as coisas como Dona Elvira,

Mas que prefere se concentrar nas boas…

Mas, queria mesmo, viver muito

Só se fosse para manter-me leve, sem grandes culpas

Aprendendo um pouquinho com cada uma delas

Com o dom de ser poesia na vida de todos

E a capacidade de perdoar, de dar e receber amor

Pois só assim viver vale a pena

Independente da quantidade em anos…

Alda M S Santos

#carinhologos

Abra as janelas

ABRA AS JANELAS

As portas estão passadas a chave

Janelas cerradas, persianas baixadas

Espaços interiores fechados, escuros, protegidos

Não deixam a vida entrar, acontecer

Abra as persianas devagar…

Deixe a luz de fora entrar aos poucos

Para não cegar com a claridade do exterior

Olhe lá fora através da vidraça

As cores, o brilho, a intensidade

Encante-se!

Abra as vidraças aos poucos…

Deixe a brisa balançar seus cabelos

O sol aquecer sua pele, arrepiar-se

Respire fundo o ar puro de rosas

Se vier uma tosse não faz mal

Desintoxique-se!

Abra bem as janelas da sua alma

Deixe sair o ar viciado que já não se renova

Deixe a vida renascer!

Depois das janelas abertas

Logo as portas também se destrancarão e se abrirão

Apenas vigie o que entra e o que sai

Portas são para isso mesmo…

Abra as janelas e as portas do seu coração

Areje a alma, a mente

Proteja o que é valioso de intrusos, expulse-os

Convide a luz do céu existente em cada ser para entrar

Sentar e fazer de seu interior sua mais nova morada

Abra as janelas, sente-se, escreva sua história…

Alda M S Santos

De frente para a vida

DE FRENTE PARA A VIDA

De frente, braços abertos, receptivos

A vida nos manda de volta aquilo que a ela enviamos

Sorriso que envia fagulhas de esperança e alegrias

Atitudes que emitem amor em cada gesto

Palavras que são néctar a ouvidos sensíveis

E são ímãs de carinho e confiança a atrair levezas

De frente para a a vida, se emitirmos luz

Receberemos reflexos de calor e energia

Mas, se emitirmos negatividade

Receberemos decepções e mágoas…

Isso é lei do retorno, efeito bumerangue

Ele vai, ele volta…

De frente para vida…quero estar sempre…

Abram os braços!

Alda M S Santos

Passado, presente, futuro…

PASSADO, PRESENTE, FUTURO…

Se quero saber algo do futuro, olho um pouco para trás

Se quero, saudosamente, lembrar o passado, olho para frente

Assim mesmo! Paradoxal!

Ver-se nos filhos, nos pais

Saudades, expectativas…

Meus filhos me mostram meu ontem, minha infância e juventude

Meus pais me possibilitam visualizar meu futuro

Uma idade que não sei se virá

Se quero que chegue, se terei coragem de vivê-la

Tento me concentrar no hoje, agir nele

Aproveitando o que o ontem me forneceu

E a expectativa e incerteza do que o amanhã me possibilita

Eu também fui o ontem e sou o amanhã de alguém

Quero apenas um hoje bom, para que a lembrança seja boa

Para mim, para os que comigo conviverem…

Alda M S Santos

A festa continua: baila comigo?

A FESTA CONTINUA: BAILA COMIGO?

Não importa se estamos na pista

Independe se temos par ou se dançamos sozinhos

Tanto faz se estamos sentados num canto do salão

Esperando por alguém para nos estender a mão convidando para dançar

Ou se convidamos alguém com o olhar

Se cantamos a música, bailamos conforme o ritmo

Ou se soltamos o corpo à vontade para se movimentar

Não interessa a ninguém se é nosso embalo preferido

Ou se preferíamos escolher outra melodia

Importa mesmo é participar da festa

Mesmo porque ela segue

A gente estando ali ou levantando para ir embora

Baila comigo?

Alda M S Santos

Carregando…

CARREGANDO…

Minutos que vão passando, a imagem carregando…

Uma barrinha em trinta, quarenta, sessenta por cento concluída

Exigindo calma, tolerância, tranquilidade

E a paciência enchendo mais rápido que a barra

Quando estiver com carregamento total é fim ou início?

Na perspectiva da vida carregamento total seria o fim?

Tudo que teria para viver já se foi em vinte, setenta, cem por cento?

Carregou, usou, gastou…

Ou carregamos tudo primeiro para começar a viver?

Estamos carregando para viver, ou vivendo até carregar?

Melhor seria saber qual a porcentagem concluída, ou simplesmente viver?

Existe algo que acelera, desacelera ou paralisa o processo?

Tristezas e decepções, lágrimas e dores a pré-enchem mais rápido?

Alegrias, prazeres, intensidade, amores desaceleram?

Como saber?

Se faltar energia vital, de todo modo, tudo termina antes de acabar, antes do final…

Carregando…

Alda M S Santos

Eu troco

EU TROCO

Troco uma noitada de músicas, danças e bebidas

Por um dia de caminhadas na praia tomando água de coco

Troco a tranquilidade de uma vida estendida na rede da varanda

Pela oportunidade de estender a mão, despertar sorrisos, ajudar

Troco os gritos calados de tristeza e desesperança

Pela chance de ouvir os silenciosos pedidos do olhar

Troco aquele rolê no shopping numa tarde de sábado

Por uma conversa amiga, tranquila, acolhedora debaixo da jabuticabeira

Troco aquela viagem por locais paradisíacos

Pelo prazer de viajar dentro daqueles que amo e que de mim precisam

Troco milhões de amigos e/ou expectadores

Por uma amizade sincera, que ore por mim, que seja confiável, que não me traia ou abandone

Troco a aquisição de qualquer bem material ou condição financeira

Pelo prazer de sentir um abraço sincero a dizer “você é bênção em nossas vidas”

Troco uma vida longa e cheia de “ganhos”

Por uma vida mais curta, na medida certa, de coração cheio

Troco qualquer coisa pelo prazer de ser eu mesma

Pela satisfação de viver para quem amo…

Eu troco!

Alda M S Santos

Dores e delícias do viver

DORES E DELÍCIAS DO VIVER

É dor ou delícia?

Dispor de um céu infinito para voar

E encontrar alimento num cativeiro alheio?

É dor ou delícia?

Ter asas leves e fortes capazes de alçar voo nos sonhos do coração

E precisar manter os pés firmes e pesados no chão?

É dor ou delícia?

Avistar um deslumbrante e convidativo horizonte além-mar a desbravar

E desejar um porto distante e inalcançável a um barquinho de papel?

É dor ou delícia?

Flutuar nas águas límpidas e leves do amor incondicional

E, afoito, se afogar nas águas turvas e densas da ilusão?

Viver é se molhar e se secar, tornar a se molhar e tornar a se secar

No brilho líquido e vibrante dos sorrisos e das lágrimas

Que nos tomam todo o tempo de delícias e dores….

É dor ou delícia?

Cada qual que responda por si…

Alda M S Santos

Do what you love

“DO WHAT YOU LOVE”

Faça o que você ama, diz a canção

Ainda que seja difícil, tente

Mesmo que o momento exija reflexão, introspecção, negação

Encare!

Faça o que você ama!

Chore, grite, silencie, permita-se sentir

Respeite seus tempos!

Faça o que você ama!

Busque a natureza, água, mato, bichos

Busque a sua natureza interior

Faça o que você ama!

Tome sol, tome chuva, tome coragem

Perca os medos, perca a vergonha, perca a preguiça

Só não perca o respeito por si, pelo outro

Faça o que você ama!

Mate as saudades, deixe lembranças jorrarem

Afogue as dores, faça boca a boca com a paixão

Faça o que você ama!

Abra bem os olhos para o que se mostra

Abra os braços para os abraços

Mergulhe na vida de cabeça!

Mas faça o que você ama!

Alda M S Santos

Medo? Que nada!

MEDO? QUE NADA!

Um pouco ansioso como em toda primeira vez

Afinal, isso é um “trem que voa” invenção de um mineiro

Boa expectativa, um voo curto de uma hora

Medos e receios do meu pai são vencidos

No alto, da janela passa a observar a pequenez do que fica pra trás

Admirado com as várias camadas de nuvens

Com o nublado lá de baixo

E o sol claro e céu limpo cá de cima

Quanto maior a altitude mais claro tudo se torna

Umas pequenas áreas de instabilidade

Sorriso de menino, “parece até que estamos no chão”

Nem o incômodo nos ouvidos ele sente

E papai abre aquele sorrisão satisfeito

Pousamos no aeroporto cujo nome homenageia o criador dessa grande invenção:

Santos Dumont

Voar é maravilhoso!

Alda M S Santos

Sinto-me parte

SINTO-ME PARTE

Sou parte desse universo tão infinito

Em meio à natureza pura e simples

Quando me sinto um tudo

Ou quando me assemelho a um nada

Sinto-me parte desse universo

Que parece muitas vezes tão aleatório

Noutras tao cuidadosamente planejado

Cada pedra, cada galho, cada mato seco

Cada inseto irritante que pica

Cada árvore centenária que balança ao sabor do vento

O riacho que se desfaz em cachoeiras nas rochas

Sinto-me parte…

Mesmo no silêncio ora tranquilizador, ora constrangedor

Que contrasta com meu barulho interior

Tudo parece tão bem encaixado ali

Todos representam tão bem seu papel

Ainda que meus barulhos sem nexo

Pareçam intrusos num roteiro de sons

Que demonstram total harmonia

Sinto- me parte…

Não sei se sou a parte aleatória ou a cuidadosamente planejada

Sei apenas que sinto-me parte…

Alda M S Santos

E quem poderá dizer?

E QUEM PODERÁ DIZER?

Quem poderá dizer do quanto de cada um de nós é autêntico ou fuga?

Os introvertidos, calados, que preferem a solidão

Ou a própria companhia, quase não se misturam

Não gostam de aglomerações nem de improvisos…

Os rebeldes que reclamam, brigam, sozinhos ou não, riem, choram, gritam, esbravejam

Nunca parecem quietos, estão sempre envolvidos, insistem, “comem” a vida…

E aqueles que participam de inúmeras atividades, gostam de tudo, dispostos e cheios de energia

Literalmente, abraçam o mundo, sempre sorrindo…

Quem é verdadeiramente feliz ou infeliz?

O quanto disso é autêntico ou quem está usando subterfúgios para se esconder de si e dos outros?

O quanto no modo de ser de cada um é prazer, alegria, insatisfação ou fuga?

Quem está verdadeiramente em paz consigo mesmo, com a própria consciência, com a vida?

Quem poderá dizer do quanto disso tudo não é sobrevivência?

Quem poderá saber ou julgar?

Quem não gostaria de ser diferente ou estar de outro modo, noutro lugar?

Afinal, cada qual luta com o que tem, com a arma que melhor conhece…

Ou levanta a bandeira branca!

Quem poderá dizer algo ou contradizer?

Alda M S Santos

Onde mora seu prazer?

ONDE MORA SEU PRAZER?

Quanto mais largo o leque de opções simples

Quanto maior o número de delicadezas a nos despertar sorrisos

Quanto mais amor tivermos em nosso entorno

Entrando ou saindo de nós

Menos dependeremos de grandes expectativas

Ou da realização de grandes sonhos

Para nos mantermos bem, fazermos o bem

Quanto menos ovos colocarmos numa cesta só

Menor o risco de perder tudo

Menos iremos nos decepcionar

Menor probabilidade de deixar escapar entre os dedos

Todo o prazer de viver

E, assim, sermos mais felizes…

Alda M S Santos

Viver e deixar viver…

VIVER E DEIXAR VIVER…

Ser sorridente não é estar sempre disposta ou feliz

Ser amorosa não é ser tola

Ser intensa não é ser incansável

Ser amiga não é aceitar tudo

Ser responsável não é assumir falhas alheias

Ser inteligente não é ser infalível

Ser família não é ser excludente, esquecer dos outros

Ser confiante não é ser assim tão facilmente enganada, como pensam

Ter esperança, ter fé não é ser bitolada, desprovida de raciocínio

Ser amor, ter um amor, não é se anular

Ao contrário, é ver no amor do outro

Motivo para ainda mais se amar…

E se doar…

Ser mulher, humana, é encontrar a si mesma

Em todas as suas fragilidades e forças, erros e acertos

É transformar lágrimas em aprendizado

É se regalar nas alegrias, mas não negar a dor, a saudade

É sofrer se preciso for, pelo tempo necessário para se recompor

Mas nem por isso estacionar…

É usar as decepções como liga para nova construção

É ser carinho sempre, é usar a arma mais poderosa do universo:

O amor!

Aquela que só nós podemos carregar, destravar, apontar, atirar

Viver e deixar viver…

Alda M S Santos

Autossustentáveis

AUTOSSUSTENTÁVEIS

Buscamos por um ambiente autossustentável

Uma água que siga seu ciclo e se renove

Árvores que nasçam, cresçam, se reproduzam e morram

Não sem antes nos fornecer seus frutos, sombra e madeira

Sem nos deixar na mão

Animais que nos sirvam de algum modo, que sejam “úteis”

Vegetais, animais e minerais à nossa mercê

Água, terra, fogo, ar, puros e infinitos para nosso prazer

Outros humanos a nos agradar e “servir”

E qual nossa parte nisso tudo?

Apenas usufruir sem contribuir?

Arriscando secar qualquer fonte de água, alimento ou amor?

Precisamos de humanos autossustentáveis

Brancos, amarelos, negros, vermelhos ou azuis

Ou, no mínimo, que não destruam irremediavelmente

Tudo aquilo de que precisam para se manter…

Como espécie e como indivíduos

A começar por si mesmos…

Alda M S Santos

Ele nasceu e eu vi

ELE NASCEU E EU VI…

O Rei Sol nasceu às 06:28, 26/07/18 e eu vi

Não como o percebo, sem notar, nos outros 364 dias do ano

Mas no alto do Pico do Papagaio, a 982 m de altitude na Ilha Grande, Angra dos Reis

Despertei à 1:30 da manhã para uma trilha de 7000m de subida íngreme na mata

Para essa caminhada que teve início às 2:17h foram 10 trilheiros valentes

7 nacionalidades: Brasil, França, Alemanha, Bélgica, Canadá, Chile, Argentina

3:30h mais tarde, muitas árvores, troncos, rios, pedras,

Vagalumes, lua, esquilos, suor, pequenas paradas de 2minutos

Respiração ofegante, parcerias, goles d’água, apoio de um cajado

Chegamos às 5:45h no cume do pico, vento forte, frio de gelar

Mas a vista maravilhosa na madrugada escura

Calava qualquer cansaço, qualquer dor, qualquer desconforto

Corações acelerados, todos sentados numa pedra escorregadia e perigosa

Aguardavam ansiosos ao nascer do sol mais lindo de nossas vidas

Às 6:28h ele começou a despontar e logo reinava grandioso

Lindo, sabedor de sua grandeza e poder

Várias línguas o saudaram…

Rei da vida, rei do céu, criado pelo Rei dos reis

E nós, desafiando nossos limites e a natureza

O homenageamos com nosso deslumbramento…

Às 7:20h, aos 51,8 anos de idade, num grupo cuja média era 30 anos

Superei meus limites, agradeço a Deus

E iniciamos a descida forte já sob ele, enxergando tudo, terminando às 9:45h.

A nós todos nota 10!

Quem disse que números são frios?

Eles podem ser emocionantes!

E viva o Sol e seus súditos!

Alda M S Santos

 

O que não te mata…

O QUE NÃO TE MATA…

“O que não te mata te fortalece”

Afirma o dito que ninguém esquece

Ou será que apenas te entorpece

E o medo sempre prevalece

Escondido para não parecer que enlouquece?

Na luta de fracos e fortes que se estabelece

Quem vence: aquele que não esmorece

Ou ao menos a todos parece

Que sua alma não se enfraquece

E, apesar de tudo, o coração não endurece?

Será mesmo que carece

Sustentar algo que por muito pouco se esvanece

No claustro frio e escuro que te enrijece

Quando na verdade tudo que te apetece

Seria uma vida simples e iluminada que sempre amanhece?

De que vale se para os outros a força é algo que enriquece

Se para você a cada vez que anoitece

Mais e mais essa força sua alegria apodrece?

Não percebem que o que na verdade te rejuvenesce

E tudo que precisa, e seu sorriso resplandece

É apenas de um abraço forte e verdadeiro que te aquece?

Alda M S Santos

Apenas um dia normal, mas…

APENAS UM DIA NORMAL, MAS…

O relógio despertou, o sol nasceu brilhante e forte do mesmo jeito

Um banho, a padaria, o café da manhã, trocar-se e se preparar para o trabalho

Um “bom dia” displicente, a correria de sempre

Era apenas um dia normal…

Nenhum aviso de que algo poderia ser diferente, nada

Um tchau apressado, um beijinho rápido

Nem um “eu te amo”, ou “se cuida”

Nem um olhar mais demorado para aqueles que queria bem

Tampouco um abraço apertado e quentinho

Apenas um “não se esqueça de passar no banco”

Afinal, era apenas um dia normal…

Nem uma mensagem ou cuidado especial ao longo do dia, não teve tempo

Apenas queria concluir tudo rapidamente e voltar para casa

O dia chegou ao fim, mas ele não chegou em casa, não na casa terrena

Não pôde mais rever os que amava,

Nada mais de abraços, beijos, cuidados, ou gastar os “eu te amo” economizados

Afinal, não era um dia tão normal assim…

Foi o último dia de vida desse amigo

E de tantas outras pessoas nesse mundo

Soubesse antes teria feito alguma diferença?

Coisas boas, coisas ruins, tragédias ou bênçãos

Todas acontecem em dias aparentemente normais

Como está nosso dia hoje?

Alda M S Santos

Brincar de ser feliz

BRINCAR DE SER FELIZ

Brincar…de ser feliz

Dançar, pular, correr

Chupar picolé até se lambuzar

Sorrir até a barriga doer

Despertar um sorriso em alguém

Brincar…pra ser feliz

Sentar no chão, gargalhar

Voltar a ser criança, confiar

Agarrar um bichinho de estimação

Aspirar o perfume de uma rosa

Brincar…de ser feliz

Namorar, abraçar, beijar, amar

Pedir colo, ser colo, fazer amor

Ser o amor de alguém

Chorar se der vontade, inútil engolir o choro

Dormir de conchinha, sonhar

Ler um livro, escrever um poema, ser a poesia

Brincar… pra ser feliz

Mergulhar numa cachoeira gelada

Cantar alto, rezar baixinho

Tomar um banho quentinho

Assistir filme no tapete, debaixo de edredom

Se empanturrando de pipoca

Brincar… de ser feliz

Declarar o amor, apaziguar a dor

Responder a um bom dia, contar uma piada

Rir de si mesmo, sorrir para o outro

Retirar os pesos das costas, ser leve

Perdoar, acreditar que ainda vale a pena…

Brincar de ser feliz…

Brincar pra ser feliz…

Brincar para fazer feliz…

Alda M S Santos

Como um rio

COMO UM RIO

Quero viver como um rio quando “morto”

Não somente quando possui águas calmas, mornas, convidativas

Ou quando as águas furiosas e geladas arrebentam tudo a abrir caminhos

Mas quero, como o rio, viver no que deixar de mim depois de partir

No que deixou de si depois de seco

Na terra que irrigou, silenciosamente

Nas plantas que hidratou e gerou vida

Nos frutos do qual foi núcleo e a tantos alimentou

Nos corpos amantes que banhou sob o sol ou a lua

Nos rostos lavados, sorrisos despertados, saudades deixadas

Quero ser como o rio morto

Porque depois de morto, apenas o que deixou de vida,

Ainda que em diferentes formatos, com ou sem reconhecimento, é que fica,

Sem cobranças, avaliações ou acusações

O rio morre…

Mas a vida que salvou, que perpetuou pelo caminho

Seguirá silenciosa até desaparecer por completo…

Alda M S Santos

Ciranda da vida

CIRANDA DA VIDA

“Ciranda, cirandinha vamos todos cirandar…”

A vida é uma grande ciranda, nem sempre divertida

Onde todos somos “convidados” a brincar

“Vamos dar a meia volta, volta e meia vamos dar…”

Ora giramos para um lado, ora giramos para o outro

Ora somos vítimas, ora somos réus

Caindo ou derrubando nas voltas e meias

Quase sempre nos “tornando” juízes

“O anel que tu me destes era vidro e se quebrou…”

Vigiando para não quebrar o que temos de frágil

Cuidando para conservar aquilo que temos de mais precioso

“O amor que tu me tinhas era pouco e se acabou…”

Nas nossas vidas e naquelas vidas que se entrelaçarem às nossas

“Por isso, dona Rosa, entre dentro desta roda…”

O convite é feito a todo momento,

Deem-se as mãos, unam-se

Quem perde a ciranda da vida, essa cantiga de roda

Quando atina, o tempo já se foi…

“Diga um verso bem bonito,

Diga adeus e vá se embora”…

Vamos cirandar?

Alda M S Santos

Sem borracha

SEM BORRACHA

Viver é escrever à caneta, desenhar sem borracha

É precisar aproveitar cada linha escrita, cada traço feito

E nessa louca procura, em que o que se quer nem sempre se acha

Precisamos transformar dor em versos, disfarçar o que é tido como defeito

Para cada flor desenha-se um beija-flor

Para cada lágrima que cai uma rosa a sugar e reaproveitar sua dor

Para cada risco incerto desse desenho, às vezes sem cor

Tentamos fazer um grande e colorido mosaico furta-cor

Viver é pintar com verde-mata, vermelho-sangue ou branco- neve

Mas não dispensar o preto retinto ou o amarelo-girassol

É entender que nessa mistura é que se faz o que é eterno ou o que é breve

É saber dia ou noite, ser lua, céu, mar, estrela ou sol

Viver é desenhar sem borracha, é não descartar o borrão

É fazer uma obra-prima digna do Mestre, original

Ter sempre o olhar do artista, valorizar toda a emoção

É acreditar que a arte da vida sempre tem um tom divinal…

Alda M S Santos

Saber ou não saber?

SABER OU NÃO SABER?

A ignorância ou o conhecimento, qual escolher?

Que a doença é incurável, que há pouco tempo?

Prefiro não saber!

Que sou importante, necessária, o amor de alguém?

Prefiro saber!

Que sou dispensável, indiferente, que não sou mais a razão daquela alegria, daquele sorriso?

Prefiro não saber!

Que os caminhos podem estar esburacados ou sem saída?

Prefiro não saber!

Saber ou não saber?

Que fiz o bem, que alegrei, que errei e acertei, que distribuí o amor?

Prefiro saber, sentir!

Fechar os olhos ou estar ciente de tudo?

Saber ou não saber?

Seguir sabendo “tudo” de antemão ou ser surpreendido pela emoção?

Há coisas que pela mágoa e paralisia que podem causar,

Melhor não saber, simplesmente, ignorar e mergulhar

Para manter um mínimo de sanidade e prazer de seguir, de viver…

Alda M S Santos

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