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Tão doce mar…

TÃO DOCE MAR…

Parece impossível acreditar que tanta imensidão de água

De sal, de areia, de rocha, sol e ar

Nos atinja tão fundo, nos leve a divagar

E possa ser tão doce a nosso olhar

Tão profundo, mas nos traz tanta leveza

Tão indecifrável, nos permite questionar

Encantados diante de tanta beleza

Como podemos não fazer parte desse lugar?

Se um dia eu me perder

Quero aqui me encontrar

Tenho absoluta certeza

Que diante do mar irei me achar…

Alda M S Santos

Como pode?

COMO PODE?

Como pode alguém diante de tanta beleza viver

E não estar aqui todos os dias

Por pura diversão ou prazer?

Como pode ouvir esse som que inebria

Que acalma, que acaricia

E não abusar dessa magia?

Como pode diante de tão vasto e lindo mar

De uma praia que traz brisa e calor

Não se entregar a tanto esplendor?

Como pode nessas margens, caminhar

Sob árvores, na água ou na calçada se aboletar

E não se aninhar num canto e sonhar?

Como pode?

Alda M S Santos

Nunca, nunca!

NUNCA, NUNCA!

Nunca, nunca vou me cansar

De admirar, de longe olhar

De descalça caminhar…

Nunca, nunca vou perder

O desejo de ali ficar

Das águas chutar, de bem fundo mergulhar…

Nunca, nunca vou desistir

De um dia bem perto morar

E todas as manhãs ali ver o sol despontar

Nunca, nunca vou desanimar

Quero poder ir até o horizonte

Até onde o sol se encontra com o mar

E ali me perder, ou me achar…

Nunca, nunca!

Alda M S Santos

Oi, mar!

OI, MAR!

Oi, mar, eu voltei

Como prometi aqui estou

Você, como tem passado?

Senti falta de estar ao seu lado

Oi, mar, quero de novo me achegar

Você permite que eu me aproxime

E venha em suas águas me banhar?

Oi, mar, não preciso muito para ser feliz

Saúde, família, Deus, amigos podem bastar

Ser também da vida eterna aprendiz

E ter alguém a quem (a)mar

Oi, mar, você já deve saber

Que o amor não tem lugar

Mas certamente tem ciência

Que não há melhor lugar que você

Para aqueles que desejam a(mar)…

Eu te amooooooo!

Alda M S Santos

Oceano

OCEANO

Ora calmo, ora tempestuoso

Leves ondas, ressaca brava, tormenta

Nossas vidas como oceano perigoso

Tem céu claro e também nebuloso

Ora teremos que fundo mergulhar

Ora precisaremos saltar

Noutras vezes o jeito é resistir, esperar

Só não podemos desistir, desanimar

Há piratas saqueadores a enfrentar

Mas também navios valentes a nos salvar

Muitas vezes na superfície boiar para não cansar

Ou apenas esperar e confiar

A calmaria passa, a tempestade também

O segredo está em aproveitar o que de bom cada uma tem

Porque sempre têm algo a nos dizer

É só chega do outro lado quem soube com o viver, aprender…

Alda M S Santos

Fascinação

FASCINAÇÃO

Não há fascínio tão grande

Quanto aquele diante do mar

Tanto faz se é a primeira

A segunda ou a vigésima vez a olhar

Um mundo de mistérios que amedronta e encanta

Beleza que se move, aquieta, envolvente

Dispara o coração, aciona a imaginação

E nos atrai para si, lentamente

Águas calmas ou revoltas

Numa dança contínua e sensual, cativante

Vai e volta, canta, silencia, conquista

Aos nossos pés repousa, apaixonante…

Entregues ficamos

Fascinante…

Alda M S Santos

(A)mar cura toda amargura

(A)MAR CURA TODA AMARGURA

A ciência comprova que praia cura muitos males

Inúmeros!

O sorriso no rosto corrobora a ciência

Pelo simples fato de estar ali, independente de toda a química envolvida

Banhar-se naquelas águas salgadas

Sentir o sol, a brisa, a areia, a maresia é rejuvenescedor…

Mas cura mesmo é porque deixa a mente menos carregada

O coração mais leve, mais cheio de saudade boa

A vida mais suave…

Dizem que é de graça

Não é bem assim!

Chegar até ele e se manter ali tem um preço

Mas vale a pena ser pago…

Saber se livrar do negativo exige uma certa habilidade

Para conectar-nos com nossa mais rica natureza

Venham todos!

Há mar!

Amar cura todo o tipo de amargura!

Alda M S Santos

O mar e ela

O MAR E ELA

Parece o tempo todo em ebulição

Faz barulho, movimenta-se continuamente

Ora ritmadamente, ora em confuso compasso

Às vezes parece que para, silencia

Mas está apenas a buscar mais energia do fundo

Não se aquieta, borbulha, ferve

Espuma, transborda, encanta-se

E se desmancha na areia…

O mar ou ela?

Ah, tanto faz! São a mesma coisa…

O mar e ela…

Alda M S Santos

Sobre as águas

SOBRE AS ÁGUAS

Queria ser capaz de correr sobre as águas

Com toda a confiança de nunca afundar

Até chegar do outro lado do horizonte

Onde o mar se encontra com o céu

Ou sobrevoar as águas tal qual pássaro

E mergulhar vez ou outra em busca de um peixe

Num barco também não seria nada mal

Numa maré baixa deixar-me levar

Debruçar sobre ele e jogar água para todos os lados

Sei lá!

Sinto uma atração irresistível pela água

Uma atração que causa-me medo e prazer

Parece que ela me chama todo o tempo

Será que se eu atendesse esse chamado seria capaz de voltar?

Conseguiria? Quereria?

Daqui fico a observar, a sonhar, a imaginar

Com os pezinhos na areia

Na beira do mar…

Alda M S Santos

Além do horizonte

ALÉM DO HORIZONTE

Além do horizonte tudo parece mais belo

Mesmo que inalcançável, inatingível

Ainda que fique apenas no mundo das ideias

Pode ser atrás de uma densa mata

Além do mar, no alto de uma montanha

Sentindo o doce cheiro de natureza

A terra úmida, a areia quente, a clorofila ou a maresia

Levando-nos ao nosso estado humano natural

Apesar de estarmos meio desconectados do todo

Respiramos profundamente, mergulhamos fundo nessa imagem

Aquela que nos instiga a alçar voo

Ainda que seja apenas nas asas da imaginação…

Vamos?

Alda M S Santos

Oferendas

OFERENDAS

Quero lançar ao mar tudo o que de negativo vivi

Não que eu entenda suas águas como depósito de lixo

Mas poderosas para dissolver lágrimas e amenizar dores e decepções

Levá-las para longe e trazer de volta apenas esperança e força

Quero lançar ao mar tudo que de bom eu vivi

Não é que eu seja mal agradecida ou queira me desfazer das bênçãos recebidas

Oferto com um forte desejo de partilhar com os outros o que recebi, conquistei

Amor, compaixão, carinho, perdão e amizade

Nesse vai e vem das ondas do mar

Cada um de nós deseja apenas um certo equilíbrio

Uma alma em paz para nós e para os outros

Que em cada pé que suas águas salgadas tocarem

Haja mais esperança, fé, respeito

Mais igualdade, menos preconceito, mais amor

E que um sorriso iluminado de paz possa reinar

Essas são minhas oferendas ao mar, à vida

Oferendas que vão e voltam

Com as ondas do mar…

Alda M S Santos

Copas&cabanas

COPAS&CABANAS

Um dos hotéis mais luxuosos e dispendiosos da cidade

Cobiçado por muitos, conquistado por poucos

Ali circulam riqueza e nobreza nacionais e internacionais

Reis, rainhas, grandes damas e personalidades, a nata social

Uma diária equivale a valor superior ao salário de um mês de grande parte da população

Contraste social: grandes e pequenos

Luxo e desperdício, falta , fartura e carência

Reis, damas e valetes de copas dentro, fora e no entorno

Reis e valetes em seus palácios e cabanas na Praia de Copacabana

Reis, valetes e a grande plebe de palácios, copas e cabanas

Numa enervante desigualdade social…

Alda M S Santos

Pura sedução

PURA SEDUÇÃO

Ele vai, ele vem

Infinitamente, lindamente

Ora mais calmo, ora mais revolto

Leva o que encontra na areia da praia

O que em suas águas salgadas se dilui

Ou que serve de alimento a quem faz de suas águas seu habitat

Por lá se mistura, fica, se esvai …

O que faz mal ou é inútil ele devolve

Não quer para si…

Mar que recebe, atrai, absorve nosso olhar

Seduz-nos com seu encanto molhado, com seu canto ritmado

Olhar que grita silêncios que mais ninguém ouve

Silêncios que mais ninguém entende

Nossos pensamentos, nossos sentimentos ele escuta

Faz com eles uma bela sinfonia marítima

Por vezes transforma-os numa intensa e constante maresia

Noutras numa grande ressaca viciante

Mas ninguém passa incólume pelo mar…

Difícil é resistir ao desejo de ali ficar…

Pura sedução!

Alda M S Santos

Sempre mais divertido

SEMPRE MAIS DIVERTIDO

Há coisas que nunca mudam

Crianças são sempre crianças

De ontem, de hoje, de amanhã

Em todo e qualquer lugar…

Na praia querem fazer castelo de areia

Querem construir piscininhas de água do mar

Querem fazer barreiras de contenção

Sem necessidade de qualquer sofisticação

Outra criança que chega logo é um amiguinho

Usam brinquedos plásticos tanto quanto embalagens descartáveis

Ou somente as mãozinhas e a imaginação

E logo, logo um castelo está formado

Uma piscina para se divertir,

Uma barreira de contenção para se proteger

Para cedo ou tarde ser derrubada

Pelas águas nervosas do mar…

Crianças sabem sem precisar ensinar, sem grandes explicações

Que ter amigos para brincar é sempre mais divertido

Mostram-nos que de nada vale ter com o que brincar

Se não tiver com quem brincar…

Porque quando as águas da vida derrubam nossas barreiras de contenção

Destroem nossos castelos de areia

E nos deixam afogar em nossas “piscininhas” salgadas

São os amigos que nos ajudam a reconstruí-los, a sobreviver…

Alda M S Santos

A primeira vez

A PRIMEIRA VEZ

Minha primeira vez foi aos 21 anos num único fim de semana

Apaixonei-me perdida e irremediavelmente

Será que meu olhar foi assim tão belo

De prazer, êxtase, encanto, espanto, admiração?

Dois anos mais tarde eu o apresentei ao meu marido na lua de mel

Extasiante!

Seis anos depois foi a vez dos nossos filhos conhecê-lo

Mistura de expectativa, satisfação, aventura e um leve medo

Diante de tão extensa maravilha…

E muitas outras vezes vieram, muitas alegrias nele vividas…

Agora eu o apresento ao meu pai e me pergunto:

Como pôde ter se negado esse prazer até os 75 anos de vida?

Água, areia, sal, força, tudo impressionando…

Mas nunca é tarde para aqui chegar

Para conhecer o mar, esse oceano de lindas possibilidades …

Oh mar! Saudades de você!

Como na primeira vez, cá estou eu novamente

A paixão cresceu, amadureceu e se transformou num amor eterno…

Alda M S Santos

Aqua(Rio)

AQUA(RIO)

Quando pensamos que toda essa beleza que é uma região de praia

Grande extensão de areia para caminhadas à beira-mar…

Originaram-se de algo que se desfez

Da ação de ventos e chuvas sobre as rochas

Que foram se desprendendo em inúmeros pedacinhos

E, com o tempo, aos poucos, desgastes sucessivos

Acrescentando fragmentos de conchas e carapaças de animais

Juntaram-se até formar aquela areia fofinha…

Aquela imensidão que é o oceano que a gente vê

E toda a vida que existe ali embaixo que a gente não vê

Que desconhecemos e nem sempre respeitamos…

É a natureza nos ensinando que tudo se transforma

Que o que pode nos parecer ser o fim, perda irreparável

É apenas uma transformação

O início de algo maravilhoso e ímpar

Que não existiria sem as “perdas” sofridas

Que tantas vezes só lamentamos…

Alda M S Santos

#aquario

Alda M S Santos

Tudo gera lágrimas

TUDO GERA LÁGRIMAS

Que há quando quase tudo

Nos toca, sensibiliza, emociona?

Se alguém querido diz algo que nos magoa

Nos debulhamos em lágrimas

Se a pessoa se toca, se justifica, se desculpa

As lágrimas rolam mais intensas ainda

Se alguém amado não nos valoriza, não se lembra de nós, choramos

Se tem carinho, cuidado, atenção, choramos também

Se os outros são desligados e indiferentes ao que fazemos, choramos

Se alguém demonstra gratidão, reconhecimento, as lágrimas brotam sem cessar…

O sol que arde, a chuva que cai

Alguém que sofre, outro que é feliz

O frio que martiriza, o calor que enerva

Uns que chegam, outros que se vão e deixam saudades

Uns que nos encantam, outros que nos decepcionam

A vida que segue indiferente a todos, implacável

Como ondas num mar gigante que vão e vêm

E as lágrimas sempre, sempre brotando…

Será que estão lavando o terreno das impurezas e parasitas

Para um novo broto renascer?

Alda M S Santos

Ela caminha

ELA CAMINHA
À beira-mar ela caminha
Olha longe no horizonte
Sempre gostou muito de caminhadas
Nas avenidas, nas estradinhas de terra
Na beira de um rio, nas matas, montanhas…
O corpo é exigido, a mente trabalha, vai relaxando
A alma se abastece de belezas, de levezas
Busca um veleiro que navega sozinho ao longe
Quem estará ali? Será feliz?
Uma gaivota que mergulha atrás de alimento
Uma lancha de transporte de aluguel num cais improvisado
O vento desarruma seu cabelo, arranca o chapéu
Levanta sua saída de praia, refresca a alma
As ondas quebram a seus pés espumando e se recolhem de volta ao mar
“Tragam coisas boas, levem as ruins”, ela profetiza
Chuta a água, chuta os problemas, inspira e expira fundo
Sente os músculos sendo exigidos
Tensão, relaxamento, prazer…
Vê uma família de golfinhos nadando despreocupada
Um casal enamorado se exercita debaixo de um coqueiro
Como seria morar ali?
O encanto seria o mesmo?
Faria essa caminhada diária?
E ela segue…
Caminhando, chutando a água, refletindo
Sugando da natureza tudo que consegue de maravilhoso
Aprende com ela, seu ir e vir constante…
Enchendo-se de coisas boas, esvaziando-se do que faz mal…
Ela caminha…
Alda M S Santos 

Depois do fim

DEPOIS DO FIM
Irei até aquela curva lá na frente
Com esse propósito, sigo sem parar na caminhada à beira-mar
Areia macia a afundar meus pés deixando pegadas
Sempre me lembro da parábola “Pegadas na Areia” quando o faço
Na curva, o caminho, que parecia acabar, continua…
Que há depois daqueles coqueiros?
E aquele coqueiro envergado pelo vento é meu próximo objetivo
Entro no mar, devagar, água fria na pele quente, gostoso…
Choque térmico de vida!
Fujo correndo de uma onda enorme
Umas pessoas riem, de mim ou para mim?
Não importa, retribuo e sigo até o rochedo, o coqueiro ficou para trás
As rochas disformes seriam o fim da caminhada
Subo nas pedras, as ondas ali arrebentam agitadas
Parecem querer despertar as pedras para a vida
Ajudá-las a sair dali, arrancá-las da mesmice, andar pelo mundo
Piso devagar, são cortantes e escorregadias
Sento, reflito, cair dali seria o fim, muito alto e perigoso
Quantas pessoas já pularam dali querendo ir além disso aqui?
Do outro lado o caminho continua com areia, coqueiros, rochas e curvas…
Depois do fim sempre há outro caminho
Ainda que a gente não consiga vislumbrá-lo
Olho para trás lá embaixo, minhas pegadas se apagaram
Queria tanto estar no colo Dele!
Uma brisa suave balança meus cabelos, acaricia minha pele
Sim! Ele está aqui!
Retomo meu caminho de volta, não estou só!
Alda M S Santos

Praia de Lopes Mendes-Ilha Grande- Brasil

Indo e vindo

INDO E VINDO

Nada as impede de se divertir

Enchem e esvaziam um baldinho incontáveis vezes

Correm até o mar, balde cheio

Voltam sorrindo, derramam metade da água pelo caminho

Olham para o que restou

E vão fazer sua escultura na areia

Não se importam com o que perderam no trajeto

Usam satisfeitas o que ainda têm,

E buscam mais se precisarem…

Ah, se fôssemos como as crianças,

Dando mais valor ao que temos em detrimento do que perdemos

Talvez tivéssemos mais vezes essa alegria e sorriso espontâneo,

Que contagiam a todos a sua volta!

Alda M S Santos

Moldados pela vida

MOLDADOS PELA VIDA

Não há nada que nunca mude, que nunca se transforme

Até mesmo as pedras, as rochas, inertes e imóveis no mar

Sofrem total interferência do meio

Aparentemente firmes e fortes, a água, o sol, o sal, os ventos

A matéria orgânica, animal e vegetal a modificam

A água abre reentrâncias, provoca sulcos, invade espaços

Quando não há, contorna, passa por cima e, ainda assim, é atingida

Adquire novas cores, novas formas, novo relevo

Muitas vezes nocivo, que corta fundo quem se aproxima

Causa dores, escorregões e tombos

Uma pedra nunca está totalmente isolada por estar parada no mesmo lugar, inerte

Cedo ou tarde, ela será “outra” pedra

Somos pedras sendo moldados pelas águas da vida em seu ir e vir incessante

Ora turbulentas, ora calmas, ora violentas e sempre incansáveis da vida…

Podemos escolher fazer parte, ou sermos modificados à nossa revelia…

Alda M S Santos

Onde há mar

ONDE HÁ MAR

Onde há mar, amar é fácil

Os sonhos são leves e a realidade vem em ondas calmas

Ou se vier forte e derrubar nossos castelos

Achamos divertido e construímos de novo

Onde há mar, amar é fácil

Se a maré ficar alta, mesmo havendo ressacas

Lembramos apenas das calmarias

Onde há mar, amar é fácil

Mesmo “temperados” com tanto sal

As doçuras de cada um se sobressaem

Onde há mar, amar é fácil

À beira d’água qualquer caminho é leve e suave

E, se o cansaço chegar, um mergulho relaxante é o suficiente para se renovar

Onde há mar, amar é fácil

Debaixo de um céu tão intenso e tão azul

Nossas nuvens cinzentas ficam envergonhadas e se recolhem

Fazer amor é deliciosa e sutil consequência

Onde há mar, amar é fácil

Ainda que as águas estejam geladas

Mergulhamos fundo, saltamos ondas, lavamos a alma

Onde há mar, amar é fácil

Faça sol ou faça chuva,

O calor vem de dentro de nós

Onde há mar, amar é fácil

Mesmo nas noites escuras, sentimos sua força, podemos ouvir seu chamado

Onde há mar, amar é fácil

Desde que tenhamos decidido à priori que seria assim

Que o amor seria prioridade…

Alda M S Santos

Mar aberto

MAR ABERTO

Em mar aberto, água em movimento lento e sensual por todos os lados

Céu azul abrigando asas fortes de pássaros a plainar, certos de sua beleza e liberdade

Ou de vento forte a nos dar a sensação de paz, cabelos aos vento

Sol a aquecer a pele, o balanço calmante da lancha

A rasgar as águas velozmente em busca de uma ilha

Sob nós, nas águas verdes e convidativas, peixes e toda espécie marinha

Cercados de vida por todos os lados

Seguimos, cada qual no seu habitat

Sentindo sua força e fragilidade

Vidas fortes e seguras em seus espaços

Vidas frágeis e em risco se tiradas dali

Peixes fora da água, pássaros fora do céu,

São como humanos fora do chão, coração vazio

Bastaria um mergulho na direção errada

Do pássaro, do peixe ou do homem

Para tudo se acabar

Flertamos com a morte todo o tempo

Só não podemos nos deixar atrair pelo desconhecido

Só não podemos nos apaixonar…

Em mar aberto, ou em qualquer lugar

Sempre de coração aberto para a vida…

Alda M S Santos

Barquinho de papel

BARQUINHO DE PAPEL

Somos um barquinho de papel descendo na enxurrada

Vamos velozes, “casco” sendo danificado nas águas que desconhecem paradas

Por vezes, encalhamos nos entulhos do caminho

Ou naqueles que se desfizeram invadidos pelas águas

Ora esbarramos noutro barquinho desfalecido e diminuímos a velocidade

Ora preferimos seguir juntos, lado a lado

Com quem nos aprecia, admira e encara conosco essa travessia

Não sabemos a rota, por onde iremos passar

Ou se seremos interrompidos antes de lá chegar

O destino é o mar

Quando ou se chegaremos, não sabemos

Tampouco se gostaremos do que iremos encontrar

Por isso, vamos valorizando cada curva do caminho

Cada criança sorridente a brincar

Cada companhia saudável que surge

O que vale é tentar não afundar e não afundar ninguém

O que vale é navegar…

Alda M S Santos

Inalcançáveis

INALCANÇÁVEIS

Sabe aquele ditado “ver com os olhos e lamber com a testa”?

Uma gaivota voa alto no céu, um barco navega longe no mar

E eu aqui a sonhar…

Nossa vida é muito dividida entre o querer e o poder

Entre o querer, desejar, e ficar apenas na vontade…

Entre o querer e o medo de se arriscar, se aventurar…

Há coisas possíveis e fáceis, coisas difíceis, mas possíveis,

As quase impossíveis e as inalcançáveis!

É como ter perto de nós um oceano convidativo e não saber nadar

Uma árvore frondosa e ter medo de escalar

Um céu gigantesco a explorar e não confiar nas próprias asas!

Mas isso não elimina o desejo de nadar, escalar, voar…

E continuamos a ver com os olhos e lamber com a testa…

Alda M S Santos

Conchas e pérolas

CONCHAS E PÉROLAS

Conchas ou pérolas?

Corajosos e afoitos atrás das pérolas preciosas

Mergulham fundo, arriscam-se

Cautelosos e ponderados na areia da praia, na superfície

Encantados com suas conchinhas

Ou sonhando com as pérolas do fundo desconhecido

Que seria das conchinhas da areia

Se todos mergulhassem atrás das pérolas?

Quantas conchinhas lindas esquecidas

Por aqueles que as perdem em busca da incerteza das pérolas?

Quantas pérolas já temos nas mãos e não as reconhecemos, descartamos?

Façamos de nossas conchas nossa pérola particular e preciosa ….

Alda M S Santos

Sentimentos

SENTIMENTOS

Tão insignificante quanto um grão de areia ao vento

Tão pequena quanto uma gota d’água numa pétala de rosa ou uma lágrima no rosto

Tão à deriva quanto um barquinho no mar bravio

Tão inútil quanto um guarda-chuva na forte tempestade

(In)existência total dela à mercê da vida…

Mas o grão de areia pode juntar-se a outros na beleza das dunas

A gota d’água da rosa e das lágrimas tornarem-se um convidativo oásis

O vento forte se acalmar e o barquinho navegar

Tranquilamente levado em busca de novos mares

Onde haja brisas calmas, os sorrisos renasçam

As tempestades sejam belas e suaves

E o guarda-chuva seja apenas um acessório a aproximar corações

Cansados de lutar e de correr

Querendo apenas bater no mesmo ritmo, em uníssono

O ritmo do amor…

Alda M S Santos

Nossos afluentes

NOSSOS AFLUENTES

Tão pequeninos e frágeis nascemos, pequeno broto de vida

Tal qual uma pequena nascente, um olho d’água na serra

Carecemos de cuidados e proteção

Nós, de alimento, de abrigo, de calor, de amor

As nascentes, das matas ciliares, das raízes protetoras

Não fossem os cuidados que recebemos ao longo do caminho

Dos afluentes que avolumam nosso leito e fortalecem nossas esperanças

Do sol que nos aquece, alegra, ilumina

Da lua que nos encoraja nos medos da escuridão

Daqueles que confiam e se banham em nossas águas rasas ou profundas

Mesmo com certas represas que se arrebentam e despejam rejeitos sobre nós

Não teríamos forças para desviarmos das pedras, dos obstáculos mil

Pereceríamos muito cedo, antes da linha de chegada

Não chegaríamos ao mar, ao nosso destino…

Alda M S Santos

Areias da praia

AREIAS DA PRAIA

Há acontecimentos, ou pessoas, na vida da gente

Que são como as ondas do mar molhando nossos pés na praia, suavemente

Parecem trazer apenas frescor, alegria, paz e união

Porém, levam a areia de debaixo de nossos pés quando se vão

Tiram nosso chão, nossa segurança e autoconfiança

Levam consigo quase tudo que trouxeram, inclusive o amor e esperança

Mas sempre deixam a lembrança do frescor

E a certeza que outras ondas virão, outra cor

E estaremos mais firmes sobre nossos próprios pés

Mais fortes, experientes e sábios para encarar novo revés…

Alda M S Santos

Perpetuando a espécie

PERPETUANDO A ESPÉCIE

Sempre tão ágeis, ariscos e espertos

Instinto de autopreservação aguçado

Quase nunca conseguimos nos aproximar

Basta o amor…

E a vida se põe em risco!

Não veem o perigo se aproximar

Disfarçado de turista, pescador

Ou simples admirador das belezas naturais…

Perpetuar a espécie também é se preservar

Cuidar de si, do outro

Viva o amor!

Alda M S Santos

E ela espera…

E ELA ESPERA…
É cedo, ele parte, vai se afastando, diminuindo até desaparecer
E ela senta, espera, confia…
Não sabe quando volta, ou o que enfrentará pela frente
Mas ela espera, confia…
Mar revolto, águas ora calmas, ora traiçoeiras, tempestades
E ela espera, confia…
Vai leve, sem carga, proa vazia, tripulação preciosa, coração abastecido
E ela espera, confia…
Saudades lá, saudades cá…
Aumentam na mesma medida da carga abastecida
E eles esperam, confiam na certeza do reencontro
O transporte, a carga, já não são tão preciosos
A distância dói, corações de marinheiros, cheios de ausências…
Pescadores de saudades…
Eles esperam, confiam
E ela fica ali, vivendo ora de esperanças, ora de saudades
Ainda que o coração balance mais que aquele barco,
Com o olhar tão salgado quanto o mar
Sempre ao longe, a encurtar distâncias…
Alda M S Santos

Tempestades

TEMPESTADES

Ainda que nosso céu pareça claro

Azul, brisa suave, águas limpas

Tempestades podem se aproximar, molhar tudo

Lançar raios e trovões sobre nossas paredes internas

Vendavais de areia cegar nosso olhar

Balançar nossa estrutura, nos lançar contra as pedras…

Fugir delas nem sempre é possível

Encarar, absorver o que der, abstrair-se do que for possível

Esperá-la passar, sempre passa!

E receber de braços abertos novo céu azul…

Alda M S Santos

Nas ondas

NAS ONDAS

Num ir e vir infinito

Ora calmas, ora bravias

Sempre em movimento, barulhentas

As ondas acalmam, relaxam

Encantam, amedrontam…

Deixam ir o que incomoda, levam pra longe

Trazem de volta o que alegra, o que faz bem

Vão e vêm, vão e vêm…

Hipnotizam …

Quem sabe num desses ires e vires

Não trazem de volta um pedaço de nós perdido por aí?

Alda M S Santos

Mar ou Rio?

MAR OU RIO?

Mar ou Rio, Rio ou Mar?

Água salgada, água doce

Onde a vida nasce, acontece…

Extensão de natureza até onde a vida alcança

Delícias que convidam ao mergulho

Mergulho nas águas, mergulho nos sentimentos

Mergulho em nós mesmos…

E eles se encontram, rio e mar

Nós nos encontramos…

Rio ou Mar?

Tanto faz! De preferência, que eu esteja lá…

Alda M S Santos

Construindo Castelos

CONSTRUINDO CASTELOS

Viver é construir castelos

Sem saber quanto tempo moraremos neles

Quanto tempo levarão para se desintegrar

Ou serem tragados pela areia movediça que nos cerca.

Como crianças na areia da praia que, pacientemente,

Vão até à beira d’água, carregam um baldinho pela metade,

Despejam num monte de areia e mãos à obra!

Pequenos grandes arquitetos, com ajudantes ou não,

Constroem lindos castelos, se enterram na areia,

Deitam-se em poças d’água e sorriem,

Mesmo quando o castelo é levado pelas águas.

Começam a construir outro e outro…

Incansáveis!

Em sua simplicidade entendem que a alegria está no construir

Não esperam o término da obra ou sua durabilidade para serem felizes.

Se a areia movediça levou seu castelo, não importa!

Se as ondas do mar fizeram tudo ruir, e daí?

Foram felizes enquanto ele existiu! Por isso a dor é passageira.

E ainda há muita areia e água pela frente, novos castelos,

Mesmo com a incerteza do amanhã.

Mesmo que não saibamos o tempo que nos resta….

Construindo…sempre…

Alda M S Santos

Marcas de praia

MARCAS DE PRAIA

E a viagem acabou…

Será? O que restou?

Trazemos mais que marquinhas de biquíni no corpo,

Mais que uma pele dourada ou cabelos rebeldes,

Mais que fotos maravilhosas e sorridentes,

Mais que uma concha, tattoo ou souvenir,

Muito mais do que se pode ver.

Vai além do que está aparente.

Trazemos marcas impressas na alma,

Energia renovada, lembranças boas,

Carinho de um povo interessante e lutador,

Uma cultura diferenciada, lugares lindos.

Tudo isso vira massa a se moldar dentro de nós.

E o que ela se tornará só depende de nós mesmos,

Da combinação do que já somos com o que recebemos.

Nunca voltamos os mesmos de uma viagem.

Felizmente!

Alda M S Santos

Mar

MAR

Mar que é belo, infinito, tranquilo e misterioso

Mar que anima, que ativa, que energiza e instiga ânimos 

Mar que relaxa, que acalma, que apazigua e sossega corações…

Mar que se conecta com nosso interior,

Que saibamos aproveitar tudo que Deus envia

Em forma de natureza.

Alda M S Santos

Como o mar

COMO O MAR

Seja em maré alta ou baixa

Lua cheia, nova, minguante ou crescente

Ondas que vão e que vêm

Trazem muito com elas

Levam outro tanto consigo

Boas ou ruins…

Assim é o mar,

Infinitamente.

Assim é a vida, dia após dia. 

Quem ama o mar o aceita assim

Quem ama a vida aprende a conviver com seu vai-e-vém.

E a ama, apesar de tudo. 

Alda M S Santos

Alheios

ALHEIOS

Anoitece, chuva fina

À beira-mar eles caminham, sozinhos…

Juntos, mas sozinhos

Alheios a tudo à sua volta

Sequer percebem a chuva que gruda suas roupas ao corpo.

Param, olham-se, choram…

A expressão de dor os denuncia

Reencontro, despedida? 

Dão-se as mãos, o olhar atravessa o outro.

Abraçam-se, grudam-se, giram por muito tempo

As lágrimas cedem lugar aos sorrisos

Beijam-se…

Não só os lábios, atingem as almas.

Percebem a chuva, olham para o alto

Abrem os braços, gargalham.

Deitam-se na areia, lado a lado

Recebem toda a chuva que cai forte em homenagem a eles.

Ela lava qualquer mal entendido

E o tempo perdido

Abraçam-se e deixam-se ficar ali, mãos dadas.

Viram-se um para o outro, 

Reencontro…

Alda M S Santos 

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