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poemas e reflexões da vida cotidiana

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morte

Tinha tanto medo…

TINHA TANTO MEDO…

Tinha tanto medo de ficar perdida que já não mais saía
Tinha tanto medo de não ser feliz que já não sorria
Tinha tanto medo da prisão que já não tinha liberdade
Tinha tanto medo da tempestade que já não curtia o Sol
Tinha tanto medo da escuridão que perdia sua própria luz
Tinha tanto medo de envelhecer que não aproveitava o amanhecer
Tinha tanto medo de ser enganada que não arriscava nada
Tinha tanto medo de ser dependente que vivia doente
Tinha tanto medo da solidão que aceitava qualquer situação  
Tinha tanto medo de tudo um dia esquecer
Que a vida se tornava um eterno reviver
Tinha tanto medo de tudo, de morrer que nada mais fazia que sobreviver

Alda M S Santos

Não tenho medo

NÃO TENHO MEDO!

Não tenho medo da morte
Tenho medo de viver sem norte
Não tenho medo de enfrentar o fim
Mas tenho medo de me perder de mim

Não me amedronta a vida do outro lado
Mas me assusta não a ter aproveitado
Tenho medo de sofrer ou machucar alguém
Mas o medo pode me paralisar também

Tenho medo de uma vida sem propósito
De fazer dessa viagem só um depósito
De coisas e mais coisas conquistadas
Sem perceber as almas abençoadas

Temo um viver sem que e nem pra quê
De não saber realizar o que vim fazer
Não tenho medo de não ser valorizada
Sei que estou por Ele bem assessorada

Alda M S Santos

E se…

E SE…

E se a vida nos ditasse melhor o compasso
Que talvez aquele fosse o último abraço
Como seria, teria feito diferença
Saber que não haveria mais aquela presença?

E se fosse a última noite, o último sono
Sem imaginar que o amanhã não teria dono
Um beijo quente, um amor envolvente
Haveria despedida mais eficiente?

Tantas possíveis últimas vezes vivemos
Sem imaginar a que sobrevivemos
Gostaria de me alongar mais nos momentos
Poder me demorar no que traz contentamentos

E se fosse o último sorriso, o último olhar
Quero abraçar forte, descansar nesse lugar
E se fosse por aqui a última, a derradeira luta
Peço a Deus que tenha sido válida tanta labuta

Alda M S Santos

Vou insistir

VOU INSISTIR

Vou insistir na vida, não posso desistir
Foi-me dada, não sei se fui eu que pedi
Na dúvida, sei que preciso seguir
Até onde, sei não, ainda irei descobrir

Vou insistir, pode haver luz e escuridão
Mas posso pedir e estender a mão
Quando doer vou chorar, vou desabafar
Vou encontrar um colo para me aconchegar

Vou insistir e, se possível, ao cair vou sorrir
Da situação, do outro, de mim, deixar fluir
Mesmo que pareça que estou só
Se tiver a mim mesma desfaço qualquer nó

Não vou desistir, não quero essa opção
E não basta só sobreviver, quero amor, emoção
E quando tudo parecer que chegou ao fim
Ter a ousadia de dizer que “valeu” para mim

Alda M S Santos

Viver pode ser difícil

VIVER PODE SER DIFÍCIL

A vida em si carrega tantos desafios
Muitos deles que angustiam e chacoalham nossos brios
Um mexer e remexer com a vida e a morte
Transitando nesse caminho em busca de luz, de sorte

Tantas vezes queremos brecar, botar um freio
Ou nos livrarmos de algumas prisões, anseios, arreios
Quisera que só conseguíssemos ver belezas
Ah, mas não… também há tanta tristeza!

Percebemos que a vida pode ser bem ferina, dolorosa
Mesmo quando se parece delicada e suave como uma rosa
Sentimos tanta falta de poder expressar tudo isso
Desmembrar esses sentimentos que parecem algo maciço

Ver no outro, sentir nele a compreensão
Sabendo que também  é outro humano onde bate um coração
Percebemos que por aqui tudo é mais difícil na solidão
Faz falta ter com quem partilhar tanta emoção

Somos seres humanos, carregamos essa condição
Por que é tão difícil, então, equilibrar o coração e a  razão?
Será que fica mais fácil se todos nos dermos as mãos?
A vida para se manter pede mais empatia e união…

Alda M S Santos

Só queria saber…


SÓ QUERIA SABER…

Só queria saber o que é que há
Do outro lado da vida que vamos atravessar
Será que vou me acostumar, me adaptar
Quando meu momento de ir embora chegar?

Queria saber se tem o Sol a brilhar
Ou a beleza de uma noite de luar
Se poderei nas cachoeiras me banhar
Quem sabe ter um alguém para namorar?

Ainda não sei se aceitarei bem
Está certo que diferença não tem
Minha aceitação ou não de nada valerá
Depois da travessia que uma hora chegará

Ah, mas queria saber o que é que  há
Será que se eu pedir posso negociar
Uma lista do que não quero deixar faltar
Natureza, leveza, paz, amor quero levar

Monto a minha playlist final assim:
Um jardim florido cheirando a jasmim
Rio, mar, cachoeira, mata para me embrenhar
Pássaros a cantar e pessoas para amar…

Assim posso logo me acostumar…

Alda M S Santos

(IN)FINITO

(IN)FINITO

Se tudo por aqui é fugaz, é finito
Será que há algo que possa ser em nós infinito?
Não sabemos como será do outro lado
Será que doeria ver tudo isso acabado?

Tantas coisas vividas por aqui, outras por viver
Será que levo juntinho comigo meu HD
Para nos momentos de saudades poder reviver?
Gostaria de saber exatamente o que pode acontecer

Queria deixar pronta minha mala, sabe?
Com cuidado, organizar aquilo que me cabe
Como faço para uma boa e longa viagem
Para não esquecer nada, mesmo em outra roupagem

Na mala vou colocar um pouco de tudo
Como Noé fez há tempos naquela arca
O que desejo que se perpetue colocarei na minha barca 
Assim o finito pode ser infinito, será minha marca

Alda M S Santos

Imortais?

IMORTAIS?

Qual o peso ou a leveza da imortalidade
Pensar nisso nos traz alguma capacidade
De sermos melhores, sem grandes vaidades
Ou nos debilita, ressalta fragilidades?

Se tudo que existe é o hoje e o agora
Se não nos preocupa o fato de irmos embora
Será que vale investir tudo no que se tem
Sempre em busca do que  nos convém?

Se uma marca bonita pudermos desenhar
No coração de alguém poder morar
Uma memória boa, suave lembrança
Há de nos manter fiéis nessa balança

Quero e me imagino ser uma criatura imortal
Cravada por aqui, tatuada em cada sinal
Cada ato meu me alimenta, me eterniza
Seja bom ou mau, se por amor, ameniza

Alda M S Santos

Revelação

REVELAÇÃO

Um dia iremos acordar
Abrir não só os olhos para o dia
Abrir a alma para realmente despertar
Ser luz, paz, o amor que a todos contagia

Nesse dia tudo irá fazer sentido
Tudo que por aqui foi sofrido
Os percalços, as companhias, a solidão
Os momentos em que ouvimos um não

Quando esse dia de revelação chegar
Ou a gente irá chorar ou muito se alegrar
Pelo tempo que soubemos usar ou desperdiçar

Quiséramos nada ter a lamentar
Poder apenas agradecer, abraçar
E, feliz, ter a certeza que valeu a pena amar

Alda M S Santos

Um dia nos veremos de novo

UM DIA NOS VEREMOS DE NOVO

Por aqui, sabemos, é só uma fase da vida
Ela continua noutro plano ou dimensão
Perdemos tanta gente, nossa alma fica sofrida
E dói não poder ver, tocar com a mão

Nascemos aqui, morremos, renascemos acolá
Por que não aprendemos a não sofrer do lado de cá?
A saudade nos consome, o peito aperta
E brota desejo de abraçar, deixarmos a porta aberta

A fé e crença nessa  continuidade
Na luz do alto, um ser maior, uma divindade
Nos faz acreditar na nossa  capacidade
De nos refazermos e aguardar nova oportunidade

Creio que verei vocês novamente
Amores meus, gente querida, guardada no coração e na mente
Só posso agradecer pelo tempo de convivência
E pedir a Ele muita paciência e resiliência

Ainda verei vocês de novo!

Alda M S Santos

Qual o trato?

QUAL O TRATO?

Como cheguei até aqui?
Nesse lugar que não sei bem definir
Que ora me faz feliz, me faz sorrir
Ora é um grande equívoco, dói seguir

Que me trouxe até aqui, para quê?
De onde vim, qual foi o trato
Tudo parece ora bem concreto, noutras tão abstrato
Se desistir, há multa por quebra de contrato?

Será que existe um outro lugar, outro “aqui”?
Onde serei acolhida, bem-vinda
Ou serei avaliada, colocada na berlinda
Cumpridora, devedora, quando isso se finda?

Olho em volta para tudo isso aqui
Ora tem tanto por fazer ainda, qual a sentença
Será que sou daqui ou posso sair, pedir licença
Preciso saber para poder fazer a diferença…

Alda M S Santos

Sem saber o porquê

SEM SABER O PORQUÊ

Quando o peito aperta sem saber o porquê
Se tudo parece nublado sem razão de ser
A energia fica seca como areia no deserto
E nem se sabe se quer alguém por perto

Que se pode fazer?

Falta uma conexão importante, especial
Desejo de embrenhar no fundo do quintal
Em meio às folhas e galhos pós-vendaval
Ali parece ser acolhedor,  nada convencional

Que se pode fazer?

Um vazio que, paradoxalmente, é pesado
Uma angústia que nos deixa à parte, de lado
Questiona-se a razão de tudo isso aqui
E bate um desejo grande de partir

Que se pode fazer?

A vida vai sempre ensinando o caminho
Mostrando por onde seguir, mesmo sozinho
Abrindo trilhas em nossas matas fechadas
Se possível, levando boas almas aliadas

Assim, talvez, se encontre a razão de ser
E, finalmente, se saiba o que fazer…

Alda M S Santos

A passeio?

A PASSEIO?

Não viemos por aqui a passeio
Temos uma missão, tarefas, anseios
Não significa que não possamos nos divertir
Há muitas maneiras de no bem agir

Temos dons, viemos abastecidos
Todos têm finalidade, dão nosso colorido
O tempo deve ser bem aproveitado
Para seguirmos juntos, mais lado a lado

Podemos ser a luz num caminho
A coreografia que une num passinho
A poesia que acolhe com jeitinho
O abraço que expressa muito carinho

O que tenho, o que sou, meu sentir
Vale mais se posso por aí distribuir
Se a vida se acabasse hoje, nesse momento
Teria bom fechamento, sem ressentimento?

Alda M S Santos

Não tem graça!

NÃO TEM GRAÇA!

Não é só porque ele era famoso
Tampouco por fazer a nação da alegria sorrir
Em momentos de medos, onde tudo é doloroso
Mas por evidenciar que qualquer um pode partir
É por colocar a todos no mesmo patamar
Somos passíveis de sofrimentos, não há como negar
A morte chega e machuca sem avisar
Seus critérios desconhecemos, não dá para adivinhar
Leva quem faz sorrir lá na tela da televisão
Também quem está pertinho do coração
Vidas ceifadas, levadas daqui tão cedo
Somos passageiros por aqui, não há segredo
Paulo Gustavo não era mais importante que ninguém
Era apenas ser humano no topo do coração de alguém
Mas algo nisso mexe com nossa fragilidade
Ninguém está a salvo!
Ele era mestre do humor, fazia sorrir
Hoje faz chorar, não tem graça!
Isso reafirma a única certeza da vida
A qualquer hora podemos ir embora
Urge ser irmão, ser amor, sem demora
E, se pudermos aprender algo com isso
Fazer sorrir é um belo meio
De fazer valer nosso existir por aqui
RIP
Alda M S Santos

Coexistência

COEXISTÊNCIA
Vida e morte, morte e vida
No mesmo espaço, no mesmo cacho
Coexistência…
Fases de um viver, circularidade do existir
Por que tanta resistência em aceitar um partir?
Doloroso, fere fundo
A saudade que fica é paradoxal
Alimenta a ausência, machuca
Mas da vida é prova cabal
Quero a vida que há mesmo na morte
Aquela que nos deixa mais forte
E confiantes num poder maior
Num porvir que justifique esse existir
Saudade…
De tudo que partiu
De tudo que morreu em mim
Para mim
Saudade…
Um dia nos encontraremos
Em qualquer lugar, noutro plano
E, enfim, entenderemos…
Alda M S Santos

Para onde irão?

PARA ONDE IRÃO ?
Roupas e calçados doados para caridade
Livros lidos e relidos, que estante ocuparão?
Aquelas fotos e CDs antigos, verdadeira raridade
Objetos de apego, perfume especial, animais de estimação
Para onde irão?
Crônicas e textos escritos, poemas e versos
Cartas e cartões, carinhos contidos, afeições declaradas
É a vida em seus direitos e avessos, versos e reversos
Rosas plantadas, flores regadas, ervas arrancadas
Para onde irão?
Versos de amor gravados na alma em doces melodias
Sorrisos e abraços que aqueceram e iluminaram nossos dias
Qualquer tentativa de lidar com a ausência, com a saudade, pura perda de tempo, embromação
Bom mesmo é ficar mesmo depois de ir embora, permanecer pra sempre gerando emoção…
Todo o resto não importa para onde irá, especulação
Se o que importa de verdade estiver tatuado no coração…
Alda M S Santos

Jardim (des)humano

JARDIM (DES)HUMANO

Um dia Deus quis encher a Terra de jardins
Num colocou rosas, cravos, violetas e jasmins
Tantas flores lindas, coloridas, perfumadas
Todas elas por beija-flores e abelhas apreciadas
Num outro jardim gigante colocou pessoas, humanos
Pretos, brancos, amarelos e vermelhos
Mas o que aconteceu foi (des)humano
No jardim das flores havia diversidade, harmonia
Quanto mais perfume, maior a magia
Quanto mais cores, mais insetos atraía
Mas no jardim dos humanos havia primazia
Brancos se achavam superiores
Excluíam as demais cores, covardia
Matavam, do poder abusavam, picardia
O jardim humano nem parecia divino
Se quiser aprender algo seja das flores inquilino…

Alda M S Santos.

Era a vida

ERA A VIDA
Caminhava devagar numa praia deserta, sozinha
Chutava as águas, descalça, olhar no horizonte
Vez ou outra se abaixava para pegar uma conchinha
Um vestido leve e fino ao sabor do vento
Mexia também com seu pensamento
Sabia que deveria estar ali, mas não entendia
Simplesmente seguiu um desejo, a magia
Faltava algo para tudo se encaixar
Mas por que nada acontecia?
Seguiu sua suave e intrigante caminhada
Avistou alguém ao longe, ficou arrepiada
Seria a brisa, a expectativa ou uma cilada?
Não tinha medo, seguiu o vulto que lhe acenava
Correu, segurou sua mão e sumiram na mata fechada
Coração aos saltos, sorriram, nada importava
Era a vida que numa nova forma se apresentava…
Alda M S Santos

Borboleta voou

BORBOLETA VOOU

Uma borboleta, linda, suave
Colorida, leve, encantadora
Passou por duras e incompreensíveis penas
Lagarta, casulo, criou asas
Borboleteou por aqui, incansável
Voou amou, flores tocou
Intensa, semeou vida, polinizou
Viveu sua metamorfose, aceitou
Lutou suas batalhas, recuou, avançou
Pediu trégua, venceu…
Ao Criador sempre agradeceu
Enfim, pousou…
Mas toda borboleta sabe que há fases
Logo estará voando do lado de lá
Borboleta tão bela assim de lá irá tudo aqui enfeitar
Saudades imensas no coração deixou
Mas os lugares que aqui voou, pousou, enfeitou
Nunca deixará de estar…
Seu brilho intenso, perfume delicado de flor
Será para todos que ficaram
A prova irrefutável de um grande amor
Vá com Deus, Borboleta
Outras flores precisam de ti…

Alda M S Santos

A morte

A MORTE

Sempre parecerá mórbido falar de morte

Enquanto ela for vista como um fim, uma punição

O desconhecimento do porvir causa apreensão

Quando o legado que se tem não traz satisfação

É preciso saber viver, diz a canção

E isso inclui também saber morrer

Ainda que machuque o coração

É a única certeza nesse mundão

Aprender, crescer, encarar tudo como lição

Captar tudo que ela puder nos ensinar

E aproveitar esse momento para evolução

Aceitar a morte como transição

Deve fazer parte de nosso caminhar

Para uma vida que continua noutro lugar

Alda M S Santos

Coexistência

COEXISTÊNCIA

Vida e morte, morte e vida

No mesmo espaço, no mesmo cacho

Coexistência…

Fases de um viver, circularidade do existir

Por que tanta resistência em aceitar um partir?

Doloroso, fere fundo

A saudade que fica é paradoxal

Alimenta a ausência, machuca

Mas da vida é prova cabal

Quero a vida que há mesmo na morte

Aquela que nos deixa mais forte

E confiantes num poder maior

Num porvir que justifique esse existir

Saudade…

De tudo que partiu

De tudo que morreu em mim

Para mim

Saudade…

Um dia nos encontraremos

Em qualquer lugar, noutro plano

E, enfim, entenderemos…

Alda M S Santos

Um instante

UM INSTANTE

Por um único instante

Por mais fugaz que fosse

Gostaria de ir do outro lado

Aquele que fica além da vida

Apenas dar uma espiada e voltar

Saber se estou na rota certa

Se não desviei do caminho a que me propus

Se falta muito ainda para o game over

Ou se ainda tenho tempo para mudar de fase

Quanto falta ainda para conquistar ou realizar

Mas, principalmente, se não estou deixando ninguém para trás

Só por um instante!

Seria possível ir até lá?

Buscar mais munição, fazer reservas

Estocar suprimentos , sei lá

É que às vezes dá medo, parecemos jogar no escuro

Só por um instante…

Pode ser?

Alda M S Santos

Leveza

LEVEZA

Sonhei que estava a caminho do céu

Vestes brancas e leves a flutuar

Na cabeça uma tiara de rosas, um véu

Subia, girava, sorria, ia devagar

Vez ou outra parava no caminho

Sentava numa nuvem para baixo a olhar

Quem foi que deixei sozinho

Isso pesava, não me deixava viajar

Era tão bom poder plainar

Cada vez mais longe, mais alturas alcançar

Tal qual águia na imensidão a voar

Tudo ficava leve, pétalas de rosas a carregar

Mas algo não estava bem

Ainda não posso ir, preciso retornar

Aqui tinha ficado alguém

Mas já conhecia o caminho do céu a atravessar

Me despedi de mim mesma

Minha leveza, minha destreza

Quem sabe não chegaria o dia

Que iria com certeza pra lá

Enquanto não é possível

Quero de novo sonhar

E nas asas de uma borboleta

As alturas de novo chegar…

Alda M S Santos

Nada por viver

NADA POR VIVER

Não quero deixar nada por viver

Tanta gente indo embora tão cedo, deixando muito por fazer

Que aumenta em nós a necessidade de nada deixar por viver

Com o cuidado de, com isso, nada no outro fazer morrer

Parece que há tanto ainda por aprender

Tantos lugares a passear, a conhecer

Muito ainda a doar, a ajudar, a nos compadecer

Tanto amor ainda por fazer…

Não quero deixar nada aqui para viver

Quero brincar mais, sorrir mais, sem reclamar quando doer

Porque tudo isso faz parte do viver

Extraí da vida tudo o que ela oferecia, quero poder dizer

Quero em tudo intensidade, interação, paixão

A vida do outro lado haverá afazeres diferentes, outra distração

Daqui levarei lembranças, emoção, satisfação

E, se Deus quiser, nada deixarei

Além de marcas boas de saudade em cada coração…

Não quero deixar nada por viver…

Alda M S Santos

Fim

FIM

Do princípio ao fim

Ou do fim ao princípio

Tantas questões dentro de mim

Chego só, volto só

Enfim, qual é o propósito

Disso tudo, Serafim

Será o fim?

Aterrisso sem nada saber

Tenho tanto ainda para aprender

E já começo a voltar

Para casa regressar

Perco a mobilidade, a habilidade

A memória e, por vezes, a consciência

Não é uma incongruência

Disso tudo, Serafim?

Tudo que amealhei por aqui

Não mais me pertencerá

O que me acompanhará é aquilo que ganhei ou perdi

Conquistei ou doei, e que poderei também deixar

Com quem esteve comigo do princípio ao fim

Chego nua, volto vestida de Lua, perfume de jasmim

Várias fases, brilho e luz…

Um ciclo que se fecha em mim e me conduz…

Alda M S Santos

Legado

LEGADO

Sempre deixaremos um legado por aqui

Passar por esse local, tempo e espaço

Não nos permite ficar incólumes

Algo sempre ficará de nós para os demais

Temos por obrigação deixar o melhor de nós

Deixar mais do que recebemos

Processar tudo que vier para nós

Do ontem e do hoje e construir algo inovador

Transformar dores e angústias em crescimento

Mágoas e desrespeito em esperança

Amor em mais amor…

Não podemos perpetuar o mal, o negativo

Um mundo melhor se constrói

Não desconsiderando o que de ruim nos aconteceu

Mas usando esse aprendizado para não causar o mesmo mal

Naqueles que amamos ou convivem conosco

Ou também nos demais que partilham esse tempo terreno

Somos responsáveis simplesmente por estar aqui

Quanto mais sabemos, maior nossa responsabilidade!

Alda M S Santos

Aborto: (in)coerência?

ABORTO: (IN)COERÊNCIA?

Defendes tanto direitos femininos

Igualdade, equidade, equiparação social, profissional

Direitos e deveres iguais e tal

Como pode ser contra o aborto?

O corpo não é dá mulher, afinal?

Não é “meu corpo, minhas regras?”

Não é muito incoerente?- questionaram-me

Usando argumentos em defesa da vida da mãe

Do futuro da criança que é indesejada

Tudo bem, acontece uma distração ou descuido

Mas deve-se arcar com a responsabilidade do ato

Defendo direitos do ser humano: homens ou mulheres

Nenhum é mais ou melhor que o outro

Simplesmente por ser homem ou mulher

Talvez pelas lutas e conquistas …

E a mulher é historicamente inferiorizada e desrespeitada

Injustamente!

Defendo a preservação da vida, de todos, para todos

E aborto é assassinato, pensado e calculado

Uma vida interrompida precocemente

Sem ter direito qualquer de defesa

E não é a mulher que aborta

Todo aborto inclui, no mínimo, pai e mãe

São ambos responsáveis da mesma forma

“Meu corpo, minhas regras”

Não pode ser superior à vida de um inocente

A partir do momento que a manutenção de direitos próprios

Envolve e fere outra vida

Que não pode responder por si

Esses direitos caem por terra

A vida é prioridade! Sempre!

Devemos defendê-la a qualquer custo

Se ela estiver dentro de nós

Somos mais responsáveis ainda!

Eu tive o direito de nascer, gerei vidas que amo

Não tenho o direito de impedir o nascimento de outro ser

Sou coerente com o amor e a vida que prego

A todos os seres humanos!

Por isso digo NÃO a homens e mulheres que abortam

Legalmente ou não…

Alda M S Santos

Quantos degraus?

QUANTOS DEGRAUS?

Quantos degraus até o céu?

A escada é sinuosa, rolante, escorregadia, antiderrapante?

Quem pode subir, há restrições, limites de entrada?

Podemos levar alguém, sermos levados por alguém?

E se nos cansarmos no caminho, tropeçarmos, cairmos?

Podemos voltar a subir ou perdemos a vez?

Os últimos serão os primeiros?

Quantos degraus até o céu?

A entrada é franca? Paga-se com quê?

Qual a “moeda” de troca?

Muitas perguntas… Sei lá!

Enquanto isso vou fazendo do agora o meu céu

Tal qual crianças a brincar, a pular amarelinha

Continuo subindo até o céu…

Alda M S Santos

Linda aura

LINDA AURA

Linda, sorridente, costureira, bordadeira

Lindaura: LINDA AURA

Sempre mexendo, parecia uma formiguinha

Vaidosa, amava se enfeitar de cores e flores

Música, dança, abraços, carinhos e mimos

Ela nos fazia felizes, nos tornava especiais para si

De tudo participava, sempre animada, ignorava limitações

Que vamos fazer hoje? -perguntava

Já passando mal foi para junto de todos nós neste sábado

Um sábado de colorir, um sábado colorido

Um sábado para se despedir…

Que de repente perdeu as cores

Um olhar muito meigo e profundo

Um olhar que sorria…

E que hoje nos desperta lágrimas de saudade

Abracei, beijei, conversei, fiz carinho

Demos o que sabíamos dar: amor, atenção, tempo

Nos despedimos sem querer, sem saber…

Agora foi enfeitar o céu com seu largo sorriso

E seus laços e tiaras coloridas, seu olhar brilhante

Aqui ficamos tristes, mas com a sensação que fizemos sua vida mais colorida

Vá em paz, Lindaura, com sua linda aura, missão cumprida!

Dê aquele seu lindo sorriso e abraço gostoso para Ele em nosso nome

O tempo que pudemos desfrutar de sua companhia foi maravilhoso

Amamos você!

Sentiremos imensas saudades…

Alda M S Santos

Uma bela manhã para viver

UMA BELA MANHÃ PARA VIVER

Uma bela manhã para viver

Céu, sol, brisa, flores e cores

Ou uma bela manhã para morrer

Também de belezas, encantos e perfume

O que diferencia uma da outra

Será que ela sabe flutuando por ali

Vive tão intensamente, tão pouco

Nesse mundo tão assustador

Lagarta, casulo, escuro

Tem medo?

Borboleta, luz, cores, brilho

Tem medo?

Tudo tem seu devido tempo…

Será?

Uma bela manhã para viver

Ou uma bela manhã para morrer

Quem determina?

Voa suave e para nas mãos dela confiante

Quer responder à questão silenciosa

Leve, linda, desliza delicada por seus dedos

E voa serena em torno dela no jardim

Mas deixa sua resposta

Quer seja uma bela manhã para viver

Ou uma bela manhã para morrer

É a paz que reina em cada alma

Que será capaz de fazer…

Alda M S Santos

Como entender?

COMO ENTENDER?

Passaremos a vida inteira por aqui

Sem entender os critérios do fim

Quem fica ou quem se vai

Como, quando ou por que ficam ou se vão

(De)méritos, ônus, bônus, proteção, acerto de contas?

Tentar entender essa (i)lógica seleção ou exclusão

É pura perda de tempo…

Não somos capazes de compreender

Há muitas coisas que não nos foi dado conhecer

Para não enlouquecermos ou jogarmos a toalha

Resta-nos confiar em quem nos colocou aqui

E aceitar seus desígnios para nós

Ainda que doa, magoe, corte fundo

Afinal, Ele mesmo foi embora muito cedo

E de um modo crucial para todos nós…

Alda M S Santos

Como determinar?

COMO DETERMINAR?

Por quanto tempo certas perdas irão doer

Por quanto tempo algumas pessoas farão falta

Como determinar?

Por quanto tempo elas serão lembradas sob lágrimas

Quando a lembrança será apenas saudade boa?

Como determinar?

Depende do tempo que se passou juntos

Da profundidade do que foi vivido, das marcas deixadas?

Como determinar?

Doerá menos se não restaram dívidas a quitar

Se não ficaram mágoas ou algo a perdoar?

Como determinar?

Por quanto tempo quem ficou para trás

Ainda se sentirá sem chão ou perdido

Como determinar?

Há como calcular o tempo de cura?

Em quanto tempo os vazios deixados serão novamente preenchidos?

Tantas pessoas se vão todos os dias

Tantas pessoas ficam para trás

Tantas dores que não sabemos se têm fim

Ou se são apenas anestesiadas, amortizadas

Tantas perdas, tantas mortes

Até quando quem as sofreu

Irá querer voltar no tempo para ter de volta quem se foi,

Para consertar algo?

Como determinar?

A vida é um piscar de olhos

Aproveitemos esse intervalo antes do cerrar definitivo das pálpebras!

Alda M S Santos

Instituto Inhotim -Brumadinho

Haja lágrimas!

HAJA LÁGRIMAS!

Nem bem uma lágrima seca

Um soluço passa

A descrença começa a perder força

Vem outra tragédia para irrigar a emoção

Puxa vida! Haja lágrimas!

Deus, tenha piedade de nós

Cuide de nosso Brasil

Não nos deixe perder a fé em dias melhores

Em boas pessoas, na capacidade de lutar

E seguir em frente

Mesmo com tudo balançando todo o tempo

Despencando e querendo nos levar daqui

Será que seria tão ruim ir embora?

Vontade de chorar e chorar…

Alda M S Santos

Sonhos queimados

SONHOS QUEIMADOS

“Quem não sonhou ser um jogador de futebol”?

Uma habilidade, um dom especial, um sonho

Os pés tão hábeis com a bola,

E um coração recheado de esperanças

Num novo lugar, novas pessoas, novos amigos

Juventude, futebol, alegria, Flamengo, sacrifícios

“Posso morrer pelo meu time

Se ele perder, que dor, imenso crime”

Longe da família, investindo num sonho:

Ser um jogador famoso, ganhar dinheiro

Ajudar familiares, ser feliz…

Onde estava o erro disso?

Sonhos queimados tão precocemente

Viraram cinzas as esperanças

Dez adolescentes com vidas interrompidas sob fogo

“Bola na área sem ninguém pra cabecear

Quem não sonhou em ser um jogador de futebol?”

Canto, de luto, muda, com Skank…

Hoje é triste uma partida de futebol

Tantas dores, tantas tragédias, luto

Parem o mundo que eu quero descer!

Alda M S Santos

Foto G1

#flamengo #skank #ninhodourubu

Antes de morrer

ANTES DE MORRER

Revendo minha lista de coisas a fazer antes de morrer

Já teve pouquíssimos itens, aumentou muitos

Agora sofre perdas e substituições

Uns são simplesmente apagados por inadequação

Por acreditar que o tempo não será suficiente

Por maturidade, decepção e/ou cansaço

Ou por pura covardia mesmo…

Nesse ínterim, outros itens mais “adequados” são inseridos

Menor exigência, maior fé, mais autoconhecimento

Mais autoproteção, menos ansiedade, mais sabedoria

A cada item alcançado, um novo é acrescentado

Afinal, o tempo ainda não parou

A areia desce na ampulheta invisível da vida

Tento acompanhá-la no meu ritmo

E a lista está ali, pedindo para ser completada

Antes de morrer…

Alda M S Santos

Tributo a Brumadinho: lama ou flores?

TRIBUTO A BRUMADINHO: LAMA OU FLORES?

Cada um dá o que tem, aquilo que dispõe

Se o que recebemos foi dor

Façamos uma oração a quem sabe de todas as coisas

Se o que recebemos foi lama

Joguemos pétalas de rosas

Se o coração apertar e as lágrimas brotarem incessantemente

Deixemos rolar…

Elas lavam o caminho para o novo nascer

Desintoxicam…

Ainda que machuque, mesmo que demore

O que é bom, verdadeiro, que vem da alma

Sempre encontra uma área fértil em meio à destruição

Para renascer…

Isso vale para flores, para sentimentos, para pessoas

O amor não morre em meio a tanta dor

E essa vida, lama nenhuma tira ou mata

Vão em paz, fiquemos em paz…

Que cada um de vocês que permanece aqui em nossos corações

Brotem lindos e viçosos onde não há mais qualquer dor…

Alda M S Santos

Fotos Band, G1 e R7

Também somos responsáveis

TAMBÉM SOMOS RESPONSÁVEIS

Quando não ouvimos os gritos que imploram por socorro

Também somos responsáveis

Quando não entendemos o olhar que nos implora atenção

Também somos responsáveis

Quando nos calamos diante do silêncio sugestivo e de alerta

Também somos responsáveis

Quando ignoramos um pedido de perdão

Também somos responsáveis

Quando fechamos os olhos para a escuridão que se avizinha

Também somos responsáveis

Quando usufruímos do objeto/produto que possa causar dor ao outro

Também somos responsáveis

Quando não gritamos, não entendemos, não agimos

Quando somos tomados pelo comodismo e pela inércia

Também somos responsáveis

Não importa de onde venha a lama ou a tragédia

Ou de onde os escombros caiam

Se ocorre no trabalho, na igreja, na vizinhança

Em nosso próprio lar ou dentro de nós mesmos

Somos, no mínimo, corresponsáveis

Que cada qual possa assumir sua cota de culpa

E mudar…

Alda M S Santos

Hora de partir…

HORA DE PARTIR…

Era chegada a hora de partir

Para onde não sabia

Apenas sentia, ouvia o chamado

Um chamado incessante de um novo lugar

Desconhecia o caminho, o destino

Sabia apenas que precisava ir…

Sequer tinha conhecimento se teria companhia

Mas era chegado o momento

Despiu-se do passado, foi nua

As novas vestes viriam com o tempo

As únicas vestimentas que levaria consigo

Seriam aquelas que acalentaram, aqueceram a alma

Tornando-a sensível e forte

Ou aquelas que iriam clarear e perfumar sua nova trilha

Jogou para trás as velhas sandálias

E seguiu nua, calçada de coragem

Em busca de novo destino…

Alda M S Santos

Confiança, ingenuidade ou pureza?

CONFIANÇA, INGENUIDADE OU PUREZA?

Tão confiante que se aproxima daquele que o alimenta

Ingênuo o bastante para lamber a mão que se estende

Puro o suficiente para não perceber

Que aquele que o alimenta e cuida

Tem outros interesses que ele desconhece

Ambos apenas buscam suas necessidades básicas de sobrevivência

Uma certa empatia, olhar doce, focinho gelado

A mão que o alimenta, outro dia virá para lhe tirar a vida

Para alimentar outras vidas…

Sou meio covarde!

Até como a carne, mas desde que outro tire a vida

Que não precise encarar esse olhar todos os dias

Que não crie laços de afinidade

Não tenho coragem de tirar a vida!

Como se a carne que viesse do açougue

Não representasse uma vida como aquela

Que me olha terna ali…

É estranho pensar que uma vida precise se perder

Para outra poder permanecer…

Quem determina qual vida é mais valiosa?

Será mesmo necessário?

Humanos precisam mesmo disso?

Por que ao olhar dentro desse olhar

Tudo isso parece tão (des)humano?

Alda M S Santos

Finou-se?

FINOU-SE?

Dia de Finados, dia dos mortos, dia dos vivos

Dia de todos nós que aceitamos nossas mortes diárias

Aquilo que em nós finou por inanição, por circularidade existencial, por ciclo vital

Somos feitos de nascimentos e mortes todo o tempo

Aprendendo a lidar com o que em nós definha, morre

O que em nós brota, nasce, cresce, se agiganta

Até mesmo o que em nós se transforma ou se recolhe

Para não tirar a luz daquilo que precisa crescer

Fruto que precisa secar, morrer

Para deixar a semente de um novo existir brotar

E manter oxigenado em nós o que precisa viver…

A “melhor morte” de todas é a que serve de adubo para aquilo que vai nascer

Não morre, se transforma e renasce em algo mais lindo e duradouro

Como o que temos em nós de mais maravilhoso

Capaz de permitir que nele nos eternizemos: O AMOR

Alda M S Santos

Qual a questão?

QUAL A QUESTÃO?

Não é uma questão de vencer a qualquer custo

É uma questão de saber quais “armas” são válidas

Não é uma questão de ter a quem culpar

É uma questão de assumir as próprias responsabilidades

Não é uma questão de vencer ou perder

É uma questão de ficar bem consigo mesmo numa ou noutra situação

Não é uma questão de quem vive ou quem morre

Por quem se vive ou por quem se morre

É uma questão de vida e morte para todos

É uma questão de porquê se vive e porquê se morre

Mas, principalmente, de como se vive ou como se morre

Pois não há quem vença sempre

Não há tampouco quem viva para sempre…

Em cada vitória trazemos uma derrota acoplada

Em cada derrota há sempre algo de positivo e vitorioso a considerar

É tudo uma questão de ir aprendendo a viver

Enquanto houver vida, amor, esperança e confiança…

Alda M S Santos

Quando eu for embora

QUANDO EU FOR EMBORA

Quando eu for embora

Quem de mim sentirá falta?

Aqueles que caminharam comigo

Que tiveram de mim a companhia diária?

Quando eu for embora

Quem de mim sentirá falta?

Aqueles aos quais dei meu melhor, mesmo falha, mesmo nos erros?

Ficará neles a lembrança do meu sorriso, do meu cuidado, do meu amor?

Quando eu for embora

Quem de mim sentirá falta?

Aqueles para os quais trabalhei, ensinei, me dediquei?

Quando eu for embora

Quem de mim sentirá falta?

Aqueles que buscaram em mim a inspiração e energia para continuar?

Quando eu for embora

Quem de mim sentirá falta?

Aqueles que me amaram…

Mas quem me amou de verdade?

Quando eu for embora

Quem de mim sentirá falta?

Aqueles que de mim precisaram, que usufruíram do que pude proporcionar

Que amaram não a mim exatamente, mas o que lhes possibilitei

Esses encontrarão logo substituto quando eu for embora

Sentirão falta de alguém como eu, não de mim…

Nós somos quem amamos e quem nos amou de verdade

Quando formos embora levaremos grande parte deles conosco

Deixaremos muito de nós com eles…

Quando eu for embora

Quem de mim sentirá falta?

Alda M S Santos

Desculpe

DESCULPE!

Eu lutei, me esforcei, enfrentei o que machucava, sem revoltas

Dei tudo de mim, entreguei o que tinha, pedi, perdi

Desculpe!

Não foi o bastante tudo que fiz

As dores que passei, os medos que vivi, eu tentei, perdi

Desculpe!

Amei vocês acima de tudo, briguei comigo mesma

Quis estar aqui, ser a Mulher Maravilha, perdi

Mas nem todos os laços que cultivei conseguiram me salvar

Desculpe!

Fui feliz, sorri, chorei, sofri, fiz vocês sofrerem

Acreditei que seria possível… perdi

Desculpe!

Por não ter aguentado, não ter conseguido ficar mais

Desculpe!

Por ter partido e deixado vocês para trás

Desculpe!

Mas uma promessa eu cumprirei

Amarei vocês para sempre!

Ainda nos encontraremos um dia e abraçarei vocês de novo

Desculpe! Adeus!

Ela teria dito, se pudesse, antes de partir…

Eu teria dito se fosse ela

E ela se foi…

Guerreira, amante e amada…

Alda M S Santos

Para onde irão?

PARA ONDE IRÃO?
Roupas e calçados doados para caridade
Livros lidos e relidos, que estante ocuparão?
Aquelas fotos e CDs antigos, verdadeira raridade
Objetos de apego, perfume especial, animais de estimação
Para onde irão?
Crônicas e textos escritos, poemas e versos
Cartas e cartões, carinhos contidos, afeições declaradas
É a vida em seus direitos e avessos, versos e reversos
Rosas plantadas, flores regadas, ervas arrancadas
Para onde irão?
Versos de amor gravados na alma em doces melodias
Sorrisos e abraços que aqueceram e iluminaram nossos dias
Qualquer tentativa de lidar com a ausência, com a saudade, pura perda de tempo, embromação
Bom mesmo é ficar, mesmo depois de ir embora, permanecer pra sempre gerando emoção…
Todo o resto não importa para onde irá, especulação
Se o que importa de verdade estiver tatuado no coração…
Alda M S Santos

Violência, carregando…

VIOLÊNCIA, CARREGANDO….
De pouquinho em pouquinho é que tudo se agiganta
Uma greta aberta na porta permite pequenas entradas da leve e desejada brisa
Que logo se alarga e não controla o vendaval
Uma pequena fagulha num terreno seco
Logo se torna um incêndio de proporções incontroláveis e destruidoras
Um pequeno vazamento de água subterrâneo pode jogar casas inteiras ao chão
Pequenas permissões são aval para grandes intromissões
Uma vez esfregada a garrafa a rolha deixa escapar o gênio
Que pode não querer voltar para lá
Um grito, uma agressão verbal ou um “simples” desrespeito
Na vida pessoal, social, religiosa ou política
Que são aceitos, permitidos ou ignorados
São a fresta na porta, a fagulha do fogo, o vazamento subterrâneo em nossas vidas
O gênio da violência que escapa e não quererá voltar
Todo grande evento começa devagarzinho
De modo a ter impedido ou controlado seu crescimento e evolução…
Alda M S Santos

É macabro falar de morte?

É MACABRO FALAR DE MORTE?

Muitas são as explicações na tentativa de justificá-la

Uma das poucas certezas da vida: a morte

E ainda assim a desconhecemos e tememos

Atinge a todos, sem exceção

Não escolhe idade, raça, gênero, cultura ou condição socioeconômica

Ainda assim tentamos explicar:

“Estava velho e doente, sofrendo, foi melhor assim”

“Tão jovem, uma vida pela frente, não dá para aceitar”

“Lutou contra o destino, mas não teve jeito, era a hora”

“Esse também desafiou a morte todo o tempo”

“Era um anjinho, nada viveu ainda”

“Uma alma boa, nunca fez mal a ninguém”

Ou a mais ouvida de todas:

“Deus chamou de volta para casa!”

Quem Deus chama de volta?

Qual o critério para voltar para casa?

Deu defeito, venceu o período de garantia?

Precisa de “assistência técnica” especializada?

Deu ou causou perda total e precisa voltar para o fabricante?

E se foi mau uso, tem direito a reparos e retorno às vias?

E aqueles que apresentam reiteradamente o mesmo defeito, destruindo ou arriscando a si e aos outros?

Nessa perspectiva Deus seria o mecânico, o técnico especialista em reparar falhas e danos.

Mas será que Ele não saberia fazer isso com o motor funcionando, com o coração batendo?

Será que quem volta para casa não precisa de injeção de carinho, tratamento intensivo de amor?

E aqueles que não apresentam defeito de fábrica,

Por que voltam para a “oficina”?

Será que Ele não leva alguns tão bons para ajudá-lo lá em cima?

Será que simplesmente não venceram seu “estágio” por aqui?

Será que quem é chamado de volta já não veio com data de retorno?

Qual o critério para escolher o quanto viver e quando morrer?

Olhando por um lado positivo

Quem morre já cumpriu seu papel nessa dimensão,

E volta para a eternidade, para o paraíso tão aclamado!

Não é castigo ou punição a morte, apenas mudança de jornada.

Seriam, então, privilegiados aqueles que vão mais cedo…

Difícil é fazer aqueles que foram deixados para trás

Entender, aceitar e aprender a lidar com a ausência e a saudade…

E, não, falar de morte não é macabro!

Alda M S Santos

Cultivando amizades

CULTIVANDO AMIZADES

Amava a terra, a natureza

Cuidar de sua horta, suas galinhas

Plantando árvores, colhendo frutas

Cultivando amizades, distribuindo simpatia

Sempre original com seu bigode e seu chapéu

Cuidadoso e carinhoso com os cachorros de “todo mundo”

Atencioso com todos, carinho sem igual com filhos e netos

Nosso moço da água, responsável, brincalhão

Pegando grama para ninhos das galinhas, matando cobras

Fazia parte daquele lugar

Descendo a rua a passear com a esposa

Subindo seu terreno ao lado do nosso

E sempre um cachorrinho atrás

Um bate papo atencioso com quem encontrava

Como só pessoas de lugares lindos e simples

E de almas grandiosas são capazes…

Foi chamado para cuidar de outras terras, do outro lado

Antônio dos Santos não será o mesmo lugar sem você

Se puder, apareça por lá vez ou outra…

Vá em paz, amigo Walmir!

Se Deus o levou, que possa amparar quem ficou!

ABRAÇOS CARINHOSOS DA FAMÍLIA SANTOS

Alda M S Santos

Ao pó voltarás

AO PÓ VOLTARÁS

Do pó viestes, ao pó voltarás

Profetiza a sagrada escritura

Real, ainda que pareça dura

Entre a vinda e a volta ao pó

Entre o choro feliz da chegada

E o choro sentido da partida

Muita água passa debaixo dessa ponte

Muita poeira é levantada

Muita alegria celebrada

Muitas dores sanadas

Na volta ao pó tudo se iguala

Todos enfileirados, todos pó sob pó

Ali não se separa sexo, idade, etnia

Religião, cultura ou bens materiais

Todos são pó, todos viram pó!

Igualdade ainda que tardia!

Entre pó, entre lápides, nomes diversos

Quantas histórias poderiam ser contadas e escritas dali?

Nomes desconhecidos, registros de alguém que passou por aqui

Amou, foi amado, sofreu, causou sofrimentos, viveu…

Foi feliz ou nem tanto, deixou marcas!

Flores mortas no caminho, um carinho, lembranças…

Datas de chegada e partida

Jovens ou velhos, não há critério ou escolha

É chegado o momento! Sem morbidez!

Todos iguais ao menos ali

A diferença está no que deles ficou em cada coração

No que cada alma leva consigo

Do pó viestes e ao pó voltarás!

Alívio ou tormento isso gera?

O que em nós não se tornará pó?

O que a alma carrega consigo nunca será pó!

Essa é a verdadeira diferença que não se nota ali…

Esse é o registro que nunca se apagará

Mesmo depois do descanso eterno…

Alda M S Santos

A morte como solução

A MORTE COMO SOLUÇÃO

Num mundo de pessoas cansadas, perfeitas e egocêntricas

Prevalece a lei do menor esforço

Deu problema, criou problema, será um problema

Para que tratamento, perda de tempo

Para que investir emoções, recursos financeiros, educação, saúde

Resolve logo: mata!

Corta o mal pela raiz, ou já árvore frondosa

Que nasceu torta, cresceu torta

Mata!

E justifica essa morte como proteção à outra vida

Uma que vale mais que aquela que é suprimida, preterida

Resta saber quem define qual vida vale mais

Nesse ritmo, a morte seria solução para tudo

Não é uma vida desejada: mata!

Atravessou seu caminho: mata!

Não é uma vida do “bem”, comete crimes, mata!

Não é uma vida como a nossa: mata!

Não é uma vida saudável: mata!

É uma vida que nos afronta: mata!

Mata! Mata! Mata!

Aborta, mata crianças e velhos, gays e viciados

Doentes físicos e mentais, qualquer um que cause ônus

Barbárie total! Retrocesso! Antigo Testamento ou Apocalipse?

Pena de morte para todo aquele que é diferente!

Quem irá segurar essa avalanche ladeira abaixo?

Todo holocausto começou com uma “pequena morte” ignorada ou justificada…

Alda M S Santos

Morrer não é natural!

MORRER NÃO É NATURAL!

Morrer é natural,

Mas quando a morte vem de onde se espera o engrandecer, o perpetuar da vida

Morrer não é natural!

Morrer é natural,

Mas quando a morte vem pelas mãos da mãe e do pai que abortam uma vida ainda no ventre

Não, morrer não é natural!

Morrer é natural,

Mas quando a morte vem pelo abandono e descaso dos progenitores

Aqueles que são os monstros, ao invés de vencê-los

Não, morrer não é natural!

Morrer é natural,

Mas quando a morte vem pela negligência ou ação de médicos

Que deveriam prolongar ou “salvar” a vida

Não, morrer não é natural!

Morrer é natural,

Mas quando a morte chega pelas mãos no pescoço daquele em quem se confiou

Daquele que foi seu oxigênio um dia e agora lhe tira o ar

Daquele que foi porto seguro e agora lhe rouba o chão

E lança pela janela todos seus sonhos, literalmente

Não, morrer assim não é natural!

Morrer é natural, sim, ciclo final da vida!

Mas morrer desse modo não é natural

Quando a morte vem de onde se esperou sempre proteção e cuidado

Seja pai, mãe, irmãos, filhos, cônjuges, namorados ou amigos …

Não é natural, é covardia!

Morrer assim é antinatural, é assassinato

Jamais deveria ser aceito por ninguém

Em nenhuma circunstância, sob nenhuma atenuante!

Alda M S Santos

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