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poemas e reflexões da vida cotidiana

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Jardim (des)humano

JARDIM (DES)HUMANO

Um dia Deus quis encher a Terra de jardins
Num colocou rosas, cravos, violetas e jasmins
Tantas flores lindas, coloridas, perfumadas
Todas elas por beija-flores e abelhas apreciadas
Num outro jardim gigante colocou pessoas, humanos
Pretos, brancos, amarelos e vermelhos
Mas o que aconteceu foi (des)humano
No jardim das flores havia diversidade, harmonia
Quanto mais perfume, maior a magia
Quanto mais cores, mais insetos atraía
Mas no jardim dos humanos havia primazia
Brancos se achavam superiores
Excluíam as demais cores, covardia
Matavam, do poder abusavam, picardia
O jardim humano nem parecia divino
Se quiser aprender algo seja das flores inquilino…

Alda M S Santos.

Era a vida

ERA A VIDA
Caminhava devagar numa praia deserta, sozinha
Chutava as águas, descalça, olhar no horizonte
Vez ou outra se abaixava para pegar uma conchinha
Um vestido leve e fino ao sabor do vento
Mexia também com seu pensamento
Sabia que deveria estar ali, mas não entendia
Simplesmente seguiu um desejo, a magia
Faltava algo para tudo se encaixar
Mas por que nada acontecia?
Seguiu sua suave e intrigante caminhada
Avistou alguém ao longe, ficou arrepiada
Seria a brisa, a expectativa ou uma cilada?
Não tinha medo, seguiu o vulto que lhe acenava
Correu, segurou sua mão e sumiram na mata fechada
Coração aos saltos, sorriram, nada importava
Era a vida que numa nova forma se apresentava…
Alda M S Santos

Borboleta voou

BORBOLETA VOOU

Uma borboleta, linda, suave
Colorida, leve, encantadora
Passou por duras e incompreensíveis penas
Lagarta, casulo, criou asas
Borboleteou por aqui, incansável
Voou amou, flores tocou
Intensa, semeou vida, polinizou
Viveu sua metamorfose, aceitou
Lutou suas batalhas, recuou, avançou
Pediu trégua, venceu…
Ao Criador sempre agradeceu
Enfim, pousou…
Mas toda borboleta sabe que há fases
Logo estará voando do lado de lá
Borboleta tão bela assim de lá irá tudo aqui enfeitar
Saudades imensas no coração deixou
Mas os lugares que aqui voou, pousou, enfeitou
Nunca deixará de estar…
Seu brilho intenso, perfume delicado de flor
Será para todos que ficaram
A prova irrefutável de um grande amor
Vá com Deus, Borboleta
Outras flores precisam de ti…

Alda M S Santos

A morte

A MORTE

Sempre parecerá mórbido falar de morte

Enquanto ela for vista como um fim, uma punição

O desconhecimento do porvir causa apreensão

Quando o legado que se tem não traz satisfação

É preciso saber viver, diz a canção

E isso inclui também saber morrer

Ainda que machuque o coração

É a única certeza nesse mundão

Aprender, crescer, encarar tudo como lição

Captar tudo que ela puder nos ensinar

E aproveitar esse momento para evolução

Aceitar a morte como transição

Deve fazer parte de nosso caminhar

Para uma vida que continua noutro lugar

Alda M S Santos

Coexistência

COEXISTÊNCIA

Vida e morte, morte e vida

No mesmo espaço, no mesmo cacho

Coexistência…

Fases de um viver, circularidade do existir

Por que tanta resistência em aceitar um partir?

Doloroso, fere fundo

A saudade que fica é paradoxal

Alimenta a ausência, machuca

Mas da vida é prova cabal

Quero a vida que há mesmo na morte

Aquela que nos deixa mais forte

E confiantes num poder maior

Num porvir que justifique esse existir

Saudade…

De tudo que partiu

De tudo que morreu em mim

Para mim

Saudade…

Um dia nos encontraremos

Em qualquer lugar, noutro plano

E, enfim, entenderemos…

Alda M S Santos

Um instante

UM INSTANTE

Por um único instante

Por mais fugaz que fosse

Gostaria de ir do outro lado

Aquele que fica além da vida

Apenas dar uma espiada e voltar

Saber se estou na rota certa

Se não desviei do caminho a que me propus

Se falta muito ainda para o game over

Ou se ainda tenho tempo para mudar de fase

Quanto falta ainda para conquistar ou realizar

Mas, principalmente, se não estou deixando ninguém para trás

Só por um instante!

Seria possível ir até lá?

Buscar mais munição, fazer reservas

Estocar suprimentos , sei lá

É que às vezes dá medo, parecemos jogar no escuro

Só por um instante…

Pode ser?

Alda M S Santos

Leveza

LEVEZA

Sonhei que estava a caminho do céu

Vestes brancas e leves a flutuar

Na cabeça uma tiara de rosas, um véu

Subia, girava, sorria, ia devagar

Vez ou outra parava no caminho

Sentava numa nuvem para baixo a olhar

Quem foi que deixei sozinho

Isso pesava, não me deixava viajar

Era tão bom poder plainar

Cada vez mais longe, mais alturas alcançar

Tal qual águia na imensidão a voar

Tudo ficava leve, pétalas de rosas a carregar

Mas algo não estava bem

Ainda não posso ir, preciso retornar

Aqui tinha ficado alguém

Mas já conhecia o caminho do céu a atravessar

Me despedi de mim mesma

Minha leveza, minha destreza

Quem sabe não chegaria o dia

Que iria com certeza pra lá

Enquanto não é possível

Quero de novo sonhar

E nas asas de uma borboleta

As alturas de novo chegar…

Alda M S Santos

Mais no meu blog vidaintensavida.com

Nada por viver

NADA POR VIVER

Não quero deixar nada por viver

Tanta gente indo embora tão cedo, deixando muito por fazer

Que aumenta em nós a necessidade de nada deixar por viver

Com o cuidado de, com isso, nada no outro fazer morrer

Parece que há tanto ainda por aprender

Tantos lugares a passear, a conhecer

Muito ainda a doar, a ajudar, a nos compadecer

Tanto amor ainda por fazer…

Não quero deixar nada aqui para viver

Quero brincar mais, sorrir mais, sem reclamar quando doer

Porque tudo isso faz parte do viver

Extraí da vida tudo o que ela oferecia, quero poder dizer

Quero em tudo intensidade, interação, paixão

A vida do outro lado haverá afazeres diferentes, outra distração

Daqui levarei lembranças, emoção, satisfação

E, se Deus quiser, nada deixarei

Além de marcas boas de saudade em cada coração…

Não quero deixar nada por viver…

Alda M S Santos

Fim

FIM

Do princípio ao fim

Ou do fim ao princípio

Tantas questões dentro de mim

Chego só, volto só

Enfim, qual é o propósito

Disso tudo, Serafim

Será o fim?

Aterrisso sem nada saber

Tenho tanto ainda para aprender

E já começo a voltar

Para casa regressar

Perco a mobilidade, a habilidade

A memória e, por vezes, a consciência

Não é uma incongruência

Disso tudo, Serafim?

Tudo que amealhei por aqui

Não mais me pertencerá

O que me acompanhará é aquilo que ganhei ou perdi

Conquistei ou doei, e que poderei também deixar

Com quem esteve comigo do princípio ao fim

Chego nua, volto vestida de Lua, perfume de jasmim

Várias fases, brilho e luz…

Um ciclo que se fecha em mim e me conduz…

Alda M S Santos

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