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poemas e reflexões da vida cotidiana

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autoestima

RÓTULOS

RÓTULOS

Não me adapto com rótulos
Não há um que consiga definir
Por mais que tente não é correto
É uma prisão que acaba por excluir

Ou te colocam além ou aquém
Daquilo que você realmente é
E, você, se não ficar atento
Se perde, tentando ser o que não quer

Rótulos nos limitam, travam
Ignoram que a vida é evolução
Impedem o agir da emoção, da razão

Quero a liberdade de ser eu
Se houver conceitos, que sejam meus
E, se quiser, você pode uni-los aos teus

Alda M S Santos

Melhor companhia do mundo

MELHOR COMPANHIA DO MUNDO
Viver é a habilidade de nos refazer sempre
Curtir cada momento, eternizando-os
Ou transformando-os em algo tolerável,
Que não nos machuque, não nos domine.
Viver é a capacidade de mergulhar em todos os sentimentos,
De neutralizar alguns, refazer outros, transformar outros tantos.
É manter-nos de pé, enquanto a roda da vida gira forte
Ou levantar, quando cair, mesmo que ainda tonto.
Viver é, principalmente, quando se está no chão, sofrido,
Ainda ser capaz de estender a mão e ajudar.
Viver é saber valorizar as companhias que se tem, todas elas,
Mas, essencialmente, estar acompanhado, ainda que só,
É encontrar em si mesmo a melhor companhia do mundo.
Alda M S Santos

Sem pretensões

SEM PRETENSÕES
Não quero ser a mais inteligente que entende até tudo de tudo
Ou que ignora pensadores e construtores do saber
Nem a mais culta ou sociável que agrada a todos
Tampouco a mais bela, a que para o trânsito
Ou a perfeitinha e boazinha que a todos atende
Aquela totalmente maleável, pacífica, que nunca se enerva
Sorrindo sob o peso do andor
Que molda-se ao gosto do freguês
Nem mesmo a madame mais chique ou luxuosa
Não quero! Impossível!
Não tenho essa pretensão
Seria impossível conquistar, pesado manter, difícil sustentar
E totalmente desnecessário…
Quero apenas ser eu mesma
Prefiro as imperfeições que vão sendo aparadas
Nas dificuldades e decepções diárias
Quero ser inteligente o bastante para sempre evoluir
Sabendo até onde ir
Sem contudo me afastar dos outros
Culta e sociável o suficiente para atrair boa gente
Bela o bastante por fora,
Mas de um modo a não ofuscar ou distorcer o que vier de dentro
Coração bondoso a ponto de me colocar no lugar do outro
Na medida exata para poder ajudar, ser útil, sem ser tola
Flexível, resiliente, mutável
Sem ferir meus princípios e essência
Aquela que procura sorrir sempre, mas que chora, que se enerva
Que ama, que sente saudade, que namora
Que às vezes quer sumir…
Chique o suficiente a ponto de trocar
Qualquer programa ou prato sofisticado
Por um banho de rio, um livro na rede e uma pizza gigante…
E sempre irei amar quem me aceitar como sou
Ainda que não seja desse jeitinho aí…
Tudo mais é pura falácia!
Alda M S Santos

Quando você deixa de ser você

QUANDO VOCÊ DEIXA DE SER VOCÊ
Um dia te levam uma moeda, você deixa
Era apenas uma moeda…
Noutro levam um objeto, sua bolsa, esvaziam seus bolsos
Não faz mal, você conquista outros
Tiram um direito, mais outro, substituem por deveres
E você vai cumprindo todos eles fielmente
Logo estão levando outros valores
Suas ideias, sua liberdade, seu sorriso, seus sonhos, sua essência
Seus ideais estão perdidos nesse mundo nublado
Não há mais brilho ou cor, você está opaco
Você sente um vazio, um desconforto
Não se reconhece no espelho
Não consegue reagir…
Mas segue acreditando que é por uma boa causa
“Para melhorar tem que piorar”-dizem
A quota de sacrifícios é de todos- propagam
Levam pouco a pouco até sua história
E te convencem que você sempre esteve enganado
Apagam tudo que um dia você foi
Quando percebe estão esvaziando sua alma
E a preenchendo com aquilo que eles querem
Com aquilo que não é você
Então, você deixa de ser você
Quando isso acontece você já morreu
Você tornou-se apenas um deles
Apenas uma cópia que caminha na multidão…
Reaja! Não deixe te roubarem de você!
Alda M S Santos

Real

REAL

Sou assim, queira ou não, bem real
Acerto, erro, brinco, fico séria
Gosto de ser o máximo natural
Descabelada, arrumada, no salto ou descalça

Sou assim, queira ou não, bem real
Sorrio até a barriga doer
Choro até não mais poder
O rosto inchado, olhos vermelhos
Até passar o vendaval
Sou doçura, carinho, colo, desejo
Por vezes bem sensual

Sou assim, queira ou não, bem real
Ora distante, falante, alegre ou enraivecida
Isso tudo faz parte da vida
Ora pura candura, fácil leitura
Ora travessura, bravura, amargura
Buscando apenas uma cura

Sou assim, queira ou não, bem real
Ora lindeza, feiúra, pureza, levadeza, comunicação
Ora tristeza, dor, reflexão, introspecção, solidão
Apenas alguém que quer da vida amor, emoção, evolução
Sou assim, queira ou não, bem real…

Alda M S Santos

Ainda estou em mim

AINDA ESTOU EM MIM
Quando encontro alguém que faz questão
De ressaltar alguma qualidade que não lembrava mais possuir
Algo que fiz por elas e que as marcou
Um defeito que reconheço que melhorei
Uma virtude perdida, uma deficiência amenizada
Ou uma mania que não passa de jeito nenhum
Sinto-me bem…
Sei que ainda estou em mim, que não me perdi pelo caminho
Que são bonitas as marcas que deixei
Que sou apenas uma criatura em evolução
E que posso melhorar muito ainda
É aí que percebo que o ”pão que o diabo amassou”
Não faz tão mal assim, pois Deus é quem dá o toque final
O diabo pode até sovar a massa, mas é Deus quem põe o pão para assar
E basta um toque divino para tudo se reverter
Tudo melhorar…
Eu ainda estou em mim, mesmo imperfeita
E gosto mesmo muito disso!
Alda M Santos

Moro num lugar

MORO NUM LUGAR

Moro num lugar simples e encantador

Nada paguei por ele, veio de graça

Tantas vezes tem brilho e cor

Talvez eu tenha pedido, merecido

Às vezes fica úmido, escuro, até meio mofado

Noutras é dia lindo, ensolarado

Mas é o que tenho de mais meu, mais concreto

A mim cabe saber cuidar, amar, estar por perto

Zelar, seja nos dias de luz ou escuridão

Nos dias em que há festa no salão

Quando fica apertado e parece não me caber

Ou quando sobra tanto espaço que não sei o que fazer

Pode ser muitas vezes uma mansão luxuosa

Noutras uma casinha simples no pé da serra

Não posso partilhar com qualquer um minha morada

Pois é casa simples, especial, até sagrada

Mas gosto de dividir com pessoas especiais

Com as quais me sinto bem, amada

O prazer de aqui morar, ser abraçada

Essa casa, meu corpo, onde minha alma fez morada

Alda M S Santos

Identidade

IDENTIDADE

Quando a identidade está meio confusa

Não nos enxergamos, está desfocada

Perdemos a essência daquilo que somos

Bons amigos nos trazem de volta, dão uma animada

Sem pedir, nos relembram aquilo que fomos, que somos

Nos devolvem a luz do que nos é essencial

Fazem-nos ver sob o olhar do amor

Aquilo que deixamos se perder no corriqueiro, no trivial

Nada melhor que quem conosco conviveu

De nós trabalho, alegria e amor recebeu

Para nos fazer crer que ainda existimos

Que pelas dificuldades não nos consumimos

O outro é o espelho amigo que reflete o melhor de nós

Quando precisamos reativar nossa identidade

Ser para nós mesmos mais amor, mais bondade!

Alda M S Santos

Única

ÚNICA

Sou como uma taça de cristal

Caída, quebrada, colada

Arrumada várias vezes, levantada

Para a vida brindar, animar

Não sou menos valiosa por isso

Tampouco menos bonita

Sou diferente!

Minhas emendas me tornam única

Minhas cicatrizes e marcas me fortalecem

Meus machucados me tornam solidária

Aos machucados dos outros

Minhas dores e medos me fazem empática

Às dores e medos alheios

Minhas falhas e imperfeições me fazem compreender melhor

As falhas e imperfeições das pessoas

O que eu vivi, construí e trago até aqui

Só me é valioso na medida que posso agir

E ajudar outra taça a se reconstruir…

Sou taça renovada, reconstruída!

E daí?

Alda M S Santos

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