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Caminhos

A gente combina

A GENTE COMBINA…

Vento que uiva, que canta

Fala baixinho, sussurrando

Ora grita, nervoso, intenso

Traz e leva pensamentos e desejos

Vento que passa veloz

Muda o plano de voo das aves,

Traz consigo tempestade atroz

Balança galhos das árvores

Que se curvam ao seu poder

E, resilientes, retomam seu prumo, até sem querer

Vento que acaricia feito brisa suave, que atiça

Que arrepia cada centímetro da pele, que enfeitiça

E que esquenta corpo e alma, lá dentro, bem fundo

Ou que, devastador, gela tudo em nosso mundo

Vento que chega sem qualquer aviso

Deixa em alvoroço rios e mares, impreciso

Pega toda a gente desprevenida

Correndo em busca de boa guarida

Ou se entregando a ele, sem saída

Vento que vem e que vai

Uma hora a gente combina direitinho

Quem sabe a gente não vai juntos pro mesmo caminho?

Alda M S Santos

Por aí…

POR AÍ…

Ando por aí…

Ora concentrada, absorta

Ora distraída, dispersa

Atenta ao que parece não importar

Mas, na verdade, quero a todos motivar

Ando por aí…

Notando cores, construções, edificações

Percebendo também destroços, demolições

Ando por aí…

Tentando parear com quem caminha só

Buscando direcionar o passo de quem parece perdido

Ando por aí…

Levando abraços, sorrisos, um pouco de fé e esperança

Porque nessa vida o que mais pesa na balança

O que mais nos trará valor positivo

É aquilo que de nós foi amor, foi abrigo

Ando por aí…

Alda M S Santos

Trilhando

TRILHANDO

Busco as trilhas do viver

Na mata densa e quase fechada

Sigo em frente, não olho para trás

Caminho sob árvores, piso em folhas secas, sou animada

Cheiro bom de terra molhada

Ar puro, sons da natureza, verde intenso

Um pássaro que canta para atrair sua namorada

Nas árvores, num coração, as marcas de um amor, de alguém

Em frente, sigo a trilha, não busco ninguém

Roupas dependuradas num galho

De quem serão? Não há ninguém!

Despertam a imaginação…

Barulho de água corrente me atrai, mudo a rota

Quanto mais ando, mais quero andar

Tão fácil ali me perder…

Percebo que nas trilhas da mata densa

Sempre em frente, numa água cristalina que cai

Encontro a minha própria trilha

O cansaço não vence, se esvai

Aquela trilha leva a mim mesma

Perdendo e me encontrando

Vou trilhando, vou vivendo…

Alda M S Santos

A vida segue…

A VIDA SEGUE…

Sozinho ou acompanhado

Com os pares de sempre ou novos acompanhantes

Importante é seguir em frente…

Essencial é carregar a consciência limpa

Levando conosco a delícia de uma alma em paz

E a disposição para enfrentar períodos de turbulência

A vida segue e vai levando a todos

Grandes ou pequenos, fortes ou frágeis

Dispostos ou não, falsos ou verdadeiros

Leves ou pesados, conscientes ou confusos

Mas tem voos mais emocionantes e melhores pousos

Para quem sabe o que quer e luta por isso

Sem contudo cortar as asas

Ou derrubar o avião de ninguém…

A vida segue…

Ir junto não é uma opção

Mas como e com quem iremos podemos, sim, escolher…

A vida segue…

Alda M S Santos

Passa por dentro

PASSA POR DENTRO

Venha o que vier, estejamos onde estiver

Aconteça o que acontecer

Seja que problema for

A saída sempre passa por dentro

Por dentro de nós mesmos

Se é a saúde que incomoda

A mente que falha

O coração que aperta

O meio de fora que não ajuda

O outro que não corresponde

Não importa

Tudo só se resolve

Quando é absorvido e processado dentro de nós

Colocamos os problemas em nosso divã interior

Silenciamos e buscamos nossa “verdade”

Debatemos conosco mesmos

E chegamos a um bom veredicto

Uma boa saída

Nossos problemas se resolvem

Quando não fugimos deles

Ao contrário, nós os encaramos frente a frente

Sendo honestos e verdadeiros conosco mesmos

Assumindo nossas responsabilidades

Nas causas e nas consequências…

Toda saída tem um atalho

Que passa por dentro de nós!

Alda M S Santos

Pontes

PONTES

Há pontes que nos levam

Outras nos trazem de volta

Tão bom ir, desbravar

Conhecer, buscar, se inteirar

Descobrir mundos e pessoas

Amar, aprender, ensinar, saberes trocar

Mesmo que nos causem medo de transitar

Mas bom mesmo é aquela ponte

Que pegamos para voltar

E é só nossa essa travessia

Esse delicioso, por vezes, doloroso caminhar

Quase sempre cansativo retornar

Pontes que nós mesmos (des)construímos

Não ficam prontas a nos esperar

Mas que são erguidas com maestria

Quando impera o desejo de regressar

E descobrir, finalmente, que ali é nosso lugar…

Alda M S Santos

Um atalho

UM ATALHO

Se a estrada estiver longa e interminável

Se o destino parecer inalcançável

Pegue um atalho, corte caminho

Se a trilha mansamente escurecer

Se o cansaço quiser te abater

Pegue um atalho, corte caminho

Se o terreno for pura aridez

E o humor total acidez

Pegue um atalho, corte caminho

Se a solidão for a sua companhia

Ofereça-a sua mão, viva essa magia

Pegue um atalho, corte caminho

Se um dia quiser desistir, exausto demais para prosseguir

Pegue um atalho, concentre-se no entorno, na natureza

Inspire, expire, encontre sua própria beleza

Quando a chegada parecer distante, quase invisível

Construa seu atalho, acredite, torne-a possível!

Alda M S Santos

Vá!

VÁ!

Vá! Sempre em frente

Não importa o meio de transporte

Sobre duas rodas, vento no rosto

Ou deslizando na água suavemente, refrescando a alma

Vá! Não desista!

Submerso, dentro de um submarino, dentro de si mesmo

Pedalando uma bike nas trilhas perigosas

Vá! Insista!

No conforto de uma limusine tomando Champagne

Num ônibus lotado de gente tão maluca quanto você

Numa aeronave veloz além das nuvens

A pé numa estradinha de piso batido e flores nas margens

Caminhando ou correndo

Nas asas da imaginação…

Vá! Não fique parado!

A vida não espera por ninguém

O tempo não perdoa quem estaciona

Ele passa e te deixa para trás

E quando vê, a vida passou…

Vá! Sempre em frente!

Alda M S Santos

Encontre!

ENCONTRE!

Encontre aquilo que você precisa

Busque, vá atrás, olhe bem, avalie

Não fique parado, aja, reaja!

Você precisa encontrar o caminho

Caminhando, ora sozinho, ora acompanhado

Sequer sabe o que precisa?

Não tem problema!

Quando encontrar você saberá

Será invadido por uma sensação de tranquilidade

Consciência leve, confiante, recheada de amor-próprio

Principalmente de uma alma em sintonia com o outro

Irá se sentir completo, pleno

Poderá até transbordar…

Mas para isso precisa caminhar

Por lugares bem simples, sem interdições

A vida acontece onde a gente menos espera

Algumas vezes pode até bater em nossa porta

Mas teremos que levantar para abri-la!

Encontre! Encontre-se!

Alda M S Santos

Se ele bate em harmonia…

SE ELE BATE EM HARMONIA…

Aprender a ouvir o próprio coração

Tudo que de melhor possa haver fica ali

Está lá guardado, “batendo” todo o tempo

Como em código morse para decifrarmos

É através dele que Deus fala conosco

Através dele sabemos quando estamos no caminho certo

Se não dói, se está leve, se fica em harmonia com o outro

Se não há culpas, medos ou traumas

Se ao menos conseguimos ouvi-lo bater em paz

Está tudo na direção correta

É Deus dizendo para seguir em frente…

Alda M S Santos

Sempre a luz

SEMPRE A LUZ

Ora em tons de verde, florido, claro, quentinho

Ora cinzento, frio, escuro, fosco, triste

Mas a luz está sempre lá…

Quantas pegadas foram deixadas para trás

Quanto há dessa estrada a percorrer

Mais, menos… não sabemos

Mas a luz está sempre lá…a chamar

Quantas vezes quisemos voltar, parar, seguir

Sorrir, chorar, gritar, silenciar

Pular partes, sentar, desistir

Vencer tudo de uma vez só

Mas a luz estava sempre lá…a nos chamar

Vamos construindo passo a passo esse caminho

Lentamente, apressadamente, andando ou correndo

Mas a luz está sempre lá…

Sentimentos se alternando em nós, humanamente

Bem acompanhados, muitas vezes, agradecidos

Solitários e meio desamparados em outras, descrentes

Mas a luz está sempre lá…

Ela é nossa bússola, nosso guia

Aquela que nos traz de volta aos trilhos

Nas vezes em que, por imperícia, descarrilhamos

Ela é nosso objetivo

Sempre a luz…

Sempre a busca incessante pela luz

É ela que nos fortalece e anima

Quanto falta? Não sei…

Sei que sigo a minha Luz…

Alda M S Santos

Respeitando limites

RESPEITANDO LIMITES

Nem estacionada e nem correndo

Sigo a vida no ritmo que me satisfaz

Com aqueles que mereci para estarem nessa jornada comigo

Junto daqueles que me conquistaram com amor e carinho

Dia e noite, faça chuva ou faça sol

Nas tempestades ou nas bonanças, caminhamos

Se estaciono, enferrujo, atrofio

Se corro, posso me contundir, machucar, ferir

E ser obrigada a parar antes do fim

Quero seguir caminhando, sempre em frente

Mãos dadas, objetivos comuns, almas afins

Respeitando os limites físicos

Mas também os intelectuais, os emocionais

A mente, o coração, a alma também têm ritmo próprio

E cada qual sabe bem aquele que lhe cabe

E faz feliz…

Sigo caminhando…

Alda M S Santos

Nos caminhos da vida

NOS CAMINHOS DA VIDA

Somos gratos quando alguém caminha conosco

É bom ter mãos entrelaçadas, desejos comuns

Mesmo que nem sempre o outro esteja todo o tempo conosco

Mas que, de onde estiver, esteja a nos dar a mão

O apoio, a confiança, a proteção

As pegadas podem não estar impressas ao nosso lado

Mas as sentimos marcadas em nós como digitais

Não como fiscais ou cerceadores da liberdade

Mas como segurança, porto seguro, refúgio

É bom poder estar acompanhados nessa marcha

Por alguém que se faça tão presente em nós

Que mesmo quando ali não estiver

Seja notado por todos

Mas, principalmente, sentido por nós

Qualquer caminho torna-se prazeroso

Se temos conosco bons caminhantes…

Alda M S Santos

Fronteiras

FRONTEIRAS

Do lado de lá ou do lado de cá

Uma linha invisível a separar

Fronteiras a nos impor limites

A nos deixar de lados diferentes do front

Tal qual a linha no horizonte

A dividir o que é céu e o que é mar

Do lado de lá ou do lado de cá

Aquele traço suave quase apagado a separar

O amarelo fosco do entardecer e o cinza chumbo do anoitecer

As águas doces de um rio que se encontram com o sal do mar

A terra seca da chuva prata que a inunda

Do lado de lá ou do lado de cá

Nem sempre enxergamos a linha tênue a separar

O que é efêmero do que é eterno

O que é certo do que parece certo

O que é bom do que é ruim

O que é verdade ou o que é saudade

O que é nosso do que pensamos que fosse

O que é amor do que são só palavras

Do lado de lá ou do lado de cá

A fronteira a dividir esse front

Não é enxergada nem na luz nem na escuridão

Mas é sentida a cada passo

Em cada grito ou silêncio de dor ou alegria

Em cada pegada deixada nas areias dessa estrada chamada vida…

Alda M S Santos

Farol de bondade

FAROL DE BONDADE

Em meio a tantos caminhos confusos, trilhos quebrados, vagões desconectados

Sempre aparecerá uma placa, uma bússola, um sinal indicando a direção

Em meio a tantas dúvidas e inquietações

Sempre haverá um alguém a dizer boas e sábias palavras, estimulando a reflexão

Em meio a tantas exclusões, preconceitos e mania de superioridade

Sempre surgirá um abraço acolhedor, fraterno, irmão

Em meio a tanto desamor e individualismo

Sempre haverá alguém a nos amar acima de tudo, ser o anjo protetor do nosso coração

Em meio a tantos túneis escuros e repletos de maldade

Sempre haverá um farol de bondade e esperança, ainda que na contramão

Para todos aqueles que, de enxergar o lado bom da vida, não abrem mão…

Alda M S Santos

No meio do caminho

NO MEIO DO CAMINHO

Se um vem de lá e outro vai de cá

É no meio do caminho que irão se encontrar

Polarizações nefastas impossibilitam o dar-se as mãos

Extremos radicais impedem o abraço gostoso

Para o encontro de paz ser possível

É preciso que ambos se disponham a caminhar

Saltar obstáculos, deixar malas pesadas para trás

E seguir em busca do mesmo objetivo

O equilíbrio que impede a queda

Nunca está nos polos ou extremos nefastos

É no meio do caminho que os melhores abraços selam a paz…

Alda M S Santos

Tô indo…

TÔ INDO…

– Como você está?

– Tô indo…

– Indo? Pra onde? Como?

– Seguindo em frente, no caminho que se apresenta.

Quem pergunta nem sempre quer saber

Quem responde nem sempre quer responder…

Outras vezes quem pergunta sabe bem a resposta

Quer apenas confirmação do imaginado

Quem responde prefere não abrir porteira de problemas,

Não quer incomodar…

“Tô indo“ muitas vezes é resignação

Aceitação do equilíbrio necessário entre escolhas e consequências

Entre vitórias e derrotas, lágrimas e sorrisos

“Tô indo” pode ser demonstração de luta e força

De não entrega, de resistência à tristeza dos dias nublados

Por saber que o sol tem força para surgir entre nuvens

Aquecer, deixar nascer e crescer brotos de esperança e paz…

“Tô indo, e você?”

Alda M S Santos

Redoma de vidro

REDOMA DE VIDRO

Não podemos colocá-los numa redoma de vidro, isolando-os do exterior

Não podemos embalá-los à vácuo, engaiolá-los

Não podemos fechá-los numa bolha, protegendo-os

Tampouco podemos voar por eles

Ou tapar todos os buracos e retirar as pedras do caminho

Mas podemos plantar flores perfumadas em canteiros centrais

Cultivar árvores frondosas para dar sombra à caminhada

Para que façam seus ninhos, repousem

Podemos falar sobre trilhas que não levam a lugar nenhum

Podemos alertar sobre os becos sem saída

Sobre voos em áreas turbulentas

Podemos prevenir sobre os “encantos” e estratégias dos inimigos do bem

Aqueles que devagarzinho invadem nossas contas,

Presencialmente ou virtualmente,

Bancárias, físicas, mentais, emocionais, psicológicas

E nos deixam no vermelho com dívidas a pagar

Sem asas para voar…

Não podemos viver pelos outros, nem por quem amamos

Mas àqueles que nos foram confiados

Devemos proteção e cuidado, somos responsáveis!

Alda M S Santos

O valor de uma vida

O VALOR DE UMA VIDA

Ânsia, necessidade premente de seguir

Seguir em frente para o desconhecido, o novo

Até onde não haja mais chão para caminhar

E ali pousar…

Ânsia, necessidade premente de seguir

Seguir, mas pegando o retorno, voltar

Até um bom lugar, um ponto pacífico, saudoso, confiável

Buscar o conhecido, prazeroso, sentar

E ali pousar…

Todo desejo de seguir esconde um embutido desejo de estacionar

Num lugar de tranquilidade e paz…

Enquanto houver propósito de seguir haverá vida

Em pouso ou em trânsito…

Cada qual faz sua melhor versão do caminho

Cada um sabe o valor de sua vida e das vidas alheias …

Alda M S Santos

Destinos

DESTINOS

Destinos: pré-estabelecidos ou construídos?

Um caminho que vem definido a priori

Do qual passamos a vida a buscar ou desviar

Ou um ponto de chegada que nem sempre podemos identificar?

Destino: o objetivo final dessa jornada, imutável

Ou o caminho que por nós é construído, aleatoriamente

Nas lutas e labutas diárias de nossas vidas entrelaçadas às dos outros

Buscando o que acreditamos ser o melhor para todos

Destinos: uma justificativa para o mal e a inércia

Ou um motivo a mais para abrir trilhas melhores na mata densa do viver?

Destino: nos paralisa ou nos move?

É possível evitá-lo ou qualquer caminho leva a ele, sem escapatória

Sendo tudo aquilo que vivemos por escolha?

Parafraseando Jean de la Fontaine

“Muitas vezes, encontramos o nosso destino por caminhos pelos quais enveredamos para o evitar”…

Qual tem sido nosso destino?

Alda M S Santos

Marcas do caminho

MARCAS DO CAMINHO

Há caminhos que escolhemos

Bonitos, diversos, floridos, claros, com fontes refrescantes

Mas que apresentam pedras e buracos a transpor

E há caminhos que nos escolhem, se impõem

Por vezes tranquilos, em outras verdadeiras provações

A ambos imprimimos nossas marcas, deixamos nossas pegadas

Leves, fáceis ou nem tanto para quem vem atrás

Ou pisamos nas pegadas alheias, apagando-as

Preguiça de construir as próprias marcas, dar os próprios passos

Destruindo o que outro construiu com sacrifício

Ou, ao contrário, completando as pegadas alheias

Com sabedoria, amor, perdão e generosidade

Construindo um mundo melhor…

Esses caminhos são os mais gratificantes!

Alda M S Santos

Nossos rastros

NOSSOS RASTROS

Nesse ora tão longo, ora tão breve caminho da vida

Seguimos as marcas deixadas por nossos antecessores

Em forma de pegadas, de palavras, de registros escritos

Um sentimento, um exemplo, um sinal qualquer a nos guiar

Nem todas as marcas são positivas, mas ensinam

Percebemos as que não levam a lugar algum

As que são voltas desnecessárias

As que levam para um beco sem saída

As que nos jogam num buraco perigoso

As que são certeiras e relaxantes

As trilhas que precisam ser reconstruídas

Algumas mudam, deixam de ser adequadas

Surgem outras mais tranquilas ou mais difíceis

A nós cabe o discernimento para fazer a melhor escolha

Não devemos nos esquecer que somos deles sucessores

Mas que somos antecessores daqueles que vêm atrás de nós

É uma caminhada feita há milênios

E outros quantos milênios virão?

Nossa tarefa é melhorar a trilha e as marcas sempre

Precisamos seguir…

Nem que seja para não decepcionar quem já foi

Ou quem ainda vem em nosso encalço seguindo nosso rastro…

O brilho de nossa luz…

Alda M S Santos

Farol

FAROL

Luz forte no alto de uma torre na escuridão total

Serviam de guia, de alerta, de aviso aos navegadores solitários

Desviavam navios de perigos vindos de montes de terra que irrompiam em alto mar

E poderiam fazê-los perecer

Fachos de luzes intermitentes, potentes, constantes, brilhantes

Refletidas a longas distâncias

Mas nem toda luz livra do perigo ou do mal

Até mesmo os faróis tiveram os seus “afundadores”

Aqueles que se passavam por alertas do bem

Quando na verdade era luz falsa que emitiam

Para atrair navios para zonas perigosas e saqueá-los

Cacos de vidro se passando por diamantes

Até mesmo a luz pode enganar, pode cegar

Podemos muitas vezes enxergar melhor em exígua luz

Ou até mesmo na escuridão em que a vista se acostumou

Do que numa forte luz enganosa…

A luz que vem de dentro é a que ilumina verdadeiramente!

Alda M S Santos

Ela caminha

ELA CAMINHA
À beira-mar ela caminha
Olha longe no horizonte
Sempre gostou muito de caminhadas
Nas avenidas, nas estradinhas de terra
Na beira de um rio, nas matas, montanhas…
O corpo é exigido, a mente trabalha, vai relaxando
A alma se abastece de belezas, de levezas
Busca um veleiro que navega sozinho ao longe
Quem estará ali? Será feliz?
Uma gaivota que mergulha atrás de alimento
Uma lancha de transporte de aluguel num cais improvisado
O vento desarruma seu cabelo, arranca o chapéu
Levanta sua saída de praia, refresca a alma
As ondas quebram a seus pés espumando e se recolhem de volta ao mar
“Tragam coisas boas, levem as ruins”, ela profetiza
Chuta a água, chuta os problemas, inspira e expira fundo
Sente os músculos sendo exigidos
Tensão, relaxamento, prazer…
Vê uma família de golfinhos nadando despreocupada
Um casal enamorado se exercita debaixo de um coqueiro
Como seria morar ali?
O encanto seria o mesmo?
Faria essa caminhada diária?
E ela segue…
Caminhando, chutando a água, refletindo
Sugando da natureza tudo que consegue de maravilhoso
Aprende com ela, seu ir e vir constante…
Enchendo-se de coisas boas, esvaziando-se do que faz mal…
Ela caminha…
Alda M S Santos 

(Retro)visão

(RETRO)VISÃO

Diante do vidro para-brisa se descortina o caminho

O olhar o tem à frente, independente se o vemos limpo ou embaçado

Claro, escuro, livre ou interrompido por desvios

Ele esta lá, quer pisemos fundo no acelerador da vida

Ou brequemos forte nos freios, desanimados

O olhar volta para o retrovisor, vê o caminho lá atrás

Ora bonito, florido, iluminado, feliz

Com abraços apertados e beijos doces

Ora escuro, empoeirado, esburacado, triste

Com dores, lágrimas, medos e decepções

Sentimos saudades, por vezes queremos voltar

Mesmo passado, nem sempre bom, ele carrega em si a prerrogativa de ser conhecido

Mas o caminho à frente se impõe no grande para-brisa, o novo

Desconhecido, apenas imaginado, gera insegurança e expectativas

E nesse vai e vem de olhares, a visão precisa se manter à frente

As dimensões desproporcionais entre retrovisor e para-brisa

Significam que é bom olhar para trás, vez ou outra

Trazer grudado no coração e na alma o que o passado agregou

O amor recebido ou perdido, os afetos doados, os aprendizados

Os buracos em que caiu ou que “jogou” alguém

As vidas que salvou, ou as que não conseguiu

Mas sabe que a vida segue é para frente…

Pisa mais calmamente no acelerador e segue

Todo cuidado é pouco,

Luz forte cega tanto quanto escuridão

Não quer deixar quem queira seguir junto sozinho no caminho

Não há pressa…

O presente acontece para quem não fica parado

E o futuro, se chegar, já será presente …

Alda M S Santos

O dia em que a terra não parou…

O DIA EM QUE A TERRA NÃO PAROU…

Quando não nos posicionamos perante a vida

Quando não escolhemos caminhos ou não fazemos opções

Por inércia, ignorância, covardia, dúvidas ou medos

A vida não deixa de acontecer, o planeta não deixa de girar

A Terra não para pra nos esperar

As pessoas seguem as trilhas que escolheram

A vida se impõe, alguém “escolhe” por nós

E somos “obrigados” a aceitar a escolha de outros que caiu em nosso colo

O caminho a nós imposto, bonito ou feio, plano ou cheio de aclives

Sem nossa análise, avaliação ou aprovação

Delegamos a outros, por inércia ou inaptidão, o controle de nossas vidas

E percebemos que aquele “dia em que a Terra parou”

Existiu apenas na canção, nos sonhos loucos de Raul Seixas

Ela seguiu em ensandecida rotação e translação e fomos lançados fora de órbita

Para um lugar melhor ou pior…

A Terra, indiferente à nossa “preguiça”, continuou a girar…

A Terra continua a girar…

Alda M S Santos

O sol brilha para todos

O SOL BRILHA PARA TODOS

No céu, no mar, na terra

Há espaço para todos

Aviões bimotores, helicópteros, teco-tecos, supersônicos

A enfrentar os ventos no céu

Barquinhos a vela, lanchas, escunas, navios e grandes veleiros

A navegar em águas calmas ou bravias

Bicicletas, motocicletas, carros, caminhões e ônibus

A trafegar no solo firme debaixo de nossos pés

O espaço, democrático, abriga a todos

Nossos corações também deveriam ser assim

Forte como o céu, a água ou a terra

Não excluir nada ou ninguém a priori

Elástico, deveria caber a todos que quisessem entrar e fazer dele sua morada

Como o sol que sempre brilha para todos

No céu, no mar, na terra…

Alda M S Santos

 

Você chegará ao seu destino

VOCÊ CHEGARÁ AO SEU DESTINO

Escolha sua rota! Coloque os cintos!

Dirija com cuidado! Vamos!

Siga em frente por 25 Km até rodovia BR 040

Radar reportado à frente, atenção!

Fiscalização eletrônica semafórica em 300m

Mantenha-se à direita para saída 108 A para Angra dos Reis

Via de tráfego intenso, não se esqueça dos faróis

Acidente reportado no quilômetro 85

Cuidado! Veículo tombado à frente

Pegue acesso lateral para Arco Metropolitano

Polícia reportada à frente

Reduza a velocidade, declive acentuado

Área de intensa nebulosidade, mantenha faróis de milha acesos

Desvio à esquerda, via interditada

Tempo estimado no engarrafamento: 9 minutos

Atenção! Animal ferido e morto na pista

Uma estrada, uma viagem, muitos caminhos

A ansiedade, o desejo de chegar

Um guia do Waze…

Tudo torna-se mais fácil e seguro

Rota e destino pré-calculados

Previsão de chegada e revisão de rota

Perigos antecipados com prazo para reação

Alerta de avanço de sinais, áreas proibidas e fiscalizações

Sugestões para abastecimento e descanso

O medo de ficar perdido é quase nulo

A sensação de “conhecer” o desconhecido tranquiliza

E, se errarmos, ele recalcula e nos coloca novamente nos trilhos

Devíamos todos ter um guia assim acoplado ao cérebro

Não vá por aí, pode se acidentar na pista

Alerta amarelo aceso, atenção

Via sem saída, retorne e retome seu destino

Trânsito proibido, área privativa e reservada

Não estacione, parada proibida

Siga em frente por longos anos

Se não der pra ir de carro, vá de avião, de barco

Voe, nade, se arraste, mas prossiga!

Você chegará ao seu destino…

Alda M S Santos

Rotas aternativas

ROTAS ALTERNATIVAS
Quando é para ser não há nada que possa impedir
A chuva não molha, ou, se molha, serve apenas para refrescar
Se o sol não aparece, o calor vem de dentro
Se não há luz, brinca-se de fazer figuras de sombras na parede
Se falta dinheiro, sobra criatividade
Se o mal arromba a porta, o bem entra com educação pelas janelas
Se há lágrimas, desesperança, uma dádiva surge de onde menos se espera
Se os medos do escuro assombram, servem também para tornar mais visíveis as fontes de luz
Se os erros pesam nas costas, na consciência, o aprendizado se faz presente
Se o destino parece distante e impossível, as boas companhias são refrigérios
Se falta justiça, sobra compaixão e solidariedade
Se tudo é caro e nada parece valer a pena, surge um amor gratuito
Se a solidão atormenta, o encontro consigo é um presente
Se clamamos por anjos, surgem amigos
Quando tudo parece difícil, a fé fortalece
Quando é para ser, qualquer descaminho é apenas uma rota alternativa…
Alda M S Santos

Por onde a vida flui…

POR ONDE A VIDA FLUI

Uns aprendem a andar, outros a correr

Uns aprendem a cair, outros a levantar

Uns aprendem a subir, outros a descer

Uns aprendem a ir, outros a voltar

Uns aprender a descansar, outros a trabalhar

Uns aprendem a sempre seguir, leves, sem “pesos”, a nada se prendem

Sequer olham para trás, para quem porventura deixou

Ou tenha sido deixado pelo caminho…

Querem apenas chegar, sem atrasos ou contratempos

Outros aprendem que nesses vaivéns, aparentemente antagônicos,

Estão a marcha da vida, a linha do trem

Por onde a vida flui, nem sempre veloz

Nem sempre silenciosa, nem sempre fácil

Porém, mais certa da chegada, a qualquer tempo…

Alda M S Santos

Aprendi com a natureza

APRENDI COM A NATUREZA

Aprendi com a natureza que quando o sol se põe aqui

Ele nasce e ilumina o outro hemisfério terrestre

Quando um lado nosso anoitece, escurece

Bom é valorizar nossa parte “dia”, iluminada

Sempre haverá um lado com luz forte e quente

Enquanto o outro estiver escuro e frio

Aprendi com a natureza a aceitar e apreciar todas as nossas estações

O perfume suave que nos anima e encanta quando tudo são flores em nossas primaveras

O calor de nossos verões com leveza e intensidade nos instigando a mergulhar no frescor da vida

As cores de terra, as perdas de “folhas” de nossos outonos para preservar as raízes, tempo de reflexões e plantio

O frio e hibernação no recolhimento de nossos invernos, tempo de esperança, gestando uma nova vida…

Somos assim também: fases que se interligam e se intercalam

Fases que se completam e se precisam

Fases que não têm fim, apenas rotatividade

Estou aprendendo com a natureza a lidar com seus paradoxos e antagonismos

A lidar com seca e cheia, sombra e luz, flor e fruto, vida e morte

Aprendendo com a natureza a lidar com as dicotomias humanas

Amor e ódio, alegria e tristeza, sorriso e lágrimas, interesse e indiferença, prazer e dor

Aprendi com a natureza que é preciso parecer morrer para poder nascer mais belo e mais forte

Tudo isso são apenas duas faces da mesma moeda

A moeda valiosa do viver…

Alda M S Santos

Pássaros famintos

PÁSSAROS FAMINTOS

Nas trilhas da vida vamos sempre seguindo

Como pássaros migrando em busca de novo verão

Querendo saciar a fome, a sede, almejando algo melhor

Tal qual João e Maria, deixamos migalhas de pão

Para marcar o caminho de volta

Se lá na frente for inverno, estiver pior

Acabamos nos perdendo na densa floresta

Nos ares gelados, nas nuvens espessas

Não há mais alimento suficiente que satisfaça

Ansiamos por regressar…

Voltamos em busca da trilha de migalhas deixadas

“Pássaros” famintos comeram, o caminho se perdeu…

Mas, se atentos olharmos, migalhas deixadas estão camufladas aí

Estão escondidas em cada pessoa que encontramos e deixamos no caminho

Que das nossas “migalhas” de amor e de afeto se alimentaram

Ou que se amargaram sob nossos atos, às vezes, indigestos,

Enquanto nos alimentávamos das migalhas nem sempre doces dos que seguiam à frente.

Para nos encontrarmos, para voltar ao ponto de partida

Precisamos seguir o rastro deixado em cada um

E descobrir o ponto onde tudo começou a desandar

E voltar…

Voltar para refazer uma trilha e poder seguir em frente

Cientes de que o alimento da vida está nas “migalhas” nem sempre valorizadas

Da nossa dianteira e também da nossa retaguarda…

Alda M S Santos

Carrego em mim

CARREGO EM MIM

Carrego em mim variados fardos

Ora leves e relaxantes como água morna e espuma de sais de banho

Ora pesados e frios como sacos de cimento

Ora suaves e doces como beijos de amor

Ora longos e pesados como medo na noite escura

Cargas minhas, cargas dos outros, cargas de todos

Cargas que escolhi, cargas das quais sou responsável

Cargas das quais os responsáveis nem têm ideia que carrego

Cargas que herdei, me impuseram, não tive qualquer escolha

O caminho longo, às vezes mal escolhido também torna-se um fardo a mais

Os caminhantes despareados também desgovernam o caminhar

O desejo de descansar é grande, parar, respirar fundo

Sentar-me à beira do caminho, reavaliar a bagagem

Descartar o que pesa muito e não faz sentido transportar

Devolver cargas que não são minhas

Deixar de carregar esponjas, que absorvem peso, por “isopor”, mais leves

Dividir a carga com companheiros de viagem

Sabendo que carga dividida sempre irá pesar menos

Carrego em mim desejos de chegar

Mas não chegar a qualquer preço, de qualquer modo

Carrego em mim desejos de chegar inteira ao meu destino

Sem ter deixado pedaços quebrados de ninguém pelo caminho…

Alda M S Santos

Parear ou apear?

PAREAR OU APEAR?

Nos caminhos retos ou sinuosos, bonitos ou feios

Floridos ou áridos, fáceis ou nem tanto

Melhor mesmo é ir aos pares, acompanhados

Não qualquer companhia, alguém que vá junto por prazer

Que monte na nossa garupa

Ou dos quais sejamos o garupa

Numa montaria à parte, lado a lado

Tanto faz…

Não vale é disparar na frente, sozinho

Ou ficar para trás, isolado

Salvo se for numa prazerosa brincadeira de pega-pega

Quem cavalga junto precisa ter objetivos e destinos similares e/ou complementares

Um “salvando” o outro nos momentos de fragilidade

É necessário parear… ou apear

Antes que ambos caiam, literalmente, do cavalo…

Alda M S Santos

Enquanto houver vida

ENQUANTO HOUVER VIDA

Enquanto houver vida quero seguir meu caminho

Posso parar à beira da trilha para reabastecer energias

Sob sol intenso ou sombra de uma árvore frondosa, enxugar o rosto

Sorrir ou chorar, nunca desistir, confiar sempre

Entre flores ou espinhos, terra ou pedras

Receber uma dose de ânimo, um abraço de amor, uma palavra de confiança

Uma mão, um sorriso de carinho, esperança e amizade

Daqueles que Ele envia para me interpelarem…

Só não posso fechar os olhos, ignorar Seu cuidado

E agradecer, retribuindo tanto amor, estando disponível sempre

Vencendo medos e culpas, erros e tropeços

Sem autoacusações ou autoflagelos, com aprendizado

Sendo aquela que Ele envia para iluminar o caminho de outros

Em qualquer circunstância, valorizando e protegendo a vida, sempre

Até o reencontro com Ele, em casa…

Alda M S Santos

Caminho certo?

CAMINHO CERTO?

O caminho certo e o caminho errado são bem parecidos

Ambos podem ter momentos de flores perfumadas, vias pavimentadas ou de terra

Possuir sol escaldante, sombra, buracos, pedras, frio

Causar exaustão nos aclives e declives acentuados

Podem nos trazer alegrias momentâneas ou tristezas duradouras

Mas o que diferencia realmente um caminho do outro

O que indica quando estamos no caminho certo e iluminado

É a consciência tranquila, leve, a paz de espírito

Trafegar por um caminho errado pesa, dói a consciência

Tornando o caminhar cada dia mais difícil

E, cedo ou tarde, as flores murcham, perdem o perfume

O terreno fica acidentado, o sorriso perde o brilho, a tristeza prevalece…

Observemos atentamente o caminho que escolhemos percorrer

Sem contudo tirar os olhos de nossa consciência

Aquela que reflete nossa alma, o que realmente nos define

E faz tudo valer a pena e ser duradouro…

Alda M S Santos

Sentimentos

SENTIMENTOS

Tão insignificante quanto um grão de areia ao vento

Tão pequena quanto uma gota d’água numa pétala de rosa ou uma lágrima no rosto

Tão à deriva quanto um barquinho no mar bravio

Tão inútil quanto um guarda-chuva na forte tempestade

(In)existência total dela à mercê da vida…

Mas o grão de areia pode juntar-se a outros na beleza das dunas

A gota d’água da rosa e das lágrimas tornarem-se um convidativo oásis

O vento forte se acalmar e o barquinho navegar

Tranquilamente levado em busca de novos mares

Onde haja brisas calmas, os sorrisos renasçam

As tempestades sejam belas e suaves

E o guarda-chuva seja apenas um acessório a aproximar corações

Cansados de lutar e de correr

Querendo apenas bater no mesmo ritmo, em uníssono

O ritmo do amor…

Alda M S Santos

O que nos move?

O QUE NOS MOVE?

Seres distintos que somos todos

Iguais apenas em nossa humanidade

Essa máquina complexa: corpo, mente, alma

Possuímos os mesmos combustíveis a mover nosso motor diariamente:

A dedicação ao trabalho

O conforto da fé

Carinho das amizades sinceras

Calor de um amor verdadeiro

Alegrias e dores da maternidade/paternidade

Gratidão pela família unida

Satisfação com o estudo e aprendizado

Prazer em cultivar corpo e mente saudáveis

Bem estar em fazer o bem, sempre que possível

Consciência tranquila e cuidado para não machucar ninguém

Acúmulo de bens materiais

Diversões variadas…

As preferências por um ou outro

Leva-nos a tecer a trama complexa da vida

A costurar esse tecido que nos ampara, liberta ou aprisiona

A dependência maior de um ou de outro é que nos difere

E nos torna mais ou menos felizes…

O que nos move?

Alda M S Santos

Roubos e arroubos

ROUBOS E ARROUBOS

Quanto mais caminhamos para longe de nós mesmos

Quanto mais rápido o fazemos, vislumbrando um destino sonhado

Quanto mais arroubos há, mais roubos são realizados, “autorizados”

Mais difícil e necessário se tornará o caminho de volta

Mais longo e doloroso será o retorno

Dívidas deverão ser quitadas, débitos pagos com juros

Sorrisos resgatados, lágrimas enxugadas, flores arrancadas devolvidas a seus canteiros

Cristais frágeis que forem quebrados novamente colados

Fé e autoconfiança recuperadas…

É bom ir, mas todo cuidado é pouco para não nos perdermos de nós

Para não nos afastarmos e caminharmos perto de quem nos mantém inteiros e acende nossa luz

Para não fazermos com que quem amamos se percam de si mesmos…

Alda M S Santos

Descaminhos

DESCAMINHOS

Um caminho acertado se faz de muitos descaminhos

Quantos desalinhos são necessários para se alinhar

Quantos despareados encontramos antes de bem parear

Quantas lágrimas são necessárias para fazer brilhar o sorriso

Quanto precisamos nos perder para ter a certeza que nos encontramos

Quantos desatinos cometemos até conseguirmos nos atinar

Quanto precisamos entender do que se passa dentro de nós

Para entendermos minimamente o que se passa dentro do outro?

Quanto?

Todo histórico de acerto carrega consigo um sem número de rascunhos…

Alda M S Santos

Estradas

ESTRADAS

Avistar uma estrada é vislumbrar caminhos

Antecipar destinos, sonhar com o novo, o inesperado

É ser atraído para novas conquistas, desbravamentos

É ter a alma rasgada, exposta

É ter sonhos costurados com a linha verde da esperança

Pode ser uma estrada pavimentada, moderna, movimentada, esburacada

Uma estrada de terra, isolada, cercada de mata nativa e alguns cavaleiros

Uma estrada no ar, entre a magia, brancura e maciez das nuvens de algodão

Uma estrada nas águas, sobre ou sob elas, submersos em expectativas, nadando de braçadas rumo aos sonhos

Uma estrada de ferro, com a fumaça e o apito do trem a traduzir nossa trilha sonora

Pouco importa…

Estamos numa estrada todo o tempo

A estrada da vida…

Tendo ou não consciência dela,

Nós a transitamos dia após dia

Estamos em paralelas com a estrada de alguns, cruzamos a estrada de outros,

Ajudamos, às vezes atrapalhamos o trânsito de algumas

Mas seguimos, fazendo nosso caminho…

Não saber o que vem à frente, qual o destino

Ou quando pode ser bruscamente interrompida

São motivos bastantes para fazê-la valer a pena…

Alda M S Santos

Pontes

PONTES

Pontes são convites, são chamados

Elos a permitir a ida de um lugar a um ainda não-lugar

Aquele que vemos apenas pelas frestas das persianas de nossa mente

Apresentar o desconhecido ao conhecido

Possibilitar o novo, encorajar

Passarelas ou pinguelas, as físicas ou as mentais

Assustadoras para muitos, paralisantes

Fundamentais para tantos…

Necessárias onde há falhas no caminho, obstáculos, interrupções

Rios, mares, montanhas, abismos

Aqueles da natureza ou dentro da gente

Não vale é ficar parado onde já esgotou possibilidades

Ou no meio da ponte a impedir o caminho dos outros

Ou ainda esperando até as forças faltarem para a travessia

Encontrar pessoas ponte, pessoas pinguela

A nos dar as mãos, acalmar nossos medos

Encorajar cada passo na pinguela

“Em frente, não olhe para baixo”

“Um passo de cada vez, tá quase lá, estou aqui”

São ouro num mundo tão cheio de muros…

Alda M S Santos

Caminhos buscados

CAMINHOS BUSCADOS

A certeza de trilhar o caminho certo

Torna a travessia mais leve, prazerosa

A brisa suave torna-se carinho

Barulhos diversos tornam-se música

Tons acinzentados ganham cor

Sol forte é animador, chuva é refrescante

Companhias são bênçãos

Pedras são apenas obstáculos a nos fazer mais fortes

Ao contrário, no caminho errado tudo torna-se difícil

Mesmo que pareça brilhante e cheio de luz

Nos cega, é cinzento, doloroso, amargurante

Cedo ou tarde, sai caro, a conta chega, e alta…

E mais que saber desviar das pedras,

É fundamental não se tornar uma pedra

A emperrar o próprio caminho ou o caminho dos outros

Muitas vezes é difícil saber qual o trajeto certo

Ele não faz propaganda, não se impõe como o melhor

Muitas vezes exige sacrifícios, pode doer

Mas traz prazeres inigualáveis…

Precisamos buscá-lo dentro de nossa consciência…

Alda M S Santos

Nos bancos da calçada

NOS BANCOS DA CALÇADA

Casinhas simples, receptividade gigante, janelas na divisa com a rua

Ao sabor do vento, do sol, da chuva

E dos olhares curiosos de quem passa…

Terreiros grandes que costumam dar num ribeirão

Muitas vezes com hortas, galinheiros, pomares, chiqueiros, cisternas…

Na calçada, banquinhos de todo tipo

Madeiras, troncos de árvores, tijolo, concreto, não importa

A prosa dos fins de tarde após a lida que eles possibilitam é que interessa

O tempo que virou, o filho que não apareceu, o netinho precisando benzer

As galinhas que pararam de botar, o Bingo da igreja,

A comadre que está ruim das vistas ou a teimosia do compadre

A filha que se formou, o neto que nasceu nos Estados Unidos e começou a andar

O prefeito que está envolvido em mais uma falcatrua ou corrupção

A sobrinha que foi para Belo Horizonte com o filhinho doente,

A Maria do João Neto que doou um bezerro para a rifa da festa de Nossa Senhora Aparecida…

Entre os estrepes dos pés e os estrepes da vida

Tudo é compartilhado nos bancos da calçada

E a vida se torna mais leve,

Numa boa prosa de fim de tarde olhando a rua,

Aguardando aquela visita ou telefonema que nem sempre chegam…

Alda M S Santos

Sofrimentos

SOFRIMENTOS
Há duas maneiras das pessoas encararem as duras penas da vida
Algumas sabem o peso de determinado sofrimento
E jamais querem o mesmo para alguém, próximo ou não
Outras, como sofreram aquilo, não se importam com o outro
Às vezes, desejam que o outro passe pelo que passou,
Até, muitas vezes, causam no outro a mesma dor
Na tentativa errônea de sofrer menos, não sabendo-se só
Como se ao doer no outro doesse menos em si próprio
São os modos diferentes que a alma de cada um
Mais evoluída, ou menos, lida com o próprio sofrimento!
Mas aprende, cedo ou tarde, que a dor de cada um é única
E deve ser enfrentada dentro de si mesmo,
Até ir apagando aos pouquinhos…
Alda M S Santos

Por onde tens andado?

POR ONDE TENS ANDADO?

Por onde tens andado?

As estradas nem sempre são planas ou belas…

Que caminhos tens trilhado?

As trilhas, muitas vezes, têm bifurcações confusas…

O que tens plantado?

As sementes nem sempre são boas ou as terras férteis…

O que tens colhido?

A colheita nem sempre é farta ou digna…

Mas, mais vale com quem se anda

Com quem se planta e se cuida

E com quem se partilha a colheita…

Os pés podem estar sujos dos caminhos incertos

As mãos machucadas pela colheita mirrada

Mas o coração precisa estar limpo e puro

Recheado de bondade, amor e compaixão

A alma repleta de luz a iluminar nossos caminhos

E, se não iluminar, ao menos não criar sombras nos caminhos dos outros

São coração e alma que mostram os caminhos que trilhamos

Mesmo que nem sempre haja flores ou belas paisagens,

Podemos vislumbrar um jardim, um oásis…

Por onde tens andado?

Alda M S Santos

Os meus, os seus, os nossos erros

OS MEUS, OS SEUS, OS NOSSOS ERROS

Erros sempre serão erros

Ainda que venham disfarçados de acertos

Mesmo que a gente, não muito sabiamente, insista neles

Que tente justificá-los para nós mesmos, para os outros

Eles não costumam ser muito diferentes

Mudam casa, nome, endereço, mas os erros são similares

Quando não mais resistem de pé e desmoronam

Os danos causados costumam ser grandes, dolorosos…

Isso quando não vão além de nós mesmos

E desmoronam outras vidas!

Aí tudo anoitece em nós!

Pior é ver quem a gente ama cometê-los

Saber com certeza que estão errados

E não conseguir impedi-los!

Isso porque temos mais facilidade de identificá-los nos outros que em nós mesmos.

Alguns erros têm como ser corrigidos, outros não,

Mas uma coisa importante todos os erros têm em comum

Os meus, os seus, os nossos erros

Eles ensinam!

Com amor ou com dor!

E cada qual tem o “direito” de cometer o seu

Até de, não muito inteligentemente, repeti-los!

Alda M S Santos

Pontos, laços e nós

PONTOS, LAÇOS E NÓS

Entre tantos esforços para se entender

Antever, planejar o futuro ou sofrer por ele

Ficamos perdidos no presente que é onde tudo acontece

Numa simples voltinha ao passado fazemos conexões

Só permitidas e compreendidas pós-vivido

Pontos são ligados, laços refeitos, nós desfeitos

E a trama do presente torna-se mais bonita

Consequentemente, a do futuro deixa de importar tanto

Aprendemos a ir desfazendo ou evitando novos nós…

Nosso viver é um constante ir e vir, retornar e prosseguir

Na vida não há estacionamentos, apenas vias de tráfego

E a velocidade, o veículo e a via somos nós que escolhemos

Mesmo quando parecemos estar apenas estacionados.

Conhecemos a via que deixamos para trás, a que transitamos

Mas o que tem lá na frente, nem teria graça se soubéssemos,

Pois a única certeza é que ela chega ao fim!

Alda M S Santos

Arco-íris ao longe

ARCO-ÍRIS AO LONGE

Sempre visível depois das chuvas, das tempestades

Cores lindas, vibrantes, energizantes

De um lado a outro do céu

Onde quer que a gente esteja

É possível vê-lo,

Se não nos concentrarmos nos obstáculos.

É preciso olhar além, mais à frente, no horizonte

Por perto, pode ainda haver os estragos da tempestade

As cercas farpadas que machucam, sangram

E vendam nossos olhos para as lindas cores adiante…

Se quisermos o “pote de ouro” que há além do arco-íris

Precisamos desfocar a cerca

E caminhar…

Alda M S Santos

Tempestades

TEMPESTADES

Tempestades quando vêm saem arrastando e levando tudo

Como no leito de um rio

As águas e ventania levam consigo plantas, peixes, pedras

Saem arrastando as matas ciliares, revolvem tudo.

Fauna e flora sofrem,

O curso d’água se perde, se suja, se mistura a outras águas.

Mas a tempestade uma hora passa, qualquer hora passa,

E o leito do rio deve ser reconstruído.

Recolher o que de bom sobrou, chorar pelo que morreu,

Alegrar-se pelo que ficou, sofrer pelo que se foi…

E organizar novamente o que for possível.

O rio será sempre um rio,

Mas um rio que passa por uma tempestade

Nunca mais será o mesmo!

Alda M S Santos

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