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poemas e reflexões da vida cotidiana

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amadurecimento

De que adianta?

DE QUE ADIANTA?

De que adianta uma linda voz

Se quando é preciso, ela se cala?

De que adianta um belo sorriso, se apenas se abre para alguns,

E tantos necessitados são excluídos?

De que adianta tamanha inteligência,

Se não sabe agir ao sabor da emoção?

De que adianta tanta beleza, se não é possível mergulhar mais fundo,

Sob pena de “bater a cabeça” em rasa profundidade?

De que adianta tanta “cultura”,

Se as palavras mais doces não fazem parte de seu vocabulário?

De que adianta braços fortes e ombros largos,

Se não servem de abrigo ou de colo a quem precisa?

De que adianta o amor preso dentro de si,

Se ele é uma flor que precisa do sol

Que existe no outro,

Para crescer, se abrir e encantar?

De que adianta?

Alda M S Santos

Não estamos sozinhos

NÃO ESTAMOS SOZINHOS
Somos humanos cercados por outros humanos
Numa casa rodeada por outras casas
Numa cidade fronteiriça de outra cidade
Dentro de uma nação que se avizinha de outras nações
Habitantes do planeta Terra, ao lado de outros planetas e astros
Membros de uma galáxia gigantesca
Não estamos sozinhos!
Mesmo quando não nos sentimos mais que pequeninos grãos de areia
E parecemos estar muito sós, não estamos
Em nossa mais intensa introspecção temos a nós mesmos
E quando encontramos a nós mesmos
Somos capazes de identificar o outro tão perto de nós
E estender a mão, pegar uma mão…
Alda M S Santos

Fênix- Em escala de cinza

FÊNIX- EM ESCALA DE CINZA

Quero pedir licença para ter meus dias cinzentos.
Sem precisar explicar nada, falar nada. Simplesmente ficar em escala de cinza.
Pelo tempo que quiser ou julgar necessário.

A natureza, sempre tão colorida, tem períodos de recolhimento, de seca.
O Sol se põe e abre espaço para a escuridão da noite.
O mar tem períodos de ressaca.
A Lua tem a fase Nova.
A terra tem períodos inférteis.

Nenhum deles tem que dar explicação. São aceitos como são!
Por que eu, uma simples mortal, tenho que justificar, esconder, disfarçar ou me envergonhar de meus dias cinzentos?
Se toda a natureza tem seus momentos de brilho e opacidade, por que eu não posso?

Quero sentar num canto, invisível, chorar se quiser, dormir 24 horas seguidas, sequer me olhar no espelho.
Apenas desligar de tudo e de todos.
Ficar em modo de espera, em coma induzido. Acinzentar-me!

Agradeceria se não me enxergassem.
Se me vissem, não me perguntassem nada.
Se questionassem, aceitassem meu “tudo bem”.
Não ê grosseria ou ingratidão. É respeito próprio.
Independente se minha tristeza ou dor é maior ou menor que a sua, é minha.
Pra mim tem valor.

Sem piadinhas, por favor! Brigou com o marido? Dormiu comigo? Acabou a bateria? Vou ignorar, por educação.
Posso garantir que vai passar.
Sou parte da natureza, mesmo pequena e mortal, eu me refaço.
Como fênix, renasço das cinzas.

Prometo que quando os dias cinzentos forem seus, eu os presentearei com o mesmo respeito.
Agradeço os olhares coloridos e cinzentos que dirão silenciosos “estou aqui”. Eles me bastarão.

Como fênix, renascerei das cinzas…

Alda M S Santos

Só a Lua

SÓ A LUA

Lá do alto olhando, brilhando ou não
Só ela percebe o que se passa num coração
É encanto, beleza, companhia, mistério
Pode ser silêncio, voz, um doce refrigério

Não critica, não ofende, acolhe, não julga
Lá de longe entende, está junto, não subjuga
Há momentos que parece orientar, abraçar
Sabe com sua luz e brilho nos acalentar

Conhece nossos medos, nossas fragilidades
Vitórias, derrotas, culpas, ansiedades
Nossos (des)afetos, amores, amizades
Com ela partilhamos nossas (in)verdades

Com a Lua em fases quero sempre estar
Entre ela e eu muitos segredos partilhar
Lágrimas derramar, decepções amenizar
Nesse mundo aqui não dá para confiar

TARDE DE POESIAS: SÓ A LUA SABE

Alda M S Santos

Até a vida anoitecer…

ATÉ A VIDA ANOITECER…
Há quem nos sugue
O vigor, a energia, a força
Há quem nos abasteça
De coragem, esperança e fé
Há quem nos dê, há quem nos tire
Há quem nos leve de nós mesmos
Há quem nos ajude a nos encontrar
Há quem fique, há quem se vá
Mas o que quer que façam conosco
Só o fazem com nosso aval
Assim dizem os sábios mais evoluídos
Que se mantêm intactos dentro de si mesmos
Meros mortais seguem a sugar e a abastecer
A serem sugados e abastecidos
Até a vida anoitecer…
Alda M S Santos

Nem tudo

NEM TUDO

Nem tudo que é sentido precisa ser dito
Basta que faça bem, que seja bonito
Nem tudo precisa sufocar, silenciar
Quando calar fizer doer ou machucar

Nem tudo que é sonhado pode parecer real
Mas enquanto dura acalma o vendaval
Nem tudo que parece difícil é impossível
Se houver disposição para torná-lo possível

Nem tudo que mexe com a emoção
É necessariamente errado, sem razão
Faz parte do que faz pulsar o coração

Nem tudo que acontece é por si só bem ou mal
Tudo dependerá do nosso sentir ou agir
Daquilo que for capaz de nos fazer seguir

Alda M S Santos

Simplesmente nua

SIMPLESMENTE NUA
Quero ter a coragem de me apresentar nua,
Completamente nua, sem disfarces ou maquiagens
Alma rasgada, sem vergonhas, pudores ou medos
Nasci nua, nua retornarei
Querendo ou não…
De nada valerá tudo que aqui acumulei
Exceto o que tiver guardado na sacola leve da minha alma
Ou nos espaços especiais, cedidos ou por empréstimo,
Que tiver ocupado positivamente na alma de alguém
Bens materiais, diplomas, cultura, contas bancárias…
Tudo são “vestimentas”, acessórios!
Currículo só valerá o emocional
Tudo o mais ficará para trás…
O que interessa é se isso tudo
Permitiu que eu me tornasse uma pessoa melhor,
Mais tolerante, amiga, amável, solidária, correta
Para mim mesma, para aqueles que me cercam…
Nudez da alma é a verdadeiramente cativante
E é só por ela que Ele se interessa!
Simplesmente nua, assim quero me apresentar…
Alda M S Santos

Estradas da vida

ESTRADAS DA VIDA

Aquele vento nos cabelos pelas janelas abertas
As vistas ardem, o peito aperta, as lágrimas rolam
Segue dirigindo, música alta, meio alheia a tudo
Será que a rota está certa?
Não se preocupa muito, sensação de liberdade
Vontade de dirigir sem rumo, indefinidamente
Passa por lugares chuvosos, outros ensolarados
Estradas planas ou grandes aclives, secas ou floridas
Retas ou curvas, lá fora a vida parece meio irreal, surreal
Vê as árvores passando tão rápido, tão perto
Dentro dela enorme confusão, um grande vendaval
Tenta organizar os espaços, estabelecer prioridades
Apagar com sorriso as mágoas e decepções
Escrever, a lápis mesmo, novos planos
Pode precisar redefinir, reescrever, refazer
Acende a luz para iluminar alguns sonhos
Deleta outros, são mesmo impossíveis
E o caminho vai ficando para trás
Culpas, erros, derrotas, excesso de confiança vão ficando
Percebe que as estradas são metáforas da vida
Há de tudo um pouco, mas tudo vai passando
Basta seguir em frente que novos pontos vão se descortinando
Tenta levar consigo boas lembranças, pessoas de bem
O amor,  a amizade, a fé e a esperança
Quando já não doer mais, talvez ela volte
Para um novo ponto de partida
Um recomeço para a mesma vida …

Alda M S Santos

Não quer

NÃO QUER
Ela não quer ser uma lembrança dos tempos áureos
Uma foto desbotada na estante de alguém
Uma marca impressa numa alma arrependida
Ou a saudade de uma relação doída
Ela não quer ser história passada
Nos livros a tristeza registrada
Ela não quer ser a magia
Rabiscada num livro velho de poesia
Ela quer se eternizar, se renovar
Ser desejada, cobiçada, uma joia rara, valorizada
Não tem um preço a se pagar
Mas tem valor que qualquer um pode conquistar
Cobra apenas cuidado e desejo de conservar
Ela não quer ser esquecida, embrutecida
Precisa de amor para ser abastecida
Ela é o que sustenta a vida
Ela é a natureza…viva…
Alda M S Santos

Pontes

PONTES
Pontes são convites, são chamados
Elos a permitir a ida de um lugar a um ainda não-lugar
Aquele que vemos apenas pelas frestas das persianas de nossa mente
Apresentar o desconhecido ao conhecido
Possibilitar o novo, encorajar
Passarelas ou pinguelas, as físicas ou as mentais
Assustadoras para muitos, paralisantes
Fundamentais para tantos…
Necessárias onde há falhas no caminho, obstáculos, interrupções
Rios, mares, montanhas, abismos
Aqueles da natureza ou dentro da gente
Não vale é ficar parado onde já esgotou possibilidades
Ou no meio da ponte a impedir o caminho dos outros
Ou ainda esperando até as forças faltarem para a travessia
Encontrar pessoas ponte, pessoas pinguela
A nos dar as mãos, acalmar nossos medos
Encorajar cada passo na pinguela
“Em frente, não olhe para baixo”
“Um passo de cada vez, tá quase lá, estou aqui”
São ouro num mundo tão cheio de muros…
Alda M S Santos

Dúvidas e certezas

DÚVIDAS E CERTEZAS

Há tantos medos, dores, inseguranças
Tantas dúvidas, falta o chão, falta esperança
As certezas nem sempre trazem bonança
Confiar anda difícil em meio a tanta lambança

Nosso planeta passa por grandes provações
Nós nos metemos em grandes atribulações
Criamos nosso caos, nossas tentações
Perdidos ficamos, tentando fugir dos furacões

São várias as opções e caminhos
As encruzilhadas são verdadeiros descaminhos
Tantas vezes só queremos a proteção de nosso ninho

Urge saber a hora certa e como nos proteger
De lutar, enfrentar, não nos esconder
A mudança precisa vir de nós, se quisermos vencer

Alda M S Santos

Dissabor

DISSABOR

Um machucado, uma fratura, uma ferida que arde, sangra, queima

Fase aguda do mal, só analgésico forte para aliviar, é normal

Um aperto no coração, tristeza, mágoa, decepção

Fase aguda da dor, que fazer para sanar desilusão?

Machucado melhora com antisséptico, anti-inflamatório e antibióticos

Um curativo, uma tala, que por um tempo isola do meio externo aquilo que está em recuperação

E quando a dor está no coração, que fazer então?

Qual o remédio, dá pra isolar do mundo externo a emoção?

Não sei, mas é bom retirar-se do meio, afastar da multidão

Buscar o interior, sanar a dor, retirar da alma a cicatrização

Ferida é sempre ferida, dor é sempre dor

Seja física, mental, emocional é sempre um mal

Passamos primeiro pelo vendaval

Em seguida vem a calmaria, levantamento de perdas, bom sinal

E, lentamente, a cura, a reconstrução

Mas todo cuidado é pouco com o remédio que se usa

Tanto para o mal físico ou emocional

Não dá para criar vícios e dependências, seria fatal

Ou cria-se raiz para novo mal, com nova aparência

Mas tudo tem seu tempo…

Logo o que era ferida é descoberta para o mundo exterior

Fica a cicatriz, o aprendizado

O coração aprende a lidar com qualquer dissabor

É a cura… e a vida segue, de preferência, sem rancor…

Alda M S Santos

Na guerra ou na paz

NA GUERRA OU NA PAZ

Em tempos de guerra foge-se de campo aberto
Soldados expostos assim seriam alvo certo
Protegem-se na mata em fardas camufladas
Ou escondidos atrás de barricadas

Nas lutas da vida não é diferente
Tenta-se a todo custo ser previdente
Não expor seus ataques ou defesas
Para não ser preciso virar a mesa

Mas é fundamental saber quando recuar
Pois a vida muitas vezes se impõe
Sábio é quem aceita, não se interpõe

Chegará a hora de avançar
A vitória pode vir para quem souber esperar
E não desanima, sabe seu potencial valorizar

Alda M S Santos

Quem não tem?

QUEM NÃO TEM?

Quem não tem?
Um erro que quer esquecer
Com o vento desaparecer
Deixar no tempo se desfazer?
Quem não tem?
Um amor marcante para celebrar, a alma enobrecer
Nos momentos de tristeza o coração aquecer?
Quem não tem?
Uma cicatriz que vira e mexe faz doer
Que sangra, machuca, faz sofrer?
Quem não tem?
Algo do qual muito arrepender
Que machucou, envergonhou, mas fez crescer?
Quem não tem?
Uma ação que deixou orgulho e alegria
Por ter levado a paz, a magia e a harmonia?
Quem não tem?
Uma história boa para sonhar, reviver
Em boas lembranças se entregar, amolecer?
Quem não tem?
Um sonho, um desejo de entontecer
Que faz a vida cada minuto valer?
Quem não tem?
Um segredo lá no fundo bem guardado
Que o torna único, especial, bem-amado?
Quem não tem?
Esperança de algo de bom fazer
Deixar por aqui marcas de amor, de intenso viver?
Quem não tem?

Alda M S Santos

De tempos em tempos

DE TEMPOS EM TEMPOS

De tempos em tempos ela some
Todos pensam que se foi, morreu
Não embeleza, não alegra, não encanta
Parece que da vida se esqueceu

Mas a natureza é sábia, ela fica guardada
Em raízes na terra aprofundada
Meses e meses ali protegida
E renasce linda, fortalecida

Nós também por vezes somos assim
Perdemos nossa cor, nosso brilho
Nosso encanto e perfume, enfim

Mas, como Dálias, em nós a vida renasce
O sorriso brilha, a luz reaparece
O desejo do ser se faz, a vida acontece

Alda M S Santos

Castelos de areia

CASTELOS DE AREIA

Ainda que a vida nos pareça um castelo de areia

Desmoronando quando parece linda e perfeita

Mesmo que a gente se prenda nos fios dessa teia

Que tenhamos forças e coragem para continuar

Que possamos sempre encher nosso baldinho de água

Quantas vezes forem necessárias para outro castelo construir

Que seja ainda mais belo e resistente

Para abrigar sonhos de príncipes e princesas reais ali

Que a gente possa perceber que a beleza está no construir

Em cada detalhe feito e refeito com amor

Assim já terá sido lindo quando ele ruir

E a vida ficará mais leve e fluida, sem rancor

Alda M S Santos

Quero acreditar

QUERO ACREDITAR
Quero acreditar que todo sonho é possível
Mas preciso crer que tenho forças para enfrentar o que se apresenta
Coragem para abraçar o que desejo
Ou tônus muscular para fugir do que não me agrada…
Quero acreditar que toda lágrima é passageira
Que apenas lava o caminho para o bem passar
Preciso crer que a saudade que chega
Ainda que doa e machuque
É sinal de bons tempos idos
Quero acreditar que deixar ir aquilo que ainda cabe aqui, ou não mais, é necessário
Preciso crer que abrir mão,
Ou os braços para a vida
Com sorriso no rosto
E fé inabalável na alma
É o melhor jeito que há de viver…
Quero acreditar!
Preciso…
Alda M S Santos

Energia vital

ENERGIA VITAL

Tudo parece meio nebuloso
O caminho à frente apresenta bifurcações
Caminhos conhecidos,  floridos
Ou nem tanto assim, seco e cheio de depressões
Para um lado, o que parece certo
Para o outro, é desconhecido, incerto
Momento de parar e refletir antes de prosseguir
Saber bem o que vale a pena por aqui
Certezas e incertezas, real e irreal
O que é sonho,  fantasioso
Mesmo que pareça prazeroso
O olhar passeia lá atrás, tanto já vivido
O olhar dá um pulo no futuro, será sofrido?
O olhar tenta se fixar no presente
Fazendo o aqui e agora mais sorridente
Acreditando que a vida acontece
Para quem enfrenta as dúvidas, não amolece
E ainda que tudo pareça meio irreal
Sonhar é bom, acalma o vendaval
Fortalece e abastece nossa energia vital
Em frente!

Alda M S Santos

Sob nova direção

SOB NOVA DIREÇÃO
“Mudamos para novo endereço”
“Aluga-se”, “Vende-se”
“Passa-se o ponto”
Perdedores, desistentes, fracassados?
Ou corajosos, persistentes, lutadores, guerreiros?
“Sob nova direção”
Novos proprietários ou os mesmos
Sob nova roupagem, novo layout?
“Sob nova direção”
Alguém que retomou as rédeas de sua montaria
O leme de sua embarcação
O manche de seu voo
O volante de sua estrada
O curso de sua vida…
Sob nova direção
Revista, atualizada, aprovada
Inspirada…e a vida segue…
Com novo rumo, mais certo, mais seu
Aproveitando os aprendizados adquiridos
Fazendo seu próprio caminho…
Alda M S Santos

Nunca é tarde

NUNCA É TARDE

Nunca é tarde demais para preservar bom hábitos
Tampouco para novos hábitos criar…

Nunca é tarde demais para se arrepender e os erros corrigir
E um novo caminhar na vida seguir…

Nunca é tarde demais para encarar o fim como estágio vencido
E recomeçar a viver com novo sentido…

Nunca é tarde demais para ser jovem
A idade do coração e a juventude da alma é que nos movem…

Nunca é tarde para ser de verdade parte desse mundão
E aprender a viver em comunhão…

Nunca é tarde demais para reaprender a amar, ser mais
Pois, quase sempre, a vida vai embora cedo demais…

Alda M S Santos

Nosso lugar é aqui

NOSSO LUGAR É AQUI!
Mesmo que seja entre nuvens
Com garoa ou tempestade
Ou que o sol apareça preguiçoso
Que as gaivotas se recusem a voar
Os mergulhões não queiram pescar
E os quero-queros não brinquem no mar.
Que o caminho seja duro, firme e seco
Ou arenoso, macio e quente.
Que estejamos em boa companhia
Sozinhos ou cercados de gente vazia.
Que a vista ao longe seja esplendorosa
Ou que nossos olhos sejam incapazes de enxergar
Que nossa cadeira esteja reservada
Ou que tenhamos que conquistá-la.
Independente da situação,
Aqui é onde o espetáculo da vida acontece.
Nosso lugar é aqui!
E não podemos dele abrir mão!
Alda M S Santos

Quem somos?

QUEM SOMOS?

Algumas vezes não sei quem eu sou
Menina sapeca, moça sonhadora,
Mulher vencedora…quem?
Carrego todas elas em mim
Filha, esposa, mãe, profissional, amiga
Uma mulher…
Não sei bem quem eu sou
Serei um misto de todas elas
Que despontam quando solicitadas?
Se todas essas funções forem retiradas
Que resta daquilo que eu sou?
Uma alma feminina, que sonha, brinca, fantasia
Numa vida em busca de amor e harmonia?
Quanto de nós está atrelado ao outro
Que faz o encanto da vida, que se extasia?
Há algo em nós além dessas funcionalidades
Que preenche, completa, retira ou esvazia
Gerando a circularidade da vida, a magia
Sou eu mesma, tudo isso junto, uma mistura de funções
Ou inexisto… sem gostos, desejos, prazeres, prioridades
Se de mim se tirarem a funcionalidade?
Quem eu sou? Quem você é?

Alda M S Santos

Evolução

EVOLUÇÃO

Não somos mais os mesmos, isso é certo
Feliz ou infelizmente, não se pode dizer ao certo
Pau que nasce torto pode se endireitar
Pau que nasce certo pode entortar
Tudo irá depender do que na vida irá encontrar
E daquilo que souber dela aproveitar
Nessa travessia há sempre mudanças
Todo o tempo nos transformamos nas andanças
Aí fica a questão: mudamos para melhor ou para pior?
Evoluir implica em crescer, a vida enaltecer
Não desistir, regar os canteiros do viver
Os nossos, os dos outros, dos que vierem a carecer
Até que ponto essa evolução é verdadeira
Que regar o canteiro do outro
Não nos deixa na seca de bobeira
Vivemos um mundo real, ou sonhar virou nossa bandeira?
O passado é saudade, o futuro é só apreensão
E no presente, estamos investindo mesmo, de coração?
A vida segue seu ritmo, não há involução
Sempre em busca de equilíbrio, de evolução
Certo é que não dá para desanimar
É preciso seguir em frente, até a próxima dimensão

Alda M S Santos

Curas

CURAS

Somos como uma casa cheia de remendos
Trincas abertas, fechadas, cicatrizes e fendas
Troca daqui, troca dali, põe, repõe, substitui
E a casa fica com uma aparência de nova
Só quem nela mora sabe de todas as reformas
Cada base reconstruída, vigas levantadas
Estrutura a duras penas renovada
Como nossas dores, alma machucada
Lágrimas molhando a massa da nova fachada
Amizades substituindo amizades falidas
Amores curando feridas de outros amores
Brilhos e sorrisos eliminando medos e dores
A vida se renovando em novos jardins, novas flores
Medicamentos que vão tratando corpo, alma, coração
Só não dá pra ficar dependente, não
Remédio bom, que cura, ilumina, vitaliza
Não pode escurecer ou matar um coração…

Alda M S Santos

Agruras da maldade

AGRURAS DA MALDADE

Somos muito mais fortes que pensamos
Deus nos fez assim, aparência de flor
Delicadeza de pétala de rosa, suavidade
Perfume, encanto, aparente fragilidade
Mas é falácia, pura ingenuidade
Somos santidade ou somos o profano
Depende de quem em nós se fizer engano
Somos a textura da pétala ou o espinho da rosa
Somos meninas, moças, somos mulheres!
Se não conquistamos nosso espaço pela delicadeza
Deus nos deu espinhos para nossa defesa
Roseirais aguentam a chuva, o sol, o vento
Podem perder pétalas, botões, ser sofrimento
Mas se juntam, se alinham, se protegem
Perder uma pétala, um botão, uma rosa
Não diminui em nada o roseiral
O essencial está enraizado, forte
Regado nas noites de sereno e lágrimas, sem norte
O que se perde por ação da natureza
Ou até mesmo ação humana, malvadeza
Volta para a terra e será adubo, nutrição
Volta para a alma, será motor para o coração
A fortalecer o que houver de bom, ser renovação
Roseiras que foram podadas dão as mais lindas rosas
Mulheres que foram magoadas, feridas, decepcionadas
Em sua emoção cinicamente violentadas
Crescem, se fortalecem, brilham, engrandecem
O olhar delas é misto de delicadeza, força e superação
Não será qualquer um que poderá derrubar esse roseiral, não
Rosas e mulheres podadas se abrem novas para a vida
Preparadas para o caminho, o amor, a lida
Nada segura uma mulher consciente de sua força e fragilidade
Que venceu e se fortaleceu nas agruras da maldade!

Alda M S Santos

Minha estrela guia

MINHA ESTRELA GUIA

Qual estrela me guia
Qual brilha em mim, se acende
Clareia meu caminho, minhas ideias
Não me deixa sem norte, transcende?

Qual estrela me guia
Desperta em mim a magia
O prazer de viver, de amar
E encontrar no outro um bom lugar?

Qual estrela me guia
Me acalenta, me dá colo
Enxuga minhas lágrimas
Não me deixa na vida solo?

Qual estrela me guia
Faz-me crer que há harmonia
Onde só se vê luta ou letargia
E instiga buscar sempre a sintonia?

Qual estrela me guia?
Não sei bem definir
Mas eu a chamaria de amor
Que me faz seguir e acreditar no porvir…

Alda M S Santos

Dentro da ilha

DENTRO DA ILHA

É dezembro, é fim de uma etapa
De um ciclo que se fecha
É tempo de reflexão, de oração
É tempo de gratidão…
Não importa se o ano não foi tão bom assim
Se amanhecemos por aqui, precisamos ser gratos, sim
Tanta coisa mudou nesse 2020
Tanta coisa inimaginável aconteceu
Foi preciso coragem para buscar nosso eu
E associá- lo a outros “eus” meio desconhecidos
Dizem que só se vê bem a ilha quando dela se afasta
Ainda estamos na ilha, imersos ali
Meio náufragos, sobreviventes, meio avariados
Tantos pereceram nesse voo que foi 2020
As turbulências trouxeram mortes, tristezas, reavaliação
Reaproximação com o que de nós é essencial
E estava tão afastado: nosso lar, nossa família
Nossas relações de amor mais próximas
Nossas verdadeiras amizades, nossa relação com Deus
E muitas vezes são presentes não valorizados
Uns disseram que fomos colocados no cantinho do pensamento
Outros que o castigo foi merecido
Mas Deus não castiga, ele orienta, ele oportuniza crescimento
Ele nos dá a chance de reavaliar a rota para prosseguir
Sem querer desanimar ou desistir
Foi um ano difícil e rico em aprendizados
Quando pensaríamos que um abraço seria limitado
Que um toque seria cerceado
Que conviver de perto seria proibido
Que o isolamento social seria a nova ordem
Que o sorriso seria coberto, o medo redescoberto?
Que um ano passaria
assim tão despercebido
E que em nós tudo isso causaria tanta desordem?
Estamos aqui, vivendo, seguindo…
Qual a lição que fica em nós?
Qual a marca deixada em nossa alma nesse 2020?
Que possamos logo olhar para a ilha, mas de fora dela
E entender que foi necessário tudo isso acontecer
Para que reaprendêssemos pelo que vale a pena viver
Que venham novos tempos, novos aprendizados
Estaremos mais fortes e sempre agradecidos
E que cada amizade e cada amor sejam em abraços renovados
Que este Natal seja mesmo especial
Que perguntas encontrem suas respostas
Que braços encontrem os abraços
Que corações encontrem outros corações
Que Jesus nasça em cada coração que se dispõe a amar
E que o próximo ano nos permita recomeçar…
Bênçãos mil a todos!

Alda M S Santos

Lágrimas

LÁGRIMAS

Há quem diga que só choro alto alivia
Mas de todo tipo pode ser um pranto
Aquele apertado na cama macia
Ou o que quietinho se esconde num canto

Há choro doloroso debaixo das águas do chuveiro
Ou aquele que incha o rosto inteiro
Também pode ser caminhando na chuva
Para com ela se misturar sem guarda-chuva

Todo choro, escandaloso ou contido
Nunca deixará de ser sofrido
O que todo pranto busca é um abrigo

Quem muito viveu essa lição aprendeu
Todo mundo um dia um choro escondeu
Mas, cedo ou tarde, um sorriso apareceu…

Alda M S Santos

Para trás

PARA TRÁS

Tantas coisas na vida são deixadas para trás
Algumas por escolha nossa, outras por imposição
Tantas outras deveriam ser deixadas também
Para haver aprendizado e evolução
Deixar para trás não significa que deixaram de existir
Tampouco não significa que foram de nós apagadas
Mas que deixaram de ser motores do presente
Vez ou outra são acessadas, consultadas
Para que possamos sabiamente seguir em frente
Relembrando que o passado fez de nós o que somos
Bom ou ruim, construiu os detalhes de nossa alma
Aqueles que nos fazem ser amados, diferentes
E acreditar que mesmo que nem sempre seja boa
A vida é nosso maior presente

Alda M S Santos

Além da superfície

ALÉM DA SUPERFÍCIE


Quando na superfície parece escuro, não dá para ver a claridade
É preciso mergulhar fundo, sem medo da profundidade
Lá pode parecer escuro, mas é onde se encontra nossa verdade
Pode doer, ferir, mas a busca por nós mesmos precisa acontecer
Não há como se fazer entender para outro ser
Se nós mesmos não nos conseguir conhecer
Desvendar nossas mágoas, nossos sentimentos
A razão imprecisa de dores e sofrimentos
Esse mergulho pode assustar, termos medo de não voltar
De por lá nos perder, nada apaziguar
Apenas fazer a água turva balançar
E perder a noção de onde se está
Certo é que é preciso fazer essa viagem
A superfície não é assim tão boa paragem
Particularmente quando já não vemos mais nossa imagem
Refletida, mas obscurecida no Sol claro e forte que nos cega
Quando nossa própria alma nos renega
Quando há a percepção amarga de que já não falamos o mesmo idioma
Com quem sempre dialogamos na mesma língua
E compreendíamos sem esforço, sem precisar tradução
É preciso o encontro com nosso eu para renovação

Alda M S Santos

Aldá-cia

ALDÁ-CIA

É preciso um pouco de audácia para viver
Aldá-cia para enfrentar os medos,
Aldá-cia para nadar contra a corrente
Aldá-cia para seguir em frente

Aldá-cia nos faz acreditar no caminhar
Ter ânimo para o novo explorar
Não desistir quando a fragilidade surgir
Saber que na vida é preciso seguir

Aldá-cia é em nós a dose de ousadia
Que sonha o que se quer, fantasia
E conquista o desejado, alegria

Aldá-cia leva-nos a um novo patamar
De esperança e luz em qualquer lugar
Crendo sempre que há um Deus a nos amparar

Alda M S Santos

Sabedoria da flor

SABEDORIA DA FLOR

Para tudo que se deseja conquistar
Há meios e meios de se alcançar
Há quem use espinhos para se defender 
Outros a delicadeza para convencer

Nem sempre é certo que se chegará ao intento
Mas quem usa a sabedoria da flor a seu favor
Que quando mais apertada mais perfumada
Tem menos risco de sofrer nessa empreitada

Se há um caminho rápido, mais curto
Mas que põe a todos em surto, em exaustão
Não fará bem, será frágil competição

Se a estrada parece longa, demorada
Tente observar a natureza, a passarada
Algo de bom fará sua alma se sentir amada

Alda M S Santos

Mulher/Menina

MULHER/MENINA

Ela caminha pela vida
Vestindo sorriso de menina, alma de mulher
Ou será sorriso de mulher, alma de menina?
Tanto faz, mulher/menina ou menina/mulher…

Ela caminha pela vida
Levando abraços, beijos, delicadeza
Em busca de resgatar da vida a pureza
E absorver da rosa a beleza…

Ela caminha pela vida
Deixando onde passa pequenas partes de si
Em cada canto um encanto
Junto a uma fragrância de jasmim…

Ela caminha pela vida
Trazendo consigo na alma, no sorriso
As cicatrizes de cada alegria, cada perigo
E as marcas de onde encontrou abrigo…

Ela caminha pela vida
Mulher/menina, menina/mulher
Até quando puder…

Alda M S Santos

Água ou fogo

ÁGUA OU FOGO?
Água ou fogo, calor ou frescor
Calmaria ou tempestade
Doçura, delicadeza e bondade
Ou atitude, agitação, lutas, felicidade
Sem falso pudor?
Água ou fogo?
Em qual deles encontramos o que mais precisamos
Voo livre ou terra firme
Asas ou raizes
Liberdade ou segurança
Troncos ou galhos, flores ou frutos?
Que buscamos?
Almejamos aquilo que nos atiça, energiza
Ou aquilo que nos acalma, tranquiliza
Qual elemento mais nos completa
Água ou fogo?
É preciso ficar alerta
Água que lava, refresca,
Nos leva em seu curso
Ou fogo que nos aquece, alimenta, instiga,
Consome o que nos faz mal
Ativa o bem e apaga toda intriga?
Água ou fogo?
Depende do que mais necessitamos no momento
Ambos podem nos limpar, purificar
Nos permitir recomeçar…
Água ou fogo?
Que saibamos escolher o elemento certo
No momento mais incerto…
Alda M S Santos

É preciso descansar

É PRECISO DESCANSAR

É preciso descansar
O corpo, a mente, o coração
A alma pede paz, hibernação
Mas se para isso precisar
Vamos o corpo todo trabalhar
Ou buscar nesse vasto mundo um lugar
Onde possa a alma se recuperar
Tanto medo, tristeza, decepção
A esperança já perdeu o verde, desbotou
O amor necessita novo calor, esfriou
A beleza necessita novo viço, foscou
A fé já não move nem um barranco, arriou
“Felicidade não existe, diz a canção
“O que existe na vida são momentos felizes”
Nessa perspectiva, vamos vivendo
De momentos em momentos, sobrevivendo
É preciso descansar, respirar
Para nova energia encontrar
Para cada medo, tristeza, decepção, superar
E o amor, a esperança, a fé, a beleza, atiçar
Cansaço do corpo logo se recupera
Cansaço da alma é outra situação
Mas um bom meio é estender a mão
É saber que ao ajudar um irmão
Gera sinergia, de coração para coração
É preciso descansar…

Alda M S Santos

Falso negativo ou positivo?

FALSO NEGATIVO OU POSITIVO?

O mundo agora está desse jeito
Há positivo, há negativo
Mas temos também além disso
Falso positivo, falso negativo
Como lidar com tudo isso?
Não dá mesmo para saber…
Ou negativo é que deveria ser?
Sei lá, preciso isso esclarecer
Se positivo ou se negativo
Vida obscura, parece castigo
Como devo ao certo proceder?
Pois se é falso positivo
Um negativo pode ser
Mas quando é falso negativo
Aí é positivo… quero nem ver!
Saudade do tempo em que sabia definir
Em cores, ou em preto e branco
Quando positivo era bom, negativo era ruim
E nao ficava à espera do porvir
Para saber como agir e seguir
No falso ou verdadeiro, negativo ou positivo
Há que se reagir, que loucura!
Você há de convir!

Alda M S Santos

Prioridade

PRIORIDADE

A busca eterna pela felicidade
Passa por um caminho estreito
Tantas vezes queremos ser prioridade
E não há nisso nenhum defeito

Queremos comandar o querer
De quem ocupa nosso viver
Não dá para controlar no outro a vontade
Lutar por isso causa insanidade

Se não formos tão importantes
Para quem nos é prioridade
Viver dói, causa infelicidade

Mas bom é fazer de nós mesmos
Uma pessoa importante, sem igual
Que não nos abandona, não nos faz mal

Alda M S Santos

Nunca!

NUNCA!

Estamos sendo convocados
Pelo nosso eu, nosso interior
A encontrar um meio de valorizar
O que realmente tem valor

Nunca fomos tão necessários
Para fazer uma boa avaliação
Do que em nós é precário
E do que carece evolução

Nunca fizemos tanta falta
Para nós,  para a humanidade
Saber que somos mais e melhores
Quando agimos pela coletividade

Nunca tanta carência se evidenciou
De fé,  de pão, de emoção e afeto
O momento é agora, já começou
Você não poderá fugir,  isso é certo

Alda M S Santos

Onde mais aprendes

ONDE MAIS APRENDES

Nos desertos ressequidos que atravessas
Na pele fina pelo sol castigada
Nos olhos irritadiços que poupas
Na alma de cansaço fustigada

É onde mais aprendes…

Nas negativas que recebes
Na busca incessante por descanso, por uma rede
Na chuva que não irriga seu solo interior
Nos oásis que não satisfazem sua sede

É onde mais aprendes…

Nas batalhas que já não queres lutar
No propósito de, ainda assim, seguir em frente
Nos medos que precisas enfrentar
Para com a vida não ser descrente

É onde mais aprendes…

Nas lembranças de tempos difíceis
Na força que te fez valente
Nas lutas que enfrentou, sobreviveu
No amor que se fez presente

Foi onde mais aprendeste…

Alda M S Santos

Na vida da gente

NA VIDA DA GENTE

Há gente de todo tipo na vida da gente

Gente com quem a gente ri, pura amizade
Gente com quem a gente briga, pura falsidade
Gente que a gente quer distante, falta reciprocidade
Gente que nos põe para baixo, pura maldade

Há gente de todo tipo na vida da gente

Gente que nos instiga a superar e afastar o pranto
Gente que nos abraça com o olhar, puro encanto
Gente que foi embora, por desencanto
Gente que veio para ficar, se fazendo nosso recanto

Há gente de todo tipo na vida da gente

Gente com quem a gente faz amor, pura sensualidade
Gente que está longe da gente, muita saudade
Gente que nos ama desse jeitinho, pura intimidade
Gente que faz melhor a vida da gente, pura felicidade…

Com tanta gente na vida da gente
Será que ainda falta mais gente?

Há gente de todo tipo na vida da gente…

Alda M S Santos

Aboletada

ABOLETADA

Ando meio cansada
Ainda não sei bem de quê
Quero apenas ficar aboletada
Até descobrir o porquê

De tanto andar desse jeito
Inquieta e sempre atarefada
Mesmo não sendo nenhum defeito
Quero mais é ficar aboletada

Andei levando alfinetada
De gente que não é muito camarada
Mas não me importo, sou arretada
E ficarei, sim, aboletada

Pensando, meio encasquetada
A uma conclusão cheguei
Tão bom ficar aboletada
Que até já descansei

E antes de ser mal interpretada
Seguirei assim agitada e com a vida encantada
E deixo uma coisa decretada
Sempre que quiser ficarei de novo na natureza aboletada!

Alda M S Santos

Jeito apaixonado de ser

JEITO APAIXONADO DE SER

Aquele modo intenso de tudo viver
Do mais alegre momento que aparecer
Ao mais triste e doloroso carecer
Sempre um jeito apaixonado de ser…

Enfrenta o justo ou injusto padecer
Com a coragem nascida do amadurecer
A esperança e a fé sempre renovadas
Naquele jeito apaixonado de ser…

Nem bem espera o dia amanhecer
E antes que ele venha a anoitecer
De tudo já fez um pouco
Sempre de um jeito apaixonado de ser…

Quase nada a faz mais se enfurecer
Aprendeu que quanto mais paz oferecer
Mais os canteiros do caminho irão florescer
E segue do mesmo jeito apaixonado de ser…

Alda M S Santos

Jeito de olhar

JEITO DE OLHAR

Um passo atrás pode ser avançar
A tempestade pode vir para limpar
A queda pode ensinar a levantar
O vendaval pode colocar as coisas no lugar

Tudo depende do jeito de olhar

Chorar ensina a valorizar o sorriso
Medo e inércia nem sempre são coisas de indeciso
Talvez seja um modo de usar o perigo
Para encontrar melhor abrigo

Tudo depende do jeito de olhar

Solidão nem sempre é ausência de companhia
Talvez seja escolha de pessoas
Que usam de muita sabedoria
Ao não insistir em buscar no outro
Aquilo que encontram em si mesmas: paz e sintonia

Tudo depende do jeito de olhar

Preta, branca, cinza ou multicor
A vida sempre será uma tela
Para artistas que pintam com estilo e amor
E usam a paleta preferida para torná-la ainda mais bela…

Tudo depende do jeito de olhar
Do jeito de a vida encarar …

Alda M S Santos

Provisões

PROVISÕES
Em tempos difíceis recorremos ao que guardamos como provisões
Aquelas que acumulamos em tempos de vacas mais gordinhas
Sabiamente, muitas vezes nos preparamos para tempos de carestia
Com as reservas que fazemos até mesmo sem perceber
Quer seja na gordura corporal para usar em tempos de frio e doenças
No dinheirinho reservado com sacrifício na poupança
Ou nas boas emoções e lembranças guardadas no coração…
Na hora da dificuldade, da doença, da fome, do desalento ou solidão
Precisamos acessar nossas despensas internas e fazer resgate
Da energia, do dinheiro, do alimento, das lembranças saudáveis
Feliz aquele que soube acumular lindezas e doçuras na alma
Que fez estoque de amor, boas ações e gentilezas
Que guardou um abraço, um beijo, um carinho, um amor
Que traz consigo protegido das tormentas uma reserva de paz
São elas que irão agora nos salvar
Que saibamos usar e compartilhar…
Alda M S Santos

Nos versos da canção

NOS VERSOS DA CANÇÃO 

Ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão

Reza o dito popular quase aceito como lição

Será isso mesmo, meu irmão?

Uma moeda de ouro saqueada 

Se de quem roubou também for usurpada

Tem a dívida perdoada, consciência suavizada

E se o que se rouba é o coração 

E no lugar só deixa solidão? 

Cem anos de perdão?

Não parece muito justo, cidadão!

Ladrão que rouba ladrão também precisa compaixão

Ou roubou tá roubado não importa a situação?

Bom mesmo é por todos uma bela oração 

Porque quem rouba coração 

Deveria ter por certa a obrigação 

De também deixar-se roubar,  ter um pouco de afeição 

Trazer paz e alegria, cuidar da emoção 

E fazer do amor uma poesia 

Cantada nos lindos versos da canção 

Alda M S Santos 

Colheitas

COLHEITAS
A gente (es)colhe o que planta
Ou plantamos e não sabemos o que colhemos?
Tanto faz, mas certo é que não basta só plantar
Plantação exige cuidado, irrigação
Exige carinho diário, proteção
Se a semente for boa, germinará, por certo
Mas não é certo que será você que irá colher
Se não for aquele que soube fazer florescer
Se foi quem deixou a semente à sua própria sorte
Plantar qualquer um pode
Colher, só aquele que soube cuidar
Vale no terreno (in) fértil da agricultura
Mais ainda no terreno (in)fértil da emoção
Alda M S Santos

Na minha arca

NA MINHA ARCA

Vou preparar uma arca para navegar
Parece que o mundo está para naufragar
Não quero ser pega desprevenida
Preciso ser forte  para não ser abatida

Que tenho de mais valioso para levar
Preciso fazer uma lista, pensar
Não vou nada esquecer, posso precisar
Tanta coisa, será que a arca vai aguentar?

Decidi levar gente, muita gente
Família,  amigos, afetos e desafetos
Em cada um há de ter algo diferente
Que nos faça melhores daqui para frente

Minha arca é meu coração
Anda apertadinho, coitadinho
Saudades de abraçar toda essa gente
Que o faz bater, ser mais contente

O que você levaria em sua arca?

Alda M S Santos

Ela convida

ELA CONVIDA
Apenas um ser solitário na multidão consciente de si
Ouve ecos de muitos corações a tocar o seu
Caminha como se flutuasse entre nuvens de algodão
Uma pluma ao sabor do vento sendo levada
Um certo receio em acreditar no que via
A luz é forte, intensa, brilhante
Atinge de forma ímpar sua alma
Aquece cada recanto carente de calor
Gira, rodopia, se encanta com sons
Cada cor parece mais forte e bonita
Há música, melodia suave, quer dançar
Tudo parece mais belo, perfumado e colorido
Parece que estava presa num porão qualquer
Sequestrada pela vida, pela necessidade de crescimento
O resgate foi pago, a vida foi devolvida
E ali estava ela num mundo novo
Muito mais bonito, muito mais humano
No sentido mais literal e verdadeiro que poderia haver
Cada coração único e solitário via os demais de modo diferente
Sentia que era parte imprescindível no todo
Assim como todos os demais também eram necessários
O mundo agora só fazia sentido na união
Alguém chegou até ela, deu um abraço
Dançaram juntos pela rua a festejar
A comemorar uma nova chance de viver e fazer diferente
A esperança era o que havia no caminho a seguir
E convidava a todos: vamos?
Alda M S Santos

Garoa ou tempestade

GAROA OU TEMPESTADE
A vida é feita de chuvas, numa bela analogia com a natureza
Ora sereno, garoa, chuvinha constante
Ora tempestades fortes e passageiras
Assustam e encantam por sua grandeza
Mas, como toda tempestade, muitas vezes trazem destruição
Trazem também sabedoria, despertam em nós o desejo de reconstrução
Todas elas têm seu propósito renovador
Mas bom mesmo é a chuvinha calma e constante
Aquela que nos mantém irrigados todo o tempo
Aquela que abastece nossos lençóis freáticos
Aquela que é aconchego e repouso no inverno seco
Aquela que nos salva sem destruir, sem nada derrubar
Há empregos, amizades, amores, situações tempestade
Cumprem seu propósito de alerta e ensinar e se vão
O que fica é o que é verdadeiramente duradouro
Nossos dons, nossa família, nossas amizades, nossa fé
Esses são a chuvinha fina que vale toda uma vida
Alda M S Santos

Um novo lar

UM NOVO LAR
E o isolamento acabou
Saímos de nossas cavernas internas
A luz forte até doía nas vistas
Mas a gente não se importava
Éramos só sorrisos, pura alegria
O mundo era um novo lugar
Todos se abraçavam, como nunca antes
As pessoas pareciam outras, eram outras
Energia renovada para essa nova morada
Tudo tinha mais cor e brilho
O coração era mais emoção, compaixão
Havia grande necessidade de união, de ser irmão
Muito havia sido destruído lá fora
Alguns não resistiram, foram embora
Vidas ceifadas nessa longa jornada de regeneração
Acolhidas seriam noutra dimensão
Havia muito para reconstruir na Terra
Mas cá dentro tudo estava em paz
E se dentro há paz ela será disseminada
Quem nos preparou para isso não erra
A humanidade tinha esperança, estava animada, renovada
Éramos novas pessoas para fazer um mundo novo
E esse despertar do amor só a fará ganhar
Vida, paz, um novo lar…
Alda M S Santos

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