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Lembranças futuras

 LEMBRANÇAS FUTURAS
Todos os dias construindo, abrindo caminhos
Plantando uma flor, aparando os espinhos
Tentando espalhar perfume, distribuir carinhos
Procurando ser a brisa que refresca
O vento que leva pra longe os maus fluidos
Ao olhar para trás, se possível, não quero ter arrependimentos
Quero me ver na fé e na oração buscando entendimentos
Quero saber que fui frágil, fui forte
Que não fiquei parada contando com a sorte 
Quero me ver acolhendo o outro, sendo abrigo
Abraçando a vida, sendo ouvido amigo
Chorando ou sorrindo, nunca desistindo
Nas minhas lembranças futuras quero saber que tentei
De todas as formas ser o bem
Que me doei e não me neguei ao amor por medo da dor
Que errei, caí, me arrependi, levantei, segui
Que fui capaz de falhas alheias desculpar
Mas, principalmente, que fui capaz de me perdoar
Que lutei contra o que de negativo carreguei
Procurei melhorar,  evoluir, encontrar um bom lugar
Até o momento de para casa poder voltar
Nesse gigantesco mar mergulhar
Se não for possível, quero voltar para cá e consertar…
Alda M S Santos

Memórias

MEMÓRIAS

Aquela lembrança que não sai da cabeça

Coisas tristes, decepções, angústias, mágoas

Desamores que gostaríamos de apagar

Que no final das contas fazem -nos ser o que somos

Se pensássemos o quanto pode ser triste esquecer

Simplesmente apagar da nossa história, nosso HD

Qualquer coisa que já vivemos

Talvez aceitássemos melhor todos os capítulos de nossa história

O Alzheimer vai apagando aos poucos a memória recente

Aquela que ainda não se firmou o bastante em nossa estrutura

Não se solidificou, não criou raizes ou troncos protetores

E vai voltando gradativamente, até nos apagar por completo

Um livro cujas páginas vão sendo arrancadas

Capítulos e personagens sendo rabiscados

Cenas e cenas sendo borradas

Não, não é bonito demolir assim uma pessoa…

Felizmente nossa história tem pequenas cópias por aí

Ela também estará gravada em cada personagem desse livro

Espalhada por aí em forma de vivências

Que seja mais de amor que de dor…

Onde estão nossas cópias mais fiéis?

Alda M S Santos

Antiguidades

ANTIGUIDADES

Vivemos entre o novo e o antigo

Transitando num mundo nem sempre amigo

Daí tanta saudade, nostalgia

De uma época com menos tecnologia

Onde havia muito mais magia…

Faltavam máquinas e motores

Mas a força vinha de nossos corpos

Nossas mentes também trabalhavam

E os amores, esses sim nos comandavam…

Os amigos estavam por perto, eram reais

Nossas famílias eram grandes, especiais

Cantávamos, brincávamos, dançávamos, era demais

E nas lutas, vitórias e derrotas, éramos mais iguais…

O amor era para sempre

Tudo durava, não se acabava tão facilmente

Nada era tão descartável

Viver era coisa que se fazia naturalmente…

Sentimos saudades!

Alda M S Santos

Um casarão

UM CASARÃO

A sede de uma fazenda

Um casarão antigo, tão nostálgico

Remete a lembranças reais ou imaginárias

Histórias de outros tempos

Assoalhos de madeiras, fotos antigas nas paredes

Móveis de madeira de lei

Pesadas como certas dores

Cheiro de fumaça, de fumo de rolo

As banquetas em torno do fogão a lenha

As pimentas em conserva, os doces nos tachos

Gordura animal nas latas, cães bravos

Uma fresta no assoalho que se vê lá embaixo

Telhados com forros de sisal

Frutas e verduras numa cesta colhidas na horta

Galinhas e patos pelo quintal

Roupas dependuradas no varal

Uma escada de madeira, uma portinhola

A varanda na frente onde se põe a conversa em dia ao entardecer

O pomar carregado de frutas

Algumas fotos de familiares que já foram para o céu

Ou morar na capital…

Ali o moderno e o antigo se misturam

O celular sobre o móvel antigo

Ao lado de uma vitrola que ainda funciona…

Assim a vida parece lenta e longa

Mas porque a gente sente que tudo passou tão rápido?

Nostalgia…

Um casarão carrega toda uma história

Casarões trazem nossas histórias impregnadas

Vivida por nós ou pelos nossos

Histórias que se misturam

Num casarão….

Alda M S Santos

Há quem deixe…

HÁ QUEM DEIXE…

Há quem deixe o brilho do sorriso

Também há quem deixe a sombra escura do olhar

Há quem deixe um jeito especial de ouvir e se calar

Também há quem deixe uma língua afiada ao criticar

Há quem deixe o calor de um ombro acolhedor

Há também quem deixe a dor de modo ensurdecedor

Há quem deixe uma alegria, uma brincadeira

Também há quem deixe uma rabugice, uma implicância, uma bobeira

Há quem deixe um perfume, cores e um jeito sensual de ser

Há também quem deixe a indiferença prevalecer

Há quem deixe belas palavras, carinhos e versos

Também há quem nada diga, apenas deixa a fadiga

Há quem deixe marcas de um amor que se fez

Também há quem deixe medos e inseguranças

Há quem deixe o sonho do amor em seu esplendor

Também há quem fique e dê ao sonho um caráter de realidade, animador

Todos deixam suas marcas nos outros quando se vão

Quais marcas andamos imprimindo por aí?

Alda M S Santos

Que te faz lembrar de mim?

QUE TE FAZ LEMBRAR DE MIM?

“Estava limpando o quintal

E ao ver os vasos de flores

Lembrei-me de você”- ela disse

Que delícia ser lembrada assim…

Maravilhoso seria se vivêssemos sempre desse modo

Deixando nos outros somente doces e belas lembranças

Flores, perfume, sorrisos, poesias e livros

Uma gargalhada, uma brincadeira, uma sapequice qualquer

Imprimindo nos outros marcas eternas

De carinhos, beijos, cuidado, abraços, delicadeza

Se ao se lembrarem da gente um sorriso saudoso vier à mente

Terá sido válida essa passagem por aqui…

Que te faz lembrar de mim?

Alda M S Santos

Pessoas

PESSOAS

Lembrar das pessoas de nossas vidas

E perceber o que cada uma fez ou deixou em nós

Deixa-nos ora saudosos, ora aliviados

É trabalho catártico, terapêutico

Vêm à mente palavras ou ações

Boas ou ruins, algumas já esmaecidas ou quase apagadas

Outras ainda marcantes como digitais

Muitas vezes nos esquecemos do cheiro, da voz, das palavras, do olhar

Mas sempre nos lembraremos

Da sensação que nos causaram

Dos sentimentos despertados

De como nos acordaram para a vida

Ou do modo que nos apagaram ou jogaram para baixo

Focar nos sentimentos bons que ficaram em nossa alma

É um modo inteligente de seguir em frente…

Pessoas são pessoas, errando ou acertando

Ser marcante positivamente

Deixar boas lembranças registradas nos corações dos outros

Deve ser um propósito de vida…

Alda M S Santos

Coretos

CORETOS

Para mim, coretos remetem a interior

Interior de cidades,

Interior da gente…

Qualquer cidadezinha tem ao menos um

Qualquer pessoa já subiu em um!

Todos temos num coreto uma história

Em cada história uma saudade

Sempre são pontos turísticos,

Nas praças das igrejas, nos centros, nos jardins,

Músicas, festivais, passeios de casais de mãos dadas,

Revisitamos e nos esbaldamos nas lembranças

Olhares, paqueras, romance, namoro…

E uma foto no coreto…

Olha o passarinho!

Alda M S Santos

Guanhães MG

Eu te diria

EU TE DIRIA

Olho para você e sinto saudade

Não é que aqui não seja um bom lugar

Apenas sua inocência e expectativa de felicidade

Me fazem nostálgica e levam-me a divagar

Olho para você e sinto arrependimentos

Pela coragem que não tive em alguns momentos

Ou pelos atropelos decorrentes do excesso de ousadia

Que nem sempre me trouxeram sabedoria

Olho para você e sinto orgulho

Apesar de tantas quedas e espinhos

Não nos perdemos uma da outra nos pedregulhos

Você e eu sempre traçamos juntas nossos caminhos

Olho para você e sinto alegria

Mas se pudesse, uma coisa eu te diria

Desculpe por algumas vezes ter te deixado para trás

Se tivesse deixado você agir mais

Tudo estaria mais em paz…

Olho para você, a criança que fui um dia

E sei que poderia muitas coisas te dizer

Mas é desnecessário, você me entende, há sintonia

Estivemos juntas ao nascer, no viver

E assim estaremos até morrer…

Alda M S Santos

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