Busca

vidaintensavida.com

poemas e reflexões da vida cotidiana

Tag

natureza

Quero água

QUERO ÁGUA

Quero água!

Pode ser do rio ou do mar

Ou de uma bela cachoeira

Não sou tão exigente

Límpida, cristalina, quero é me banhar

Não dá para ficar de bobeira

Para não desidratar

O calor não tá de brincadeira

O ar tá seco, tá difícil respirar…

Quero água!

Uma piscina, uma ducha

Até mesmo um banho de mangueira

Mas bom mesmo seria

Uma boa chuva na moleira

Correr, brincar, me esbaldar

Poder na tempestade me encharcar

E depois, toda molhada, refrescada

Ter alguém para, toda faceira,

Poder abraçar e amar…

Quero água!

Alda M S Santos

Por aí

POR AÍ

Por aí sigo captando belezas

Num cantinho qualquer

Sendo alvo das gentilezas

Apreciando o que de encanto há

Nas flores, nas cores, na pureza…

Por aí sigo captando a música

Que o vento sopra

Que os pássaros cantam

Que as árvores dançam

Aquelas que tocam lá fora,

Tocam cá dentro

E nos encantam…

Por aí sigo em busca da sintonia

Aquela que vem na percepção da poesia

Que nos faz frágeis, fortes

Que nos inebria, contagia…

Por aí encontro algo que todos buscam

Aquela que há nos momentos mais inesperados

Onde um desavisado só vê simplicidade

Eu encontro felicidade!

Alda M S Santos

Refresque-se!

REFRESQUE-SE!

Precisando de uma pausa ou um refresco?

Vá para o mato, área de linda natureza

Uma fazenda, um sítio, um parque na cidade

Procure um rio cristalino, tire a roupa, mergulhe

Nade de braçadas, deixe a água fria lavar tudo

Fique até sentir toda a musculatura aquecida

Até a correnteza levar embora pra longe todo mal

Se não for possível, sente-se à margem de uma lagoa

Coloque os pés na água

Inspire e expire profundamente várias vezes

Pense em tudo de negativo que aquelas águas estarão levando embora

Atraia para si apenas bons pensamentos

Conserve os sentimentos positivos

Faça uma oração pessoal e verdadeira

Agradeça cada coisa boa que tem na vida

Faça um trato consigo mesmo:

A despeito de tudo e de todos,

Manter a paz e a serenidade

Priorizar o amor sempre…

Esse desejo é forte e poderoso

Porque vem de dentro de você

Tente! Refresque-se!

Alda M S Santos

A chave

A CHAVE

Uma porta, uma fechadura, uma chave

Inseriu, girou, abriu

Nem sempre é assim tão simples

Pode estar emperrada como nunca se viu…

Às vezes a chave não é aquela

A fechadura está enferrujada

Ou talvez te falte o jeitinho

Para enfrentar essa parada

Outras vezes a porta não está à vista

Exigirá muito tato e habilidade

A chave não é tão concreta

Mas feita de carinho e intimidade

Não há portas intransponíveis

Tampouco fechaduras invioláveis

O que nos falta é perícia e perseverança

Para torná-las acessíveis, maleáveis

Se a força bruta não adiantou

A chave também não serviu

Não adiantará de nada arrombar

Use o amor, seja doce, seja gentil

E pela porta poderá entrar e ficar…

Alda M S Santos

Um banho de Lua

UM BANHO DE LUA

Fechei os olhos na quente e escura noite

Natureza rica, água refrescante

Apenas sentindo o brilho da Lua

Banhar meu corpo provocante

Em suaves versos ela me envolve

Busca encantar-me com sua poesia

Leva-me para outra galáxia

Num mundo mágico de quase heresia

Já ali entregue, quase rendida

Nessa doce troca, sem medida

Sou puro amor, por ela absorvida

Já não quero mais nada desse mundo

Já nada mais preciso dessa vida…

Alda M S Santos

Deixa rolar

DEIXA ROLAR

Não se perturbe tanto

Com aquilo que atormenta

Machuca, fere

Deixa rolar

Logo vai passar…

Não se vanglorie tanto

Com aquilo que é bonito

Encanta, alegra

Deixa rolar

Isso também vai passar…

Não se torture tanto

Com aquilo que parece não ter fim

O bom, o mau, o saudoso

Deixa rolar

Logo irá passar…

Entre começos e fins

Angústias e recomeços

A vida segue infinita

Deixa rolar

Ela sempre irá para onde tem esperança e gente bonita…

Deixa rolar…

Alda M S Santos

Nossa toxicidade

NOSSA TOXICIDADE

Mundo tóxico em que vivemos

Onde dezenas de venenos são liberados

Agrotóxicos, “humanotóxicos”

Venenos banidos noutras partes

Têm livre uso por aqui

Alto índice de toxicidade

Nos alimentos, na água

Na agricultura, na cultura

Nas palavras, nas ações

No comportamento preconceituoso e discriminatório

Quem poderá dizer

Qual deles é mais fatal?

Matamos pragas, criamos doenças

Controlamos parasitas, descontrolamos nosso DNA

A ilusão de exterminar o que nos causa mal

Quer seja físico, emocional ou sócio comportamental

Torna o ser humano cada dia mais letal

Somos humanotóxicos com alto índice de toxicidade

Tentando aqui sobreviver mais um dia…

Alda M S Santos

Inhotim -Brumadinho- MG

Fascinação

FASCINAÇÃO

Não há fascínio tão grande

Quanto aquele diante do mar

Tanto faz se é a primeira

A segunda ou a vigésima vez a olhar

Um mundo de mistérios que amedronta e encanta

Beleza que se move, aquieta, envolvente

Dispara o coração, aciona a imaginação

E nos atrai para si, lentamente

Águas calmas ou revoltas

Numa dança contínua e sensual, cativante

Vai e volta, canta, silencia, conquista

Aos nossos pés repousa, apaixonante…

Entregues ficamos

Fascinante…

Alda M S Santos

Miniaturas

MINIATURAS

Somos miniaturas do mundo lá fora

Dessa bela natureza e vasto universo

Tudo em nós está em movimento

Somos perda e reparação

Somos destruição e reconstrução

Entre atração e repulsão

Formamos nossa galáxia interna

Nesse mundo interior tão cíclico

É necessário haver espaço para a dor de perder

Para a alegria de renascer

É preciso juntar os pedaços de nossa alma

Cada uma tem um lugarzinho especial nesse nosso multiverso

E é de extrema importância nesse nosso “passeio” por aqui

“Na (nossa) natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma…”

Alda M S Santos

Deixe as águas rolarem

DEIXE AS ÁGUAS ROLAREM

Deixe as águas caírem e rolarem

Sejam das nuvens, das cachoeiras ou dos olhos

Águas represadas por muito tempo

Geram dores, malefícios, ficam ácidas, apodrecem

Águas paradas causam tragédias e destruição

E o que poderia ser uma chuvinha fina, uma garoa bem vinda

Torna-se um furacão perigoso e assustador

Deixe as águas rolarem

Elas sempre lavam o que está sujo

Elas sabem e encontram o caminho a seguir…

Alda M S Santos

Puro encanto

PURO ENCANTO

O galho, frágil ainda, quebrou

Tombou, ficou ali dependurado

Carregando na ponta um botão fechado, interrompido

Os espinhos não a protegeram

A violência venceu a fragilidade

Bem que tentou manter-se de pé, mas em vão

E ali ficou, lutando para sobreviver, desabrochar

Usando de energia reserva

Buscando a luz, a vontade de viver

Enfim, numa bela manhã

Abriu-se para a vida, para o amanhecer

Com perfume, cor, encanto

Ressurgiu, renasceu

E embelezou a vida no seu entorno

Só secou, morreu, se entregou, depois de cumprir seu papel

De fazer deste um mundo mais belo

Linda roseira minha…

Alda M S Santos

Não estamos sozinhos

NÃO ESTAMOS SOZINHOS

Somos humanos cercados por outros humanos

Numa casa rodeada por outras casas

Numa cidade fronteiriça de outra cidade

Dentro de uma nação que se avizinha de outras nações

Habitantes do planeta Terra, ao lado de outros planetas e astros

Membros de uma galáxia gigantesca

Não estamos sozinhos!

Mesmo quando não nos sentimos mais que pequeninos grãos de areia

E parecemos estar muito sós, não estamos

Em nossa mais intensa introspecção temos a nós mesmos

E quando encontramos a nós mesmos

Somos capazes de identificar o outro tão perto de nós

E estender a mão, pegar uma mão…

Alda M S Santos

Apenas um bronco

APENAS UM BRONCO

“Queria ser apenas um bronco”

Daqueles dos confins do sertão

Ter toda a “ciência” da natureza

Do mesmo modo que tem a ciência da mente, das emoções

Sem complexidade, sem grandes devaneios

Ter toda a esperança advinda da fé

Toda a paz que a consciência da finitude da vida permite

Nada de grandes preocupações ou conjecturas

Nada de medos, culpas, traumas, desafios intransponíveis

Apenas a certeza que, mesmo em dias difíceis,

Tudo está em seu devido lugar

Não luta contra monstros imaginários

Aceita e abraça o que a vida apresenta

O sol nasce, se põe, a lua surge, as estrelas brilham

O galo acorda a todos, a chuva cai, as árvores produzem

Pessoas nascem, morrem, chegam e se vão

Algumas nos amam, outras não

Somos apenas parte de um universo maior

O rio segue seu curso…

E o bronco que nada tem de complexo

Simplesmente, vive…

Não entende das grandes (des)conexões que afetam os demais

Suas conexões físico/emocionais não se perdem

E, por isso mesmo, mantém-se inteiro

Bronco? Quisera ser…

Alda M S Santos

Chuva lá fora

CHUVA LÁ FORA

Raios rasgam o céu e atravessam a janela

Trovões estremecem a porta, os tímpanos

Chuva forte no telhado, goteiras intensas

Enxurrada lava tudo

Ou suja tudo, diriam alguns

Cá dentro estamos seguros

As árvores se agitam nervosas

A terra se encharca, bueiros transbordam

O barulho lá de fora sobressai

E acalma o barulho cá de dentro

Uma boa chuva sempre molha

Até mesmo aqueles que dela se protegem

Ainda que não nos molhe por fora

Sempre nos irriga por dentro

E nos torna um terreno quente e úmido

Permitindo que algo de novo brote

E que faça o amanhecer em nós mais bonito…

Alda M S Santos

Curas homeopáticas

CURAS HOMEOPÁTICAS

A natureza tem poderes curativos

Não apenas os que vêm das plantas medicinais, que brotam do chão

Natureza tem poderes curativos da emoção

Aqueles que trazem paz, acalmam o coração

Em doses homeopáticas e constantes

Atingem pontos importantes na alma

Via tato, visão, olfato, paladar, audição

Paulatinamente despertando a nossa reação

Nos salvam até de nós mesmos

Quando não enxergamos mais saída

E nos tornamos nós mesmos nossos maiores adversários…

Natureza desperta em nós o que é essencial

E que, por vezes, fica escondido em meio a tanta coisa artificial…

Alda M S Santos

A majestade

A MAJESTADE

Toda majestosa ali, a primeira que noto

O cartão de visitas, a recepcionista

Parece convidar à sua sombra

Chamar-nos para nos sentarmos em suas raizes

Subir em seu tronco, alcançar seus galhos

Admirá-la, ou, simplesmente, abraçá-la

E sermos gratos a tanta beleza e encanto

Ali, fazendo parte dessa história

Participando de tudo, silenciosa e receptiva

Pode entrar, aqui sempre cabe mais um…

Amo flamboyant, amo árvores!

Alda M S Santos

Camping

CAMPING

Tudo escuro aqui dentro

Silêncio!

Lá fora há a luz do luar

Sons da noite, noite no campo

Noite de camping

Todos aboletados em suas barracas

Silêncio!

Uma risada abafada, um ronco leve

Bichos da noite e seus barulhos

Silêncio!

Depois de tanto riso e alegria

Conversas, músicas, violão, diversão

Uma brasa resta ainda no fogão improvisado

As estrelas brilham intensamente no firmamento

Silêncio!

E o rio, ah o rio, o encanto maior de todo acampamento

É vida de todas as maneiras

Na alimentação, na higiene, na diversão…

Silêncio!

Noite no camping, noite rústica, simplicidade…

Aqui valorizamos mais ainda tudo que temos de bom

O que é mesmo necessário e o que é supérfluo…

Silêncio, escuro, noite de camping

Logo o sol irá nascer…

Mais barulho, mais vida, mais amigos, mais rio

Dia de camping…

Alda M S Santos

Meninos do Rio

MENINOS DO RIO

No rio nos tornamos meninos

Crianças sapecas a nos divertir e lavar a alma

Água fria, transparente, corrente…

E ainda assim nos aquece

Aquece a alma de coisas boas

Pura natureza de matos, bichos, terra e água

Não há quem não sorria, não grite, não brinque

Que não jogue água no outro

Que não mergulhe, nade de braçadas

Que não se divirta num tombo

Que não escale uma árvore, que não se deite no chão

Que não se encante…

No rio somos meninos

Por isso no rio somos felizes

Porque só somos verdadeiramente felizes

Quando deixamos aflorar nosso lado menino…

Seja feliz, seja rio, seja menino…

Alda M S Santos

Sim é sim!

SIM É SIM!
Sim é sim!
No campo, numa cachoeira, numa praia deserta
No sofá, na rede, no tapete da sala diante da TV
Sim é sim!
Gosto do meu carnaval assim
Minha festa da carne, do prazer
É possibilitar paz, descanso, sossego, e tranquilidade
A corpo, mente, alma, coração
Busco a sinfonia dos pássaros
O farfalhar das folhas na copa das árvores sob a brisa ou vento forte
O canto das marés numa praia deserta com a areia fina sob os pés
A rede na varanda, a chuva no telhado
O bom livro sobre a grama macia…
Quero qualquer lugar em que ouça apenas a natureza
Associada à minha natureza
Com quem amo por perto, mesmo que na imaginação
No coração, na oração, sob a divina proteção …
Sim é sim!
Quero uma vida toda de prazeres assim…
Alda M S Santos

Se o rio seca…

SE O RIO SECA…

Fortalecer nossas asas para um voo livre e leve

Alimentar a brasa que nos aquece e revitaliza

Valorizar os ombros em que nossas cabeças repousam

Amaciar o colo onde acalmamos nossas angústias

Cultivar o que gera a sombra fresca onde nos livramos do cansaço

Manter acesos os motivos de nossos sorrisos

Nunca perder a fé que nos torna mais humanos

Cuidar bem de nossas matas ciliares

Porque quando o rio seca em torno da gente

Nunca mais volta a ser corrente…

Alda M S Santos

Tire as sandálias

TIRE AS SANDÁLIAS
Abra a porteira, respire o ar puro
Tire as sandálias, pise devagar
Seja bem-vindo
Deixe lá fora qualquer peso
Sinta a leveza desse lugar, inspire
Tire as sandálias, as pedras que nela houver
Que possam cortar, ferir, atrapalhar
Refestele-se…
A maciez fria da grama refresca
Percorre a corrente sanguínea, acalma
Leva um sinal de paz a cada cantinho de nós
Tire as sandálias, entre, sorria com e por prazer
Levante os braços, agradeça
Inspire, expire, faça saudações à vida
Não há caminho mais longo e desejado
Que o que nos leva até nossa alma
Tire as sandálias, continue
Você está quase lá, mais um pouquinho só
E logo se encontrará com quem mais importa
O divino que habita em você!
Alda M S Santos
Mais no meu blog http://www.vidaintensavida.wordpress.com

Girassol

GIRASSOL

Quando amanheci procurei pelo meu sol

Aquele capaz de me aquecer, fortalecer

Com esforço eu me virava em busca dele

Como girassol…

Quando amanheci busquei meu sol

Aquele que me revigora, me energiza

Desperta-me para a vida, para o bem…

Quando amanheci, afastei os medos, enxuguei as lágrimas

Sorri, espreguicei e me abri para ele

Gira, gira, girassol, assim fiquei

E o encontrei a brilhar naqueles que me aquecem

Me amam, me acolhem, me fazem bem

Quando amanheci me abracei bem apertado ao meu sol

E o segui todo o tempo nesse encanto diário

Tal qual belo e sábio girassol

Busquei meu alimento, minha luz

Aquela que quase sempre vem do alto

E responde pelo nome de Jesus

Amanhecer assim é despertar para a vida…

Alda M S Santos

Meu céu sou eu quem faço

MEU CÉU SOU EU QUEM FAÇO

Meu céu sou eu quem faço

Escolho o que quero ver

Foco no azul intenso, na liberdade dos pássaros a voar

Admiro a pipa que parece livre

Dança para lá e para cá

Sob o comando de uma linha, controlada

Sobe e desce ao sabor do vento

Meu céu sou eu quem faço

Se me desagrada finjo não ver

Coloco meus óculos de sol, escondo as lágrimas

Quando as nuvens escuras imperam

Abro um sorriso para atrair cores

Meu céu sou eu quem faço

Crio histórias onde o amor vence sempre, capto a poesia

Uso o filtro que me cabe

Com a sutileza da alma

Acreditando sempre que a magia só acontece

Quando acreditamos em milagres…

Alda M S Santos

Lavando a alma

LAVANDO A ALMA

No Sol que irradia e aquece a pele

Nas pedras que massageiam e acariciam os pés

Na água da cachoeira que refresca e limpa corpo e mente

Na chuva que inunda e fecunda ideias

Na Lua que cresce, diminui, some e volta, nunca desiste

Nas estrelas que brilham na escuridão do firmamento

No som do silêncio que desperta saudades

No carinho e cuidado daqueles que me cercam

Que precisam de mim, que deles necessito

Em tudo lavo minha alma, pouco a pouco

Pois a alma precisa de um sabonete especial chamado amor

E ele só encontramos naquilo que Ele criou…

Lavando minha alma sigo buscando a paz…

Alda M S Santos

Ao sabor do vento

AO SABOR DO VENTO

Um barco, uma âncora, uma bandeira a balançar

Seus olhos observam, sua alma voa

Ao sabor do vento navegam no oceano

Leva para lá e traz de volta para cá

E nesse constante remexer, nessa brisa refrescante

Ora é paz, calmaria, ora é tempestade, inconstância

Tenta encontrar seu lugar, se encaixar

Ser barco, ser âncora, ser vento, ser pouso…

Joga água salgada no rosto, aquece-se ao sol

Tenta lavar e aquecer também a alma

E o barco balança, a âncora repousa

O porto está longe e a bandeira balança ao sabor do vento

Fecha os olhos e, como ela, solta-se, entrega-se, deixa-se levar…

Alda M S Santos

O último raio de sol

O ÚLTIMO RAIO DE SOL

Os últimos raios de sol estão brilhando no horizonte

Irradiam e refletem todo o trabalho de um dia nas águas do oceano

Descansam ali toda a energia despendida em forma de luz e calor

Deitam nele suas esperanças de um novo amanhecer

Um olhar ao longe também repousa

Ela acalma o seu coração diante desse espetáculo gratuito a lhe dizer:

A vida é cíclica, tudo vai, tudo volta

Tenha calma na alma

Que a paz reinará!

Alda M S Santos

Além do horizonte

ALÉM DO HORIZONTE

Além do horizonte tudo parece mais belo

Mesmo que inalcançável, inatingível

Ainda que fique apenas no mundo das ideias

Pode ser atrás de uma densa mata

Além do mar, no alto de uma montanha

Sentindo o doce cheiro de natureza

A terra úmida, a areia quente, a clorofila ou a maresia

Levando-nos ao nosso estado humano natural

Apesar de estarmos meio desconectados do todo

Respiramos profundamente, mergulhamos fundo nessa imagem

Aquela que nos instiga a alçar voo

Ainda que seja apenas nas asas da imaginação…

Vamos?

Alda M S Santos

Sol e chuva

SOL E CHUVA

Entardecer, o dia vai ceder o lugar para a noite

Ora sol, ora chuva, ora sol e chuva

Nessa disputa entre secos e molhados, quem vencerá?

Sei que o espetáculo sou eu quem curto

Cada flor, cada folha, cada matinho mais verde e brilhante

A cadelinha se espreguiça em busca de um carinho

Canarinhos já não se recolhem

Comem, voam, namoram na chuva e sol

Sequer se preocupam, acostumados a qualquer mudança

E às intempéries da natureza…

São resilientes!

Não carregam pesos desnecessários

São apenas o que são, criaturas do Criador

E se alegram por isso

Voam livres… vivem…

Alda M S Santos

Na varanda

NA VARANDA

Sentada na varanda ela vê a vida passar noutro ritmo

Com uma trilha sonora diferente, rica

Cantos, sem vozes, algazarra e encantos

Sob cores fortes, intensas, naturais

Observa o enredo matutino que se desenrola no telão da vida

Tudo ali fala, o silêncio grita, há comunicação

As palavras são supérfluas, desnecessárias

Canarinhos entram e saem do ninho sob o telhado

Conversam entre si, renovam e festejam a vida de seus ovinhos

Calangos passam correndo, saracuras idem

Beija-flores se refestelam e passeiam de flor em flor no jardim

Borboletas e joaninhas fazem a polinização

Lagartas sapecam quem ousa encostar nelas

A cadelinha se estira na grama macia e úmida

O sol reina sobre todos, debaixo de um céu de intenso azul

Cada qual sabe bem seu papel e o executa com alegria

E ela ali, a observar…

Busca dentro de si aquela mesma harmonia

Aquela “certeza” leve de também executar bem seu papel

Na tantas vezes complexa trama da vida…

Alda M S Santos

Confusão no ninho

CONFUSÃO NO NINHO

Uma barulheira próxima ao pingo de ouro no jardim

Atenta, observo tico-tico entrar e sair dali várias vezes com galhos no bico

Quando ela sai vou verificar: dois ovinhos num dia, três no outro

Quero ver o momento em que o pássaro preto, chupim, entra e bota seus ovos

E o tico-tico continua a chocar ovos alheios como seus

Mas esse momento nunca consigo “pegar”

Só dias mais tarde é que percebemos tico-tico orgulhosa do filhotinho

Chupim filhote, bem maior que a mamãe tico-tico

Criando o filhotinho de outra espécie, sem saber, enganada

Ou será que sabe?

Infiltra-se no ninho do outro, destrói vidas

Pois o chupim nasce primeiro e acaba por matar os tico-tico que chegam de fome

Como pode atitude tão oportunista de um ser que sequer pensa?

Não monta seu ninho, não choca, não cuida

Quer apenas aproveitar do que encontrou pronto…

E tico-tico mãe cuida, alimenta, protege…

Fosse no mundo dos humanos, por muito menos

Seria tragédia na certa!

Será que aprenderam conosco esse oportunismo

Ou ainda têm algo a nos ensinar que não percebemos?

Alda M S Santos

Névoa

NÉVOA

Caía uma névoa fininha

Daquelas que embaçam o tempo

Esfriam até nossos ossos

Da varanda, tomando uma xícara de café recém coado eu observava

Como a natureza tem a capacidade de atingir nossas emoções!

Quando fica assim sinto-me em outro mundo

Dizem que é o momento em que a tristeza e depressão têm seu auge

Tem-se a percepção de que a Terra parou…

Poucos passarinhos se arriscavam a sair de suas casas

A cigarra sossegou seu canto

Beija-flor aparecia e beijava mais rápido que o normal

Para logo se recolher e se aquecer

Parece que a ordem geral em suspense era: recolham-se!

Uns recolhiam-se para dentro de suas casas

Outros, para dentro de suas lembranças e emoções

Outros para os recônditos de suas almas inquietas

Muitos não achavam para onde se recolher

Perdidos…

Esses que costumam não achar o caminho de volta…

Gosto de tempo assim!

Saio admirando as flores molhadas

Os bichos recolhidos, as pessoas que passam apressadas

Ou aquelas que nem se importam com aquela névoa

Que insistia em atingir os ossos

Volto e vou acender o fogão à lenha

Aquecendo…

Alda M S Santos

Sem fronteiras

SEM FRONTEIRAS

Voam na imensidão do azul do céu

Não têm limites, não têm fronteiras

Sozinhas, em pares ou em grandes grupos

No céu dançam um lindo ballet

Em silêncio ou cantando, se comunicando

Simplesmente, voam…

Sem destino? Não sei!

Parecem livres, despretensiosas

Pousam numa árvore frondosa

Fazem muito barulho

Será uma reunião de revisão de rota?

Algum perigo? Temem algo?

Ou será apenas uma pausa para descanso?

Param todas na beira de um lago

Molham-se, hidratam-se, banham-se

E seguem seu caminho no espaço…

Haverá algo que possa interromper seu curso, seu voo?

Vão e voltam, fazem estações

Sem fronteiras….

Daqui de baixo a tudo observo, invejo tal liberdade de ser, de pouco precisar

Voo com elas… vou longe… e volto…

Pés no chão, coração no espaço…

Alda M S Santos

Águas passadas

ÁGUAS PASSADAS

Águas passadas não movem moinhos

Diz sabiamente o ditado popular

Por que sempre voltamos ao mesmo moinho

Acreditando encontrar as mesmas águas a movê-lo

Ou buscando naquelas novas águas que agora o fazem rodar

As mesmas características anteriores?

Se o moinho é o mesmo, e continua sendo movido à água

Algo semelhante haverá entre essas e as águas passadas.

Buscamos nova familiarização, nova sintonia

O que nem sempre nos atentamos

É para o fato que o moinho também se modificou,

Não é o mesmo moinho de outrora

Tem fissuras, partes escurecidas, está mais silencioso ou barulhento

As mesmas águas que passaram e foram embora rio abaixo

Fizeram seu trabalho na roda do moinho

Deixaram ali sua marca…

Águas passadas não movem moinho

É verdade!

Mas o deixam cada vez mais forte e eficiente

E capaz de aproveitar melhor a força das novas águas …

Águas passadas são lições aprendidas

Nos livros dos moinhos de nossa existência…

Alda M S Santos

Mergulhos

MERGULHOS

Água: um delicioso e assustador mistério

Oceanos, mares, lagos, lagoas, rios, cachoeiras, poços

Caindo do céu, escorrendo nas pedras, formando lençóis freáticos

Minando da terra, evaporando no ar

Abastecendo a terra de vida nesse ciclo sem fim…

Leves, pesadas, fortes ou tempestuosas

Convidativas ao mergulho, a nelas se aventurar

E ali, deslizando suavemente, cada vez mais longe

Se perder…ou se encontrar…

Alda M S Santos

De gota em gota

DE GOTA EM GOTA

De gota em gota ela cai lá fora

A terra sedenta a recebe de boca aberta

Suavemente é engolida, absorvida por sementes e mudas

Os brotos crescem a olhos vistos

A piscina já não se importa

Ali, desnecessária, “completa”

Está cheia, transborda, não tem carências …

O que é excesso para uns

Quase sempre é falta para outros

De gota em gota se mata uma sede

Mas uma tempestade também pode matar…

De gota em gota a chuvinha cai lá fora

Alimenta sonhos, desejos e esperanças

De gota em gota…

Alda M S Santos

Precisando de cuidados?

PRECISANDO DE CUIDADOS?

Num jardim há flores de todos os tipos

Cores, perfumes, texturas, tamanhos, resistência

Umas preferem o Sol, outras a sombra

Algumas precisam de muita irrigação, outras bem pouca

Umas são do dia, outras da noite

A floração também é muito variada

Algumas são bem frágeis, necessitam proteção

Inclusive exigindo sacrifício de outras, que se doam

Para garantir sua sobrevivência

Tratamento igual para todas poderá levá-las à morte

Única coisa que deve ser igual para todas é a dedicação do jardineiro

Conhecer bem cada uma e do que ela necessita

Aceitá-las em suas peculiaridades que as tornam únicas e belas

Até mesmo impedir que umas sufoquem as outras

Cada planta no jardim exige um cuidado e proteção especial

Assim é com as flores,

Assim é com as pessoas…

Somos flores, boa parte do tempo, precisando de cuidados

Somos também jardineiros, devendo cuidar…

Cuidemos de nós e dos outros, quando flores, quando jardineiros…

Alda M S Santos

Dores e delícias do viver

DORES E DELÍCIAS DO VIVER

É dor ou delícia?

Dispor de um céu infinito para voar

E encontrar alimento num cativeiro alheio?

É dor ou delícia?

Ter asas leves e fortes capazes de alçar voo nos sonhos do coração

E precisar manter os pés firmes e pesados no chão?

É dor ou delícia?

Avistar um deslumbrante e convidativo horizonte além-mar a desbravar

E desejar um porto distante e inalcançável a um barquinho de papel?

É dor ou delícia?

Flutuar nas águas límpidas e leves do amor incondicional

E, afoito, se afogar nas águas turvas e densas da ilusão?

Viver é se molhar e se secar, tornar a se molhar e tornar a se secar

No brilho líquido e vibrante dos sorrisos e das lágrimas

Que nos tomam todo o tempo de delícias e dores….

É dor ou delícia?

Cada qual que responda por si…

Alda M S Santos

Pescaria

PESCARIA

Não estou nervosa, não estou tensa

Mas algo me leva a pescar…

Na beira do lago coloco a isca, lanço o anzol

Pesco a beleza que se transmuta em sons, movimentos e cores

Uma revoada de pássaros que canta no céu

Uma vaca que muge ao longe

O vento que balança as árvores e derruba frutos

As galinhas que cacarejam fugindo dos cães

A água que escorre numa bica e cai no lago

Uma tilápia que nada apressada na água calma

Pesco a beleza visual que dança descuidada sob meus olhos

Pesco o amor do criador em cada criatura

Uso apenas o anzol do desejo de paz

No qual coloco a isca da sensibilidade

Ouço alguém me chamar lá dentro

E saio com o cesto da alma carregado nessa pescaria…

Aceitam um pescado?

Alda M S Santos

Há esperança

HÁ ESPERANÇA

Há esperança, ah, esperança…

Aquela que vai, voa, se perde, volta

Flutua e pousa insegura em sua mão

Ah, esperança…

De asas leves, voo verdejante

Machucada, temerosa, insistente

Repousa em sua alma, batendo asas no ritmo de seu coração

Há esperança!

Voa na brisa suave, deixa-se levar nos vendavais

Ou apenas se recolhe num canto…

Espera, paciente, que alguém nela espere

Como toda esperança será a última a morrer

Ah, esperança…

Há esperança?

Alda M S Santos

Deixe-se levar

DEIXE-SE LEVAR

Deixe-se balançar ao sabor do vento que sopra forte

Ora para um lado, ora para o outro

Deixe-se encharcar pelas águas que inundam

Ora as doces do céu, ora as salgadas do oceano

Deixe-se emocionar pelos sentimentos dentro de si

Não resistir, não fincar pé, não engolir choro gera resiliência

A capacidade de envergar, mas não quebrar, nos fortalece

Quanto maior a capacidade de se flexibilizar

De mover-se ao sabor do que é maior, mais forte do que nós

Mais engrossamos nosso tronco, nossas raízes, nossa essência

Preservamos o que é importante…

As grandes árvores balançam ao sabor das ventanias

E suas raízes são cada vez mais profundas

Seu equilíbrio entre flexibilidade e rigidez é que garante sua sobrevivência…

Alda M S Santos

Pura sedução

PURA SEDUÇÃO

Ele vai, ele vem

Infinitamente, lindamente

Ora mais calmo, ora mais revolto

Leva o que encontra na areia da praia

O que em suas águas salgadas se dilui

Ou que serve de alimento a quem faz de suas águas seu habitat

Por lá se mistura, fica, se esvai …

O que faz mal ou é inútil ele devolve

Não quer para si…

Mar que recebe, atrai, absorve nosso olhar

Seduz-nos com seu encanto molhado, com seu canto ritmado

Olhar que grita silêncios que mais ninguém ouve

Silêncios que mais ninguém entende

Nossos pensamentos, nossos sentimentos ele escuta

Faz com eles uma bela sinfonia marítima

Por vezes transforma-os numa intensa e constante maresia

Noutras numa grande ressaca viciante

Mas ninguém passa incólume pelo mar…

Difícil é resistir ao desejo de ali ficar…

Pura sedução!

Alda M S Santos

Sinto-me parte

SINTO-ME PARTE

Sou parte desse universo tão infinito

Em meio à natureza pura e simples

Quando me sinto um tudo

Ou quando me assemelho a um nada

Sinto-me parte desse universo

Que parece muitas vezes tão aleatório

Noutras tao cuidadosamente planejado

Cada pedra, cada galho, cada mato seco

Cada inseto irritante que pica

Cada árvore centenária que balança ao sabor do vento

O riacho que se desfaz em cachoeiras nas rochas

Sinto-me parte…

Mesmo no silêncio ora tranquilizador, ora constrangedor

Que contrasta com meu barulho interior

Tudo parece tão bem encaixado ali

Todos representam tão bem seu papel

Ainda que meus barulhos sem nexo

Pareçam intrusos num roteiro de sons

Que demonstram total harmonia

Sinto- me parte…

Não sei se sou a parte aleatória ou a cuidadosamente planejada

Sei apenas que sinto-me parte…

Alda M S Santos

PRIMAVERANDO

PRIMAVERANDO

Doce expectativa, espera tranquila

Raízes que se desenvolvem e grudam no tronco da mangueira

Buscam ali os nutrientes que precisam para crescer

Sem causar danos, perfeita harmonia

Numa manhã, alguns botões surgem

Se abrem para a luz, para o calor do sol

Tal qual meu sorriso a saudá-las

Brancas, lilases, rosas, amarelas e mescladas

Passo a vigiar, parecem demorar mais

Noutra manhã, mais cores, perfume, ternura

Beleza pura e delicadeza que encantam

Que necessitam para ser tão belas assim?

Precisam antes terem sido plantadas no coração

No desejo de quem as ofereceu ou recebeu

No carinho de quem cuidou e por elas esperou

Precisam do tempo, do repouso, da paciência, da reclusão

Fases que a maioria não nota, sequer considera

Querem apenas a beleza da flor, que antes foi raiz, galhos, folhas

Quem curte apenas a orquídea em flor perde todo um processo de vida

Que germina, brota, cresce, luta pela sobrevivência

A flor é mesmo bela, digna de admiração e encanto

Mas quem acompanha todas as etapas do desabrochar, do primaverar

Sabe mesmo ser jardim!

Vale para jardins de flores ou de pessoas…

Alda M S Santos

Ecos de amor

ECOS DE AMOR

Na beira do nada tudo que é lançado se propaga

Mas se encontra qualquer “obstáculo”

Há reflexão instantânea do que é emitido

Tal qual eco que reverbera ao ouvinte pouco depois do som direto

Tal qual bumerangue que retorna para as mãos do emissor

Tal qual o mar que devolve na areia tudo que recebe

Se o que se emite é dor há reflexão de dor

Se o que se lança é amor é amor que voltará

Nem sempre tão rápido quanto o eco

Mas tudo que emitimos acaba por nos retornar

Pode reverberar e voltar em confusas reflexões

Meio inaudíveis ou incompreensíveis

Talvez nos confunda no retorno, mas volta

Emissões de pessimismo trarão ecos de apatia e desânimo

Sons de um “eu te amo” sempre retornarão como ecos de amor

Ainda que disfarçados de carinho, compaixão, sorriso ou saudade…

Sons de amor, ecos de amor

Sempre!

Alda M S Santos

Quando primavera

QUANDO PRIMAVERA

Quando sou primavera

Sou flor, cheiro, cor

Beleza, harmonia…

Atraio, encanto,

Perfumo e embelezo.

Porém, não sou primavera todo o tempo

Venho de invernos frios, longos e solitários…

Quase destruída nos verões de muitos ventos e tempestades.

Abandonada e recolhida em mim mesma nos outonos em que perdi boa parte de mim…

Reconstruí, floresci, renasci….

Enfim, primavera!

Trago comigo arraigados

Meus verões, outonos e invernos…e com eles

Quem me acompanhou.

Com eles quero dividir

Minhas flores, minhas alegrias, meu perfume, minhas cores, meu encanto!

Sabiamente, me abasteço para o próximo outono.

Ele sempre vem!

Alda M S Santos

Repostando

Descompasso

DESCOMPASSO

Em qual estação estamos lá fora?

E cá dentro?

Estamos no mesmo compasso

Ou há flores perfumadas, cores vivas e macias na primavera lá fora

Enquanto cá dentro perdemos folhas e poupamos a raiz em secos e terrosos outonos?

Em qual estação estamos?

Mergulhamos em mornos oceanos e cachoeiras refrescantes

No verão quente, colorido e cheio de energia lá de fora

Ou hibernamos em longos, frios e escuros invernos cá dentro?

Somos atingidos pela força e vitalidade da estação lá de fora

Flores, perfumes, cores, calor, animação e alegria

Ou somos contagiados apenas pelo frio, pela neve, pelo repouso, pelas ventanias?

Dançamos, brincamos e amamos na chuva

Ou apenas fugimos das tempestades?

Esse constante descompasso entre a estação interna e externa

Tem sido capaz de promover a dança da vida

Ou passamos a festa toda sentados numa cadeira?

Viver todas as estações em plenitude é que importa

Independente se estamos no mesmo compasso da música lá de fora

A música cá de dentro é que precisa tocar e nos satisfazer…

Alda M S Santos

Autossustentáveis

AUTOSSUSTENTÁVEIS

Buscamos por um ambiente autossustentável

Uma água que siga seu ciclo e se renove

Árvores que nasçam, cresçam, se reproduzam e morram

Não sem antes nos fornecer seus frutos, sombra e madeira

Sem nos deixar na mão

Animais que nos sirvam de algum modo, que sejam “úteis”

Vegetais, animais e minerais à nossa mercê

Água, terra, fogo, ar, puros e infinitos para nosso prazer

Outros humanos a nos agradar e “servir”

E qual nossa parte nisso tudo?

Apenas usufruir sem contribuir?

Arriscando secar qualquer fonte de água, alimento ou amor?

Precisamos de humanos autossustentáveis

Brancos, amarelos, negros, vermelhos ou azuis

Ou, no mínimo, que não destruam irremediavelmente

Tudo aquilo de que precisam para se manter…

Como espécie e como indivíduos

A começar por si mesmos…

Alda M S Santos

Noite estrelada

NOITE ESTRELADA

Há sonhos belos como uma noite escura

Como um céu salpicado de estrelas brilhantes, reluzentes

Atraindo, despertando esperanças, expectativas

Mas, como as estrelas, “apagam-se” ao amanhecer

Seu brilho não se sustenta perante à dura realidade do dia

Assim como as estrelas se escondem

Diante do brilho intenso dos raios de sol

Muitos sonhos se escondem atrás dos medos

E covardias que tiram seu brilho

Alda M S Santos

Mata nativa

MATA NATIVA

É sabido que a paz não está

Em lugares físicos ou espaços externos

Quem a busca fora de si perde tempo

Ela se encontra dentro de nós

Mas um lugar tranquilo, amado, com cheiro de mato

Onde nos sentimos parte integrante desse universo

Tão dual: tão simples e tão complexo

Pode nos reconectar a nós mesmos

Tal qual mata nativa tão perfeita ali

Matar a saudade de nossa essência tantas vezes perdida ou “escondida”

Noutros cantos que nem sempre temos acesso

Dentro de outros seres, muitas vezes inacessíveis

Nem sempre receptivos

Mata que mata ansiedade, mata que desperta anseios

Sempre a nos lembrar

Somos gente, somos nativos, somos vida, somos parte…

Alda M S Santos

Ela caminha

ELA CAMINHA
À beira-mar ela caminha
Olha longe no horizonte
Sempre gostou muito de caminhadas
Nas avenidas, nas estradinhas de terra
Na beira de um rio, nas matas, montanhas…
O corpo é exigido, a mente trabalha, vai relaxando
A alma se abastece de belezas, de levezas
Busca um veleiro que navega sozinho ao longe
Quem estará ali? Será feliz?
Uma gaivota que mergulha atrás de alimento
Uma lancha de transporte de aluguel num cais improvisado
O vento desarruma seu cabelo, arranca o chapéu
Levanta sua saída de praia, refresca a alma
As ondas quebram a seus pés espumando e se recolhem de volta ao mar
“Tragam coisas boas, levem as ruins”, ela profetiza
Chuta a água, chuta os problemas, inspira e expira fundo
Sente os músculos sendo exigidos
Tensão, relaxamento, prazer…
Vê uma família de golfinhos nadando despreocupada
Um casal enamorado se exercita debaixo de um coqueiro
Como seria morar ali?
O encanto seria o mesmo?
Faria essa caminhada diária?
E ela segue…
Caminhando, chutando a água, refletindo
Sugando da natureza tudo que consegue de maravilhoso
Aprende com ela, seu ir e vir constante…
Enchendo-se de coisas boas, esvaziando-se do que faz mal…
Ela caminha…
Alda M S Santos 

Blog no WordPress.com.

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: