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Borboleta voou

BORBOLETA VOOU

Uma borboleta, linda, suave
Colorida, leve, encantadora
Passou por duras e incompreensíveis penas
Lagarta, casulo, criou asas
Borboleteou por aqui, incansável
Voou amou, flores tocou
Intensa, semeou vida, polinizou
Viveu sua metamorfose, aceitou
Lutou suas batalhas, recuou, avançou
Pediu trégua, venceu…
Ao Criador sempre agradeceu
Enfim, pousou…
Mas toda borboleta sabe que há fases
Logo estará voando do lado de lá
Borboleta tão bela assim de lá irá tudo aqui enfeitar
Saudades imensas no coração deixou
Mas os lugares que aqui voou, pousou, enfeitou
Nunca deixará de estar…
Seu brilho intenso, perfume delicado de flor
Será para todos que ficaram
A prova irrefutável de um grande amor
Vá com Deus, Borboleta
Outras flores precisam de ti…

Alda M S Santos

Que ela seja assim

QUE ELA SEJA ASSIM

Que ela seja assim
Bela e triste como névoa na praia ao amanhecer
Animada como dia de sol no parque ao entardecer
Pacífica como céu estrelado no anoitecer

Que ela seja assim
Romântica feito banho de chuva com alguém especial
Divertida e quente como dançar num lual
Saborosa e madura como fruta colhida no quintal

Que ela seja assim
Refrescante como mergulho na cachoeira ao luar
Intensa e mágica como o amor nas areias do mar
Aconchegante como abraço para o cansaço aliviar

Que a vida seja assim
Nem sempre do jeito que nossa mente deseja
Mas na medida certa do que nossa alma almeja

Alda M S Santos

Vivendo do mar

VIVENDO DO MAR

Para uns a diversão, lazer, contemplação

Para outros o trabalho, a lida, o ganha-pão

Seja no pescado em alto-mar

Ou nas atividades à beira-mar

Muitos fazem dali seu dia a dia, seu lugar

Nativos já conhecem sua impar linguagem

Quando está bravo, de ressaca, qual sua mensagem

Quando a maré vai subir ou baixar

Se vai chover ou o quanto irá ventar

Sabem direitinho até onde se pode brincar

Respeitam a natureza, de onde vem seu sustento

A pele já castigada pelo sol, são gratos a todo momento

Turistas vêm para passear, conhecer, se apaixonar

Pela cultura, encantos naturais, querem fundo mergulhar

Se gostarem certamente irão voltar

Talvez até venham a fazer dali o seu novo lar

Bom mesmo é que nativos e turistas

Saibam cuidar, amar, preservar

Esses maravilhosos encantos que a Criação veio nos presentear…

Alda M S Santos

Um banho de Lua

UM BANHO DE LUA

Fechei os olhos na quente e escura noite

Natureza rica, água refrescante

Apenas sentindo o brilho da Lua

Banhar meu corpo provocante

Em suaves versos ela me envolve

Busca encantar-me com sua poesia

Leva-me para outra galáxia

Num mundo mágico de quase heresia

Já ali entregue, quase rendida

Nessa doce troca, sem medida

Sou puro amor, por ela absorvida

Já não quero mais nada desse mundo

Já nada mais preciso dessa vida…

Alda M S Santos

Orquestra

ORQUESTRA

Muitos são os tipos de instrumentos

Violões, pianos, violinos, teclados e baterias

Saxofones, oboés, flautas, tambores

Tão diferentes entre si, mas com o mesmo propósito

Produzir um som melodioso e harmônico

Cativar, encantar, maravilhar…

Não importa qual tipo de instrumento é:

De corda, de sopro, de percussão…

Todos são importantes, todos podem fazer uma bela “apresentação”

O que dá o diferencial numa orquestra é a harmonia entre os instrumentos

A afinação e sintonia que fazem uma bela canção

Sob a batuta do maestro experiente que extrai o melhor de cada um

E os utiliza nos momentos mais adequados

Graves ou agudos, grandes ou pequenos, altos ou baixos

Todos são essenciais…

Entendêssemos e aplicássemos essa complementariedade de uma orquestra às nossas relações

Usando a batuta de modo harmônico às diferenças dos “instrumentos” de nossa vida

Teríamos um viver mais belo, em sintonia e harmônico

Mais feliz e encantador…

Alda M S Santos

*foto: meu filho Pablo tocando

Cenas da cidade

CENAS DA CIDADE

Burburinho de gente na estação do metrô

Corre e corre para pegar o ônibus integração

Trem lotado, perfumes misturados, smartphones

Alguns conversam, um casal abraçado, um senhor idoso, de pé, é ignorado

Entra e sai constante a cada estação

Uma multidão atravessa no semáforo aberto

Outros correm entre os carros mesmo

Caminho na larga calçada sem muita pressa

De um lado da avenida o Parque Municipal, árvores, lagos, brinquedos e edificações tombadas

No meio, o Ribeirão Arrudas canalizado, águas sujas

Do outro lado, prédios e mais prédios

Um ambulante vende loterias: “hoje é dia da sorte”

Outros vendem biscoitos, salgados gordurosos, variedades

Outro grita: “moça bonita que sorrir não paga…”

E a gente ri, não da piada antiga, mas da expressão do vendedor

Pessoas apressadas, umas sorriem, dizem bom dia

Outras ainda dormem nos bancos, ao lado de lixeiras

Enroladas em seus cobertores, provavelmente doações

Debaixo de árvores ou nos cantos das ruas

Ruas que são suas casas…

Bens públicos e bens privados usados inadequadamente

Tantos rostos, tantas histórias…

Vontade de perguntar a cada uma delas o que se passa

Mas eu também sigo, também tenho uma história, sou parte da cena da cidade.

Refletindo sobre a vida, entro no hospital, desejo “bom dia”

“Posso ajudar?”- um porteiro solícito pergunta

Quero gritar: “acordem todos”!

Mas falta-me a voz, a coragem

“Onde marco cirurgias”?

“Siga em frente, moça, até o fim”!

Parece profético!

“Pode deixar, seguirei…”- ele sorri

“Obrigada! Bom trabalho”!

“Boa cirurgia, Deus abençoe!”-alguém que não é indiferente.

Da janela do andar lá em cima observo as cenas da cidade…

Como será que somos vistos do Alto, por Ele?

Esse louco formigueiro humano disputando espaço

Atrapalhadamente, vivendo…

Alda M S Santos

Infiltrações

INFILTRAÇÕES
Trincas nas paredes, rachaduras nas calçadas
Buracos no asfalto, aberturas nos canteiros
Fendas nos quintais, fissuras nos jardins
Permitem a entrada gradativa de água 
Possibilitam infiltrações e o lento, nocivo
E quase imperceptível ceder do terreno
Abalam as estruturas, derrubam edifícios
Jogam ao chão monumentos, grandes construções
Como as rachaduras em nossa emoção
Aquelas pequeninas, que quase ninguém vê
Uma decepção aqui, uma indiferença ali, um descaso acolá
Frestas que nem nós notamos
Vão deixando entrar elementos perigosos
Que abalam nossas estruturas
Derretem a liga que nos sustenta
Urge tapar essas gretas: na rua, nos quintais, nos lares, em nós
Deixar apenas a abertura suave das persianas e dos sorrisos
Por onde entra ou sai a luz do sol e do amor
Que nos aquece, nos mantém inteiros, de pé
E de braços abertos para a vida!
Alda M S Santos

O dia em que a terra não parou…

O DIA EM QUE A TERRA NÃO PAROU…

Quando não nos posicionamos perante a vida

Quando não escolhemos caminhos ou não fazemos opções

Por inércia, ignorância, covardia, dúvidas ou medos

A vida não deixa de acontecer, o planeta não deixa de girar

A Terra não para pra nos esperar

As pessoas seguem as trilhas que escolheram

A vida se impõe, alguém “escolhe” por nós

E somos “obrigados” a aceitar a escolha de outros que caiu em nosso colo

O caminho a nós imposto, bonito ou feio, plano ou cheio de aclives

Sem nossa análise, avaliação ou aprovação

Delegamos a outros, por inércia ou inaptidão, o controle de nossas vidas

E percebemos que aquele “dia em que a Terra parou”

Existiu apenas na canção, nos sonhos loucos de Raul Seixas

Ela seguiu em ensandecida rotação e translação e fomos lançados fora de órbita

Para um lugar melhor ou pior…

A Terra, indiferente à nossa “preguiça”, continuou a girar…

A Terra continua a girar…

Alda M S Santos

Placas tectônicas

PLACAS TECTÔNICAS
O movimento das placas tectônicas causa graves acidentes na superfície do planeta
Terremotos, maremotos, tsunamis e vulcões assustam
Mas são sinais da vida ativa no interior da Terra
A cada vez que elas se movimentam
Grandes desastres naturais são gerados resultando em morte, terror, destruição
Uma nova posição elas tomam, nova organização se dá: sobrevivência
Quem está melhor preparado sabe o que fazer, como lidar, seleção natural
Nem sempre os mais altos e bonitos edifícios mantém-se de pé
Muitas vezes são os primeiros a ruir e tombar ao chão,levando consigo muitos outros
O que vale é a estrutura firme, a base forte, a flexibilidade das colunas
Desconsiderar a força da vida interna que se rebela e se revela não é sábio
Nos terremotos naturais os sobreviventes conhecem a regra: o tripé da vida
Apoiar-se em algo sólido e firme, abaixar-se, proteger-se
E esperar a lava quente, a fumaça tóxica, os destroços serem levados oceano afora …
Nesse grande planeta azul, somos dele pequenas miniaturas
Onde estamos nos apoiando quando nossas placas tectônicas se movimentam perigosamente?
Alda M S Santos

 

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