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Temos pressa

TEMOS PRESSA

O tempo voa, a vida passa

E ficamos a esperar na janela

Por aquilo que de nós não sai

Ainda que pareça balela

Temos pressa…

Nem tudo o que a gente quer

Chega na velocidade desejada

Mesmo sabendo que o mais valioso

Chegará só na hora apropriada

Temos pressa…

A paciência é uma virtude

Que precisa ser bem dosada

Porque se confundida com inércia

Não nos ajuda em nada

Temos pressa…

Cansados de ver ir embora

Tantos sonhos que viraram pó

Queremos aproveitar melhor agora

Para não terminar a vida só…

Temos pressa…

Alda M S Santos

A história se repete

A HISTÓRIA SE REPETE

A mesma angustiante história lá está

Continuamente a se repetir

Quer seja em nós, nos filhos, parentes ou amigos

Algo ela quer nos ensinar

Quem sabe um novo caminho a seguir?

Faz sorrir, faz chorar, faz desanimar, quase desistir

E ainda não aprendemos

Por isso ela está sempre a nos cercar

Tentando de todo modo nos alertar

Até quando vamos resistir?

A vida é sábia por natureza

Ela sempre se impõe, é forte

E tem uma ampla visão do porvir

No medo, na esperança, na dor

Até nas quedas que vier a permitir

Quer nos levar para novo patamar

De evolução, sabedoria e amor…

Alda M S Santos

Universo paralelo

UNIVERSO PARALELO

Alguns parecem viver num universo paralelo

Distantes e avessos ao que é tido como normal

Não gostam de seguir a boiada

Lutam por algo diferente, bem mais natural

Autênticos e verdadeiros

Não ferem a própria essência

Preferem ficar à margem

Ainda que acusados de demência

Entre tantos descaminhos

Dores e atrocidades de alta magnitude

Viver num universo paralelo

Além de autoproteção, chega a ser grande virtude…

Alda M S Santos

Nas ruas da cidade

NAS RUAS DA CIDADE

Nas ruas da cidade a vida acontece

Nem sempre como a gente imagina

Mas acontece…

Cinco carros estacionam ali, nas ruas escuras, onde seres humanos “moram”

Naquelas calçadas geladas da noite

Voluntários abrem o porta-malas lotado

Treinados pela vida, eles logo aparecem

Uma fila gigante se forma e espera

Nas ruas da cidade a vida acontece

Nem sempre como a gente imagina

Mas acontece…

Lanches quentinhos são servidos

A quase totalidade de homens de toda idade

Menos mulheres, mas até crianças estão na fila

Corpos expostos ao frio, pés descalços

E pedem por roupas, calçados, agasalhos, cobertores

Os carros logo são esvaziados

E tudo o que levaram e parecia bastante

Some, é logo doado…

Nas ruas da cidade a vida acontece

Nem sempre como a gente imagina

Mas acontece…

Eles se vão, outros chegam

A vida segue seu rumo

Mas de um modo um pouco diferente

Lá e cá…

Nas ruas da cidade…

Alda M S Santos

Não vai muito longe

NÃO VAI MUITO LONGE

Não vai muito longe

Aquele que corre demais

Foca pouco e não olha para trás…

Não vai muito longe

Aquele que, a despeito de tudo e de todos

Segue trilhas não muito eficazes…

Não vai muito longe

Aquele que desvia e se perde no caminho

E em busca de coisas “grandes”

Perde algo que aparenta pequenez

Mas na verdade é fundamental:

Sua própria essência…

Na verdade só vai longe

Quem não abandona a si mesmo

Tentando ser aquilo que não é!

Alda M S Santos

Sobre amor, sobre amar

SOBRE AMOR, SOBRE AMAR

Se não valoriza o que você é

Se te pede para fazer o que você não gosta

Se quer te fazer outra mulher

Ou não se importa com o que você quer

Não te ama!

Se não te prioriza

Se não diz que você é linda

Se não te olha nos olhos

Nem te abraça apertado

Não te ama!

Se não passeia contigo

Se não assiste com você um filme de amor

Se não dança agarradinho à sua cintura

Se não dorme de conchinha

Nem toma banho juntinho

Não te ama!

Se não te protege

Se te põe em risco

Se põe em dúvida sua moral

Ou faz de tudo um vendaval

Não te ama!

Mas se tem um olhar especial

Um ombro que te cabe direitinho

Um beijo de arrepiar o cangote

Um abraço de urso quentinho

Coração grande e terno colinho

Palavras e ouvidos de puro carinho

Principalmente, respeita o seu jeitinho

E aceita seu amor, mesmo imperfeito

Ele te ama!

Mas sobre amor, sobre amar

Só a gente mesmo para saber ou falar…

Alda M S Santos

Depende…

DEPENDE…

Um manhã ensolarada e morosa ou uma tarde longa e chuvosa

Uma noite na roça ao luar ou uma tarde na areia à beira-mar

Um inverno congelante ou um calor sufocante

Diante de uma sofisticada lareira ou em volta de uma simples fogueira

Uma cidadezinha do interior formosa ou uma grande metrópole famosa

Uma cachoeira na floresta ou uma praia deserta

Um sábado numa boate lotada ou um filme debaixo do edredom na madrugada

Um traje de gala sofisticado ou um vestido de flores delicado

Depende…

Tudo vai depender da companhia que se tem

Mais vale a escuridão de um caminho com um alguém

Que a iluminação de outro, na solidão, sem ninguém…

Alda M S Santos

Imperfeita

IMPERFEITA

Ela é assim, imperfeita

Interessante, atraente, convidativa

Ora boa, outras nem tanto

Mas com fé a gente se ajeita

Ela é assim, imperfeita

Bela, cinzenta ou colorida, engraçada

Faça rir ou faça chorar

Ninguém nunca a rejeita

Ela é assim, imperfeita

Inteira ou faltando pedaços

Repleta de amores e desamores

E de coragem que a gente respeita

Ela é assim, imperfeita

Nem sempre como almejamos

Mas é a vida que a gente não enjeita

E a amamos mesmo assim:

Imperfeita!

Alda M S Santos

Não me cabe

NÃO ME CABE

Nessa caixa não me cabe

Não é que eu não seja flexível

É que ela tende a me moldar

Colocar num padrão que me machuca

E que não vai me agradar

Nessa caixa não me cabe

Dobra daqui, dobra dali

Tira um pedaço desse lado

Aperta o outro, transfere de lugar

Até eu não mais me identificar

Nessa caixa não me cabe

E mesmo se coubesse eu não gostaria

É que prezo a liberdade de ser o que sou

Colocar-me ali me mataria

Nessa caixa não me cabe

Não sou boneca para viver em caixa, preciso de ar

Prefiro jardim, mata, rio, mar ou cachoeira

E assim quero viver a vida inteira…

Alda M S Santos

Tudo é novo!

TUDO É NOVO!

Tantos momentos únicos, ímpares

Como todos eles o são

Mesmo que pareça tudo igual

Não há repetição…

O entardecer acontece todo dia no horizonte

Mas sempre com novos matizes

A aurora desponta todas as manhãs na serra

Clara, intensa e brilhante na nossa janela

Mas não somos os mesmos a observá-la

Cada olhar, cada abraço, cada raiva ou decepção

Sempre ficarão para trás, serão passado, ainda que a gente queira segurá-los

Amanhã, novos olhares, novos abraços, novas raivas ou decepções

E o amor…

Esse que doamos ou recebemos é sempre novo

E isso é o motor do viver…

Alda M S Santos

Não arromba

NÃO ARROMBA!

Dizem que a felicidade não entra em portas trancadas

Mas ela também não arromba

Ela entra conquistando espaços devagarzinho

Respeitando as manhas da fechadura

As chaves que talvez estejam gastas

Ou a ferrugem que já corroeu o tambor

A felicidade que arromba portas é traiçoeira

Do mesmo modo que entrou causando estragos

Sai deixando rombos por onde passa

A felicidade que vale a pena não arromba

Ela pega a chave certa e vai limando com cuidado

Com jeito e perícia, abre a porta de nossos corações

Entra, senta, toma um café

Nos faz um cafuné

Nos ama sem medidas

E ocupa um lugar especial

Pra nunca mais sair…

Alda M S Santos

Zoo

ZOO

Nesse mundo animal

Quero ser um bicho qualquer

Desde que bem selvagem e irracional

Guiado pelos naturais instintos

Sabedor do bem e do mal

Nesse mundo cheio de razão

Quero ser de outra espécie ou philo

Aqui não há vez para o coração

Não quero ser homosapiens

Abro mão, prefiro ser emoção…

Nesse mundo tão perdido

Descaminhos, escuros, vacilos

Onde tudo já parece falido

Quero de novo me encontrar

Entre bichos não corrompidos encontrarei abrigo

Mundo zoo!

Alda M S Santos

Presentes

PRESENTES

Há muitas maneiras vistosas

Coloridas, enfeitadas com laçarotes

Que certos “presentes” são embrulhados

E a nós oferecidos por aí

Como consumidores vorazes

Muitas vezes até pagamos para tê-los

E a decepção é grande

Ao notarmos que a propaganda era enganosa

Que a ideia não era assim tão original

A vitrine nos fazia ver brilho onde não existia

Novidade no que era apenas repetição

Mesmo produto ultrapassado com nova roupagem

O conteúdo não correspondia ao embrulho

Notamos que “levamos gato por lebre”

Fomos ludibriados…

Será mesmo?

Podemos mesmo culpar o engodo do outro

Ou devemos assumir nossa vaidade

Ao querer levar algo tão “valioso e belo”

Sem avaliar sabiamente o que era oferecido?

A culpa é de quem presenteia

Ou de quem se deixa presentear?

Nesse comércio onde tudo se vende ou se troca

Sábio é quem sabe o que comprar

E não se deixa mais enganar…

Alda M S Santos

Nudez

NUDEZ

Fiquemos nus!

É preciso ser autêntico, real

Retirar as máscaras

Que escondem o que é feio

Arrancar os disfarces

Que cobrem o que não é tão agradável

Lavar com água fria

Todo resquício de maquiagem

Apagar qualquer sinal

De adereços ou acessórios complementares

Mostrar exatamente aquilo que somos

Sem medos de rejeição

Para o outro, nosso espelho

Para nós mesmos, nossa autoaceitação

Silenciar qualquer artifício

Usado para impressionar

Fiquemos nus!

Beleza precisa se sustentar na nudez

Não na nudez do corpo

Beleza precisa se sustentar

Na nudez da alma

Límpida, clara, transparente e encantadora

És capaz de se apresentar nu?

Alda M S Santos

Fazer as pazes

FAZER AS PAZES

É preciso fazer as pazes

Com aqueles que nem sempre agimos como deveríamos

Pelas atitudes não tomadas quando necessário

Pela inaptidão em estender a mão

Pelo uso inadequado dos dons recebidos

É preciso fazer as pazes

Pelos erros cometidos contra os outros

Voluntária ou involuntariamente

Pela incapacidade de voltar atrás e desfazer algo

Pelos medos que impedem de seguir em frente

Mas é preciso, principalmente, fazer as pazes consigo mesmos

Encarar a própria fragilidade e/ou (des)humanidade

Reconhecer-se falho, errante, imperfeito, aprendiz

Perdoar-se, propor-se a fazer diferente daí em diante

E seguir…

Reconciliar-se com o outro é fundamental

Mas passa pela reconciliação conosco mesmos

Façamos as pazes!

Alda M S Santos

Lançando laços

LANÇANDO LAÇOS

A vida eu sigo lançando laços

Desfazendo nós, conquistando abraços

Numa brincadeira séria procuro me divertir

Ora sou mágica, ora bailarina, ora palhaça

Nesse circo faço meu espetáculo

Percorro caminhos, venço distâncias, detono o cansaço

Não provoco grandes barulhos ou estardalhaço

Me protejo, no picadeiro tento não me partir em mil pedaços

Mesmo que, muitas vezes, seja ferida pelos estilhaços

Sigo nessa travessia em busca de luz e paz

Procuro demarcar meu próprio espaço

Tentando não depender de aplausos

Cuidadosa para não afastar os gostosos amassos

Nesse eterno vai e vem, levanta e cai

Me desembaraço, me enlaço, me desfaço e me refaço

Alinho a fé, a coragem e nossos passos

Para chegar ao final dessa travessia num único compasso

Sigo a vida lançando laços…

Alda M S Santos

Deixe o vento levar…

DEIXE O VENTO LEVAR

Se está difícil fique contra o vento

Sem medos ou anseios

Abra os braços, a alma, sem lamento

Deixe o vento levar…

Feche os olhos, deixe-se tocar

Arrepiar, arrancar todo o tormento

Não segure nada que machuca ou angustia

Deixe o vento levar…

Forte ou frágil, seja resistente, sem ressentimento

Se só traz dor ou impede seu crescimento

Deixe o vento levar…

Inspire fundo, expire, libere todo o sentimento

O que for bom retornará para ti

Sem prejuízos ou arrependimento

Deixe o vento levar…

O que ficar vale uma vida, ainda que por breve momento…

Alda M S Santos

Sobras

SOBRAS

O que sobra aqui, falta lá

O que sobra lá, falta aqui

Espiritual, material, emocional

É preciso contrabalançar

Vivemos para tentar equilibrar

Fazer com que sobre menos

Lá e cá …

Diminuir as carências

De lá e de cá…

Equalizar essa balança

E fazer dessa dança existencial

Mais do que um solo que encanta

De preferência, um dueto emocionante

Um espetáculo sem igual…

Alda M S Santos

Estar perto

ESTAR PERTO

Quando algo incomodar a quem se ama

Nem sempre é preciso expor, falar, dialogar

Um simples silenciar pode ajudar

Às vezes nada concreto falta

Talvez apenas uma angústia no existir

Uma saudade de não se sabe o quê

Uma mágoa qualquer do viver, do porvir

Uma esperança por um sonho difícil

Pode ser uma preocupação excessiva

A fé que esqueceu de se fortalecer

Algo bom que deixou de acontecer

Ou apenas uma fase de muito cansaço

Dores emocionais, carência pessoal

Para qualquer uma dessas coisas

Basta ficar pertinho, estar ali, bem sentimental

Um toque, uma presença, um carinho especial

É um remédio sem erro, de eficácia total!

Alda M S Santos

Uns e outros

UNS E OUTROS

Há quem prefira encurtar caminhos

Outros optam por alongar-se nas distâncias

Há quem prefira devorar um biscoito

Outros o degustam saboreando pedacinho a pedacinho

Há quem prefira tomar e levar

Outros preferem conquistar e serem levados

Há quem prefira ganhar no grito

Outros gostam da suavidade encantadora de um sorriso

Há quem alce voos longínquos e inimagináveis

Outros preferem manter-se perto, não se afastar dos demais

Há quem prefira viver na segurança dos nados na superfície

Outros mergulham em busca de encantos escondidos

Há quem prefira ter fama, sucesso e veneração alheias

Outros contentam-se em não perder a própria admiração

Há uns e outros…

Todos lutando por um espaço!

Alda M S Santos

Amplitude emocional

AMPLITUDE EMOCIONAL

Um pico de extrema alegria, prazer, euforia

Outro de grande tristeza, dor, apatia

Qual a amplitude emocional

A distância média que separa os picos opostos?

Oscilação emocional que causa choques e rachas

Como reduzir a amplitude emocional

O morno que tempera o quente e o gelado

A companhia que é meio termo entre a solidão e a multidão

O amor que quebra o gelo do tanto faz

A paz que equilibra esses extremos

Onde encontrar?

Alda M S Santos

Vá!

VÁ!

Vá! Sempre em frente

Não importa o meio de transporte

Sobre duas rodas, vento no rosto

Ou deslizando na água suavemente, refrescando a alma

Vá! Não desista!

Submerso, dentro de um submarino, dentro de si mesmo

Pedalando uma bike nas trilhas perigosas

Vá! Insista!

No conforto de uma limusine tomando Champagne

Num ônibus lotado de gente tão maluca quanto você

Numa aeronave veloz além das nuvens

A pé numa estradinha de piso batido e flores nas margens

Caminhando ou correndo

Nas asas da imaginação…

Vá! Não fique parado!

A vida não espera por ninguém

O tempo não perdoa quem estaciona

Ele passa e te deixa para trás

E quando vê, a vida passou…

Vá! Sempre em frente!

Alda M S Santos

Plano B

PLANO B

Não é bom ter um plano B, um substituto

Tampouco ser um plano B, uma reserva

A simples existência de um segundo plano

Aponta o descrédito que se tem no primeiro

E a não-entrega total a ele

Planos B sugam energias que deveriam ser aplicadas ao plano A

Quando se investe o bastante num “plano A”

Não há qualquer necessidade de plano alternativo

Ou prêmio de consolação

É preciso termos planos bons, originais

Dedicarmos a ele todo nosso potencial

E a cada vez que não funcionar

Recomeçar…

Ter um plano B não é ser precavido

É ser desconfiado, inseguro

Não faça de ninguém seu plano B

Não seja plano B de ninguém

Além de ser desrespeito com o outro

É desrespeito com seu próprio plano de vida

É desrespeito consigo mesmo!

Alda M S Santos

Quero voar

QUERO VOAR

Não quero voar muito alto

Não quero atingir grandes altitudes

Tampouco alcançar outros planetas ou galáxias

Atingir pontos nunca alcançados

Se estiver sozinha…pesada

Prefiro voar baixo, plainar na altura das nuvens

De onde possa ver todos que voam também

Que ajeitam suas asas, que lutam

Que traçam um plano de voo e o seguem

Ou que precisam mudar por danos ou condições climáticas

Que ajudam a fortalecer as asas de outro “pássaro”

Que não ficam atrapalhando a rota

De quem já sabe voar

Não quero voar muito alto

Se para isso estiver “empatando” voo alheio

Se estiver pesando as asas de alguém

Se não puder levar comigo aqueles que amo…

Quero voar, mas quero levar vocês comigo!

Alda M S Santos

Um dia

UM DIA

Um dia ainda vamos entender

O bem que poderíamos ter feito

E não fizemos

O mal que poderíamos ter evitado

E não evitamos

Aquela dor que causamos a nós e aos outros

E não precisaríamos ter enfrentado

O novo rumo que poderíamos ter tomado

E não tomamos

Todos os avisos e alertas que recebemos

E ignoramos

As oportunidades de crescimento e renovação

E fechamos os olhos

As chances de fazer um movimento pelo amor e pela paz

E ficamos inertes

As famílias que poderíamos ter ajudo a construir

E destruímos

A vida que poderia ter sido bem vivida

E matamos…humanamente!

Mudar, construir o mundo grande lá de fora

Começa por não destruir o mundo pequeno no nosso entorno

Abrir as porteiras e deixar a luz nos iluminar de dentro para fora

Um mundo melhor precisa de cada um de nós!

Um dia pode ser tarde demais…

Alda M S Santos

É mágico

É MÁGICO

É mágico caminhar sobre o tracejado feito pelo coração

As linhas retas, as curvas sinuosas

Perfazer trilhas aconchegantes e arborizadas

Subir encostas escorregadias e perigosas

Naquelas partes mais difíceis do caminho

Abrir os braços buscando equilibrar-se

Valer-se do olhar de incentivo e aquiescência do outro

E, se cair, que seja nos braços daquele que nos acompanha

É mágico

Caminhar nas marcas deixadas pelo coração

Sem tirar os pés do chão, tampouco deixar de voar e sonhar

É mágico trocar um sorriso de paz e “estou aqui”

Com quem divide conosco esse tempo e trajeto

Nas mãos dadas pelo companheirismo

Nas mentes em sintonia pelo respeito

Nas almas que cantam em uníssono a alegria de viver

E de estar juntos…

É mágico!

Alda M S Santos

Miniaturas

MINIATURAS

Somos miniaturas do mundo lá fora

Dessa bela natureza e vasto universo

Tudo em nós está em movimento

Somos perda e reparação

Somos destruição e reconstrução

Entre atração e repulsão

Formamos nossa galáxia interna

Nesse mundo interior tão cíclico

É necessário haver espaço para a dor de perder

Para a alegria de renascer

É preciso juntar os pedaços de nossa alma

Cada uma tem um lugarzinho especial nesse nosso multiverso

E é de extrema importância nesse nosso “passeio” por aqui

“Na (nossa) natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma…”

Alda M S Santos

Outon(ando)

OUTON(ANDO)

Cores amarronzadas, folhas secas, leves, caídas

Levadas pelo vento friozinho que arrepia a pele

Deixo-me levar suavemente

Tal qual folha caída da gigante árvore

Busco um repouso num cantinho qualquer

Encolhimento, proteção, recolhimento

Tempo de hibernar, dormir, voltar para dentro de si

Repor energias, reabastecer o corpo

Tudo é silêncio, cuidado, organização do caos

Aquecendo a alma e o coração vou outon(ando)

Aguardando um casulo crescer, a borboleta se formar

Linda e necessária estação

Lá fora e cá dentro…

Até um novo florescer…

Alda M S Santos

Não vale!

NÃO VALE!

Não vale sufocar, tirar o ar

Não vale enterrar viva uma raiva

Um sentimento ou uma emoção

Não é saudável engolir as lágrimas, engolir em seco

Expresse-se!

Chore, gargalhe, grite, perdoe, peça perdão

Cultive apenas o que faz bem, ame!

Tapar uma ferida não cicatrizada

É cultivar uma infecção que pode ser fatal

Deixe rolar, deixe sair, purgar, ir embora

Represas super lotadas se rompem

Baús estufados mofam, trancas enferrujam

É preciso liberar espaço para o bem circular

Para o sorriso aquecer, a vida fluir…

Alda M S Santos

Silencie!

SILENCIE!

Às vezes o que precisamos é nos afastar de todos

Para nos sentirmos mais acompanhados, menos sós

Apagar os holofotes para podermos acender a luzinha que satisfaz

Silenciar para ouvir aquilo que a alma grita

Entender nossos monstros para poder derrotá-los

Errar para aprender a perdoar, a perdoar-se

Parar um pouco para conseguir prosseguir

Sentar com nosso anjo protetor e bater um longo papo

Quebrar-se todo para aprender a ser de novo inteiro

Às vezes precisamos fechar os olhos

Para poder enxergar aquilo que é essencial

E não está do lado de fora…

Feche os olhos, silencie!

Alda M S Santos

De ponta-cabeça

DE PONTA-CABEÇA

Se tudo parece errado, mal encaixado, fora do lugar

Oxigene, exercite, irrigue

Deixe a vida fluir, balance

Inverta prioridades, posições, mude de lugar

Fique de ponta-cabeça

Dê uma boa chacoalhada, uma remexida

Sinta o calor no rosto, a leveza

Pode bagunçar por uns tempos

Mas acaba devolvendo tudo para seus devidos lugares

De vez em quando fique de ponta-cabeça

Ver a vida por um novo ângulo

Enxergar tudo por uma nova perspectiva

Pode ser o que precisamos para recomeçar…

Alda M S Santos

Ele é amigo

ELE É AMIGO

Não tenha medo ou receio

Pode não parecer, mas ele é amigo

É paciente quando possibilita reflexões e aprendizados

Mesmo que nos faça não só sorrir, mas também chorar

É sábio mesmo quando é rápido e veloz

Quando parece nos abandonar ou deixar para trás

Quando parece nos limitar ou cortar nossas asas

Mesmo sem nos tocar ele nos atinge

Não há como fugir dele

Seu efeito é variável de pessoa para pessoa

Age de modo individual em cada mente

Influencia com doçura ou amargura cada coração

Ainda que pareça só fazer o mal

Ele é amigo, tenta parear conosco

É um remédio que se não cura, imuniza

De longe ou de perto, ele está sempre presente

Mesmo à nossa revelia o tempo age

E porque age é nosso amigo

Sempre!

Percepção que só se tem quando ele passa…

Alda M S Santos

Muito ou pouco?

MUITO OU POUCO?

É muito dinheiro nas mãos de poucos, pouco nas mãos de muitos

São muitos necessitados para tão poucos doadores

É muita estrada para tão poucos caminhantes

É muito cordão para tão pouca pérola

É muito futuro para tão pouca esperança

É muita destruição para tão pouca reconstrução

São muitos corações para tão pouco amor

É muito tanto faz para o amor de verdade

São muitos finais para poucos recomeços

É muita falação para tão pouca ação

É muita “razão” para tão pouco coração

É muito “irmão”, para tão pouco dar-se as mãos

É muita indiferença diante do que realmente faz a diferença…

Alda M S Santos

As folhas que perdemos

AS FOLHAS QUE PERDEMOS

Uma grande e frondosa árvore

Quantas folhas produziu, quantas flores e frutos gerou

Quantas folhas secaram, caíram, “perderam-se”?

Mas a cada folha seca que caiu

A cada estação ou jornada que enfrentou

Ela engrossou tronco, aumentou galhos

Fortaleceu e aprofundou raiz

Tornou-se mais copada e bela, mais resistente às intempéries

Não controlamos as folhas ou frutos que perdemos

Mas, como acontece com as árvores,

Onde folhas, flores e frutos

Caem aos seus pés, viram húmus e as nutrem através do solo

O mesmo se dá conosco…

Cada folha perdida, chorada, sentida ou não

Nos fortalece, firma nossa emoção

Nutre nossa alma e nos abastece de amor…

Na verdade, nenhuma folha se perde

Nunca!

Quanto mais folhas e frutos “perdemos”

Deixamos cair, irem “embora”

Mais fortes nos tornamos…

Somos árvores!

Alda M S Santos

Buraco negro

BURACO NEGRO

Um grande abismo gravitacional

Que atrai para si tudo que se aproxima

Como um buraco negro na galáxia

A anos-luz de distância da terra

Alimenta-se, absorve, suga para si tudo que passa perto

Bom ou ruim, produtivo ou não

Quantas vezes somos assim?

Sugando sem critério a sorte ou o azar do outro

Suas alegrias e tristezas

Sua energia positiva ou negativa

Sua luz, sua escuridão, seus lixos existenciais

No buraco negro do espaço tudo desaparece lá dentro

Não sei o que isso causa com o tempo

Quanto a nós, chega o momento do basta

Muita coisa negativa absorvida e não processada

Não desaparece em nós, não some

Causa explosões, reverte-se em doenças físicas e emocionais

Transtornos diversos na alma

Morte em vida…

Precisamos de critério ao absorver energias alheias

Receber apenas o que pudermos processar e devolver em forma de luz…

Não somos um buraco negro!

Alda M S Santos

Distribuindo responsabilidades

DISTRIBUINDO RESPONSABILIDADES

Depois de apontarmos diversos culpados

Pelo que somos, fazemos ou deixamos de ser ou fazer

Pela situação em que nos encontramos

Pais, filhos, cônjuges, amigos, familiares, chefes

A escola, o emprego, o clima, a igreja, Deus

Depois de apontados diversos responsáveis pelos nossos entraves

Nossos erros e acertos

Depois de termos nos dado os devidos descontos

Que fica de verdade para nós mesmos?

Qual a responsabilidade que assumimos pelo que somos

Pelo que fizemos com a vida que nos foi oferecida

Pelas escolhas que foram nossas?

Pelo bem ou mal que causamos?

Quem ainda pode ser responsabilizado

Além de nós mesmos?

Tendo tudo isso esclarecido e assumido

Fica mais fácil prosseguir evitando cair nos mesmos buracos

Fugindo da escuridão e da falsa luz que ofusca…

Alda M S Santos

Quando apreciamos a solidão

QUANDO APRECIAMOS A SOLIDÃO

Um longo caminho a se percorrer

Como seres sociais que somos, sempre buscando companhia

Até gostar verdadeiramente da solidão

Não de estar só, pois isso nunca iremos gostar

Mas de estarmos conosco mesmos e apreciar isso

Não na fuga para um filme, um livro, um jogo

Mas bater um papo com nosso ser de ontem, de anteontem

Colocá-los frente a frente com o eu de hoje

Sem desviar os olhos no espelho, com vergonhas escancaradas e encaradas

Fazer as pazes com nossas escolhas, erros e acertos

Uma troca de autocompreensão e perdão

Para podermos nos ver amanhã, no futuro

Sem medos, ansiedades ou arrependimentos

Na certeza que demos nosso melhor como ser humano

E essa consciência só é possível na solidão, no autoconhecimento

Quando nos sentamos com a criança, o jovem e adulto que fomos, e somos

Pois todas elas ainda estão em nós

Só assim estaremos aptos a ter boas companhias…

Alda M S Santos

De frente

DE FRENTE

Encarar a vida de frente

Mesmo que ela não seja sempre

Como uma tarde na praia, ao sol poente

E tantas vezes a brisa não seja tão gostosa

Daquelas que balançam nossos cabelos

Ou arrepiam suavemente nossa pele

Mas a ventania nos arraste para caminhos esburacados

E jogue areia em nossos olhos

Dificultando o ver, o prosseguir

Encarar a vida de frente

Não ignorando os percalços e entraves

Mas nos reabastecendo sempre

De amor, de sorrisos, abraços e beijos

Ainda que nas lembranças e esperança

De uma tarde na praia ao sol poente…

Alda M S Santos

Será que sou daqui?

SERÁ QUE SOU DAQUI?

Tantas vezes olho para cima

Um céu noturno, salpicado de estrelas

Uma lua de tantas fases e faces

Nuvens pesadas separando os mundos

Ou um lindo sol a uni-los

Um infinito de possibilidades

Uma via láctea ali estampada e convidativa

E sinto que não pertenço a esse mundo

Um mundo tantas vezes cruel e injusto

Desigual e repleto de males do corpo e da alma

Sinto que não sou daqui

Que há uma força a me atrair

Será que de lá eles olham para cá

E têm a mesma impressão?

Será que cada estrela não é um ente querido que se foi

Como falamos para as crianças?

Será que há uma porção minha do lado de lá

Que quer me levar embora daqui?

Ou sou eu que carrego comigo uma porção delas

E esteja querendo atraí-las para cá?

Será que temos algo a trocar, a compartilhar?

Sei que esse mundo é muito maior que isso aqui

E há muito a aprender, a ensinar

A pedir, a oferecer…

Quero voar, subir, encontrar com outros seres

Iguais ou não, encontrar com Ele

Correr sobre as águas, sentar num banco de nuvens

Bater um papo longo, ganhar um colinho

Quem sabe assim a gente se complete

E construa um mundo mais justo

Lá e cá?

Sinto que não sou daqui

Mas enquanto estiver aqui tentarei fazer o melhor…

Alda M S Santos

Legado

LEGADO

Sempre deixaremos um legado por aqui

Passar por esse local, tempo e espaço

Não nos permite ficar incólumes

Algo sempre ficará de nós para os demais

Temos por obrigação deixar o melhor de nós

Deixar mais do que recebemos

Processar tudo que vier para nós

Do ontem e do hoje e construir algo inovador

Transformar dores e angústias em crescimento

Mágoas e desrespeito em esperança

Amor em mais amor…

Não podemos perpetuar o mal, o negativo

Um mundo melhor se constrói

Não desconsiderando o que de ruim nos aconteceu

Mas usando esse aprendizado para não causar o mesmo mal

Naqueles que amamos ou convivem conosco

Ou também nos demais que partilham esse tempo terreno

Somos responsáveis simplesmente por estar aqui

Quanto mais sabemos, maior nossa responsabilidade!

Alda M S Santos

Conselheiros

CONSELHEIROS

Se quisermos saber se nosso conselho é bom mesmo,

Se nossas lições são dignas de serem colocadas em prática,

Se nossas críticas são válidas e construtivas

Basta pensar se o conselho serve para nós mesmos, de verdade

Se praticamos nossas próprias lições

Se as críticas não poderiam ser aplicadas também a nós

Porque opinar sobre a vida alheia é fácil

“Sentar no próprio rabo e puxar rabo alheio”- diria minha avó

Mas se tudo isso só vale para o outro

É melhor nos abstermos, recolhermos ao nosso canto e ficarmos em silêncio

Praticar em nossa vida nossos próprios conselhos

Só falar quando nós mesmos estivermos em condições para tal

Quando já tivermos escalado os galhos da árvore da sabedoria

Assim como “de boas intenções o inferno está cheio”

O mundo também está abarrotado de bons conselheiros…

Alda M S Santos

Quando você deixa de ser você

QUANDO VOCÊ DEIXA DE SER VOCÊ

Um dia te levam uma moeda, você deixa

Era apenas uma moeda…

Noutro levam um objeto, sua bolsa, esvaziam seus bolsos

Não faz mal, você conquista outros

Tiram um direito, mais outro, substituem por deveres

E você vai cumprindo todos eles fielmente

Logo estão levando outros valores

Suas ideias, sua liberdade, seu sorriso, seus sonhos, sua essência

Seus ideais estão perdidos nesse mundo nublado

Não há mais brilho ou cor, você está opaco

Você sente um vazio, um desconforto

Não se reconhece no espelho

Não consegue reagir…

Mas segue acreditando que é por uma boa causa

“Para melhorar tem que piorar”-dizem

A quota de sacrifícios é de todos- propagam

Levam pouco a pouco até sua história

E te convencem que você sempre esteve enganado

Apagam tudo que um dia você foi

Quando percebe estão esvaziando sua alma

E a preenchendo com aquilo que eles querem

Com aquilo que não é você

Então, você deixa de ser você

Quando isso acontece você já morreu

Você tornou-se apenas um deles

Apenas uma cópia que caminha na multidão…

Reaja! Não deixe te roubarem de você!

Alda M S Santos

Na onda

NA ONDA

Onda que chega, pesada, crescente

Forte, carregada de opiniões e palpites

Cega, radical, violenta, destrutiva

Daquelas com as quais não compactuamos

E querem nos arrastar consigo

Contra nossa vontade ou desejo

Naquela avalanche de negativismo

Precisamos fincar pé, lutar, nadar contra a corrente

Ou, simplesmente, deixar-nos levar

Não desperdiçar energia

Ver até onde dá pra ir sem nos ferir

E escolher o melhor momento para sair fora

Nadar de volta e retomar do local onde fomos arrastados

Encontrar o ponto essencial

Aquele que não fere nossos princípios e nossa consciência

Aquele que nos torna humanos

Uma hora toda onda passa e se desfaz…

Alda M S Santos

Com as mesmas armas?

COM AS MESMAS ARMAS?

Se quisermos vencer o que nos faz mal

Não será usando as mesmas armas que conseguiremos

Armas carregadas e recarregadas

Pentes repostos, violência sem fim

Mesmo que a arma seja o verbo desenfreado

A intolerância, a impaciência, o desamor

A palavra má e cortante que flui infinitamente

O bate-boca maléfico e improdutivo

Acusações e calúnias paralisantes

São tão fatais quanto um fuzil

O bom combate é feito no antagonismo

Silêncios em resposta a gritos

Paciência e sabedoria se contrapondo a ignorância

Tolerância e resiliência para enfrentar a rigidez e radicalismo

Bem nos ensina a oração de São Francisco de Assis

“Onde houver ódio que eu leve o amor”

Oh, mestre, ajudai-nos!

Alda M S Santos

Barreiras físicas

BARREIRAS FÍSICAS

Barreiras físicas não impedem um sonho

Muros, cercas, barricadas não barram um ideal

Barreiras físicas, quando muito, retardam o objetivo

Dificultam a travessia, tornam a chegada mais valorizada e especial

Mas quando o sonho e a esperança são grandes e valiosos

Não há barreira física que impeça o avanço

Daquilo que é pura emoção…

Sonhos possuem asas, voam alto e atravessam qualquer obstáculo!

Alda M S Santos

Quantos degraus?

QUANTOS DEGRAUS?

Quantos degraus até o céu?

A escada é sinuosa, rolante, escorregadia, antiderrapante?

Quem pode subir, há restrições, limites de entrada?

Podemos levar alguém, sermos levados por alguém?

E se nos cansarmos no caminho, tropeçarmos, cairmos?

Podemos voltar a subir ou perdemos a vez?

Os últimos serão os primeiros?

Quantos degraus até o céu?

A entrada é franca? Paga-se com quê?

Qual a “moeda” de troca?

Muitas perguntas… Sei lá!

Enquanto isso vou fazendo do agora o meu céu

Tal qual crianças a brincar, a pular amarelinha

Continuo subindo até o céu…

Alda M S Santos

Isso é amor

ISSO É AMOR

Os teus passos eu acompanho

Perto ou longe sempre está comigo

Suas vitórias me alegram, me orgulham

Quando acerta eu aplaudo

Quando erra, sofro, oriento

Quando cai, te estendo a mão

Quando se machuca, eu choro

O que te fere, me fere

Se dói em você, dói em mim

O que te engrandece, me engrandece

Se você se perde, te aponto o caminho

Mas quando é você que me fere, magoa

Sou eu que me sinto perdida, sem rumo

Pois, ao me afastar de ti, quebra-se a reciprocidade

E preciso buscar outro caminho até você

Isso é amor, todo tipo de amor!

Assim amamos em Ágape, Philia, Eros, Storge

Assim amo vocês!

Alda M S Santos

Desertificando

DESERTIFICANDO

Um planeta desértico estamos nos tornando

Picos de temperatura, amplitude racional, aridez emocional

Deserto de compaixão, de doação, sensação de solidão, abandono

Desconhecimento do outro, que parece tão longe ou inexistente

Perdidos e sem rumo, a esmo, presos à ingratidão

Grudados a “valores” questionáveis, a egos indomáveis

Mas como em todo deserto

Enquanto houver lembrança da umidade e frescor

Enquanto brilhar a esperança de um oásis

Enquanto estiver firme o desejo de mudança

Ainda será possível abrir os olhos e o coração

A despeito da ventania, da areia, do calor intenso

E, em marcha, seguir toda a humanidade

Um passo de cada vez

Um ser humano após o outro

Em busca de nova vida…

Alda M S Santos

Não estamos sozinhos

NÃO ESTAMOS SOZINHOS

Somos humanos cercados por outros humanos

Numa casa rodeada por outras casas

Numa cidade fronteiriça de outra cidade

Dentro de uma nação que se avizinha de outras nações

Habitantes do planeta Terra, ao lado de outros planetas e astros

Membros de uma galáxia gigantesca

Não estamos sozinhos!

Mesmo quando não nos sentimos mais que pequeninos grãos de areia

E parecemos estar muito sós, não estamos

Em nossa mais intensa introspecção temos a nós mesmos

E quando encontramos a nós mesmos

Somos capazes de identificar o outro tão perto de nós

E estender a mão, pegar uma mão…

Alda M S Santos

Teimosia

TEIMOSIA

Uma vida de teimosias, de bater de pé, de insistências

Um joelho esfolado que cicatriza

Um braço fraturado que se cola

Um coração partido que não se emenda

Teimosias…

Uma lágrima que escorre junto a um sorriso que ilumina

Tal qual arco-íris pós tempestade

Um corpo alquebrado que se refresca num rio caudaloso

Que se renova num abraço carinhoso

Teimosias…

Uma mente conturbada em curto-circuito

Uma alma repleta e, paradoxalmente, ainda cheia de espaço

Um ser humano pensado e criado para não desistir

Quando tudo parecer ruir

Teimosias…

Amor: a maior teimosia do mundo

Mas a única capaz de ainda garantir o viver…

Alda M S Santos

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