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A humanidade perdeu

A HUMANIDADE PERDEU

A polícia venceu, o bem prevaleceu

Mas…

Um ônibus sequestrado, muitos reféns

Um homem armado ameaça vidas

Que se passa em cada mente, em cada coração?

Posso calcular!

Já estive em situação similar, arma na cabeça

Trancada no porta-malas, puro terror

Numa situação dessas ninguém vence

Nem quem foi abatido, tampouco quem abateu

A humanidade perdeu…

Quando um ser humano mata outro ser humano

Algo ali se rompe, o fio humano se parte

Toda vida tem seu valor

E se se perde, é triste

Não estou julgando ninguém

Situação difícil e complicada

Mas o que leva um ser humano a isso?

Não somos todos responsáveis?

Sinto-me triste!

Ele era filho de alguém, talvez pai de alguém…

Qual história de dor traz consigo?

Em que estamos transformando nossos jovens?

Temos feito algo para reduzir esse ciclo que forma marginais

Que exclui pessoas?

Que fazemos para reduzir desigualdades?

Uma mea-culpa todos devemos fazer…

Hoje, mais uma vez, a humanidade perdeu…

Alda M S Santos

Tão pequenos

TÃO PEQUENOS

Tão pequenos somos nós

Diante da grandiosidade do universo

Tão grandes somos nós

Em busca de algo precioso

Tão pequenos somos nós

Quando nos recolhemos em nós mesmos

E ignoramos todo o resto

Tão grandes nos sentimos nós

Frente a tanta batalha inócua

Tão pequenos somos tantas vezes

Ao nos sentir perdidos e sem rumo

Tão grandes somos nós

Lutando, debatendo, ferindo, machucando a todos

Tão pequenos, tão grandes

Depende do referencial

O que vale de verdade, e é preponderante

É o que fazemos de especial

Quando nos sentimos tão grandes

Quando nos sentimos tão pequenos

Tão acompanhados ou tão solitários…

O mundo precisa de gente grande

Não de críticas ou julgamentos

O mundo precisa de gente grande

De sentimentos e de atitudes!

Alda M S Santos

Água ou fogo?

ÁGUA OU FOGO?

Água ou fogo, calor ou frescor

Calmaria ou tempestade

Doçura, delicadeza e bondade

Ou atitude, agitação, lutas, felicidade

Sem falso pudor?

Água ou fogo?

Em qual deles encontramos o que mais precisamos

Voo livre ou terra firme

Asas ou raizes

Liberdade ou segurança

Troncos ou galhos, flores ou frutos?

Que buscamos?

Almejamos aquilo que nos atiça, energiza

Ou aquilo que nos acalma, tranquiliza

Qual elemento mais nos completa

Água ou fogo?

É preciso ficar alerta

Água que lava, refresca,

Nos leva em seu curso

Ou fogo que nos aquece, alimenta, instiga,

Consome o que nos faz mal

Ativa o bem e apaga toda intriga?

Água ou fogo?

Depende do que mais necessitamos no momento

Ambos podem nos limpar, purificar

Nos permitir recomeçar…

Água ou fogo?

Que saibamos escolher o elemento certo

No momento mais incerto…

Alda M S Santos

Quero ser

QUERO SER

Quero ser a melhor brincadeira

Naqueles momentos mais sérios

O sorriso nos momentos de apreensão

A lágrima nos instantes mais alegres

O abraço na hora de solidão

Quero ser o forte analgésico

Nas dores crônicas, no mal agudo

A resposta nas dúvidas existenciais

A placa de largada para os desanimados

A esperança para os sonhos tão naturais

Quero ser a fé e a luz brilhante

Nos breus intensos do caminho

A saudade no coração de alguém

A coragem que brota insistente

A doçura para o amargor também

Quero ser broto de amor

Sementes colhidas do coração

Plantadas em terreno fértil

Nascidas nas terras da imaginação

E perpetuadas no jardim dos irmãos em comunhão

Quero ser…

Alda M S Santos

Seria muito?

SERIA MUITO?

Seria muito imaginar que fui o sonho de alguém

Que minha existência foi planejada

Que antes de aqui chegar eu existi em outro lugar

E foi a mente, a alma, o coração

A imaginação e o desejo de um alguém

Que me tornaram possível viver por aqui?

Será que estive antes no coração de meus pais

Que tudo estava combinado previamente

Que para esta dimensão eu viria

E que teria por aqui um trabalho a fazer?

Seria muito pensar que me materializei nesse plano

Para tornar real o amor de um alguém?

Seria muito imaginar que esperam algo de mim

Que me “vigiam” o existir e o fazer

Na esperança de que eu caminhe sempre para e pelo bem?

Sendo assim, seria muito pedir

Que me perdoassem os atos falhos

Os caminhos sem saída que peguei

As trilhas com inúmeras bifurcações que me enveredei

A luz que outras vezes ignorei?

Seria muito pedir, a quem sonhou comigo

A quem permitiu meu existir

Que estivesse sempre a meu lado

Levando-me pelas mãos para o melhor caminho

Que não me permitisse fugir

Orientando-me com palavras de doçura e carinho

Alertando-me aos buracos nas vias existenciais

Preparando-me para o porvir

Dando-me colo, atenção, amor?

É que pareço forte, sabe

Mas, a verdade, é que tantas vezes só quero um pouquinho de colo

De apoio e da certeza de que não estou só

Seria muito pedir?

Alda M S Santos

(Con)viver

(CON)VIVER

Ato ou efeito de viver com o outro

Não perto dele, mas junto com ele

Não apenas no mesmo espaço físico

Mas dentro do outro…

Conviver é interagir, é trocar

É ensinar, é aprender

É gargalhar juntos, chorar mais juntos ainda

É ouvir mesmo quando falta a sintonia

É ser colo quando o outro chora

É ser brisa quanto tudo parece pesado

É encontrar no outro o sorriso quando tudo está sisudo

É rir das próprias bobeiras e fraquezas

É orar juntos, beber juntos

É se perdoar, seguir o caminho mesmo cansado

Passear de mãos dadas, viajar, mesmo “na maionese”

É entender o outro apenas num olhar

É decifrar silêncios, é pedir explicações

É ser carinho e segurança, mesmo na corda bamba

É saber oferecer, mas também saber pedir, aceitar

É poder discordar, debater, brigar, se preciso for

É dormir e acordar lado a lado, é ser prazer, é fazer amor

É ter medos juntos, enfrentar o adversário no mesmo time

É nunca ter medo um do outro

É saber que somos uns para os outros aqui

Os maiores presentes que poderíamos ter recebido

E quando Ele em algum momento nos perguntar

“Que fez dos presentes que te confiei”?

Possamos responder com convicção

“(Con)vivi bem, respeitei, sobretudo, amei”!

Alda M S Santos

Um rio que passou…

UM RIO QUE PASSOU…

O rio passa…

Límpido, cristalino ou nem tanto

Algumas vezes turvo e sem oxigênio

Águas calmas ou turbulentas

Em cursos de águas rasas, outras profundas

Arborizado ou não, matas ciliares protetoras

Espaços de assoreamentos e ausência de fluxo

Habitat de peixes e outras vidas que acolhe e alimenta

Enfrenta remansos ou quedas nas pedras em lindas cachoeiras

Irriga, favorece a vida em seu entorno

Recebe afluentes, transborda

Ou até parece secar em alguns pontos

Poluído, parece morrer…

Mas onde um rio passou sua marca deixou

Tudo que ele trouxe consigo

Ficará para sempre na vegetação que irrigou

Tudo que leva consigo irrigará outras margens, outros leitos

E vez ou outra a mina renasce e jorra vida novamente

Onde houve um rio fica a saudade

Ali sempre haverá a lembrança de vida, de umidade

Mesmo nas fases de seca…

Um rio sempre será um rio

Até que morra no mar…

Um rio passou, um rio ficou…

Na vida de quem naquelas águas se banhou…

Alda M S Santos

Vá!

VÁ!

Vá! Não pare!

Crie em você um recanto de brincadeira e magia

Onde todos possam encontrar a criança perdida, a alegria

Vá! Não pare!

Conserve em você um colo amigo, acolhedor

Onde todos possam enxugar as lágrimas, esquecer a dor

Vá! Não pare!

Desperte em você uma alma caridosa, que se doa, que sorri, que abraça

Onde todos possam ter esperança e sentir que todo mal passa

Vá! Não pare!

Deixe refletir o amor e bondade em cada ato seu

Onde todos possam ver ali o carinho e cuidado de Deus!

Vá! Não pare!

Um mundo melhor começa em você, em cada um de nós!

Alda M S Santos

Refresque-se!

REFRESQUE-SE!

Precisando de uma pausa ou um refresco?

Vá para o mato, área de linda natureza

Uma fazenda, um sítio, um parque na cidade

Procure um rio cristalino, tire a roupa, mergulhe

Nade de braçadas, deixe a água fria lavar tudo

Fique até sentir toda a musculatura aquecida

Até a correnteza levar embora pra longe todo mal

Se não for possível, sente-se à margem de uma lagoa

Coloque os pés na água

Inspire e expire profundamente várias vezes

Pense em tudo de negativo que aquelas águas estarão levando embora

Atraia para si apenas bons pensamentos

Conserve os sentimentos positivos

Faça uma oração pessoal e verdadeira

Agradeça cada coisa boa que tem na vida

Faça um trato consigo mesmo:

A despeito de tudo e de todos,

Manter a paz e a serenidade

Priorizar o amor sempre…

Esse desejo é forte e poderoso

Porque vem de dentro de você

Tente! Refresque-se!

Alda M S Santos

Meu mundo para

MEU MUNDO PARA

Nas mil voltas que esse mundo maluco dá

A gente vai tentando não cair, nos segurar

Apegando-nos a algo que nos faça seguir

Que não nos trave no mesmo lugar

Tantas vezes queremos tocar a campainha

Dar um sinal que avise que queremos parar

Cansados estamos, tontos, só queremos descer

Arrumar um cantinho, encolher para descansar

Girando por aí para todos os cantos

Notamos que tantas vezes precisamos é nos soltar

De algo a que nos apegamos e nos prende no mesmo lugar

Por não querer seguir, se envolver, participar

Tantas as travas, tantas as tristezas

Que podem fazer nosso mundo parar…

Urge focar nas alegrias, nos estímulos, no belo

No amor que precisamos para fazer nosso mundo girar…

Alda M S Santos

Tudo em nós fala

TUDO EM NÓS FALA

Tudo em nós fala daquilo que há pulsando dentro da gente

O sorriso fala e não engana a um bom observador

Se ele ocultar em si alguma dor

O olhar de brilho ofuscante ou apagado fala

Aquele que encara ou, frustrado, se desvia

Fala também do coração que pulsa forte

Que se resguarda e se aquieta em letargia

O andar firme, trôpego ou confiante

Fala do peso ou leveza que se carrega nas costas, na alma

As mãos que se estendem, abraços que enlaçam

Falam de amor, de paz, de paixão

A força do que há plantado em nosso interior

Sempre irá florir ou morrer de algum modo

Em nosso exterior…

Alda M S Santos

Eis-me aqui

EIS-ME AQUI

Eis-me aqui, ora inteira, ora faltando pedaços

Mas ainda assim, eu mesma

Buscando a cola que irá reconectar

O pedaço que de mim se quebrar

Eis-me aqui, ora frágil, ora forte

Mas com a mesma essência

Procurando algo que possa preencher

O que hoje se tornou ausência

Eis-me aqui, ora louca, ora sã

Sem deixar de ser humana, machucada

Gritando silêncios em resposta a dores caladas

Eis-me aqui, ora amante, ora amada

Persistente em busca do que justifica todo o viver

A alegria do amor sempre fazer, refazer

Eis-me aqui, ora sorrisos, ora lágrimas

Sem nunca desistir dessa caminhada

Conquistando a reciprocidade que acalenta, a paz que alimenta…

Eis-me aqui…até quando?

Alda M S Santos

Circularidade da vida

CIRCULARIDADE DA VIDA

Acredito nos ciclos vitais

Sejam da água, das plantas, da Lua

Das marés, da Terra ou dos humanos

Fazemos nossa própria rotação

Giramos em torno de nós mesmos e dos nossos

Sem percebermos que, tal qual a Terra em torno do Sol,

Fazemos também nossa translação em torno do mundo

E em cada parte desse ciclo que vamos criando

Enfrentamos marés altas, calmarias

Tsunamis e ressacas

E vamos aprendendo a lidar com cada uma

Protegendo-nos de riscos desnecessários

Acolhendo com tranquilidade fases ruins

Resistindo melhor ao gosto pelo supérfluo

Aproveitando ao máximo a face bela e luminosa do período amoroso

Aprendemos a nos fortalecer

Na certeza da circularidade da vida: tudo vai, tudo volta

E procuramos melhorar a cada ciclo

Sem perder nossa essência, nossa individualidade

O que faz de nós aquilo que somos: únicos!

Alda M S Santos

Há dias assim…

HÁ DIAS ASSIM…

Há dias de extremo cansaço

Falta a coragem, sobra desejo de jogar a toalha

Há dias de muita agitação

Energia e vontade de tudo fazer, melhorar

Há dias de dúvidas intensas

A fé mina, raciocínio falha, inércia pura

Há dias de emoções turbulentas

Desestruturam, balançam e tiram tudo do lugar

Há dias de calmaria, paz

O barco da vida segue seu curso sem grandes solavancos

Há dias de mergulhos emocionantes e profundos nas águas da vida

Mas também há dias de emoções rasas e superficiais

Tudo parece não fazer sentido

Há dias de amor, paixão, sintonia

Tudo é beleza, carinho e acolhimento

Há dias de ausência de conexão e interatividade

Falta comunicação, silêncios e distância prevalecem

Há dias de saudades, de esperança

Onde o presente fica espremido entre passado e futuro

Há dias de sonhos e realidades interagindo

Tentando encontrar um equilíbrio que satisfaça

Há dias felizes, outros nem tanto

Enquanto houver dias por viver

Sempre haverá dias assim…

Alda M S Santos

Histórias arrancadas

HISTÓRIAS RABISCADAS

São tantas as histórias, tantos os momentos

Bons ou ruins, saudosos ou amargos

E muitas vezes queremos rabiscar alguns capítulos

Arrancar algumas páginas

Apagar definitivamente algumas cenas dolorosas

Mas isso não é possível…

Tudo está gravado definitivamente

Seja rabiscado, arrancado, queimado, lançado fora

Tudo está lá em nosso HD interno

E salvo no Livro da Vida o qual não temos acesso

Podemos desfocar, desviar a atenção

Deixar ir embaçando por falta de uso

Grifar com brilho páginas mais interessantes

Destacar capítulos alegres e prazerosos

Colocar rosas a marcar o que se quer “reler”

Mas apagar, definitivamente, não dá!

Vira e mexe cenas reaparecem

E só podemos aprender com elas

Reeditar, consertar, reestruturar, melhorar o que for possível

E mandá-las novamente para a caixinha de histórias rabiscadas

Daquelas que só serão relidas do outro lado da vida…

Alda M S Santos

Sentimentos tão (des)humanos

SENTIMENTOS TÃO (DES)HUMANOS

Determinação : Você poderia me arrumar um emprego? Quero trabalhar!

Arrependimento: Vim de Pouso Alegre e acabei aqui sem pouso.

Fome: Pode repetir? Estou faminto hoje!

Depressão: Faço uns bicos durante o dia, durmo no abrigo, saio às vezes, a depressão bate fundo.

Fé: Um dia estarei do lado que vocês estão, se Deus quiser!

Tristeza: Meu filhinho de três anos está internado.

Maternidade: Preciso de roupas de criança. Lembra de mim e do meu filhinho loirinho e de olho azul?

Vaidade: Gosto de sabonete cheiroso, esse é bom!

Preferências: Não posso com esse cobertor, sou alérgico, pinica!

Simplicidade: Tem um chinelo ou tênis? Se for grande pode ser de mulher mesmo!

Humildade: Não tem mais blusa de frio? Tenho frio! Pode me dar essa sua?

Satisfação: Que massa! Ganhei uma blusa do Galo(Atlético MG)

Simpatia: A vida na rua dói, moça! Tem pasta de dente aí, ajuda a sorrir!

Mulher: Acabaram os absorventes? Estava precisando…

Oportunismo: Tem gente que pega coisa que tem, eu não faço isso, não!

Má índole: Pode me dar uma sacola grande? Se a gente não dormir por cima eles roubam!

Vícios: Não dê cobertores para aqueles lá, não, que vendem para comprar “cola”.

Gratidão: Deus abençoe e proteja vocês!

Realidade: E assim segue a vida nas ruas de Belo Horizonte

Nos cantos, nas filas de doações, nas camas improvisadas

No fogo para aquecer, na bebida ou droga para esquecer

Nas barracas de cobertores que servem de casa, dia ou noite…

Sentimentos tão (des)humanos que transbordam

No meio de todos nós…

Alda M S Santos

Quero acreditar

QUERO ACREDITAR

Quero acreditar num mundo de amor e paz

Mesmo que ainda tropecemos em seres humanos pelas calçadas

Quero acreditar na bondade inerente a todo ser humano

Mesmo que tantas atitudes nem pareçam humanas

Quero acreditar na força que nos faz persistir

Mesmo que a fraqueza física ou mental nos puxem para baixo

Quero acreditar que qualquer bem que se faça é um começo

Mesmo que pareça tão pouco aos olhos de tantos

Quero acreditar que posso espalhar a luz

Mesmo que o entorno tenha tanta escuridão

Quero acreditar na cola universal chamada amor

Capaz de a tudo colar, reintegrar e renovar

Mesmo que estejamos quebrados pela covardia e inércia

Cheios de cacos cortantes, algozes

Ferindo a todos a nossa volta e a nós mesmos

Quero acreditar num mundo melhor, de amor reinante

Preciso disso para continuar fazendo algo, agindo…

Acredita comigo?

Alda M S Santos

Ninguém rouba de nós

NINGUÉM ROUBA DE NÓS

O bem estar de saber-se num bom caminho

A satisfação de poder ajudar, doar carinho

A coragem de nas lágrimas nos aliviar

A capacidade de aprender com as falhas e recomeçar

Ninguém rouba de nós…

A saudade de um tempo bom, de alguém

Um passado de dores e amores, sem dever ninguém

A humildade de conseguir pedir perdão

A esperança de um amanhã com mais união

Ninguém rouba de nós…

A indignação diante de uma injustiça com alguém

A hombridade em nada ter tirado de ninguém

A liberdade de poder escolher companhia ou solidão

A felicidade que há em amar um irmão

Ninguém rouba de nós…

A honestidade de nunca deixar ninguém para trás

A serenidade de uma alma criança, em paz

A crença num Deus de amor, nossa fé

A delícia de ser quem se é…

Ninguém rouba de nós…

Só se a gente deixar que o façam …

Alda M S Santos

A vida segue…

A VIDA SEGUE…

Sozinho ou acompanhado

Com os pares de sempre ou novos acompanhantes

Importante é seguir em frente…

Essencial é carregar a consciência limpa

Levando conosco a delícia de uma alma em paz

E a disposição para enfrentar períodos de turbulência

A vida segue e vai levando a todos

Grandes ou pequenos, fortes ou frágeis

Dispostos ou não, falsos ou verdadeiros

Leves ou pesados, conscientes ou confusos

Mas tem voos mais emocionantes e melhores pousos

Para quem sabe o que quer e luta por isso

Sem contudo cortar as asas

Ou derrubar o avião de ninguém…

A vida segue…

Ir junto não é uma opção

Mas como e com quem iremos podemos, sim, escolher…

A vida segue…

Alda M S Santos

Onde carregas?

ONDE CARREGAS?

Onde carregas o que amas?

No pulso a contar o tempo

A te enternecer todo o momento?

Na carteira bem guardado

Onde proteges o valorizado?

Onde carregas o que amas?

Naquela imagem no celular estampada

Num cartão na página do livro marcada

Na camiseta em coração silkada

Ou numa declaração no corpo tatuada?

Onde carregas o que amas?

Na pele tal qual fragrâncias impregnadas

Na mente em muitas memórias ativadas

No coração em todos os espaços demarcados

Na alma, enfim, o amor eternizado…

Onde carregas o que amas?

Alda M S Santos

Araras urbanas

ARARAS URBANAS

Variadas peças, cores e tamanhos

Expostas numa grande arara urbana

Feita das grades sobre muros no centro da cidade

O cliente chega, pega, olha, até experimenta

Não há atendentes, não há provadores

Há alguns expectadores

Algumas peças seminovas

Outras um pouco surradas

Menos surradas que os clientes que por elas procuram

Não há marcas, sequer se preocupam com isso

O que precisam é que sirva

Não há sacolas, não embalam

Vestem umas sobre as outras

Não estocam nada, não guardam nada também

A marca que vejo ali é só uma: compaixão

Aliada à solidariedade e amor

Não há caixa, não há preços

Um cartaz diz apenas: DOAÇÃO

O cliente pega o que lhe serve

E vai embora…

Mas não vai para sua casa

Fica por ali mesmo, nesse espaço que tem sido seu lar…

Quando precisa de algo “novo”

Recorre novamente às araras urbanas

Você tem algo para doar

Para essas araras alimentar?

Alda M S Santos

Lavo a alma

LAVO A ALMA

Debaixo de uma cachoeira gelada

Abro um sorriso assustada

Solto um grito, encantada

E saio de alma lavada

Água que alegra, que anima

Desperta-me para a vida

Banha-me, não tenho saída

E saio de alma despida

Água que escorre das rochas

Com a força da natureza

Nunca vi tamanha beleza

E saio de alma indefesa

Ali deixo a tristeza, a solidão

A pureza que brota do chão

Deve ser essa a razão

De minh’alma ser só emoção

Água, terra, natureza e eu

Renovação, encanto, sintonia

Um banho de pura magia

Na alma banhada de energia…

Alda M S Santos

Temos pressa

TEMOS PRESSA

O tempo voa, a vida passa

E ficamos a esperar na janela

Por aquilo que de nós não sai

Ainda que pareça balela

Temos pressa…

Nem tudo o que a gente quer

Chega na velocidade desejada

Mesmo sabendo que o mais valioso

Chegará só na hora apropriada

Temos pressa…

A paciência é uma virtude

Que precisa ser bem dosada

Porque se confundida com inércia

Não nos ajuda em nada

Temos pressa…

Cansados de ver ir embora

Tantos sonhos que viraram pó

Queremos aproveitar melhor agora

Para não terminar a vida só…

Temos pressa…

Alda M S Santos

A história se repete

A HISTÓRIA SE REPETE

A mesma angustiante história lá está

Continuamente a se repetir

Quer seja em nós, nos filhos, parentes ou amigos

Algo ela quer nos ensinar

Quem sabe um novo caminho a seguir?

Faz sorrir, faz chorar, faz desanimar, quase desistir

E ainda não aprendemos

Por isso ela está sempre a nos cercar

Tentando de todo modo nos alertar

Até quando vamos resistir?

A vida é sábia por natureza

Ela sempre se impõe, é forte

E tem uma ampla visão do porvir

No medo, na esperança, na dor

Até nas quedas que vier a permitir

Quer nos levar para novo patamar

De evolução, sabedoria e amor…

Alda M S Santos

Universo paralelo

UNIVERSO PARALELO

Alguns parecem viver num universo paralelo

Distantes e avessos ao que é tido como normal

Não gostam de seguir a boiada

Lutam por algo diferente, bem mais natural

Autênticos e verdadeiros

Não ferem a própria essência

Preferem ficar à margem

Ainda que acusados de demência

Entre tantos descaminhos

Dores e atrocidades de alta magnitude

Viver num universo paralelo

Além de autoproteção, chega a ser grande virtude…

Alda M S Santos

Nas ruas da cidade

NAS RUAS DA CIDADE

Nas ruas da cidade a vida acontece

Nem sempre como a gente imagina

Mas acontece…

Cinco carros estacionam ali, nas ruas escuras, onde seres humanos “moram”

Naquelas calçadas geladas da noite

Voluntários abrem o porta-malas lotado

Treinados pela vida, eles logo aparecem

Uma fila gigante se forma e espera

Nas ruas da cidade a vida acontece

Nem sempre como a gente imagina

Mas acontece…

Lanches quentinhos são servidos

A quase totalidade de homens de toda idade

Menos mulheres, mas até crianças estão na fila

Corpos expostos ao frio, pés descalços

E pedem por roupas, calçados, agasalhos, cobertores

Os carros logo são esvaziados

E tudo o que levaram e parecia bastante

Some, é logo doado…

Nas ruas da cidade a vida acontece

Nem sempre como a gente imagina

Mas acontece…

Eles se vão, outros chegam

A vida segue seu rumo

Mas de um modo um pouco diferente

Lá e cá…

Nas ruas da cidade…

Alda M S Santos

Não vai muito longe

NÃO VAI MUITO LONGE

Não vai muito longe

Aquele que corre demais

Foca pouco e não olha para trás…

Não vai muito longe

Aquele que, a despeito de tudo e de todos

Segue trilhas não muito eficazes…

Não vai muito longe

Aquele que desvia e se perde no caminho

E em busca de coisas “grandes”

Perde algo que aparenta pequenez

Mas na verdade é fundamental:

Sua própria essência…

Na verdade só vai longe

Quem não abandona a si mesmo

Tentando ser aquilo que não é!

Alda M S Santos

Sobre amor, sobre amar

SOBRE AMOR, SOBRE AMAR

Se não valoriza o que você é

Se te pede para fazer o que você não gosta

Se quer te fazer outra mulher

Ou não se importa com o que você quer

Não te ama!

Se não te prioriza

Se não diz que você é linda

Se não te olha nos olhos

Nem te abraça apertado

Não te ama!

Se não passeia contigo

Se não assiste com você um filme de amor

Se não dança agarradinho à sua cintura

Se não dorme de conchinha

Nem toma banho juntinho

Não te ama!

Se não te protege

Se te põe em risco

Se põe em dúvida sua moral

Ou faz de tudo um vendaval

Não te ama!

Mas se tem um olhar especial

Um ombro que te cabe direitinho

Um beijo de arrepiar o cangote

Um abraço de urso quentinho

Coração grande e terno colinho

Palavras e ouvidos de puro carinho

Principalmente, respeita o seu jeitinho

E aceita seu amor, mesmo imperfeito

Ele te ama!

Mas sobre amor, sobre amar

Só a gente mesmo para saber ou falar…

Alda M S Santos

Depende…

DEPENDE…

Um manhã ensolarada e morosa ou uma tarde longa e chuvosa

Uma noite na roça ao luar ou uma tarde na areia à beira-mar

Um inverno congelante ou um calor sufocante

Diante de uma sofisticada lareira ou em volta de uma simples fogueira

Uma cidadezinha do interior formosa ou uma grande metrópole famosa

Uma cachoeira na floresta ou uma praia deserta

Um sábado numa boate lotada ou um filme debaixo do edredom na madrugada

Um traje de gala sofisticado ou um vestido de flores delicado

Depende…

Tudo vai depender da companhia que se tem

Mais vale a escuridão de um caminho com um alguém

Que a iluminação de outro, na solidão, sem ninguém…

Alda M S Santos

Imperfeita

IMPERFEITA

Ela é assim, imperfeita

Interessante, atraente, convidativa

Ora boa, outras nem tanto

Mas com fé a gente se ajeita

Ela é assim, imperfeita

Bela, cinzenta ou colorida, engraçada

Faça rir ou faça chorar

Ninguém nunca a rejeita

Ela é assim, imperfeita

Inteira ou faltando pedaços

Repleta de amores e desamores

E de coragem que a gente respeita

Ela é assim, imperfeita

Nem sempre como almejamos

Mas é a vida que a gente não enjeita

E a amamos mesmo assim:

Imperfeita!

Alda M S Santos

Não me cabe

NÃO ME CABE

Nessa caixa não me cabe

Não é que eu não seja flexível

É que ela tende a me moldar

Colocar num padrão que me machuca

E que não vai me agradar

Nessa caixa não me cabe

Dobra daqui, dobra dali

Tira um pedaço desse lado

Aperta o outro, transfere de lugar

Até eu não mais me identificar

Nessa caixa não me cabe

E mesmo se coubesse eu não gostaria

É que prezo a liberdade de ser o que sou

Colocar-me ali me mataria

Nessa caixa não me cabe

Não sou boneca para viver em caixa, preciso de ar

Prefiro jardim, mata, rio, mar ou cachoeira

E assim quero viver a vida inteira…

Alda M S Santos

Tudo é novo!

TUDO É NOVO!

Tantos momentos únicos, ímpares

Como todos eles o são

Mesmo que pareça tudo igual

Não há repetição…

O entardecer acontece todo dia no horizonte

Mas sempre com novos matizes

A aurora desponta todas as manhãs na serra

Clara, intensa e brilhante na nossa janela

Mas não somos os mesmos a observá-la

Cada olhar, cada abraço, cada raiva ou decepção

Sempre ficarão para trás, serão passado, ainda que a gente queira segurá-los

Amanhã, novos olhares, novos abraços, novas raivas ou decepções

E o amor…

Esse que doamos ou recebemos é sempre novo

E isso é o motor do viver…

Alda M S Santos

Não arromba

NÃO ARROMBA!

Dizem que a felicidade não entra em portas trancadas

Mas ela também não arromba

Ela entra conquistando espaços devagarzinho

Respeitando as manhas da fechadura

As chaves que talvez estejam gastas

Ou a ferrugem que já corroeu o tambor

A felicidade que arromba portas é traiçoeira

Do mesmo modo que entrou causando estragos

Sai deixando rombos por onde passa

A felicidade que vale a pena não arromba

Ela pega a chave certa e vai limando com cuidado

Com jeito e perícia, abre a porta de nossos corações

Entra, senta, toma um café

Nos faz um cafuné

Nos ama sem medidas

E ocupa um lugar especial

Pra nunca mais sair…

Alda M S Santos

Zoo

ZOO

Nesse mundo animal

Quero ser um bicho qualquer

Desde que bem selvagem e irracional

Guiado pelos naturais instintos

Sabedor do bem e do mal

Nesse mundo cheio de razão

Quero ser de outra espécie ou philo

Aqui não há vez para o coração

Não quero ser homosapiens

Abro mão, prefiro ser emoção…

Nesse mundo tão perdido

Descaminhos, escuros, vacilos

Onde tudo já parece falido

Quero de novo me encontrar

Entre bichos não corrompidos encontrarei abrigo

Mundo zoo!

Alda M S Santos

Presentes

PRESENTES

Há muitas maneiras vistosas

Coloridas, enfeitadas com laçarotes

Que certos “presentes” são embrulhados

E a nós oferecidos por aí

Como consumidores vorazes

Muitas vezes até pagamos para tê-los

E a decepção é grande

Ao notarmos que a propaganda era enganosa

Que a ideia não era assim tão original

A vitrine nos fazia ver brilho onde não existia

Novidade no que era apenas repetição

Mesmo produto ultrapassado com nova roupagem

O conteúdo não correspondia ao embrulho

Notamos que “levamos gato por lebre”

Fomos ludibriados…

Será mesmo?

Podemos mesmo culpar o engodo do outro

Ou devemos assumir nossa vaidade

Ao querer levar algo tão “valioso e belo”

Sem avaliar sabiamente o que era oferecido?

A culpa é de quem presenteia

Ou de quem se deixa presentear?

Nesse comércio onde tudo se vende ou se troca

Sábio é quem sabe o que comprar

E não se deixa mais enganar…

Alda M S Santos

Nudez

NUDEZ

Fiquemos nus!

É preciso ser autêntico, real

Retirar as máscaras

Que escondem o que é feio

Arrancar os disfarces

Que cobrem o que não é tão agradável

Lavar com água fria

Todo resquício de maquiagem

Apagar qualquer sinal

De adereços ou acessórios complementares

Mostrar exatamente aquilo que somos

Sem medos de rejeição

Para o outro, nosso espelho

Para nós mesmos, nossa autoaceitação

Silenciar qualquer artifício

Usado para impressionar

Fiquemos nus!

Beleza precisa se sustentar na nudez

Não na nudez do corpo

Beleza precisa se sustentar

Na nudez da alma

Límpida, clara, transparente e encantadora

És capaz de se apresentar nu?

Alda M S Santos

Fazer as pazes

FAZER AS PAZES

É preciso fazer as pazes

Com aqueles que nem sempre agimos como deveríamos

Pelas atitudes não tomadas quando necessário

Pela inaptidão em estender a mão

Pelo uso inadequado dos dons recebidos

É preciso fazer as pazes

Pelos erros cometidos contra os outros

Voluntária ou involuntariamente

Pela incapacidade de voltar atrás e desfazer algo

Pelos medos que impedem de seguir em frente

Mas é preciso, principalmente, fazer as pazes consigo mesmos

Encarar a própria fragilidade e/ou (des)humanidade

Reconhecer-se falho, errante, imperfeito, aprendiz

Perdoar-se, propor-se a fazer diferente daí em diante

E seguir…

Reconciliar-se com o outro é fundamental

Mas passa pela reconciliação conosco mesmos

Façamos as pazes!

Alda M S Santos

Lançando laços

LANÇANDO LAÇOS

A vida eu sigo lançando laços

Desfazendo nós, conquistando abraços

Numa brincadeira séria procuro me divertir

Ora sou mágica, ora bailarina, ora palhaça

Nesse circo faço meu espetáculo

Percorro caminhos, venço distâncias, detono o cansaço

Não provoco grandes barulhos ou estardalhaço

Me protejo, no picadeiro tento não me partir em mil pedaços

Mesmo que, muitas vezes, seja ferida pelos estilhaços

Sigo nessa travessia em busca de luz e paz

Procuro demarcar meu próprio espaço

Tentando não depender de aplausos

Cuidadosa para não afastar os gostosos amassos

Nesse eterno vai e vem, levanta e cai

Me desembaraço, me enlaço, me desfaço e me refaço

Alinho a fé, a coragem e nossos passos

Para chegar ao final dessa travessia num único compasso

Sigo a vida lançando laços…

Alda M S Santos

Deixe o vento levar…

DEIXE O VENTO LEVAR

Se está difícil fique contra o vento

Sem medos ou anseios

Abra os braços, a alma, sem lamento

Deixe o vento levar…

Feche os olhos, deixe-se tocar

Arrepiar, arrancar todo o tormento

Não segure nada que machuca ou angustia

Deixe o vento levar…

Forte ou frágil, seja resistente, sem ressentimento

Se só traz dor ou impede seu crescimento

Deixe o vento levar…

Inspire fundo, expire, libere todo o sentimento

O que for bom retornará para ti

Sem prejuízos ou arrependimento

Deixe o vento levar…

O que ficar vale uma vida, ainda que por breve momento…

Alda M S Santos

Sobras

SOBRAS

O que sobra aqui, falta lá

O que sobra lá, falta aqui

Espiritual, material, emocional

É preciso contrabalançar

Vivemos para tentar equilibrar

Fazer com que sobre menos

Lá e cá …

Diminuir as carências

De lá e de cá…

Equalizar essa balança

E fazer dessa dança existencial

Mais do que um solo que encanta

De preferência, um dueto emocionante

Um espetáculo sem igual…

Alda M S Santos

Estar perto

ESTAR PERTO

Quando algo incomodar a quem se ama

Nem sempre é preciso expor, falar, dialogar

Um simples silenciar pode ajudar

Às vezes nada concreto falta

Talvez apenas uma angústia no existir

Uma saudade de não se sabe o quê

Uma mágoa qualquer do viver, do porvir

Uma esperança por um sonho difícil

Pode ser uma preocupação excessiva

A fé que esqueceu de se fortalecer

Algo bom que deixou de acontecer

Ou apenas uma fase de muito cansaço

Dores emocionais, carência pessoal

Para qualquer uma dessas coisas

Basta ficar pertinho, estar ali, bem sentimental

Um toque, uma presença, um carinho especial

É um remédio sem erro, de eficácia total!

Alda M S Santos

Uns e outros

UNS E OUTROS

Há quem prefira encurtar caminhos

Outros optam por alongar-se nas distâncias

Há quem prefira devorar um biscoito

Outros o degustam saboreando pedacinho a pedacinho

Há quem prefira tomar e levar

Outros preferem conquistar e serem levados

Há quem prefira ganhar no grito

Outros gostam da suavidade encantadora de um sorriso

Há quem alce voos longínquos e inimagináveis

Outros preferem manter-se perto, não se afastar dos demais

Há quem prefira viver na segurança dos nados na superfície

Outros mergulham em busca de encantos escondidos

Há quem prefira ter fama, sucesso e veneração alheias

Outros contentam-se em não perder a própria admiração

Há uns e outros…

Todos lutando por um espaço!

Alda M S Santos

Amplitude emocional

AMPLITUDE EMOCIONAL

Um pico de extrema alegria, prazer, euforia

Outro de grande tristeza, dor, apatia

Qual a amplitude emocional

A distância média que separa os picos opostos?

Oscilação emocional que causa choques e rachas

Como reduzir a amplitude emocional

O morno que tempera o quente e o gelado

A companhia que é meio termo entre a solidão e a multidão

O amor que quebra o gelo do tanto faz

A paz que equilibra esses extremos

Onde encontrar?

Alda M S Santos

Vá!

VÁ!

Vá! Sempre em frente

Não importa o meio de transporte

Sobre duas rodas, vento no rosto

Ou deslizando na água suavemente, refrescando a alma

Vá! Não desista!

Submerso, dentro de um submarino, dentro de si mesmo

Pedalando uma bike nas trilhas perigosas

Vá! Insista!

No conforto de uma limusine tomando Champagne

Num ônibus lotado de gente tão maluca quanto você

Numa aeronave veloz além das nuvens

A pé numa estradinha de piso batido e flores nas margens

Caminhando ou correndo

Nas asas da imaginação…

Vá! Não fique parado!

A vida não espera por ninguém

O tempo não perdoa quem estaciona

Ele passa e te deixa para trás

E quando vê, a vida passou…

Vá! Sempre em frente!

Alda M S Santos

Plano B

PLANO B

Não é bom ter um plano B, um substituto

Tampouco ser um plano B, uma reserva

A simples existência de um segundo plano

Aponta o descrédito que se tem no primeiro

E a não-entrega total a ele

Planos B sugam energias que deveriam ser aplicadas ao plano A

Quando se investe o bastante num “plano A”

Não há qualquer necessidade de plano alternativo

Ou prêmio de consolação

É preciso termos planos bons, originais

Dedicarmos a ele todo nosso potencial

E a cada vez que não funcionar

Recomeçar…

Ter um plano B não é ser precavido

É ser desconfiado, inseguro

Não faça de ninguém seu plano B

Não seja plano B de ninguém

Além de ser desrespeito com o outro

É desrespeito com seu próprio plano de vida

É desrespeito consigo mesmo!

Alda M S Santos

Quero voar

QUERO VOAR

Não quero voar muito alto

Não quero atingir grandes altitudes

Tampouco alcançar outros planetas ou galáxias

Atingir pontos nunca alcançados

Se estiver sozinha…pesada

Prefiro voar baixo, plainar na altura das nuvens

De onde possa ver todos que voam também

Que ajeitam suas asas, que lutam

Que traçam um plano de voo e o seguem

Ou que precisam mudar por danos ou condições climáticas

Que ajudam a fortalecer as asas de outro “pássaro”

Que não ficam atrapalhando a rota

De quem já sabe voar

Não quero voar muito alto

Se para isso estiver “empatando” voo alheio

Se estiver pesando as asas de alguém

Se não puder levar comigo aqueles que amo…

Quero voar, mas quero levar vocês comigo!

Alda M S Santos

Um dia

UM DIA

Um dia ainda vamos entender

O bem que poderíamos ter feito

E não fizemos

O mal que poderíamos ter evitado

E não evitamos

Aquela dor que causamos a nós e aos outros

E não precisaríamos ter enfrentado

O novo rumo que poderíamos ter tomado

E não tomamos

Todos os avisos e alertas que recebemos

E ignoramos

As oportunidades de crescimento e renovação

E fechamos os olhos

As chances de fazer um movimento pelo amor e pela paz

E ficamos inertes

As famílias que poderíamos ter ajudo a construir

E destruímos

A vida que poderia ter sido bem vivida

E matamos…humanamente!

Mudar, construir o mundo grande lá de fora

Começa por não destruir o mundo pequeno no nosso entorno

Abrir as porteiras e deixar a luz nos iluminar de dentro para fora

Um mundo melhor precisa de cada um de nós!

Um dia pode ser tarde demais…

Alda M S Santos

É mágico

É MÁGICO

É mágico caminhar sobre o tracejado feito pelo coração

As linhas retas, as curvas sinuosas

Perfazer trilhas aconchegantes e arborizadas

Subir encostas escorregadias e perigosas

Naquelas partes mais difíceis do caminho

Abrir os braços buscando equilibrar-se

Valer-se do olhar de incentivo e aquiescência do outro

E, se cair, que seja nos braços daquele que nos acompanha

É mágico

Caminhar nas marcas deixadas pelo coração

Sem tirar os pés do chão, tampouco deixar de voar e sonhar

É mágico trocar um sorriso de paz e “estou aqui”

Com quem divide conosco esse tempo e trajeto

Nas mãos dadas pelo companheirismo

Nas mentes em sintonia pelo respeito

Nas almas que cantam em uníssono a alegria de viver

E de estar juntos…

É mágico!

Alda M S Santos

Miniaturas

MINIATURAS

Somos miniaturas do mundo lá fora

Dessa bela natureza e vasto universo

Tudo em nós está em movimento

Somos perda e reparação

Somos destruição e reconstrução

Entre atração e repulsão

Formamos nossa galáxia interna

Nesse mundo interior tão cíclico

É necessário haver espaço para a dor de perder

Para a alegria de renascer

É preciso juntar os pedaços de nossa alma

Cada uma tem um lugarzinho especial nesse nosso multiverso

E é de extrema importância nesse nosso “passeio” por aqui

“Na (nossa) natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma…”

Alda M S Santos

Outon(ando)

OUTON(ANDO)

Cores amarronzadas, folhas secas, leves, caídas

Levadas pelo vento friozinho que arrepia a pele

Deixo-me levar suavemente

Tal qual folha caída da gigante árvore

Busco um repouso num cantinho qualquer

Encolhimento, proteção, recolhimento

Tempo de hibernar, dormir, voltar para dentro de si

Repor energias, reabastecer o corpo

Tudo é silêncio, cuidado, organização do caos

Aquecendo a alma e o coração vou outon(ando)

Aguardando um casulo crescer, a borboleta se formar

Linda e necessária estação

Lá fora e cá dentro…

Até um novo florescer…

Alda M S Santos

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