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Que carrega aí, poeta?

QUE CARREGA AÍ, POETA?

De onde vem tudo que você escreve
Como cabe tudo isso aí dentro
Ora alegria, ora prazer, ora amor, ora tormento
Como pode haver dor num breve momento
E ao mesmo tempo contentamento?
De onde vem tudo isso, poeta?
Se não é você que deixa a janela aberta
E o vento tira tudo do lugar
Quem você descreve assim tão alerta?
Essa saudade que sufoca
Um amor que ronda sua porta
Sonhos que alimentam a esperança
De uma vida nova, recheada de pujança
Se não é seu intenso viver e querer
Um mundo tão diverso descrever
Que te desperta essa necessidade de compor
Como à vida fazer um favor
E atrair leitores ávidos por esse prazer
De ler, reler, e a vida fazer valer?
Que história carrega aí dentro, poeta
Leve-me com você?

Alda M S Santos

Licença poética

LICENÇA POÉTICA
Peço licença poética para enxergar o mundo
Quero vê-lo sob meu toque particular, sem regras
Gramaticais, ortográficas ou sintáticas
Quero tocá-lo com meu olhar perscrutador, amoroso ou invasivo
Quero flexionar gênero, número ou grau a meu bel prazer
Sem métricas, sem rimas, sem coesão, incoerentemente
Dá licença?
Quero plurais onde me apetecer, onde me sentir muito só
Singular onde acreditar ser mais conveniente
Ficar maiúscula onde me sentir melhor, puder ser o bem
Ser minúscula quando quiser sumir, me esconder como ênclise nas palavras sem nexo
Sempre iniciando, sem pontos finais, exclamando sempre
Sem separações de sílabas ou outras quaisquer
Em contínuas reticências
Questionando o que sangrar ou machucar…
Dá licença?
Quero conjugar os verbos viver, amar ou partir a meu modo, sem imperativos
Com os sujeitos que julgar adequados, simples, complexos ou ocultos
Sem pretextos ou pretéritos, sem objetos diretos ou indiretos
Usar a voz ativa e passiva quando for amor, sem preconceitos de pessoa, gênero ou qualquer tipo
Quero atribuir belos predicados, abusar de vícios de linguagem
Dá licença?
Quero ouvir o silêncio de um coração que grita ou a música das águas geladas de uma cachoeira
Ouvir a declaração de amor das estrelas numa noite quente ou a solidão da lua sem parceiros
Cegar-me com o brilho do sorriso de quem ama
Aquecer-me sob o sol escondido atrás das nuvens escuras
Chorar com a saudade em gotas que escorre e cria sulcos naquele rosto que insiste em sorrir
Dá licença?
Quero abraçar a poesia que há em mim, no outro
Fazer amor incansavelmente com a vida com a mesma paixão
De um casal que se “pega” e se beija com entrega apaixonada num canto escuro qualquer
Quero fazer desse viver o mais lindo poema
Usando nesses escritos a licença que só a alma pode conferir
Dá licença?
Alda M S Santos

Vida de poeta

VIDA DE POETA
Escrever é um ato catártico
Faz-me rever, me refazer
Construir, desconstruir, reconstruir
O papel aceita, a tela idem
Não há censura ou julgamento
Caneta ou teclado mandam ver
Aceitam bem todo sentimento  
Desde sempre, há muito tempo
Escrever me traz contentamento
Crónicas, contos, poemas
Uns partilháveis, outros não
Vale expressar a emoção
Sempre um olhar atento a captar
A poesia que há em todo lugar
No viver do outro, na natureza,
No amar, no chorar, no sofrer
No poeta tudo é inspiração
Tudo é poesia em combustão  
Com uma intensidade que assusta
Nessa vida nem sempre justa
O poeta é um ser que não cabe em si
Para estar pleno precisa repartir
A dor, o amor, a alegria, a saudade
Tudo aquilo que houver intensidade
Ser poeta é partilhar humanidade
Alda M S Santos

Uma paixão

UMA PAIXÃO
Escrevo sorrindo, escrevo chorando
Bem alerta ou meio em transe
Envolvida bastante na situação
Ou observando de fora uma emoção
Escrevo como ato de protesto ou indignação
Um grito de revolta ou rebelação
Ou um silêncio de frustração
Também em forma de oração
Quase sempre com muita satisfação
Ou pura expressão da gratidão
Escrevo para conversar com meus botões
Para dialogar também com o outro
Para tornar claro algo meio nebuloso
Para não me afogar em mim mesma
Em braçadas mergulho nesse mar gostoso
Em águas claras ou turvas da emoção
Minhas, do outro, da situação
Escrever é para mim revelação
Desde ontem, desde sempre, para sempre
Escrever é pura paixão…
Ser poeta é fazer da vida um constante ato de amor
De paz, luz, gratidão e reflexão …
Alda M S Santos

Você é um poeta?

VOCÊ É UM POETA?
Que é ser poeta?
É fazer versos, rimas, métricas
Descrever o amor, a dor, a natureza
Declarar paixões, desejos, anseios
A saudade, a alegria, a tristeza, a harmonia
Também …
Mas ser poeta é mais do que fazer poemas
Poeta é um jeito de ser e viver
É abrir janelas, escancarar portas, criar frestas
É descobrir atalhos, desbravar
Caminhar por caminhos desconhecidos
É se expor, ser o concreto e o abstrato
É um estilo de vida, de sensibilidade
De observação e maturidade
Ser poeta é ser emoção, coração
Ser luz na escuridão, aliviar a tensão
E a poesia que o poeta sente por aí
Ele expressa de modo escrito, expõe sua confusão
Nao importa se em versos, contos
Crônicas, romances, prosas
Ser poeta é parecer humanamente cheio e intenso
Mesmo quando estiver vazio, sem qualquer senso
Ser poeta é em tudo buscar o prazer
É ter tesão pela vida, mesmo no sofrer
É sempre estar propenso para o viver…
Você é um poeta?
Alda M S Santos

Simplesmente, amo…

SIMPLESMENTE, AMO…
Por que amo, poemas?
Por que me encanto pela poesia?
Amor não se explica, se sente
Poemas são sentimentos expressos em versos
São palavras potencializando o existir
São rimas evidenciando nossa sina
Poemas são a mais pura expressão da emoção
Neles os poetas dão vazão
A mais pura agonia que em si já não cabe
Que está além da capacidade do coração
E extravasa na mais límpida e intensa poesia
Não sei explicar porque amo poesia
Sei que somos parte uma da outra
Como uma boa interação entre o amor e a paixão
Sei que sem ela a vida não existiria
Na quase sempre confusa alma de um poeta…
Alda M S Santos

Registros

REGISTROS

Quisera buscar na poesia
Um toque de doçura, de magia

Quisera buscar na poesia
O alívio da dor, a cura da amargura

Quisera encontrar na poesia
Seu encanto, seu amor, sua alegria

Busquei na poesia a mais pura simplicidade
Num poema registrei meu desejo de felicidade…

Alda M S Santos

Versos

VERSOS
Os versos falam todo o tempo
Não há verso mudo, calado
São expressões infinitas de sentimento
Cada qual os recebe de acordo com seu entendimento
Há versos que falam de fazer amor
Outros de amizade, de intensidade
Há os gritos de aviso, denúncia ou alerta
Quase sempre estão na medida certa
Mas na medida meio confusa do poeta
Há versos que querem curar uma dor
Cicatrizar uma alma machucada, ferida
Há versos com raiva, compram uma briga
Há versos que tentam saldar uma saudade
Ou fazer do sonho uma realidade
Talvez no silêncio cantem uma vontade
Ou gritem aos quatro ventos sua necessidade
Os versos são uma linguagem única
Entende quem quer, quem pode
Quem aprecia, entra em sintonia
E faz do verbo, na rima, no verso
Sua vida, sua alma registrada em poesia
Alda M S Santos

Era tão lindo

ERA TÃO LINDO
Fui entrando devagarinho, receosa, temerosa
Sem querer me expor, muito cuidado para não me machucar
Ganhando espaços, abrindo portas
Aos poucos arrebentando comportas
Angariando simpatia, conquistando a confiança
Passeva por um mundo tão livre, tão lindo
Sem entraves, sem falsos pudores, sem censuras
Recheado de palavras doces, mas também algumas duras
Havia muitas moradas, jardins maravilhosos
Janelas e portas abertas todo o tempo
Não havia muros ou grades, não precisava
Os abraços eram constantes, sorrisos idem
Era um mundo recheado de histórias, de versos
Era um mundo tão livre, tão belo
Era o mundo da alegria e magia
Era o mundo da poesia
Que dura enquanto há sintonia
Alda M S Santos

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