Busca

Categoria

aprendizado

Ilusões

ILUSÕES

Carência faz-nos ver amor onde há só falsidade

Inocência faz-nos ver beleza onde há só aparência

Aparências impedem-nos de chegar à essência

Ilusões…

Fome faz-nos agradar com qualquer prato

Sede faz-nos alucinar com um oásis

Quedas fazem-nos inaptos para certos trajetos

Ilusões…

Culpas fazem-nos temer sanções assustadoras

Coração partido faz-nos acovardar diante de um novo amor

A fé, e somente ela, faz-nos sentir renovados

E nos leva aonde quisermos…

Alda M S Santos

Aprendi, aprendendo…

APRENDI, APRENDENDO…

Aprendi que…

Nem toda lágrima é de dor ou tristeza

Tampouco todo sorriso é de alegria

Que só vale a pena manter quem é de verdade

Quem torna real nossa fantasia

Aprendi que…

Ser humano implica em também sofrer

Encarar com coragem tudo que aparecer

E, mesmo assim, não desistir de tentar

Porque a felicidade é prêmio pelo qual vale a pena lutar

Aprendi que…

A vida passa, as pessoas idem

Mas o que realmente importa, é valioso

Não é tão fluido ou fugaz

Eterniza-se em nós, é grandioso…

Aprendi… aprendendo…

Alda M S Santos

Tudo é novo!

TUDO É NOVO!

Tantos momentos únicos, ímpares

Como todos eles o são

Mesmo que pareça tudo igual

Não há repetição…

O entardecer acontece todo dia no horizonte

Mas sempre com novos matizes

A aurora desponta todas as manhãs na serra

Clara, intensa e brilhante na nossa janela

Mas não somos os mesmos a observá-la

Cada olhar, cada abraço, cada raiva ou decepção

Sempre ficarão para trás, serão passado, ainda que a gente queira segurá-los

Amanhã, novos olhares, novos abraços, novas raivas ou decepções

E o amor…

Esse que doamos ou recebemos é sempre novo

E isso é o motor do viver…

Alda M S Santos

Demolição

DEMOLIÇÃO

Demolir é tão importante quanto construir

Tantas vezes é pré-requisito para uma nova construção

Trincar, quebrar, desmoronar, ruir

O que não serve mais deixar cair, jogar no chão

Entregar-se, se preciso, à emoção

Sofrer, chorar, lamentar, mas levantar

Das ruínas tirar uma lição

Aproveitar o que for útil, der suporte

Regar com suor, sorrisos ou lágrimas esse chão

E ali construir base sólida, forte

Aproveitar a demolição para recomeçar

Nova e bela construção

Um novo castelo nascido em nós ressurge

Só assim mantém-se vivo nosso coração…

Alda M S Santos

Zoo

ZOO

Nesse mundo animal

Quero ser um bicho qualquer

Desde que bem selvagem e irracional

Guiado pelos naturais instintos

Sabedor do bem e do mal

Nesse mundo cheio de razão

Quero ser de outra espécie ou philo

Aqui não há vez para o coração

Não quero ser homosapiens

Abro mão, prefiro ser emoção…

Nesse mundo tão perdido

Descaminhos, escuros, vacilos

Onde tudo já parece falido

Quero de novo me encontrar

Entre bichos não corrompidos encontrarei abrigo

Mundo zoo!

Alda M S Santos

Deixe o vento levar…

DEIXE O VENTO LEVAR

Se está difícil fique contra o vento

Sem medos ou anseios

Abra os braços, a alma, sem lamento

Deixe o vento levar…

Feche os olhos, deixe-se tocar

Arrepiar, arrancar todo o tormento

Não segure nada que machuca ou angustia

Deixe o vento levar…

Forte ou frágil, seja resistente, sem ressentimento

Se só traz dor ou impede seu crescimento

Deixe o vento levar…

Inspire fundo, expire, libere todo o sentimento

O que for bom retornará para ti

Sem prejuízos ou arrependimento

Deixe o vento levar…

O que ficar vale uma vida, ainda que por breve momento…

Alda M S Santos

Põe na conta

PÕE NA CONTA

Aquele sorriso amarelo e sem graça

Aquela angústia que machuca e o peito amassa

Aquela vontade de chorar que não passa

Põe na conta das tristezas que nos fazem crescer

Aquele sol que nos acorda com alegria

Acompanhado de um beijo de bom dia

E de um café quente que anestesia

Põe na conta dos encantos que nos fazem florescer

Aquele sonho bom do qual não queremos acordar

Aquela lembrança ou saudade gostosa que nos faz vibrar

Aquele abraço e cuidado que só o amor é capaz de proporcionar

Põe na conta das esperanças que nos fazem viver…

Alda M S Santos

Válvula de escape

VÁLVULA DE ESCAPE

Uma válvula para aliviar a pressão

Para relaxar de toda tensão

Uma corrida no fim de tarde

Uma conversa com toque de saudade

Um cineminha de mãos dadas ao anoitecer

Um sorvete na praça da igreja para espairecer

Um livro na rede ao luar

Dançar num baile até cansar

Ou uma caminhada à beira-mar

Seja qual for sua válvula de escape

Nunca a deixe de ativar

Não aliviar a pressão

Pode causar grande confusão…

Alda M S Santos

A pedra

A PEDRA

Uma pedra sendo todo dia lapidada

Martelo, formão, espátulas, lixas

Assim seguimos nós

Transformando-nos dia a dia numa escultura

Numa joia brilhante e preciosa, ou nem tanto

Mas de maior encanto e valor

Cuidando para não perder partes importantes

Retirando excessos e áreas pontiagudas

Aparando arestas, dando forma

Tratando cada detalhe com perícia e amor

Fazendo-nos uma obra de arte ímpar

Perante Aquele que nos criou

E nos observa e aguarda nosso retorno…

Alda M S Santos

Um dia

UM DIA

Um dia ainda vamos entender

O bem que poderíamos ter feito

E não fizemos

O mal que poderíamos ter evitado

E não evitamos

Aquela dor que causamos a nós e aos outros

E não precisaríamos ter enfrentado

O novo rumo que poderíamos ter tomado

E não tomamos

Todos os avisos e alertas que recebemos

E ignoramos

As oportunidades de crescimento e renovação

E fechamos os olhos

As chances de fazer um movimento pelo amor e pela paz

E ficamos inertes

As famílias que poderíamos ter ajudo a construir

E destruímos

A vida que poderia ter sido bem vivida

E matamos…humanamente!

Mudar, construir o mundo grande lá de fora

Começa por não destruir o mundo pequeno no nosso entorno

Abrir as porteiras e deixar a luz nos iluminar de dentro para fora

Um mundo melhor precisa de cada um de nós!

Um dia pode ser tarde demais…

Alda M S Santos

Legado

LEGADO

Sempre deixaremos um legado por aqui

Passar por esse local, tempo e espaço

Não nos permite ficar incólumes

Algo sempre ficará de nós para os demais

Temos por obrigação deixar o melhor de nós

Deixar mais do que recebemos

Processar tudo que vier para nós

Do ontem e do hoje e construir algo inovador

Transformar dores e angústias em crescimento

Mágoas e desrespeito em esperança

Amor em mais amor…

Não podemos perpetuar o mal, o negativo

Um mundo melhor se constrói

Não desconsiderando o que de ruim nos aconteceu

Mas usando esse aprendizado para não causar o mesmo mal

Naqueles que amamos ou convivem conosco

Ou também nos demais que partilham esse tempo terreno

Somos responsáveis simplesmente por estar aqui

Quanto mais sabemos, maior nossa responsabilidade!

Alda M S Santos

Ovelhas: qual delas é você?

OVELHAS: QUAL DELAS É VOCÊ?

Ovelhas brancas, negras, “coloridas”

Qual delas é você?

A quem você aponta como ovelha negra

Da família, do trabalho, da igreja, das amizades

Já pensou no que ela significa pra você?

No que tem a te ensinar, proporcionar

No que você tem perdido por só criticar

Por se achar melhor, superior

Por ignorar ou, simplesmente, se afastar?

Ovelhas negras têm missão especial

Foram escolhidas a dedo por Ele

Seu trabalho por aqui é (des)equilibrar o meio

É mexer em estruturas tão firmes, intactas e castradoras

Aparentemente corretas, mas cruéis e paralisantes

Aquelas que te provocam raiva, dor, vergonha ou compaixão

O diferente instiga, cutuca, sofre, faz sofrer

Se devidamente aproveitado em seu meio

Provocará mudanças evolutivas

Nos outros, em si mesmo

Quanto mais diferente a ovelha negra for

Quanto mais excluída e excludente

Maior e mais importante seu trabalho por aqui

São as ovelhas negras que ousam mudar

Que se contrapõem ao “certo” de todos

Que agem “errado” por questionar padrões cruéis e ultrapassados

Que encaram os desafios, que abrem e despertam sorrisos

Que gritam e se rebelam, se revelam, nos revelam

E dão um pontapé naqueles que delas fazem pouco

Mesmo que entre lágrimas…

Que ovelha é você?

Alda M S Santos

Na onda

NA ONDA

Onda que chega, pesada, crescente

Forte, carregada de opiniões e palpites

Cega, radical, violenta, destrutiva

Daquelas com as quais não compactuamos

E querem nos arrastar consigo

Contra nossa vontade ou desejo

Naquela avalanche de negativismo

Precisamos fincar pé, lutar, nadar contra a corrente

Ou, simplesmente, deixar-nos levar

Não desperdiçar energia

Ver até onde dá pra ir sem nos ferir

E escolher o melhor momento para sair fora

Nadar de volta e retomar do local onde fomos arrastados

Encontrar o ponto essencial

Aquele que não fere nossos princípios e nossa consciência

Aquele que nos torna humanos

Uma hora toda onda passa e se desfaz…

Alda M S Santos

Que nunca se aceite

QUE NUNCA SE ACEITE

Que nunca se aceite a submissão humana

Seja por qualquer razão ou alegação

Raça, cor, credo, gênero, cultura, opção sexual

Ideologia política, condição social ou financeira, títulos, religião

Que nunca se aceite a hierarquização humana

Aquela que gera opressão, fome, tortura, segregação

Medos, traumas, prisões, guerras, morte, exclusão

Que nunca se aceite que se humilhe e desumanize seres humanos

Sob o lema falso de Deus, da lei, da ordem e do progresso

Porque quando se submete a essas “leis”

Quando se aceita esse tipo de perversidade inócua

Quando não mais nos incomodamos, quando há omissão

Grande parte de nós já se afastou de Deus, já deixou de ser humano

Já deixou de ser coração…

Que nunca se aceite! Nunca!

#ditaduranuncamais

Alda M S Santos

Fotos Google

Lições infantis?

LIÇÕES INFANTIS?

Se bagunçar, arrume, deixe melhor que encontrou

Se não pode ou não sabe arrumar, não mexa

Ande, se correr poderá cair

Não pegue o que não é seu, nem tudo é coletivo

Não derrube o “castelo” de seu irmão, construa o seu

Não fale com estranhos, nem todos são amigos

Confie sempre na sua família, ela sempre estará contigo

Não procure briga, mas não apanhe

Aprenda com seus erros para não repetí-los

Se cair, levante, engula o choro, receba um carinho e siga

Nem toda porta aberta te cabe, não entre sem ser convidado

Respeite o espaço do outro, cultive o seu

Seja grato!

Lições infantis?

Talvez retomar essas lições

Nos salve de nossos próprios atropelos

De atropelar nosso irmão

Nos salve uns dos outros…

Lições infantis?

Alda M S Santos

Tragédia anunciada

TRAGÉDIA ANUNCIADA

Uma parede torta, trincada

Um céu de nuvens negras, pesadas

Uma raiva intensa, acumulada

Pessoas falantes quando caladas

Tragédia anunciada!

Hipertensão, colesterol alto, glicemia elevada

Medos e traumas não vencidos

Uma vida sedentária, muito parada

Falhas e erros conhecidos, repetidos

Tragédia anunciada!

Uma encosta pesada, encharcada

Bêbados descontrolados aos volantes

Uma represa não fiscalizada, sobrecarregada

Aquela vida falsa e secreta dos “amantes”

Tragédia anunciada!

Um planeta tão maltratado, explorado

Bomba-relógio armada, um perigo

Um futuro não valorizado, ignorado

Não há como manter intacto esse abrigo

Tragédia anunciada!

BUM!

Alda M S Santos

Que inteligência é essa?

QUE INTELIGÊNCIA É ESSA?

Que inteligência é essa

Que produz máquinas e armas de destruição

Mas que não cura um câncer, um mal do coração?

Que inteligência é essa

Que num simples acionar de um botão

Pode lançar um míssel nuclear e nos reduzir a pó

Mas deixa morrer de fome um irmão?

Que inteligência é essa

Que nos leva à guerra, ao terreno do outro, por insanas disputas emocionais ou materiais

Mas não enxerga a vida que míngua bem nos seus quintais?

Que inteligência é essa

Que viaja em naves e foguetes pelo longínquo campo do espaço sideral

Mas não acha o caminho da paz e do amor dentro de si, de seu tão próximo campo emocional?

Que inteligência é essa?

Alda M S Santos

Apenas um bronco

APENAS UM BRONCO

“Queria ser apenas um bronco”

Daqueles dos confins do sertão

Ter toda a “ciência” da natureza

Do mesmo modo que tem a ciência da mente, das emoções

Sem complexidade, sem grandes devaneios

Ter toda a esperança advinda da fé

Toda a paz que a consciência da finitude da vida permite

Nada de grandes preocupações ou conjecturas

Nada de medos, culpas, traumas, desafios intransponíveis

Apenas a certeza que, mesmo em dias difíceis,

Tudo está em seu devido lugar

Não luta contra monstros imaginários

Aceita e abraça o que a vida apresenta

O sol nasce, se põe, a lua surge, as estrelas brilham

O galo acorda a todos, a chuva cai, as árvores produzem

Pessoas nascem, morrem, chegam e se vão

Algumas nos amam, outras não

Somos apenas parte de um universo maior

O rio segue seu curso…

E o bronco que nada tem de complexo

Simplesmente, vive…

Não entende das grandes (des)conexões que afetam os demais

Suas conexões físico/emocionais não se perdem

E, por isso mesmo, mantém-se inteiro

Bronco? Quisera ser…

Alda M S Santos

Celeiro humano

CELEIRO HUMANO

Palavras podem ludibriar, enganar

Comportamento é sempre claro, não mente

Boas pessoas: boas ações

Más pessoas: más ações

Certo? Não necessariamente!

Comportamento não é previsível, não é matemática

Emoções não são uma ciência exata

Boas pessoas erram, aprendem

Más pessoas acertam, mudam, melhoram

Errar, cair, aprender, crescer, evoluir

Tudo isso é inerente ao ser humano

Não existem humanos santos

Anjos não vivem aqui, estão muito além de nós

Nesse grande celeiro humano

Há grãos de todo tipo e formatos

Em diferentes fases de maturação

E cada qual atinge seu ápice no tempo certo

Ser maduro é bom, é nosso objetivo

Mas não se chega lá sem antes ter sido verde…

Alda M S Santos

Outra vez?

OUTRA VEZ?

Vai e volta, passa o tempo

E as mesmas situações se repetem

De novo

Replay, outra vez

Mais uma vez…

Conosco ou com os nossos

A mesma dor por perto

Repeteco

Algo a nos dizer

Que fazer?

Lições não aprendidas

Oportunidades ignoradas

Erros não aproveitados, falhas esquecidas

Lágrimas jorradas

Batem sempre na mesma porta

Sempre querem algo nos dizer

Chamar a atenção, ativar o olhar, o fazer

O que não se aproveitou ou se aprendeu lá

Retorna para o lado de cá

Até que possamos estar aptos

A seguir, a prosseguir

Sem precisar tanto ferir, tanto repetir…

E poder um pouco mais sorrir…

Alda M S Santos

Demasiado tarde?

DEMASIADO TARDE?

Seria demasiado tarde

Para acreditar na humanidade?

Idosos, grávidas e crianças de pé no metrô, esquecidos em sua condição especial

Mas lá fora uma mulher protege outras duas desconhecidas em seu guarda-chuva

Uns veículos velozes e descuidados espirram enxurrada nos pedestres

Outros param e cedem a preferência

Descaso, desamor, desrespeito e indiferença com o outro

Podemos ver isso por todos os lados nos mínimos gestos

Mas apenas um sorriso solícito de um funcionário

Um dar-se as mãos para atravessar a rua

Uma carona solidária, um olhar compreensivo

Um simples ato de carregar as sacolas pesadas de alguém

Qualquer sinal de preocupação e cuidado desinteressados

Fazem-nos crer que não é tarde demais

A humanidade ainda tem jeito!

Precisamos focar no que nos faz mais felizes

Há muita gente do bem, boas ações

Apenas o mal tem sido mais visualizado, semeado

Divulgado e propagado…

Vamos divulgar e propagar o bem

Plantar o amor verdadeiro em gestos simples…

Alda M S Santos

A melhor professora

A MELHOR PROFESSORA

Ela é considerada a melhor professora

Nem sempre a mais doce

Tampouco a mais justa

Pode levar tempo, machucar

Precisar reapresentar as mesmas lições

Do mesmo modo, mesmos recursos e técnicas

Ou com um método diferente, novos livros, material didático atualizado

Para os alunos mais “complicados” e difíceis

Mas ninguém pode negar sua eficiência

Ela ensina, leve o tempo que levar

Por bem ou por mal

Por prazer ou por dor

A vida ensina! E como ensina!

Se esse for o único quesito exigido, o troféu vai para ela

A vida é a melhor professora!

Alda M S Santos

Algoz

ALGOZ

Não existe maior algoz que a própria consciência

Quase tão grande quanto o maior amor: o divino

Se ela funciona bem a luz de alerta se acende

Aprendizados acontecem, erros passam, a vida evolui

Se ela falha o maior amor entra em ação, poderoso

E permite novas oportunidades para recuperação

Se parecermos estacionados nos mesmos erros

As mesmas falhas repetindo -se infinitas vezes

É Deus agindo

A lição não foi aprendida

Se a consciência doer, ouça

Se tudo parecer se repetir, aproveite

O Maior e Melhor Professor está sempre a nos ensinar

Incansavelmente…

Alda M S Santos

Mudanças

MUDANÇAS

Mudar causa medo, insegurança

Expectativa, dores, desalento, esperança…

Mas não mudar pode ser muito pior

Quando tudo a nossa volta muda

Permanecer estático e agarrado ao passado

É deixar a derrota chegar sem lutar

Ninguém vive totalmente no presente

Dizem que vivemos 40% apenas no presente

O restante ficamos entre a saudade do passado e expectativas do futuro

E buscar esse equilíbrio é que é saudável

Mas nem sempre é fácil

Uns crescem, se vão, se viram sozinhos

Outros não mais precisam de nós ou nunca precisaram

Precisamos reaprender a viver dia a dia

A lidar com (des)amor,(in)gratidão, (in)felicidade

Concentrando um pouco mais em nós mesmos

Pois até pra seguir em frente e ajudar

Precisamos estar bem…

Alda M S Santos

Vejo em você

VEJO EM VOCÊ

Vejo em você o que preciso para crescer

Para ser melhor a cada dia

E não são só coisas boas que me possibilitam isso

O que há de negativo em você também me ensina a evoluir

Me permite desenvolver o que é falho também em mim

Aprendo quando você me faz sofrer, me faz chorar

Aprendo quando você me leva ao êxtase, à alegria extrema

Sou melhor quando preciso esquecer um pouco de mim

E me concentrar no que você insiste em me mostrar

Vejo em você vários caminhos que me desnorteiam

Mas que também me ensinam a responsabilidade das escolhas

Vejo em você, Vida, tudo que preciso para ser eu mesma

Um ser humano em evolução que busca no amor a sua luz

Por isso ainda insisto em ficar com você!

Obrigada, Vida!

Alda M S Santos

O grito que não se cala

O GRITO QUE NÃO SE CALA

Há em nós um grito que não se cala

Um grito que luta contra tudo de mau e errado que há por aí

Mesmo que seja um grito sem barulho

Um grito feito de silêncio, de lágrimas ou de sorrisos

O grito feito de abraços, de acalento, de amparo

O grito feito de mãos estendidas

O grito feito de colo, de compreensão, de gratidão

O grito que não se esconde na covardia

O grito que não se esconde na saudade de tempos idos

O grito que não se esconde na saudade de tempos que não vieram

Mas um grito!

Um grito que impulsiona e não se cala

Um grito que se lança na frente para proteger familiares, amigos ou qualquer necessitado

Um grito que não aceita fazer ou ser o mal

Um grito que se expõe na defesa do outro

Num mundo tão individualista e desumano

Sejamos o grito que falta!

Alda M S Santos

Planeta Azul

PLANETA AZUL

Entre vegetais, minerais, animais

Astros e estrelas

Água, terra, ar, fogo, coração

Um gigante repleto de seres (des)animados solto no espaço

Nosso planeta azul não é mais tão azul assim

E somos a parte pensante por aqui

Somos a parte coração

Aquela capaz de amar, construir e destruir

A si mesmo e aos seus semelhantes

Só não sei afirmar ainda

Se essa é a notícia boa ou ruim

Para nós e para o planeta…

Alda M S Santos

Ilusão da vaidade

ILUSÃO DA VAIDADE

Acreditar-se bom, importante, valorizado, especial

Inteligente, belo, leal, amigo, companheiro, humano…

Ser tudo isso é de valor inestimável

Desde que não seja ilusão da vaidade…

Quando a vaidade nos cega

Acaba por nos fazer superestimar o que temos ou somos

Quase sempre em prejuízo da realidade

Além de, muitas vezes, machucar os outros

Isso nos leva para um destino certo: a decepção

O que atrasa e torna áspero o caminho para o aprendizado…

Buscar cada dia nos tornarmos melhores é sabedoria

Melhor que fomos ontem, menos do que podemos ser amanhã

Mas nunca para superar este ou aquele indivíduo

Nossa “disputa” deve ser interna

E se for bem trabalhada já nos tomará bastante tempo

E a vitória e o sucesso serão bem mais doces e reais …

Alda M S Santos

Também somos responsáveis

TAMBÉM SOMOS RESPONSÁVEIS

Quando não ouvimos os gritos que imploram por socorro

Também somos responsáveis

Quando não entendemos o olhar que nos implora atenção

Também somos responsáveis

Quando nos calamos diante do silêncio sugestivo e de alerta

Também somos responsáveis

Quando ignoramos um pedido de perdão

Também somos responsáveis

Quando fechamos os olhos para a escuridão que se avizinha

Também somos responsáveis

Quando usufruímos do objeto/produto que possa causar dor ao outro

Também somos responsáveis

Quando não gritamos, não entendemos, não agimos

Quando somos tomados pelo comodismo e pela inércia

Também somos responsáveis

Não importa de onde venha a lama ou a tragédia

Ou de onde os escombros caiam

Se ocorre no trabalho, na igreja, na vizinhança

Em nosso próprio lar ou dentro de nós mesmos

Somos, no mínimo, corresponsáveis

Que cada qual possa assumir sua cota de culpa

E mudar…

Alda M S Santos

A alma chora e agradece

A ALMA CHORA E AGRADECE

Fadigado o corpo luta para sobreviver à lama

Esgotada a alma chora

Chora por aqueles que se foram

Chora pelo descaso, pela insignificância da vida

Chora por si mesma…

Ao redor tudo é destruição

Quanto ouro vale uma vida?

Mais especificamente, quantas vidas são necessárias

Para pagar pela mineração?

Fundão, Feijão, decepção, repetição

Não foi aprendida a lição?

E a alma estremece, quase desiste, chora

E se entrega, agradecida, nos braços daquele que a acolhe

Uma alma que entende outra alma

Corações em sintonia, dor, alegria

E a alma chora, agradece…

Alda M S Santos

Sabedoria da areia

SABEDORIA DA AREIA

Viver a sabedoria da areia

Absorver o que é bom, que cabe em si

Deixar de fora, na superfície, o que não dilui, não flui

Aceitar sobre si diferentes tipos de vida

Ser apoio, refrescância, acolhimento, calor

Viver a sabedoria da areia

Deixar-se moldar pelas ondas

Parecer desabar, desfazer-se e persistir

Na certeza de que nada é eterno

Nem a tormenta, nem a calmaria…

Alda M S Santos

Em comunhão

EM COMUNHÃO

Busca naquela vista definitiva

Naquele silêncio exterior de paz

Em contraste com o confuso barulho interior

Conectar a natureza de fora com a natureza de dentro

Sabe-se parte de um todo infinito

Uma criação de puro amor

Em comunhão procura estar

Observando detalhes de intenso cuidado e beleza

Daquela aparente imensidão lá de fora

Vai colocando tudo em seu devido lugar na imensidão de dentro

O que se adere facilmente, gruda logo

O que parece não ter mais espaço, machuca, fere

Encaixando peças sobressalentes

Segue…em comunhão…

Alda M S Santos

Expectativas

EXPECTATIVAS

Às vezes temos altas expectativas, daquelas bem difíceis de se alcançar

O que torna a conquista maravilhosa e a derrota decepcionante

Noutras as expectativas são muito baixas, pouco esforço para atingi-las

Boas, gostosas, mas nem sempre tão valorizadas

E noutras vezes as expectativas são tão impossíveis, tão inalcançáveis

Daquelas proibidas que nos impomos, sabendo que não daremos conta

Por isso as colocamos lá no alto

Para culpar o impossível e não a nós mesmos…

Todos podemos ter várias dessas fases

A fixação numa delas é que nos torna pessoas muitas vezes insatisfeitas

Conosco mesmas e com o mundo…

Quais suas expectativas?

Alda M S Santos

Nadando em águas profundas

NADANDO EM ÁGUAS PROFUNDAS

O que leva um exímio nadador a se afogar

Não é a inabilidade, imperícia ou falta de treino

O que leva alguém a se afogar é a escassez ou o excesso de confiança em si mesmo

É a inércia perante as águas bravias que causa pavor

Falta-lhe a tranquilidade para lembrar o que possui

Tentar relaxar, mover-se ritmadamente e respirar devagar

Ou é o excesso de confiança que o faz se aventurar onde é perigoso e não mais conseguir voltar…

Quando nos afogamos mergulhados em problemas e tristezas

Advindos de mares profundos nos quais mergulhamos

Levados pelas circunstâncias ou por vontade própria

Quase sempre são por esses dois motivos:

Excesso ou falta de autoconfiança e coragem

Ambos podem ser danosos para o nadador e para quem tentar salvá-lo…

Que nossas águas sejam claras, que saibamos mergulhar e nadar bem…

Alda M S Santos

Somos presente!

SOMOS PRESENTE!

O passado não muda, não volta

Todos sabemos!

Independente se foi florido ou esburacado

Se fomos felizes ou nem tanto

Se queremos esquecer ou voltar, reviver

Tanto faz! Ficou lá atrás!

Mas o modo de olhar para ele

Aquilo que ele deixou em nós, reciclado

A maneira que interfere no hoje

O jeito de nos mover ou de nos paralisar

As expectativas frustradas ou não que cria para o futuro

A maneira que o trabalhamos em nós faz toda diferença

No presente que abrimos todas as manhãs

No futuro que vislumbramos e aguardamos em expectativa a cada anoitecer

Nosso presente fica melhor e nosso futuro mais interessante

Quando fazemos as pazes com nosso passado

Não o esquecemos, não o ignoramos

Aprendemos com ele e somos gratos àquilo que nos tornou

Mas o deixamos onde deve ficar: guardado lá atrás

Somos presente!

Há sempre barcos indo, barcos chegando

Barco não nasceu para ficar atracado no porto.

Alda M S Santos

Preteridos?

PRETERIDOS?

Aquelas vezes que nos entristecemos, nos rebelamos

Por termos sido preteridos em algo

Quando alguém ganhou o que achamos que deveria ser nosso

Quando parece que fomos “roubados”

O emprego que não pôde ser nosso

O concurso em que não classificamos

O sorteio que não nos contemplou

O namorado que preferiu seguir outra

Aquele amigo que escolheu outros amigos

A família que nem sempre compreende nossos anseios

Os filhos que têm seus próprios caminhos e não precisam mais de nós

O amor que decidiu não amar mais…

Parece que o mundo fica contra nós

Que a roda gira na contramão

Que sempre alguém ganha e a gente só perde…

Mas se olharmos bem todas as vezes que nos julgamos preteridos

Veremos que foi, na verdade, uma proteção, um cuidado divino para conosco

A amizade não era sincera, o emprego traria inimizades

O namorado era pura mentira e ilusão

O amor não era suficientemente forte e verdadeiro

O concurso nos afastaria de quem amamos…

É Deus nos protegendo e amparando

Recolhendo os brinquedos perigosos que poderiam nos derrubar

Regulando as “doçuras” para proteger a saúde

Como um pai que tapa as tomadas para o filho não levar choque…

E, se insistimos, acabamos por nos arrepender ou ficarmos com dívidas eternas

Que talvez nem tenhamos cacife para pagar.

Confiemos em quem sabe tudo de nós e nos ampara

Como a toda criatura, por menor e mais insignificante que pareça…

Preteridos, não, protegidos!

Alda M S Santos

O que você é hoje?

O QUE VOCÊ É HOJE?

Quantos anos você tem hoje?

Trinta, quarenta, cinquenta, setenta?

Volte lá atrás, à metade disso…

A sua vida de hoje corresponde àquela que propôs para si?

O que você realizou é o que sonhou décadas atrás?

Vida pessoal, profissional, familiar, social?

Tem a família, os amigos, o trabalho, a saúde, o lar que sonhou?

Colocando na balança as oportunidades que teve

E aquelas que deixou passar, não soube aproveitar

As vezes em que tiraram seu chão

Ou aquelas que não soube flutuar

Qual o saldo? Está inteiro? Faltam partes, mantém a essência?

Qual sua responsabilidade nisso tudo?

Qual sua perspectiva para o futuro?

O que você é hoje pode ser diferente do que imaginou para si

Pode até ser meio frustrante para o jovem sonhador que foi

Mas no equilíbrio entre sonhos e realidade

O saldo certamente é bom

E, se não for, a boa notícia é que a vida continua

Dá para tentar fazer diferente de agora em diante

Boa caminhada para todos nós!

Alda M S Santos

Universo inexplorado

UNIVERSO INEXPLORADO

O universo que carregamos em nós

Por mais desbravado e explorado que tenha sido

Por mais terras, luas e planetas descobertos em nós

Sempre haverá aquela estrela escondida

Aquele meteoro veloz não acompanhado

Aquele cometa tão aguardado

Aqueles asteroides desconhecidos e esquecidos…

Somos um universo ainda muito inexplorado

Inclusive por nós mesmos

Cada um de nós carrega em sua galáxia interior

Regiões obscuras e carentes de luz e vida

Necessitando de uma remexida intergaláctica para ser ativada

E mostrar todo seu potencial…

Alda M S Santos

Confiança, ingenuidade ou pureza?

CONFIANÇA, INGENUIDADE OU PUREZA?

Tão confiante que se aproxima daquele que o alimenta

Ingênuo o bastante para lamber a mão que se estende

Puro o suficiente para não perceber

Que aquele que o alimenta e cuida

Tem outros interesses que ele desconhece

Ambos apenas buscam suas necessidades básicas de sobrevivência

Uma certa empatia, olhar doce, focinho gelado

A mão que o alimenta, outro dia virá para lhe tirar a vida

Para alimentar outras vidas…

Sou meio covarde!

Até como a carne, mas desde que outro tire a vida

Que não precise encarar esse olhar todos os dias

Que não crie laços de afinidade

Não tenho coragem de tirar a vida!

Como se a carne que viesse do açougue

Não representasse uma vida como aquela

Que me olha terna ali…

É estranho pensar que uma vida precise se perder

Para outra poder permanecer…

Quem determina qual vida é mais valiosa?

Será mesmo necessário?

Humanos precisam mesmo disso?

Por que ao olhar dentro desse olhar

Tudo isso parece tão (des)humano?

Alda M S Santos

Urgências

URGÊNCIAS

As faltas que nos enchem de vazios intensos

Vazios que nos enchem de necessidades

Necessidades que nos enchem de urgências

Urgências que nos derrubam, atropelam os outros

Às vezes nos paralisam, imobilizam

Mas quando bem aproveitadas

Também nos movem na direção do bem, da paz

E nos preenchem de amor

Tão repletos ficamos que chega a transbordar …

Alda M S Santos

Não sai de moda

NÃO SAI DE MODA

Os jovens se divertem com os coroas que ainda “tiram retrato”

Que ficam gamadas por aquele pão

Que pegam um carango legal

Ou que levam aquele brotinho para a discoteca

Que balançam o esqueleto com a patota

Que não se encrespam com uma pinoia qualquer

Os jovens de hoje não fazem ginástica nem paqueram

Mas entendem de selfies, fotos, academias

Minas, novinhas, carrões e baladas

Pegam crush por alguém e ficam

Gostam mesmo é de causar

Mas bugado, lesado ou viajando

Qualquer boy, broto legal, parça ou véy, precisa tá ligado

Amor, respeito, honestidade e gentileza

Independente do vocábulo que se use

Arcaico ou moderno, ultrapassado, quadrado ou atual

Nunca saem de moda

É uma brasa, mora?

Pode crer, cê vai pirar, vai divar…

Tá ligado? Sacou?

Morô, bicho?

Alda M S Santos

Violência, carregando…

VIOLÊNCIA, CARREGANDO….
De pouquinho em pouquinho é que tudo se agiganta
Uma greta aberta na porta permite pequenas entradas da leve e desejada brisa
Que logo se alarga e não controla o vendaval
Uma pequena fagulha num terreno seco
Logo se torna um incêndio de proporções incontroláveis e destruidoras
Um pequeno vazamento de água subterrâneo pode jogar casas inteiras ao chão
Pequenas permissões são aval para grandes intromissões
Uma vez esfregada a garrafa a rolha deixa escapar o gênio
Que pode não querer voltar para lá
Um grito, uma agressão verbal ou um “simples” desrespeito
Na vida pessoal, social, religiosa ou política
Que são aceitos, permitidos ou ignorados
São a fresta na porta, a fagulha do fogo, o vazamento subterrâneo em nossas vidas
O gênio da violência que escapa e não quererá voltar
Todo grande evento começa devagarzinho
De modo a ter impedido ou controlado seu crescimento e evolução…
Alda M S Santos

Tarde demais?

TARDE DEMAIS?

Tarde demais para se tornar um esportista ou atleta profissional

Mas nunca é tarde demais para cuidar da saúde física e mental

Tarde demais para arrependimentos por atos que causaram algum mal

Mas nunca é tarde demais para aprender e fazer o bem a todos sem igual

Tarde demais para lamentar oportunidades perdidas

Mas nunca é tarde demais para caminhar por novas trilhas pretendidas

Tarde demais para voltar atrás e reescrever aquele capítulo favorito

Mas nunca é tarde demais para fazer do hoje um poema bonito

Cedo ou tarde? Quem poderá dizer?

Importante é viver e deixar viver…

Cedo ou tarde a vida se vai…

Alda M S Santos

Mesma massa

MESMA MASSA

Somos feitos da mesma massa, do mesmo barro

Com os mesmos ingredientes, com os mesmos propósitos

Mas cada um cresce de modo diferente

Em tempos e pontos diversos de agitação, repouso e calor

Dependendo daqueles com quem essa massa interage

Do modo de fazer de cada um, do amor aplicado na ação

Algumas massas crescem mais quanto mais sovadas são

Outras encruam, murcham, definham, azedam, se sovadas demais

Há as que precisam ficar reservadas, em repouso por tempo maior

Outras necessitam ser mais agitadas, viradas e remexidas

O tempo de forno e calor também é variável

Então, respeitemos o ponto ideal de cada uma

Nunca dizer que é drama ou frescura

Sequer que é massa fraca ou farinha ruim

Quando se queimam, encruam ou sofrem algum revertério

Após as muitas sovas da vida

Ou por terem sido “esquecidas” no forno…

Se a dor não é nossa, se a lágrima ou sorriso não são nossos

Não ousemos julgar ou medir

Cabe a nós ajudar, respeitar ou nos recolher em nosso canto!

Alda M S Santos

O valor de uma vida

O VALOR DE UMA VIDA

Ânsia, necessidade premente de seguir

Seguir em frente para o desconhecido, o novo

Até onde não haja mais chão para caminhar

E ali pousar…

Ânsia, necessidade premente de seguir

Seguir, mas pegando o retorno, voltar

Até um bom lugar, um ponto pacífico, saudoso, confiável

Buscar o conhecido, prazeroso, sentar

E ali pousar…

Todo desejo de seguir esconde um embutido desejo de estacionar

Num lugar de tranquilidade e paz…

Enquanto houver propósito de seguir haverá vida

Em pouso ou em trânsito…

Cada qual faz sua melhor versão do caminho

Cada um sabe o valor de sua vida e das vidas alheias …

Alda M S Santos

Lá vou eu!

LÁ VOU EU!

Corre, corre, olha, escolhe e se esconde bem

Enquanto o tempo é rapidamente contado

1, 2, 3…lá vou eu!

Euforia ao procurar e encontrar quem se escondeu

Quem nunca brincou?

Esconderijos perfeitos descobertos, sem artimanhas

Quanto menor a criança, maior o prazer de brincar

E o esconderijo nem precisa ser muito misterioso, não

Se se acredita invisível, invisível está

Se eu não vejo o outro, ele também não me vê!

E o esconde-esconde permanece ao longo da vida

Agora cheio de artimanhas…

É instigante esconder ou procurar quem ou o que de nós se escondeu

Mas o verdadeiro prazer está na descoberta, no encontro…

O gozo, o ápice, é encontrar e ser encontrado

Ainda que seja aquela criança que fomos um dia

E que de nós resolveu se esconder…

Onde você está?

1,2,3, lá vou eu!

Alda M S Santos

Fecho os olhos

FECHO OS OLHOS

Fecho os olhos quando não quero ver algo

Fecho os olhos quando quero me isolar do exterior

Fecho os olhos quando quero ver melhor

Fecho os olhos quando quero me conectar com meu interior

Fecho os olhos quando não quero ver o que é feio, o que magoa

Fecho os olhos fingindo não ver, não perceber, não saber ou sentir

Fecho os olhos para me proteger do desamor, das decepções

Fecho os olhos quando quero ver o essencial

Fecho os olhos para ver com outros sentidos

Fecho os olhos para ver a brisa leve arrepiar a pele

Fecho os olhos para ver as ondas batendo nas pedras

Fecho os olhos para ver o voo livre das gaivotas

Fecho os olhos para me aquecer nos primeiros raios de sol da alvorada

Fecho os olhos para absorver bênçãos, para potencializar o bem

Fecho os olhos quando quero ver com os olhos do coração

Como num beijo de amor e entrega

Que tudo vê e sente com os olhos da alma…

Fecho os olhos, tudo vejo, tudo percebo…

Feche os olhos!

Alda M S Santos

Deliciosos paradoxos

DELICIOSOS PARADOXOS

O corpo tão “morto”, tão cansado, tão pesado

Que tem dificuldades para relaxar e descansar

Em contrapartida, a alma tão viva, tão leve, tão agradecida

Que quer curtir, relembrar mais um pouquinho os bons momentos

Assim funciona o ato de doar-se em prol de alguém

Fraternidade e generosidade renovam esperanças de um mundo melhor

Mais humano, menos violento, mais amoroso

Quem dá ou recebe já não se sabe, não se identifica

E não importa, todos ganham!

Alda M S Santos

Malas esquecidas

MALAS ESQUECIDAS

Malas esquecidas aos pés, um abraço que se eterniza

Ignoram o burburinho que possa haver por ali

Mergulhados no pescoço um do outro, lágrimas insistentes

Será uma ida ou uma volta?-perguntariam os curiosos

Que pode ser mais triste ou doloroso

Mais alegre ou emocionante:

As malas de quem chega ou de quem vai?

A ida ou a volta, a partida ou o retorno?

O olhar que se tem sobre a ida ou a volta

A razão que leva a uma ou a outra é que determina o peso que fica na alma

Coração repleto, tão cheio quanto as malas

Escorre pelos olhos, nos toques, no desejo de parar o tempo

Malas prontas, esquecidas sob um abraço: chegando ou partindo?

Malas esquecidas, mas a bagagem mais importante será eterna no coração

Quem chega ou quem parte determina um recomeço

Sempre!

Para quem vai e para quem fica, esperança

E recomeços são uma oportunidade de fazer diferente

De fazer melhor…

E isso já é motivo para as lágrimas serem de alegria!

Boa viagem: de ida ou de volta!

Alda M S Santos

Quebra-cabeça

QUEBRA-CABEÇA

Imagino que Deus tenha diante de si um quebra-cabeças gigante

Daqueles de milhares e milhares de peças

De todas as cores, tamanhos e formatos

Que Ele vai escolhendo uma a uma, montando, encaixando com amor e cuidado junto conosco

Respeitando nossas decisões e escolhas…

Sabendo do que realmente precisamos

Ele encaixa peças importantes, disponibiliza outras, retira umas completamente fora de contexto

E nós daqui tentando encaixar o que não cabe, bagunçando tudo

Entortando peças, inutilizando umas, estragando outras

Quando nosso quebra-cabeças estiver difícil de montar

Paremos um pouco, aguardemos, respiremos fundo

Melhor colocá-lo sobre a mesa e esperar

Deixar espaço para enxergar as peças que Ele tira e coloca à nossa disposição

Ele tem a visão geral de interdependência que nós não temos

Ele sabe a peça que nos falta, a que sobra

As peças que não são do nosso tabuleiro

Que nunca se encaixarão, são de outro quebra-cabeças

Às vezes o agir consiste em parar e esperar

Aguardar a peça faltosa, abrir mão daquela que está torta

Isso é sabedoria e maturidade!

Alda M S Santos

Blog no WordPress.com.

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: