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Qual o barulho do seu silêncio?

QUAL O BARULHO DO SEU SILÊNCIO?

Qual o barulho do seu silêncio?
Ele grita alto, é ensurdecedor
Aperta sua voz, é sufocador
Ou se recolhe, renovador?

Qual o barulho do seu silêncio?
Forte como águas de uma cocheira
Suave como banho na banheira
Ou sedutor como moça namoradeira?

Qual o barulho do seu silêncio?
Reflexivo, introspectivo, envolvente
Extrovertido, audaz, caliente
Ou pacífico, calmante, atraente?

Qual o barulho do seu silêncio?
Emocionante como lágrima que cai
Entorpecente como a dor que se vai
Eloquente como o amor que nos atrai?

Qual o barulho do seu silêncio?

Alda M S Santos
Mais no meu blog vidaintensavida.com

Quarentena

QUARENTENA

Vou colocar um coração em quarentena
Isolado, afastado, separado para não (se) contaminar
Logo, logo ele se livra da pena
E poderá voltar a vibrar, a amar

Vou colocar um corpo em quarentena
Para acalmar músculos e nervos
A fadiga evitar, a inércia apagar
Em busca de uma vida mais amena 

Vou colocar uma mente em quarentena
Descansar, renovar,  reciclar, reavaliar
Evitar curtos-circuitos cerebrais
E voltar reenergizada, querendo mais

Vou colocar uma alma em quarentena
Apenas para ela acompanhar nessa missão 
Um todo de corpo, mente, coração  
E não deixá -los separados, sempre aliados

Vou colocar-me em quarentena
Para uma vida mais doce e  plena…

Alda M S Santos

Quero acreditar

QUERO ACREDITAR

Quero acreditar que tudo vai passar
Que logo vou poder sair, trabalhar
Brincar, passear, abraçar, amar
Ter a “vida” de novo para me ocupar

Mas não quero que volte a ser como antes
Quero que esse medo de tudo perder
Tenha mudado algo dentro de cada ser
Que tenham acordado para o que vale a pena viver

Que aproveitemos a reclusão e introspeção
Para autoanálise, autocrítica e autoavaliação
Que tudo sirva de aprendizado e lição

Que tenhamos sentido a nossa fragilidade
Também a força que brota na necessidade
E a importância da compaixão e solidariedade

Alda M S Santos

Perfeição: Deus me livre!

PERFEIÇÃO: DEUS ME LIVRE!
Deus me livre de ser perfeita!
Argh para as pessoas ditas perfeitinhas!
Isso mesmo! Ou a pseudo-perfeição que há por aqui
A pessoa que toma para si e senta no trono da perfeição
E dali passa a julgar o que os outros fazem, não fazem
O que eles são ou não são, até aquilo que pensam
Medindo tudo com a régua de seu agir e pensar sempre tão “perfeito”
São sempre os pais mais dedicados, os profissionais mais exemplares
As pessoas mais corretas e “legais”, literalmente, do mundo
E no trono do qual se julgam dignas
Abusam da intolerância e impaciência, são ranzinzas
São o juiz e o carrasco do agir, pensar, rezar, ser ou não ser do outro
Imputam a pena máxima, sem dar o direito de recorrer da sentença
E esquecem a maior lição da verdadeira perfeição
Aquela que passou por aqui através Dele em forma humana
A empatia, a compreensão, a compaixão, a solidariedade
A capacidade de entender as falhas e dificuldades humanas
A habilidade de usar o que acha que tem de melhor em prol do outro
Nunca para diminuir ou se gabar ou afastar pessoas
A perfeição está atrelada a amor e perdão, à simplicidade
À capacidade de rir de si mesmo, reconhecer os próprios erros
Gosto de gente imperfeita, sim, são reais, autênticas
E se dispõem a melhorar a cada dia ajudando e sendo ajudada
A perfeição verdadeira não temos por aqui
A perfeição é divina!
Alda M S Santos

Minhas pedras

MINHAS PEDRAS

Há coisas que devemos por bem compartilhar

Alegrias, amor, sorrisos, carinho

Coisas que fazem bem trocar

Também é bom, até necessário, falar, conversar

Desabafar, dividir com alguém as pedras do caminhar

Mas é importante também saber a hora de calar

Há pedras que podemos com o outro revezar

Outras são só nossas, não dá para repassar

Sob pena de o peso ser grande demais

Para que qualquer um possa carregar

Melhor deixar apenas as flores perfumar

As minhas, as suas, as nossas pedras

Um dia serão um belo calçamento

Onde desfilarão somente bons sentimentos

Alda M S Santos

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Já quis

JÁ QUIS

Já quis falar, já quis calar, já quis fugir
Já quis chorar até derreter, já quis sorrir, sem conseguir
Já quis desistir, já quis sumir
Já quis amar, desabafar, a alma lavar
Já quis brigar, quis cobrar, quis insistir
E nesse vai e vem de quereres
Nessa luta de angústia, prazeres e deveres
Na roda viva de emoções e obrigações
A vida prevalece cheia de razões
Enfrentando calmarias, turbulências e furacões…

Alda M S Santos

Tão fácil

TÃO FÁCIL

Tão fácil ficar aqui deitada
Vendo a chuva escorrendo na janela
Tentando não pensar em nada
Tão fácil fingir que não vejo
Que o relógio segue sem parar
Independente do que eu desejo
Tão fácil me ligar no silêncio de fora
Fingindo que o barulho de dentro
Vai passar a qualquer hora
Tão fácil brincar de faz-de-conta
Ser fada, deusa, sereia, rainha, bruxinha
Ignorar que a vida nem sempre é boazinha
Tão fácil ver sempre o lado bom
Ser Pollyanna, fazer o jogo do contente
Sem passado, sem futuro, só presente
Tão fácil…pode até não ser
Mas a gente vai tentando
Brincando, amando, versando, pra melhor viver
Alda M S Santos

O silêncio

O SILÊNCIO

Nada diz mais que um bom silêncio

Aquele que sentamos conosco e nos passamos a limpo

Boas perguntas, respostas sinceras

Sem medo de sermos devorados por famintas “panteras”

Um auto divã, real, sem expectativas vãs

Quem sou, o que gosto, o que me incomoda

Porque me deixo girar nessa roda

Que aceito, o que permito, o que me deixa aflito

Quem amo, quem tolero, quem evito

O que me mantém por aqui, ativo, cativo

Silêncio lá fora, barulho cá dentro

Ele muito diz para quem se dispõe a ouvir

Ou para quem não tem com quem falar, para onde ir

Silêncio, conhecido também como solidão

Pode ser um grande amigo nesse mundo nem sempre irmão…

Alda M S Santos

A luz brilha para todos?

A LUZ BRILHA PARA TODOS?
Num espetáculo de fogos no céu de Copacabana
Sob os braços abertos do Cristo Redentor
Uma música animada no palco ali armado
A luz pipocava no céu em cores e formas variadas
Uns nas festas luxuosas nas grandes coberturas
Outros deitados nos cantos, no asfalto, na vida dura
As vestes brancas pediam paz para o novo ano chegando
Uns mendigando, muitos vendendo, outros roubando
Alguns apenas esbanjando o que tinham
Outros festejando como podiam
Será que tentavam equalizar diferenças, injustiças
Equilibrar uma balança meio descalibrada?
Poucos com tanto, tantos com tão pouco
Será que não percebiam a parte errada
Tanto de quem dos outros tirava
Como daqueles que apenas esbanjavam?
E Iemanjá ia devolvendo as oferendas, matéria
Certamente queria essência…
Humanos de todo gênero, idade, nação, profissão
Condição social, financeira, religião
Todos de olhos no alto saudavam o novo ano que chegava
A luz maravilhosa no céu brilhava para todos
Será que iluminava a cada um do mesmo modo?
E a imagem do Cristo Redentor ali, sabedor de tudo, abençoava
E, mais que todos, pedia amor e paz para essa gente que tanto amava…
Alda M S Santos

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