AGRURAS DA MALDADE

Somos muito mais fortes que pensamos
Deus nos fez assim, aparência de flor
Delicadeza de pétala de rosa, suavidade
Perfume, encanto, aparente fragilidade
Mas é falácia, pura ingenuidade
Somos santidade ou somos o profano
Depende de quem em nós se fizer engano
Somos a textura da pétala ou o espinho da rosa
Somos meninas, moças, somos mulheres!
Se não conquistamos nosso espaço pela delicadeza
Deus nos deu espinhos para nossa defesa
Roseirais aguentam a chuva, o sol, o vento
Podem perder pétalas, botões, ser sofrimento
Mas se juntam, se alinham, se protegem
Perder uma pétala, um botão, uma rosa
Não diminui em nada o roseiral
O essencial está enraizado, forte
Regado nas noites de sereno e lágrimas, sem norte
O que se perde por ação da natureza
Ou até mesmo ação humana, malvadeza
Volta para a terra e será adubo, nutrição
Volta para a alma, será motor para o coração
A fortalecer o que houver de bom, ser renovação
Roseiras que foram podadas dão as mais lindas rosas
Mulheres que foram magoadas, feridas, decepcionadas
Em sua emoção cinicamente violentadas
Crescem, se fortalecem, brilham, engrandecem
O olhar delas é misto de delicadeza, força e superação
Não será qualquer um que poderá derrubar esse roseiral, não
Rosas e mulheres podadas se abrem novas para a vida
Preparadas para o caminho, o amor, a lida
Nada segura uma mulher consciente de sua força e fragilidade
Que venceu e se fortaleceu nas agruras da maldade!

Alda M S Santos