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poemas e reflexões da vida cotidiana

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Vida

Como é possível?

COMO É POSSÍVEL?
Como é possível, ao mesmo tempo
Estar tão perto, estando tão longe
Estar tão longe, estando tão perto
Estar tão dentro, sem haver cabimento
Como é possível, ao mesmo tempo
Ser tão doce sorriso, escondendo amargas lágrimas
Ser tão acolhedor colo, estando carente de aconchego
Ser reflexo de si mesmo, de tão brilhante luz,
Tendo apenas uma faísca acesa
Como é possível, ao mesmo tempo
Ser o amor em meio a tanta indiferença
A esperança em meio a dolorosa ingratidão
A paz em meio a tanta maldade e confusão
Como é possível, ao mesmo tempo
Ser o norte quando se está perdido
O recomeço depois de haver desistido
A continuidade de um viver intenso, meio sofrido
Quando sabemos que a qualquer hora
Seremos pelo tempo engolidos, consumidos?
Como é possível?
Alda M S Santos

Inteiros

INTEIROS
Não dá para viver com metades
Meias verdades não colam
Meias palavras não falam
Meios caminhos não levam a lugar algum
Meias certezas não descem
Meias vontades nada produzem
Meias curas não resolvem
Meios amores não acalentam
Meias vidas não satisfazem
Precisamos de totalidade
Precisamos de inteireza
Inteireza no amor, na paixão
Inteireza na compaixão, no amor irmão
Inteireza na alegria, na felicidade
Inteireza na verdade, na fraternidade
De metade em metade
Passamos a vida em pedaços
Partes que não se encaixam
Quebra-cabeças que não se completam
Não dá para buscar uma metade no outro
Nossas metades estão dentro de nós mesmos
Juntá-las nos torna inteiros
Prontos a encontrar outros inteiros, amiúde
E viver uma vida de completude…
Alda M S Santos

É preciso fazer as pazes

É PRECISO FAZER AS PAZES

É preciso fazer as pazes
Estar de bem consigo, novos ares
Buscar fora e dentro de si bons lugares
Deixar de fora as culpas, os males

É preciso fazer as pazes
Aceitar nossas falhas nessa jornada
O corpo que nem sempre agrada
A emoção que às vezes nos degrada

É preciso fazer as pazes
Com o outro que não nos aceita
Com a vida que nunca é perfeita
Conosco mesmos por tanta desfeita

É preciso fazer as pazes
Com o passado que nos magoou
Com o futuro que não chegou
Com o presente, que é onde estou

É preciso fazer as pazes…

Alda M S Santos

Aqui tem cachoeira

AQUI TEM CACHOEIRA

Aqui também tem cachoeira
Bela, forte, até assustadora
Se a gente der bobeira
Ela nos leva, arrebatadora

Atrás da queda, bem escondidinho
Os pássaros se reúnem, cantam juntinho
Saem ligeiros em revoada
Quem vê logo pensa
De onde veio essa passarada?

A queda d’água forma uma piscina
Onde nadam moças e moços fugindo da rotina
Sobre todos baila um sereno fininho
Ali, afoitos, roubam abraço e beijinho

Cachoeira, calor, sol, natureza
Venha se banhar, faça parte dessa beleza
Quer encanto, sossego, paz
Viva sem isso tudo se for capaz!

Alda M S Santos

Vamos?

VAMOS?

Enquanto houver vida embaixo desse céu
Não dá para deixar emoções ao léu
Inspira, expira, não pira, coloca no papel
Haverá alguém para brincar nesse carrossel

Enquanto houver voz, eu canto
Alívio para a alma, a dor, o pranto
Mesmo desafinada, desgastada
Minha voz ainda é expressão desenjaulada

Enquanto conseguir todo dia me levantar
Ver o Sol lá fora a brilhar, me chamar
Farei valer a pena a travessia nesse lugar

Enquanto houver caminho à vista, eu sigo
Trilhas construo, faço, refaço, prossigo
Levo quem tem afinidades comigo…vamos?

Alda M S Santos

A que vim

A QUE VIM

Nem sempre consigo identificar
A razão de por aqui estar
Não sei se faço bem em buscar
Um motivo, um objetivo para continuar

Tantas vezes já parece tão cheio o jardim
Já não me cabe, meio diferente assim
Abelhas, borboletas, beija-flores
Brincam entre os canteiros entre tantas cores

Ando para lá, voo para cá, dou o melhor de mim
Tento não ficar onde não estão a fim
Sigo buscando a que vim

Olho em volta, olho para dentro de mim
Busco força, um trampolim
Me descubro meu próprio jardim

Alda M S Santos

Porque vivo

PORQUE VIVO

Já chorei de alegria até a barriga doer
De emoção até não mais poder
Ou de angústia até amanhecer
Isso porque vivo…

Já tive medo de alguém perder
De não poder ver meus filhos crescer
De adoecer, envelhecer, dos outros depender
Isso porque vivo…

Já implorei pela vida, tive medo da morte, da escuridão
Rezei por todos, pedi perdão
Muitas vezes acompanhada, outras na solidão
Isso porque vivo…

Já tive muitas amizades, já fiquei na saudade
Brinquei, fui séria, lutei por liberdade
Nunca quis ser apenas uma metade
Isso porque vivo…

Já me organizei, arrumei o que estava bagunçado
Já fiz burradas, baguncei o que estava arrumado
Quase desisti de ver tudo de novo organizado
Isso porque vivo…

Já ganhei, vibrei, comemorei
Já perdi, sofri, quis sumir, revoltei
Amei, fui amada, correspondida, ignorada
Aprendi, cresci, me empolguei
Encontrei o caminho, voltei
Isso porque vivo…

Num saldo positivo vou vivendo, vou seguindo
Cada dia mais longe do começo
Não necessariamente perto do fim
Só de pensar, estremeço
Isso porque vivo…

Alda M S Santos

Onde você quer ficar?

ONDE VOCÊ QUER FICAR?

Na vida há cobertor que não aquece
Água que a sede não mata
Abraço que a dor não amortece
Amizade que nó não desata

Há estrelas que não amenizam a escuridão
Sol que não ilumina nosso caminhar
Saudades que nos tiram o chão
Rios que não chegam ao mar

Há males que não nos deixam arredar pé
Há compaixão para a alguém estender a mão
Também tem energia que nasce junto da fé
E sabedoria ao tocar com delicadeza um coração

Na vida há também luz que vem de dentro
Amor que nos põe no centro
Calor que brota e alastra da alma parceira
Beijo que aquece a vida inteira

Na vida há todo tipo de lugar
Só precisamos saber onde queremos ficar…

Alda M S Santos

Fada Coração

FADA CORAÇÃO

A Fada Luz queria tanto saber
Um modo de ser e fazer feliz
Resolveu rodar o mundo inteiro
Até descobrir o segredo

Num jardim, entre rosas,
Em meio a tanta luz e calor
Deu de cara com a Fadinha Sol
Que afirmou que para ser feliz
Era preciso saber a todos aquecer, fazer crescer…

Numa noite de lua e estrelas
Encantou-se com a Fadinha Estrela,
Sentada na Lua Cheia
E, brilhante, não tinha dúvidas:
A felicidade estava em iluminar caminhos…

Seguiu uma trilha até o horizonte
E foi dar no mar, numa praia distante
Ali estava satisfeita sob um coqueiro a Fadinha Água
Convicta, afirmou: ser feliz é matar a sede de viver

Fadinha Luz pensativa ficou, acreditava em todas elas
Era preciso aquecer, iluminar, matar a sede de vida
Mas sabia que algo ainda não estava completo
Sentia que ser feliz era mais que isso

E no meio de tanta criança feliz
Brincando, cantando, sorrindo e dançando
Encontrou, de olhos brilhantes, a Fada Coração
E ali descobriu que a felicidade
Estava em saber se doar, amar, ser irmão…

E Fada Luz aprendeu a lição:
Ser feliz é saber amar, é ser carinho
É ser pureza, é ser criança
É ser da vida o coração!

Alda M S Santos

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