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poemas e reflexões da vida cotidiana

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Vida

Brinde da maturidade

BRINDE DA MATURIDADE

Não gosta, não fique perto
Faz mal ou machuca, se afaste
Não gosta de ouvir, desligue
Te causa angústia, mude o foco
Não quer brigar, não responda, ignore
Não quer brincar não entre no jogo
Não procure, não veja, não leia
Se é politicagem ou mentira, pule
Se é falsa religiosidade, só lamente
Não gaste energia com o que sabe que fere
Dê tempo, se cuide, se trate bem, se cure
Feche portas, tranque janelas, abra persianas
Elas mostrarão para quem destrancar a alma
A vida requer sabedoria, boas escolhas
Só nós mesmos somos capazes de identificar
O que vem para somar, acrescentar
Ou o que já não serve mais, só vai atrasar
Saber onde quer ficar e de onde sair é brinde da maturidade
Aproveite!

Alda M S Santos

Tinha tanto medo…

TINHA TANTO MEDO…

Tinha tanto medo de ficar perdida que já não mais saía
Tinha tanto medo de não ser feliz que já não sorria
Tinha tanto medo da prisão que já não tinha liberdade
Tinha tanto medo da tempestade que já não curtia o Sol
Tinha tanto medo da escuridão que perdia sua própria luz
Tinha tanto medo de envelhecer que não aproveitava o amanhecer
Tinha tanto medo de ser enganada que não arriscava nada
Tinha tanto medo de ser dependente que vivia doente
Tinha tanto medo da solidão que aceitava qualquer situação  
Tinha tanto medo de tudo um dia esquecer
Que a vida se tornava um eterno reviver
Tinha tanto medo de tudo, de morrer que nada mais fazia que sobreviver

Alda M S Santos

Quando deixamos Deus agir…

QUANDO DEIXAMOS DEUS AGIR

Quando deixamos Deus agir
Nota-se só bênçãos, não há decepção
Qualquer contratempo vira lição
Há brisa suave sob sol quente
Há calor do abraço para toda a gente

Quando deixamos Deus agir
Os corações pulsam ritmado, forte
Perdidos encontram seu rumo, seu norte
Cansados encontram oásis, refrigério
Viver é algo leve, acaba-se o mistério

Quando deixamos Deus agir
O tempo difícil fica para trás
O hoje é prazeroso, a vida se refaz
Amizades se renovam, o amor é eficaz
Alianças se eternizam, o olhar é perspicaz

Quando deixamos Deus agir
O medo é vencido pela luz, pela coragem
O futuro torna-se bela miragem
A esperança energiza nossa alma em alta voltagem

Basta deixar Deus agir em nós!

Alda M S Santos

Porque vivo

PORQUE VIVO

Já chorei de alegria até a barriga doer
De emoção até não mais poder
Ou de angústia até amanhecer
Isso porque vivo…

Já tive medo de alguém perder
De não poder ver meus filhos crescer
De adoecer, envelhecer, dos outros depender
Isso porque vivo…

Já implorei pela vida, tive medo da morte, da escuridão
Rezei por todos, pedi perdão
Muitas vezes acompanhada, outras na solidão
Isso porque vivo…

Já tive muitas amizades, já fiquei na saudade
Brinquei, fui séria, lutei por liberdade
Nunca quis ser apenas uma metade
Isso porque vivo…

Já me organizei, arrumei o que estava bagunçado
Já fiz burradas, baguncei o que estava arrumado
Quase desisti de ver tudo de novo organizado
Isso porque vivo…

Já ganhei, vibrei, comemorei
Já perdi, sofri, quis sumir, revoltei
Amei, fui amada, correspondida, ignorada
Aprendi, cresci, me empolguei
Encontrei o caminho, voltei
Isso porque vivo…

Num saldo positivo vou vivendo, vou seguindo
Cada dia mais longe do começo
Não necessariamente perto do fim
Só de pensar, estremeço
Isso porque vivo…

Alda M S Santos

Mundo

MUNDO

Mundo que tira, mundo que dá
Mundo que nos deixa a pensar
Mundo que nos rouba, que nos devolve
Mundo que nossas entranhas revolve

Mundo que nos cansa, nos ensina
Mundo que decepciona, nos fascina
Mundo do qual queremos fugir, sumir
Mundo que nos cativa e nos faz insistir

Mundo para o qual viemos por alguma razão
Para crescer, amar, lutar, ser evolução
Mundo que carrega muita desigualdade
Onde queremos ver mais humanidade

Mundo que quero subir no pódio e aparecer 
Às vezes quero ser minúscula, desaparecer
Mundo que quero deixar melhor que encontrei
Por isso busco fé e coragem, não desistirei

Alda M S Santos

Joga fora!

JOGA FORA!

Joga fora o que já não aquece
Ou aquilo que causa aperto, enrijece
Joga fora aquilo que fere e machuca
Assim vamos fugindo de arapucas

Joga fora o que não alegra e perfuma
Que não permite cor e beleza alguma
Joga fora, lance sem piedade ao vento
O que trava e estaciona o pensamento

Joga fora o amor que só causa dor
Certamente há algo com menos rigor
Joga fora, ou recicle, um sentimento
Busque reciprocidade, contentamento

Joga fora o que não é primordial
Por aqui manter o bem, afastar o mal
Nessa viagem só bagagens leves
Amor, paz, luz, união, a vida é breve

Alda M S Santos

Meu sol

MEU SOL

Sempre em busca do calor e luz do sol
Como uma árvore, uma roseira, um girassol
Tento não me afetar com as tempestades
Acredito que elas levarão embora as maldades

Sei que a vida tem seus vendavais
Que quase sempre nos deixam sinais
De um mundo passado, um futuro desejado
De um presente que tenha amor ao nosso lado

Tão bom poder encontrar por aqui um lugar
De paz, de luz, de doce recolhimento
Cantinho especial para desvendar sentimentos

Bom mesmo é acender o sol do lado de dentro
Em qualquer lugar levar brilho e contentamento
De uma vida desejada, alheia ao sofrimento

Alda M S Santos

No self-service da vida

NO SELF-SERVICE DA VIDA

No grande self-service da vida há muito arroz com feijão
Há também pratos carregados de sofisticação
Há aqueles que nos ganham pelos olhos
Outros pelo sabor, pelo preço, pela nutrição
Tantos de nós ficamos perdidos nessa vitrine alimentar
E nos empanturramos, confundindo nosso paladar
Escolhas implicam sins, carregam também muitos nãos
Maioria das vezes nos bastam o arroz com feijão
E nos iludimos com o que não é boa refeição
Quando percebemos já prejudicamos a digestão
Bom saber o que faz bem para o corpo e o coração
Na vida emocional vale a mesma ponderação
Vícios causam males, grande confusão
Gosto mesmo de um prato simples e saboroso
Não me engano com o que na vitrine parece apetitoso
Na certeza de estar bem nutrida e alimentada
Sei escolher meu prato físico e emocional
Sigo em paz, ignoro o que não é essencial

Alda M S Santos

Seria muito?

SERIA MUITO?
Seria muito imaginar que fui o sonho de alguém
Que minha existência foi planejada
Que antes de aqui chegar eu existi em outro lugar
E foi a mente, a alma, o coração
A imaginação e o desejo de um alguém
Que me tornaram possível viver por aqui?
Será que estive antes no coração de meus pais
Que tudo estava combinado previamente
Que para esta dimensão eu viria
E que teria por aqui um trabalho a fazer?
Seria muito pensar que me materializei nesse plano
Para tornar real o amor de um alguém?
Seria muito imaginar que esperam algo de mim
Que me “vigiam” o existir e o fazer
Na esperança de que eu caminhe sempre para e pelo bem?
Sendo assim, seria muito pedir
Que me perdoassem os atos falhos
Os caminhos sem saída que peguei
As trilhas com inúmeras bifurcações que me enveredei
A luz que outras vezes ignorei?
Seria muito pedir, a quem sonhou comigo
A quem permitiu meu existir
Que estivesse sempre a meu lado
Levando-me pelas mãos para o melhor caminho
Que não me permitisse fugir
Orientando-me com palavras de doçura e carinho
Alertando-me aos buracos nas vias existenciais
Preparando-me para o porvir
Dando-me colo, atenção, amor?
É que pareço forte, sabe
Mas, a verdade, é que tantas vezes só quero um pouquinho de colo
De apoio e da certeza de que não estou só
Seria muito pedir?
Alda M S Santos

Toma lá, dá cá!

TOMA LÁ, DÁ CÁ!

Seria bem matemático se a vida fosse assim
Um toma lá, dá cá, noves fora, equacionar, enfim
Mas não sou tão adepta das Ciências Exatas
Sou da área de humanas, nem sempre tão sensata

Prefiro lidar com sentimento, emoção
O que ofereço aqui não precisa reposição
Se o bem fluir livre para outro alguém
Estarei feliz desse jeitinho também

Fico pensando se Deus fosse assim tão matemático
Em sua avaliação fosse tão exato e prático
Se quisesse nos cobrar na ponta do lápis o que ofereceu
Será que a conta bateria certinho, seu Dirceu?

Gosto de ser assim: o que tenho me foi doado
Veio da Criação, até mesmo o que foi conquistado
Se puder fazer melhor a vida de outro ser humano
Penso que estarei realizando algo bom nesse plano

Alda M S Santos

Não tenho medo

NÃO TENHO MEDO!

Não tenho medo da morte
Tenho medo de viver sem norte
Não tenho medo de enfrentar o fim
Mas tenho medo de me perder de mim

Não me amedronta a vida do outro lado
Mas me assusta não a ter aproveitado
Tenho medo de sofrer ou machucar alguém
Mas o medo pode me paralisar também

Tenho medo de uma vida sem propósito
De fazer dessa viagem só um depósito
De coisas e mais coisas conquistadas
Sem perceber as almas abençoadas

Temo um viver sem que e nem pra quê
De não saber realizar o que vim fazer
Não tenho medo de não ser valorizada
Sei que estou por Ele bem assessorada

Alda M S Santos

Tenho você!

TENHO VOCÊ!

Não estamos sós nessa viagem
Em cada tempestade, em cada estiagem
Posso sentir você a me acolher, me abraçar
Dando- me as mãos, não me deixando naufragar

Não estamos sós nessa vida
Tantas vezes dolorida, sofrida
Em cada gesto de dor, de amor, de carinho
Sei que foi você que me enviou cada anjinho

Não estamos sós nessa nossa jornada
Escolhemos estar aqui enfrentando toda invernada
Ainda que tanta maldade esteja disseminada
Sinto que tenho você, não estou desamparada

Não estamos sós nessa trilha, nesses caminho
Ainda que às vezes me isole e vá chorar num cantinho
Posso sentir com força seu amor, seu abraço
Dizendo “sei que dói”, e juntando meus pedaços

Definitivamente, não estamos sós! Gratidão!

Alda M S Santos

Digo sim, digo não!

DIGO SIM, DIGO NÃO!

Digo sim para um dia bonito e ensolarado
Abro-me para a vida, para um mundo  abençoado
Digo sim para cada trilha do caminho
Torcendo que seja acompanhada, nunca sozinha

Digo não para o que machuca meu coração
Para o que é maldade, falsidade ou desunião
Digo não para qualquer tipo de desumanidade
Afasto de mim o que não agrega, não quero em minha realidade

Digo sim para o amor, para a amizade
Para os abraços quentes, carinho de verdade
Digo sim para a beleza e leveza da natureza
Essa magia que devemos cuidar com delicadeza

Digo não para a revolta ou pessimismo
Digo sim para a fraternidade, companheirismo
Digo não para a dor, qualquer extremismo
Digo sim para Deus, minha fonte de otimismo

Alda M S Santos

Re(encontros)

RE(ENCONTROS)

Fico encantada com os (re)encontros que a vida permite
Aqueles que você pensa: teve a mão de Deus aqui
Não é simples coincidência, é Jesuscidência
Reencontros de almas, de outras fases desse existir
Ou até mesmo de outras eras, vale investir
Parece que a vida tem um belo propósito por aqui
A Terra vai girando e tudo se encaixando
Como uma grande nave girando no espaço sideral
Em cada lugar ou momento vai possibilitando algo especial
Encontros que irão fazer a diferença na vida de alguém
Alguns curtos, outros longos, se eternizando também
Cada pessoa que a vida me permite encontrar
Aprender, ensinar, trocar, amar
Procuro refletir; não existe coincidência ou acaso
Quero aproveitar o que puder, não sei qual o prazo
Uma coisa é certa: a vida se encarrega de unir
Aquilo que tem algo bom para juntos construir
Por alguns momentos ou por todo o existir

Alda M S Santos

Em busca do mar

EM BUSCA DO MAR

Como um rio que nasce na serra
Apenas um olho d’água que flui, não erra
Sigo meus caminhos em busca do mar
Sem saber o que irei enfrentar

Haverá dias de calor, seca e solidão
Em meio a matas, perdido em escuridão
Mas a certeza de ir em busca do destino
Afasta as angústias, os medos, os desatinos

Haverá dias de intensas tempestades
Misturado a tanta coisa quase perde a identidade
A visão do mar mantém a força e coragem
De não desistir ou estacionar em qualquer paragem

Como um rio sigo, ora forte, ora frágil
Tentando respeitar meu ritmo lento ou ágil
A visão do oceano deve instigar, animar
Não a ponto de tirar o prazer do agora, de aqui desbravar

Alda M S Santos

Não combinam

NÃO COMBINAM

Há coisas que não se encaixam, não combinam
É preciso esforço para ver se se acertam
Praia e chuva pedem uma dose extra de coragem
Lua e estrelas sem um amor parecem bobagem

Cachoeiras e rios que não chegam ao mar são desperdício
Ausência de humor, muita pirraça são na vida mau indício
Sol sem alegria, sem animação é  bobagem
O vento que não leva o negativo é só friagem

Vitória com preguiça é embromação
Amizade com mentira é decepção
Amor sem parceria, com mentira é solidão

Gaiolas e asas são um insulto à liberdade
Sorriso que não chega aos olhos é falsidade
Amor sem acolhimento, não é alimento, não é de verdade

Alda M S Santos

Tudo pode acontecer

TUDO PODE ACONTECER

O mundo segue girando no espaço
Ora seguimos firmes, ora fora de compasso
Cansa-nos tantas vezes algumas expectativas
Quando sabemos de tantas negativas

Tanta dor, tanta desumanidade
Mas tudo pode acontecer, na verdade
Para aquele que crê que tudo se constrói
Cada ato é importante, nem precisa ser herói

O amor sempre pedirá por reciprocidade
Compaixão, carinho e bondade
Como um sol se pondo na serra
Amar é certeza de que a vida não erra

Tudo pode acontecer nessa viagem
Aqui viemos para lutar com coragem
Nunca desistir deve ser nosso maior lema
E buscar nossa poesia, o amor como tema

Alda M S Santos

Não é preciso!

NÃO É PRECISO!

Não precisa ser o primeiro a romper a fita da chegada
Basta manter a disposição após a largada
Não precisa estar no alto do pódio
Basta que esteja feliz, na paz, sem ódio

Tantas vezes entramos em infrutíferas disputas
Aquelas que machucam, não valem tanta luta
Não preciso competir com meu semelhante
Quero estar melhor que eu mesma a cada instante

Há tantas necessidades que não são prementes
Não podemos ficar delas dependentes
A vida pode ser mais leve, mais feliz
Se conseguirmos ouvir o que a alma nos diz

Corpo e coração têm algumas vontades urgentes
A mente vai dando o equilíbrio, sendo inteligente
Essa balança precisa estar em equilíbrio pra não tombar
Assim nossa vida tem mais sorrir, menos chorar

Alda M S Santos

Deixa rolar

DEIXA ROLAR

Não se perturbe tanto
Com aquilo que atormenta
Machuca, fere
Deixa rolar
Logo vai passar…

Não se vanglorie tanto
Com aquilo que é bonito
Encanta, alegra
Deixa rolar
Isso também vai passar…

Não se torture tanto
Com aquilo que parece não ter fim
O bom, o mau, o saudoso
Deixa rolar
Logo irá passar…

Entre começos e fins
Angústias e recomeços
A vida segue infinita
Deixa rolar
Ela sempre irá para onde tem esperança e gente bonita…

Deixa rolar…

Alda M S Santos

E se…

E SE…

E se a vida nos ditasse melhor o compasso
Que talvez aquele fosse o último abraço
Como seria, teria feito diferença
Saber que não haveria mais aquela presença?

E se fosse a última noite, o último sono
Sem imaginar que o amanhã não teria dono
Um beijo quente, um amor envolvente
Haveria despedida mais eficiente?

Tantas possíveis últimas vezes vivemos
Sem imaginar a que sobrevivemos
Gostaria de me alongar mais nos momentos
Poder me demorar no que traz contentamentos

E se fosse o último sorriso, o último olhar
Quero abraçar forte, descansar nesse lugar
E se fosse por aqui a última, a derradeira luta
Peço a Deus que tenha sido válida tanta labuta

Alda M S Santos

Não me cabe

NÃO ME CABE

Nessa caixa não me cabe
Não é que eu não seja flexível
É que ela tende a me moldar
Colocar num padrão que me machuca
E que não vai me agradar

Nessa caixa não me cabe
Dobra daqui, dobra dali
Tira um pedaço desse lado
Aperta o outro, transfere de lugar
Até eu não mais me identificar

Nessa caixa não me cabe
E mesmo se coubesse eu não gostaria
É que prezo a liberdade de ser o que sou
Colocar-me ali me mataria

Nessa caixa não me cabe
Não sou boneca para viver em caixa, preciso de ar
Prefiro jardim, mata, rio, mar ou cachoeira
E assim quero viver a vida inteira…

Alda M S Santos

Pela raiz


PELA RAIZ

Se queremos manter, cuidamos da raiz
Isso todos sabem, até um aprendiz
Se desejamos que cresça irrigamos
Tratamos com carinho, adubamos

Se é flor a gente trata com jeitinho
Fica junto, admira, abre caminho
Se é erva daninha arrancamos de vez
Antes que estrague o canteiro, seria estupidez

Vale para plantas, gente, emoções
Não vale cultivar certas situações
Sob pena de apertar grilhões

Viemos munidos de sabedoria
Utilizar faz bem, gera alegria
Desatenção só traz desarmonia

Alda M S Santos

Um viver morno

UM VIVER MORNO

Um mundo densamente povoado
Há gente de todo tipo, para todo lado
Tem para todos os gostos e preferências
Mas nunca houve tanta solidão e negligência

Gente que não se demora num olhar
Gente que já não sabe mais abraçar
Gente que tem pressa de chegar
Sem saber sequer aonde vai parar

Gente que busca uma conexão qualquer
Não se identifica o que a alma requer
Gente que anda carente de colo e atenção
Do ombro, da palavra ou do silêncio irmão

Um mundo de várias pessoas no entorno
E tanta gente nesse viver morno
Falta calor humano, amor de verdade
Ganhar tempo é perder em humanidade

Alda M S Santos

Jeito de olhar…

JEITO DE OLHAR

Um passo atrás pode ser avançar
A tempestade pode vir para limpar
A queda pode ensinar a levantar
O vendaval pode colocar as coisas no lugar

Tudo depende do jeito de olhar

Chorar ensina a valorizar o sorriso
Medo e inércia nem sempre são coisas de indeciso
Talvez seja um modo de usar o perigo
Para encontrar melhor abrigo

Tudo depende do jeito de olhar

Solidão nem sempre é ausência de companhia
Talvez seja escolha de pessoas
Que usam de muita sabedoria
Ao não insistir em buscar no outro
Aquilo que encontram em si mesmas: paz e sintonia

Tudo depende do jeito de olhar

Preta, branca, cinza ou multicor
A vida sempre será uma tela
Para artistas que pintam com estilo e amor
E usam a paleta preferida para torná-la ainda mais bela…

Tudo depende do jeito de olhar
Do jeito de a vida encarar …

Alda M S Santos

Tanta gente…

TANTA GENTE…

Tanta gente ferindo seu irmão
Tanta gente que não se importa com o coração
Tanta gente que quer ter sempre razão
Por vezes é difícil seguir com determinação

Tanta gente por aí na falsidade
Batendo forte, sendo maldade
Será que há gente que seja bondade
Que, sem egoísmos, saiba ser humanidade?

Tantos podem ser os momentos cinzentos
Tantas feridas rondando os pensamentos
A mente vaga em busca de uma boa lembrança
Bem colorida e brilhante que desperte a esperança

A vida é feita de cores, de flores
Perfumes e odores, tantas dores e amores
Nesse caminho a gente escolhe o que priorizar
Sempre escolherei ficar no amar

Alda M S Santos

No automático

NO AUTOMÁTICO

Nada mais cansativo, tenso e doloroso
Que viver no automático, no modo tedioso
Não há escolhas, opções, há imposição
Das coisas da vida que não geram emoção

A vida requer envolvimento, prazer
Simpatia,  empatia em tudo que for fazer
O desejo de se entregar, se envolver
Faz tudo ter significado nesse viver

Quando a alma não se sensibiliza
Parece anestesiada, robótica, não verbaliza
É chegada a hora de ligar o vitaliza

Sem redundância, viver é um presente de amor
Mas se não há alegria, conversemos com o Criador
Busquemos no Alto, em nós mesmos, mais disposição e calor

Alda M S Santos

Perguntas…respostas?

PERGUNTAS… RESPOSTAS?

O que fazer para não nos machucar
Ou se isso acontecer, como parar de chorar
Uns com tanto, outros na necessidade
Será que dá para ter um pouco de felicidade?

Dois mil anos é há quem acredite na guerra
Doença, maldades e mortes assustam na Terra
Será que há um espaço além do espaço sideral
Que possa ativar nosso lado menos animal?

Viver cansa, dói, fere, alegra, dá prazer
Um vai e vem frenético sem saber quando irá acontecer
Aquele momento que nos levará embora, interrupção fatal 
Para onde será que iremos, afinal?

São tantas as perguntas nessa vida de labuta
Tantas coisas a nos deixar de calça curta
Qual o sentido disso tudo, meu Deus?
A pergunta não cala, mas é melhor confiar nos desígnios Seus

Alda M S Santos

Fim

FIM
Do princípio ao fim
Ou do fim ao princípio
Tantas questões dentro de mim
Chego só, volto só
Enfim, qual é o propósito
Disso tudo, Serafim
Será o fim?
Aterrisso sem nada saber
Tenho tanto ainda para aprender
E já começo a voltar
Para casa regressar
Perco a mobilidade, a habilidade
A memória e, por vezes, a consciência
Não é uma incongruência
Disso tudo, Serafim?
Tudo que amealhei por aqui
Não mais me pertencerá
O que me acompanhará é aquilo que ganhei ou perdi
Conquistei ou doei, e que poderei também deixar
Com quem esteve comigo do princípio ao fim
Chego nua, volto vestida de Lua, perfume de jasmim
Várias fases, brilho e luz…
Um ciclo que se fecha em mim e me conduz…
Alda M S Santos

Os versos que te dou, vida!

OS VERSOS QUE TE DOU, VIDA

Gosto de observar o que você me traz
O que me dedica, o que me apraz
Cada detalhe oferecido é importante
Me anima, me ilumina, me faz seguir avante

Acreditar em mim, na minha capacidade
Isso me faz feliz de verdade
Prende-me em laços fortes e bonitos
Mas que me permitem ir e vir, sem atrito

Escreve em mim uma bela poesia
Desenhada na pele delicadamente, muita magia
Cantada no coração, na alma, pura sintonia

Vida, um pouco de mim quero sempre te oferecer
Falados, calados, inspirados vou escrever
Os versos que sempre te dou para nunca esquecer

Alda M S Santos
Mais DEPOIS DO PÔR DO SOL

Depois do pôr do sol, o que há?
Haverá algum lugar bom para amar
Onde ninguém vá importunar
E nada faça para decepcionar?

Que há além do pôr do sol?
Desejos secretos a saciar
Com alguém que valha a pena amar
Devagarinho, feito poesia a alma perfumar?

Além do pôr do sol eu sei o que há
Há sonhos, esperança e magia
Aquela que encanta e traz alegria

Além do pôr do sol há barulho, há silêncio
Há a energia que vem de nós dois
Num amor que não se deixa pra depois

Alda M S Santos

Encontros e conversas

ENCONTROS E CONVERSAS

Fico imaginando ao ler coisas minhas antigas
Será que se me encontrasse com meu eu do passado
Haveria paz, harmonia, alegria… ou brigas?
A mulher que já foi menina, moça, se sentiria contemplada?

Minhas atitudes despertariam orgulho
Ou me causariam no estômago um embrulho
Teria a noção de tempo bem aproveitado
Ou que tudo nesses anos foi desperdiçado?

Abraçaria com carinho aquela menina
Que a doce alegria e lembrança me fascina
A moça que seguiu bravamente sua sina
Teria espaço na mulher que hoje ensina?

Sei que seria um encontro intenso
De lágrimas e sorrisos, consenso
Uma coisa posso afirmar, eu confesso
Valeu cada momento do viver: professo

Alda M S Santos

Vergonha de ser gente

VERGONHA DE SER GENTE

Tantas vezes tenho dessa humanidade uma danada vergonha
Essa impunidade e injustiça dolorosa e enfadonha
Gente que ainda acredita que pode se matar
Por qualquer motivo parte para o guerrear

De que nos vale o título de racionais
Se o que fazemos nos torna piores que animais
Por um pedaço de terra, petróleo ou religião
Acabamos em lutas de morte com nosso irmão?

Já são mais de dois mil anos que Ele se fez humano
Para nos mostrar um viver mais leve, menos insano
Esteve entre nós, ensinou o amor como caminho
O que ficou em nós desse especial carinho?

Vejo nações e  povos matando, tendo supremacia
Adultos, crianças e idosos em total arrelia
Fuga, fome, dores, diversos males e feridas
A amorosidade sendo cada vez mais preterida

O que será preciso para o ser humano aprender
A Terra ir pelos ares, desaparecer?
Talvez haja um planeta melhor, mais acolhedor
Quero estar onde reine verdadeiramente o amor…

Alda M S Santos

Dentro de cada coração

DENTRO DE CADA CORAÇÃO

Feche os olhos, busque uma postura confortável

Acomode o corpo como se sentir melhor

Inspire bem fundo, sinta o poder do oxigênio

Chegando a cada extremidade de seu corpo

Braços, mãos, pernas, pés, coração

Expire lentamente, inspire novamente

Em seu ritmo, profundamente, sinta a vida em suas veias

Imagine-se num lugar bonito, calmo, onde queira estar

Sente-se lá, sinta a brisa na pele, o arrepio gostoso, a água refrescante

O calor do sol, o brilho da lua ou as ondas do mar

Não importa! Traga para dentro de si toda a beleza desse lugar

Inspire, expire, inspire, expire, inspire, expire

Deixe o coração pulsar, coloque aí do lado esquerdo sua mão

É vida! Vida que brota em cada poro, sem senão

Ela é um presente que recebemos gratuitamente

Vamos cuidar! De nós, dos outros, vamos solidarizar!

E todo ato de amor tem onde brotar, onde começar

E é dentro de cada coração disposto a se doar

Sejam bem-vindos à vida! Vamos solidarizar?

Alda M S Santos

Vou insistir

VOU INSISTIR

Vou insistir na vida, não posso desistir
Foi-me dada, não sei se fui eu que pedi
Na dúvida, sei que preciso seguir
Até onde, sei não, ainda irei descobrir

Vou insistir, pode haver luz e escuridão
Mas posso pedir e estender a mão
Quando doer vou chorar, vou desabafar
Vou encontrar um colo para me aconchegar

Vou insistir e, se possível, ao cair vou sorrir
Da situação, do outro, de mim, deixar fluir
Mesmo que pareça que estou só
Se tiver a mim mesma desfaço qualquer nó

Não vou desistir, não quero essa opção
E não basta só sobreviver, quero amor, emoção
E quando tudo parecer que chegou ao fim
Ter a ousadia de dizer que “valeu” para mim

Alda M S Santos

Amor, meu guia

AMOR, MEU GUIA

Não busco muito por aqui nesse mundão
Mas só é válida uma vida com emoção
Busco amor, ardor, uma dose extra de carinho
De fazer vibrar o coração com muito jeitinho

Amor pelos encantos da natureza
Amor por tudo que há de beleza
Amor pelas pessoas, pela humanidade
Amor que se intensifica com a idade

O amor é meu único norte
É ele que sempre me dá suporte
Mesmo que doa, ele me faz forte

O amor é minha luz, meu guia
Amor todo o tempo, de noite ou de dia
Sem amor, certamente eu nada seria

Alda M S Santos

Um bom motivo

UM BOM MOTIVO

Sempre estamos em busca de um bom motivo
Um jeito de ser e fazer mais assertivo 
Algo que nos instigue a seguir em frente
Sem tanto impedimento na vida da gente

Há coisas que nos magoam e entristecem
Pessoas e situações que nos enfurecem
Ótimo seria tornar bom qualquer motivo
Simplesmente usar tudo como incentivo

Se é dor ou mágoa, deixar a correnteza levar
Permitir que o vento traga o novo para animar
Bons motivos de vida somos nós que criamos
Se não ficamos inertes, não estacionamos

O que se nota com o tempo tão claramente:
Ficar preso ao que fere é contraproducente
Quando se assusta a vida já foi embora
Com ela o momento de ser feliz, a nossa hora

Alda M S Santos

Há gente assim…

HÁ GENTE ASSIM…

Há gente de todo tipo nesse mundão
Há gente luz, há gente escuridão
Há gente que briga, outras que dão a mão
Há gente que é separação, outras união

Há gente que é lágrima, gente sorriso
Gente que é força, gente fragilidade
Gente que é medo, gente que é coragem
Gente que foge, gente que segue viagem

Há gente que que é peso, outras leveza
Gente que é feiúra, outras beleza
Há gente que é amor e doação
Gente que é descaminho e perdição

Há gente de todo tipo por aqui, incrível
O que nem sempre é tão perceptível
É que todas elas podem fazer morada
Dentro de nós mesmos em diferentes jornadas

Alda M S Santos

Viver pode ser difícil

VIVER PODE SER DIFÍCIL

A vida em si carrega tantos desafios
Muitos deles que angustiam e chacoalham nossos brios
Um mexer e remexer com a vida e a morte
Transitando nesse caminho em busca de luz, de sorte

Tantas vezes queremos brecar, botar um freio
Ou nos livrarmos de algumas prisões, anseios, arreios
Quisera que só conseguíssemos ver belezas
Ah, mas não… também há tanta tristeza!

Percebemos que a vida pode ser bem ferina, dolorosa
Mesmo quando se parece delicada e suave como uma rosa
Sentimos tanta falta de poder expressar tudo isso
Desmembrar esses sentimentos que parecem algo maciço

Ver no outro, sentir nele a compreensão
Sabendo que também  é outro humano onde bate um coração
Percebemos que por aqui tudo é mais difícil na solidão
Faz falta ter com quem partilhar tanta emoção

Somos seres humanos, carregamos essa condição
Por que é tão difícil, então, equilibrar o coração e a  razão?
Será que fica mais fácil se todos nos dermos as mãos?
A vida para se manter pede mais empatia e união…

Alda M S Santos

A TELA DA VIDA

A TELA DA VIDA

A vida, por vezes, é composta de cor, brilho, traços definidos
Noutras tudo parece escuro, fosco, descolorido
Algumas vezes há nitidez, clareza de informações
Noutras, só um esboço, traços confusos ou borrões

Parece que recebemos tela difícil de pintar
Nossa arte dá a impressão de não ter lugar
Misturamos cores, mas nossa paleta é pobre
A crítica é cruel, machuca, não é nada nobre

A chuva tem hora que não refresca, assusta
O Sol não aquece, não acalenta, frustra
As amizades não acolhem, falta calor
Os amores não satisfazem, falta ardor

Buscamos um lindo e brilhante painel
Tão rico e salpicado de estrelas como o céu
Seja noite ou seja dia tem sua beleza
Será difícil encontrar em nós essa riqueza?

Alda M S Santos

Faz falta na vida da gente…

FAZ FALTA NA VIDA DA GENTE…

O que faz falta na vida da gente
Que dói se estiver ausente
Aquilo que deixa a alma carente
E o coração parece que fica dormente?

Faz falta um sorriso, a fantasia
Um abraço apertado, carregado de magia
Um Sol quente que renova a vida todo dia
A chuva que faz brotar a semente da alegria…

Faz falta na vida da gente a fé na Criação
Em algo maior para depositar nossa gratidão
Deixa-nos vazios a ausência de perseverança
Faz a vida parecer inócua, sem esperança

Faz falta ter um alguém, família, amor, amigos
Não fomos feitos para estar por aí sem abrigo
Nossa melhor morada é dentro de um alguém
Faz falta sermos boa morada também

Alda M S Santos

Será que sou daqui?

SERÁ QUE SOU DAQUI?
Tantas vezes olho para cima
Um céu noturno, salpicado de estrelas
Uma lua de tantas fases e faces
Nuvens pesadas separando os mundos
Ou um lindo sol a uni-los
Um infinito de possibilidades
Uma via láctea ali estampada e convidativa
E sinto que não pertenço a esse mundo
Um mundo tantas vezes cruel e injusto
Desigual e repleto de males do corpo e da alma
Sinto que não sou daqui
Que há uma força a me atrair
Será que de lá eles olham para cá
E têm a mesma impressão?
Será que cada estrela não é um ente querido que se foi
Como falamos para as crianças?
Será que há uma porção minha do lado de lá
Que quer me levar embora daqui?
Ou sou eu que carrego comigo uma porção delas
E esteja querendo atraí-las para cá?
Será que temos algo a trocar, a compartilhar?
Sei que esse mundo é muito maior que isso aqui
E há muito a aprender, a ensinar
A pedir, a oferecer…
Quero voar, subir, encontrar com outros seres
Iguais ou não, encontrar com Ele
Correr sobre as águas, sentar num banco de nuvens
Bater um papo longo, receber um puxão de orelhas, talvez um colinho
Quem sabe assim a gente se complete
E construa um mundo mais justo
Lá e cá?
Sinto que não sou daqui
Mas enquanto estiver aqui tentarei fazer o melhor…
Alda M S Santos

O que realmente importa?

O QUE REALMENTE IMPORTA?

Tantas as pontes, tantas as travessias 
Tantos ganhos e perdas nessas trilhas 
O que realmente importa, que traz alegrias? 
Será quanto vale ter uma casa onde morar 
Vale tanto quanto ser para todos um abençoado lar? 

Será que vale muito ter carro novo, um meio de transporte 
Ou vale mais seguir sem perder nosso norte? 
Será qual o valor de ter um emprego cobiçado 
Seria melhor fazer algo prazeroso, ainda que mal remunerado? 

Qual a importância de se sentir belo e inteligente 
Se isso nada de bom trouxer para a vida do outro, da gente? 
Qual o valor de ter saúde e muitos dons, ser habilidoso
Se não souber aproveitar e fazer disso um uso duvidoso 

Vale muito ter muitas coisas, várias conquistas, bom coração 
Mas nada se compara ao prazer de partilhar essa emoção 
É bom ter muitos amigos, vários alguéns, ser admirado, admirar 
Mas nada vale mais que ter alguém real para amar

O que realmente importa por aqui? 
Vale lembrar que nada levamos para a eterna morada 
Importa mesmo é o que de marcante em cada alma for deixada 
No mais é perda de tempo, é jogar fora uma vida que nos foi dada

Alda M S Santos 

Quando a vida escurecer

QUANDO A VIDA ESCURECER

Quando parecer não haver mais caminho
O mato tomar conta das trilhas, sentir-se sozinho
Quando o Sol lá fora não nascer, o interno esfriar
Urge fazer brotar a esperança, o mundo não pode acabar

Quando as lágrimas ocuparem todo o espaço
Embaçando o olhar, nublando, na alma um inchaço
É preciso se abrir para o sorriso que se apresentar
Nosso rosto pode ser para ele um bom lugar

Quando a chuva for o que o dia oferecer
E buscarmos proteção, fugir, correr
Bom seria uma nova avaliação dessa situação
Talvez dançar nela seja o que precisa o coração

Quando parecer que a dor tomou conta
Tudo que acontece parece ser à vida uma afronta
Necessário é rebater e fazer eco ao amor
Um fiozinho dele só, pode alastrar em nosso interior

Quando a vida se fizer noite, escurecer
O desejo for de desistir ou se recolher
Que possamos nos cobrir com um grande manto
Um edredom de Lua e estrelas para acalmar nosso pranto

Alda M S Santos

Até à Lua

ATÉ À LUA…

Tantas vezes dá vontade de ir, só ir…
Sempre em frente em busca de outra gente
Que não faça tanto pouco caso uns dos outros
Que não faça tanto barulho por nada
Ou silencie, se omita quando é solicitada
Que não guerreie, não despreze, não mate
Desejo de ir em busca de novo astro, novo planeta
Quem sabe uma Lua não nos dê na veneta?
Se muito refletir, será que veremos valor por aqui
Será que há esperança nos humanos tão desumanos?
Fica a questão: qual parte me cabe nessa mudança?
A natureza sendo destruída, cidadão que nem liga
Tanta desigualdade material, emocional, moral
Cada qual lutando suas batalhas internas sem ver o essencial:
Qualquer luta fica mais fácil quando saio do meu pedestal
Quando dou as mãos, olho para o outro e me vejo ali
Como um alguém que deseja crescer
E fazer valer por aqui esse viver
A Lua está logo ali, parece que me chama
Digo a ela: ainda não! – ela não reclama
Mas somos parceiras, ela me ouve, me entende, me espera
Qualquer hora daremos juntas início a uma nova era
Enquanto isso eu sonho… e sigo…

Alda M S Santos

Telepaticamente

TELEPATICAMENTE

Tenho vontade de me conectar telepaticamente
De longe ou de perto me unir doce e delicadamente
Uma magia entre várias mentes e emoções
Sendo capaz de agir e produzir  boas sensações

Se isso um dia fosse possível nesse plano
Essa conexão por amor e paz entre humanos
O viver seria algo mais intenso, primoroso
O contágio do bem se alastraria, não sendo doloroso

Seria necessária uma densa e sutil barreira
Que não permitisse conectar o mal nem de brincadeira
Só seriam partilhados a luz, o amor, a união
O mais seria rompido na linha de tensão, corte de conexão

Quero fazer exatamente assim
Fechar os olhos e já me imaginar num suave motim
Quem sabe no silêncio do mar, das águas do oceano
Me unir em energia com quem deseje um mundo mais humano

Alda M S Santos

De braços abertos, sou namorada

DE BRAÇOS ABERTOS, SOU NAMORADA

Tento estar sempre de braços abertos
Expectativa de ter coisas boas por perto
Não me faço de rogada ou acanhada
É um pedido à vida, dela sou namorada

Braços estendidos em louvor, em admiração
São, muitas vezes, uma prece, pura gratidão
Olhando para o alto, para Deus. para a Criação
Sou submissa, aceito qualquer situação

Braços abertos são por aqui um estar disponível
Ser ombro, ser colo, estar acessível
É preciso coragem para acolher com bondade
Aquele que vem ao abraço, é fragilidade

Braços abertos que transmitem leveza
Um acariciar da brisa, intensa natureza
Se pudesse faria deles grandes asas
E sobrevoaria cada canto, cada coração, alma em brasas

Alda M S Santos
Tarde de Poesias: De braços abertos

Bem assim…

BEM ASSIM…

É na tristeza que jogamos fora o que faz mal
É na ingratidão que selecionamos o que é real
É na solidão que nos encontramos conosco mesmos
É no desconforto que operamos as mudanças, ainda que a esmo

É no cansaço que aprendemos a desacelerar
É na falsidade que o  joio do trigo dá pra separar
É nas tempestades que encontramos melhores abrigos
É na angústia que podemos abraçar os melhores amigos

É na insuficiência que buscamos a excelência
É na dor que mais valorizamos o amor
É o frio que nos ensina a adequar o cobertor
É nos invernos que aprendemos a cuidar da flor

É na decepção que aprendemos a nos valorizar
Nem tudo que vem precisa o mal causar
O uso que fazemos de cada coisa, cada situação
É que permite nosso aprendizado, nossa evolução

Alda M S Santos

Salvador

SALVADOR 

Tão bom quando sentimos que mesmo em momentos de solidão 

Quando as coisas estão bem, dando certo ou não

Naqueles instantes em que queremos atrair só boa sensação

Inspirar, expirar, fazer pedidos, receber bênçãos, ser gratidão 

Há lugares em que sentimos mais de perto a presença do Salvador

Espaços em que Seu cuidado está carregado de amor 

Não sei se já está em nós essa capacidade e percepção

Ou se é mesmo o exterior que cutuca o bem do interior 

Gosto de saber que há um alguém sempre presente

Ter a firme convicção que Ele cuida da vida da gente

Podendo ativar nossa esperança e, em passos firmes, seguirmos em frente

Gosto de sentir a presença do Salvador

Em Salvador ou em qualquer outro lugar em que haja amor…

Alda M S Santos 

PAZ!


PAZ!

Nada mais é preciso querer ou pedir
Boiando de forma tal, deixando a magia fluir
É natureza, é maravilha, é energia, é paraíso
É entrega total, é quase insanidade, é perda do juízo

Sou ilha, sou água, sou bicho, sou céu e mar
Para todo lado que se olhe é Deus a falar:
Criei tudo que há, tantas coisas belas
E você sabe, filho meu, tu és uma delas

Faço da vida um instante infinito de brincadeira
Ora sou criança levada, sapeca e arteira
Ou sou mulher de fases, ora carente, ora namoradeira
Tentando fazer dessa viagem uma eterna saideira

O mundo parece distante com suas mazelas
Voltar para onde, se tenho tão linda aquarela?
Quero ficar aqui, abrir todas as janelas
Será que é possível…agora é que são elas!?

Alda M S Santos

Cadeia alimentar

CADEIA ALIMENTAR

Vamos desconsiderar a cadeia alimentar
Onde um ser vivo use um ao outro para se alimentar
Que comemos uns aos outros até por diversão
Será que seria diferente nossa relação?
Haveria mais confiança e harmonia?
Talvez na Terra não houvesse tanta arrelia
Se alimento estivesse à disposição
E a vida acontecesse à nossa revelia?
Será que poderíamos nadar com os peixes
Voar com os pássaros, correr entre leões na selva
Até mesmo entre nós humanos haveria mais amor, emoção
Sem ter que estar com medo de virar um prato de refeição?
Sei que gosto de estar entre os animais
Não me causam medo, vejo como especiais
Apenas lindas e diferentes espécies naturais
Será que um dia todos conseguiremos
Viver por aqui sem nos devorarmos, evoluiremos?
Ou Deus nos fez assim mesmo
Para sermos alimentos uns para os outros
E seguir a cadeia alimentar a esmo?
Sei lá… gostaria que fosse diferente…

Alda M S Santos

Não tem idade

NÃO TEM IDADE

Há coisas que se deterioram com o tempo
Outras que melhoram com o passar dele
Há também aquelas que são atemporais
Passe o tempo que passar mantêm-se naturais
A saúde costuma fragilizar-se com a idade
O amor verdadeiro se fortalece com o decorrer do tempo
A poesia é atemporal… sempre será bela e natural
Será que podemos compartilhar essa realidade
Com poetas e poetisas de verdade
Deixar que cada um que registra em versos essa magia
Possa também se eternizar em alegria
Sendo atemporais como a poesia?
Só um pequeno pedido
De uma poetisa ao mundo mágico da fantasia…

Alda M S Santos

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