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poemas e reflexões da vida cotidiana

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Vida

Eu gosto

EU GOSTO

Gosto de quem acredita que vale a pena
Não é superior, nivela, mantém a alma serena
Que sabe ser aconchego, acolhimento
Não desvaloriza dor, não desfaz do sofrimento

Gosto de quem sabe ser afeto, ser calor
Demonstra isso em atos e palavras com ardor
Esse mundo anda tão sem sentido, doloroso
Urge ser colo, ser abraço, ser amoroso

Gosto de quem sabe gostar, não machucar
Sabe compreender, ajudar, sem julgar
Gosto de gente que sabe ser gente, mesmo ao errar

Gosto de aprender com nossa humanidade
A cada passo ou descompasso ser verdade
Gratidão, liberdade, lealdade e simplicidade

Alda M S Santos

Põe na conta

PÕE NA CONTA

Aquele sorriso amarelo e sem graça
Aquela angústia que machuca e o peito amassa
Aquele arrependimento e vontade de chorar que não passa

Põe na conta das tristezas que nos fazem crescer

Aquele sol que nos acorda com alegria
Acompanhado de um beijo de bom dia
E de um café quente que anestesia

Põe na conta dos encantos que nos fazem florescer

Aquele sonho bom do qual não queremos acordar
Aquela lembrança ou saudade gostosa que nos faz vibrar
Aquele abraço e cuidado que só o amor é capaz de proporcionar

Põe na conta das esperanças que nos fazem viver…

Alda M S Santos

Espaços em branco

ESPAÇOS EM BRANCO
Ninguém precisa ter todos os espaços preenchidos
Ninguém precisa preencher “falhas” dos outros
Ou ter todos os seus “quadros” pintados
Precisamos de telas em branco
Para fazermos dia a dia nossa obra de arte
Todos nós necessitamos desse espaço livre dentro de nós
Para que haja oxigenação, livre transitar
Para que a imaginação cresça, o amor floresça
Para que a luz penetre, aqueça
Para que não soframos de excessos
Para que encontremos aquilo que procuramos
Para podermos acolher o que nos fizer crescer
Para que as emoções possam livremente se expressar
Para que não se crie bolor por falta de uso
Tampouco grandes feridas por fricção e uso inadequado
Para que quando voltarmos para casa
Tenhamos usufruído de todas as nossas possibilidades…
Alda M S Santos

Uns e outros

UNS E OUTROS
Há quem prefira encurtar caminhos
Outros optam por alongar-se nas distâncias
Há quem prefira devorar um biscoito
Outros o degustam saboreando pedacinho a pedacinho
Há quem prefira tomar e levar
Outros preferem conquistar e serem levados
Há quem prefira ganhar no grito
Outros gostam da suavidade encantadora de um sorriso
Há quem alce voos longínquos e inimagináveis
Outros preferem manter-se perto, não se afastar dos demais
Há quem prefira viver na segurança dos nados na superfície
Outros mergulham em busca de encantos escondidos
Há quem prefira ter fama, sucesso e veneração alheias
Outros contentam-se em não perder a própria admiração
Há uns e outros…
Todos lutando por um espaço!
Alda M S Santos

A namorada

A NAMORADA

Ela pode ser doce, meiga, linda, sedutora

Se apresentar nua, vestida, colorida, tentadora

Chegar de mansinho ou de supetão

Mas nunca irá te deixar na mão

Se você souber dela cuidar

Nunca irá se decepcionar

Pode ser sério ou com ela brincar

Sorrir, correr, se cansar, chorar

Mas jamais deixe de namorar, de amar

Se quiser ter um belo amor por toda a vida

Não fuja, seja verdadeiro, corajoso

Ela é valente, corajosa e boa de briga

É a namorada encantada, amada, querida

Não a perca, seja atraente, envolvente

Abrace forte sua namorada, confie

Aceite-a como ela é, deixe-se levar

Apaixone-se por ela todos os dias

Namore muito, namore com a vida…

Alda M S Santos

No pé

NO PÉ

Quero colher o que a vida oferecer
No momento certo, quando amadurecer
Ela tem sua hora, seu próprio tempo
Não adianta apressar, gera contratempos

Saberei o que fazer na hora apropriada
Há tempo para tudo, para cada jornada
Vou colher a fruta doce no pé
Serei feliz ao saboreá-la com boa-fé

Os sabores da vida são muito variados
Ácidos, amargos, doces ou salgados
A nós cabe escolher o mais adequado

Mas amor quase sempre é saboroso
É fruta boa em qualquer maturação
Agridoce, melado, até meio amargo, sabe ser gostoso

Alda M S Santos

Revelação

REVELAÇÃO
Quero revelar todas as fotos que minha lente captou
Nem sempre tão objetivamente assim
Mas capturadas todas elas em momentos de intensa emoção
Numas pode haver luz e escuridão
Noutras alegria, descontração
Pode haver talvez insegurança e tristeza no olhar
Desejo, tensão, atração no modo de me expressar
Podem ter sido registradas num instante de puro amor
Alguns talvez sejam apenas lembranças
Outros são as atuais andanças
E há ainda os que alimentam esperanças
De um viver sempre em evolução
Quero, preciso revelar todas essas fotografias em mim
Registradas nessa longa trajetória
É fazer delas um grande álbum, enfim
De uma vida, de luta, de história
Onde possa mergulhar numa tarde de nostalgia
E tudo reviver, aprofundando a magia
Quero revelar todas as fotos contidas na lente do meu olhar…
Alda M S Santos

Segue a rota

SEGUE A ROTA

Tantas vezes queremos deixar a vida escolher a rota, fazer o arco
Vontade de fechar os olhos, entrar no barco
Optar cansa, frustra, traz pesos e responsabilidades
Desejo de aguardar o que vier, entregar-me às novidades

Tipo o “deixa a vida me levar”, não quero optar
Quero brincar, passear, surtar, viajar, amar
Sem ter medo de não dar tempo ou do sonho acabar
Quero momentos lindos poder eternizar

Pode ser apenas um desejo de paz
Mesmo quando parecer coisa de gente maluca
Ou que tem preguiça, que não quer esquentar a cuca

Nesses momentos em que a vontade é de a vida entregar
Que sejamos raptados pelo amor, pelo bem
Que faça para nós aquilo que é certo, que convém

Alda M S Santos

Escuridão (Dueto Brasil e Angola)

ESCURIDÃO ( Dueto Brasil e Angola)

Eu me assusto e temo a escuridão
Ela faz ver o que assombra o coração
E esconde o que seria bonito para a emoção
Busco a luz para iluminar esse mundão

Busco eu aquelas estrelas
Para iluminar esse escuro,
Para haver um bom futuro
Para esse mundão ter uma boa explicação!

Quando me assusto com a escuridão
Fecho os olhos para o todo, busco a solidão
Assim vejo melhor meu interior
E de lá trago a luz para todo o exterior

Sim! Levo comigo aquela lanterna
Que brilha de forma eterna Eu não vou desistir , vou
persistir até conseguir
Vencer essa escuridão que aterroriza o meu coração

Alda M S Santos & Pe Dro

Canoa furada

CANOA FURADA

São tantas as canoas nas quais embarcamos nessa vida
Algumas por querer, por escolha, boa opção
Outras por não haver alternativa, imposição
E aquelas que parecem, na verdade, melhores do que são

Bem ou mal as canoas são transportes
Devagarinho, certo ou não, mostram-nos um norte
Mas todo cuidado é pouco com as canoas furadas
Elas podem nos fazer afundar e sofrer nessa jornada

Mau uso, super lotação, descaso ou abandono
Tudo isso pode quebrar ou furar a canoa
E fazer dessa nau uma viagem à toa

Quero uma canoa que seja forte para não me afogar
Que me leve a navegar, por aí passear, flutuar
E encontrar um bom cantinho, parar e amar…

Alda M S Santos

Ela exige

ELA EXIGE

Se eu quiserpreciso ir buscar
Não importa o tempo que irá levar
Cabe a mim a necessária dedicação
Todo desejo almeja sua realização

Na mente ele se constrói, pura imaginação
Se faz do alimento diário, da emoção
Aí você coloca amor, carinho, sedução
E está pronta a mesa, para degustação

A vida é mais feliz com nossas conquistas
Vamos aprendendo a ver caminhos, ler pistas
Para chegar ao topo é preciso ser otimista

Não culpar o outro, a vida, a situação
De cada um de nós ela exige aptidão
Usemos com equilíbrio razão e coração

Alda M S Santos

Pilotando

PILOTANDO

Quero sempre ser piloto de minha própria máquina
Sem medo, e nas estradas retas com boa visibilidade, acelerar
Com cuidado e firmeza nas curvas do caminho para não derrapar
Aproveitando a luminosidade natural para avançar
E nos espaços mais escuros parar e descansar
Não quero me deter diante de nada
Usar proteção boa, segura e adequada
Apenas avaliar e seguir minha jornada
Ser da vida uma boa e doce namorada
Dar umas caronas, levar amores e amigos
Eles fazem a travessia mais leve, são abrigo
Se a máquina der problema levo à oficina
Aquela que me faz refletir sobre os buracos nas trilhas dessa sina
Muitas vezes colocando mais amor como combustível
Após a grande largada parar só mesmo nos pit-stops
Trocar óleo, pneus, verificar freios, faróis
Até mesmo substituindo peças já avariadas
O que vale é seguir em frente até a chegada
Seja ela qual for…

Alda M S Santos

Ele nunca me abandona

ELE NUNCA ME ABANDONA
Ele é insistente, persistente
Não desiste, se intromete onde não lhe cabe
Mistura-se a situações complicadas, tristes
É invasor, arromba portas, faz barulho, acende a luz
Ou chega de mansinho, faz carinho, silencioso
Não gosta de lugares escuros,  mas nada teme
Caminha por espaços que desconhece
Algumas vezes é sapeca, fraterno, noutras, sensual
Ou ainda repleto de compaixão e amor
Às vezes parece arrastado, meio forçado, cansado
Mas nunca, nunca desiste, é sobrevivente
Nem sempre parece feliz ao espelho
Mas sabe que se não fosse por ele não haveria vida ali
Tampouco alegria nas vidas que acende quando se abre
Ainda que esteja umedecido pelas lágrimas
Ele não pode morrer nunca
Pois quando isso acontecer, levará consigo meu viver
Ele nunca poderá me abandonar
Ou sou eu que nunca poderei deixá-lo
Meu inseparável e amigo sorriso
Alda M S Santos

A porteira da vida

A PORTEIRA DA VIDA
Nem todo dia o sol brilha na minha janela
Muitas vezes não está convidativo lá fora
Não quero sair, não quero levantar, quero ficar aqui
Tentando encontrar a luz que falta lá fora
Num cantinho qualquer dentro de mim
Mexo, remexo, troco as coisas de lugar
Escorrego em lugares em que já caí
Retorno, choro, saio logo dali
Busco espaços onde o amor mantém a vitalidade
Alguns são só saudade, outros em plena atividade
Tropeço em gargalhadas, me aconchego em abraços
Refaço algumas trilhas, aperto alguns laços
Encontro com o que já deixou de ser, aceno em paz
Outros prefiro nem passar perto, cicatriz nova ainda
Rolo para lá e para cá, olho de novo a janela
Um solzinho sem vergonha ameaça aparecer
Quer saber? Vou ficar por aqui hoje…
Assim que estiver menos nebuloso faço acontecer
Acendo meu próprio sol, abro o sorriso
Visto- me de esperança, meu vestido mais colorido
E abro a porteira da vida, ela precisa ser bem vivida…
Alda M S Santos

Navegando

NAVEGANDO

Há três verdades irrefutáveis
Das quais não podemos abrir mão
O amor, a luz e a esperança são desejáveis
Essenciais na vida, em cada coração

São três que parecem um, na verdade
Quem tem amor tem os demais, tem felicidade
Luz e esperança em qualquer idade
Banham-se em rios caudalosos de bondade

Águas que vão e que vêm
Trocas de energia, o que de bom contém
Doce balanço, calor, alegria, vigor
Deitam-se em nós, desaguam amor

Navegando suavemente no rio da nossa alma
De matas ciliares  protetoras, acolhedoras
A vida se faz de desejos, vontades, sonhadora

Alda M S Santos

Lapidação

LAPIDAÇÃO
O que somos, aquilo que nos tornamos
Vem sendo em nós lapidado ao longo do tempo
A cada momento diferente do viver
Uma camada nos é acrescentada
Ou, diferentemente, uma nos é retirada
Nosso ser é uma joia que vem sendo lapidada
Vamos sofrendo polimentos a cada amargura ou decepção
A cada medo, perda ou frustração
A cada confiança quebrada ou partida
A cada tristeza profunda sofrida
A cada caminhar ou estrada pelo outro interrompida
Nossa cerâmica abre trincas, fendas, fragiliza
Nossa alma sofre, chora, parece ruir
Mas a cada amor ou amizade que se vive
A cerâmica brilha, a alma se alegra
Se reconstrói, se refaz, fica mais bela
Nova camada polida e brilhante aparece
Mesmo que ainda possa doer ou amargar
Ela enfrenta novamente o viver
Mais experiente, mais forte, nem sempre mais feliz
Mas mais preparada para sofrer menos danos
No próximo polimento, na próxima lapidação
Viver é parecer inteiro, é construir laços
A despeito da alma ainda estar em pedaços
Alda M S Santos

De pouquinho em pouquinho

DE POUQUINHO EM POUQUINHO

A vida vai se fazendo de pouquinho em pouquinho
Um sonho de cada vez, devagarinho
Vamos construindo nossos castelos
Alguns espaços nem serão tão utilizados
Servirão apenas para manter nossos guardados
Esperando o momento certo de serem ativados

De pouquinho em pouquinho vamos nos alegrando
Nossos jardins podando, cuidando, regando
Deixando entrar rosas por nossas janelas, perfumando
Fazendo brilhar em nós a intensa magia
Aquela que o sonho traz, doce fantasia
Aquecendo em nós a lembrança durante todo o dia

De pouquinho em pouquinho vamos descartando o que faz mal
O que apenas entulha nossa mente, nosso quintal
Aproveitando para mandar lixos embora junto ao vendaval
Acolhendo só o que é inteiro, traz calor, é especial

De pouquinho em pouquinho, passo a passo
Somos amor, dançamos no mesmo compasso
Repartindo a alegria, a harmonia, apertando os laços
De pouquinho em pouquinho abrimo-nos para a vida em potencial
Banhados em prazer, fazemos desse mundo um lugar sensacional

Alda M S Santos

A Chico e Francisco

A CHICO E FRANCISCO

Gosto de gente clara, transparente
Das quais sabemos o que esperar
São íntegras, leais, quase imponentes
Não se sentem superiores, sabem valorizar

Seu modo de agir é criterioso
Em todos os espaços são o bem
Em tudo encontram um jeito proveitoso
De não magoar ou ferir ninguém

Não há dois pesos ou duas medidas
O coração é quem dita a ordem
Ou cria-se bagunça e desordem

“Se o mesmo pau que bate em Chico bate em Francisco”
Pode-se esperar que o mesmo amor que se faz a João, se faz a Sebastião
E nessa vida não haverá tanta decepção

Alda M S Santos

Quarentena

QUARENTENA

Vou colocar um coração em quarentena
Isolado, afastado, separado para não (se) contaminar
Logo, logo ele se livra da pena
E poderá voltar a vibrar, a amar

Vou colocar um corpo em quarentena
Para acalmar músculos e nervos
A fadiga evitar, a inércia apagar
Em busca de uma vida mais amena

Vou colocar uma mente em quarentena
Descansar, renovar, reciclar, reavaliar
Evitar curtos-circuitos cerebrais
E voltar reenergizada, querendo mais

Vou colocar uma alma em quarentena
Apenas para ela acompanhar nessa missão
Um todo de corpo, mente, coração
E não deixá -los separados, sempre aliados

Vou colocar-me em quarentena
Para uma vida mais doce e plena…

Alda M S Santos

Quero, posso, devo?

QUERO, POSSO, DEVO?

Quero, posso, devo?
O querer é o mais primário instinto
Satisfação, sobrevivência, aquilo que sinto
Invade sonhos, adentra nossa vontade
O poder passa pelo próprio interesse e capacidade
A constante busca por  prazer e felicidade
Alimentada pela imaginação e desejo de realização
O dever já é cerceado pela vida em comunidade
O que é adequado, avalizado, aprovado
Aquilo que não traria sanção ou danos ao coração
Entre quereres, poderes e  deveres
Entre ids, egos e superegos
Transitando entre vaidades satisfeitas e culpas
A vida vai se fazendo de dores e prazeres
Um caminho de sorrisos e alegrias
De tristezas, lágrimas,  fantasias
Um eterno cair e levantar, subir e descer
Encanto, conquista, vitórias e derrotas
Em busca do mais belo e intenso viver
Pelos caminhos que aprouver,  pelas melhores rotas

Alda M S Santos

Brilho

BRILHO
Buscamos o brilho das estrelas
Queremos a beleza e encanto da Lua
Almejamos um céu azul e ensolarado
Ou um destino de sombra e água fresca
Mas nem sempre o caminho até eles é brilhante
Ou a trilha sob nossos pés é plana
Tantas vezes teremos estradas esburacadas
Não haverá flores, perfume, brilho ou companhia
Mas não podemos desistir
É preciso persistir, insistir
E saber aproveitar quando houver luz sob nossos pés
Para seguir adiante, acreditando que tudo é possível
E que a roda da vida gira
Ora luz, ora escuridão
Ora companhia, ora solidão
Mas vale manter o brilho
Dentro de nós, sob nós…
Em frente! Enfrente!

Da minha varanda

DA MINHA VARANDA
A vista da minha varanda
Sou eu quem faço
Dizem que são sempre as mesmas árvores
As mesmas casas inacabadas, as mesmas aves
O mesmo vento, o mesmo sol, a mesma chuva
O mesmo céu…
Mas sou eu quem pinto esse quadro
Sou eu quem dou o tom, a intensidade
Sou eu quem estilizo, dou o brilho a cada cor
Personalizo meu quadro diário
Sou eu quem “fotografo” com e para a alma
Tudo que há de belo ali
Posso tornar tudo fosco, cinza, preto e branco
Ou posso pintar tudo multicolorido
Tudo dependerá das cores que houver em mim
Naquele momento que minha “objetiva” captar a imagem
Não há monotonia, não há rotina
Cada dia nova imagem que me absorve
Com encanto e magia…
Alda M S Santos

Na onda

NA ONDA
Onda que chega, pesada, crescente
Forte, carregada de opiniões e palpites
Cega, radical, violenta, destrutiva
Daquelas com as quais não compactuamos
E querem nos arrastar consigo
Contra nossa vontade ou desejo
Naquela avalanche de negativismo
Precisamos fincar pé, lutar, nadar contra a corrente
Ou, simplesmente, deixar-nos levar
Não desperdiçar energia
Ver até onde dá pra ir sem nos ferir
E escolher o melhor momento para sair fora
Nadar de volta e retomar do local onde fomos arrastados
Encontrar o ponto essencial
Aquele que não fere nossos princípios e nossa consciência
Aquele que nos torna humanos
Uma hora toda onda passa e se desfaz…
Alda M S Santos

Não dá!

NÃO DÁ!

Não dá para viver na desconfiança

Na incerteza, na dúvida, na desesperança

A vida pede mais amor, mais aliança

Não dá para viver só de desejos e sonhos

Por mais belos e encantadores que sejam

O viver clama por momentos reais, mais risonhos

Não dá para viver contando as horas

Esperando que logo chegue aquela hora

E não deixar a alegria ir embora

Não dá para fugir para o mundo da imaginação

Precisamos voltar, recapitular, fazer a lição

Amar é tarefa que exige dedicação

Não dá viver sempre essa  montanha russa de sensações

Ora feliz, ora triste, tantas emoções

E a vida necessitando, gritando por ponderações

Não dá para esperar a magia cair do céu

Precisamos lançar mão de papel e pincel

E pintar aqui nosso divertido carrossel

Alda M S Santos

Quantos degraus

QUANTOS DEGRAUS?
Quantos degraus até o céu?
A escada é sinuosa, rolante, escorregadia, antiderrapante?
Quem pode subir, há restrições, limites de entrada?
Podemos levar alguém, sermos levados por alguém?
E se nos cansarmos no caminho, tropeçarmos, cairmos?
Podemos voltar a subir ou perdemos a vez?
Os últimos serão os primeiros?
Quantos degraus até o céu?
A entrada é franca? Paga-se com quê?
Qual a “moeda” de troca?
Muitas perguntas… Sei lá!
Enquanto isso vou fazendo do agora o meu céu
Tal qual crianças a brincar, a pular amarelinha
Continuo subindo até o céu…
Alda M S Santos

Salve-se quem puder

SALVE-SE QUEM PUDER
Tempos difíceis vivemos
A vida como a conhecemos pede socorro
Preta, branca, amarela ou vermelha
Salve-se quem puder
Somos capazes de ouvir?
A humanidade corre risco
Nem isso é capaz de nos unir?
Salve-se quem puder
Não há como se esconder ou fugir
Dinheiro, bens, títulos, posses diversas nada valem
O único modo de nos salvarmos
O único transporte possível para nos tirar daqui
É o que carregamos dentro de nós
A medida exata entre razão, amor, compaixão
A capacidade de nos vermos como espécie
Como um todo que faz parte de algo maior
Salve-se quem puder não é lema individual
Só nos salvaremos se agirmos coletivamente
Não há como se salvar deixando o outro para trás
Na perspectiva da continuidade da vida
Ou nos salvamos todos, ou nos perdemos como raça, como espécie…
Salvemo-nos todos se pudermos!
Alda M S Santos

Muitas moradas

MUITAS MORADAS
“Há muitas moradas na casa de Meu Pai”
Nossos corações são uma casa de muitas moradas
Neles cabem os mais diversos moradores
Em diferentes graus de necessidade e profundidade
Em diversos níveis e capacidade de ensinamento e aprendizado
Nem sempre sabemos ou conseguimos controlar quem chega e quem se vai
Apenas tentamos organizá-los melhor, mais confortavelmente
Distribuindo melhor cada espaço
Evitando que alguns tomem posse de tudo
Estamos aprendendo a lidar com nossos inquilinos e proprietários
Aceitando tranquilamente os donos cativos por usucapião
E enfrentando as dores do eterno entra e sai
Apenas Ele sabe lidar bem com Seus moradores
Há perfeição, sabedoria e amor bastantes
Talvez um dia a gente aprenda melhor a morar e ser boa morada…
Alda M S Santos

Nada está sob controle

NADA ESTÁ SOB CONTROLE
Relaxe, se fie, confie
Nada está sob controle
Siga o curso, se não há outro recurso
Nada é tão certo, tão previsível
Desça com a correnteza, deixe-se levar
Contorne, retorne, descanse, desvie
Passe por cima se não for machucar
Abrace-se à natureza, faça qualquer proeza
Relaxe: nada está sob controle
Liberte-se de toda tensão
Passe por caminhos obscuros
Enfrente a luz, o brilho
As companhias e a solidão
A única certeza que temos
É que esse rio segue seu curso
Mesmo à nossa revelia
E nos leva, querendo ou não
Portanto, relaxe, siga em paz
Confie! Nada está sob controle…
E que isso seja bom!
Alda M S Santos

Borboletas…

BORBOLETAS…
Quisera essa leveza, essa cor, essa liberdade de ser
De flor em flor, jardim em jardim, puro prazer
Quisera encantar, polinizar, a vida levar nas asas
De metamorfose em metamorfose, voar, renascer
Quisera nunca perder a fé, acreditar num propósito maior
Saber onde pousar, em quem poder confiar
Ainda que seja curta e fugaz
Levar uma vida intensa de amor e paz
Quisera jamais perder a calma e trazer na alma a certeza
De que tudo está em seu devido lugar
Quisera sua marca aqui poder imprimir e deixar
Tal qual bela, leve e encantadora borboleta…
Alda M S Santos

Relaxe: nada está sob controle

RELAXE: NADA ESTÁ SOB CONTROLE

Relaxe! Seja leve, deixe a vida no seu curso, deixe-se flutuar
Tentar manter o controle de tudo é desgastante
Muitas e muitas coisas se interdependem, não nos cabe mudar, mas nos ajeitar
E manter a ilusão de que tudo controlamos é pesado, frustrante

Relaxe! O melhor da vida está nas surpresas, na esperança
Segurar firmemente algo pode impedir de circular o sangue da renovação
Cercear o crescimento que vem com a liberdade contida na confiança
E, por mais que a gente faça, a vida tem seus próprios caminhos, dias melhores virão

Relaxe! Nada está sob nosso controle!
Confie no controle Superior! Sorria!
E faça disso sua alegria…

Alda M S Santos

Ver a vida acontecer

VER A VIDA ACONTECER

Tantas vezes parece que não dá para agir
Tudo que se faz não causa qualquer efeito
A vida vai acontecendo de qualquer jeito
E a gente só olhando, desistindo de ser perfeito

Ora se fala, ora se cala
Muita bagagem, pesada mala
Alguns momentos quer sumir, quer gritar
Mas de nada isso irá adiantar

Bom é parar num canto, avaliar
Que há mesmo de bom nesse lugar?
Quero mesmo é paz, não desanimar
Ativar em mim mesma o desejo de continuar

Aproveitar cada acontecimento, fazer a lição
Levar guardado na alma, no coração
Tudo por aqui tem propósito, uma razão
Logo tudo se encaixa, vira recordação

Alda M S Santos

Obra aberta

OBRA ABERTA

Somos uma obra aberta da Criação
Aquela que pressupõe que haverá intervenção
Para o bem ou para o mal há participação
Em busca dos caminhos da evolução

Sentimentos dúbios podem interferir
Amor, ódio, indiferença a interagir
Vale sempre nossa escolha, nosso agir
Nessa obra aberta recheada de porvir

Se o amor e a doação fazem crescer
A aceitação e compreensão fazem valer
Tudo que por aqui vier a acontecer

Somos assim, páginas a preencher
Início, meio e fim, poesias a escrever
Quem afinal é bom entendedor gostará de ler

Alda M S Santos

Medida exata

MEDIDA EXATA
 
Será que existe a exata medida
Numa estrada tantas vezes comprida
O ponto certo de nossa felicidade
Sem tanta luta, com liberdade?
 
Qual será a exata medida
Do amor, carinho, da alegria perdida
Será aquele em que há acolhida
Num coração encontrar guarida?
 
Será que a exata medida
É aquela das promessas cumpridas
Sem tanta energia dispendida?
 
Sei que para o amor não há medida
Que seja o bastante, vida destemida
E libere toda a paz na alma contida

Alda M S Santos

Girassol

GIRASSOL
Quando amanheci procurei pelo meu sol
Aquele capaz de me aquecer, fortalecer
Com esforço eu me virava em busca dele
Como girassol…
Quando amanheci busquei meu sol
Aquele que me revigora, me energiza
Desperta-me para a vida, para o bem…
Quando amanheci, afastei os medos, enxuguei as lágrimas
Sorri, espreguicei e me abri para ele
Gira, gira, girassol, assim fiquei
E o encontrei a brilhar naqueles que me aquecem
Me amam, me acolhem, me fazem bem
Quando amanheci me abracei bem apertado ao meu sol
E o segui todo o tempo nesse encanto diário
Tal qual belo e sábio girassol
Busquei meu alimento, minha luz
Aquela que quase sempre vem do alto
E responde pelo nome de Jesus
Amanhecer assim é despertar para a vida…
Alda M S Santos

Esqueça

ESQUEÇA!

Hoje é dia para esquecer
Qualquer coisa que machuca, faz sofrer
Não importa a causa, a razão
Se faz mal, vamos esquecer, então

Se tira seu sorriso, não dá liga
Se não borra seu batom, quer só briga
Nem faz mais frio na sua barriga
Melhor esquecer, sem qualquer intriga

Esqueça se não te faz encorajar
Se só medo quer causar
E não te ajuda a levantar

Se te cansa, desanima, não tem magia
Se magoa, nubla, mina sua energia
Esqueça, busque o que desperta sua poesia

Alda M S Santos

Não se culpe!

NÃO SE CULPE!

Se seu sol hoje não brilhou
Se a chuva a você encharcou
Não se culpe!
Arco-íris precisa de água e luz para colorir
E ser capaz de encantar e seduzir

Se o caminho parece longo demais
Se as flores já não perfumam mais
Não se culpe!
Sempre há trilhas, atalhos
Talvez neles recolha seus frangalhos

Se tudo parece um eterno estacionar
Se em você a alma está a divagar
Não se culpe!
A terra está girando devagar
E acaba colocando tudo no lugar

Se o viver te parece indiferente
Se não sabe mais ao certo o que sente
Não se culpe!
Observe bem, acolha, abrace, beije, seja gente
Acordar todo dia é um grande presente

Alda M S Santos

Faça

FAÇA

Faça aquilo que te dá vontade
Faça aquilo que tem que ser feito
Faça com fé e coragem
Mas nunca faça de qualquer jeito

Faça com amor, com carinho
Faça acompanhado, faça sozinho
Com cuidado para não bagunçar
E não conseguir mais endireitar

Faça com pressa, faça devagarinho
Faça como beija- flor, com jeitinho
Faça sempre, nada deixe pelo caminho

Haja luz ou escuridão, indiferença ou emoção
Faça sol ou faça chuva, frio ou calor
Faça da vida um lugar de mais amor

Alda M S Santos

Estradas da vida

ESTRADAS DA VIDA

Aquele vento nos cabelos pelas janelas abertas
As vistas ardem, o peito aperta, as lágrimas rolam
Segue dirigindo, música alta, meio alheia a tudo
Será que a rota está certa?
Não se preocupa muito, sensação de liberdade
Vontade de dirigir sem rumo, indefinidamente
Passa por lugares chuvosos, outros ensolarados
Estradas planas ou grandes aclives, secas ou floridas
Retas ou curvas, lá fora a vida parece meio irreal, surreal
Vê as árvores passando tão rápido, tão perto
Dentro dela enorme confusão, um grande vendaval
Tenta organizar os espaços, estabelecer prioridades
Apagar com sorriso as mágoas e decepções
Escrever, a lápis mesmo, novos planos
Pode precisar redefinir, reescrever, refazer
Acende a luz para iluminar alguns sonhos
Deleta outros, são mesmo impossíveis
E o caminho vai ficando para trás
Culpas, erros, derrotas, excesso de confiança vão ficando
Percebe que as estradas são metáforas da vida
Há de tudo um pouco, mas tudo vai passando
Basta seguir em frente que novos pontos vão se descortinando
Tenta levar consigo boas lembranças, pessoas de bem
O amor,  a amizade, a fé e a esperança
Quando já não doer mais, talvez ela volte
Para um novo ponto de partida
Um recomeço para a mesma vida …

Alda M S Santos

Curtir a paisagem

CURTIR A PAISAGEM

Sempre haverá algo para nos desagradar
Um barulho que não para de soar
Um silêncio que insiste em gritar
Um sonho que não quer realizar

Sempre haverá algo novo para lidar
Um sapato apertado a incomodar
Aquela roupa que não cai mais tão bem
Uma saudade que nem sempre convém

Não importa se é um desejo não atendido
Um amor no coração mal resolvido
Uma frustração por algo até descabido

Tudo isso faz parte dessa passagem
Saber lidar com isso, tornar boa a viagem
É relaxar e, apesar disso, curtir a paisagem

Alda M S Santos

Colisão

COLISÃO

Que fazemos por aqui- a pergunta não quer calar
Nuns momentos somos apenas mais um na multidão
Querendo gritar, mas apenas conseguindo silenciar
Querendo fugir em busca de uma resposta
Vagar por aí desejando ardentemente uma solução
A vida nem sempre se apresenta boa ou bela
Tantas vezes usa um idioma incompreensível
E só mesmo quando mergulhamos bem fundo
Ou quando saímos de nós mesmos e damos uma volta por aí
É que passamos a entender que a decepção pode ser dolorosa lição
Mas é a aula número um dos aprendizados de vida
E seguimos sozinhos vagando no espaço sideral de nós mesmos
Até a colisão, a explosão e a ressignificação…

Alda M S Santos

Nossa bagunça

NOSSA BAGUNÇA
Uma ampla sala arejada com poltronas aconchegantes
Um quarto quentinho, macio e acolhedor
Uma cozinha receptiva, com aroma de café e pão de queijo
Uma rede na varanda com uma vista da Serra
Um quintal com flores, frutos e balanço na goiabeira
Um gramado para brincar, dançar, se exercitar
Um sótão para guardar as bagunças e ferramentas…
Cada qual tem seu sonho de casa, de moradia
Mas para um lar todos têm o mesmo desejo
Que seja amoroso, pacífico, harmonioso
E isso independe da casa em que se mora
Depende muito de com quem se mora
E da sabedoria em manter organizados nossos ambientes internos
Nossa “casa” não é sempre um amplo espaço arejado
Mas também não pode ser toda ela um sótão bagunçado
Um lar “arrumado”, ou não, está diretamente ligado
Ao modo como cada pessoa presente ali
Lida com a bagunça que traz dentro de si
E com a bagunça que o outro traz consigo
Alda M S Santos

Devaneios

DEVANEIOS
Vou escrever uma história
Daquelas bem bonitas
Real ou imaginária
Talvez mesclada, realizada e sonhada
E colocar numa garrafa de vidro
Enrolada tal qual pergaminho
Exalando um pouco de perfume suave
Um beijo de batom rosa
Umas lágrimas desobedientes
Muitos sorrisos de satisfação e amor
Colocar uma rolha fechando a vácuo
E lançar no oceano…
Quem sabe um dia, décadas à frente, alguém a encontre
A esfregue para retirar marcas do tempo
E, tal qual gênio da lâmpada de Aladim
De lá de dentro a história se materialize novamente
Rica em detalhes e melhor vivida
Ou que apenas deixe para a posteridade
O registro de uma história de vida bonita
Espero que seja a nossa…
Alda M S Santos

Dança da vida

DANÇA DA VIDA

Temos tanto ainda a crescer
Por aqui somos meros aprendizes
Em cada ação desse nosso viver
Buscamos sempre nos fazer felizes

Nem sempre acertamos bem o passo
Somos trôpegos, não há sincronia
Há quedas, entorces, descompasso
Na dança da vida erramos a coreografia

Há dor, decepção, tristeza e solidão
É preciso exercer a solidariedade, a compaixão
Escolher como agir está em nossas mãos

Não desistir da procura, do encontro
Buscar parcerias, boas companhias
Para evoluir no amor com sabedoria

Alda M S Santos

Sem fronteiras

SEM FRONTEIRAS

Quisera romper toda e qualquer fronteira
Subir, escalar, derrubar, contornar
Não deixar que me limitem, não dar bobeira
Um multiverso de possibilidades a explorar

Quisera romper toda e qualquer fronteira
As impostas pelo medo, pela razão ou religião
Atravessar qualquer ponte ou trincheira
Para apenas poder ouvir as batidas do coração

Quisera romper toda e qualquer fronteira
Deixar a vida se impor, abrir a porteira
Ser nesse espaço livre a pioneira

Quisera romper toda e qualquer fronteira
Sendo alegre, sem culpas, faceira
Em busca de uma vida completa, mais inteira

Alda M S Santos

O poder

O PODER

Há poder num dia ensolarado
De encantar e se fazer admirado
Há poder num dia chuvoso
De ser nostálgico, meio dengoso

Há poder numa noite de amor
De reenergizar, aquecer, ser calor
Há poder numa amizade, na bondade
Aquela que traz aconchego, serenidade

Há poder no acolhimento, na empatia
Há luz, caminhos são vislumbrados
Num conselho há magia, sabedoria

Mas só nós podemos mudar nossa história
O poder de verdade está dentro da gente
Esperando para ser despertado e encarado de frente

Alda M S Santos

Deixe-se seduzir

DEIXE-SE SEDUZIR
Ela vem cheia de charme
Luz, brilho, cantos e encantos
Sedutora, tira você para dançar
Gira pelo salão, pelas ruas, na contramão
Sobe e desce, oferece flores, perfumes e delicadezas
Faz que vai, volta, te abraça
Você a segue no sol ou na chuva
Dia ou noite, cedo ou tarde
Anda sobre águas, mergulha, vai longe
Você quer fugir, às vezes, quer desistir, tem medo
Mas ela não deixa você se abater
Habilidosa, sabe de seu valor, sua supremacia
É soberana, poderosa, instintiva
E usa de todos os artifícios para manter sua atenção e desejo
Quer venha nua ou coberta de riquezas
Ela te vence, te embriaga, te encanta, te seduz
E você se entrega…
Ela é a vida, que nunca desiste de você
Não desista dela
Deixe-se seduzir…
Alda M S Santos

Só sei que dói


SÓ SEI QUE DÓI

Não dá para identificar ao certo
A dor está lá, crescendo, remexendo
Indefinida, dor de quê, em quê?
Dor da (in)existência, enfraquecendo

Aperta a garganta, parece que sufoca
Ora deixa lágrimas presas rolarem
De onde vem, fura feito broca
Excesso de passado, ausência de futuro?

Um presente de realidades meio indesejadas
Repleto de sonhos, desejos, anseios
Em corações e almas bastante alucinadas

É preciso sanar a dor, apagar essa sensação
De que tudo é meio impossível, em vão
Crer na cura no amor, na esperança, sem senão

Alda M S Santos

Errante

ERRANTE
Já sofri, já chorei, quis fugir, desaparecer
Já fui forte, frágil, ponte, muro, travessia
Já fui luz e sombra, frio e calor
Já fui arredia, também colo acolhedor
Já me doei, ja recebi, fui roubada
Andei meio perdida, desamparada
Amei e fui amada
Já fui arco-íris, céu azul, dia cinzento
Já fui falta e complemento
Já fui raiva, decepção, saudade e solidão
Fui também coragem, destruição, reconstrução
Não digo que nunca mais vá errar
Ou que não vá pela contramão
Sei apenas que a cada queda, um machucado
A cada levantar, mais vida, mais aprendizado
Sou apenas um ser errante, falho, aprendiz
Que procura por aqui ser e fazer feliz…
Alda M S Santos

Difícil esquecer?

DIFÍCIL ESQUECER?

Que é por aqui mais difícil de esquecer
O que faz chorar, faz sofrer
O que mais faz feliz, faz sorrir
Ou o que declinou, quis partir?

É difícil esquecer as dores
Causadas por (des)afetos, (des)amores
Ou os carinhos, cuidados, sem enfado
De quem sempre esteve ao seu lado?

Se é difícil esquecer a criança que fomos
Também o é a pessoa que nos tornamos
E todos aqueles a quem amamos

Se pudéssemos escolher deixar desvanecer
Apagar da memória, fazer desaparecer
O que gostaríamos de em nós deixar morrer?

Alda M S Santos
Tarde de Poesias: Difícil de esquecer

Tá no ar

TÁ NO AR

Não precisa ir muito longe, não há mistério
Tudo que precisa saber está ali, é sério
Basta um olhar atento, aguçar a percepção
Inspirar, expirar, pra captar no ar toda a emoção

Se quer algo direto é só as palavras ouvir
Mas cuidado, com elas é fácil fingir
Mas se quer algo verdadeiro busque o olhar
Ali poderá ver opacidade ou sua luz brilhar

Há profundidade na essência, ela não é superficial
É o que temos de autêntico, belo, bem natural
E quando atiçada causa até mesmo um vendaval

Mas se quer mesmo alguém desvendar
Veja as atitudes, o sorriso, inspire, tá no ar
Perfumada como rosa, linda e clara como a luz do luar

Alda M S Santos

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