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Vida

Rascunhos

RASCUNHOS

Não há borrachas, tampouco corretivos

Não dá para apagar ou descartar

Não escrevemos nossa história a lápis

A vida é pintada à tinta

Com as cores que escolhemos

Direto na tela final

Não dá para viver de ensaio

Não dá para ficar rascunhando

A vida é um espetáculo ao vivo

Não se pode parar, retornar

Ou ficar aguardando boa luz

Essa obra-prima é original, única versão

É sempre uma finalização

Não faça rascunhos, não viva de esboços

Talvez não haja tempo para passar a limpo…

Alda M S Santos

Eu me rendo

EU ME RENDO

Um friozinho da manhã

A relva toda molhada de orvalho

Um passeio a cavalo

O sol brilhando atrás da serra

Eu me rendo…

Pássaros cantando, bois mugindo

Cachorros brincando, patos nadando

A vida acontecendo

Eu me rendo…

Uma tarde preguiçosa

A rede na varanda

Todos parecem aboletados em algum canto

Uma soneca relaxante, aroma de café

Eu me rendo…

A noite chegando

A escuridão abraçando todos os espaços

Todos buscando abrigo

A lua reinando no céu

Gatos namorando em cima do telhado

E a gente cá embaixo

Eu me rendo…

A vida acontecendo lá fora

A vida acontecendo cá dentro

Eu me rendo…

Alda M S Santos

Temos pressa

TEMOS PRESSA

O tempo voa, a vida passa

E ficamos a esperar na janela

Por aquilo que de nós não sai

Ainda que pareça balela

Temos pressa…

Nem tudo o que a gente quer

Chega na velocidade desejada

Mesmo sabendo que o mais valioso

Chegará só na hora apropriada

Temos pressa…

A paciência é uma virtude

Que precisa ser bem dosada

Porque se confundida com inércia

Não nos ajuda em nada

Temos pressa…

Cansados de ver ir embora

Tantos sonhos que viraram pó

Queremos aproveitar melhor agora

Para não terminar a vida só…

Temos pressa…

Alda M S Santos

Universo paralelo

UNIVERSO PARALELO

Alguns parecem viver num universo paralelo

Distantes e avessos ao que é tido como normal

Não gostam de seguir a boiada

Lutam por algo diferente, bem mais natural

Autênticos e verdadeiros

Não ferem a própria essência

Preferem ficar à margem

Ainda que acusados de demência

Entre tantos descaminhos

Dores e atrocidades de alta magnitude

Viver num universo paralelo

Além de autoproteção, chega a ser grande virtude…

Alda M S Santos

Aboletada

ABOLETADA

Ando meio cansada

Ainda não sei bem de quê

Quero apenas ficar aboletada

Até descobrir o porquê

De tanto andar desse jeito

Inquieta e sempre atarefada

Mesmo não sendo nenhum defeito

Quero mais é ficar aboletada

Andei levando alfinetada

De gente que não é muito camarada

Mas não me importo, sou arretada

E ficarei, sim, aboletada

Pensando, meio encasquetada

A uma conclusão cheguei

Tão bom ficar aboletada

Que até já descansei

E antes de ser mal interpretada

Seguirei assim agitada e com a vida encantada

E deixo uma coisa decretada

Sempre que quiser ficarei de novo na natureza aboletada!

Alda M S Santos

Injusta

INJUSTA

A vida pode ser cruel

Dolorosa, intensa, parcial

A cada um de nós caberá

Torná-la menos desigual

Muitas vezes parece tão longa

Noutras é por demais curta

Mas é o que fazemos por ela

Que a tornará menos injusta

Buscamos no outro a alegria

Ou a paz que de nós fugiu

Sequer percebemos que está na gente

O prazer de viver que um dia sumiu

Mesmo injusta ela é só nossa

Mas se torna mais bela

Quando destrancamos portas fechadas

E sorrisos abrimos em nossa janela…

Mesmo injusta ainda podemos fazer dela

Uma linda e encantadora aquarela…

Alda M S Santos

Muitas vezes…

MUITAS VEZES…

Muitas vezes, os caminhos difíceis que evitamos

E dos quais fugimos todo o tempo

São atalhos a nos levar para um lugar há muito sonhado

Muitas vezes, os ventos dos quais nos abrigamos

Por medo de destruição e perdas

É o que falta para levar embora o que machuca

E trazer o que falta para nos tornar mais felizes

Muitas vezes, as pedras que tememos

E das quais nos desviamos

São degraus a nos levar para o topo

Não o topo do mundo

Mas o topo de nós mesmos

Muitas vezes, enquanto lamentamos

Reclamamos, choramos e criticamos

Deixamos de estar atentos

Para aproveitar tudo que se apresenta…

Alda M S Santos

Não vai muito longe

NÃO VAI MUITO LONGE

Não vai muito longe

Aquele que corre demais

Foca pouco e não olha para trás…

Não vai muito longe

Aquele que, a despeito de tudo e de todos

Segue trilhas não muito eficazes…

Não vai muito longe

Aquele que desvia e se perde no caminho

E em busca de coisas “grandes”

Perde algo que aparenta pequenez

Mas na verdade é fundamental:

Sua própria essência…

Na verdade só vai longe

Quem não abandona a si mesmo

Tentando ser aquilo que não é!

Alda M S Santos

O cuidado dele

O CUIDADO DELE

Se fizermos um pequeno esforço

Se não olharmos com revolta

Se ficarmos de coração aberto

Com uma alma em paz

Notaremos que fomos protegidos

Em cada ganho ou perda

Em cada medo que nos apavorou

Em cada derrota sofrida

Em cada ameaça que nos magoou

Em cada partida, em cada solidão

Quando o sorriso era radiante

Ou quando o travesseiro era só lágrimas

Até mesmo naquilo que consideramos muito injusto

Mesmo quando menos merecemos

Ele estava ali nos amparando

Triste com nossas atitudes e revolta

Sabendo que mesmo quando seguíamos um caminho estreito demais

Que sairíamos machucados dali

Ele estava lá, nunca nos abandonou

É o único que nunca desiste de nós

Acreditar nisso é força para sempre seguir em frente

Sabendo que na verdade tudo é ganho

Nele não há perdas, claro ou escuro

Procurar escolher melhor os caminhos

Carregando as marcas de nossas escolhas

Crendo que Ele divide conosco nossos males

E sempre nos orienta e ampara

Basta aprender com as falhas

E sempre Nele crer!

Alda M S Santos

Imperfeita

IMPERFEITA

Ela é assim, imperfeita

Interessante, atraente, convidativa

Ora boa, outras nem tanto

Mas com fé a gente se ajeita

Ela é assim, imperfeita

Bela, cinzenta ou colorida, engraçada

Faça rir ou faça chorar

Ninguém nunca a rejeita

Ela é assim, imperfeita

Inteira ou faltando pedaços

Repleta de amores e desamores

E de coragem que a gente respeita

Ela é assim, imperfeita

Nem sempre como almejamos

Mas é a vida que a gente não enjeita

E a amamos mesmo assim:

Imperfeita!

Alda M S Santos

Demolição

DEMOLIÇÃO

Demolir é tão importante quanto construir

Tantas vezes é pré-requisito para uma nova construção

Trincar, quebrar, desmoronar, ruir

O que não serve mais deixar cair, jogar no chão

Entregar-se, se preciso, à emoção

Sofrer, chorar, lamentar, mas levantar

Das ruínas tirar uma lição

Aproveitar o que for útil, der suporte

Regar com suor, sorrisos ou lágrimas esse chão

E ali construir base sólida, forte

Aproveitar a demolição para recomeçar

Nova e bela construção

Um novo castelo nascido em nós ressurge

Só assim mantém-se vivo nosso coração…

Alda M S Santos

Pessoas

PESSOAS

Lembrar das pessoas de nossas vidas

E perceber o que cada uma fez ou deixou em nós

Deixa-nos ora saudosos, ora aliviados

É trabalho catártico, terapêutico

Vêm à mente palavras ou ações

Boas ou ruins, algumas já esmaecidas ou quase apagadas

Outras ainda marcantes como digitais

Muitas vezes nos esquecemos do cheiro, da voz, das palavras, do olhar

Mas sempre nos lembraremos

Da sensação que nos causaram

Dos sentimentos despertados

De como nos acordaram para a vida

Ou do modo que nos apagaram ou jogaram para baixo

Focar nos sentimentos bons que ficaram em nossa alma

É um modo inteligente de seguir em frente…

Pessoas são pessoas, errando ou acertando

Ser marcante positivamente

Deixar boas lembranças registradas nos corações dos outros

Deve ser um propósito de vida…

Alda M S Santos

Nossa toxicidade

NOSSA TOXICIDADE

Mundo tóxico em que vivemos

Onde dezenas de venenos são liberados

Agrotóxicos, “humanotóxicos”

Venenos banidos noutras partes

Têm livre uso por aqui

Alto índice de toxicidade

Nos alimentos, na água

Na agricultura, na cultura

Nas palavras, nas ações

No comportamento preconceituoso e discriminatório

Quem poderá dizer

Qual deles é mais fatal?

Matamos pragas, criamos doenças

Controlamos parasitas, descontrolamos nosso DNA

A ilusão de exterminar o que nos causa mal

Quer seja físico, emocional ou sócio comportamental

Torna o ser humano cada dia mais letal

Somos humanotóxicos com alto índice de toxicidade

Tentando aqui sobreviver mais um dia…

Alda M S Santos

Inhotim -Brumadinho- MG

Visita preciosa

VISITA PRECIOSA

Certas visitas quando chegam

São tão preciosas e queridas

Fazem-nos vibrar, sentir bem

Simplicidade e beleza que encantam

Mostram que o ambiente está receptivo

Trazem a paz consigo e nos dão sensação de pertencimento

A esse lugar, a esse plano, a essa natureza tão rica

Nos fazem crer que resta ainda uma esperança

Para o nosso tão lindo planeta

Que nos foi dado a cuidar e amar

Que pode ainda haver salvação

Para nossa alma, nosso coração

Para nós mesmos como membros dessa humanidade tão complexa

Precisamos acreditar e agir

Proteger-nos como espécie integrante de um todo maior

E, principalmente, fazer tornar sempre atual a lição

Amar aos outros como a nós mesmos

Aqui somos visitantes apenas

Que deixemos melhor que encontramos…

Alda M S Santos

Autores

AUTORES

Autores o tempo todo

Escrevendo uma história original

Não importa tanto a capa

Sequer a página inicial

O que vale mesmo nessa obra

Que escrevemos até sem perceber

É a audácia e delícia de viver

Cujo fechar de olhos é que determina o final

Num momento que não sabemos quando vai ser

Páginas em branco recebemos

Com a tarefa de ali algo belo registrar

Não importa o estilo textual

Sequer a linguagem ou idioma

Independente do número de páginas, personagens

É pessoal!

Se sua história fosse um livro

Você ousaria indicar?

Teria prazer em (re)ler?

Se virasse filme assistiria com seus pais, filhos?

Ao final, tudo que fica é nossa história

Não precisa ser um best seller

Basta que seja uma bela história!

Caprichemos!

Alda M S Santos

Jeito de olhar

JEITO DE OLHAR

Um passo atrás pode ser avançar

A tempestade pode vir para limpar

A queda pode ensinar a levantar

O vendaval pode colocar as coisas no lugar

Tudo depende do jeito de olhar

Chorar ensina a valorizar o sorriso

Medo e inércia nem sempre são coisas de indeciso

Talvez seja um modo de usar o perigo

Para encontrar melhor abrigo

Tudo depende do jeito de olhar

Solidão nem sempre é ausência de companhia

Talvez seja escolha de pessoas

Que usam de muita sabedoria

Ao não insistir em buscar no outro

Aquilo que encontram em si mesmas: paz e sintonia

Tudo depende do jeito de olhar

Preta, branca, cinza ou multicor

A vida sempre será uma tela

Para artistas que pintam com estilo e amor

E usam a paleta preferida para torná-la ainda mais bela…

Tudo depende do jeito de olhar

Do jeito de a vida encarar …

Alda M S Santos

Sequelas

SEQUELAS

Viver é uma brincadeira que deixa sequelas

As cicatrizes nos joelhos

Dos tombos nos passeios de de bicicleta

Os vergões, deformações e paralisias

Dos descaminhos por abismos emocionais

Os hematomas e traumatismos

Dos mergulhos em mares escuros e em amores frustrantes

As fraturas na alma

Das quedas do alto das expectativas

Os traumas e medos

Deixados pelos monstros que alimentamos e nos assustam

As lombalgias e hérnias

Do peso desnecessário que insistimos em carregar

As decepções e mágoas

Causadas pelos ídolos que “criamos”

Tudo isso deixa sequelas para a vida toda

Nem sempre agradáveis ou prazerosas

Muitas vezes, sequer toleráveis

Mas o viver sempre vale a pena

Sequelas nos lembram que vencemos

Que sobrevivemos

A cada marca, uma história

Todas as sequelas são lesões que ficaram

Depois que a cura se estabeleceu

Sequelas? Tenho algumas!

E a vida segue certeira como tem que ser

Sempre em frente!

Alda M S Santos

Não somos mais os mesmos…

NÃO SOMOS MAIS OS MESMOS…

Ontem éramos de um jeito

Hoje somos de outro

Amanhã, se vier, teremos mudado também

Dizer que somos os mesmos

Que nunca mudaremos

Que seremos sempre assim dessa maneira

Que esse é nosso jeito

Quer seja qualidade ou defeito

É minimizar nossa capacidade de evolução

De aprendizado e de abstração

Você me transforma, eu te transformo

O amor nos transforma cada dia mais, sua ausência, idem

O mesmo se dá com medo, angústia e decepção

Nós melhoramos no convívio com os outros

Tudo isso é liga da massa que nos molda

Que nos faz diferentes a cada dia

Ainda que sempre imperfeitos, mantendo nossa essência

Somos maleáveis nas mãos da criação

E isso, felizmente, ainda é nossa salvação…

Alda M S Santos

Passa por dentro

PASSA POR DENTRO

Venha o que vier, estejamos onde estiver

Aconteça o que acontecer

Seja que problema for

A saída sempre passa por dentro

Por dentro de nós mesmos

Se é a saúde que incomoda

A mente que falha

O coração que aperta

O meio de fora que não ajuda

O outro que não corresponde

Não importa

Tudo só se resolve

Quando é absorvido e processado dentro de nós

Colocamos os problemas em nosso divã interior

Silenciamos e buscamos nossa “verdade”

Debatemos conosco mesmos

E chegamos a um bom veredicto

Uma boa saída

Nossos problemas se resolvem

Quando não fugimos deles

Ao contrário, nós os encaramos frente a frente

Sendo honestos e verdadeiros conosco mesmos

Assumindo nossas responsabilidades

Nas causas e nas consequências…

Toda saída tem um atalho

Que passa por dentro de nós!

Alda M S Santos

Fim

FIM

Do princípio ao fim

Ou do fim ao princípio

Tantas questões dentro de mim

Chego só, volto só

Enfim, qual é o propósito

Disso tudo, Serafim

Será o fim?

Aterrisso sem nada saber

Tenho tanto ainda para aprender

E já começo a voltar

Para casa regressar

Perco a mobilidade, a habilidade

A memória e, por vezes, a consciência

Não é uma incongruência

Disso tudo, Serafim?

Tudo que amealhei por aqui

Não mais me pertencerá

O que me acompanhará é aquilo que ganhei ou perdi

Conquistei ou doei, e que poderei também deixar

Com quem esteve comigo do princípio ao fim

Chego nua, volto vestida de Lua, perfume de jasmim

Várias fases, brilho e luz…

Um ciclo que se fecha em mim e me conduz…

Alda M S Santos

Espaços em branco

ESPAÇOS EM BRANCO

Ninguém precisa ter todos os espaços preenchidos

Ninguém precisa preencher “falhas”dos outros

Ou ter todos os seus “quadros” pintados

Precisamos de telas em branco

Para fazermos dia a dia nossa obra de arte

Todos nós necessitamos desse espaço livre dentro de nós

Para que haja oxigenação, livre transitar

Para que a imaginação cresça, o amor floresça

Para que a luz penetre, aqueça

Para que não soframos de excessos

Para que encontremos aquilo que procuramos

Para podermos acolher o que nos fizer crescer

Para que as emoções possam livremente se expressar

Para que não se crie bolor por falta de uso

Tampouco grandes feridas por fricção e uso inadequado

Para que quando voltarmos para casa

Tenhamos usufruído de todas as nossas possibilidades…

Alda M S Santos

Válvula de escape

VÁLVULA DE ESCAPE

Uma válvula para aliviar a pressão

Para relaxar de toda tensão

Uma corrida no fim de tarde

Uma conversa com toque de saudade

Um cineminha de mãos dadas ao anoitecer

Um sorvete na praça da igreja para espairecer

Um livro na rede ao luar

Dançar num baile até cansar

Ou uma caminhada à beira-mar

Seja qual for sua válvula de escape

Nunca a deixe de ativar

Não aliviar a pressão

Pode causar grande confusão…

Alda M S Santos

Uma festa

UMA FESTA

A vida é uma festa, independente da magnitude dela

Se uma pequena reunião ou um grande baile

Só precisamos nos situar

E saber em qual parte dela estamos

Na fase da preparação

Planejamento, expectativa, ansiedade, preocupação

No auge, a hora em que ela rola, pura emoção

É só curtição, alegria, brilho, animação

Mas se for fim de festa, quando todos vão embora

É cansaço, limpeza, organização

Aí vem a fase do “vazio”

Aquele que existe entre o fim de uma festa

E a preparação de outra

Fase do repouso e descanso, fase de germinação

E uma festa não acontece sem passar por cada etapa

Aproveitar o que cada uma oferece é essencial

Saber que o fim de uma festa

Não é o fim da vida ou da alegria

É início de outra fase de preparação

Novas festas sempre virão

Até o fechar definitivo do salão…

Alda M S Santos

Viver de quê?

VIVER DE QUÊ?

Busca por razões de viver

Algo que motive, instigue

Que faça tudo isso valer a pena

E nessa desenfreada busca

Atropela-se tudo, passa-se por cima dos outros

Das razões de viver do outro, inclusive de si mesmo

Sua própria vida vazia é soberana

Vale mais do que todas as outras

Automutilação, autoextermínio

Viver de quê, para quê, para quem?

Enquanto não se perceber que uma vida não se constrói

Destruindo outras vidas

Sendo governo, povo, instituição, indivíduo ou o escambau

Qualquer busca será em vão

Será inócuo qualquer estender de mão

Precisamos viver das boas ações, do amor

Da esperança que um mundo melhor começa em nós

Mas que nunca exclui o mundo do outro

Buscamos por razões de viver

Que façam com que a dor e a alegria

Tenham razão de ser, não sejam em vão…

Precisamos viver da fé

“Só não se sabe fé em quê”

Alda M S Santos

Porque escolhi viver

PORQUE ESCOLHI VIVER

Vou sempre buscar um sorriso

Mas não negarei as lágrimas

Não fugirei das batalhas que surgirem

Terei coragem, mas não me deixarei abater pelos medos

Serei aquecida, feliz, pelo calor energizante do sol

Mas aproveitarei também quando o que vier do céu for chuva

Plantarei um jardim de preciosidades para morar

Mas deixarei espaço para borboletas e beija-flores virem me visitar

Correrei na areia à beira-mar na claridade intensa do dia

E na escuridão me deitarei e repousarei sob a luz das estrelas

Serei primavera perfumada e colorida

Sabendo aproveitar o repouso necessário dos invernos

Caminharei tendo bons amigos a me animar

Mas não estacionarei quando o que deixarem for a solidão ou o vazio

Serei iluminada pelo amor precioso que for merecedora

Mas não abro mão do amor em qualquer situação…

Isso porque escolhi viver

E a vida se impõe sempre, é presente

E o que a gente faz dele é escolha nossa

Eu escolhi viver!

Alda M S Santos

Não compro

NÃO COMPRO

Não compro essa “felicidade” que se vende por aí

Vitrines abarrotadas de produtos reluzentes

Enchem os olhos, agradam, atraem

Compradores seduzidos e ávidos

Hipnotizados diante de “seu” objeto de desejo

Pagam qualquer preço pelo seu sonho de consumo

Estoques lotados de mercadorias devolvidas

Consumidores insatisfeitos

Com felicidade vendida, embrulhada em bonitos pacotes

Feita em formas, em série, massificadas

Numa medida que não é da gente

Não compro essa “felicidade” que se vende por aí

Que não é feita no meu número, no meu manequim

Que precisa de reformas e retoques

Que deforma o que tem de belo na gente

Alegria fugaz à base de porcaria

Conteúdo feio em embalagem atraente

Sorriso que se desmancha na primeira ventania

Coração que sofre e chora dentro de um modelo apertado

Uma alma que perde o encanto, a magia

Não compro esse modelo de felicidade

Na verdade não quero nem doado

Bom mesmo é escalar a própria alegria na simplicidade

A felicidade deve ser feita sob medida

De cada alma, de cada coração…

Alda M S Santos

Vá!

VÁ!

Vá! Sempre em frente

Não importa o meio de transporte

Sobre duas rodas, vento no rosto

Ou deslizando na água suavemente, refrescando a alma

Vá! Não desista!

Submerso, dentro de um submarino, dentro de si mesmo

Pedalando uma bike nas trilhas perigosas

Vá! Insista!

No conforto de uma limusine tomando Champagne

Num ônibus lotado de gente tão maluca quanto você

Numa aeronave veloz além das nuvens

A pé numa estradinha de piso batido e flores nas margens

Caminhando ou correndo

Nas asas da imaginação…

Vá! Não fique parado!

A vida não espera por ninguém

O tempo não perdoa quem estaciona

Ele passa e te deixa para trás

E quando vê, a vida passou…

Vá! Sempre em frente!

Alda M S Santos

O som do silêncio

O SOM DO SILÊNCIO

Silêncio fala, silêncio grita

Na linguagem universal da dor

Da saudade ou do amor…

No entanto nem todos ouvem

Som em altíssima frequência

Quem ouve e não entende se incomoda

Busca um refúgio, faz barulhos diversos

Quer tirá-lo desse transe de comunicação

Tenta de outro modo algo dizer

Silêncio…

O som do silêncio é calmante

Para quem sintoniza na mesma frequência

Silêncio…

O som do silêncio é estressante

Para quem só ouve o nada que tanto diz

Silêncio…

Silenciando vamos tudo dizendo

Àqueles que sabem ouvir…

Alda M S Santos

Perder ou ganhar?

PERDER OU GANHAR?

Dependendo de quem ou do que ganha

É melhor perder…

Há vitórias que só trazem desilusão

Há derrotas que carregam em si muito mais honra

Mesmo que sejam dolorosas

E, com o tempo, acaba-se percebendo

Que o que é vitória ou derrota é muito relativo

O tempo atenua uma e engrandece a outra

É só se percebe mesmo vitorioso

Quem enfrentou a “derrota” com graça e sabedoria

Ainda que tenha caminhado por trilhas esburacadas e frias

Olha para trás e vê aprendizado

Olha para frente e vê o sol brilhar

Cedo ou tarde tudo se esclarece

Derrota? Vitória?

Quem poderá mesmo dizer?

“Sou um milagre estou aqui”!

Alda M S Santos

Ele nunca me abandona

ELE NUNCA ME ABANDONA

Ele é insistente, persistente

Não desiste, se intromete onde não lhe cabe

Mistura-se a situações complicadas, tristes

É invasor, arromba portas, faz barulho, acende a luz

Ou chega de mansinho, faz carinho, silencioso

Não gosta de lugares escuros, mas nada teme

Caminha por espaços que desconhece

Algumas vezes é sapeca, fraterno, noutras, sensual

Ou ainda repleto de compaixão e amor

Às vezes parece arrastado, meio forçado, cansado

Mas nunca, nunca desiste, é sobrevivente

Nem sempre parece feliz ao espelho

Mas sabe que se não fosse por ele não haveria vida ali

Tampouco alegria nas vidas que acende quando se abre

Ainda que esteja umedecido pelas lágrimas

Ele não pode morrer nunca

Pois quando isso acontecer, levará consigo meu viver

Ele nunca poderá me abandonar

Ou sou eu que nunca poderei deixá-lo

Meu inseparável e amigo sorriso?

Alda M S Santos

Pilotando um Boeing 787

PILOTANDO UM BOEING 787

Viver é comandar um Boeing 787, sem brevê

E aprender a fazê-lo, na prática

Sem aulas ou lições prévias

Manter-se no ar, em movimento, enfrentar intempéries mil

Ser submisso ao comando da “torre”

Pilotando na base da reflexão, por intuição

Baseando-se em aprendizados obtidos na tentativa e erro

Algumas vezes até dá pra deixar no piloto automático

Descansar, relaxar, confiar no trabalho da tripulação

Ou contar, ocasionalmente, com ajuda de um co-piloto

Mas viver é ir aprendendo a pilotar um 787 com coragem

Ser capitã da prática diária

É enfrentar inimigos externos e internos

Aprender a negociar, apaziguar, evitar danos na aeronave

É saber que carrega ali muitas vidas dependentes de sua habilidade

Que basta um erro para que todos sejam atingidos

Uma falha mais grave poderá ser fatal

E levar consigo para o chão toda a tripulação e passageiros

Não escolhemos quando começamos a voar

Tampouco saberemos o momento de parar

Mas, de todo modo, não deixa de ser um voo prazeroso e emocionante…

Alda M S Santos

Amor incondicional

AMOR INCONDICIONAL

Um amor puro, sem exigências ou condições

Daqueles que todos estamos sempre necessitados

Amor maior não há!

Amor que se doou, que deu a vida por nós…

Um amor feito de compreensão, de confiança, de perdão…

Amor que persiste mesmo conhecendo as falhas

Amor que não discriminou, que a todos acolheu

Que nos deu um coração para também amar

Amor que viveu por nós!

E, porque VIVE, quer para nós o que sempre nos ensinou:

O AMOR a todos.

Amor de luz, amor de paz, AMOR DE JESUS!

Jesus renasce todos os dias

Nos corações daqueles

Que se levantam dispostos a amar…

Pode faltar tudo nessa Páscoa, menos esse amor…

Feliz Páscoa, amigos!

Alda M S Santos

Ele é amigo

ELE É AMIGO

Não tenha medo ou receio

Pode não parecer, mas ele é amigo

É paciente quando possibilita reflexões e aprendizados

Mesmo que nos faça não só sorrir, mas também chorar

É sábio mesmo quando é rápido e veloz

Quando parece nos abandonar ou deixar para trás

Quando parece nos limitar ou cortar nossas asas

Mesmo sem nos tocar ele nos atinge

Não há como fugir dele

Seu efeito é variável de pessoa para pessoa

Age de modo individual em cada mente

Influencia com doçura ou amargura cada coração

Ainda que pareça só fazer o mal

Ele é amigo, tenta parear conosco

É um remédio que se não cura, imuniza

De longe ou de perto, ele está sempre presente

Mesmo à nossa revelia o tempo age

E porque age é nosso amigo

Sempre!

Percepção que só se tem quando ele passa…

Alda M S Santos

Anjos existem

ANJOS EXISTEM

Eu acredito em anjos

Creio que estamos cercados por eles

Basta um pouquinho de atenção para notarmos

Não têm asas ou auréolas

Mas têm braços, abraços, sorrisos, ternura

São aqueles que nos estimulam com uma palavra

Nos acolhem com um sorriso

Nos aquecem num abraço

Nos amparam com toda leveza

Secam nossas lágrimas num toque de pureza

Nos aplaudem num verso

Nos corrigem no reverso

Dizem sim, dizem não, sem embromação

Nos amam num simples olhar

Anjos estão em todo lugar

Enviados para nossa proteção

Deixam saudades quando resolvem voar…

Somos também anjos para alguém

Nosso papel aqui é ser e fazer o bem…

Como Ele nos ensinou…

Alda M S Santos

Muito ou pouco?

MUITO OU POUCO?

É muito dinheiro nas mãos de poucos, pouco nas mãos de muitos

São muitos necessitados para tão poucos doadores

É muita estrada para tão poucos caminhantes

É muito cordão para tão pouca pérola

É muito futuro para tão pouca esperança

É muita destruição para tão pouca reconstrução

São muitos corações para tão pouco amor

É muito tanto faz para o amor de verdade

São muitos finais para poucos recomeços

É muita falação para tão pouca ação

É muita “razão” para tão pouco coração

É muito “irmão”, para tão pouco dar-se as mãos

É muita indiferença diante do que realmente faz a diferença…

Alda M S Santos

Descartáveis

DESCARTÁVEIS

Num mundo onde prevalece a lei do menor esforço

Onde se opta pelo que dá menos trabalho

Os descartáveis estão em alta

Copos, pratos, papéis, objetos diversos

Usou, não precisa lavar, descarta-se, joga fora

Nessa mesma onda, nessa avalanche descartável

Estão sentimentos, emoções, pessoas, relações

Se exige um pouco mais de atenção

Se cobra reflexão, valorização, tempo, reciprocidade

Ah, dá muito trabalho!

Deixa pra lá, passa a vez…

A fila anda!

Amizades, famílias, dons, aptidões, fé

Joga-se fora lares e o que tem dentro dele

Joga-se fora familiares

Reutilizar, renovar, para quê?

Joga fora e compra-se um novo

Pega, toma ou empresta de alguém!

Tudo que exige atenção, dedicação, cuidado diário

É perda de tempo…

E vamos nos enchendo de lixos descartáveis

Entupidos, pesados, cansados, doentes…

Mais vale uma taça de cristal que se lava a cada uso

Um amor que se irriga e se renova todo dia a cada beijo

Que a troca desenfreada para obter algo novo

Tudo de bom nesse mundo é o que nos empenhamos para ser duradouro

Para se eternizar em nós…

Alda M S Santos

Fragilidade

FRAGILIDADE

Um pequeno sopro, uma brisa qualquer

E ela se desfaz, se desmancha

Morre, deixa de existir aqui

Para virar mil novas mudas de si por aí

Espalha-se por todos os lados

Levada pelo que, aparentemente, veio para destruir

Mas renasce noutros cantos,

Em terrenos propícios, terra boa

Tão bela quanto antes

Força que vem da fragilidade

Leveza que tem razão de ser

Em cada ser da criação

Força ou fragilidade é só uma questão de ponto de vista

De tempo, de fase, de estação…

Alda M S Santos

Espetáculo da vida

ESPETÁCULO DA VIDA

Quiséramos uma sincronia assim perfeita para a vida

Entre pliés, tendus e frapés

Solo, duplas, grupos, coletivamente

Seguir sempre a coreografia

Ora girando, abaixando, grudando, leveza total

E num grande jeté sermos lançados para o alto

Na certeza que não nos deixarão cair

Que haverá um partner a nos recolher

No ritmo da música, lindamente…

Que iremos girar e girar e girar

Sem tontura, sensualmente brilhar

E o próximo passo seguirá perfeito

Exaustivamente treinados como num grande espetáculo

Todos cumprindo bem seu papel

Um sonho: que a vida fosse assim

Um ballet onde ninguém cai

Todos sabem sua participação ali

A hora certa de entrar, se apresentar, brilhar

E também de sair de cena…

Porque tudo que temos aqui é um grande teatro

Bem ou mal representado, apresentado

Não há plateia, apenas autores e atores…

Alda M S Santos

Quando apreciamos a solidão

QUANDO APRECIAMOS A SOLIDÃO

Um longo caminho a se percorrer

Como seres sociais que somos, sempre buscando companhia

Até gostar verdadeiramente da solidão

Não de estar só, pois isso nunca iremos gostar

Mas de estarmos conosco mesmos e apreciar isso

Não na fuga para um filme, um livro, um jogo

Mas bater um papo com nosso ser de ontem, de anteontem

Colocá-los frente a frente com o eu de hoje

Sem desviar os olhos no espelho, com vergonhas escancaradas e encaradas

Fazer as pazes com nossas escolhas, erros e acertos

Uma troca de autocompreensão e perdão

Para podermos nos ver amanhã, no futuro

Sem medos, ansiedades ou arrependimentos

Na certeza que demos nosso melhor como ser humano

E essa consciência só é possível na solidão, no autoconhecimento

Quando nos sentamos com a criança, o jovem e adulto que fomos, e somos

Pois todas elas ainda estão em nós

Só assim estaremos aptos a ter boas companhias…

Alda M S Santos

De frente

DE FRENTE

Encarar a vida de frente

Mesmo que ela não seja sempre

Como uma tarde na praia, ao sol poente

E tantas vezes a brisa não seja tão gostosa

Daquelas que balançam nossos cabelos

Ou arrepiam suavemente nossa pele

Mas a ventania nos arraste para caminhos esburacados

E jogue areia em nossos olhos

Dificultando o ver, o prosseguir

Encarar a vida de frente

Não ignorando os percalços e entraves

Mas nos reabastecendo sempre

De amor, de sorrisos, abraços e beijos

Ainda que nas lembranças e esperança

De uma tarde na praia ao sol poente…

Alda M S Santos

A paz que buscamos

A PAZ QUE BUSCAMOS

Buscamos sempre a paz

Mas muitas vezes vamos armados

Escondidos atrás de nossas próprias barricadas

Andando entrincheirados por sentimentos negativos

A paz que buscamos

Às vezes passa pela guerra

Não uma guerra com o outro

Mas uma guerra interior

Até entendermos que estar em paz

Não depende da nossa relação com o meio, com outros seres

Isso vem depois…

Estar em paz é construir uma relação harmoniosa

Entre nossos vários “eus”

É quando levantamos a bandeira branca para nossos monstros e inimigos internos

E passamos a notá-la em todos a nossa volta

A levá-la a quem de nós se aproximar

Essa é a paz que buscamos e nem sempre encontramos

Perdendo tempo procurando-a em caminhos fora de nós…

Alda M S Santos

Legado

LEGADO

Sempre deixaremos um legado por aqui

Passar por esse local, tempo e espaço

Não nos permite ficar incólumes

Algo sempre ficará de nós para os demais

Temos por obrigação deixar o melhor de nós

Deixar mais do que recebemos

Processar tudo que vier para nós

Do ontem e do hoje e construir algo inovador

Transformar dores e angústias em crescimento

Mágoas e desrespeito em esperança

Amor em mais amor…

Não podemos perpetuar o mal, o negativo

Um mundo melhor se constrói

Não desconsiderando o que de ruim nos aconteceu

Mas usando esse aprendizado para não causar o mesmo mal

Naqueles que amamos ou convivem conosco

Ou também nos demais que partilham esse tempo terreno

Somos responsáveis simplesmente por estar aqui

Quanto mais sabemos, maior nossa responsabilidade!

Alda M S Santos

Conselheiros

CONSELHEIROS

Se quisermos saber se nosso conselho é bom mesmo,

Se nossas lições são dignas de serem colocadas em prática,

Se nossas críticas são válidas e construtivas

Basta pensar se o conselho serve para nós mesmos, de verdade

Se praticamos nossas próprias lições

Se as críticas não poderiam ser aplicadas também a nós

Porque opinar sobre a vida alheia é fácil

“Sentar no próprio rabo e puxar rabo alheio”- diria minha avó

Mas se tudo isso só vale para o outro

É melhor nos abstermos, recolhermos ao nosso canto e ficarmos em silêncio

Praticar em nossa vida nossos próprios conselhos

Só falar quando nós mesmos estivermos em condições para tal

Quando já tivermos escalado os galhos da árvore da sabedoria

Assim como “de boas intenções o inferno está cheio”

O mundo também está abarrotado de bons conselheiros…

Alda M S Santos

Aborto: (in)coerência?

ABORTO: (IN)COERÊNCIA?

Defendes tanto direitos femininos

Igualdade, equidade, equiparação social, profissional

Direitos e deveres iguais e tal

Como pode ser contra o aborto?

O corpo não é dá mulher, afinal?

Não é “meu corpo, minhas regras?”

Não é muito incoerente?- questionaram-me

Usando argumentos em defesa da vida da mãe

Do futuro da criança que é indesejada

Tudo bem, acontece uma distração ou descuido

Mas deve-se arcar com a responsabilidade do ato

Defendo direitos do ser humano: homens ou mulheres

Nenhum é mais ou melhor que o outro

Simplesmente por ser homem ou mulher

Talvez pelas lutas e conquistas …

E a mulher é historicamente inferiorizada e desrespeitada

Injustamente!

Defendo a preservação da vida, de todos, para todos

E aborto é assassinato, pensado e calculado

Uma vida interrompida precocemente

Sem ter direito qualquer de defesa

E não é a mulher que aborta

Todo aborto inclui, no mínimo, pai e mãe

São ambos responsáveis da mesma forma

“Meu corpo, minhas regras”

Não pode ser superior à vida de um inocente

A partir do momento que a manutenção de direitos próprios

Envolve e fere outra vida

Que não pode responder por si

Esses direitos caem por terra

A vida é prioridade! Sempre!

Devemos defendê-la a qualquer custo

Se ela estiver dentro de nós

Somos mais responsáveis ainda!

Eu tive o direito de nascer, gerei vidas que amo

Não tenho o direito de impedir o nascimento de outro ser

Sou coerente com o amor e a vida que prego

A todos os seres humanos!

Por isso digo NÃO a homens e mulheres que abortam

Legalmente ou não…

Alda M S Santos

Respeitável público

RESPEITÁVEL PÚBLICO

Respeitável público

Bailarinas ficam tontas, desequilibram, caem

Sem nunca perderem o encanto

Palhaços choram, fazem sorrir, gargalham e se entristecem

Sem nunca perderem a graça

Mágicos engolem e cospem fogo, duplicam objetos, fazem aparecer e desaparecer coisas, menos o sofrimento

Sem nunca perderem a magia

O circo da vida é assim

Bailarinas, palhaços e mágicos

Com encanto, graça e magia

Tudo fazem para animar o respeitável público

Do qual também fazem parte

Mesmo que nem sempre esse público seja tão respeitável assim…

Alda M S Santos

Não foi

NÃO FOI

Não pode dizer que foi barco

Aquele que só ficou atracado no porto

Não pode dizer que foi pássaro

Aquele que viu a vida por trás das grades da gaiola

Não pode dizer que foi borboleta

Aquela que não saiu do casulo

Não pode dizer que foi gente

Aquele que ficou no porto, não voou, não saiu do casulo…

Não foi humano aquele que não soube ser terno

Aquele que mais destruiu que construiu

Que mais invejou que conquistou

Que não soube ser fraterno

Não soube ser amor…

Alda M S Santos

Quantos degraus?

QUANTOS DEGRAUS?

Quantos degraus até o céu?

A escada é sinuosa, rolante, escorregadia, antiderrapante?

Quem pode subir, há restrições, limites de entrada?

Podemos levar alguém, sermos levados por alguém?

E se nos cansarmos no caminho, tropeçarmos, cairmos?

Podemos voltar a subir ou perdemos a vez?

Os últimos serão os primeiros?

Quantos degraus até o céu?

A entrada é franca? Paga-se com quê?

Qual a “moeda” de troca?

Muitas perguntas… Sei lá!

Enquanto isso vou fazendo do agora o meu céu

Tal qual crianças a brincar, a pular amarelinha

Continuo subindo até o céu…

Alda M S Santos

Que inteligência é essa?

QUE INTELIGÊNCIA É ESSA?

Que inteligência é essa

Que produz máquinas e armas de destruição

Mas que não cura um câncer, um mal do coração?

Que inteligência é essa

Que num simples acionar de um botão

Pode lançar um míssel nuclear e nos reduzir a pó

Mas deixa morrer de fome um irmão?

Que inteligência é essa

Que nos leva à guerra, ao terreno do outro, por insanas disputas emocionais ou materiais

Mas não enxerga a vida que míngua bem nos seus quintais?

Que inteligência é essa

Que viaja em naves e foguetes pelo longínquo campo do espaço sideral

Mas não acha o caminho da paz e do amor dentro de si, de seu tão próximo campo emocional?

Que inteligência é essa?

Alda M S Santos

Não estamos sozinhos

NÃO ESTAMOS SOZINHOS

Somos humanos cercados por outros humanos

Numa casa rodeada por outras casas

Numa cidade fronteiriça de outra cidade

Dentro de uma nação que se avizinha de outras nações

Habitantes do planeta Terra, ao lado de outros planetas e astros

Membros de uma galáxia gigantesca

Não estamos sozinhos!

Mesmo quando não nos sentimos mais que pequeninos grãos de areia

E parecemos estar muito sós, não estamos

Em nossa mais intensa introspecção temos a nós mesmos

E quando encontramos a nós mesmos

Somos capazes de identificar o outro tão perto de nós

E estender a mão, pegar uma mão…

Alda M S Santos

Quimeras

QUIMERAS

Quiséramos ter estendido mais nossa infância

Ter congelado amigos dentro da gente

Do jeitinho que eram

Para nunca mais deixá-los partir

Quimeras…

Quiséramos ter curtido mais nossa adolescência

Sem tantos desejos de crescer

De ser independente, de acelerar o tempo

Apenas abraçar nossos “amigos para sempre”

Sermos apenas jovens desabrochando

Quimeras…

Quiséramos ter nos dedicado mais a nossos amores

Atendido mais nossos familiares

Prolongado sorrisos e abraços

Ter feito mais amor com a vida

Podido ser mais que simples adultos preocupados

Tendo sido mais leves em brancas e suaves nuvens de paz

Quimeras…

Quiséramos ter sido mais nós mesmos

Atendido mais nossas próprias vontades

Sem invadir as vontades e espaços dos outros

Cuidado melhor do que realmente importa

Sem contudo sermos egoístas,

Porque, afinal, sem desconsiderar tudo que conquistamos

E que faz parte de nós também

O que temos de real e verdadeiro, sempre

Somos nós mesmos…

Quimeras…

Meras quimeras…

Mas quiséramos…

Alda M S Santos

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