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poemas e reflexões da vida cotidiana

Confusão interna, carinho externo

CONFUSÃO INTERNA, CARINHO EXTERNO
Ela acordou meio down. Um dia cheio a aguardava.
Adorava dias cheios, mas nem isso a animava a sair da cama.
Espreguiçou-se longamente e levantou. Escovou os dentes e nem quis se olhar no espelho. Seria assustador!
A bagunça interna estaria em seus olhos.
Resolveu fazer o que toda mulher faz nessas ocasiões: cuidaria do exterior primeiro.
Seria mais fácil. Aumentaria a autoconfiança e a atenção poderia ser total à bagunça interna.
Unhas, cabelos e pele tratados, partiu para a mente e o coração.
Conversou com amigos e familiares queridos.
Leu um livro que gostava, escreveu um pouco.
Partiu a ajudar os outros…
Talvez quando terminasse, a bagunça nem seria mais tão importante!
Alda M S Santos

Quisera

QUISERA
Quisera poder voar
Bem alto, bem longe
A tudo de lá observar
Devagarinho, asas bem abertas
Poder planar, descansar
Calmamente, escolher onde pousar
Quisera poder voar
Como que por encanto
Cessar a dor, o pranto
De uma nuvem qualquer fazer meu canto
De travesseiro, repouso e acalanto
Quisera poder voar
Passar pela mente de toda gente
Sondar a alma, fazer inspeção
Saber onde há pouso para meu coração
Quisera poder voar
Para o mundo da magia, da fantasia, da poesia
E levar comigo quem quiser amar
Quisera poder voar…
Alda M S Santos

Pôr do Sol

PÔR DO SOL

Os olhos dela repousam no horizonte
Maravilhoso espetáculo atrás dos montes
Do mar, da floresta, no horizonte
Luz que vai, que se esconde, rica fonte

Energia, magia, vida que se inicia
Todo o tempo, não desiste, a cada dia
Ensinando a circularidade, o encanto, a poesia
O amor que se aquece, se abastece, sintonia

Um delicioso mistério, uma promessa
Voltará amanhã, sem pressa
Deixa a Lua a aquecer os amantes
O Sol é para nós um eterno viajante

Alda M S Santos
Mais no meu blog vidaintensavida.com

Até a vida anoitecer…

ATÉ A VIDA ANOITECER…
Há quem nos sugue
O vigor, a energia, a força
Há quem nos abasteça
De coragem, esperança e fé
Há quem nos dê, há quem nos tire
Há quem nos leve de nós mesmos
Há quem nos ajude a nos encontrar
Há quem fique, há quem se vá
Mas o que quer que façam conosco
Só o fazem com nosso aval
Assim dizem os sábios mais evoluídos
Que se mantêm intactos dentro de si mesmos
Meros mortais seguem a sugar e a abastecer
A serem sugados e abastecidos
Até a vida anoitecer…
Alda M S Santos

Preciso cuidar mais de mim

PRECISO CUIDAR MAIS DE MIM

Preciso cuidar mais de mim
Lustrar e dar brilho em algumas partes
Manter ao natural o que assim é belo, é arte
Deixar o fosco de lado, o que já é descarte

Preciso cuidar mais de mim
Selecionar quem passa por minha porteira
Quem vier trazendo o bem terá passagem
Colocar para fora o que não for camaradagem

Preciso cuidar mais de mim
Acender e alimentar meus cantinhos secretos
Valorizar quem está sempre por perto
E deixar ir quem não quer que dê certo

Preciso cuidar mais de mim
Para cada baú de tristezas que for aberto
Abrir a caixinha de alegrias, trazer para perto
E nesse doce balanço haverá equilíbrio, decerto

Preciso cuidar mais de mim
Para cada emoção gerada por uma decepção
Respirar fundo, chorar, aliviar a tensão
E ir em busca do que faz bem ao coração

Alda M S Santos

Somos água, somos ilha

SOMOS ÁGUA, SOMOS ILHA
Água, sempre água, por todos os lados
Corrente, fluida, represada,
Doce, sobre pedras, oceânicas, salgadas
Na garganta, escorrendo dos olhos
Em nosso entorno, sobre ou sob nós
Não importa, todas têm seu ciclo
Sobe e desce, evapora, “some”, condensa
Mas sempre volta, ora calma, ora bravia
Ensinando a viver essa magia
A superarmos os momentos letargia
Com calma, alegria, sem muito nos preocupar
A circularidade da água é prova dos ciclos vitais
Somos água, somos ilha, somos ciclo
Somos poesia…
Alda M S Santos

Obra aberta

OBRA ABERTA

Somos uma obra aberta da Criação
Aquela que pressupõe que haverá intervenção
Para o bem ou para o mal há participação
Em busca dos caminhos da evolução

Sentimentos dúbios podem interferir
Amor, ódio, indiferença a interagir
Vale sempre nossa escolha, nosso agir
Nessa obra aberta recheada de porvir

Se o amor e a doação fazem crescer
A aceitação e compreensão fazem valer
Tudo que por aqui vier a acontecer

Somos assim, páginas a preencher
Início, meio e fim, poesias a escrever
Quem afinal é bom entendedor gostará de ler

Alda M S Santos

Tire as sandálias

TIRE AS SANDÁLIAS
Abra a porteira, respire o ar puro
Tire as sandálias, pise devagar
Seja bem-vindo
Deixe lá fora qualquer peso
Sinta a leveza desse lugar, inspire
Tire as sandálias, as pedras que nela houver
Que possam cortar, ferir, atrapalhar
Refestele-se…
A maciez fria da grama refresca
Percorre a corrente sanguínea, acalma
Leva um sinal de paz a cada cantinho de nós
Tire as sandálias, entre, sorria com e por prazer
Levante os braços, agradeça
Inspire, expire, faça saudações à vida
Não há caminho mais longo e desejado
Que o que nos leva até nossa alma
Tire as sandálias, continue
Você está quase lá, mais um pouquinho só
E logo se encontrará com quem mais importa
O divino que habita em você!
Alda M S Santos

Sem borracha

SEM BORRACHA

Viver é escrever à caneta, desenhar sem borracha
É precisar aproveitar cada linha escrita, cada traço feito
E nessa louca procura, em que o que se quer nem sempre se acha
Precisamos transformar dor em versos, disfarçar o que é tido como defeito

Para cada flor desenha-se um beija-flor
Para cada lágrima que cai uma rosa a sugar e reaproveitar sua dor
Para cada risco incerto desse desenho, às vezes sem cor
Tentamos fazer um grande e colorido mosaico furta-cor

Viver é pintar com verde-mata, vermelho-sangue ou branco- neve
Mas não dispensar o preto retinto ou o amarelo-girassol
É entender que nessa mistura é que se faz o que é eterno ou o que é breve
É saber dia ou noite, ser lua, céu, mar, estrela ou sol

Viver é desenhar sem borracha, é não descartar o borrão
É fazer uma obra-prima digna do Mestre, original
Ter sempre o olhar do artista, valorizar toda a emoção
É acreditar que a arte da vida sempre tem um tom divinal…

Alda M S Santos

Ser coração

SER CORAÇÃO

Ser colo, acolhimento, empatia, sentimento
Exige uma alma sensível, receptiva
Domínio da própria emoção, com respeito
Que saiba ser amiga, compreensiva

Esse mundo onde tem imperado a dor, a solidão
Pessoas sentindo descaso e abandono
Rodeadas de gente, não há compreensão
Terreno fértil para aparecimento da depressão

Urge ser alguém que ouve e acolhe nesse mundão
Que estende a mão, sabe ser coração
Para aquele que se sente sem chão

O tempo corre , voa, não perdoa
Mas dá para ser ainda aquela alma boa
Que não quer passar por essa vida à toa

Alda M S Santos

Nem tudo

NEM TUDO

Nem tudo que é sentido precisa ser dito
Basta que faça bem, que seja bonito
Nem tudo precisa sufocar, silenciar
Quando calar fizer doer ou machucar

Nem tudo que é sonhado pode parecer real
Mas enquanto dura acalma o vendaval
Nem tudo que parece difícil é impossível
Se houver disposição para torná-lo possível

Nem tudo que mexe com a emoção
É necessariamente errado, sem razão
Faz parte do que faz pulsar o coração

Nem tudo que acontece é por si só bem ou mal
Tudo dependerá do nosso sentir ou agir
Daquilo que for capaz de nos fazer seguir

Alda M S Santos

Mundo difícil

MUNDO DIFÍCIL

Há por aqui gente de todo tipo
Em diferentes fases de evolução e aprendizado
Há quem se doe, seja crédulo, ajude
E há quem não saiba sequer ser amado

Há quem veja sempre o lado bom das pessoas,
Sabe ser carinho, acolhimento e respeito
Mas há quem não entenda esses sentimentos
E queira sempre tirar proveito

E a balança está sempre a oscilar
Crédulos, descrentes e aproveitadores
Em quantos ainda podemos confiar?

Inspirar esperança,, não deixar de acreditar
Pois quando se perder a fé na humanidade
É jogar a toalha antes da luta terminar

Alda M S Santos

Ele vai…

ELE VAI…

Uma vida construída no amor, por amor
Sem receitas ou tutoriais, um simples sensor
Ativando sorrisos ou lágrimas, curador
Ora na vida ator, autor, espectador

Fortalecendo raízes, criando asas
Despertando vontades, acendendo brasas
Permitindo aos poucos o voo alto
É a vida nos tomando de assalto

Segue o curso, a roda da vida gira
Causa alegria, expectativa, nostalgia
Controversas emoções buscam harmonia

O amor que recebeu certamente levará
Amor cresce e multiplica quanto mais se dá
Ele vai, ele volta, tem aqui seu lugar…

Alda M S Santos

Um norte

UM NORTE

Pode haver coisa mais linda
Que uma estrada assim tão colorida
Cheiro de mato, de terra molhada
De uma vida que segue, não fica parada?

Verde em vários matizes, brilhantes
Aromas da natureza, marcantes
Sons que acalmam, energizantes
Cachoeira que seduz, atraente, hipnotizante

Não importa se há bichos
Eles fazem parte do encanto
São natureza viva, cada qual em seu canto

Há quem goste, há quem desgoste
Há quem fique totalmente perdido
Há quem encontre aqui o seu norte

Alda M S Santos

Medida exata

MEDIDA EXATA
 
Será que existe a exata medida
Numa estrada tantas vezes comprida
O ponto certo de nossa felicidade
Sem tanta luta, com liberdade?
 
Qual será a exata medida
Do amor, carinho, da alegria perdida
Será aquele em que há acolhida
Num coração encontrar guarida?
 
Será que a exata medida
É aquela das promessas cumpridas
Sem tanta energia dispendida?
 
Sei que para o amor não há medida
Que seja o bastante, vida destemida
E libere toda a paz na alma contida

Alda M S Santos

Que vês no seu espelho?

QUE VÊS NO SEU ESPELHO?

Olha todos os dias nele, demorada ou rapidamente
Ao lavar o rosto, maquiar-se, fazer a barba, escovar os dentes
O que seu espelho reflete de volta, insistentemente
Qual imagem te mostra, vê algo diferente?

Que vês no seu espelho?

Rugas que mostram a cada dia um caminho que foi trilhado
O olhar com aquele brilho molhado, por vezes, decepcionado
Um sorriso disfarçado, ora amarelado, emocionado
Tentam esconder quantas vezes foi quebrado

Que vês no seu espelho?

Um ser humano sofrido, sobrevivente de lutas admiráveis
Repleto de cicatrizes, marcas no corpo, na alma, indeléveis
O peso do olhar, covardia ou coragem ao se encarar
Ao cobrar de si mesmo: que fez pra se orgulhar, se envergonhar?

Que vês no seu espelho?

Cada ruga, cada lágrima, cada sorriso, um sinal de amor
Uma saudade funda, uma alegria rasa, uma tristeza, um dissabor
Em cada marca, uma história, em cada quebra, uma dor
De quantas quebras um ser humano é capaz de se recompor?

Que vês no seu espelho?

Vê-se apenas viver, ser sorriso, ora flor, ora beija-flor…

Alda M S Santos

Leituras

LEITURAS
Há leituras e leituras…
Há quem leia um poema e se emocione
Há quem leia uma capa e se admire
Há quem leia um número e racionalize
Há quem leia apenas palavras e viaje
Há quem leia um corpo e se encante
Há quem leia um olhar e ali se perca
Há quem leia um toque e retribua
Há quem leia um abraço e devolva
Há quem leia um sorriso e se ilumine
Há quem leia a distância e a percorra
Há quem leia o silêncio e grite em resposta
Há quem leia uma dor e se solidarize
Há quem leia uma lágrima e a enxugue
Há quem leia uma saudade e vá nela morar
Há quem leia mais uma história fictícia e desista
Há quem nessa história se encaixe e insista
Há quem leia um momento doce e se lambuze
Há quem apenas decifre códigos gráficos
E há quem leia e interprete tudo isso
De acordo com suas vivências…
Como você me lê, lê os outros?
Alda M S Santos

Vida de sonhos

VIDA DE SONHOS

A vida que não para em nenhum momento
Acordados ou dormindo é só sentimento
A emoção, o carinho, o amor, contentamento
Sonhar é planejar da vida o acontecimento

Pode ser um doce passeio ao luar
Uma dança, um encanto, um suave bailar
Brincar de atrair, seduzir, doce olhar
A linda magia que há no ato de se amar

A vida é feita de sonhos e realidade
Em ambos pode haver felicidade
Se houver entrega, luz, cumplicidade

Nunca deixar de sonhar
Tampouco de querer realizar
Fazer de todo o viver momentos para amar

Alda M S Santos

Tempero

TEMPERO

Uns dizem que é prova de amor
Para outros é possessividade
Certamente é desconfiança
No outro, em si mesmo, em sua capacidade

Ciúme pode até ser doce, bonitinho
Prova de cuidado e carinho
Mas quando há invasão, perde-se a razão
Passa a machucar, a ferir o coração

Dizem que ciúme é do amor um tempero
Para aqueles que não sabem dosar
O sal que dá sabor, também pode amargar

Bom mesmo é temperar o amor com outras iguarias
Agridoces, adocicadas, apimentadas
Que agradem às almas apaixonadas, enamoradas

Alda M S Santos

Simplesmente nua

SIMPLESMENTE NUA
Quero ter a coragem de me apresentar nua,
Completamente nua, sem disfarces ou maquiagens
Alma rasgada, sem vergonhas, pudores ou medos
Nasci nua, nua retornarei
Querendo ou não…
De nada valerá tudo que aqui acumulei
Exceto o que tiver guardado na sacola leve da minha alma
Ou nos espaços especiais, cedidos ou por empréstimo,
Que tiver ocupado positivamente na alma de alguém
Bens materiais, diplomas, cultura, contas bancárias…
Tudo são “vestimentas”, acessórios!
Currículo só valerá o emocional
Tudo o mais ficará para trás…
O que interessa é se isso tudo
Permitiu que eu me tornasse uma pessoa melhor,
Mais tolerante, amiga, amável, solidária, correta
Para mim mesma, para aqueles que me cercam…
Nudez da alma é a verdadeiramente cativante
E é só por ela que Ele se interessa!
Simplesmente nua, assim quero me apresentar…
Alda M S Santos

Girassol

GIRASSOL
Quando amanheci procurei pelo meu sol
Aquele capaz de me aquecer, fortalecer
Com esforço eu me virava em busca dele
Como girassol…
Quando amanheci busquei meu sol
Aquele que me revigora, me energiza
Desperta-me para a vida, para o bem…
Quando amanheci, afastei os medos, enxuguei as lágrimas
Sorri, espreguicei e me abri para ele
Gira, gira, girassol, assim fiquei
E o encontrei a brilhar naqueles que me aquecem
Me amam, me acolhem, me fazem bem
Quando amanheci me abracei bem apertado ao meu sol
E o segui todo o tempo nesse encanto diário
Tal qual belo e sábio girassol
Busquei meu alimento, minha luz
Aquela que quase sempre vem do alto
E responde pelo nome de Jesus
Amanhecer assim é despertar para a vida…
Alda M S Santos

Esqueça

ESQUEÇA!

Hoje é dia para esquecer
Qualquer coisa que machuca, faz sofrer
Não importa a causa, a razão
Se faz mal, vamos esquecer, então

Se tira seu sorriso, não dá liga
Se não borra seu batom, quer só briga
Nem faz mais frio na sua barriga
Melhor esquecer, sem qualquer intriga

Esqueça se não te faz encorajar
Se só medo quer causar
E não te ajuda a levantar

Se te cansa, desanima, não tem magia
Se magoa, nubla, mina sua energia
Esqueça, busque o que desperta sua poesia

Alda M S Santos

Que sou pra você?

QUE SOU PRA VOCÊ?
A brisa suave que refresca e acalma, a água que gela
Ou o fogo que aquece, mas a tudo consome
Que sou pra você?
O colo que acolhe, o abraço que acalenta e apascenta
Ou a presença que agita, movimenta, preocupa, enerva
Que sou pra você?
A companhia, a amizade, o amor, a confiança, o cuidado
Ou a ausência dolorosa e saudosa, porém, necessária
Que sou pra você?
Um presente desejado, querido e amado
Ou aquele “objeto” a mais que tens a entulhar seus móveis
Que sou pra você?
A fraqueza, o calcanhar de Aquiles, o ponto nevrálgico
Ou a rocha firme, a raiz, a força onde se apoias nas crises
Que sou pra você?
Um passado saudoso, um presente tolerável e um futuro incerto
Ou apenas aquilo sem o qual você não se   imagina viver
Que sou pra você?
Posso ser um pouco de tudo isso
Em momentos diferentes…
Assim como você pode ser tudo isso para mim também
Como somos quase todos uns para os outros
Somos humanos, falhos,  aprendizes,
E co-dependentes do amor, da doação, dos erros para crescer…
Alda M S Santos

Não se culpe!

NÃO SE CULPE!

Se seu sol hoje não brilhou
Se a chuva a você encharcou
Não se culpe!
Arco-íris precisa de água e luz para colorir
E ser capaz de encantar e seduzir

Se o caminho parece longo demais
Se as flores já não perfumam mais
Não se culpe!
Sempre há trilhas, atalhos
Talvez neles recolha seus frangalhos

Se tudo parece um eterno estacionar
Se em você a alma está a divagar
Não se culpe!
A terra está girando devagar
E acaba colocando tudo no lugar

Se o viver te parece indiferente
Se não sabe mais ao certo o que sente
Não se culpe!
Observe bem, acolha, abrace, beije, seja gente
Acordar todo dia é um grande presente

Alda M S Santos

Faça

FAÇA

Faça aquilo que te dá vontade
Faça aquilo que tem que ser feito
Faça com fé e coragem
Mas nunca faça de qualquer jeito

Faça com amor, com carinho
Faça acompanhado, faça sozinho
Com cuidado para não bagunçar
E não conseguir mais endireitar

Faça com pressa, faça devagarinho
Faça como beija- flor, com jeitinho
Faça sempre, nada deixe pelo caminho

Haja luz ou escuridão, indiferença ou emoção
Faça sol ou faça chuva, frio ou calor
Faça da vida um lugar de mais amor

Alda M S Santos

Felicidade

FELICIDADE
Felicidade é estar em paz
Lidar bem com as próprias vontades e necessidades
É estar tranquilo com as faltas e as ausências
É saber esperar, é sorrir, é chorar
É até mesmo, por vezes, se rebelar e gritar
Felicidade é amar, ser amado
É aceitar e ser aceito, mesmo imperfeito
É fazer o bem, ser o bem
É cumprir nosso papel nessa nau
Não fazer o mal
É passear, banhar na cachoeira, no mar
É os altos e baixos da vida aceitar
É ler, escrever, ser poesia
É ser para alguém a magia
É ser amigo de alma, de coração
Daqueles que entendem sua emoção
É ser calor, colo, cobertor, fazer amor
Felicidade é um simples bom dia
É ter a luz da Lua brilhando na janela
Ou o sol queimando de dia a pele dela
Felicidade é ser, não ter
A suprema felicidade é não depender do externo
Ela já mora dentro de nosso ser
É um estado de espírito de paz, mesmo na solidão
É viver bem enquanto não chega
A hora de atravessar a ponte de volta para casa…
Você conhece a felicidade?
Alda M S Santos

Loucuras?

LOUCURAS?
Quero ser um caracol, fechar-me dentro de mim mesma
Sair apenas quando a luz de fora entrar
Ou a de dentro conseguir iluminar tudo lá fora
Quero brincar de esconde-esconde
Encontrar um esconderijo bem original
E lá ficar até ser encontrada por alguém com a mesma ideia.
Quero inspirar fundo, bem fundo, sufocar-me em coisas boas
E expirar, jogando fora tudo que faz mal
Quero correr, correr muito, sem direção, até esgotar todas as forças e não sentir mais nada.
Quero ser uma bolha de sabão, subir, subir nas árvores, nas nuvens, encantar e desaparecer.
Quero mergulhar, sem máscaras ou snookers, sentir tudo, descobrir tudo
Afogar-me, se preciso for, e renascer.
Loucuras?
Às vezes são necessárias para se manter a sanidade.
Alda M S Santos

Estradas da vida

ESTRADAS DA VIDA

Aquele vento nos cabelos pelas janelas abertas
As vistas ardem, o peito aperta, as lágrimas rolam
Segue dirigindo, música alta, meio alheia a tudo
Será que a rota está certa?
Não se preocupa muito, sensação de liberdade
Vontade de dirigir sem rumo, indefinidamente
Passa por lugares chuvosos, outros ensolarados
Estradas planas ou grandes aclives, secas ou floridas
Retas ou curvas, lá fora a vida parece meio irreal, surreal
Vê as árvores passando tão rápido, tão perto
Dentro dela enorme confusão, um grande vendaval
Tenta organizar os espaços, estabelecer prioridades
Apagar com sorriso as mágoas e decepções
Escrever, a lápis mesmo, novos planos
Pode precisar redefinir, reescrever, refazer
Acende a luz para iluminar alguns sonhos
Deleta outros, são mesmo impossíveis
E o caminho vai ficando para trás
Culpas, erros, derrotas, excesso de confiança vão ficando
Percebe que as estradas são metáforas da vida
Há de tudo um pouco, mas tudo vai passando
Basta seguir em frente que novos pontos vão se descortinando
Tenta levar consigo boas lembranças, pessoas de bem
O amor,  a amizade, a fé e a esperança
Quando já não doer mais, talvez ela volte
Para um novo ponto de partida
Um recomeço para a mesma vida …

Alda M S Santos

Pra viver é preciso sonhar

PRA VIVER É PRECISO SONHAR

Não há vida sem sonhos, há apenas a seca sobrevivência

Pra manter-se vivo de verdade, vibrante, é preciso sonhar

Mas há que se ter equilíbrio, saber dosar a água e o fubá

Um sonho sozinho não se sustenta por muito tempo

Desfaz-se feito nuvens negras em dias de verão

Tampouco a dura realidade se mantém íntegra sem a liga dos sonhos

Quem vive sem sonhos amarga duras realidades

Quem vive só de sonhos amarga dolorosas decepções

Até mesmo um sonho precisa de umas pitadas de realidade, vez ou outra

Para temperar a vida,

Para poder sobreviver…

Alda M S Santos

Infinito

INFINITO

Quero o infinito e seus mistérios
A (im)possibilidade que atormenta
O desconhecer que não acalenta
Quero o mundo e seus refrigérios

Quero um amor infinito, maduro
Mas não um amor qualquer
Que seja verdadeiro, puro
Intenso, cheio de bem-me-quer

Quero esquecer que a vida é finita
Quero-a infinita, sempre bonita
Não vou desistir, não insista

Quero no infinito mergulhar
Me perder, me achar, me reencontrar
Fazer esse mundo louco girar

Alda M S SANTOS

Curtir a paisagem

CURTIR A PAISAGEM

Sempre haverá algo para nos desagradar
Um barulho que não para de soar
Um silêncio que insiste em gritar
Um sonho que não quer realizar

Sempre haverá algo novo para lidar
Um sapato apertado a incomodar
Aquela roupa que não cai mais tão bem
Uma saudade que nem sempre convém

Não importa se é um desejo não atendido
Um amor no coração mal resolvido
Uma frustração por algo até descabido

Tudo isso faz parte dessa passagem
Saber lidar com isso, tornar boa a viagem
É relaxar e, apesar disso, curtir a paisagem

Alda M S Santos

Pra ser feliz

PRA SER FELIZ

Se perguntarem “que precisa pra ser feliz”
Assim de supetão, que você me diz?
O trio certeiro saúde, amor e paz
Parece bom, sem erro, eficaz

Mas esse trio não é de presente ofertado
Precisa ser a princípio conquistado
Dia a dia cuidado, abastecido, alimentado
Se não quiser perder tudo, ficar no desagrado

Saúde exige abastecer mente, corpo, coração
Amor exige sintonia, magia e emoção
E uma dose extra de respeito e perdão

Mas o que permeia essa sensação de felicidade
É a paz que vem da verdadeira simplicidade
Mora na alma dos que carregam em si a bondade

Alda M S Santos
Tarde de poesias- Pra ser feliz

Colisão

COLISÃO

Que fazemos por aqui- a pergunta não quer calar
Nuns momentos somos apenas mais um na multidão
Querendo gritar, mas apenas conseguindo silenciar
Querendo fugir em busca de uma resposta
Vagar por aí desejando ardentemente uma solução
A vida nem sempre se apresenta boa ou bela
Tantas vezes usa um idioma incompreensível
E só mesmo quando mergulhamos bem fundo
Ou quando saímos de nós mesmos e damos uma volta por aí
É que passamos a entender que a decepção pode ser dolorosa lição
Mas é a aula número um dos aprendizados de vida
E seguimos sozinhos vagando no espaço sideral de nós mesmos
Até a colisão, a explosão e a ressignificação…

Alda M S Santos

Nossa bagunça

NOSSA BAGUNÇA
Uma ampla sala arejada com poltronas aconchegantes
Um quarto quentinho, macio e acolhedor
Uma cozinha receptiva, com aroma de café e pão de queijo
Uma rede na varanda com uma vista da Serra
Um quintal com flores, frutos e balanço na goiabeira
Um gramado para brincar, dançar, se exercitar
Um sótão para guardar as bagunças e ferramentas…
Cada qual tem seu sonho de casa, de moradia
Mas para um lar todos têm o mesmo desejo
Que seja amoroso, pacífico, harmonioso
E isso independe da casa em que se mora
Depende muito de com quem se mora
E da sabedoria em manter organizados nossos ambientes internos
Nossa “casa” não é sempre um amplo espaço arejado
Mas também não pode ser toda ela um sótão bagunçado
Um lar “arrumado”, ou não, está diretamente ligado
Ao modo como cada pessoa presente ali
Lida com a bagunça que traz dentro de si
E com a bagunça que o outro traz consigo
Alda M S Santos

Nas batalhas

NAS BATALHAS
Batalha pelo pão que alimenta o corpo
Batalha pelas águas claras que hidratam o ser
Batalha pelo chão firme sob os pés
Batalha pelo céu azul que possibilita voos livres
Batalha pelo abraço gostoso que une os seres afins
Batalha pelos bons relacionamentos que enriquecem o viver
Batalha pelo amor recíproco que alimenta a alma
Batalha para sentir-se membro dessa nau
Batalha para ter onde repousar corpo, mente e coração
E viver um sonho real
De amor e compaixão…
Nas constantes batalhas para nos firmar como gente
Devemos nos cuidar para não perdermos nossa humanidade
Nas batalhas da vida precisamos, às vezes, nos render
Pedir uma trégua, talvez até nos sentir meio presos
Para poder sermos verdadeiramente livres e vitoriosos
E seguir em paz quando chegar o momento de voltar para casa
Alda M S Santos

Não importa

NÃO IMPORTA
Não importa quem começou a briga,
Importa quem saberá por fim à pendenga
Não importa quem primeiro criou a mágoa
Importa quem será capaz de perdoar e seguir
Não importa quem adoeceu ou mais sofreu
Importa quem saberá ser a cura,
Não importa se a tempestade quase tudo levou
Importa quem irá se levantar para começar a reconstrução
Não importa se a doença não sara
Importa quem aprende a conviver com ela
Não importa se errou, todo mundo erra
Importa se aprendeu com o erro e prosseguiu
Não importa quem começou o amor
Quem o interrompeu, teve dúvidas ou fraquezas
Se houve tropeços, quedas, obstáculos
Importa mesmo é quem nunca deixará de amar…
Alda M S Santos

Quero morar

QUERO MORAR

Quero morar num lugar especial
Tão longínquo quanto o espaço sideral
Onde eu possa silenciar ou gritar
Sem ninguém interromper ou se assustar

Quero morar sem pagar aluguel
Pintar as paredes, o chão, meu céu
Em cores vivas ou em tons papel
Brincar de roda e de passar anel

Quero morar numa casa de amplas janelas
De portas escancaradas, sem tramelas
Onde a brisa possa minha pele acariciar
E num sonho bonito me acalentar

Quero morar dentro de um coração
Mas não quero ficar apertada, não
Onde possa brincar de beijar, de amar
E ali ser pra sempre meu lugar

Alda M S Santos

O acaso existe?

O ACASO EXISTE?

O acaso é aquele que chega e faz acontecer
Expõe o que estava brincando de esconder
Não importa se te fará feliz ou sofrer
Ele chega e faz bagunça no seu viver

O acaso desnuda almas, clareia emoções
Um jeito de ser, atitudes e sensações
Abre portas, escancara janelas da alma
Confronta palavras e atitudes sem calma

Será mesmo coincidência, um acaso?
Ou não existe nada aqui por acaso
Não importando se é de teor profundo ou raso

Se o acaso quiser mostrar algo
É bom olhar, prestar atenção
Em tudo há que se tirar uma lição

Alda M S Santos

Poeta-coração

POETA-CORAÇÃO

A poesia é eterna, universal, vitalícia
Bela, emocionante, com ou sem malícia
Ela está entranhada na alma do poeta
Quer perceba, ou não, ela é sua meta
Poesia e poeta se retroalimentam
Ainda que não a transforme em versos
Ele a vive nesse mundo de atos controversos
Na chuva que cai ele a vê prateada
Na mente a sente, também na alma carente
Poeta poetiza, dança sob o luar, faz baliza
Ele vê poesia na natureza, em toda emoção
Naquela que se aloja em seu coração
Em seus sonhos faz morada
É sua eterna e terna namorada
Poesia está em seu caminhar
No seu jeito de olhar, falar ou calar
Poeta é depósito de toda essa confusão
Que há no mundo, causa comichão
Tenta em si uma melhor organização
De cada desejo, sonho, vontade, sensação
Ele tenta traduzir para sua linguagem preferida
O amor que faz e nutre de beleza sua vida
A poesia não morre onde há um poeta-coração
O poeta vive no que a poesia lhe dá, presenteia
Uma alma repleta de amor que incendeia
Mantém sempre brilhante essa doce centelha

Alda M S Santos

Deixe virar poesia

DEIXE VIRAR POESIA
Aquilo que te leva ao êxtase
Que provoca risos sem fim
Deixe virar poesia
Aquilo que te machuca, corta
Que causa dores e cicatrizes
Deixe virar poesia
Aquilo que você agora desconhece
Que te magoa, enrijece
Deixe virar poesia
Aquilo que te sensibiliza, emociona
Que aperta o coração, e que você tanto ama
Deixe virar poesia
Aquilo que te amedronta, aterroriza
Causa pesadelos que nem a luz ameniza
Deixe virar poesia
Aquilo que é real, imaginário
Que é fugaz ou que virou saudade
Deixe virar poesia
Aquilo que é beleza, na simplicidade ou na sofisticação
Que traz sabor e aroma ao cotidiano
Deixe virar poesia
Tudo aquilo que é vida, que não se desperdiça ou economiza
Se eterniza
Deixe virar poesia…
Alda M S Santos

Conexão

CONEXÃO

É mágica a conexão que temos com a natureza
Flora, fauna, mananciais hídricos, pura beleza
Alegria ímpar que não podemos deixar se perder
É ela que reenergiza nossas baterias emocionais
Com seu silêncio pacífico, calmante
Sua intensidade viva, relaxante
Suas cores fortes, ricas, vibrantes
Não há mente que não se encontre
Não há corpo que não se encaixe
Não há coração que não fique forte
Não há alma que não encontre seu norte

Alda M S Santos

Queria voltar àquele tempo

QUERIA VOLTAR ÀQUELE TEMPO
Queria voltar àquele tempo
Onde os desejos eram simples e facilmente satisfeitos
Chupar bala puxa-puxa, subir em árvores, andar descalça, brincar na rua, tomar banho de bacia, dividir a cama com o irmão
Tempo de sentimentos puros e perfeitos…
Queria voltar àquele tempo
Onde os amigos eram menos virtuais, mais reais
Estavam do outro lado da cerca de bambu
A apenas um abraço de distância
Tempo de amigos leais…
Queria voltar àquele tempo
Onde os amores eram mais verdadeiros
Confidências, sorvete na pracinha, beijos roubados, “pegas” no portão
Tempo de amores mais parceiros…
Queria voltar àquele tempo
Onde as músicas eram pura poesia
Dançantes ou não, tocavam corpo e alma
Tempo de melodias que refletiam o que a gente sentia…
Queria voltar àquele tempo
Onde até sofrer era uma forma “doce” de viver
Sem precisar recorrer a antidepressivos
Tempo de magia, encanto e prazer…
Queria voltar àquele tempo,
E me sentir plenamente reviver…
Alda M S Santos

Devaneios

DEVANEIOS
Vou escrever uma história
Daquelas bem bonitas
Real ou imaginária
Talvez mesclada, realizada e sonhada
E colocar numa garrafa de vidro
Enrolada tal qual pergaminho
Exalando um pouco de perfume suave
Um beijo de batom rosa
Umas lágrimas desobedientes
Muitos sorrisos de satisfação e amor
Colocar uma rolha fechando a vácuo
E lançar no oceano…
Quem sabe um dia, décadas à frente, alguém a encontre
A esfregue para retirar marcas do tempo
E, tal qual gênio da lâmpada de Aladim
De lá de dentro a história se materialize novamente
Rica em detalhes e melhor vivida
Ou que apenas deixe para a posteridade
O registro de uma história de vida bonita
Espero que seja a nossa…
Alda M S Santos

Gosto

GOSTO

Gosto de quem, apesar da aridez, sabe florescer
De quem sabe, apesar da própria dor, acolher
De quem usa a sabedoria para enternecer
E nunca, nunca desiste de lutar por esse viver

Gosto de quem espalha delicadezas
Em forma de palavras, sorrisos, belezas
Na vida insiste, no amor acredita, usa sutilezas
Ainda que veja no entorno tanta aspereza

Gosto de quem não desiste do amor
Independente se já nele se perdeu
Mas não se deixou levar pelo rancor

Gosto de quem escolhe ser a própria poesia
Num mundo onde ganha espaço a agonia
Numa batalha por um pouco mais de harmonia

Alda M S Santos

Fantasia de Carnaval

FANTASIA DE CARNAVAL
A julgar pelo tanto que amo dançar
Carnaval deveria ser para mim ótimo lugar
Mas ele não me traz prazer ou alegria
Exceto por poder fugir da confusão
E na natureza encontrar a solução
Ali na mata mato a fome, sacio desejos na poesia
Aquela que me traz paz, harmonia
Coloca-me em contato com meus sonhos
E minhas mais doces fantasias
Alda M S Santos

Não quer

NÃO QUER
Ela não quer ser uma lembrança dos tempos áureos
Uma foto desbotada na estante de alguém
Uma marca impressa numa alma arrependida
Ou a saudade de uma relação doída
Ela não quer ser história passada
Nos livros a tristeza registrada
Ela não quer ser a magia
Rabiscada num livro velho de poesia
Ela quer se eternizar, se renovar
Ser desejada, cobiçada, uma joia rara, valorizada
Não tem um preço a se pagar
Mas tem valor que qualquer um pode conquistar
Cobra apenas cuidado e desejo de conservar
Ela não quer ser esquecida, embrutecida
Precisa de amor para ser abastecida
Ela é o que sustenta a vida
Ela é a natureza…viva…
Alda M S Santos

Barulhos de dentro

BARULHOS DE DENTRO
Eta mundo barulhento!
Muitos e muitos decibéis a invadir nossos tímpanos
De todos os tipos, timbres, inúmeros ruídos
Graves, agudos, verdadeira poluição sonora.
Nossa percepção acústica acaba por se confundir.
Frequências sem padrão,
E o efeito é um sinal complexo.
Difícil de ser caracterizado com exatidão.
Tantas vezes são bem vindos!
Principalmente quando os escolhermos
Com o intuito de confundir outros ruídos de fora
Ou, particularmente, para abafar os barulhos de dentro.
Aqueles que gritam, confusos, não os entendemos, não aceitamos,
Tampouco conseguimos silenciá-los!
Cantamos alto, desafinados, rimos, choramos, dançamos
Aquela linda canção, no volume máximo, repetidas vezes.
Que nos isola lá de fora, nos isola cá de dentro
E, em transe, no meio do caminho, ficamos.
Aguardando quem sairá vitorioso:
O barulho de fora ou o barulho de dentro…
Alda M S Santos

Amor é cura

AMOR É CURA

Amor que em qualquer dosagem é cura
Que ensina a lidar com várias interações
A ir amenizando o sofrer, a amargura
Despertando bons sentimentos e emoções
Enfrentando a vida, tantas vezes dura
Amar se aprende amando
Na prática do dia a dia, errando e acertando
Não há tutoriais, não há receitas
Se serve pra um não é certo que dê pro outro
Precisa ir adaptando, aparando arestas
Seja em qual modalidade o amor se apresentar
Não é preciso saber amar de antemão
Basta agir com alma, com coração
Saber ser luz, ser acolhimento, ser perdão
O amor é e sempre será a nossa salvação
Como indivíduos, como humanidade
Em qualquer tempo, lugar, idade
Sem amor não há vida, não há evolução

Alda M S Santos

Real

REAL

Sou assim, queira ou não, bem real
Acerto, erro, brinco, fico séria
Gosto de ser o máximo natural
Descabelada, arrumada, no salto ou descalça

Sou assim, queira ou não, bem real
Sorrio até a barriga doer
Choro até não mais poder
O rosto inchado, olhos vermelhos
Até passar o vendaval
Sou doçura, carinho, colo, desejo
Por vezes bem sensual

Sou assim, queira ou não, bem real
Ora distante, falante, alegre ou enraivecida
Isso tudo faz parte da vida
Ora pura candura, fácil leitura
Ora travessura, bravura, amargura
Buscando apenas uma cura

Sou assim, queira ou não, bem real
Ora lindeza, feiúra, pureza, levadeza, comunicação
Ora tristeza, dor, reflexão, introspecção, solidão
Apenas alguém que quer da vida amor, emoção, evolução
Sou assim, queira ou não, bem real…

Alda M S Santos

Não é em vão

NÃO É EM VÃO
Não é em vão
Qualquer ação vinda do coração
Não importa como ela chega
De onde vem, de quem vem
Se vier da alma, houver compaixão
Não é em vão
Se traz alegria, harmonia, atenção
Se agita a emoção, acelera o coração
Pode durar minutos, horas, dias
Até se eternizar na lembrança
Não é em vão
Um abraço apertado que nos tira do chão
Um carinho, um beijinho, um “juízo, hein”
Por amizade, solidariedade, humanidade, amor
Se faz brotar o sorriso, se te deixa leve
Não é em vão
Vã é a crença de que nada vale…
Alda M S Santos

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