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Brinde da maturidade

BRINDE DA MATURIDADE

Não gosta, não fique perto
Faz mal ou machuca, se afaste
Não gosta de ouvir, desligue
Te causa angústia, mude o foco
Não quer brigar, não responda, ignore
Não quer brincar não entre no jogo
Não procure, não veja, não leia
Se é politicagem ou mentira, pule
Se é falsa religiosidade, só lamente
Não gaste energia com o que sabe que fere
Dê tempo, se cuide, se trate bem, se cure
Feche portas, tranque janelas, abra persianas
Elas mostrarão para quem destrancar a alma
A vida requer sabedoria, boas escolhas
Só nós mesmos somos capazes de identificar
O que vem para somar, acrescentar
Ou o que já não serve mais, só vai atrasar
Saber onde quer ficar e de onde sair é brinde da maturidade
Aproveite!

Alda M S Santos

Pelo menos…

PELO MENOS…

Os “pelo menos” da vida são frustrantes
Não somos um país rico ou desenvolvido
Mas pelo menos não temos catástrofes
Não temos uma política decente
Mas pelo menos temos bom humor
Não temos uma educação que seja valorizada
Mas pelo menos damos uma ajeitada
Não temos moeda forte, uma língua universal
Mas pelo menos nosso clima é bom, é tropical
Não temos uma casa dos sonhos
Mas pelo menos não temos pesadelos
Não temos a família perfeita ou amor ideal
Mas pelo menos não somos sós nesse quintal
Não temos lazer, prazer, algo legal pra fazer
Mas pelo menos conseguimos sobreviver
Tudo bem, vamos nos conformando
Mas seria tão bom se isso não nos estacionasse
No mundo seguro do pelo menos, da conformação
Se pudéssemos lutar por uma melhor situação
Na qual pudéssemos dizer, sou feliz, por que não?
Com a vida assumo esse compromisso, faço esse trato
Sempre ser luz, ser paz, ser amor, isso é fato!
Pelo menos não, que bom que é assim!

Alda M S Santos

Tinha tanto medo…

TINHA TANTO MEDO…

Tinha tanto medo de ficar perdida que já não mais saía
Tinha tanto medo de não ser feliz que já não sorria
Tinha tanto medo da prisão que já não tinha liberdade
Tinha tanto medo da tempestade que já não curtia o Sol
Tinha tanto medo da escuridão que perdia sua própria luz
Tinha tanto medo de envelhecer que não aproveitava o amanhecer
Tinha tanto medo de ser enganada que não arriscava nada
Tinha tanto medo de ser dependente que vivia doente
Tinha tanto medo da solidão que aceitava qualquer situação  
Tinha tanto medo de tudo um dia esquecer
Que a vida se tornava um eterno reviver
Tinha tanto medo de tudo, de morrer que nada mais fazia que sobreviver

Alda M S Santos

Mundo largado

MUNDO LARGADO

O tempo está passando, vidas indo, outras chegando
A ciência evoluindo, a politicagem aumentando
Gente boa sendo enganada, ruim sendo aplaudida
O caminho parece cansativo e longo, trilha comprida
O desejo de conquistar o mundo ora domina
Em contraponto com vontade de desaparecer numa esquina
Horas em que tudo parece ter um significado
E outras em que nada faz sentido, mundo largado
Vontade de nos misturar a tudo, não mais pensar
Apenas nessa viagem louca nos deixar levar
Porque há momentos em que se for parar para refletir
Só prevalece o desejo insano de fugir
Fechamos a conta, jogamos a toalha
O coração aperta, a vista embaralha
E ainda há quem acredite nessa humanidade
Que investe em nós, parece mesmo insanidade
Guerras, abusos, corrupção, doencas, demagogia
A mente sofre, coração aperta, o que alivia?
Saber que Deus ainda nos mantém por aqui, acredita
Não adianta desistir, se entregar ou fazer fita
Acordar, levantar da cama, abrir a janela, chuva ou sol, frio ou calor
Melhor seguir nesse caminho…e investir no amor
Só ele é capaz de fazer tudo isso ser mais leve e verdadeiro
Nas idas e vindas desse trem nos mantermos passageiros
Só ele. Só Ele!

Alda M S Santos

Prioridades

PRIORIDADES

Na vida é muito bom ter certas habilidades
Particularmentes saber estabelecer prioridades
Naqueles momentos em que parece haver tantas opções
Quando na verdade muitas são enganações

Nem sempre aquele sorriso pode ser amigo
Ou quem te puxa as orelhas é inimigo
Entender que nunca seremos unanimidade
Acreditar nisso é, no mínimo, infantilidade

Hoje posso priorizar a chuva, amanhã o sol
Num momento querer praia, no outro cachecol
Saber ser sombra ou um majestoso farol

Preciso na verdade ser minha prioridade
Não deixar que tolham minha liberdade
Por aqui ser amor, luz, paz e solidariedade

Alda M S Santos

Somos passageiros do tempo

SOMOS PASSAGEIROS DO TEMPO

Somos passageiros da vida, do tempo
Transitamos por aqui, nem sempre a contento
Ora em momentos luz, ora em escuridão
Vamos aprendendo e ensinando a lição

Como passageiros chegamos um dia
Como passageiros partiremos, haverá alegria?
Nessa viagem há tanta gente que vai embora
Bom focar nas relações, amar sem demora

Nessa nau precisamos ter cuidado e atenção
Sempre haverá alguma comunicação,
O grito fala, o silêncio também
É de bom tom saber o que convém

Como passageiros trazemos uma bagagem
Por aqui usamos a tudo com força e coragem
Na partida é preciso muita sabedoria
Para saber o que deixar ou levar com alegria

Alda M S Santos

O amor e o tempo

O AMOR E O TEMPO

Que o amor faz ao tempo: acelera, modifica?
Que o tempo faz ao amor: fragiliza, solidifica?
O amor tem poder de parar o tempo
Congelar nos momentos mais felizes
Onde não haja contratempos?
Ou segue indefinidamente, mero passatempo?
O tempo dilui o amor, desaparece, enfraquece
Ou o enraiza, fortalece, engrandece?
Por si só o tempo não faz nada
Tudo dependerá da ação empenhada
Do que queremos ter em nós eternizada
Lembranças boas e aprendizados
Carinhos e atenção recebidos e doados
O tempo apenas potencializa
Aquilo que temos como prioritário
Fará crescer o que foi cuidado e regado
Fará morrer o que foi a segundo plano relegado
Mas o tempo sempre permite aprendizado
E novo recomeço a coração magoado
Disposto a se enveredar nesse mundo
Onde aquele que ama é sempre abençoado
Sempre haverá tempo para um alguém
Que se dispõe a amar e ser amado …

Alda M S Santos

Se me importa

SE ME IMPORTA

Se me importa, vou me preocupar
Vou estar junto, vou perguntar
Sobre aquele semblante sério
Sobre o que é claro ou mistério

Se me é importante pode alegrar meu dia
Ou pode me fazer sonhar, ser fantasia
Se me importa pode me fazer chorar, entristecer
Se fizer algo que machuque, me faça sofrer

Se não me importa não adianta plantar bananeira
De nada servirá seriedade ou brincadeira
O seu agir já não determinará minha vida inteira

Se me importa o sorriso me contagia
A presença, a atenção são pura alegria
O carinho, o cuidado inspiram poesia

Alda  M S Santos

Pandemia, pandemônio

PANDEMIA, PANDEMÔNIO

Quase três anos de pandemia
Seguidos de um ano de pandemônio
Se eu sobreviver a tanta agonia
Penso que enfrento qualquer demônio

Tanta dor, tanta morte, tanta discussão
Gente do bem andando na contramão
Doença que se alastrou, riscos inimagináveis
Gente de viseira, valores questionáveis

O mundo luta pela paz, guerra sem razão
Momentos em que passa sede o coração
Cansados seguimos sem querer exclusão
Quero apenas agir no bem, na compaixão

Busco um cantinho de paz em mim
Que seja perfumado e colorido meu jardim
Doenças, dores, política e radicalismo
Quero longe de mim, sobreviver, sem fatalismo

Alda M S Santos
Mais no meu blog vidaintensavida.com

Prazo de validade

PRAZO DE VALIDADE

Queria que algumas coisas fossem vitalícias
Durassem para sempre algumas delícias
Mas para tudo há prazo de validade
Quer seja bom ou ruim, sonho ou realidade

A água que desce nas corredeiras
O barulho gostoso das cachoeiras
A brisa suave que a alma acaricia
Ou a água gelada que a pele arrepia

Chuva também é bom, curta duração
Faz bem para todos, necessária irrigação
Leva-nos para uma boa introspecção
Incha o broto que vai nascer no coração

Bom tornar vitalícios a amizade, o amor
O sol gostoso que é luz e calor
Já a tristeza e decepção podem ter curta validade
Não fazem falta, nublam a felicidade

Alda M S Santos

Céu ou inferno

CÉU OU INFERNO

Quem faz seu céu, seu inferno
Quem é sua primavera, seu inverno
Quem acende sua luz, ilumina seu caminho
Quem é aquele que não te deixa sozinho

Meu céu sou eu quem faço, quem crio
Escolhendo o que é luminoso ou sombrio
Com as portas que abro ou fecho em mim
Com aqueles que eternizo ou ponho um fim

Sou céu quando sou amor, sou reciprocidade
Sou inferno quando não sou realidade
Sou sombra quando perco a esperança
Sou luz se não desisto de meu lado criança

Sou céu quando sou verdadeira, abro o véu
Quando afasto o que faz mal, sem escarcéu
Sou inferno quando luto por guerras perdidas
Sou céu quando acolho minh’alma sofrida

Alda M S Santos

Mundo

MUNDO

Mundo que tira, mundo que dá
Mundo que nos deixa a pensar
Mundo que nos rouba, que nos devolve
Mundo que nossas entranhas revolve

Mundo que nos cansa, nos ensina
Mundo que decepciona, nos fascina
Mundo do qual queremos fugir, sumir
Mundo que nos cativa e nos faz insistir

Mundo para o qual viemos por alguma razão
Para crescer, amar, lutar, ser evolução
Mundo que carrega muita desigualdade
Onde queremos ver mais humanidade

Mundo que quero subir no pódio e aparecer 
Às vezes quero ser minúscula, desaparecer
Mundo que quero deixar melhor que encontrei
Por isso busco fé e coragem, não desistirei

Alda M S Santos

Desafios

DESAFIOS

Levantar cedo com chuva lá fora
Ver quem a gente ama ir embora
Ouvir mentira e falsidade e ficar calado
Não ter quem a gente quer do nosso lado

Ter que escolher entre o ruim e o pior
Lutar contra alguém que parece maior
Escolher entre praia ou cachoeira
Levar decepções e mágoas na brincadeira

Manter leve e solta uma amizade
Engolir o choro quando falta lealdade
Sorrir quando o desejo é de sumir
Ter que fazer de conta, disfarçar ou fingir

Dizer não ao queijo com goiabada
Querer ser sempre a bela namorada
Dividir a cama, o abraço e o cobertor
Ser e fazer morada por direito e não favor

Conquistar alguém que está distante
Manter uma relação quente e vibrante
Fazer do amor um belo e doce desatino
Sem perder a sanidade, abraçar o destino

Alda M S Santos

Joga fora!

JOGA FORA!

Joga fora o que já não aquece
Ou aquilo que causa aperto, enrijece
Joga fora aquilo que fere e machuca
Assim vamos fugindo de arapucas

Joga fora o que não alegra e perfuma
Que não permite cor e beleza alguma
Joga fora, lance sem piedade ao vento
O que trava e estaciona o pensamento

Joga fora o amor que só causa dor
Certamente há algo com menos rigor
Joga fora, ou recicle, um sentimento
Busque reciprocidade, contentamento

Joga fora o que não é primordial
Por aqui manter o bem, afastar o mal
Nessa viagem só bagagens leves
Amor, paz, luz, união, a vida é breve

Alda M S Santos

Um rio

UM RIO

O rio da minha vida segue devagarinho
Sem se importar com obstáculos do caminho
Tem sempre em mente seu objetivo
Encontrar-se com o mar, ser dele cativo

As pedras são lentamente contornadas
As matas ciliares apoiam, são abençoadas
A luz brilhante que chega por entre os galhos
São uma energia a mais, iluminam os atalhos

Meu rio passa por sombras assustadoras
Outras são leves e compensadoras
Muitas vezes caudaloso, forte, intenso
Noutras um fio de água só, sequer penso

Meu rio sabe que um dia chegará ao mar
Mas quer curtir todo o caminho, quer passear
Quer encontrar afluentes, brincar, namorar
Pois entende que o amor tem ali seu lugar

Alda M S Santos

Meu sol

MEU SOL

Sempre em busca do calor e luz do sol
Como uma árvore, uma roseira, um girassol
Tento não me afetar com as tempestades
Acredito que elas levarão embora as maldades

Sei que a vida tem seus vendavais
Que quase sempre nos deixam sinais
De um mundo passado, um futuro desejado
De um presente que tenha amor ao nosso lado

Tão bom poder encontrar por aqui um lugar
De paz, de luz, de doce recolhimento
Cantinho especial para desvendar sentimentos

Bom mesmo é acender o sol do lado de dentro
Em qualquer lugar levar brilho e contentamento
De uma vida desejada, alheia ao sofrimento

Alda M S Santos

Tamanho não é documento

TAMANHO NÃO É DOCUMENTO

Tamanho não determina a força, tampouco a capacidade
Legislando em causa própria, será verdade?
Dizem que tamanho não é documento
Vale o que está dentro do coração, o sentimento

Há grandes e pequenos seres na natureza
Nada disso limita a atitude, a grandeza
Há força e capacidade entre altos e baixos
Considerar só o tamanho é limitar, só acho

Entre as plantas também há enorme riqueza
Tantas pequeninas carregando tanta beleza
Cores, flores, odores, sem importar a dimensão do frasco
Quem se atém ao tamanho se mete num fiasco

Já humanos valorizam demais a aparência exterior
Cedo ou tarde percebem que vale mais o interior
A estampa que se expõe na vitrine pode ter qualidade
Mas não diz o que há pulsando no coração de verdade

Alda M S Santos

No self-service da vida

NO SELF-SERVICE DA VIDA

No grande self-service da vida há muito arroz com feijão
Há também pratos carregados de sofisticação
Há aqueles que nos ganham pelos olhos
Outros pelo sabor, pelo preço, pela nutrição
Tantos de nós ficamos perdidos nessa vitrine alimentar
E nos empanturramos, confundindo nosso paladar
Escolhas implicam sins, carregam também muitos nãos
Maioria das vezes nos bastam o arroz com feijão
E nos iludimos com o que não é boa refeição
Quando percebemos já prejudicamos a digestão
Bom saber o que faz bem para o corpo e o coração
Na vida emocional vale a mesma ponderação
Vícios causam males, grande confusão
Gosto mesmo de um prato simples e saboroso
Não me engano com o que na vitrine parece apetitoso
Na certeza de estar bem nutrida e alimentada
Sei escolher meu prato físico e emocional
Sigo em paz, ignoro o que não é essencial

Alda M S Santos

Maior que o medo…

MAIOR QUE O MEDO…

Maior que o medo de tropeçar, de cair
É o desejo de trilhar, de seguir
Descobrir novas companhias, novos caminhos
Se temos a nós mesmos não estamos sozinhos

Maior que o medo de sofrer uma decepção
É o desejo de atender o que pede o coração
Quando o peito aperta e pede por uma solução
É hora de agir, de voar para dentro de si, ser emoção

Maior que o medo de naufragar nesse oceano
É saber que tempestade tem todo o tempo, não me engano
Os ventos em alto mar podem ser bom sinal
Que pode haver nova rota pós vendaval

Maior que o medo de vir a sofrer
É não aproveitar por aqui esse viver
Essa viagem tem data de chegar e partir
Mas tem plano de voo, bom mesmo é nos divertir

Alda M S Santos

Remédio de toda cura

REMÉDIO DE TODA CURA

Buscando um pouco de harmonia e aconchego
Coração gritando, pedindo arrego
Tão difícil nos livrar de alguns desapegos
No silêncio talvez esteja o desejado sossego

Mundo carregado de ilusões e utopias
Tanto a machucar, ferir, tirar as alegrias
Algo que sobra em nós, nossos excessos
Algo que falta também, que é carência, retrocessos

Inveja, desilusão, ciúmes e decepção
Navegando entre o sim e o não
Não se sabe ao certo o que mais dói
E que faz o viver um bichinho que corrói

A humanidade anda em rápida e constante descida
Falta coragem e força para engrenar na subida
Corações duros dificultando a recuperação
Precisamos nos irmanar, ser parceria, dar-nos as mãos

Há momentos em que a vida parece tão escura
Que a sensação de incapacidade perdura
Urge buscar em nós o remédio de toda cura
O amor que brota silencioso na alma madura

Alda M S Santos

Caixinha de lembranças

CAIXINHA DE LEMBRANÇAS

Aquela caixinha tão bem guardada
De doces lembranças recheada
Parece sempre tão bela e atraente
Convidativa a um mergulho, envolvente

Tirar um tempo para essa revisita
Alguns momentos a gente hesita
Demanda estar preparado, forte coração
Para não criar nenhuma confusão

Há luz, sorriso, alegria e muito amor
Há tempos escuros, frios, sem calor
Em todos aprendizados, grandes lições
Lembranças de vitórias, derrotas, emoções

Para estar em paz com nossas memórias
Ainda que não tenham sido só de glórias 
Necessário é saber ser bom guardião
De tudo que foi vivido, também ser perdão

Bom mesmo mesclar passado e presente
Somos um todo de vida, simplesmente
Para essa viagem ter futuro, bom destino
Urge fazer as pazes com qualquer desatino

Alda M S Santos

Palavras ao vento

PALAVRAS AO VENTO

Palavras têm poder, não dá para esconder
Podem paralisar ou fazer tudo acontecer
Às vezes são leves como a brisa que acaricia
Ou fortes como a tempestade que alicia

Palavras acionam, despertam um amor
Apaixonam, ativam, aquecem, fazem calor
Às vezes são cortantes, baldes de água fria
Outras vezes são luz, botão que nos reinicia

Palavras podem ser delicadas tal pétala de flor
Urgentes como mãos ávidas sob o cobertor
Podem ser tão velozes como estrela cadente
Ou cálidas como lua cheia na vida da gente

Palavras são um meio de comunicação
Jeito bonito de ser amor, ser emoção
Na poesia são a mais pura sensibilidade
De uma alma repleta de sonho e realidade

Alda M S Santos

Não tenho medo

NÃO TENHO MEDO!

Não tenho medo da morte
Tenho medo de viver sem norte
Não tenho medo de enfrentar o fim
Mas tenho medo de me perder de mim

Não me amedronta a vida do outro lado
Mas me assusta não a ter aproveitado
Tenho medo de sofrer ou machucar alguém
Mas o medo pode me paralisar também

Tenho medo de uma vida sem propósito
De fazer dessa viagem só um depósito
De coisas e mais coisas conquistadas
Sem perceber as almas abençoadas

Temo um viver sem que e nem pra quê
De não saber realizar o que vim fazer
Não tenho medo de não ser valorizada
Sei que estou por Ele bem assessorada

Alda M S Santos

Como você se comunica?

COMO VOCÊ SE COMUNICA?

Como você se comunica?
Fixa no que é dito de modo verbal
Entende algum outro tipo de sinal
Ou se perde, logo põe ponto final?

Como você se comunica?
Interpreta o brilho de um olhar, um sorriso
Cuidado, carinho podem ser o paraíso
Ou se não são palavras fica indeciso?

Como você se comunica?
Capta a essência do silêncio fecundo
Adequa, atrai, acolhe, acredita ser profundo
Ou desiste por não fazer parte de seu mundo?

Como você se comunica?
Já pensou no que pode estar deixando passar
Por restringir tanto seu entender, seu pensar
A comunicação vai muito além do verbalizar…

Alda M S Santos

Em busca do mar

EM BUSCA DO MAR

Como um rio que nasce na serra
Apenas um olho d’água que flui, não erra
Sigo meus caminhos em busca do mar
Sem saber o que irei enfrentar

Haverá dias de calor, seca e solidão
Em meio a matas, perdido em escuridão
Mas a certeza de ir em busca do destino
Afasta as angústias, os medos, os desatinos

Haverá dias de intensas tempestades
Misturado a tanta coisa quase perde a identidade
A visão do mar mantém a força e coragem
De não desistir ou estacionar em qualquer paragem

Como um rio sigo, ora forte, ora frágil
Tentando respeitar meu ritmo lento ou ágil
A visão do oceano deve instigar, animar
Não a ponto de tirar o prazer do agora, de aqui desbravar

Alda M S Santos

Lealdade

LEALDADE 

Um desafio no nosso modo de viver: 
Ser fiel a nós mesmos em cada acontecer 
Ser nosso próprio amigo exige lealdade 
Não esmorecer, insistir, buscar nossa verdade 

Não quer dizer que não haverá mudanças 
Mas é preciso encarar os fatos, ter esperança 
Confiar na própria capacidade de superação 
Investir no amor, na luz, na evolução 

É bom ser leal ao outro, suas posições 
Mas fundamental é ser fiel às próprias convicções 
Ser respeitoso ao modo de ser de alguém 
Exige primeiramente sermos conosco também 

No final das contas somos responsáveis 
Por tudo que permitimos quando somos maleáveis
Também quando somos irredutíveis e intransigentes
Aí fechamos as portas para uma vida mais benevolente 

Alda M S Santos 

Em casa


EM CASA

Uma unanimidade: estar em casa é sensacional 
Uma leveza, bem-estar, algo que é sempre especial 
Muitos são os modos de se sentir em casa 
Quando o coração fica leve, parecendo ter asa

Podemos nos sentir em casa sob o olhar de alguém 
Ou quando nos abraçam e acolhem também 
Estar em casa não é questão de lugar
É saber-se querido, amado, é poder amar 

A casa pode ser simples ou requintada 
Mas é preciso que seja boa morada
Só fará bem se houver boa energia 
De um viver onde pulse a harmonia 

Podemos nos sentir em casa numa igreja, na rua 
Na praia, na mata, sob a chuva ou sob a lua 
Se houver paz, abrigo até mesmo na solidão 
Mas não há casa melhor que um coração 

Qual sua casa?

Alda M S Santos 

Recomeçar do zero

RECOMEÇAR DO ZERO

Não existe recomeçar do zero
Porque se temos essa prerrogativa
É porque um dia já começamos
E todo começo deixa nem que seja uma negativa

Retirando o que perdemos, o que permaneceu?
E não diga que nada ficou
De tudo que se construiu, viveu
Ao menos entulho restou

Separe o joio do trigo
Descarte, reaproveite, reserve, busque abrigo
E se ainda assim só encontrar a dor
É com ela que irá recomeçar
E com renovado fervor…

Recomece do amor que encontrar em você, por você!

Alda M S Santos

Com espinhos

COM ESPINHOS

Não precisa eliminar os espinhos
Basta ter cuidado, ir com jeitinho
Rosas são belas mesmo assim
Têm cor, perfume, espetam, enfim

Não adianta exigir que seja perfeito
Todos temos nosso lado imperfeito
Somos um misto de defeitos e qualidades
É sábio conseguir priorizar o que traz felicidade

Nessa viagem escolhemos nossos caminhos
E as companhias para não seguir sozinhos
Tão importante quanto saber para onde ir
É escolher quem nos acompanhará sem fugir

As rosas nos ensinam a lidar com os espinhos
Nas estradas a saltar as pedras do caminho
A grande lição é amar o outro em sua essência
No bem, no mal, sempre, não só de aparência

Alda M S Santos

O que se propaga

O QUE SE PROPAGA…

Tanta coisa ruim tendo espaço
Tanta maldade desfazendo laço
O mal sendo por todo lado propagado
O bem pede passagem, merece ser divulgado

A mão esquerda quer saber o que faz a direita
E que ela diga a todos dessa bela feita
Assim será capaz de se sobrepor ao mal
Contágio do bem é necessário, é essencial

Ainda há muitas coisas belas por aí
Em versos, em prosas, no modo de agir
Urge que o bem seja uma opção a seguir

Quero ler coisas bonitas, ficar encantada
Não ignorar o mal, não ser alienada
Mas alimentar as almas de coisas abençoadas

Alda M S Santos

Não é preciso!

NÃO É PRECISO!

Não precisa ser o primeiro a romper a fita da chegada
Basta manter a disposição após a largada
Não precisa estar no alto do pódio
Basta que esteja feliz, na paz, sem ódio

Tantas vezes entramos em infrutíferas disputas
Aquelas que machucam, não valem tanta luta
Não preciso competir com meu semelhante
Quero estar melhor que eu mesma a cada instante

Há tantas necessidades que não são prementes
Não podemos ficar delas dependentes
A vida pode ser mais leve, mais feliz
Se conseguirmos ouvir o que a alma nos diz

Corpo e coração têm algumas vontades urgentes
A mente vai dando o equilíbrio, sendo inteligente
Essa balança precisa estar em equilíbrio pra não tombar
Assim nossa vida tem mais sorrir, menos chorar

Alda M S Santos

Sobre eternidades

SOBRE ETERNIDADES

A palavra eterno traz a ideia de infinito
Algo que se perpetua no tempo e espaço
Isso te deixa alegre, feliz ou aflito?
Consegue lidar bem com esses laços?

Se for a saúde, a família, a amizade, o amor
É bom saber que é durável, não é finito
Mas se for angústia, medo, cansaço ou dor
Ou qualquer situação ruim não fica bonito

Sentir leveza frente às nossa eternidades
É necessário, urgente, afasta a ansiedade
Faz bem, traz paz, prazer, e doce felicidade

Mas se o eterno causar angústia, temor
Algo pode ser feito, mudar o cursor
E clicar em algo digno, que traga mais amor

Alda M S Santos

Insisto!

INSISTO!

Insisto naquilo que não desiste de mim
Penso, reflito, tento ver se fica bem assim
Arrumo um cantinho, cuido, trato com carinho
E logo tudo parece bem, há sempre um jeitinho

Insisto na luta que parece improvável
Também naquela ideia que é bem louvável
Não desisto porque agora estou cansada
Lá no fundo busco forças para essa jornada

Já aprendi onde devo ir para buscar
O que minha alma pede sem parar
Ouço lá no fundo meu coração pulsar

É ele que me traz todas as respostas
Que a Criação dá às minhas mãos postas
Aliviada, insisto, resisto, sigo bem disposta

Alda M S Santos

Não são só palavras!

NÃO SÃO SÓ PALAVRAS

Elas podem ser impensadas
Rispidas, fortes, mal analisadas
Podem ferir, machucar, magoar
São lâminas fazendo a alma chorar

Não são só palavras!

Podem estar carregadas de desesperança
De desânimo, de cansaço, de mentira, destemperança
Podem instigar um lado negativo, punitivo
Fazendo de nós um coração fugitivo

Não são só palavras!

Podem estar recheadas de fé e amor
Trazendo luz, esperança, colo e calor
Podem animar, ser carinho, abraços e beijinhos
A doçura que todos precisamos para não seguir sozinhos

Não são só palavras!

Aquilo que falamos não pode mais ser recolhido
Vai encontrar um terreno para crescer, é sabido
Se quisermos plantar o bem, lançar ao vento
Vamos transmitir coisas boas do pensamento

Não são só palavras!

Alda M S Santos

O mundo não é cor-de-rosa!

O MUNDO NÃO É COR- DE- ROSA!

O mundo não é cor-de- rosa, menina!
Sei disso, mas a cor que tanto fascina
Somos nós que damos a nuance, o tom
Quando colocamos ali parte de nosso dom

A vida oferece muitas cores, linda aquarela
Mas se não nos agradarem, basta abrir a janela
Misturar rosa, azul, verde, vermelha ou amarela
E fazermos linda arte em nossa tela

Nosso jeito de olhar e perceber a natureza
É capaz de criar em nós uma fortaleza
E nos brindar de perfume e beleza

Se está doendo, se está difícil seguir
Tento ver as cores de um belo jardim
Ali há cuidado do Pai, também há em mim

Alda M S Santos

Quando o mundo acabar

QUANDO O MUNDO ACABAR

Quando o mundo acabar, não quero chorar
Vou sentar num canto, refletir, analisar
Será que fiz tudo que me cabia
Sem esmorecimento, preguiça ou letargia?

Quando o mundo acabar, voltarei para casa
Livre de todos os pesos, leves asas
O quanto ficará de mim nesse espaço
Ao menos deixarei algum forte laço?

Quando o mundo acabar, não quero chorar
Serei grata, penso que o pranto vai chegar
Seja saudade, não arrependimento ou pesar

Mas enquanto o mumdo não acabar por aqui
Assumirei minha parte, vou amar, vou agir
O voo de volta por hora pode seguir sem mim

Alda M S Santos

Não vou discutir!

NÃO VOU DISCUTIR!

Não, não quero discutir, talvez debater
Por questão de respeito, isso posso fazer
Mas é importante não levantar a voz
Dizer a que veio, sem ser algoz

Não vou discutir, mas posso conversar
Conversando podemos crescer, nos acertar
Saber ouvir alguém sob outro ponto de vista
Mostra maturidade, uma atitude positivista

Debater ideias nos traz evolução
Não precisa concordar com a expressão
Só cresce quem se permite ouvir outra opinião

Porém, se fere nosso modo de ser, nossa essência
Bom evitar, preservar a saúde, ter prudência
Nem tudo vale nosso esforço, isso é sapiência

Alda M S Santos

Ilusões

ILUSÕES

Carência faz-nos ver amor onde há só falsidade
Inocência faz-nos ver beleza onde há só aparência
Aparências impedem-nos de chegar à essência

Ilusões…

Fome faz-nos agradar com qualquer prato
Sede faz-nos alucinar com um oásis
Quedas fazem-nos inaptos para certos trajetos

Ilusões…

Culpas fazem-nos temer sanções assustadoras
Coração partido faz-nos acovardar diante de um novo amor
A fé, e somente ela, faz-nos sentir renovados
E nos leva aonde quisermos…

Alda M S Santos

Não sustenta um olhar

NÃO SUSTENTA UM OLHAR

Não sustenta o olhar quem não quer se mostrar
Ou que não se sente bem naquele lugar
Não sustenta o olhar quem tem algo a esconder
Ou quer disfarçar qualquer desprazer

Desvia o olhar aquele que quer se preservar
Tratar de suas emoções, não se descuidar
Desvia o olhar se não sente no outro um amigo
Sabe que não seria aceito, nao teria abrigo

Não se demora num olhar, prefere fugir
Aquele que não quer fingir ou mentir
Gostaria de poder se entregar, se abrir

Não sustenta um olhar quem se sente perdido
A alma clama por pouso, silenciosa reclama
Deseja apenas poder mergulhar no olhar, sem qualquer drama

Alda M S Santos



E se…

E SE…

E se a vida nos ditasse melhor o compasso
Que talvez aquele fosse o último abraço
Como seria, teria feito diferença
Saber que não haveria mais aquela presença?

E se fosse a última noite, o último sono
Sem imaginar que o amanhã não teria dono
Um beijo quente, um amor envolvente
Haveria despedida mais eficiente?

Tantas possíveis últimas vezes vivemos
Sem imaginar a que sobrevivemos
Gostaria de me alongar mais nos momentos
Poder me demorar no que traz contentamentos

E se fosse o último sorriso, o último olhar
Quero abraçar forte, descansar nesse lugar
E se fosse por aqui a última, a derradeira luta
Peço a Deus que tenha sido válida tanta labuta

Alda M S Santos

Longe ou perto

LONGE OU PERTO?

Está longe se a vista não alcança
Está perto se até os cabelos balança
Está longe se já não traz lembrança
Está perto se na alma ativa uma dança

Mora longe se não há afinidade
Ainda que esteja perto na verdade
Mora perto quando está dentro da gente
Ainda que esteja anos luz à frente

Longe ou perto não é questão espacial
Vale mesmo ser alguém especial
Ao lado da gente ou bem distante
Importa se faz bater o coração num instante

Quero estar perto, também estar dentro
No corpo, na alma, no pensamento
Assim o longe será apenas um detalhe
E que nada por aqui atrapalhe!

Alda M S Santos

No pensamento

NO PENSAMENTO

No pensamento tudo começa
Ali a semente cresce sem pressa
O que faz mal ou faz bem, que fomenta
A guerra, a paz, o que a gente alimenta

No pensamento começa a desconfiança
Nele também se alastra a esperança
Ali cresce uma lembrança de dor
Mas o terreno é fértil para o amor

No pensamento escolhemos o que nutrir
Sabedores que tudo começa pequeno
Podemos podar, arrancar ou extrair

Quero irrigar apenas o que satisfaz
Nutrir só lembranças de amor e paz
Deixar virar árvore frondosa, sou capaz!

Alda M S Santos

Tá doendo?

TÁ DOENDO?

“Mas tá doendo muito, muito mesmo”, a criança dizia
E em seu choro de dor se desfazia
Será que há como medir uma dor
Há como saber o que dói mais ou causa menos torpor?
Sei que causa dor aguda se ainda está aberta a ferida
Cabeça, dente, coluna, rim, nervo ciático, difícil a lida
Mas há outras dores difíceis de suportar
As que apertam e machucam o coração
Ou aquelas que trazem mágoa ou decepção
Dói não ter sua intensa afeição correspondida
Dói saber que aquela pessoa não era mesmo amiga
Dói o vazio da fome, a carência de nutriente
No corpo, na alma, no coração da gente
Dói perder por alguém a admiração
Dói saber que fez tanto por nada, indignação
Dói não conseguir se fazer entender
Também dói não saber com certas coisas viver
Dói se sentir envelhecer sem aproveitar o presente
Fixado no passado ou com o futuro imprevidente
Dói não saber sorrir, brincar, fazer do dia a dia algo prazeroso
Na verdade, viver pode ser bem doloroso
Melhor se fixar na cura, no que pode ser gostoso
Deixar a dor ir embora com o vento, sem lamento
Ou soprá-la para longe do pensamento
Assim o viver traz menos sofrimento…

Alda M S Santos

Não me cabe

NÃO ME CABE

Nessa caixa não me cabe
Não é que eu não seja flexível
É que ela tende a me moldar
Colocar num padrão que me machuca
E que não vai me agradar

Nessa caixa não me cabe
Dobra daqui, dobra dali
Tira um pedaço desse lado
Aperta o outro, transfere de lugar
Até eu não mais me identificar

Nessa caixa não me cabe
E mesmo se coubesse eu não gostaria
É que prezo a liberdade de ser o que sou
Colocar-me ali me mataria

Nessa caixa não me cabe
Não sou boneca para viver em caixa, preciso de ar
Prefiro jardim, mata, rio, mar ou cachoeira
E assim quero viver a vida inteira…

Alda M S Santos

Os três da sobrevivência

OS TRÊS DA SOBREVIVÊNCIA

Três minutos sem ar
Três dias sem água
Três semanas sem alimento
Essa é a lei dos “Três” da sobrevivência
É o que aguentamos sem perecer
Mas será que isso basta para poder viver?
O que mais é necessário para não apenas sobreviver
E viver com intensidade e alegria
Sendo e fazendo o bem em total harmonia?
Quanto tempo se vive sem companhia
Ou pode-se encontrar na solidão uma sintonia?
Será que suportamos a tirania
De uma vida tensa em seu dia a dia?
Será que dá para suportar bem
Estar sem carinho, sem amor, sem alguém
Há como medir a quantidade de amor
Que cada ser humano precisa para ser calor
Sendo o ar, a água e o alimento
Nessa vida nem sempre a contento?
O que representa nosso ar nesse lugar
Qual nossa água, sempre a nos hidratar
Alimento da alma é tão precioso quanto o pão
Sem ele pode haver vida, mas sem coração…
Quais são seus três da sobrevivência?

Alda M S Santos

O tempo, o vento…

O TEMPO, O VENTO…

Vento que venta sem cessar
Devagarinho ou vendaval a assustar
Arrepia a pele, nos faz divagar
Realize um sonho qualquer para alegrar?

Vento que parece o tempo levar embora
Tempo que nos leva sem demora
Posso fazer um pedido, por favor?
Demore-se mais onde houver amor…

Tempo que quase não se vê passar
Vento que faz carinho a sussurrar
Leve para o alto um recadinho meu
Aqui embaixo é difícil alcançar o apogeu

Tempo e vento são quase um
Invisíveis aos mortais, a olho nu
Mas podemos senti-los em nós
Quando passam fazendo ou desfazendo nós

Alda M S Santos

Pela raiz


PELA RAIZ

Se queremos manter, cuidamos da raiz
Isso todos sabem, até um aprendiz
Se desejamos que cresça irrigamos
Tratamos com carinho, adubamos

Se é flor a gente trata com jeitinho
Fica junto, admira, abre caminho
Se é erva daninha arrancamos de vez
Antes que estrague o canteiro, seria estupidez

Vale para plantas, gente, emoções
Não vale cultivar certas situações
Sob pena de apertar grilhões

Viemos munidos de sabedoria
Utilizar faz bem, gera alegria
Desatenção só traz desarmonia

Alda M S Santos

Encontro Marcado

ENCONTRO MARCADO

Temos por aqui um encontro marcado
Desde sempre tentamos fazê-lo afinado
Sem fugir, correr ou deixar de lado
O ideal é querer, buscar, ser seu aliado

Um encontro especial que se faça presente
Que seja verdadeiro, forte na vida da gente
Que se faça importante, caliente, envolvente
Que nunca nos deixe na solidão, alma carente

Nessa travessia é preciso saber aproveitar
À nossa revelia, o tempo segue sem cessar
Queremos com o amor poder encontrar

Não importa se é através do outro que ele vem
Certo que é um encontro de amor que convém
Mas, o ideal,  que seja o amor-próprio também

Alda M S Santos

Relações completas?

RELAÇÕES COMPLETAS?

Somos uma caixinha de uma riqueza interessante
E vamos distribuindo nossos pedacinhos de modo intrigante
Selecionamos até sem ver o que e com quem partilhar
Cada pessoa acaba nos dizendo com o que é capaz de lidar

Há pessoas que partilhamos mente, pensamentos e ideias, reflexões
Com outras dividimos nossa habilidade física, corpo, ações
Há aquelas com as quais trocamos sentimentos e emoções
Desafiante é encontrar com quem partilhar todas essas nossas frações

Com Fulano falo sobre minhas convicções tranquilamente
Com Beltrano brinco, pulo, trabalho, vivo, faço amor alegremente
Com Sicrano sorrio, choro, me amparo, abro coração docemente
Uma relação completa traz tudo isso divinamente

Não quer dizer que vamos descartar as relações “parciais”
Somos corpo, mente, coração, são partes fundamentais
Em sua parcialidade elas podem ser inteiras, completas
Nos fazer bem nessa troca que pode parecer incompleta

Alda M S Santos

Um viver morno

UM VIVER MORNO

Um mundo densamente povoado
Há gente de todo tipo, para todo lado
Tem para todos os gostos e preferências
Mas nunca houve tanta solidão e negligência

Gente que não se demora num olhar
Gente que já não sabe mais abraçar
Gente que tem pressa de chegar
Sem saber sequer aonde vai parar

Gente que busca uma conexão qualquer
Não se identifica o que a alma requer
Gente que anda carente de colo e atenção
Do ombro, da palavra ou do silêncio irmão

Um mundo de várias pessoas no entorno
E tanta gente nesse viver morno
Falta calor humano, amor de verdade
Ganhar tempo é perder em humanidade

Alda M S Santos

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