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A criança

A CRIANÇA

Gosto muito da criança que mora em mim
Ela me leva a passear em meus jardins
Posso gangorrar todo dia em seu balanço
E mesmo na tristeza com ela canto e danço

A menina que me faz ignorar as rugas
Os dias e  anos passados, as rusgas
Cair, levantar, sorrir, chorar, perdoar
Com joelho ralado nunca deixar de amar

Essa menina diz que a vida é leve e bela
Lembra que o hoje é liberdade, não uma cela
Transitar entre o passado e o futuro pode ser normal
Mas bom mesmo é fazer do presente algo especial

A criança que por aqui vive, em mim habita
Faz-me seguir acreditando, sem fazer fita
O corpo vai amadurecendo, tem fragilidades
A menina o faz jovem,  olhar brilhante de felicidade

Alda M S Santos

Perder para se encontrar

PERDER PARA SE ENCONTRAR

Se for para me perder
Quero me achar em você
Caminhando lentamente à beira-mar
É lá que vou me encontrar

Se for inevitável ficar sem rumo
No oceano encontro meu prumo
Nas ondas barulhentas descanso meu olhar
Minha alma deságua ali seu desejo de ser mar

Se for para me perder no espaço, no ar
Que os ventos me levem de volta ao mar
Minha altitude e rota irão para lá apontar

O bom de se perder é o prazer de se encontrar
Nesse passeio por aí poder se encantar
Nas perdas, (re)encontros um eterno viajar e amar

Alda M S Santos

Permissões

PERMISSÕES

Sou eu que permito as aproximações
Também sou eu que recusou as falsificações
Sou eu que libero as boas sensações
Também sou eu que afasto as tentações

Sou eu que exijo e ofereço a verdade
Também sou eu que peço reciprocidade
Sou eu que valorizo a autenticidade
Também sou eu que acredito na liberdade

O que nos acontece temos responsabilidade
Por permitir, por não barrar, por autorizar
A vida nos pede ação, é preciso se posicionar

Por aqui podemos sempre escolher
Quanto antes, fazer o melhor acontecer
Pois ficar sem escolhas deve de fato doer

Alda M S Santos

Roubos

ROUBOS
Podem nos roubar o sorriso
Mas nunca a alegria de viver
Podem nos roubar o sossego, a calma
Mas nunca a paz que trazemos na alma
Podem nos roubar um sentimento
Mas nunca um coração disposto a amar
Podem nos roubar a confiabilidade
Mas nunca a fé na humanidade
Podem nos roubar a autoconfiança
Mas nunca o amor-próprio
Podem nos roubar noites de sono
Mas nunca nossa capacidade de sonhar
Podem nos roubar o apetite
Mas nunca nossa fome de viver
Podem nos roubar a vida
Mas nunca nossa eternidade…
Podem nos roubar a beleza de alguns capítulos
Mas nunca a pureza e grandeza de toda nossa história…
Alda M S Santos

Propósitos de vida

PROPÓSITOS DE VIDA

Quero fazer bem feitinho e organizar numa lista
Meus propósitos por aqui passar em revista
Sonhos, desejos, vontades, projetos
Será mais fácil, assim acredito que há de dar certo

Quero colocar separado nuns potinhos
O que é meu e do outro bem separadinho
Depois observo onde há interseção
Essa parte merecerá toda minha atenção

Tentar não dar tanta importância
Ao que não traz verdade, não tem relevância
Focar no que é amor, acalenta e acalma
Se é ferida, dói, machuca, peço licença pra minha alma

Saber a hora certa de ajudar alguém
É tão importante quanto me ajudar também
Cultivar flores belas, perfumadas e coloridas
Belo jardim interior é meu propósito de vida

Alda M S Santos

Tempo de poda

TEMPO DE PODA

A natureza é sábia, possui ciclos, fases
Tempo de podas, renovação de suas bases
Na hora certa, com cuidado, tudo cresce
E assim, com paciência, tudo floresce

Conosco também não é diferente
Precisamos retirar excessos, seguir em frente
Cortar galhos e espinhos aparentes
Que nos machucam e matam a semente

O que pode parecer o fim, a morte
Por certo é energia renovada e, com sorte
Novos brotos, nova floração, a vida se faz forte

Há momento de plantar, de cuidar, de podar
Seja planta ou seja gente
Sabedoria e amor sempre presentes

Alda M S Santos

Nosso papel

NOSSO PAPEL

Tanta gente em toda parte desse nosso planeta
Todos acalentando o mesmo pensamento
A mesma energia boa fluindo, desejos emergindo
Que seja melhor, que haja paz, compreensão
Quero mesmo um mundo mais irmão!
Partilhamos todos a mesma humanidade
Essa é nossa semelhança, mas há tanta desigualdade
Mundo tão imenso…por que estamos no lugar que estamos?
Quero crer que cada qual tem seu papel
Que temos responsabilidades uns com os outros
Usar nossos dons, o que de melhor recebemos
Trocar cores, telas, paletas, pincel
Para podermos voar e permitir voar até o céu
Bons voos e boas parcerias a todos nós!
Feliz 2022!
Alda M S Santos


Coração com coração

CORAÇÃO COM CORAÇÃO

Tudo passou de modo tão estranho
Sensações que não conseguimos bem definir
Ora o tempo se arrastou, ora voou
E nosso interior tantas vezes quis explodir
Passamos a enxergar tudo com novo olhar
Movidos por um novo viver, tendo que se isolar
O medo de perder pessoas queridas
De nos perder, angústia no peito, tolas brigas
E fica a questão: quando tudo isso irá acabar?
Dois anos se foram em meio a uma pandemia
Muitas perdas, dores, lutas, aprendizados
Será que estamos prontos para andar de novo lado a lado
Dar um abraço gostoso, apertado
Tanto fiz nesse tempo, refiz minha rota
Ajustei minha bússola interna, tantas vezes torta
Mas por que ainda fica a sensação
De que há algo por acontecer nesse mundão
E nos colocar de novo em órbita, coração com coração?
Por tudo isso só tenho a expressar minha gratidão
E só um pedido: que ainda não seja nosso fim, isso não!

Alda M S Santos

Qual seu presente?

QUAL SEU PRESENTE?

Qual seu presente preferido
Que deixa seu dia mais colorido
Aquele que não tem preço
Mas tem valor, brilho, tem apreço?

Entre todas as coisas que não têm valor monetário
Que independem do quanto tens, do seu salário
O que você pediria nesse momento
Que está guardadinho em seu pensamento?

Um sorriso, um beijo, olhar terno, brilhante
Um abraço fraterno, um amor quente, inebriante
Um cuidado que se torna eterno, uma constante?

Sei que gosto de verdade, de sinceridade
De amor, de carinho, reciprocidade
O que vier além disso é brinde, bônus da felicidade

Alda M S Santos

Tempo de sonhar?

TEMPO DE SONHAR?

Sempre é tempo de sonhar
Nem precisa esperar um ano finalizar
Ou outro começar para a vida retomar
Os caminhos se cruzam, se descortinam
Basta seguir as trilhas, deixando o amor iluminar
Nossa história está sendo escrita
Capítulo a capítulo, verso a verso
Não adianta fugir, mesmo em momentos controversos
Dá para atuar, colocar nossos dons, nossa especialidade
Criar um caminho de nossas crenças e verdades
Se prefere sonhar, sonhe, mas acorde
A luta da vida espera no mundo real
Aquele no qual os sonhos acontecem, afinal
E nos fazem mais felizes, vivendo de modo natural
Tentando fazer do hoje, nossos sonhos de ontem
Sendo por aqui uma vida de amor sem igual…

Alda M S Santos

De que vale?

DE QUE VALE?

Há tantas coisas por aqui valiosas
Muitos bens que lutamos para alcançar
Conquistas que nos parecem preciosas
Vamos fazendo de tudo para acumular

Mas de que vale tudo isso sem amor?

A fartura traz alegria, prazer
Nosso objetivo é evoluir, crescer
Será que há felicidade se houver falta
Onde a dor grita, nos assalta?

De que vale nosso prazer se o outro padecer?

Há muitas trilhas nessa viagem
É preciso escolher com coragem
Eu escolho o amor, peço reciprocidade
Ofereço calor, carinho, paz, bondade

De que vale um viver se não houver solidariedade?

Não sabemos a hora de voltar
O passeio nessa nau é um leve divagar
A qualquer hora podemos despertar noutro lugar
É preciso fazer valer esse caminhar

De que vale tudo isso, sabe dizer?

Alda M S Santos

Nunca é tarde

NUNCA É TARDE

Nunca é tarde demais para preservar bom hábitos
Tampouco para novos hábitos criar…

Nunca é tarde demais para se arrepender e os erros corrigir
E um novo caminhar na vida seguir…

Nunca é tarde demais para encarar o fim como estágio vencido
E recomeçar a viver com novo sentido…

Nunca é tarde demais para ser jovem
A idade do coração e a juventude da alma é que nos movem…

Nunca é tarde para ser de verdade parte desse mundão
E aprender a viver em comunhão…

Nunca é tarde demais para reaprender a amar, ser mais
Pois, quase sempre, a vida vai embora cedo demais…

Alda M S Santos

Nas Minas Gerais

NAS MINAS GERAIS

Se é nas serras de Minas Gerais tem cachoeira
Se tem alma aventureira, não dê bobeira
Em toda cidadezinha, de manhã ou tardezinha
Dá para se banhar em água bem fresquinha

Se tem fé, magia, estrada real, é Minas Gerais
Alegria e simplicidade que não acabam mais 
Trilhas na mata, subida na serra
Renovam o prazer de viver nessa terra

Cantos de pássaros e sussurro do vento
A queda d’água se ouve a todo momento
Atiçando a imaginação e o pensamento

Natureza que é vida, é inspiração
Poetas mergulham nessa doce sensação
E renovam em si a magia da criação

Alda M S Santos

P

Como criança

COMO CRIANÇA

Quisera ter a almejada e permanente confiança
Aquela que há no sorriso de uma criança
De que será firmemente  segurada
Quando for para o alto lançada

Como criança queria não temer chorar
Ou poder falar tudo que machucar
Questionar o que não está tão legal
E buscar uma brincadeira que não faça mal

Quisera saber derrubar os muros do coração
Pedir ajuda se o joelho esfolado doer de montão
E buscar colo, arrego, quando pedir a emoção

Ter a agilidade infante de escalar a árvore no quintal
A inocência e alegria de se molhar num temporal
E saber que tudo passa,  como todo vendaval

Alda M S Santos

(IN)FINITO

(IN)FINITO

Se tudo por aqui é fugaz, é finito
Será que há algo que possa ser em nós infinito?
Não sabemos como será do outro lado
Será que doeria ver tudo isso acabado?

Tantas coisas vividas por aqui, outras por viver
Será que levo juntinho comigo meu HD
Para nos momentos de saudades poder reviver?
Gostaria de saber exatamente o que pode acontecer

Queria deixar pronta minha mala, sabe?
Com cuidado, organizar aquilo que me cabe
Como faço para uma boa e longa viagem
Para não esquecer nada, mesmo em outra roupagem

Na mala vou colocar um pouco de tudo
Como Noé fez há tempos naquela arca
O que desejo que se perpetue colocarei na minha barca 
Assim o finito pode ser infinito, será minha marca

Alda M S Santos

Imortais?

IMORTAIS?

Qual o peso ou a leveza da imortalidade
Pensar nisso nos traz alguma capacidade
De sermos melhores, sem grandes vaidades
Ou nos debilita, ressalta fragilidades?

Se tudo que existe é o hoje e o agora
Se não nos preocupa o fato de irmos embora
Será que vale investir tudo no que se tem
Sempre em busca do que  nos convém?

Se uma marca bonita pudermos desenhar
No coração de alguém poder morar
Uma memória boa, suave lembrança
Há de nos manter fiéis nessa balança

Quero e me imagino ser uma criatura imortal
Cravada por aqui, tatuada em cada sinal
Cada ato meu me alimenta, me eterniza
Seja bom ou mau, se por amor, ameniza

Alda M S Santos

Mineira

MINEIRA

Sou de Guanhães, uma cidade mineira
Gosto da vida simples, uma boa zoeira
Também aprecio muito café e queijo
Principalmente acompanhados de um beijo

Gosto de trilhas na mata, banhos na cachoeira
Um dedo de prosa na praça, ser namoradeira
Adoro o aconchego da vida em família
Um amor alimentado de carinho e fantasia

Amo o mar, a praia, esse leve balançar
Em Minas não temos mar, precisamos viajar
Malas arrumadas e um mundo a desbravar
Levando sonhos lindos para poder realizar

Mineiro é povo quieto, acolhedor, sincero
Não brinca em serviço, age com esmero
Mas sabe bem lutar, botar para quebrar
Quando quer algo não há como segurar

Sou mineira da natureza, por natureza
Sem ela para mim a vida não tem beleza
Se quer ver ou fazer uma mineira contente
Queijo, beijo, cachoeira fria, amor quente

Alda M S Santos

Ao seu lado

AO SEU LADO

É bom a gente se acomodar bem
Naqueles lugares onde nos sentimos alguém
Saber-se aceito, querido, sentir-se abrigo
Bem-vindos, não somos ou oferecemos perigo

Bom poder se sentir no aconchego de um lar
Ser acolhido, compreendido, o coração acomodar
Lugar onde podemos andar descalços
Alma leve, nua, segura, sem percalços

Paz, refrigério, luz, aceitação, ameaça zero
Não se cobra, não se impõe, isso eu reitero
Precisa ser recíproco o querer, o desejo ser sincero

Se se sentir inseguro, ameaçado ou tolerado
Não perceber que a felicidade sentou ao seu lado
Não fique, mude a rota, não é legal ser indesejado

Alda M S Santos

Com o vento

COM O VENTO

Seria meio mágico ser parceira do vento
Ir para todo canto que indicar o pensamento
Num vendaval forte na praia ou suave brisa
Brincar de pousar em todo lugar, romper divisa

Quando bem leve e refrescante
Ser frescor para todo viajante
Se forte, intenso, uma tormenta
Ajeitar o que já não apascenta

Quando for meio incerto e bandoleiro
Poder ser a inspiração de um safoneiro
Se for intenso como um tornado
Poder me levar e deixar ao seu lado

Se for aterrorizante como um furacão
Que sossegue no calor de uma paixão
Se chegar docemente como um beija-flor
Que encontre pouso nutritivo na flor, no amor 

Alda M S Santos

O que sobra?

O QUE SOBRA?

De tudo que trazemos em nós
Pós-análise dos contras e prós
O que fica, o que sobra
Que nos impele a agir, nos desdobra?

Se foi grande a tempestade
Ventos fortes mostrando nova realidade
Separando o aproveitável do que é lixo
Dá pra juntar o que sobra com algum capricho?

O que sobra de uma noite de lágrimas e dores
O que fica depois de grandes amores
Sabemos que nem tudo por aqui são flores
Será que podemos ser autoprotetores?

Sei que a vida pode ser vivida em plenitude
Mas é preciso se entregar, ter atitude
Nossa alma tem verões, invernos, mistérios
Urge acolher a ambos sem sermos muito sérios

Alda M S Santos

Bagagens

BAGAGENS

Nessa viagem sempre carregaremos bagagens
Não dá para seguir sem nada levar
Mas podemos fazer melhor a listagem
Do que vale a pena por aqui carregar

Há bagagens leves e outras pesadas
Há embalagens que enganam, são ciladas
Umas ocupam grandes espaços, são sufocantes
Outras são flexíveis, adaptáveis, reconfortantes

As que fazem sofrer, são pontiagudas
Tento esquecer lá atrás, são carrancudas
Bagagens dolorosas atrasam o caminhar
E afastam da gente o prazer de viajar

Gosto das bagagens que aquecem a alma
Que me aliviam a dor, trazem calma
Essas eu carrego com prazer e satisfação
Expressos no corpo, na mente, no coração

Alda M S Santos

Revelação

REVELAÇÃO

Um dia iremos acordar
Abrir não só os olhos para o dia
Abrir a alma para realmente despertar
Ser luz, paz, o amor que a todos contagia

Nesse dia tudo irá fazer sentido
Tudo que por aqui foi sofrido
Os percalços, as companhias, a solidão
Os momentos em que ouvimos um não

Quando esse dia de revelação chegar
Ou a gente irá chorar ou muito se alegrar
Pelo tempo que soubemos usar ou desperdiçar

Quiséramos nada ter a lamentar
Poder apenas agradecer, abraçar
E, feliz, ter a certeza que valeu a pena amar

Alda M S Santos

A Lua e eu

A LUA E EU

Olho para ela que suavemente me chama
Diz em silêncio: acenda sua chama
O coração se enternece, a alma clama
Pede um viver leve, sem muito drama

A Lua e eu falamos o mesmo idioma
Temos várias fases, diferentes sintomas
Ora ficamos bem nessa nossa redoma
Ora nos afligimos, o viver nos embroma

Somos assim, ora do Sol refletindo a luz
Cheia de si, puro encanto, seduz
Aos poucos míngua, carrega sua cruz
Ora é Nova, brilho interno, só em seu céu reluz

Somos assim, nós duas, eu e a Lua
Misteriosas, ainda que de corpo e alma nua
O amor é alimento em qualquer fase
Temos na intensidade de viver a nossa base

Alda M S Santos

Nos bastidores

NOS BASTIDORES

Quanto de nossas vidas acontece nos bastidores
Atrás das cortinas e dos refletores
Quanto de nosso brilho vem de lá
E nem sempre sabemos valorizar?

Quem está por trás daquilo que tu és
Que te anima, auxilia em todo revés
Acolhe quando você se alegra ou chora
E nao te deixa só quando quer ir embora?

Há muito no cantinho de nossos porões
Sempre lá encontramos boas sensações
Aquelas que são nossas várias memórias
Ajudando a viver e construir novas histórias

Não importa se somos bastidores ou refletores
Importa é acreditar e seguir, mesmo amadores
Bom lembrar que a plateia sumirá quando a cortina fechar
É que iremos para casa, nosso melhor lugar

Alda M S Santos

Flores sazonais

FLORES SAZONAIS

Cada época ou fase da vida tem sua cor
Seu perfume, seu encanto, seu frio ou calor
Se é outono, inverno, primavera ou verão
Bom é estar pronto para qualquer sensação

Pode haver preferências ou escolhas
Importante é não estacionar, é sair da bolha
Posso abraçar minha primavera ou verão
Sabedora que no inverno houve hibernação

Posso aproveitar todo o potencial
Que a vida me traz de modo especial
Não fecho as  janelas ou portas para nada
Sempre há algo bom nessa jornada

A vida é um jardim de flores sazonais
Ser feliz é aprender identificá-las mais e mais
E, independentemente de qual seja a estação
Estarmos abertos para deixar pulsar o coração

Alda M S Santos

Pagando pra ver

PAGANDO PARA VER

Quero por aqui poder pagar para ver
Seja o que for, desejo poder viver
Quando chegar eu enfrento o momento
Se não for boa emoção, deixo ir com o vento

Pago para ver a beleza da aurora
O perfume do jardim que em mim aflora
O amor que chega bem devagarinho
E me aquece, alegra, juntinho faz carinho

Se pudesse pagaria para não ver certas situações
Dores, sofrimentos, más sensações
Na impossibilidade, gerencio minhas emoções

Bom seria poder nos servir gratuitamente
De um bom prato que sirva corpo e mente
E desperte a paz de viver alegre e suavemente

Alda M S Santos

Que procuras?

QUE PROCURAS?
Um mundo feito de muitas procuras
Muitas vidas feitas de poucos achados
-O que procuras, que buscas?
– Ainda não sei, mas hei de encontrar!
-Se não sabes nem o que buscas
Como queres encontrar?
-Quando encontrar saberei o que preciso
Será sintonia instantânea e atração imediata.
Essa crença que move boa parte da humanidade
É que mantém a roda da vida girando
Que procuras?
Podemos não saber, mas enquanto sentirmos a falta
Estaremos sempre em busca, sem estacionar
Ainda que pensemos ter desistido
O desejo de encontrar o que buscamos
Estará tal qual fumacinha lá no fundo
Bastará um sopro, um toque
Para tudo se acender e voltar ao fogo que atiça a vida…
Que procuras?
Um mundo feito de muitas procuras
Mas muitas vidas feitas de achados na mesma proporção
E a roda segue seu curso infinito…
Que procuras?
Alda M S Santos

Ressaca

RESSACA

Excessos que causam mal-estar
Desejo de estar em outro lugar
Tantas vezes somos acometidos pela ressaca
Dói a cabeça, o corpo, angustiante friaca

Ressaca também pode ser de ausência
Excesso de espaço vazio, carência
Ressaca que dói, aperta, má influência
Coração pulsa fraco, fica em dormência

A ressaca alcoólica se cura com muita água e repouso
Um cantinho qualquer para o corpo, bom pouso
Talvez um antiácido, um analgésico
Mas a ressaca emocional pede mais, um anestésico

Se o excesso é de carência e solidão
Essa ressaca machuca, gera muita emoção
Bom mesmo é carinho, paz,  boa sensação
Só assim se cura ressaca que atinge o coração

Alda M S Santos

Vista-se!

VISTA-SE!

Qual o mais belo e confortável vestido
Aquele que é curto, comprido colorido
Será o que desperta desejos escondidos
E faz a alma se desmanchar em sorrisos?

Será que a veste mais bonita é a verdade
Aquela que não dá corda para a maldade
A que é quentinha feito um abraço
Tem bom caimento, não aperta, dá espaço?

Como você se veste em seu dia a dia
Casual, chique sofisticado ou largado
Ou não se preocupa muito com isso
Quer mesmo é se vestir de amor, ser abençoado?

Brilhantes ou opacas, sejam quais forem as cores
Bom mesmo é se vestir de amizades, de amores
É a veste mais leve, mais transparente
Deixa a alma quase nua, feliz e envolvente

Alda M S Santos

Da vida, dos outros, de mim…

DA VIDA, DOS OUTROS, DE MIM…

Que posso exigir ou cobrar por aqui
Da vida, dos outros, de mim, o que esperar?
Criar expectativas não é bom, é frustrante
Mas isso em nós não tem jeito, é constante

Dos outros, exigir, seja o que for, não é legal
O que se faz por cobrança não é natural
Perde a alegria, o prazer, o valor
Não vale a pena, fica sem sabor

Da vida nada adianta cobrar
Ela é como um eco, devolve o que lançar
De mim, sim, posso algo reivindicar

Mas aprendi nas grandes lições dadas
Na pele e na alma ficaram registradas
Só eu mesma posso me fazer bem aventurada

Alda M S Santos

Noite nublada esconde segredos

NOITE NUBLADA ESCONDE SEGREDOS

Noite nublada que leva à introspecção
Esconde segredos, atiça a emoção
Desejo de um mundo bem acolhedor
Que seja mais terno, menos julgador

A Lua não apareceu, noutro canto se escondeu
Os amantes cansados buscam seu apogeu
As estrelas cadentes já não inspiram pedidos
O Sol claro, quente até a aurora estará  sumido

Lá fora está tenso, nebuloso, escuro
Há entre esses dois mundos um muro
Cá dentro tento manter acesa minha luz
Bem forte apontando o norte que me conduz

Segredos são benção ou perdição
Quem determina é a atitude, a ação
Em dias claros ou noites nebulosas
É a sabedoria da alma que faz a vida mais valiosa

Alda M S Santos

Será que basta?

SERÁ QUE BASTA?

Será que bastam os sonhos, os desejos
Será que têm vida própria, seus lampejos
Ou o destino é algo feito, já pronto
E não há muito o que fazer para mudar esse conto?

Será que vale a pena investir no novo
Não se acomodar, tentar de novo, e de novo
E, se cair, levantar e, mesmo cambaleante
Saber que o bom mar não para, está sempre ondulante

Vem uma dolorosa lágrima, volta um sorriso satisfeito
Até mesmo nossos silêncios podem ser perfeitos
São o forno no qual cresce nossa alegria
Porque quase sempre vem carregado de sabedoria

Bom valorizar o outro, o que nos traz
Mas melhor mesmo é se saber capaz
De encontrar em si mesmo a resposta
Em nós a verdade está bem posta!

Percebo que posso ser para mim mesma o bastante
Mas prefiro contar com o outro, com Deus, é mais emocionante
E isso não precisa ser nada frustrante
Sigo me abastecendo de vida, de amor revigorante

Alda M S Santos

Reiniciar

REINICIAR

Quero encontrar um meio de me reiniciar
Quando tudo estiver travando, poder recomeçar
Não funcionou, deu pau, aperta um botão
Apaga tudo e faz nova inicialização

Será que um modo de reiniciar
Não seria encontrar um bom lugar
Conosco mesmo ficar quietinho
Até encontrar nosso próprio jeitinho?

Seria buscar no nosso HD interno
O que há de especial, cara de eterno
Que nos faz sensiveis, também fortes
E não nos deixa perder nosso norte?

Será que para nos reiniciar
Não precisamos de alguém para nos ajudar
Mostrar o que temos de mais valioso
Jogar fora o inútil e ficar só com o precioso?

Vamos reiniciar?

Alda M S Santos

Um dia nos veremos de novo

UM DIA NOS VEREMOS DE NOVO

Por aqui, sabemos, é só uma fase da vida
Ela continua noutro plano ou dimensão
Perdemos tanta gente, nossa alma fica sofrida
E dói não poder ver, tocar com a mão

Nascemos aqui, morremos, renascemos acolá
Por que não aprendemos a não sofrer do lado de cá?
A saudade nos consome, o peito aperta
E brota desejo de abraçar, deixarmos a porta aberta

A fé e crença nessa  continuidade
Na luz do alto, um ser maior, uma divindade
Nos faz acreditar na nossa  capacidade
De nos refazermos e aguardar nova oportunidade

Creio que verei vocês novamente
Amores meus, gente querida, guardada no coração e na mente
Só posso agradecer pelo tempo de convivência
E pedir a Ele muita paciência e resiliência

Ainda verei vocês de novo!

Alda M S Santos

Qual seu limite?

QUAL SEU LIMITE?

Qual seu limite, até aonde você se permite ir
Qual cerca você pode transpor sem se ferir
Seja em pensamento ou ação
Seria seu limite andar na contramão?

Qual a lei que te tolhe, te cerceia
Que te faz estacionar, você titubeia
A religiosa, a política, a familiar
Ou sua consciência não ser mais familiar?

O que determina sua ação é a carência, a solidão,
Ou a constante vigilância, a preocupação?
Para o amor você não se limita
Ou toda forte emoção deixa sua alma aflita?

Qual a medida ou a régua que você usa
Seria o aproveita, mas não abusa?
O que fere sua essência, sua humanidade
Será que o machucado do outro aciona sua bondade?

Até que ponto vale sua exposição
Abrir a mente, a alma, o coração
O que nos torna pessoas, humanos
E que nos faz menos mundanos?

O que te limita?

Alda M S Santos

Energia do bem

ENERGIA DO BEM

Poder de mudar, ser a transformação
Quem não gostaria de um pouco dessa poção
Num ato de um forte e intenso pensar
Mandar para longe o que já não cabe nesse lugar

Quisera levar a Deus o pensamento
Em forma de oração, afastar o tormento
Para isso basta boa energia, uma conexão
E Ele nos habilita, abastece o coração

Sois por aqui um projeto de Deus
Para amar, crescer, evoluir entre os seus
Se quisermos algo mudar, a mágica é uma só
Amar a todos de igual modo, sem dó

Fecho meus olhos, inspiro lentamente
Devagar, expiro o ar, limpo a mente
Sinto o amor supremo e incondicional
Renovo-me na luz do bem, essa energia vital

Amém!

Alda M S Santos

Não vivo sem

NÃO VIVO SEM
Podem ser muitas as coisas sem as quais não vivemos
Não vivo sem meus filhos, partes essenciais de mim
Não vivo sem meus pais, refúgio certo
Não vivo sem o abraço e sorriso de meus amigos, colo e abrigo fundamentais
Não vivo sem a natureza por perto, ar que respiro
Não vivo sem trabalho, sem solidariedade, ocupações vitais
Não vivo sem Deus, alimento da alma
Não vivo sem amor, companhia necessária para todas as horas
São tantas as coisas essenciais
Aquelas que o dinheiro não compra!
Mas a principal de todas:
Não vivo sem mim mesma!
Preciso me encontrar, me admirar, me ajudar
Ser a alegria e força que nascem lá de dentro
Pois para viver e valorizar todo o resto
Preciso existir para mim…
Todos nós precisamos!
Alda M S Santos

Pés no chão

PÉS NO CHÃO

Que bom seria poder voar com os pés no chão
Tocar as estrelas com a palma da mão
Ter o poder de alcançar qualquer espaço
Ir até à Lua e em São Jorge dar um abraço

Com os pés no chão sonhar um sonho bom
Poder dançar, ser a melodia, a letra, o som
Quem sabe navegar em outros mares
A remo, à vela, em busca de novos patamares

Seria bom ter a segurança dos pés no chão
A firmeza e a certeza de não ir na contramão
Mas sabedora de que a vida foi bem aproveitada
Em caminhos iluminados, escapando de qualquer cilada

Quero ter os pés no chão e a cabeça na Lua
Um coração em paz, em harmonia com a alma nua
Sem inibição, um belo voo sonhado, saudável loucura
A certeza de ter vivido a emoção pura e segura…

Alda M S Santos 

Sendo morada

SENDO MORADA

Quero ser por aqui boa morada
Por mim mesma ser acalentada
Me abraçar, me acolher, ser carinho
Um aconchego de paz, ninho quentinho

Quero ser uma casa aconchegante
Onde se possa ficar nua a qualquer instante
Sem me envergonhar ou lamentar
Corpo e alma chegar, me deleitar, ficar

Quero ser morada que acalma o coração
Sem precisar esconder na própria escuridão
Ser o abrigo em momentos de tormenta
Se tempestade, pintar a vida em tons magenta

Não preciso ser grande, basta ser na medida
Que caiba uma alma cansada, sofrida
Apenas um espaço para poder amar
Como caracol, carregar a casa pra todo lugar

Alda M S Santos

No tempo certo

NO TEMPO CERTO

Uma das lições da vida: tudo acontece no tempo certo
Mas como saber se já chegou esse momento
Como identificar, como saber o sentimento?
Será que o tempo certo dirá: é agora!
Ou nos colocará no canto: calma, não apavora!
Será que precisa do Sol e da chuva para ele chegar
Como planta que carece de água e calor para brotar?
Será que é quando algo lá dentro abala nossas estruturas
E se move, mexe e remexe, novas conjecturas?
Será que é quando já não há mais lágrimas, tudo esgotou
Ou quando o sorriso já se impõe, aflorou?
Como saber esse tal de tempo certo
Para não deixá-lo passar,  puxá-lo para perto?
Posso acelerar esse relógio, mudar meu calendário
Ou não posso atropelar, devo aguardar novo cenário?
Tenho medo de ficar sempre a esperar
E esse tempo certo nunca chegar!
Muitas vezes penso: é agora, preciso fazer acontecer
O tempo precisa de minha coragem para florescer
E assim sigo a vida, a linha, equilibrando desejos e ansiedades
Em busca da melhor hora dos sonhos virarem realidades…
Vou controlar a ansiedade
Será que hoje é o tempo certo?

Alda M S Santos

No presente

NO PRESENTE

Busco no passado uma explicação
Algo que justifique o hoje, uma razão
Lá há dores e alegrias, derrotas e vitórias
Há belos registros, várias histórias

Lanço o olhar lá na frente, no futuro
Ainda que haja uma barreira, um muro
Ele é recheado de esperanças e expectativas
Tento ser mais racional, menos intempestiva

Olho para o hoje, o agora, o momento
Quero agir no que me traz contentamento
Preciso ser mais atenta, atitudes assertivas
O passado e o futuro são questões exaustivas

Quero usar o passado com sabedoria
As lições que trouxe, a boa energia
O futuro é uma incógnita, a ele peço licença
Vou agir no presente, fazer a diferença

Alda M S Santos

Através da janela

ATRAVÉS DA JANELA

Uma janela aberta, um mundo de possibilidades
O olhar vai longe, em busca de verdades
Lá fora a vida convida, nos chama
Quer nos levar para o  novo, o viver proclama

Janela aberta para o mundo, dentro da gente
Queremos passar, seguir em frente, na corrente
Não podemos viver sempre por um fio
É preciso vencer os medos, os desafios

Chega até nós o brilho e calor do Sol
Nos viramos para ele feito girassol
Cores e perfumes das rosas seduzem
Lua e estrelas na escuridão reluzem

Há um ímã, através da janela há atração
Um viver além de nós mesmos, mais emoção
Pode ser de bondade, estender de mãos
Também de amor,  paz, um viver mais irmão

Alda M S Santos

Lápis e borracha

LÁPIS E BORRACHA
Histórias escritas, desenhadas
Grafitadas, coloridas!
A cada dia um novo traço, um novo risco
Uma palavra mal escrita, um traçado mal feito
Ou até tudo bem feito, mas no livro errado
E lá surgem lágrimas a borrar toda a obra!
Borrachas tornam-se necessárias
Apagar o que deixou de ser parte da história,
Ou que não pode continuar sendo…
Borrachas deixam marcas, sombras
Mas tudo pode ser reaproveitado
Uma palavra mal dita pode ser inserida noutro contexto
Uma frase noutro capítulo
Um capítulo noutro momento
Uma pedra pode se transformar numa flor
Uma flor numa borboleta no roseiral
Uma lágrima numa gota a regar o novo jardim.
Que será sempre revisitado no fundo de nós.
Nesse livro da nossa vida
Podemos, precisamos ter muitos críticos,
Editores deverão ser ouvidos,
Mas somos nós que selecionamos as palavras, os riscos, os rabiscos
Que farão os capítulos dessa história
Somos nós que daremos cor ao que for importante
E deixaremos em escala de cinza o que precisa sair de cena,
Ou ficar nos bastidores desse espetáculo chamado vida.
Alda M S Santos

Pra depois

PRA DEPOIS

Melhor deixar para depois, agora não
Quem sabe o vento muda a direção
Ou amanhã não vai chover, haverá Sol
Poderei me encantar com o canto do rouxinol

Esse trabalho pode esperar outra hora
O lazer não precisa ser para agora
Aquele desejo antigo que carregamos conosco
Já perdeu o brilho, a cor, ficou fosco

Num eterno procrastinar,  deixar para depois
O tempo não espera ninguém, é sabido
Quando se percebe já não se acha mais abrigo
A vida vai passando, deixando feridos

Urge aproveitar agora cada anoitecer
Aproveitar a vida entre as flores no alvorecer
Fazer nossa hora, ensolarada ou nublada
Não dá é para ficar por aqui estacionada

De depois em depois a vida se esvai…

Alda M S Santos

Coisas de Deus

COISAS DE DEUS

O Sol, a chuva, o arco-íris pós-tempestade
A Lua em fases a brincar na obscuridade
O rio que corre levando vida até o mar
Se perdendo e se achando nesse caminhar

Tudo isso são coisas de Deus…

Um amor que sofre, que pede, que se doa
Que evolui, se autoabastece, se aperfeiçoa
A vida que diz sim, não ou talvez
E nos deixa na fartura ou escassez

Também isso são coisas de Deus?

O sorriso confiante de uma criança
Um olhar idoso carregado de esperança
O fogo que alimenta o amor dos amantes
As expectativas não satisfeitas, frustrantes

Tudo isso…será que são coisas de Deus?

Deus está na criança que, feliz, confia
Está no adulto que da sua sombra desconfia
Está num viver que nem sempre contagia
Está naquele que segue a sua revelia

Tudo isso são coisas de Deus!

Mas o que fazemos com o que se apresenta
Se se atrai o bem, se o mal afugenta
É nossa responsabilidade, nossa verdade
Não dá para viver sem naturalidade

Alda M S Santos

Ritmo

RITMO

Quem determina o ritmo que essa banda toca
Se há parceria ou intenso troca-troca
Quem se importa se não há harmonia
Se a orquestra não está em sintonia?

Quem determina o ritmo do lazer, do trabalho
O leve transitar da consciência em frangalho
Quem coloca limites em nossa velocidade
No que fazemos, queremos, por necessidade?

Quem determina o ritmo do rio, da caminhada
Se a marcha está saudável, (des)acompanhada
Quem dá o tom, o sabor, a cor e o som do amor
Num ritmo calmo, louco, alucinado, por favor!

Quem determina o ritmo dessa aeronave
Que nos transporta sempre, veloz ou suave
Quem tem a nós acesso, nossa chave
De um viver ora despreocupante, ora grave…

Quem determina seu ritmo?

Alda M S Santos

Não sei…

NÃO SEI…

Se o tempo passa veloz e me deixa para trás
Se estou aproveitando tudo que a vida traz
Se sou esponja ou ímã em todo canto por aqui
Não sei…queria ter certeza de como agir…

Se estou absorvendo o bastante o calor do Sol
Se aproveito o encanto desse arrebol
Se a Lua me parece companheira, confiável
Não sei…será que sou fases, meio instável?

Se exijo demais do amor, de mim
Se aceito o que me cabe, relaxo, enfim
Se vou à luta ou se jogo a tolha
Não sei…às vezes cansa a batalha

Se sigo o caminho, sou gratidão
Ofereço o que tenho, sou doação
Se entendo que tudo por aqui é lição
Sei lá…entendo que em tudo há evolução…

Alda M S Santos

Qual o trato?

QUAL O TRATO?

Como cheguei até aqui?
Nesse lugar que não sei bem definir
Que ora me faz feliz, me faz sorrir
Ora é um grande equívoco, dói seguir

Que me trouxe até aqui, para quê?
De onde vim, qual foi o trato
Tudo parece ora bem concreto, noutras tão abstrato
Se desistir, há multa por quebra de contrato?

Será que existe um outro lugar, outro “aqui”?
Onde serei acolhida, bem-vinda
Ou serei avaliada, colocada na berlinda
Cumpridora, devedora, quando isso se finda?

Olho em volta para tudo isso aqui
Ora tem tanto por fazer ainda, qual a sentença
Será que sou daqui ou posso sair, pedir licença
Preciso saber para poder fazer a diferença…

Alda M S Santos

Sem definição

SEM DEFINIÇÃO

Há tanta coisa sem definição…só sensação
Gosto assim, sem precisar definir, só sentir
Sem precisar explanar, só o prazer de encantar 

Há tanta coisa sem definição…só sensação
Como o Sol que vai e vem, sem se esquecer de ninguém
Como a Lua que guarda segredos, dissipa os medos 

Há tanta coisa sem definição…só sensação
Como a cachoeira que lava toda zonzeira
Que acolhe e abraça toda a gente namoradeira 

Há tanta coisa sem definição…só sensação
Como a chuva que cai despretensiosa, fininha ou torrencial
Molha a terra, enche os rios, irriga nossa secura existencial 

Há tanta coisa sem definição…só sensação
Como o amor que faz morada num coração, sem permissão
Faz sorrir, faz chorar, faz viver uma vida com toda a emoção

Há tanta coisa sem definição…só sensação
Para que cobrar razão, ter tanta indagação
Se o que vale mais a pena nem tem explicação?

Alda M S Santos

Esconderijos

ESCONDERIJOS

Somos, a vida toda, eternas crianças
A brincar conosco de esconde-esconde
São vários esconderijos nessas andanças
E vamos tentando não cair desse bonde

Há nessa nossa viagem refúgios diversos
Para cada situação ou momento adverso
Ora escondemos numa atividade exterior
Ora bem lá dentro de nós, nosso interior

Às vezes estamos atrás de um sorriso feliz
Noutras num momento de lágrimas ou oração
Ou naqueles em que estendemos nossa mão

Esconder pode ser um momento de nos refazer
Poupar energias, encontrar a harmonia
Para seguir esse caminho em total sintonia

Alda M S Santos

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