Busca

vidaintensavida.com

poemas e reflexões da vida cotidiana

Categoria

balanço da vida

No presente

NO PRESENTE

Busco no passado uma explicação
Algo que justifique o hoje, uma razão
Lá há dores e alegrias, derrotas e vitórias
Há belos registros, várias histórias

Lanço o olhar lá na frente, no futuro
Ainda que haja uma barreira, um muro
Ele é recheado de esperanças e expectativas
Tento ser mais racional, menos intempestiva

Olho para o hoje, o agora, o momento
Quero agir no que me traz contentamento
Preciso ser mais atenta, atitudes assertivas
O passado e o futuro são questões exaustivas

Quero usar o passado com sabedoria
As lições que trouxe, a boa energia
O futuro é uma incógnita, a ele peço licença
Vou agir no presente, fazer a diferença

Alda M S Santos

Através da janela

ATRAVÉS DA JANELA

Uma janela aberta, um mundo de possibilidades
O olhar vai longe, em busca de verdades
Lá fora a vida convida, nos chama
Quer nos levar para o  novo, o viver proclama

Janela aberta para o mundo, dentro da gente
Queremos passar, seguir em frente, na corrente
Não podemos viver sempre por um fio
É preciso vencer os medos, os desafios

Chega até nós o brilho e calor do Sol
Nos viramos para ele feito girassol
Cores e perfumes das rosas seduzem
Lua e estrelas na escuridão reluzem

Há um ímã, através da janela há atração
Um viver além de nós mesmos, mais emoção
Pode ser de bondade, estender de mãos
Também de amor,  paz, um viver mais irmão

Alda M S Santos

Lápis e borracha

LÁPIS E BORRACHA
Histórias escritas, desenhadas
Grafitadas, coloridas!
A cada dia um novo traço, um novo risco
Uma palavra mal escrita, um traçado mal feito
Ou até tudo bem feito, mas no livro errado
E lá surgem lágrimas a borrar toda a obra!
Borrachas tornam-se necessárias
Apagar o que deixou de ser parte da história,
Ou que não pode continuar sendo…
Borrachas deixam marcas, sombras
Mas tudo pode ser reaproveitado
Uma palavra mal dita pode ser inserida noutro contexto
Uma frase noutro capítulo
Um capítulo noutro momento
Uma pedra pode se transformar numa flor
Uma flor numa borboleta no roseiral
Uma lágrima numa gota a regar o novo jardim.
Que será sempre revisitado no fundo de nós.
Nesse livro da nossa vida
Podemos, precisamos ter muitos críticos,
Editores deverão ser ouvidos,
Mas somos nós que selecionamos as palavras, os riscos, os rabiscos
Que farão os capítulos dessa história
Somos nós que daremos cor ao que for importante
E deixaremos em escala de cinza o que precisa sair de cena,
Ou ficar nos bastidores desse espetáculo chamado vida.
Alda M S Santos

Pra depois

PRA DEPOIS

Melhor deixar para depois, agora não
Quem sabe o vento muda a direção
Ou amanhã não vai chover, haverá Sol
Poderei me encantar com o canto do rouxinol

Esse trabalho pode esperar outra hora
O lazer não precisa ser para agora
Aquele desejo antigo que carregamos conosco
Já perdeu o brilho, a cor, ficou fosco

Num eterno procrastinar,  deixar para depois
O tempo não espera ninguém, é sabido
Quando se percebe já não se acha mais abrigo
A vida vai passando, deixando feridos

Urge aproveitar agora cada anoitecer
Aproveitar a vida entre as flores no alvorecer
Fazer nossa hora, ensolarada ou nublada
Não dá é para ficar por aqui estacionada

De depois em depois a vida se esvai…

Alda M S Santos

Coisas de Deus

COISAS DE DEUS

O Sol, a chuva, o arco-íris pós-tempestade
A Lua em fases a brincar na obscuridade
O rio que corre levando vida até o mar
Se perdendo e se achando nesse caminhar

Tudo isso são coisas de Deus…

Um amor que sofre, que pede, que se doa
Que evolui, se autoabastece, se aperfeiçoa
A vida que diz sim, não ou talvez
E nos deixa na fartura ou escassez

Também isso são coisas de Deus?

O sorriso confiante de uma criança
Um olhar idoso carregado de esperança
O fogo que alimenta o amor dos amantes
As expectativas não satisfeitas, frustrantes

Tudo isso…será que são coisas de Deus?

Deus está na criança que, feliz, confia
Está no adulto que da sua sombra desconfia
Está num viver que nem sempre contagia
Está naquele que segue a sua revelia

Tudo isso são coisas de Deus!

Mas o que fazemos com o que se apresenta
Se se atrai o bem, se o mal afugenta
É nossa responsabilidade, nossa verdade
Não dá para viver sem naturalidade

Alda M S Santos

Ritmo

RITMO

Quem determina o ritmo que essa banda toca
Se há parceria ou intenso troca-troca
Quem se importa se não há harmonia
Se a orquestra não está em sintonia?

Quem determina o ritmo do lazer, do trabalho
O leve transitar da consciência em frangalho
Quem coloca limites em nossa velocidade
No que fazemos, queremos, por necessidade?

Quem determina o ritmo do rio, da caminhada
Se a marcha está saudável, (des)acompanhada
Quem dá o tom, o sabor, a cor e o som do amor
Num ritmo calmo, louco, alucinado, por favor!

Quem determina o ritmo dessa aeronave
Que nos transporta sempre, veloz ou suave
Quem tem a nós acesso, nossa chave
De um viver ora despreocupante, ora grave…

Quem determina seu ritmo?

Alda M S Santos

Não sei…

NÃO SEI…

Se o tempo passa veloz e me deixa para trás
Se estou aproveitando tudo que a vida traz
Se sou esponja ou ímã em todo canto por aqui
Não sei…queria ter certeza de como agir…

Se estou absorvendo o bastante o calor do Sol
Se aproveito o encanto desse arrebol
Se a Lua me parece companheira, confiável
Não sei…será que sou fases, meio instável?

Se exijo demais do amor, de mim
Se aceito o que me cabe, relaxo, enfim
Se vou à luta ou se jogo a tolha
Não sei…às vezes cansa a batalha

Se sigo o caminho, sou gratidão
Ofereço o que tenho, sou doação
Se entendo que tudo por aqui é lição
Sei lá…entendo que em tudo há evolução…

Alda M S Santos

Qual o trato?

QUAL O TRATO?

Como cheguei até aqui?
Nesse lugar que não sei bem definir
Que ora me faz feliz, me faz sorrir
Ora é um grande equívoco, dói seguir

Que me trouxe até aqui, para quê?
De onde vim, qual foi o trato
Tudo parece ora bem concreto, noutras tão abstrato
Se desistir, há multa por quebra de contrato?

Será que existe um outro lugar, outro “aqui”?
Onde serei acolhida, bem-vinda
Ou serei avaliada, colocada na berlinda
Cumpridora, devedora, quando isso se finda?

Olho em volta para tudo isso aqui
Ora tem tanto por fazer ainda, qual a sentença
Será que sou daqui ou posso sair, pedir licença
Preciso saber para poder fazer a diferença…

Alda M S Santos

Sem definição

SEM DEFINIÇÃO

Há tanta coisa sem definição…só sensação
Gosto assim, sem precisar definir, só sentir
Sem precisar explanar, só o prazer de encantar 

Há tanta coisa sem definição…só sensação
Como o Sol que vai e vem, sem se esquecer de ninguém
Como a Lua que guarda segredos, dissipa os medos 

Há tanta coisa sem definição…só sensação
Como a cachoeira que lava toda zonzeira
Que acolhe e abraça toda a gente namoradeira 

Há tanta coisa sem definição…só sensação
Como a chuva que cai despretensiosa, fininha ou torrencial
Molha a terra, enche os rios, irriga nossa secura existencial 

Há tanta coisa sem definição…só sensação
Como o amor que faz morada num coração, sem permissão
Faz sorrir, faz chorar, faz viver uma vida com toda a emoção

Há tanta coisa sem definição…só sensação
Para que cobrar razão, ter tanta indagação
Se o que vale mais a pena nem tem explicação?

Alda M S Santos

Esconderijos

ESCONDERIJOS

Somos, a vida toda, eternas crianças
A brincar conosco de esconde-esconde
São vários esconderijos nessas andanças
E vamos tentando não cair desse bonde

Há nessa nossa viagem refúgios diversos
Para cada situação ou momento adverso
Ora escondemos numa atividade exterior
Ora bem lá dentro de nós, nosso interior

Às vezes estamos atrás de um sorriso feliz
Noutras num momento de lágrimas ou oração
Ou naqueles em que estendemos nossa mão

Esconder pode ser um momento de nos refazer
Poupar energias, encontrar a harmonia
Para seguir esse caminho em total sintonia

Alda M S Santos

Meu céu

MEU CÉU

Meu céu nem sempre está limpo, céu de brigadeiro
Digno de grandes voos no fim de semana inteiro
Por vezes fica escuro, tenso, carregado
Só se consegue ver que está bem pesado

Gosto da grandeza da imensidão celeste
Seja em norte, sul, leste ou oeste
Para todo lado há algo insondável
Que desperta o desejo, o inimaginável

Se escuro, deixar de voar será o ideal?
Aguardar que tenha condição especial?
Ou seguir assim mesmo, não temer o vendaval?

Meu céu pode mudar a qualquer hora
Olho, me recolho, espero, não demora
Logo meu voo será intenso por aí a fora …

Alda M S Santos

Sou capaz

SOU CAPAZ

Sou capaz de manter um sonho guardado
Nem sei por quando tempo, aguardando aliado
Sou capaz de amar sem medidas
Desejando colo, aconchego, guarida

Sou capaz de voar por aí, meio perdida
Na imaginação que flui, meio dividida
Sou capaz de chorar pela ingratidão
Também pela bondade de um coração

Sou capaz de encarar a vida de frente
Mesmo quando tudo parece dormente
Sou capaz de me recolher em meu cantinho
Aquele que me leva para um só caminho

Sou capaz até mesmo de desistir
Até encontrar nova razão para seguir
Sou capaz de lutar pra fazer valer por aqui
Minha existência, minha vida, meu porvir

Alda M S Santos

O valor de uma vida

O VALOR DE UMA VIDA
Ânsia, necessidade premente de seguir
Seguir em frente para o desconhecido, o novo
Até onde não haja mais chão para caminhar
E ali pousar…
Ânsia, necessidade premente de seguir
Seguir, mas pegando o retorno, voltar
Até um bom lugar, um ponto pacífico, saudoso, confiável
Buscar o conhecido, prazeroso, sentar
E ali pousar…
Todo desejo de seguir esconde um embutido desejo de estacionar
Num lugar de tranquilidade e paz…
Enquanto houver propósito de seguir haverá vida
Em pouso ou em trânsito…
Cada qual faz sua melhor versão do caminho
Cada um sabe o valor de sua vida e das vidas alheias …
Alda M S Santos

É preciso permitir-se!

É PRECISO PERMITIR-SE!
É preciso se permitir sorrir para o bem propagar, o bem atrair
Mas também é preciso se permitir chorar,
Para a tristeza extravasar, a alma lavar.
É preciso se permitir amar para a vida ser plena, o coração não ser pequeno,
Mas também é preciso se permitir não gostar, se afastar do que faz mal,
Para respeitar a si e ao outro.
É preciso ser permitir falar, dizer tudo que agrada ou incomoda,
Mas também é preciso se permitir calar, silenciar, segredar,
Para não magoar, não magoar-se!
É preciso se permitir ser o que é, viver a própria essência,
Mas também é preciso saber aceitar a essência dos outros.
É preciso se permitir viver,
Mas de um modo que não fira ou impossibilite a vida alheia.
É preciso permitir e permitir-se!
Alda M S Santos

De pouquinho em pouquinho

DE POUQUINHO EM POUQUINHO

Um passo de cada vez, sem atropelar
Dá para ir longe nessa viagem, nesse lugar
Fora ou dentro de órbita, só ou acompanhado
A vida gira, segue, sabe o que deixar de lado

O sorriso pode se esconder, o olhar ficar apagado
Mas de pouquinho em pouquinho dá para esquecer
O que deixa o coração triste e amargurado
E buscar nas reservas internas uma razão de ser

Bem devagarinho dá para ir cicatrizando
Com carinho e atenção, a alma vai acalmando
Não desistir de seguir, tampouco ficar chorando
Até a ferida ficar curada, não dá para ficar cutucando

De gota em gota dá para cuidar do broto
Hidratar, reanimar, cozer o que estiver roto
Quero mesmo é apagar o que está dolorido
E pintar sempre nessa tela um novo colorido

Alda M S Santos

Quem sou eu para questionar?

QUEM SOU EU PARA QUESTIONAR?

Tenho direito às minhas sombras!

Até o Sol se esconde no horizonte, tira um tempo para si
As rosas perdem suas pétalas que adubam o jardim
A Lua tem suas fases, sua luz e sua escuridão
O rio tem tempo de seca, quase desertificação

Tenho direto às minhas sombras!

Os ipês têm tempo de beleza, de florescer
Mas também têm períodos em que parecem morrer
O mar tem as marés, altas, baixas, as ressacas
Os trópicos também têm períodos de friaca

Também tenho direito às minhas sombras!

Até mesmo a fé tem momentos em que não move tantas montanhas
Ou os heróis tiram a capa, sem grandes façanhas
O amor tem momentos carentes, em que tem mais fome ou sede
E a vida pede uma pausa, um descanso na rede

Então, quem sou eu para questionar minhas sombras?

Alda M S Santos

Quero ouvir

QUERO OUVIR

Quero apurar meus ouvidos
Colocar ali toda sensibilidade
Ajustar no processo todos os envolvidos
E ouvir bem tudo que vier, com alteridade

Quero ouvir o que a voz cala
Mas a opacidade da lágrima grita
Ou o brilho do olhar nos fala
Aquilo que traz a alma contrita

Quero ouvir em sonhos o amor manifesto
Nas palavras, na expressão corporal
Quero captar o que vem por protesto
Escutar os ensinamentos de cada vendaval

Quero ouvir o som suave do vento
O que ele diz no nosso pensamento
Entender o que falam as águas da cachoeira
Ou o Sol que vai sumindo na ribanceira

Há muitos dizeres, audição, compreensão
Basta afinar os ouvidos com o coração
Se houver bondade, luz e emoção
Tudo que for “dito” terá boa interpretação

Quero dizer, quero ouvir…
Você me ouve?

Alda M S Santos
Tarde de Poesias. Tema: Quero ouvir

Amor-próprio

AMOR-PRÓPRIO
Amor-próprio e autoestima é muito mais que se alegrar
Com a pele lisinha e dentes branquinhos
É mais que a satisfação de caber na calça jeans de sempre
Ou poder usar um biquíni de lacinho
É mais do que gostar da imagem que o espelho reflete
Autoestima em dia, amor-próprio o bastante
É encarar a si mesmo no espelho
É não desviar os olhos daquele olhar que te encara
É sorrir de volta para aquela imagem refletida
Com admiração, respeito, coragem
Apesar dos medos e derrotas
É reconhecer-se um vencedor
É saber perdoar os próprios erros
Encarar a si mesmo, sorrir de volta
Ou até mesmo chorar
Mas fazer as pazes consigo mesmo
E seguir em frente
É bom ter amigos, ter um amor
Mas jamais seremos bons amigos, bons amores
Se não entendermos que precisamos ser
Nossos melhores amigos
Nosso verdadeiro amor…
O primeiro compromisso que temos por aqui
É conosco mesmos!
Isso não é egoísmo
É a base de todo tipo de amor e amizade…
És capaz de se admirar ao espelho?
Alda M S Santos

Sem saber o porquê

SEM SABER O PORQUÊ

Quando o peito aperta sem saber o porquê
Se tudo parece nublado sem razão de ser
A energia fica seca como areia no deserto
E nem se sabe se quer alguém por perto

Que se pode fazer?

Falta uma conexão importante, especial
Desejo de embrenhar no fundo do quintal
Em meio às folhas e galhos pós-vendaval
Ali parece ser acolhedor,  nada convencional

Que se pode fazer?

Um vazio que, paradoxalmente, é pesado
Uma angústia que nos deixa à parte, de lado
Questiona-se a razão de tudo isso aqui
E bate um desejo grande de partir

Que se pode fazer?

A vida vai sempre ensinando o caminho
Mostrando por onde seguir, mesmo sozinho
Abrindo trilhas em nossas matas fechadas
Se possível, levando boas almas aliadas

Assim, talvez, se encontre a razão de ser
E, finalmente, se saiba o que fazer…

Alda M S Santos

Eu te dei

EU TE DEI

Eu te dei…
A tela branca para pintar o seu sol
As árvores frondosas onde canta o rouxinol
As estrelas brilhantes para iluminar o seu céu
Uma linda paleta para satisfazer seu pincel

Eu te dei…
A chuva prata que irriga sua plantação
Que mata a sua sede e de sua criação
Que alimenta seus desejos de amor
Que te faz na vida um sonhador

Eu te dei…
A brisa para seu rosto refrescar
O rio para seu corpo banhar
A Lua para seu amor encantar
As rosas para sua vida perfumar

Só Eu te dei tanto…
Sem cobrar nada, tudo por encanto
Seu pouso, seu mais doce recanto
Alegria, gratidão, nada de pranto

Só Ele nos deu…

Alda M S Santos

Bom presságio

BOM PRESSÁGIO

Às vezes nossa luz míngua, meio assustadora
Desejo de ficar no cantinho, em hibernação
Mergulhar fundo na alma apaziguadora
Em busca de cura, de cicatrização

Mas algo nos impele, empurra pra frente
Diz: vá em busca de luz, de boa gente
Há delas para todo lado, felizmente
Reclamar do escuro é contraproducente

Há propósito para tudo, eu quero acreditar
A tristeza, a angústia têm razão de ser
Arrumar cada coisa em seu devido lugar
Sorrisos e lágrimas podem nos fazer crescer

Cuidar de si, cuidar do outro, evitar naufrágio
A humanidade avança por contágio
Seja pelo mal ou pelo bem, paga-se pedágio
Ser luz na escuridão é sempre bom presságio

Alda M S Santos

Movendo montanhas

MOVENDO MONTANHAS

Passamos a vida movendo nossas montanhas
Descobrindo quem nos impele a isso
Quem nos dá essa energia, essa força sobrenatural
De tudo mover, mudar, tornar especial
O que ou quem nos faz derrubar muros, afastar barreiras
E ainda assim nos sentir bem conosco mesmos
Sabedores de termos feito o melhor, abrindo fronteiras
E encontrando nosso oásis em meio ao deserto
Depois de sofrer com a angústia tão de perto
Mover montanhas não precisa ser pesado
Pode e deve ser por e com prazer, com cuidado
Dizem que a fé move montanhas
Sim! A fé em Deus, no seu amor, sem artimanhas
Mas sobretudo na fé que Ele depositou em nós
Nos mandando pra cá para enfrentar esse mundo feroz
Se Ele acredita e espera tanto da gente
Quem somos nós para fazer diferente?
Quero mesmo é mergulhar fundo nessa lagoa que é a vida
Ora parada, calma, ora agitada, bela miragem
E mover qualquer montanha será um ato de coragem …

Alda M S Santos

Tempo de amanhecer

TEMPO DE AMANHECER

A música tocando suavemente
As estrelas lá em cima, coração dormente
Em fones, é puro encanto a melodia
Toca fundo, irriga, pura poesia

As lágrimas rolam sem medo
Traçam um caminho, pedem arrego
Um encontro especial com as questões internas
Já não tem tanta força as coisas externas

Conexão com o alto, recônditos secretos
Desejo de viajar para longe, pouso certo
O viver tantas vezes é tão incerto!

Lágrimas lavam tudo, têm poder
De lavrar a alma, fazer acontecer
Surge um novo dia, tempo de amanhecer

Alda M S Santos

O bem e o mal

O BEM E O MAL

Que há de comum entre o bem e o mal?
Já se perguntou, quando chega o vendaval?
Ambos só crescem se alimentados
O que não queremos cultivar precisa ser arrancado

Como num jardim bem regado
Cresce de tudo para todos os lados
Brotam flores, matos e ervas daninhas
Cabe a nós mesmos retirar as danadinhas

Se faz mal, se não é do bem, retire também
Mal pode se disfarçar de bem e querer nos enganar
Mas lá no fundo sabemos bem o que cultivar

O que é do bem, que traz felicidade e paz
Não nos atemoriza ou envergonha, apenas satisfaz
Alimentemos com amor o que é luz e nos apraz

Alda M S Santos

Aceita uma poção mágica?

ACEITA UMA POÇÃO MÁGICA?

É agosto, mês dos ventos, mês atribuído ao azar
Azar de quem nisso quer acreditar
Nele há uma sexta-feira treze também
Eu vou aproveitar para fazer o bem

Vou fazer uma doce e mágica poção
Colocar uma pitada de coragem, deixar em ebulição
Misturar tudo que houver de emoção
E num chá quentinho aquecer outro coração

As escadas quero escalar, os gatos pretos abraçar
As pontes atravessar, os medos apagar
Em torno das fogueiras dançar, os preconceitos repudiar

Se o treze é atribuído ao infortúnio e má sorte
Cabe a nós celebrar a vida, afastar a morte
Ser do amor e da bondade o transporte
Não há nada que resista a alguém de alma forte

Aceita uma caneca dessa poção?

Alda M S Santos

Dunas

DUNAS

Na natureza tudo tem sua razão de ser
Na interdependência que há entre diversos fenômenos
Buscando gerar estabilidade e harmonia
Vemos um equilíbrio vital, beleza, sintonia
Dunas se formam por ação dos ventos constantes
Movimento dos sedimentos ou grãos de areia soltos no ar
Ao encontrarem obstáculos naturais vão se acumulando
Uma beleza natural vai se formando
Proteção de solo, das áreas construídas, lençóis freáticos
Continuam seu movimento, até meio lunático
E vão se movendo, se protegendo
A natureza sendo rica, nos envolvendo
Nos ensinando que os ventos podem nos favorecer
Ainda que haja obstáculos e difícil possa parecer
Tudo pode ser bem aproveitado em nosso viver
Basta ter fé, coragem e nunca esmorecer

Alda M S Santos

Entre as muitas de mim

ENTRE AS MUITAS DE MIM

Muitas vezes sou palavras sem fim
Tantas outras o silêncio habita em mim
Algumas vezes quero abraçar e acolher o mundo
Noutras, nem a meu próprio mundinho consigo acolher

Sou, às vezes, gargalhadas de alegria e satisfação
Tantas outras sou um sorriso tímido de decepção
Muitas vezes sou a animação, a atração
Noutras, quero me esconder num cantinho sem aparição

Muitas vezes sou dança, sou verso, sou sedução
Noutras tantas sou muito atrapalhada, sou tombo, sou confusão
Muitas vezes sou maternal, terna, emocional
Noutras sou tão sozinha, isolada, individual

Tantas vezes vejo adiante um mundo de oportunidades
Noutras só vejo agonia e infelicidade
Muitas vezes estou em paz com as muitas de mim
Tantas outras elas travam uma batalha de vida e morte bem ruim

Entre as muitas de mim
Perfumada de flores, de jasmim
Nessa constante contradição
Procuro enfeitar esse jardim…

Alda M S Santos

Pérolas e mulheres

PÉROLAS E MULHERES

A mais linda produção gerada pela dor, pelo atrito
Pelo sofrimento, ostra protegida, machucada
Uma obra de arte que encanta a mulherada
Mulher entende de sofrimento, de superação
Entende de dor, de alegria, de beleza e proteção
É parceira e admiradora infinita dessa joia
Uma relação de atração, de sedução e amor
Que se explica na essência que ambas trazem consigo
Produzir maravilhas, encantar, ignorar o castigo
Serem aos olhos do mundo a fragilidade e a força
O encanto, o brilho, a luz e a opacidade
Sem nunca perder o que trazem de mais belo, a naturalidade
Mulheres são pérolas raras que carregam em si a felicidade

Alda M S Santos
XLVIII ENCONTRO PÔR DO SOL
TEMA: Pérolas e mulheres, uma longa história de amor

No caos

NO CAOS

Na confusão de meu caos busco caminhos reais
Nessa bagunça intensa tento encontrar um cais
Sem tantas dores, sem tantos ais
O caos exige medidas, às vezes, radicais

Não escondo meus caos, meus descaminhos
Não adianta fingir, sofro, retiro os espinhos
A cada ferida sarada, uma cicatriz a mais, é cura
Sobrevivência, na alma, marca que perdura

Em meus caos encontro tesouros, preciosidades
Não é fácil, exige persistência, habilidades
As lágrimas podem embaçar, escurecer, nublar
Mas quando se vão deixam luz no caminhar

O caos, por tudo remexer, tirar do lugar
A quem souber aproveitar e não se deixar estacionar
Tem capacidades intrínsecas de renovação
E trazer mais vida e energia a cada coração

Alda M S Santos

Nos braços de Morfeu

NOS BRAÇOS DE MORFEU
Deitou-se à beira mar num fim de tarde de outono
O Sol se punha belo e multicor no horizonte
As ondas vinham leves e mornas sob seus pés, puxando a areia
Um céu de azul profundo, gaivotas a voar
As crianças brincavam felizes, despreocupadas
Olhos querendo fechar, embalados pelos sons e cheiro de maresia inebriantes
Não posso dormir- pensou! Perigoso!
Entregou-se aos braços de Morfeu, sem perceber
Noite alta, despertou sem ar, quase se afogando
Queria nadar de volta à praia, tudo escuro como breu, nada via
Sensação claustrofóbica terrível
Água por todos os lados em círculos, pedia ajuda, ninguém ouvia
Nadava e sentia-se afundar, ouvia barulhos de gente
Procurava por seus entes queridos, gritava e a voz não saía
Chamava por seus amigos e familiares e…nada, ninguém a socorria
Sentia-se afundar, olhos ardendo do sal do mar e das lágrimas
As forças minavam, faltava oxigênio, pensou em Deus…
Os olhos se abriram, clarearam, a areia da praia apareceu, nadou de volta
Esgotada, entregue, chorou, agradeceu…
Alda M S Santos

Virtudes e pecados

VIRTUDES E PECADOS
Numa vida de virtudes, há pecado que nos condenaria?
Numa vida de pecados, há virtude que nos salvaria?
Que há de tão bom em nós que neutralizaria qualquer mal?
Que poderia haver de tão ruim que anularia qualquer bem?
Que carregamos de tão leve, feito balãozinho no jardim, que teria peso positivo?
Que carregamos de tão pesado, feito esponja encharcada, que pesaria negativamente na balança?
Pudéssemos julgar a nós mesmos com os mesmos critérios que julgamos os outros
Nas mesmas leis, pelo mesmo peso e medida
Com direito às mesmas atenuantes e defesas
Sob o mesmo júri implacável
Qual seria nosso veredicto, inocentes ou culpados
Qual penalidade receberíamos?
Teríamos direito de recorrer?
Virtudes e pecados, pecados e virtudes
Qual humano está isento a ponto de ser capaz de julgar?
Alda M S Santos

Tudo bem também

TUDO BEM TAMBÉM

Não seremos sempre a animação e a alegria
Muitas vezes seremos desânimo, letargia
O sorriso não estará sempre presente
As lágrimas poderão tomar conta da gente
E está tudo bem também…

Podemos nos acovardar diante da dor, da perda
Querer desistir diante de uma decepção
Ou de algo que venha a partir nosso coração
Causando na vida muita ansiedade e frustração
E está tudo bem também…

A saudade pode apertar, sufocar o peito
A fé não mover montanhas, não surtir efeito
As nuvens apagarem o Sol, escurecem o céu
E as estrelas perdidas atrás de um grosso véu
E está tudo bem também…

Sabendo que somos falíveis, acertando, errando, aprendizes
Aceitando as guinadas que a vida dá, jogando tudo pelo ar
Entendendo que uma hora tudo volta para o lugar
Fica mais fácil nos aceitar sem tanto nos culpar
E está tudo bem também …

Alda M S Santos

Catapulta

CATAPULTA

Não é preciso nem um extremo nem outro

Não preciso sorrir todo o tempo, tampouco chorar

Posso ter energia bastante para lutar

Mas posso querer hibernar por uns tempos

A alegria pode ser rara, a tristeza também

Mas não preciso nem um extremo e nem outro

Não quero viver na zona de confronto todo o tempo

Mas a zona de conforto também não é satisfatória

O amor não necessita ser daqueles de contos de fadas

Mas também não precisa ser de conto policial

Não preciso nem um extremo e nem outro

O trabalho pode ser intenso e prazeroso

Mas a inércia também pode fazer parte, ser necessária

Ou posso optar por deixar-me levar pela letargia

Vez ou outra preciso me desligar de tudo

Antes que tudo se desligue de mim

Não é preciso nem um extremo nem outro

Mas se chegar a qualquer dos extremos

Que eu possa me encontrar em qualquer um deles

E ser catapultada de volta ao prumo!Alda M S Santos

Onda de quê?

ONDA DE QUÊ?

Onda de calor, quarenta graus, frente quente
Daquelas que sugam a energia da gente
Onda de frio, temperaturas baixas, frente gelada
Daquelas que nos fazem encolher na madrugada

Tanta onda que aparece por aí
Queria tanto saber quando chegará por aqui
A onda de amor, frente de bondade
Que é dessa que tanto precisa a humanidade

Onda de compaixão, um pouquinho de atenção
Que levanta alguém do chão, que acolhe o irmão
Onda de solidariedade, que atinge qualquer idade
Desperta a piedade, atiça a caridade

Onda de carinho, chegando de mansinho
Daquelas que matam a saudade
Que nos pegam e nos dão um colinho
E afastam qualquer maldade…

Quando a onda do amor irá nos abater?
Só queria saber…

Alda M S Santos

Queria voar

QUERIA VOAR

Queria tanto voar…

Não a bordo de um avião
Ou dentro de máquina de aço qualquer
Queria bater minhas asas
Como águia, ou um gavião
Poder ir a qualquer canto
Onde não houvesse nenhum pranto

Queria tanto voar…

Lá do alto observar a tudo
Vista privilegiada desse mundão
Liberdade de ir e vir, sem prisão
E poder a quem precisar estender a mão

Queria tanto voar…

Mas sou um ser humano
A nós foram dadas outras habilidades
Podemos andar, pensar, falar, menos voar
Pensando bem, eu trocaria qualquer uma delas
Pela capacidade de subir, voar, plainar…

Queria tanto voar…

Já que isso não é possível
E confio no Senhor da Criação
Daqui fico curtindo e acenando
E voando apenas na imaginação…

Vamos voar?

Alda M S Santos

Rascunhos

RASCUNHOS

Não há borrachas, tampouco corretivos
Não dá para apagar ou descartar
Não escrevemos nossa história a lápis
A vida é pintada à tinta
Com as cores que escolhemos
Direto na tela final

Não dá para viver de ensaio
Não dá para ficar rascunhando
A vida é um espetáculo ao vivo
Não se pode parar, retornar
Ou ficar aguardando boa luz

Essa obra-prima é original, única versão
É sempre uma finalização
Não faça rascunhos, não viva de esboços
Talvez não haja tempo para passar a limpo…

Alda M S Santos

Ventania

VENTANIA

Posso ser uma brisa suave, um ventinho
Aquele que acalma o calor, parece carinho
Mas posso ser forte ventania
Que chega sem aviso, causa certa agonia
E pode tirar tudo do seu lugar
Fazer bagunça, sem saber como arrumar
Posso ser o ventinho que traz paz e amor
Que acalenta, aconchega, sem pudor
Outras vezes sou tornado, pareço tudo destruir
Dando oportunidade para recomeçar, reconstruir
Vento, ventinho, brisa, furacão, tempestade
Sou democrática, não escolho gênero ou idade
Venho de todos os lados, qualquer canto
Quero mesmo é te fortalecer, enxugar seu pranto
Fazer sorrir, crescer, feliz sentir, evoluir
Sabedora que por aqui é mais uma estrada a seguir
Que te levará de volta para casa, ao ninho
Sou a vida que te faz ser o que é, ser seu próprio caminho

Alda M S Santos

Pau que nasce torto

PAU QUE NASCE TORTO

“Pau que nasce torto, morre torto”
Será que dá pra crer em algo tão radical
Acreditar que somos assim tão imutáveis
Que não é possível ajeitar um mal?
Não seria isso descartar a capacidade de mudança
Afastar toda e qualquer esperança
Que estamos por aqui para evoluir
Crescer, aprender, melhorar em cada ato?
Quero crer que o que há de fato
São pessoas aprendizes e em constante evolução
Aqui vamos errando, acertando, mudando a cada emoção
Torcendo esse pau, ajeitando e buscando o céu
Pau que nasce torto só permanece torto se quiser
Na vida tudo é possível a quem tem fé!

Alda M S Santos

Solidão

SOLIDÃO

Não dá pra viver bem sozinho
Sempre iremos querer alguém
Que preencha bem nosso ninho
Que nos cuide com atenção e carinho

Não dá pra viver na solidão
Ela pode até fazer bem para reflexão
Mas não pode durar muito, não
Precisamos de alguém que ocupe o coração

Forte ou frágil não faz diferença
Todo ser humano precisa de gente
Que o faça melhor, menos carente

O corpo pede, a mente solicita
O olhar implora, o coração grita
Um abraço é tudo que precisamos

Alda M S Santos

Pra caminhar

PRA CAMINHAR

Preciso de um céu azul e ensolarado
Ou de uma chuvinha fina e refrescante
O tempo nem tanto importa nessa andança
Pra caminhar preciso fé e esperança

Preciso de um bom motivo
De um estímulo, um objetivo
Posso ir descalça, despida
Pra caminhar preciso estar de amor vestida

Preciso de companhia para seguir
De alguém que goste de comigo estar
Não é bom na vida sozinha caminhar

Pra caminhar preciso de um amor
Por alguém, pela vida, pela natureza
Assim que se vence tristeza e dissabor

Alda M S Santos

Por aí

POR AÍ
Caminhando em busca de algo que ative o coração
Perdida, a esmo, por aí, até chegar aqui, sentir
Estacionando em mim mesma, acionando a emoção
Encontrando o que é preciso para a vida poder fluir
Olho lá fora,  olho bem longe, além do horizonte
Mas sei bem que não é lá que está
Aquilo que necessito para continuar
É em mim, nos meus recônditos mais secretos
Nas emoções e sentimentos mais profundos
Que estará a razão de meu existir, de meu mundo
Inspiro, expiro, me entrego suavemente
A essa vida que corre lá fora tão rapidamente
Sabedora que o que há aqui dentro
Só eu tenho controle, sou o meu pensamento
E farei dele o melhor, quero gerar contentamento
Minha vida sou eu que faço, não quero mais sofrimento
Quero minhas saudades, meu passado, meu presente, meu futuro
Mas só quero manter na vida as pontes, derrubo o que for muro

Alda M S Santos

Para quê?

PARA QUÊ?

Sem quê e nem para quê
Tantas vezes vivemos sem saber
A que viemos, fazer o quê?
São muitas as questões para responder

Se mergulharmos fundo em nós
Aquietarmos para desfazer os nós
Será que encontraremos as respostas
Para tanta coisa que nos é imposta?

Sei que o que preciso deve estar comigo
É bom que algo externo acione, sem perigo
E que isso não seja de modo algum um castigo

Talvez seja essa a causa e o porquê
De virmos nessa viagem para esclarecer
Quem somos, que buscamos, por quem e para quê fazer?

Alda M S Santos

Imperfeita

IMPERFEITA

Ela é assim, imperfeita
Interessante, atraente, convidativa
Ora boa, outras nem tanto
Mas com fé a gente se ajeita

Ela é assim, imperfeita
Bela, cinzenta ou colorida, engraçada
Faça rir ou faça chorar
Ninguém nunca a rejeita

Ela é assim, imperfeita
Inteira ou faltando pedaços
Repleta de amores e desamores
E de coragem que a gente respeita

Ela é assim, imperfeita
Nem sempre como almejamos
Mas é a vida que a gente não enjeita
E a amamos mesmo assim:
Imperfeita!

Alda M S Santos

Não me cabe

NÃO ME CABE

Nessa caixa não me cabe
Não é que eu não seja flexível
É que ela tende a me moldar
Colocar num padrão que me machuca
E que não vai me agradar

Nessa caixa não me cabe
Dobra daqui, dobra dali
Tira um pedaço desse lado
Aperta o outro, transfere de lugar
Até eu não mais me identificar

Nessa caixa não me cabe
E mesmo se coubesse eu não gostaria
É que prezo a liberdade de ser o que sou
Colocar-me ali me mataria

Nessa caixa não me cabe
Não sou boneca para viver em caixa, preciso de ar
Prefiro jardim, mata, rio, mar ou cachoeira
E assim quero viver a vida inteira…

Alda M S Santos

Mais abençoada

MAIS ABENÇOADA

Não dá para saber ao certo em tempos de grande tribulação
Se a vida vale mais ou menos em meio a tanta confusão
Ela se perde tão facilmente e por quase nada
Nem sempre sentimos que está abençoada

A emoção é sacudida, muito balançada
Pela dor, pela angústia, pela saudade, por quase nada
O coração precisa aconchego, o corpo pede abrigo
Somos gregários, precisamos de amigos

O risco tão eminente da perda a faz mais valorizada
Busquemos um momento de reflexão e introspecção
Para encontrar a paz em nós, na oração

Urge manter a alma elevada, a saúde preservada
Acreditar que juntos somos mais fortes
Sendo firmes na fé, sem perder nosso norte…

Alda M S Santos

Linhas tortas

LINHAS TORTAS

“Deus escreve certo por linhas tortas”
Será algo sem saída, fechamento de portas
Ou um novo caminho que se descortina
Abrindo nossa visão, iluminando nossa retina?

As linhas são tortas ou nossa visão é deturpada
Será que há à frente uma estrada encantada e iluminada
Em belas e longas curvas delineada, disfarçada
E a gente só enxerga escuridão, encruzilhada?

Quero transformar as linhas tortas do meu papel
Em belas gaivotas a namorar sob meu pincel
E acreditar que posso desenhar de novo nesse céu

Quero que as linhas tortas, curvas ou retas
Sejam para mim a maneira mais bela e certa
De me encontrar no amor nessa vida tão incerta

Alda M S Santos

Simplesmente, viaja

SIMPLESMENTE, VIAJA…
Da janela, na janela, para o mundo
Simplesmente, viaja…
Ora em grandes navios no vasto oceano ou em barquinhos de pescadores
Ora em aviões bimotores, supersônicos ou teco-tecos
Simplesmente, viaja…
Ora em foguetes para o espaço sideral ou fugindo no calor do deserto
Ora caminha em florestas densas e fechadas ou deitada na relva sob o luar
Simplesmente, viaja…
Nas páginas de um livro, romance, poemas
Sozinha ou acompanhada, lutando ou desanimada, feliz ou nem tanto
Nas asas da imaginação, da memória
Nos capítulos felizes ou infelizes do passado
Ou nos capítulos sonhados para o futuro
Simplesmente, viaja…
Num mundo criado pelos outros, para os outros, ela se inclui
Sente-se parte, faz parte, mergulha
Vive, revive, imagina-se…
E cria, assim, sua própria viagem…
Simplesmente, vive…
Alda M S Santos

Plantando ventos

PLANTANDO VENTOS

Dito popular: quem planta vento colhe tempestade
Será mesmo assim na realidade
E se semear uma brisa, um ventinho
Será que vou colher frescor, um carinho?

Se planto egoísmo, desânimo, tristeza
Certo que na colheita não haverá muita beleza
Mas se planto uma ventania de afeto e calor
Ah, quero colher um tornado de amor!

Não há dúvida que estamos sempre plantando
Todo o tempo, até sem saber, semeando
Passado, presente e futuro se encontrando

Quero plantar só bondade, beleza e amor
Mas se em minha imperfeição, impossível for
Posso pedir para replantar, por favor?

Alda M S Santos

Pedido de licença

PEDIDO DE LICENÇA

Quero pedir licença para poder passar
Com meu jeito emotivo de me apresentar
Ora sorrindo, chorando, me emocionando
Mas sabendo que errando ou acertando
Sou aprendiz, sigo evoluindo, não me envergonhando
Quero pedir licença por tantas vezes me entristecer
Querer desistir, fugir, quase esmorecer
Quero pedir licença a esse mundo
Que tantas vezes parece tão cruel
Dizer a ele que apesar do fel
Prefiro me concentrar no mel
Quero pedir licença aos amigos e inimigos
Que foram e são para mim lição e abrigo
Mas, sobretudo, a todos agradecer
Por me fazerem racional e emocionalmente crescer
Quero pedir licença à mãe natureza
Que é minha irrigação maior de força e beleza
Quero pedir licença ao que vem do alto, a Deus
Mas sobretudo agradecer, por não deixar os filhos seus
Quero pedir licença apenas para continuar meu viver…

Alda M S Santos

Encontro marcado

ENCONTRO MARCADO

Temos por aqui um encontro marcado
Desde sempre tentamos fazê-lo afinado
Sem fugir, correr ou deixar de lado
O ideal é querer, buscar, ser seu aliado

Um encontro especial que se faça presente
Que seja verdadeiro, forte na vida da gente
Que se faça importante, caliente, envolvente
Que nunca nos deixe na solidão, alma carente

Nessa travessia é preciso saber aproveitar
À nossa revelia, o tempo segue sem cessar
Queremos com o amor poder encontrar

Não importa se é através do outro que ele vem
Certo que é um encontro de amor que convém
Mas, o ideal,  que seja o amor-próprio também

Alda M S Santos

Blog no WordPress.com.

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: