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Espaço aéreo

ESPAÇO AÉREO

No céu das possibilidades é possível voar

Um voo solo ou acompanhado

Traçar planos de voo, rota

Ou simplesmente seguir despreocupado

No céu das possibilidades a vista é linda

Aquela pensada, imaginada, sonhada

Não há limites, não há medos ou sanções

O voo é pacífico, não há luta armada

Nesse espaço aéreo nunca me perco de mim

Naquela atitude tudo parece tão claro

O que quero, posso, desejo são perguntas ao mesmo sim

No céu das possibilidades voo devagar

Não há pressa, não há destino a alcançar

Largada e chegada são apenas pontos do mesmo viajar…

Alda M S Santos

Quem sou?

QUEM SOU?

Sou o amor, o carinho, os erros e acertos

Sou a risada, a lágrima, as dores, os consertos

Sou aqueles a quem tenho apreço

Sou bondade, solidariedade, preguiça ou animação

Sou beijo, sorriso, abraço de montão

Sou a marca da paixão que deixo em seu coração

Sou fada, sou bruxa em noite de luar

Sou a magia, a poesia que há em cada olhar

Sou porção de Deus por aqui a passar

Sou a noite, o dia, o Sol e a Lua

Sou família, sou amigos, sou vento, tempestade crua

Sou eu, natureza, clareza, de alma nua…

Alda M S Santos

A morte

A MORTE

Sempre parecerá mórbido falar de morte

Enquanto ela for vista como um fim, uma punição

O desconhecimento do porvir causa apreensão

Quando o legado que se tem não traz satisfação

É preciso saber viver, diz a canção

E isso inclui também saber morrer

Ainda que machuque o coração

É a única certeza nesse mundão

Aprender, crescer, encarar tudo como lição

Captar tudo que ela puder nos ensinar

E aproveitar esse momento para evolução

Aceitar a morte como transição

Deve fazer parte de nosso caminhar

Para uma vida que continua noutro lugar

Alda M S Santos

Pegadas

PEGADAS

Se daqui a um século

Tudo que existir de você

For aquilo que deixou registrado

Em palavras, versos quase apagados

Se seguissem suas pegadas

Aquelas impressas, leves ou pesadas

Conseguiriam ao menos de você fazer um esboço?

Em tudo que compôs, escreveu

Que iria sobressair como seu?

Paz, esperança, amor, tranquilidade

Medos, lutas, persistência, coragem, solidariedade

Qual seria seu retrato, seu moço?

Não é preciso um grande feito para se eternizar

Vários pequenos feitos também têm seu lugar

Suas pegadas, poetas, são suficientes

Para seu presente no futuro te eternizar?

Alda M S Santos

Não sei

NÃO SEI

Não sei em qual parte do caminho eu estou

Sei que o que vivi já é bem mais do que restou

Quantativa ou qualitativamente

Não dá para saber acertadamente

Sei que por muito já passei, alegrias vivenciei

Trouxe vidas ao mundo, trabalhei, magoei, amei

Já ganhei, perdi, tive momento frustrante

Já fui amada, necessária, importante

Não sei se cumpri o script a mim designado

Se fiz ao menos boa parte do combinado

Ou se ficarei devendo algo para momento mais afortunado

Uma coisa afirmo com toda certeza, eu me entreguei

Sou humana, errei, acertei, desanimei, continuei

Mas em tudo dedicação e amor coloquei, nisso não falhei

Alda M S Santos

Efeito borboleta

EFEITO BORBOLETA

Tanto ela passou para chegar até ali

Colorida, brilhante, linda, intensa

Livre, leve, voando e a tantos encantando

Quase pareceu morrer, se desfazer

Apertos, insegurança, luz e escuridão

Tempo de se recolher e esperar pela transformação

Em muitos momentos de dor e solidão

Chorou, sorriu, insistiu, não desistiu, acreditou

No valor da vida, no poder do amor, da criação

Precisou ser força quando a fragilidade queria reinar

Ser coragem onde o medo queria imperar

Ser luz onde a escuridão não deixava lugar

E, metamorfoseando-se, de lagarta à borboleta

De prisão à liberdade, de menina à mulher

Ei-las ali, lutando por sua melhor faceta!

Alda M S Santos

Vestida de luar

VESTIDA DE LUAR

Na madrugada, como quem não quer nada

Ela apareceu para me avisar

Caminhava e brincava à beira-mar

Chutava as águas, corria e voltava, girava

Não sossegava no mesmo lugar

Dizia a bruxinha que não parava de falar

Não se preocupe, tenha fé, tudo vai melhorar

Quando o sol raiar a bruxinha não poderá ficar

Mas não fique triste, o mundo é de quem persiste

Siga com amor, faça seu caminho

Leve alguém sempre, com carinho

E se pensar em desistir, lembre-se

Voce não pode abraçar o mundo

Mas prometeu não deixar ninguém para trás

Quando quiser, chame, estou aqui

Estou em você, você em mim

Na noite escura ou de luar

Se precisar, é só chamar…

E foi embora sobre as águas do mar…

Alda M S Santos

Espinhos

ESPINHOS

Eles sempre vão existir

Fazem parte da vida, da natureza

Com os espinhos vamos aprendendo

A curtir o que há de encanto, de beleza

Não adianta deles fugir

Sempre estarão por aqui

Estamos de passagem por essa nau

E devemos descobrir o bom em cada mau

Bom é enxergar a luz em cada ponto de escuridão

A pétala macia em cada espinho que machuca a mão

O amor que se esconde em cada coração

Somos privilegiados, abençoados

Tudo isso nos foi doado, presenteado

Não há mal que não possa ser remediado

Alda M S Santos

Confiança

CONFIANÇA

A confiança funciona assim:

Primeiro você olha, observa

Olha de novo

Se aproxima, não resiste

Tem medo, insiste

Vai assim mesmo

Olha nos olhos

Vai chegando devagar

Um pé, outro pé

Uma asa que bate meio insegura

Mais uns pulinhos

Quando vê já está perto

Está dentro, está entregue

Está nas mãos, no coração

Assim funciona a confiança

Assim funciona o amor

E fica para sempre…

Alda M S Santos

Vamos brincar?

VAMOS BRINCAR?

Eu digo “BARCO”

E expressões e palavras vamos associar

Vamos ver quem mais diz, sem errar?

Não vale parar, não vale pensar

O que vier à mente tem que verbalizar

Assim, num dueto uma história vamos montar

Vamos lá? Barco!

Peixe, pescador, alto-mar

Madrugada, ganha-pão ao Luar

Anzol, isca, rede, no intenso balançar

Uma moça, pureza, uma sereia a cantar

Sensualidade, beleza, nas águas a brilhar

Pescador encantado pula ao mar

De pescador a peixe ele vai virar

Não mais se importa, a sereia quer pegar

E ela, meio mulher, meio peixe, um amor quer encontrar

Uma canção envolvente, um pescador carente

Uma sereia bela, solitária, de alma quente

Um amor se faz presente em dois corações a se apaixonar

Corpos se fundem, almas se confundem

E voltam para o barco sob a Lua, a balançar, a avançar

O sol já vai nascer, a sereia pode perecer

Quer levá-la para a areia ao amanhecer

Pescador já pensa na saudade, no sofrer

Pescador volta a remar, a vida enfrentar

Nada pescou, pescador, pecador?

Sim, pesquei o amor…

E todas as madrugadas volta o pescador

Em busca da sereia, de seu canto, seu corpo, seu amor…

Quem ganhou?

O barco, a sereia, o pescador, o amor…

Alda M S Santos

Como tudo começou …

COMO TUDO COMEÇOU…

Não há ninguém no colo

Tampouco na poltrona da frente ou de trás

Ninguém para eu me preocupar se está bem

Se tem fome, sede, sono ou medo

Se precisarei segurar a mão

Deixar que fique na janela pra apreciar a vista

Negociar os desejos e vontades

Apartar brigas e incentivar a parceria

Parece que a vida deu uma volta quase completa

E retornou ao começo…

Há pouco tempo eles caminhavam conosco

Os sonhos e planos eram similares aos nossos

O ponto de partida e chegada eram os mesmos

Ainda dependiam de nós…

Hoje já fazem seus próprios voos

Solo ou com novas companhias

Felizmente? Certamente!

Pode não ter sido o suficiente

Mas foram abastecidos do que tínhamos de melhor

Acrescentaram o que oferecemos ao que já possuíam

Já podem voar sozinhos, alcançarão novos ares

Conquistarão seus próprios espaços

Farão seus próprios ninhos

Mas por que parece tão estranho?

Por que ainda sentimos um vazio

A sensação de que está faltando alguém?

Precisamos reaprender a viver sozinhos

A viver com o círculo quase se fechando

Início e fim se aproximando

Que acontece quando a volta se completa?

Termina ou recomeça?

Já que não temos acesso a essa informação

Precisamos seguir voando

Mesmo com as asas já gastas, alcançando novos ares

Confiando que tudo acabará como tem que ser

Que esse plano de voo já foi feito noutra dimensão…

Boa viagem a todos os tripulantes e passageiros

Sozinhos ou acompanhados, isso é só um detalhe

Sempre voarão conosco em nossas mentes

Eternamente em nossos corações e orações…

Alda M S Santos

Revelação

REVELAÇÃO

Um dia iremos acordar

Abrir não só os olhos para o dia

Abrir a alma para realmente despertar

Ser luz, paz, o amor que a todos contagia

Nesse dia tudo irá fazer sentido

Tudo que por aqui foi sofrido

Os percalços, as companhias, a solidão

Os momentos em que ouvimos um não

Quando esse dia de revelação chegar

Ou a gente irá chorar ou muito se alegrar

Pelo tempo que soubemos usar ou desperdiçar

Quiséramos nada ter a lamentar

Poder apenas agradecer, abraçar

E, feliz, ter a certeza que valeu a pena amar

Alda M S Santos

A cura

A CURA

Qual a cura para um mundo de amargura

Para humanos tão sem ternura

Que pouco fazem por evolução

E não temem a própria extinção?

Qual a cura para um mundo tão sem compaixão

Egoísta, que vive na alienação

Quer tudo, é imediatista, destrói o futuro

E já não sabe mais como ser puro?

Qual a cura para você, para nós

Há como desatar tantos nós

Refazer os laços, oferecer mais abraços?

Já foi apontada a cura para tanto desengano

Houve um Alguém que disse, um Senhor

Que a cura para qualquer mal é o amor…

Alda M S Santos

Contato

CONTATO

Tantas vezes queremos fazer contato

Contatos com extraterrestres, contatos mais humanos

Sem saber que é preciso muito tato

Pois o mais essencial é o autocontato

Aquela conexão especial que fazemos conosco mesmos

Buscando em nosso interior o fio de amor e compreensão

Numa yoga, numa meditação

Num momento relax, de prazer, de comunhão

O novo ser que precisamos nos tornar nessa nossa evolução

Irá brotar do mais íntimo de nós mesmos

De lá vem o fio conector que nos ligará aos demais

Que promoverá a verdadeira união

Uma transição de paz começa numa autoaceitação

Num ato de amor que brota na alma, cresce no coração

E se espalha por toda a nação…

Vamos lá?

Alda M S Santos

Rascunhos

RASCUNHOS

Somos meros rascunhos a viver

Uma página rabiscada, por escrever

Um verso torto, inacabado

Um sonho bom a ser realizado

Estamos sendo aqui rascunhados

Compondo uns poemas rimados

Em busca de uma prosa, um dueto

Ou de um amor versado em soneto

A composição será ainda mais bela

Quando passada a limpo, nova tela

O amor pintado com toda tinta da aquarela

Somos a folha, o verso, a trova, a poesia

O tinteiro, a pena, a tinta, a doce magia

Nossa história: realidade vivida ou boa fantasia?

Alda M S Santos

Um mundo

UM MUNDO

Um mundo mais alegre, menos sofrido

Com mais bênçãos, menos perigo

Onde todo soldado combalido

Encontre no outro um bom abrigo

Um mundo mais suave, menos amargo

Com menos “passar de pernas”, mais dar-se as mãos

Onde o amor e amizade fiquem a cargo

De seres humanos mais irmãos

Um mundo onde seja permitido sonhar

E bons desejos poder realizar

Na fraternidade e na paz nos irmanar

Um mundo onde reine o respeito e harmonia

Pelas criaturas, natureza e Criador

E que saibamos que só seremos felizes onde houver amor

Alda M S Santos

Ser forte

SER FORTE

Ser forte é conseguir excluir

Afastar da vida da gente

Aquilo que nos faz mal

Parecendo fazer o bem

Alimentos açucarados, pessoas amarguradas

Carnes gordurosas, pessoas mentirosas

Bebidas alcoólicas, pessoas melancólicas

Vícios atrativos, pessoas negativas

Grandes noitadas, pessoas mal amadas

Os dentes sisos, pessoas de falsos sorrisos

O sol forte da tarde, pessoas covardes

Os sonhos impossíveis, pessoas insensíveis

Ser forte é conseguir fazer tudo isso, ou não

E manter-se de pé, inteiro

Por causa ou apesar disso…

Alda M S Santos

Quem de mim irá cuidar?

QUEM DE MIM IRÁ CUIDAR?

Mexo para lá, mexo para cá

Cuido de um, cuido do outro

Entre tantas mexidas e cuidados

Fico a pensar: quem de mim um dia irá cuidar?

Não há como saber quem poderá a mim se dedicar

A vida é apenas um constante esperar

Enquanto só posso imaginar

Faço o que me cabe: de mim mesma vou cuidar

Enquanto a pergunta persiste e angustia

Melhor ir seguindo sendo energia

Buscando no viver essa doce magia …

Bom é que aprendendo do outro cuidar

Vou assimilando que a vida é doação

Na hora certa, Deus me mandará anjos cheios de compaixão….

Alda M S Santos

Nublado

NUBLADO

O Sol se cobriu, virou pro canto, escondeu seu rosto

Não quer amanhecer, tampouco aparecer

Hoje não estará brilhando em seu posto

Precisa de descanso, se recolher

Nuvens escuras são seu denso cobertor

Recolhido em si tudo está nublado

Ele necessita sossego, por favor

Não adianta insistir, não está animado

Talvez sua reflexão gere lágrimas, doa

E venha a chuva para tudo lavar

Talvez um vento assopre pra longe, devagar

E com um lindo sorriso amarelo abra o véu

E como fogo caloroso volte a brilhar no céu…

Alda M S Santos

O que me toca fundo

O QUE ME TOCA FUNDO

O que me toca mais fundo?

A sinfonia de pássaros numa árvore na janela

O desabrochar de um botão de rosa

O som suave no leito de um rio

A força torrencial das águas de uma cachoeira

O constante vai-e-vem das ondas do mar

Uma canção feita de versos singelos

Uma valsa dançada por um par em sincronia

O sorriso puro de uma criança

Uma mãe que amamenta seu filho

Um jovem de joelhos a rezar

O abraço de um casal apaixonado

A saudade nos olhos de um idoso que sofre abandonado pela vida

A bondade no coração de quem se doa?

Não sei…

São muitas as coisas tristes na vida,

Mas são tantas as coisas tocantes e lindas,

Que por elas vale um esforço para viver!

Alda M S Santos

Uma fada, um ogro

UMA FADA, UM OGRO

Uma fada invadiu suavemente meus sonhos

Brilhava, flutuava, chegava, desaparecia

Eu estendia os braços e ela a mim se unia

Numa brincadeira de luz e sombra, reluzia

Nesse constante vai e vem um ogro surgia

Amedrontada, frágil, ao lembrar dela me fortalecia

O ogro chegava, tentava, assustava

De gato e rato brincava, não agradava

Mas a fada sem medo se levantava, me ajudava

O ogro desistia, ia embora, se cansava

E para aquele mundo encantado eu voltava

Quase como uma só, a fada me acompanhava

No reino dos sonhos ela era parte de mim, me encorajava

Nenhum ogro mais se aproximava

Fugia daquela magia que até a ele encantava

Alda M S Santos

Mito?

MITO?

Dragões são monstros,

Horrendos, alados, rastejantes

Que sopram fogo…

Amigos ou inimigos?

Mitos ou verdades bruxuleantes?

Eles estão por aí

A nos assustar ou a nos salvar?

Carregam o mal e a destruição

Ou são fonte de sabedoria e imaginação?

Que se esconde atrás de sua aparência horrenda?

Qual dragão “rege” nossas vidas?

Qual dragão habita em nós?

Ou você acredita que tudo isso é lenda?

Um dragão, quimera ou não

Não posso resolver essa contenda

Mas fico com meus diversos dragões

Feios ou bonitos, acolhedores ou assustadores

Eles acalmam meus furacões…

Alda M S Santos

Mais no meu blog vidaintensavida.com

#flalfestival2019

Qual seu maior medo?

QUAL SEU MAIOR MEDO?

Qual seu maior medo?

Envelhecer, enfraquecer, adoecer

Dos outros depender?

Qual seu maior medo?

Perder dinheiro, o emprego

A segurança, a fé, a alegria, o prazer?

Qual seu maior medo?

Perder o amor, a admiração

Família, amigos, o desejo de viver?

Qual seu maior medo?

Não mais conseguir belezas admirar

Perder a capacidade de amar

De com qualquer coisa se importar?

Tenho medo dos meus medos

Que me assustam, me tiram o sono

Me estacionam muitas vezes

Porém, mais medo teria de não ter medos

Isso significaria nada ter de valioso a perder

Ou de que a vida não me bastaria…

Qual seu maior medo?

Alda M S Santos

Idosos: nosso passado, nosso futuro

IDOSOS: NOSSO PASSADO, NOSSO FUTURO

Carentes de amor, carentes de afeto

Uma memória repleta de passado

Um futuro distante, meio incerto

Um presente às vezes magoado

De quem quer alguém ao seu lado

São idosos, muitos anos idos

Tempo para o o idoso é algo duvidoso

A barra de rolagem está quase no fim

Querem amor, abrigo, amigos

São nosso passado e futuro, enfim…

Dia dos idosos para quê?

Para nos lembrar de que o tempo passa

Para nos fazer as mãos estender

E para finalmente entender

Que essa é parte importante do viver…

Alda M S Santos

Feche os olhos

FECHE OS OLHOS!

Fecho os olhos para não ver

Mas fecho os olhos para melhor ver também

Fecho os olhos para sentir a brisa fresca

Ou para sentir o calor do seu olhar

Fecho os olhos para voar na imaginação

Ou num beijo cheio de paixão

Fecho os olhos para ouvir uma bela canção

Ou para valsar contigo no salão

Fecho os olhos para não ver o que magoa

Ou para fingir existir o inexistente

Fecho os olhos para sentir o amor

Ou para fugir do descaso e me proteger da dor

Fecho os olhos para mergulhar na saudade

Ou para brincar de felicidade

Fecho os olhos para pedir ou receber bênçãos

Fecho os olhos para ver o essencial

Fecho os olhos para enxergar com a alma

Fechando os olhos vejo tudo

Fechando os olhos, potencializo os sentidos

Torno tudo real

E vejo como se estivessem abertos

Feche os olhos!

Alda M S Santos

Amora

AMORA

“Se te contar minha história

Debaixo de um pé de amora,

Você chora!”

Será assim mesmo?

Aqui debaixo tudo parece tão suave

Tão doce e terno…

Quantos pés de amora

Já ouviram uma alma que chora

Quantas histórias ali ficaram sem senão

E cada lágrima usada para irrigação

Quantas vezes não curou dores

Segredadas entre seus galhos e flores?

Quantos abraços não notou fortes quanto suas cores?

Amora, se eu te contar minha história

Você me acolhe em sua sombra, me abraça

Guarda meus segredos, respeita meus medos

Cuida de mim com carinho

Enquanto a dor não passa?

Alda M S Santos

Com as mãos

COM AS MÃOS

Há quem faça tudo com as mãos

Elas são extensão de sua emoção

Tá triste, encolhe as mãos

Tá feliz, fala com as mãos

Tá com raiva, sacode e xinga com as mãos

Tá emotivo, alisa as mãos

Tá tenso, aperta as mãos

Tá de qualquer modo, largado

As mãos se jogam de lado

Tá saudoso, abraça com as mãos

Conversa com alguém, as mãos são complemento

Se é alguém querido,

As mãos se tocam todo o tempo

Se quer levar carinho, matar saudades

As mãos se cruzam e ficam juntinhas

Mãos cumprimentam, dão adeus

Postas, oram a Deus

Pode ser específico de algumas personalidades

Mas, mãos que se dão são prenúncio

De uma relação baseada no afeto

Mãos se doam, se dão, acolhem o irmão

Pelas mãos das pessoas

Dá para alguém saber o que se passa

Na alma de outro alguém…

Alda M S Santos

Momentos ilha

MOMENTOS ILHA

Existem pessoas de muitas personalidades

Emotividades, atividades, jeitos e trejeitos…

Cada qual, exatamente por essas particularidades,

Tem sua beleza, seu encanto

Criticar e se afastar é contraproducente

Cada um de nós “exige” ou doa um tipo diferente de atenção,

De carinho, de vida, de emoção…

Deus, em Sua infinita sabedoria,

Nos fez desse modo exatamente para nos completarmos

Não somos pedaços, mas podemos interagir para crescer

Ninguém é uma ilha isolada

Podemos até ter nossos momentos ilha,

Mas estamos cercados de seres humanos por todos os lados.

Em algum momento teremos que interagir uns com os outros

Para nadar e atravessar para o outro lado

Nossas semelhanças nos tornam humanos,

Nossas diferenças nos tornam vivos

Semelhanças e diferenças nos fazem amar

E viver…

Alda M S Santos

Quero acreditar

QUERO ACREDITAR

Quero acreditar que estou no mundo das possibilidades

Que ainda que algo se quebre, não dê certo

Sempre haverá novas realidades

Quero acreditar que estou num mundo direito

Que ainda que ele se vire do avesso

Sempre será possível fazer de novo, bem feito

Quero acreditar que estou no mundo dos sonhos

Que ainda que eles se tornem pesadelos

Nunca serão cansativos, enfadonhos

Quero acreditar que estou no mundo das amizades

Que mesmo que a gente chore ou sofra

Sempre teremos nelas a reciprocidade

Quero acreditar que estou no mundo da beleza

Que mesmo que tudo fique seco ou frio

Ainda acharei refrigérios na natureza

Quero acreditar que estou no mundo do amor

Que mesmo que ele esteja repleto de medos

Sempre será pra nós bem sedutor

Quero, preciso acreditar!

Alda M S Santos

Como é possível?

COMO É POSSÍVEL?

Como é possível, ao mesmo tempo

Estar tão perto, estando tão longe

Estar tão longe, estando tão perto

Estar tão dentro, sem haver cabimento

Como é possível, ao mesmo tempo

Ser tão doce sorriso, escondendo amargas lágrimas

Ser tão acolhedor colo, estando carente de aconchego

Ser reflexo de si mesmo, de tão brilhante luz,

Tendo apenas uma faísca acesa

Como é possível, ao mesmo tempo

Ser o amor em meio a tanta indiferença

A esperança em meio a dolorosa ingratidão

A paz em meio a tanta maldade e confusão

Como é possível, ao mesmo tempo

Ser o norte quando se está perdido

O recomeço depois de haver desistido

A continuidade de um viver intenso, meio sofrido

Quando sabemos que a qualquer hora

Seremos pelo tempo engolidos, consumidos?

Como é possível?

Alda M S Santos

Que somos?

QUE SOMOS?

Para alguns somos abraço bom

Para outros cumplicidade

Para outros ainda, a bondade…

Para alguns somos doçura

Para outros acolhimento

Para outros ainda, aborrecimento…

Para alguns somos a luz

Para outros, sintonia

Para outros ainda, a magia…

Para alguns somos sorriso

Para outros, sensualidade

Para outros ainda, amizade…

Para alguns somos companhia

Para outros, agonia

Para outros ainda, terapia…

Para alguns somos apenas dor

Para outros, jabuticabeira em flor

Para outros ainda, verdadeiro amor…

Para alguns somos beleza

Para outros, fortaleza

Para outros ainda, delicadeza…

Para alguns somos só euforia

Para outros, sabedoria

Para outros ainda, ousadia…

Para alguns somos razão

Para outros, coração

Para outros ainda, solidão…

Para alguns somos briga

Para outros, intriga

Para outros ainda, a própria vida…

Para alguns somos o sonho

Para outros, realidade

Para outros ainda, a saudade…

E a vida assim se faz veloz

Entre aquilo que somos para os outros

E aquilo que eles são para nós …

Alda M S Santos

É melhor

É MELHOR

Às vezes é melhor ficar quietinho em nosso canto

Aboletada lá naquele espaço nem sempre aconchegante de nossa alma

Quando olhamos para um lado e vemos silêncio

Para o outro indiferença ou pranto

Para a frente só desânimo ou desencanto

Nem todo dia é brilho ou luz

Nem todo caminho está sempre aberto

Nem todo o tempo somos alegria, energia

Às vezes é tudo tão cru, frio, incerto

Melhor entrar para dentro da gente

Fechar a porta, trancar, passar a chave, a corrente

Rezar, nos abraçar, sorrir ou chorar, extravasar

E esperar essa corrente negativa passar

Quando ela se for, a gente sai devagar

Mais fortalecidos e dispostos a tudo enfrentar…

Nem todo dia o sol brilha

E precisamos aceitar nossos nublados

Nossas garoas e chuviscos

São eles que fazem florescer a trilha

E nos tornam dispostos, menos ariscos

É melhor…

Alda M S Santos

Inteiros

INTEIROS

Não dá para viver como metades

Meias verdades não colam

Meias palavras não falam

Meios caminhos não levam a lugar algum

Meias certezas não descem

Meias vontades nada produzem

Meias curas não resolvem

Meios amores não acalentam

Meias vidas não satisfazem

Precisamos de totalidade

Precisamos de inteireza

Inteireza no amor, na paixão

Inteireza na compaixão, no amor irmão

Inteireza na alegria, na felicidade

Inteireza na verdade, na fraternidade

De metade em metade

Passamos a vida em pedaços

Partes que não se encaixam

Quebra-cabeças que não se completam

Não dá para buscar uma metade no outro

Nossas metades estão dentro de nós mesmos

Juntá-las nos torna inteiros

Prontos a encontrar outros inteiros, amiúde

E viver uma vida de completude…

Alda M S Santos

Sou parte

SOU PARTE

Apenas um pontinho na imensidão

Um grãozinho em tamanha grandeza

Uma parte aparentemente insignificante

Diante de tão vasta e maravilhosa natureza

Ainda assim, mesmo um pontinho ali, faço parte

Tanto verde, tanto céu, tanta vida, tanta história

E posso em tudo influenciar

Por atividade ou inércia

Posso modificar o ciclo natural das coisas

Tudo que faço ou não faço

Tem efeito dominó, atinge a tudo e a todos

Tem efeito bumerangue, retorna para mim mesma

Essa energia que a tudo atrai, repele ou contagia

Que se faz harmonia, magia, sintonia

Mostra que fazemos parte

Somos importantes por aqui

É uma grande responsabilidade

Sou parte! Somos parte!

Alda M S Santos

Sou Guanhães

SOU GUANHÃES

Tem mato, tem mata, tem bicho e carrapicho

Tem João-de-Barro e João-Graveto

Tem imensidão, paixão e solidão

Tem também o abraço forte de um irmão

Tem vovó na janela, tem um dedo de prosa

Tem carroça, tem gado, tem cultivo de rosa

Tem cabra valente, tem tarde preguiçosa

Tem moça perfumada e formosa

Tem fogão a lenha, tem quitanda

Tem cansaço e sesta na varanda

Tem bicho-de-pé, tem fruta no pé

Tem também café fresco e cafuné

Tem a igrejinha no pé da serra

Tem mansão e casa de sapê

Tem gente que acerta, gente que erra

Tem caboclo simples e de muita fé

Tem muita gente, família, muito parente

Gente amiga e confidente

Tem amor, tem amizade, tem saudade

Não importa em qual idade

Tem passado, tem futuro, tem modernidade

Sou Guanhães, sou Minas Gerais

Se você ainda não conhece

Não perca seu tempo mais

Aqui tem o que de melhor a vida oferece…

Alda M S Santos

Porque vivo

PORQUE VIVO

Já chorei de alegria até a barriga doer

De emoção até não mais poder

Ou de angústia até amanhecer

Isso porque vivo…

Já tive medo de alguém perder

De não poder ver meus filhos crescer

De adoecer, envelhecer, dos outros depender

Isso porque vivo…

Já implorei pela vida, tive medo da morte, da escuridão

Rezei por todos, pedi perdão

Muitas vezes acompanhada, outras na solidão

Isso porque vivo…

Já tive muitas amizades, já fiquei na saudade

Brinquei, fui séria, lutei por liberdade

Nunca quis ser apenas uma metade

Isso porque vivo…

Já me organizei, arrumei o que estava bagunçado

Já fiz burradas, baguncei o que estava arrumado

Quase desisti de ver tudo de novo organizado

Isso porque vivo…

Já ganhei, vibrei, comemorei

Já perdi, sofri, quis sumir, revoltei

Amei, fui amada, correspondida, ignorada

Aprendi, cresci, me empolguei

Encontrei o caminho, voltei

Isso porque vivo…

Num saldo positivo vou vivendo, vou seguindo

Cada dia mais longe do começo

Não necessariamente perto do fim

Só de pensar, estremeço

Isso porque vivo…

Alda M S Santos

Preguiça

PREGUIÇA

Ando com preguiça de certas coisas

Preguiça de gente que não se move

Que nada faz pra vida mudar

Passa o tempo a reclamar

Ando com preguiça de gente que se faz de vítima

Veste a toga de juiz e se põe a julgar

Sempre a vida alheia a criticar

Ando com preguiça de certas “ocupações” por aí

Gente incomodada com o que o outro faz

Como faz ou deixou de fazer

Vistas tapadas para a própria inércia

Olhos cegos para os próprios erros e falhas

Mas o dedo sempre a apontar para a falha alheia

Mas o jeito melhor é ignorar

Cuidar da parte que nos cabe nesse vendaval

Entregar-nos à vida, ao sol, à natureza

Limpar e trilhar nosso caminho, mesmo sob temporal

Deixar agir nossa própria natureza, ainda que (a)normal

E deixar que cada qual cuide

Da sujeira ou da beleza de seu quintal…

Alda M S Santos

Metamorfose

METAMORFOSE

Vivemos em constante metamorfose

Somos como as borboletas

Mas nossas fases se alternam infinitamente

Tantas vezes como lagartas

Figurativamente, comendo tudo do mundo

Absorvendo, aprendendo, crescendo

Outras vezes nos encapsulamos

Estamos digerindo, abstraindo,

Transformando-nos dentro dos casulos

Protegidos do exterior, introspectivos

E, finalmente, borboletas

Livres, leves, coloridas e lindas a enfeitar jardins

Até chegar o fim…

Mas somos multi-fásicos, complexos

Umas partes de nós ainda são lagartas, agitadas

Outras eternos casulos, adormecidos

Em algumas já somos borboletas, livres e belas

Puro encanto!

Esse ir e vir nas nossas metamorfoses

Lagarta, casulo, borboleta

É que nos mantém vivos por aqui

Sempre há algo a absorver, a crescer

A nos metamorfosear…

E não adianta acelerar o processo

Ou ficar estacionado numa fase só

Sob pena de morte…

Não há borboletas sem lagartas famintas

Ou sem presas inertes num casulo

Respeitemos nossas fases…

Alda M S Santos

Que é preciso?

QUE É PRECISO?

Que é preciso fazer

Para o mundo ser menos violento

Para que vidas não pereçam nesse tormento

E a justiça seja imparcial, a contento?

Que é preciso fazer

Para haver menos desigualdade

Proteção em qualquer idade

Compaixão e atos de irmandade

E se manter a sanidade?

Que é preciso fazer

Para o amor ser prioridade

A empatia se tornar realidade

Entre humanos haver cumplicidade

E a vida ser menos infelicidade?

Que é preciso?

Alda M S Santos

Mulher/menina

MULHER/MENINA

Ela caminha pela vida

Vestindo sorriso de menina, alma de mulher

Ou será sorriso de mulher, alma de menina?

Tanto faz, mulher/menina ou menina/mulher…

Ela caminha pela vida

Levando abraços, beijos, delicadeza

Em busca de resgatar da vida a pureza

E absorver da rosa a beleza…

Ela caminha pela vida

Deixando onde passa pequenas partes de si

Em cada canto um encanto

Junto a uma fragrância de jasmim…

Ela caminha pela vida

Trazendo consigo na alma, no sorriso

As cicatrizes de cada alegria, cada perigo

E as marcas de onde encontrou abrigo…

Ela caminha pela vida

Mulher/menina, menina/mulher

Até quando puder…

Alda M S Santos

Queria dormir

QUERIA DORMIR

Às vezes quero dormir

E acordar noutro lugar

Não sei se isso seria morrer

Mas tenho vontade de descansar

Não me acostumo a ver tanta dor

Tanta luta, tanta frustração

Se queremos apenas um viver

Sem tanta mágoa e violação

Mesmo tão triste e desanimada

Eu me recuso a fugir

Limpo as lágrimas, sorrio, coragem renovada

Prefiro ficar aqui e agir

Dormir. e acordar noutro lugar

Para outro dia irá ficar…

Alda M S Santos

O tempo cura?

O TEMPO CURA?

O tempo não cura nada

Ele passa, passa, e algumas coisas ficam mais leves

Ele, sabiamente, nos permite cobrir as feridas

Com uma grossa cicatriz de proteção

Perdem o tom vermelho brilhante

Tornam-se mais rosadas até quase parecerem sumir

E ela fica ali para ser vista e relembrada

Algumas cicatrizes todos podem ver

Outras, são muito internas

E só quem as possui tem acesso

Ficam escondidas atrás de sorrisos

De uma alma que se doa, de mãos que trabalham

O tempo não cura!

O tempo nos ensina a lidar com o que não tem cura

O tempo nos permite olhar para as cicatrizes

E retirar dali aprendizado em meio ao que já foi dor aguda

O tempo pode até nos ajudar

A fazer de uma cicatriz algo novo, útil e belo

Uma obra de arte que merece ser vista por todos

Cada qual lida do seu jeito

Com as feridas, o tempo e suas cicatrizes

Tornando-os aliados ou adversários…

Alda M S Santos

Eu escolho

EU ESCOLHO

Entre as tantas partes de mim

As bem antagônicas ou paradoxais

Que todos nós temos, afinal

Eu escolho as que me fazem mais feliz

Que podem me tornar mais acessível

A quem precisar de ajuda, de amor fraterno

Aquelas bem claras em detrimento de outras escuras

As alegres como dia de sol

Mesmo gostando da nostalgia dos dias nublados

As flores perfumadas no jardim

Ao invés do conforto do quarto escuro

O sorriso e as palavras de incentivo

Ignorando a desesperança e tristeza

Não fecho os olhos para o que há de mau por aí

Para o que há de negativo em mim

Apenas tento, sempre que posso

Optar pelo que sei, por experiência própria

Que fará bem a mim

E a quem de mim se aproximar…

Longe de agradar a todos

Tento ser fiel a mim mesma

E nisso já tenho bastante trabalho…

Alda M S Santos

Na janela

NA JANELA

Na janela ela mergulha num mundo diferente

Ora tão longínquo, ora tão perto

Vive naquelas páginas uma história que não é sua

Mas que tantas vezes parecem escritas para ela

Mergulha nas dores e amores imaginários

Nas derrotas e vitórias, nos “personagens” tão diferentes

Chora e sorri, se alegra e se entristece

Aprende em cada página, em cada capítulo, uma lição:

A vida está em constante movimento

Nem tudo é sempre bom

Nem tudo é sempre ruim

Somos nós mesmos que construímos nosso caminho

E nele caminhamos…

Nem sempre levamos quem queremos

Há quem siga na frente

Há quem fique para trás

Há quem não queira ir conosco

Há quem a gente não quer levar

Mas a gente segue o nosso caminho

Na certeza de um dia chegar

A um lugar onde haja apenas paz…

E ela fica ali na janela…

Ora vivendo a história dos outros

Que no final das contas também são suas

Ora escrevendo a própria história

A história daqueles que caminham consigo

Juntos, à frente ou lá atrás

Todos fazem parte dessa história…

Alda M S Santos

Eis-me aqui

EIS-ME AQUI

Eis-me aqui, ora inteira, ora faltando pedaços

Mas ainda assim, eu mesma

Buscando a cola que irá reconectar

O pedaço que de mim se quebrar

Eis-me aqui, ora frágil, ora forte

Mas com a mesma essência

Procurando algo que possa preencher

O que hoje se tornou ausência

Eis-me aqui, ora louca, ora sã

Sem deixar de ser humana, machucada

Gritando silêncios em resposta a dores caladas

Eis-me aqui, ora amante, ora amada

Persistente em busca do que justifica todo o viver

A alegria do amor sempre fazer, refazer

Eis-me aqui, ora sorrisos, ora lágrimas

Sem nunca desistir dessa caminhada

Conquistando a reciprocidade que acalenta, a paz que alimenta…

Eis-me aqui…até quando?

Alda M S Santos

Há dias assim…

HÁ DIAS ASSIM…

Há dias de extremo cansaço

Falta a coragem, sobra desejo de jogar a toalha

Há dias de muita agitação

Energia e vontade de tudo fazer, melhorar

Há dias de dúvidas intensas

A fé mina, raciocínio falha, inércia pura

Há dias de emoções turbulentas

Desestruturam, balançam e tiram tudo do lugar

Há dias de calmaria, paz

O barco da vida segue seu curso sem grandes solavancos

Há dias de mergulhos emocionantes e profundos nas águas da vida

Mas também há dias de emoções rasas e superficiais

Tudo parece não fazer sentido

Há dias de amor, paixão, sintonia

Tudo é beleza, carinho e acolhimento

Há dias de ausência de conexão e interatividade

Falta comunicação, silêncios e distância prevalecem

Há dias de saudades, de esperança

Onde o presente fica espremido entre passado e futuro

Há dias de sonhos e realidades interagindo

Tentando encontrar um equilíbrio que satisfaça

Há dias felizes, outros nem tanto

Enquanto houver dias por viver

Sempre haverá dias assim…

Alda M S Santos

Histórias arrancadas

HISTÓRIAS RABISCADAS

São tantas as histórias, tantos os momentos

Bons ou ruins, saudosos ou amargos

E muitas vezes queremos rabiscar alguns capítulos

Arrancar algumas páginas

Apagar definitivamente algumas cenas dolorosas

Mas isso não é possível…

Tudo está gravado definitivamente

Seja rabiscado, arrancado, queimado, lançado fora

Tudo está lá em nosso HD interno

E salvo no Livro da Vida o qual não temos acesso

Podemos desfocar, desviar a atenção

Deixar ir embaçando por falta de uso

Grifar com brilho páginas mais interessantes

Destacar capítulos alegres e prazerosos

Colocar rosas a marcar o que se quer “reler”

Mas apagar, definitivamente, não dá!

Vira e mexe cenas reaparecem

E só podemos aprender com elas

Reeditar, consertar, reestruturar, melhorar o que for possível

E mandá-las novamente para a caixinha de histórias rabiscadas

Daquelas que só serão relidas do outro lado da vida…

Alda M S Santos

Plurais

PLURAIS

Gosto de pessoas plurais

Intensas, diversas, multi

Capazes de me despertar de qualquer letargia

E me inspirar a ser cada dia mais

Gosto de pessoas singulares, únicas

Daquelas que carregam o sol em si sem perecer

E mesmo nas noites mais escuras e frias

São capazes de brilhar e me aquecer

Gosto de pessoas plurais ou singulares

Contanto que enxerguem o mundo a sua volta, tudo natural

Que me vejam como as vejo

E façam-me sentir única, especial

Gosto de pessoas, todas elas

Desde que sejam reais, verdadeiras

Plurais ou singulares, pares ou ímpares

Que me façam sentir que existo, que sejam parceiras…

Gosto de pessoas…

Alda M S Santos

Bom mesmo

BOM MESMO

Bom mesmo é viver a vida

De tal modo que não deixe para ela saída

A não ser se aliar a nós

Nos ajudando a eliminar qualquer algoz

Bom mesmo é dar o melhor da gente

Para todos igualmente

E se isso parecer impossível

Que façamos, para tanto, todo o possível

Bom mesmo é cuidar direitinho

Com amor, respeito e muito carinho

Daqueles que recebemos como presente

Para dar sentido à vida da gente

Bom mesmo é ser agradecido

A tudo que nos foi consentido

Com sabedoria e muita calma

Aceitar o fim, quando chegar, com paz na alma…

Alda M S Santos

Prontos para dizer adeus?

PRONTOS PARA DIZER ADEUS?

Um bom dia rotineiro ao amanhecer

A conversa trivial no café da manhã

O beijo de “vá com Deus” nos filhos

O banho rápido, o perfume, o vestido rodado, preferido

O ônibus lotado, o sinal fechado

O sorriso dado a um funcionário gentil

A impaciência na fila do banco

A discussão infrutífera com o chefe

Um dia cansativo no trabalho

O happy-hour adiado

Aquele abraço não valorizado

Um olhar de admiração ignorado

O amor que se fez ao adormecer…

E se tudo isso fosse pela última vez?

Se tudo fosse despedida?

Se não mais pudesse ser vivido?

Faria alguma diferença para você?

Se fosse possível rebobinar, faria algo diferente?

Certamente estaríamos mais atentos aos detalhes

O abraço seria demorado, o sorriso mais valorizado

O carinho estendido, a impaciência eliminada

Daríamos valor ao que realmente tem valor!

Lutaríamos pelo que queremos

Não desejaríamos o que não pode ser nosso

Aceitaríamos as pessoas como elas são…

Mas sempre estamos nos despedindo!

Por não saber o que nos aguarda no segundo seguinte

E também porque o momento nunca se repete

A situação sempre será diferente, não há reprises

Valorizemos cada segundo como se fosse o último

Sem demagogia, ele não volta mais!

Estamos sempre nos despedindo…

Prontos para dizer adeus?

Alda M S Santos

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