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Reflexos da alma

REFLEXOS DA ALMA

Sabe aquele olhar do qual você não consegue desviar
Ou aquele que, ao contrário, você não consegue enfrentar?
Devem-se à intensidade de sentimentos nele contidos
Olhares são reflexos do que vai na alma
São luz ou escuridão, toda a emoção
Nada escapa a um olhar atento
O que vai no outro olhar de sentimento
Falam de mágoa, de tristeza,  falam de dor
Falam de alegria, de desejo, falam de amor
Falam de esperança, de magia, falam da beleza da flor
Despertam a magia, acendem o calor
Podem provocar frio na barriga
Ou até criar uma briga
São diretos, certeiros, disfarçados ou sem pudor
Acabam com a letargia ou o torpor
São o modo que Deus criou
De nos fazer encontrar com quem Ele nos enviou
Para tornar nosso caminho mais suave
Enquanto estivermos por aqui nessa nave
Tentando ser e fazer feliz com um olhar que sorri
Que diz, “aconteça o que acontecer, estou aqui”
Que anda dizendo seu olhar por aí?

Alda M S Santos

Não gosto

NÃO GOSTO
Não gosto de saber
Dessa vida tão passageira
Não gosto de não saber
Das necessidades não atendidas
Não gosto de querer
Impossibilidades
Não gosto de não querer aquilo que me cabe
Não gosto de me envolver naquilo que não tem sentido
Não gosto de estar à parte do que tem verdadeira importância!
Não gosto da ausência de respostas
Não gosto de parecer mal agradecida
Não gosto de não gostar
Tento muito gostar
Mesmo do que não mereça meu gosto, meu gozo, meu prazer…
Gostando ou não gostando,
Vou seguindo meu caminho
Fazendo meu viver
Enquanto não perecer.
Alda M S Santos

Alma cigana

ALMA CIGANA

Uma alma cigana intensamente sensível
Viajante, livre, terna, meio imprevisível
Que dança, que canta, que o corpo balança
Atravessa o mundo buscando a contradança
Alma cigana que gosta de natureza
Se esbalda em intensa beleza
Vê o amor como único caminho da felicidade
Por ele se entrega, se mostra, é a pura verdade
Numa vida de sonhos, de realidade
De alegria, de força, de coragem
Fazendo por aqui uma vida de intensidade

Alda M S Santos

Chafariz

CHAFARIZ

Nada me remete tanto à infância
Quanto a visão de um chafariz
Numa praça ou numa ruela sem grande relevância
Essa fonte de água cristalina é tudo que se diz
Bela, nostálgica, simples e encantadora
Traz para dentro da gente uma sensação perturbadora
De já ter estado ali antes… seria verdade?
Matava a sede, a vontade
O desejo de qualquer idade
Quando criança caminhar até o chafariz
Com a mãe e irmãos, com quem se quis, pura liberdade
Era um modo de sair de casa no fim de tarde
Tudo era festa, alegria
Lavar o rosto, molhar os calçados
Jogar água uns nos outros
Ouvir os sermões meio embaraçados
E seguir sorrindo,  despreocupados 
Onde ficou essa magia, essa emoção
De ser feliz com tão pouco, doce sensação?
Chafariz me faz crer que minha vida tem raiz…

Alda M S Santos

A casa

A CASA
Era uma casa tão linda, iluminada, acolhedora
Ajudou a construir, tijolo a tijolo, decorou
Conhecia cada detalhe, cada recanto, cada morador
Cada espaço especial, cada fresta
Pontos fortes, fragilidades, a tudo amou
Abriu janelas, escancarou portas
Plantou flores, distribuiu perfume, delicadezas espalhou
Regou todos os canteiros do jardim com cuidado
Ajeitou as imperfeições do telhado
Grandes festas houve ali, bem animadas
A Lua refletindo na linda casa do lago testemunha dos afagos
Algumas tempestades enfrentou, ventanias acalmou
Ir e vir de visitantes encantados superou
Tinha naqueles corredores livre trânsito
Mas agora a chave se perdera, não a possuía
Já não tinha mais fácil acesso ali
De fora tudo parecia diferente, nada se apresentava do mesmo modo
A casa permanecia perfeita, cada dia mais formosa
Entre tantas outras na rua, bem parecidas, era a mais linda, tinha história
Sentia-se orgulhosa com tão linda construção
Morada que sempre faria parte de seu coração
Se quisesse entrar precisaria bater à porta
Aguardar permissão para estar em comunhão
Era um novo modo da vida seguir, continuar
Novas paredes construir, se proteger, telhados levantar
Sempre, sempre plantar belos jardins, cuidar, enfim
E jamais se esquecer que nunca, nunca se perde na vida por amar

Alda M S Santos

É preciso

É PRECISO

Não dá para engolir ou segurar
Aquilo que fica preso no peito
Que parece que vai entalar ou machucar
Se não fizer algo a respeito

Sentimento foi feito para se expressar
Não importa se é bonito ou feio
Se está preso pode uma hora estourar
Não vale a pena por nele um freio

Se for tristeza deixe a lágrima lavar
Se for desarmonia deixe o diálogo acertar
Se for decepção ache espaço para o perdão
Se for solidão busque outro coração

Se for alegria deixe o sorriso iluminar
Se for amor, deixe ocupar seu lugar
Se for esperança deixe a alguém contagiar
É preciso, de todo modo, a alma extravasar

Alda M S Santos

Não sei

NÃO SEI

Não sei em qual parte do caminho eu estou
Sei que o que vivi já é bem mais do que restou
Quantativa ou qualitativamente
Não dá para saber acertadamente

Sei que por muito já passei, alegrias vivenciei
Trouxe vidas ao mundo, trabalhei, magoei, amei
Já ganhei, perdi, tive momento frustrante
Já fui amada, necessária, importante

Não sei se cumpri o script a mim designado
Se fiz ao menos boa parte do combinado
Ou se ficarei devendo algo para momento mais afortunado

Uma coisa afirmo com toda certeza, eu me entreguei
Sou humana, errei, acertei, desanimei, continuei
Mas em tudo dedicação e amor coloquei, nisso não falhei

Alda M S Santos

Asas quebradas

ASAS QUEBRADAS

Anjos também se machucam, se ferem
Anjos podem ter suas asas quebradas
Não conseguir levitar ou ajudar
Passam a voar baixo, não alcançar
Aquilo que precisam fazer para mudar
Anjos também se cansam, se estressam
Podem até querer ficar num canto
Tentando achar um meio de acalmar o pranto
Anjos são só aquilo que gostaríamos de ser
Mas nem sempre conseguimos fazer acontecer
Nesse viver de dor, mágoa, tanto por melhorar
Se as asas se quebram, é preciso ajeitar
Pois a vida por aqui não pode parar
E sem anjos tudo fica mais difícil
E não seria prazeroso continuar…

Alda M S Santos

Dores

DORES

Qual a dor que mais dói em nós,
Aquela que nos isola, nos deixa sós?
A que corta laços, cria nós
Ou será a que o mundo todo escurece
E as cores já não nos enternecem?
Qual a dor que mais dói em nós
A que é forte, caráter pulsante
A que nos põe em luto, amargurante
A que nos torna um rio de lágrimas a brotar
Ou aquela que nos deixa tensos, sem lugar?
Qual a dor que mais dói em nós
Aquela em que culpamos a nós mesmos por ingenuidade
Ou a que a outros atribuímos, por insensibilidade?
Qual dor que mais dói em nós?
A que se cura com um chá e um analgésico
Ou aquele que pede mesmo é um colo, um abraço, doce anestésico?
Qual dor dói mais em nós?

Alda M S Santos

Pare o mundo que eu quero descer

PARE O MUNDO QUE EU QUERO DESCER
Pare esse mundo que eu quero descer!
Não quero tristezas, dor ou amargura
Não quero me sentir perdida na noite escura
Quero ter companhia, fazer companhia
Não quero sentir que tudo perdeu a magia
Quero ver de novo coisas lindas!
Quero a energia das crianças
As histórias das vovós
O abraço caloroso dos amigos
A compaixão e a bondade dos seres humanos
A paixão dos amantes
Quero sentir a alegria brotar de novo em mim
Quero levar o meu sorriso a quem dele precisar
Quero receber abraços de apertar
Não quero a ninguém magoar ou sufocar
Quero só poetizar e uma vida calma levar
Será pedir muito?
Pare esse mundo que eu quero descer…
Alda M S Santos

Oceano promissor

OCEANO PROMISSOR

Passarinhos nas tempestades recolhem-se nos ninhos
Famílias em dificuldades abraçam- se, juntinhos
Amigos nos revezes discutem, debatem, se acolhem
Mesmo que de angústias e lágrimas se molhem
Se o passarinho saiu ou foi expulso
Na tempestade ele morre ou aprende a viver só
Se um membro da família não se junta, sofre de dar dó
Se um amigo erra ou não se faz entender
É papel do outro sempre amar e acolher
Se a vida fosse feita só de dias bonitos
Não haveria necessidade de silêncios ou de gritos
A sabedoria está em não abandonar o barco
Ainda que ele esteja inundando seu coração de dor
E o oceano escuro lá fora pareça mais promissor
Logo irá amanhecer, novos rumos, novo viver
Mais forte e resistente pelas lambadas que a vida oferecer

Alda M S Santos

Fragilidade

FRAGILIDADE

Dias que qualquer coisa te faz rir ou chorar
Emoções à flor da pele, sensibilidade total
Não importa se é algo bom que acontece
Ou a decepção que te enfraquece, já é normal
Acaba em lágrimas, como rio, desaguando
Não entende bem o porquê
Ou se entende não quer fazer fuzuê
A vida sacode, joga para baixo e para cima
Para ver se você se convence que essa é sua sina
Não adianta esconder, fugir, desaparecer
Sempre haverá algo para te fazer muito sorrir
Ou para te fazer chorar, sofrer
Ora querer seguir, ora desistir
Mas, como sempre, a vida segue suas trilhas
Será que faltam ainda muitas milhas?
Tem horas que gostaria de saber
Só para ver se valeria a pena esse viver

Alda M S Santos

Entre rosas e espinhos

DUETO POÉTICO

ANGOLA & BRASIL

ENTRE ROSA E ESPINHOS

Quem ama rosas, quem ama jardins
Sabe que entre tantas cores, perfume e suavidade
Há espinhos que fazem parte, são afins
Como a vida com seu pacote de maldade e bondade (AMSS)

Rosa encarcerada nos espinhos
que se vergam nos seus contornos
vive caçando orifício para sair
almeja turistas lá fora atrair (MK)

Não pode dizer que ama a rosa se não aceita seus espinhos
Não pode dizer que ama a vida e só aceita seus carinhos
Na rosa espinhos machucam, afastam invasores, são proteção
Na vida os espinhos servem de aprendizado, são lição para evolução(AMSS)

Espinhos seduzem raios ardentes do sol
para a rosa da vida murchar
a água nasce para a rosa regar
sorvando suas gotas sempre vai se erguer(MK)

A rosa é encanto, fala de amor, de atração
O jardim é seu espaço, mas pode estar em cada coração
Na vida é presente, é beleza, com espinhos ou não
É ofertada a quem se tem amor, admiração e devoção (AMSS)

Rosa inserida nos espinhos
enfrenta raios ardentes
com gotas refrigerantes
não enterra sua fé
de algum dia se solevar (MK)

Amizade pode ferir, amor pode machucar
A vida é mesmo assim, tudo vem para nos ensinar
Se se aprende com beijinhos, também se aprende com espinhos
Tudo vale por aqui, nessa vida de (des)caminhos (AMSS)

Rosa que inocente é
é esmagada por espinhos
lírio que se abre como
boca que aufere um beijo
suga tanto e tanto fumo
não negreja o seu queijo
é rosa que sufoca espinhos
e está perto da mercê (MK)

Alda Maria Silva Santos
Moisés Kudimuena

Refém

REFÉM

A vida às vezes nos faz reféns
De emoções, sentimentos, situações
Que muitas vezes não nos convém
Pressões que vêm do outro
Energias diversas que vêm de alguém
É difícil e embaraçoso ser refém
Não dá para ser feliz, viver bem
Estando preso à negatividade de outrem
Bom mesmo é a livre consciência
Por mais complicado que seja se abstrair
É necessário trabalhar em si, evoluir
Lidar bem com o que entra e o que sai
Deixar ficar em nós só a benevolência
Mandar embora, extirpar, sem maledicência
Acender a luz, a paz, e a escuridão se esvai

Alda M S Santos

Amor enraizado

AMOR ENRAIZADO

Quando somos atingidos em nossa emoção
Quando abalam nossa estrutura, nos põem em reflexão
Melhor nos recolhermos, aguardarmos falar o coração
Nessas horas é bom sentir o carinho
O apoio de quem não nos deixa sozinhos
Tudo podem falar, dizer, demonstrar
Mas é algo que precisamos em nós trabalhar
Buscar o equilíbrio entre sentimento e razão
Nesses momentos nós crescemos, evoluímos
E Deus aproveita para fazer valer sua lição:
Onde há amor, fé, amizade e união
Não há ventania que arranque nossas raízes do chão

Alda M S Santos

Compreensão

COMPREENSÃO

Há quem seja pura sensibilidade e intuição
Mas também há quem seja uma negação
Em matéria de leitura e compreensão
Nem desenhando e colorindo entende não
Não entende quando a chuva cai
Tampouco quando a tempestade se vai
Se o Sol brilhar e fizer aquecer
Nem assim a alegria irá entender
Se o que o vento traz é harmonia
Fica bem, mesmo não entendendo a magia
Mas se não há brisa, há furacão
Luta, esbraveja, não entende a desconstrução
Se a noite chegar e trouxer a escuridão
Nem adianta gastar energia, tentar
Quem não conseguir ver quando o sol raiar
Tampouco enxergará na claridade de uma noite de luar
Mas deixa o barco seguir seu rumo
Logo a vida endireita, acerta seu prumo

Alda M S Santos

Queremos

QUEREMOS

Queremos alguém que nos faça amor, que nos tire a dor
Que nos beije com a delicadeza e a fome de um beija-flor

Queremos alguém que nos afaste os monstros, acenda a luz
Que seja o anjo amigo que por caminhos lindos nos conduz

Queremos alguém que goste de amar na chuva, na cachoeira se banhar
Que pule a janela e nos leve a caminhar de mãos dadas ao luar

Queremos alguém que nos abrace, nos dê colo, nos faça cafuné
Nos fortaleça e nos restaure a esperança e a fé

Queremos alguém que nos bote para dormir, acorde juntinho
E que seja, acordado ou dormindo, nosso sonho de carinho

Queremos alguém que nos mantenha junto a si, não nas grades de uma prisão
Mas alguém que nos enlace nos laços do amor e da proteção

Queremos alguém…

Alda M S Santos

Quero fazer um pedido

QUERO FAZER UM PEDIDO

Quero fazer um pedido à estrela cadente
Pode tornar realidade o meu sonho mais urgente?

Quero fazer um pedido ao gênio da lâmpada de Aladim
Pode trazer um amor na medida só para mim?

Quero fazer um pedido aos mais valentes ancestrais
Podem nos ensinar a não lutar por motivos tão banais?

Quero fazer um pedido à chuva que cai torrencial
Pode levar embora tudo aquilo que me faz mal?

Quero fazer um pedido à fada que mora em mim
Pode me afastar os medos de uma vida assim, assim?

Quero fazer um pedido ao Deus do amor e da paz
Pode nos ensinar um viver um pouco mais eficaz?

Quero fazer um pedido a todo mago, amigo da poesia
Promete não me deixar desistir de nela encontrar a magia?

Alda M S Santos

Gentileza

GENTILEZA

Não é necessário tanta nobreza
Para mostrar um pouco sua natureza
Deixar sua humanidade falar por si
E espalhar um pouco de gentileza por aí

A vida carece de atos de amor, de carinho
Basta um olhar mais demorado
Para notar que em todo lugar
Sempre haverá um jeito de ajudar

Não precisa ter dinheiro, instrução
Basta um pouco de sentimento, emoção
Olhar além de si mesmo, ver o irmão
Oferecer a ele o que gostaria seu coração

Isso se chama gentileza
Um pouquinho de cada um
E a vida terá um bumerangue
De doçura, beleza, grandeza

Alda M S Santos

Por vezes

POR VEZES

Por vezes sou assim, indefinida, como hoje
Nuvens densas, pesadas, profunda introspecção
Prestes a desaguar forte, muita emoção
Buscando em mim mesma a razão do desejo de renovação

Por vezes sou sol forte, brilho, calor, luz
Aquecendo a vida, facilitando um desabrochar
Certa que há uma força maior que me conduz
Companheira, amiga, de mim sempre a cuidar

Por vezes sou saudade, sou nostalgia
Desejo de voltar no tempo, ser minha harmonia
Noutras sou sorriso rasgado, não quero o passado
O futuro é meu objetivo, sonho abençoado

Por vezes sou oceano, sou as ondas do mar
Que avançam e arrastam tudo na areia
Ou que buscam e levam para outro lugar
Aquilo que faz sofrer, faz doer, faz chorar

Por vezes sou sereia numa noite de Lua cheia
Em raios prateados simplesmente a cantar
Querendo a sedução, o encanto, a magia
E uma vida onde reine a leveza da poesia

Alda M S Santos

Devagarzinho

DEVAGARZINHO

Chegou devagar, entrou, ficou na antessala
Foi avaliando o espaço, se aproximando
Trazia grande bagagem, estava cheia a mala
Ia aos poucos seu lugarzinho conquistando

Não quis saber de nada de falsidade
Seu desejo era de apenas partilhar o viver
Em busca de paz e tranquilidade
E de uma doce e recíproca amizade

Nos sonhos ela entrou, conquistou, ficou
Não quis mais fugir, seu coração se encantou
E daquele lugarzinho se apossou

Uma fada, um anjo protetor
Todos nós precisamos na vida
Na realidade, nos sonhos, seja como for…

Alda M S Santos

Agradeça!

AGRADEÇA!
Se a alegria chegar, aproveite e agradeça
Se a saudade bater, curta-a e agradeça
Se o desânimo tomar conta, levante-se e agradeça
Se a descrença invadir a mente, avalie e agradeça
Se a tristeza tomar conta, chore, permita-se…
Mas retome a fé, ore e agradeça
Porque tudo nessa vida
Tem razão de ser
Só ficam sem propósito
As coisas das quais
Não extraímos o melhor.
A alegria, o sorriso, a fé
A esperança, o carinho,
A amizade e o amor,
Têm mais valor quando
Sentimos sua falta!
Alda M S Santos

Somos fortes

SOMOS FORTES
Quando a gente ouve ou diz “você é forte, vai superar, isso vai passar”
Não quer dizer pouco caso com a dor ou sofrimento do outro
Quer dizer, quase sempre, “sei como é isso, uma hora há de passar”
Ainda que quem diz não tenha superado nada
Apenas tem tentado seguir a vida
Aprendendo a cada passo do caminhar, sozinho ou não
Que não é fingindo que a dor não existe
Ou engolindo o choro, tampouco se escondendo do mundo
Que tudo irá se encaixar…
Enfrentar o que fere e sangra dentro de si
Fazendo curativos de fé, usando compressas de amor
Tendo esperanças em dias mais amenos, apagando pesadelos, ativando sonhos bons
Evitando culpas, recriminações e autopiedade excessivas, confiando em si mesmo…
Isso fará o sol voltar a brilhar um dia
Isso é ser forte!
Essa capacidade de resistir todos temos
Chama-se sobrevivência e é forte em todo ser vivo
Apenas oscila e tem botões acionadores diferentes…
Somos fortes! 😇🙏
Alda M S Santos

A Lua mudou

A LUA MUDOU
A coluna dói mais quando a Lua muda de fase
Se o tempo esfria, aquela dor crônica nas articulações piora
Se o joelho incomoda já sabe que vem chuva
A Lua Cheia inspira os amantes
A maré baixa causa indisposição
A natureza dando sinais no corpo
Ou o corpo buscando justificativa para suas alegrias e mazelas?
Chuva, dias nublados, Sol, Lua, estrelas
Belezas, dores e amores inspiram poetas
Ou sua inspiração que faz com que vejam tudo isso
Onde ninguém mais vê?
Transformam em poemas o que veem lá fora
Ou o lá fora apenas ativa, atiça o que já têm cá dentro?
O joelho dói porque vai chover
Ou vai chover porque o joelho doeu?
Qual a mudança na Lua lá em cima
Que sensibiliza poetas cá embaixo?
Que marés são capazes de virar nossos ventos internos?
Ou será que a sensibilidade está bem mais perto daqui
E a Lua é apenas a Lua, o mar apenas o mar,
O amor apenas mais uma dor?…
A Lua mudou…
Alda M S Santos

É preciso viver!

É PRECISO VIVER!

Construir um caminho
E não seguir sozinho
Ainda que sair do ninho
Não seja tão bom, passarinho

É preciso viver!

Não dá pra ser o próprio algoz
Nesse viver, às vezes, atroz
É como ser rio sem foz
Um desejo calado, um amor sem voz

É preciso viver!

Afrouxar os muitos nós
Fazer amor, apertar os abraços
Transformar “eu” em “nós”
Derreter nos amassos, criar eternos laços

É preciso viver!

Alda M S Santos

As surpresas da vida

AS SURPRESAS DA VIDA
A vida todo o tempo a gente surpreende
Nem sempre como gostariamos, positivamente
Tantas vezes entristece, enraivece, esmorece
Crescemos quando aprendemos, dia a dia,
A aceitar e lidar corajosamente
Com os revezes e ventos contrários que ela nos traz
E até a sorrir e brincar na adversidade
Dançando na chuva, brincando nas poças d’água
Quando o sol se esconde, não aparece
Buscando uma sombra quando ele chega com total furor
E nos amolece de tanto calor
De nada adiantam a fúria, a amargura
Com o tempo aprendemos a colher frutos até nas desventuras
Sabedores que na circularidade do existir
Ora estamos em cima, ora embaixo
E dá para nos divertir aqui ou ali
Até chegar a hora de partir
Isso se chama maturidade
E não depende tanto da idade
Mas da sabedoria que cultivamos em qualquer realidade

Alda M S Santos

Fome

FOME

Famintos por luz, por calor, por beleza
Famintos por simplicidade, por paz, por natureza
Famintos por um encanto qualquer, por magia
A vida vai se fazendo ora confusão, ora harmonia

Temos fome de atenção, de prazer
Temos fome de algo de bom fazer acontecer
Temos fome de carinho, de amizade
Temos fome de alegria, de felicidade

Nessa fome de aprender, de crescer
Buscamos matar a necessidade que nos faz viver
Vamos nos fartando nos momentos mais sublimes de nosso ser
E, saciados, sendo bálsamo, refrigério, enternecer

Alda M S Santos

Fazendo as pazes

FAZENDO AS PAZES

Somos a soma de tudo aquilo que vivemos
Das memórias que, querendo ou não,  cultivamos em nós
Mesmo aquelas que não gostamos de lembrar
Que gostaríamos de esquecer ou apagar
Que machucam, ferem, envergonham, são traumas
Tudo, tudo faz parte do que em nós há
Fazer as pazes com nossas memórias, com nosso jeito de ser
Viver feliz com as lembranças boas é importante
Mas estar em paz com nossos erros é fundamental
Um mergulho em nossas vivências nos faz nos reencontrar
Para podermos  a vida seguir e  melhor caminhar
Cada erro, cada acerto forma a liga de toda nossa estrutura
Eles precisam estar ali para nos manter de pé
Mas não precisam pesar ou doer, é preciso entender
São ressignificados em nós, mas não mais propulsores do viver
Mergulhar fundo,  buscar- nos sempre,  encontrar-nos, reconhecer-nos
Perdoar-nos, se preciso for, e seguir…

Alda M S Santos

Quero (re)escrever

QUERO (RE)ESCREVER

Quero fazer uso de um lápis mágico
Escrever, reescrever, desenhar, ilustrar
Uma vida cheia de sonhos para realizar
A cada traço do meu lápis mágico
Tornar o mundo mais belo e encantado
Nessa dimensão maluca poder girar, parar, descansar
Quando escrever amizade, poder unir amigos de qualquer idade
Se escrever cachoeira, logo estar banhando, sem bobeira
Se desenhar um jardim, sentir você perto de mim
Ao traçar uma rosa, nos envolvermos numa longa prosa
Ah, e se escrever amor, em qualquer cor
Que possamos ser doçura, intensidade, calor
Sem medos, sem culpas, sem pudor
Um lápis mágico que possa desenhar sem parar
E se errar, que possa redesenhar, sem magoar
Quero com meu lápis mágico traçar um destino
Navegar nele com alegria, mesmo em desatino
Não perder o norte, ser forte, suporte
Até reescrever o momento derradeiro da morte
Sabedora de que fui e fiz o que era preciso nesse plano
Voltar sem arrependimentos para casa…

Alda M S Santos
Tarde de poesias- Meu lápis mágico

Caí no poço

CAÍ NO POÇO

Paira uma certa angústia, ansiedade
Não se sabe bem de que, qual vontade
Apenas que é preciso seguir, ser liberdade
Ainda que de pensamentos e sonhos
Por um mundo mais justo, mais amoroso
Sem tanta injustiça ou desigualdade
Vontade de sentar num tronco de árvore
Conversar com fadas, duendes, anjos, borboletas
Ouvir o que tem a dizer a natureza
Banhar num riacho, na cachoeira
Captar um pouco dessa força e beleza
Sabedora de que ali irá encontrar
Como que por magia ou encanto
A fonte de luz e energia que afasta o pranto
Que abastece a alma de fé e esperança
E faz da vida uma paisagem de pureza
Acolhedora de todo aquele que em suas andanças
Busca um pouco de refrigério e descanso
Natureza é poço cheio de pura magia
Satisfaz toda e qualquer fantasia
Eu quero cair nesse poço!

Alda M S Santos

Uma fada, um ogro

UMA FADA, UM OGRO

Uma fada invadiu suavemente meus sonhos
Brilhava, flutuava, chegava, desaparecia
Eu estendia os braços e ela a mim se unia

Numa brincadeira de luz e sombra, reluzia
Nesse constante vai e vem um ogro surgia
Amedrontada, frágil, ao lembrar dela me fortalecia

O ogro chegava, tentava, assustava
De gato e rato brincava, não agradava
Mas a fada sem medo se levantava, me ajudava

O ogro desistia, ia embora, se cansava
E para aquele mundo encantado eu voltava
Quase como uma só, a fada me acompanhava

No reino dos sonhos ela era parte de mim, me encorajava
Nenhum ogro mais se aproximava
Fugia daquela magia que até a ele encantava

Alda M S Santos

Quisera ser rio

QUISERA SER RIO

Quisera ser rio que sabe que seu destino é o mar
Que segue sempre em frente sem se preocupar
Levando vida e alegria por onde passar
Por vezes, leva até destruição
Pra quem com ele não sabe lidar não…

Quisera ser rio e das pedras saber desviar
Obstáculos contornar, afluentes aceitar
Ora tormenta, ora remanso, calmaria
A sede matar, doces amantes banhar
Mas sempre seguindo rumo ao mar

Quisera ser rio, ser vida, em qualquer situação
Sendo a paz e o amor que o mundo necessita
Sabendo que sua força brota do chão, renovação…

Alda M S Santos

Uma fada me disse

UMA FADA ME DISSE

Um dia uma fada me disse
Que para ser feliz é preciso amor levar
Em qualquer situação, tempo ou lugar
Que tudo pode falhar, só o amor não pode faltar…

Ela é uma fada de grande coração
Sempre nos ensinando uma lição
O mundo precisa dar-se as mãos
Para, finalmente, serem mais irmãos…

A fada me fez ver a realidade
Que não devo me (pre)ocupar tanto com a humanidade
Se eu for carinho, luz, solidariedade
Já estarei agindo em nome da bondade

Fada é a luz da Natureza
E sempre encontra nela a maior riqueza
Aquela que nos aproxima de Deus, de Sua grandeza
Num encontro de rara e intensa beleza…

Um dia Fada Luz me falou
E seguindo seus passos estou…

Alda M S Santos

Para onde irão?

PARA ONDE IRÃO ?
Roupas e calçados doados para caridade
Livros lidos e relidos, que estante ocuparão?
Aquelas fotos e CDs antigos, verdadeira raridade
Objetos de apego, perfume especial, animais de estimação
Para onde irão?
Crônicas e textos escritos, poemas e versos
Cartas e cartões, carinhos contidos, afeições declaradas
É a vida em seus direitos e avessos, versos e reversos
Rosas plantadas, flores regadas, ervas arrancadas
Para onde irão?
Versos de amor gravados na alma em doces melodias
Sorrisos e abraços que aqueceram e iluminaram nossos dias
Qualquer tentativa de lidar com a ausência, com a saudade, pura perda de tempo, embromação
Bom mesmo é ficar mesmo depois de ir embora, permanecer pra sempre gerando emoção…
Todo o resto não importa para onde irá, especulação
Se o que importa de verdade estiver tatuado no coração…
Alda M S Santos

Querer, poder, dever

QUERER, PODER, DEVER

Posso querer tanta coisa nessa vida
Não quer dizer que tudo me convém
Que posso tudo aquilo que quero
Mas sei que deveria querer o que posso
Seria mais fácil o viver, menos emocionante talvez
Ou menos produtivo e rico
Mas certamente menos doloroso
Mais feliz? Não dá para afirmar.
O querer é o estímulo primeiro
O poder é a limitação da sociedade
O dever é a consciência gerada, prioridade
Qual será nossa maior verdade?
Entre o querer, o poder e o dever vamos vivendo
Em cada situação evoluindo, aprendendo
Equilibrando nossa balança emocional
Evitando ser levado por qualquer vendaval
Deixando apenas nos refrescar nas águas desse canal
Em suma, o que fica em cada um de nós
É o que sobra ao desfazer tantos nós
Querer, poder e dever
E assim vai seguindo o viver…

Alda M S Santos

Escritas

ESCRITAS
Escrevo no papel, a lápis para não borrar
Quando não há certeza do que calar ou dizer
Se precisar apagar e reescrever…
Escrevo no papel, a tinta para não apagar
Quando é certo e definitivo o que se quer expressar
Na vã tentativa e desejo de eternizar o sentimento descrito em palavras
Escrevo nas páginas inúmeras da alma
Com lágrimas, sorrisos, gritos e silêncios
Uso vermelho sangue, amarelo vida, cinza luto, verde esperança
Páginas borradas, reescritas, infinitas, multicores
E percebo que o que foi escrito ali é o pote de ouro além do arco-íris
Não há modo de apagar, é sempre belo e desejado
São versos ternos, eternos, com ou sem rima…
Escrevo no coração daqueles que compreendem
A poesia traduzida em versos de carinho e amor
E a querem infinita e eterna em si
Escrevo nas páginas infinitas da minha alma
Uma história de amor pela vida
A poesia que busco eternizar em mim…
Alda M S Santos

Encantada

ENCANTADA

Encantado: sob efeito de sortilégio ou magia
Que não responde por si, noutra sintonia
Ou abduzido por um mundo de emoção
Vivendo intensamente, noutra dimensão
Entregue, feliz, doce paixão
Natureza da qual sou parte, não me aparto
Sob pena de morte em vida
Daquelas que se enfurnam no quarto
Encantada, e daí? Não me importo!
Água corrente, fria, pura poesia
Faz bem, lava de fora para dentro energia
Lava de dentro para fora, valiosa terapia
Nada é preciso dizer, basta sentir
Deixar a dor, o sentimento fluir
Na hora certa o que fizer bem irá emergir
Fazendo dessa dimensão aqui
Um espaço no qual somos voo, somos asa
Até a hora de partir de volta para casa

Alda M S Santos

A certeza

A CERTEZA

Quero a certeza que mesmo num dia nublado
O Sol está ali, bem ao nosso lado
Que ainda que não possa ser visto
Ele está lá, voltará, é bem quisto

Quero a certeza que há em toda a natureza
Da infinidade de grandeza, de beleza
Do alvorecer que se segue a cada anoitecer
Quero ter fé, nunca esmorecer

Quero a certeza que tudo vem para acrescentar
Que tanto o amor quanto a dor vão ensinar
Que é preciso seguir, acreditar, confiar

Quero a certeza que mesmo pequenina
Sou parte de um todo que não desanima
Sou da Criação uma alma menina

Alda M S Santos

Eu quero

EU QUERO

Quero uma bússola,
Que me dê um norte
Que me aponte o caminho
E me torne mais forte…

Quero uma âncora,
Que me mantenha firme
Só a suavemente balançar
E não me deixe me afastar
Do que for um bom lugar…

Quero uma vela,
Que me leve lentamente
Ao sabor do vento,
Do bom sentimento
Para um lugar de autoconhecimento…

Quero asas grandes, coloridas
Que me levem para bem alto
Para apreciar os encantos
De uma vida mais bonita…

Quero um colo, bem quentinho
Que me ampare, me dê carinho
E me faça entender rapidinho
Que na vida o que vale mais
Pode estar bem pertinho…

Eu quero!

Alda M S Santos

Não preciso de muito

NÃO PRECISO DE MUITO

Não preciso de muito
Basta um cantinho qualquer
Para me aboletar, aconchegar
Minha alma incansável de mulher

Não preciso de muito
Somente um espaço no seu coração
Para que eu possa assim crescer
Nessa troca de carinho e emoção

Não preciso de muito
Mas o que vier, que seja verdadeiro
Somos espetáculo, sem picadeiro

Não preciso de muito
Só preciso não me perder de mim
Nesse eterno encontro comigo, enfim

Alda M S Santos

Quero acreditar

QUERO ACREDITAR

Quero acreditar que estou no mundo das possibilidades
Que ainda que algo se quebre, não dê certo
Sempre haverá novas realidades

Quero acreditar que estou num mundo direito
Que ainda que ele se vire do avesso
Sempre será possível fazer de novo, bem feito

Quero acreditar que estou no mundo dos sonhos
Que ainda que eles se tornem pesadelos
Nunca serão cansativos, enfadonhos

Quero acreditar que estou no mundo das amizades
Que mesmo que a gente chore ou sofra
Sempre teremos nelas a reciprocidade

Quero acreditar que estou no mundo da beleza
Que mesmo que tudo fique seco ou frio
Ainda acharei refrigérios na natureza

Quero acreditar que estou no mundo do amor
Que mesmo que ele esteja repleto de medos
Sempre será pra nós bem sedutor

Quero, preciso acreditar!

Alda M S Santos

Blindagem

BLINDAGEM

Lá fora há muita negatividade
Temos medos, receios, ansiedades
De nos expor ao que trará infelicidade
Nos blindamos, trancamos preciosidades

Queremos deixar entrar só o que faz bem
Nada de forçar passagem, não convém
Mas a mesma porta tão bem blindada
Não permite entrada, nem saída, nada

Se a luz não entra, ela também não sai
Se o medo toma conta, o sorriso se esvai
Cuidemos do que em nós sobressai

Não dá para da vida nos esconder, nos blindar
A mesma blindagem que pode do mal proteger
Pode impedir do bem e do amor acontecer

Alda M S Santos

Como é possível?

COMO É POSSÍVEL?
Como é possível, ao mesmo tempo
Estar tão perto, estando tão longe
Estar tão longe, estando tão perto
Estar tão dentro, sem haver cabimento
Como é possível, ao mesmo tempo
Ser tão doce sorriso, escondendo amargas lágrimas
Ser tão acolhedor colo, estando carente de aconchego
Ser reflexo de si mesmo, de tão brilhante luz,
Tendo apenas uma faísca acesa
Como é possível, ao mesmo tempo
Ser o amor em meio a tanta indiferença
A esperança em meio a dolorosa ingratidão
A paz em meio a tanta maldade e confusão
Como é possível, ao mesmo tempo
Ser o norte quando se está perdido
O recomeço depois de haver desistido
A continuidade de um viver intenso, meio sofrido
Quando sabemos que a qualquer hora
Seremos pelo tempo engolidos, consumidos?
Como é possível?
Alda M S Santos

Inteiros

INTEIROS
Não dá para viver com metades
Meias verdades não colam
Meias palavras não falam
Meios caminhos não levam a lugar algum
Meias certezas não descem
Meias vontades nada produzem
Meias curas não resolvem
Meios amores não acalentam
Meias vidas não satisfazem
Precisamos de totalidade
Precisamos de inteireza
Inteireza no amor, na paixão
Inteireza na compaixão, no amor irmão
Inteireza na alegria, na felicidade
Inteireza na verdade, na fraternidade
De metade em metade
Passamos a vida em pedaços
Partes que não se encaixam
Quebra-cabeças que não se completam
Não dá para buscar uma metade no outro
Nossas metades estão dentro de nós mesmos
Juntá-las nos torna inteiros
Prontos a encontrar outros inteiros, amiúde
E viver uma vida de completude…
Alda M S Santos

É preciso fazer as pazes

É PRECISO FAZER AS PAZES

É preciso fazer as pazes
Estar de bem consigo, novos ares
Buscar fora e dentro de si bons lugares
Deixar de fora as culpas, os males

É preciso fazer as pazes
Aceitar nossas falhas nessa jornada
O corpo que nem sempre agrada
A emoção que às vezes nos degrada

É preciso fazer as pazes
Com o outro que não nos aceita
Com a vida que nunca é perfeita
Conosco mesmos por tanta desfeita

É preciso fazer as pazes
Com o passado que nos magoou
Com o futuro que não chegou
Com o presente, que é onde estou

É preciso fazer as pazes…

Alda M S Santos

Um lugar

UM LUGAR

Acordei aqui meio sem lugar
Sensação estranha, de agonia
Senti que precisava muito conversar
Na natureza encontraria a magia

Ali fiquei, sentei, tudo em volta observei
Tão rica e preciosa é a criação
Somos parte dela, isso eu sinto, eu sei
Fomos criados pelo Amor, fiquei em adoração

Sou apenas uma pequena e frágil luzinha
Que por aqui luta, segue, sempre caminha
Tentando iluminar, não estar sozinha

Pouco a pouco respostas vou encontrando
Olho para o alto, me entrego, fundo inspirando
Grata, sinto meu lugar, a boa energia voltando

Alda M S Santosu

Vamos?

VAMOS?

Enquanto houver vida embaixo desse céu
Não dá para deixar emoções ao léu
Inspira, expira, não pira, coloca no papel
Haverá alguém para brincar nesse carrossel

Enquanto houver voz, eu canto
Alívio para a alma, a dor, o pranto
Mesmo desafinada, desgastada
Minha voz ainda é expressão desenjaulada

Enquanto conseguir todo dia me levantar
Ver o Sol lá fora a brilhar, me chamar
Farei valer a pena a travessia nesse lugar

Enquanto houver caminho à vista, eu sigo
Trilhas construo, faço, refaço, prossigo
Levo quem tem afinidades comigo…vamos?

Alda M S Santos

Certo ou errado?

CERTO OU ERRADO?

Que é pra você certo ou errado
É certo o que está na lei registrado
Se foge a ela está tudo errado
Ou há outros meios de separar certo e errado?

A lei divina diz uma coisa, a dos homens, outra
Avalio como errado se ferir um coração
Mas há modo de viver no certo
Sem nunca magoar um alguém, um irmão?

Alguns afirmam que não erra quem ouve o coração
Outros já dizem que coração não tem razão
É insano e faz besteiras de montão

Sei que não se pode agradar todo mundo, não
Melhor ouvir a consciência, dosar razão/emoção
Já dá muito trabalho cuidar do próprio coração

Alda M S Santos

A que vim

A QUE VIM

Nem sempre consigo identificar
A razão de por aqui estar
Não sei se faço bem em buscar
Um motivo, um objetivo para continuar

Tantas vezes já parece tão cheio o jardim
Já não me cabe, meio diferente assim
Abelhas, borboletas, beija-flores
Brincam entre os canteiros entre tantas cores

Ando para lá, voo para cá, dou o melhor de mim
Tento não ficar onde não estão a fim
Sigo buscando a que vim

Olho em volta, olho para dentro de mim
Busco força, um trampolim
Me descubro meu próprio jardim

Alda M S Santos

Precisamos falar de dor

PRECISAMOS FALAR DE DOR

setembroamarelo

Eles podem estar chorando
Mas também podem estar aí sorrindo, tentando
Podem estar dentro do quarto, alheios
Mas podem estar dentro de si mesmos, aí no seu meio
Podem estar gritando em silêncio sua dor
E nós não termos jeito para lidar com amor
Podem estar flertando com a morte
Não vendo na vida nenhum pouco de sorte
Não é fraqueza, não é frescura,
É patologia, é doença, precisa tratamento
É dor que tem no amor e atenção parte da cura
É não sentir da vida a beleza, a candura
É querer sumir para um universo paralelo
Onde não sinta mais tanto medo, tanto flagelo
A morte é natural, faz parte da vida
Mas desejá-la não é normal
O setembro amarelo é para sensibilização
Podemos salvar um irmão
Vamos buscar informação?


cvv.org.br disque 188


Alda M S Santos

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