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Não são só palavras!

NÃO SÃO SÓ PALAVRAS

Elas podem ser impensadas
Rispidas, fortes, mal analisadas
Podem ferir, machucar, magoar
São lâminas fazendo a alma chorar

Não são só palavras!

Podem estar carregadas de desesperança
De desânimo, de cansaço, de mentira, destemperança
Podem instigar um lado negativo, punitivo
Fazendo de nós um coração fugitivo

Não são só palavras!

Podem estar recheadas de fé e amor
Trazendo luz, esperança, colo e calor
Podem animar, ser carinho, abraços e beijinhos
A doçura que todos precisamos para não seguir sozinhos

Não são só palavras!

Aquilo que falamos não pode mais ser recolhido
Vai encontrar um terreno para crescer, é sabido
Se quisermos plantar o bem, lançar ao vento
Vamos transmitir coisas boas do pensamento

Não são só palavras!

Alda M S Santos

O mundo não é cor-de-rosa!

O MUNDO NÃO É COR- DE- ROSA!

O mundo não é cor-de- rosa, menina!
Sei disso, mas a cor que tanto fascina
Somos nós que damos a nuance, o tom
Quando colocamos ali parte de nosso dom

A vida oferece muitas cores, linda aquarela
Mas se não nos agradarem, basta abrir a janela
Misturar rosa, azul, verde, vermelha ou amarela
E fazermos linda arte em nossa tela

Nosso jeito de olhar e perceber a natureza
É capaz de criar em nós uma fortaleza
E nos brindar de perfume e beleza

Se está doendo, se está difícil seguir
Tento ver as cores de um belo jardim
Ali há cuidado do Pai, também há em mim

Alda M S Santos

Quando o mundo acabar

QUANDO O MUNDO ACABAR

Quando o mundo acabar, não quero chorar
Vou sentar num canto, refletir, analisar
Será que fiz tudo que me cabia
Sem esmorecimento, preguiça ou letargia?

Quando o mundo acabar, voltarei para casa
Livre de todos os pesos, leves asas
O quanto ficará de mim nesse espaço
Ao menos deixarei algum forte laço?

Quando o mundo acabar, não quero chorar
Serei grata, penso que o pranto vai chegar
Seja saudade, não arrependimento ou pesar

Mas enquanto o mumdo não acabar por aqui
Assumirei minha parte, vou amar, vou agir
O voo de volta por hora pode seguir sem mim

Alda M S Santos

Não vou discutir!

NÃO VOU DISCUTIR!

Não, não quero discutir, talvez debater
Por questão de respeito, isso posso fazer
Mas é importante não levantar a voz
Dizer a que veio, sem ser algoz

Não vou discutir, mas posso conversar
Conversando podemos crescer, nos acertar
Saber ouvir alguém sob outro ponto de vista
Mostra maturidade, uma atitude positivista

Debater ideias nos traz evolução
Não precisa concordar com a expressão
Só cresce quem se permite ouvir outra opinião

Porém, se fere nosso modo de ser, nossa essência
Bom evitar, preservar a saúde, ter prudência
Nem tudo vale nosso esforço, isso é sapiência

Alda M S Santos

Ilusões

ILUSÕES

Carência faz-nos ver amor onde há só falsidade
Inocência faz-nos ver beleza onde há só aparência
Aparências impedem-nos de chegar à essência

Ilusões…

Fome faz-nos agradar com qualquer prato
Sede faz-nos alucinar com um oásis
Quedas fazem-nos inaptos para certos trajetos

Ilusões…

Culpas fazem-nos temer sanções assustadoras
Coração partido faz-nos acovardar diante de um novo amor
A fé, e somente ela, faz-nos sentir renovados
E nos leva aonde quisermos…

Alda M S Santos

Não sustenta um olhar

NÃO SUSTENTA UM OLHAR

Não sustenta o olhar quem não quer se mostrar
Ou que não se sente bem naquele lugar
Não sustenta o olhar quem tem algo a esconder
Ou quer disfarçar qualquer desprazer

Desvia o olhar aquele que quer se preservar
Tratar de suas emoções, não se descuidar
Desvia o olhar se não sente no outro um amigo
Sabe que não seria aceito, nao teria abrigo

Não se demora num olhar, prefere fugir
Aquele que não quer fingir ou mentir
Gostaria de poder se entregar, se abrir

Não sustenta um olhar quem se sente perdido
A alma clama por pouso, silenciosa reclama
Deseja apenas poder mergulhar no olhar, sem qualquer drama

Alda M S Santos



E se…

E SE…

E se a vida nos ditasse melhor o compasso
Que talvez aquele fosse o último abraço
Como seria, teria feito diferença
Saber que não haveria mais aquela presença?

E se fosse a última noite, o último sono
Sem imaginar que o amanhã não teria dono
Um beijo quente, um amor envolvente
Haveria despedida mais eficiente?

Tantas possíveis últimas vezes vivemos
Sem imaginar a que sobrevivemos
Gostaria de me alongar mais nos momentos
Poder me demorar no que traz contentamentos

E se fosse o último sorriso, o último olhar
Quero abraçar forte, descansar nesse lugar
E se fosse por aqui a última, a derradeira luta
Peço a Deus que tenha sido válida tanta labuta

Alda M S Santos

Longe ou perto

LONGE OU PERTO?

Está longe se a vista não alcança
Está perto se até os cabelos balança
Está longe se já não traz lembrança
Está perto se na alma ativa uma dança

Mora longe se não há afinidade
Ainda que esteja perto na verdade
Mora perto quando está dentro da gente
Ainda que esteja anos luz à frente

Longe ou perto não é questão espacial
Vale mesmo ser alguém especial
Ao lado da gente ou bem distante
Importa se faz bater o coração num instante

Quero estar perto, também estar dentro
No corpo, na alma, no pensamento
Assim o longe será apenas um detalhe
E que nada por aqui atrapalhe!

Alda M S Santos

No pensamento

NO PENSAMENTO

No pensamento tudo começa
Ali a semente cresce sem pressa
O que faz mal ou faz bem, que fomenta
A guerra, a paz, o que a gente alimenta

No pensamento começa a desconfiança
Nele também se alastra a esperança
Ali cresce uma lembrança de dor
Mas o terreno é fértil para o amor

No pensamento escolhemos o que nutrir
Sabedores que tudo começa pequeno
Podemos podar, arrancar ou extrair

Quero irrigar apenas o que satisfaz
Nutrir só lembranças de amor e paz
Deixar virar árvore frondosa, sou capaz!

Alda M S Santos

Tá doendo?

TÁ DOENDO?

“Mas tá doendo muito, muito mesmo”, a criança dizia
E em seu choro de dor se desfazia
Será que há como medir uma dor
Há como saber o que dói mais ou causa menos torpor?
Sei que causa dor aguda se ainda está aberta a ferida
Cabeça, dente, coluna, rim, nervo ciático, difícil a lida
Mas há outras dores difíceis de suportar
As que apertam e machucam o coração
Ou aquelas que trazem mágoa ou decepção
Dói não ter sua intensa afeição correspondida
Dói saber que aquela pessoa não era mesmo amiga
Dói o vazio da fome, a carência de nutriente
No corpo, na alma, no coração da gente
Dói perder por alguém a admiração
Dói saber que fez tanto por nada, indignação
Dói não conseguir se fazer entender
Também dói não saber com certas coisas viver
Dói se sentir envelhecer sem aproveitar o presente
Fixado no passado ou com o futuro imprevidente
Dói não saber sorrir, brincar, fazer do dia a dia algo prazeroso
Na verdade, viver pode ser bem doloroso
Melhor se fixar na cura, no que pode ser gostoso
Deixar a dor ir embora com o vento, sem lamento
Ou soprá-la para longe do pensamento
Assim o viver traz menos sofrimento…

Alda M S Santos

Não me cabe

NÃO ME CABE

Nessa caixa não me cabe
Não é que eu não seja flexível
É que ela tende a me moldar
Colocar num padrão que me machuca
E que não vai me agradar

Nessa caixa não me cabe
Dobra daqui, dobra dali
Tira um pedaço desse lado
Aperta o outro, transfere de lugar
Até eu não mais me identificar

Nessa caixa não me cabe
E mesmo se coubesse eu não gostaria
É que prezo a liberdade de ser o que sou
Colocar-me ali me mataria

Nessa caixa não me cabe
Não sou boneca para viver em caixa, preciso de ar
Prefiro jardim, mata, rio, mar ou cachoeira
E assim quero viver a vida inteira…

Alda M S Santos

Os três da sobrevivência

OS TRÊS DA SOBREVIVÊNCIA

Três minutos sem ar
Três dias sem água
Três semanas sem alimento
Essa é a lei dos “Três” da sobrevivência
É o que aguentamos sem perecer
Mas será que isso basta para poder viver?
O que mais é necessário para não apenas sobreviver
E viver com intensidade e alegria
Sendo e fazendo o bem em total harmonia?
Quanto tempo se vive sem companhia
Ou pode-se encontrar na solidão uma sintonia?
Será que suportamos a tirania
De uma vida tensa em seu dia a dia?
Será que dá para suportar bem
Estar sem carinho, sem amor, sem alguém
Há como medir a quantidade de amor
Que cada ser humano precisa para ser calor
Sendo o ar, a água e o alimento
Nessa vida nem sempre a contento?
O que representa nosso ar nesse lugar
Qual nossa água, sempre a nos hidratar
Alimento da alma é tão precioso quanto o pão
Sem ele pode haver vida, mas sem coração…
Quais são seus três da sobrevivência?

Alda M S Santos

O tempo, o vento…

O TEMPO, O VENTO…

Vento que venta sem cessar
Devagarinho ou vendaval a assustar
Arrepia a pele, nos faz divagar
Realize um sonho qualquer para alegrar?

Vento que parece o tempo levar embora
Tempo que nos leva sem demora
Posso fazer um pedido, por favor?
Demore-se mais onde houver amor…

Tempo que quase não se vê passar
Vento que faz carinho a sussurrar
Leve para o alto um recadinho meu
Aqui embaixo é difícil alcançar o apogeu

Tempo e vento são quase um
Invisíveis aos mortais, a olho nu
Mas podemos senti-los em nós
Quando passam fazendo ou desfazendo nós

Alda M S Santos

Pela raiz


PELA RAIZ

Se queremos manter, cuidamos da raiz
Isso todos sabem, até um aprendiz
Se desejamos que cresça irrigamos
Tratamos com carinho, adubamos

Se é flor a gente trata com jeitinho
Fica junto, admira, abre caminho
Se é erva daninha arrancamos de vez
Antes que estrague o canteiro, seria estupidez

Vale para plantas, gente, emoções
Não vale cultivar certas situações
Sob pena de apertar grilhões

Viemos munidos de sabedoria
Utilizar faz bem, gera alegria
Desatenção só traz desarmonia

Alda M S Santos

Encontro Marcado

ENCONTRO MARCADO

Temos por aqui um encontro marcado
Desde sempre tentamos fazê-lo afinado
Sem fugir, correr ou deixar de lado
O ideal é querer, buscar, ser seu aliado

Um encontro especial que se faça presente
Que seja verdadeiro, forte na vida da gente
Que se faça importante, caliente, envolvente
Que nunca nos deixe na solidão, alma carente

Nessa travessia é preciso saber aproveitar
À nossa revelia, o tempo segue sem cessar
Queremos com o amor poder encontrar

Não importa se é através do outro que ele vem
Certo que é um encontro de amor que convém
Mas, o ideal,  que seja o amor-próprio também

Alda M S Santos

Relações completas?

RELAÇÕES COMPLETAS?

Somos uma caixinha de uma riqueza interessante
E vamos distribuindo nossos pedacinhos de modo intrigante
Selecionamos até sem ver o que e com quem partilhar
Cada pessoa acaba nos dizendo com o que é capaz de lidar

Há pessoas que partilhamos mente, pensamentos e ideias, reflexões
Com outras dividimos nossa habilidade física, corpo, ações
Há aquelas com as quais trocamos sentimentos e emoções
Desafiante é encontrar com quem partilhar todas essas nossas frações

Com Fulano falo sobre minhas convicções tranquilamente
Com Beltrano brinco, pulo, trabalho, vivo, faço amor alegremente
Com Sicrano sorrio, choro, me amparo, abro coração docemente
Uma relação completa traz tudo isso divinamente

Não quer dizer que vamos descartar as relações “parciais”
Somos corpo, mente, coração, são partes fundamentais
Em sua parcialidade elas podem ser inteiras, completas
Nos fazer bem nessa troca que pode parecer incompleta

Alda M S Santos

Um viver morno

UM VIVER MORNO

Um mundo densamente povoado
Há gente de todo tipo, para todo lado
Tem para todos os gostos e preferências
Mas nunca houve tanta solidão e negligência

Gente que não se demora num olhar
Gente que já não sabe mais abraçar
Gente que tem pressa de chegar
Sem saber sequer aonde vai parar

Gente que busca uma conexão qualquer
Não se identifica o que a alma requer
Gente que anda carente de colo e atenção
Do ombro, da palavra ou do silêncio irmão

Um mundo de várias pessoas no entorno
E tanta gente nesse viver morno
Falta calor humano, amor de verdade
Ganhar tempo é perder em humanidade

Alda M S Santos

DICOTOMIAS

DICOTOMIAS

Nos polos diversos da vida nos encontramos
Em diferentes extremos nos entendemos, nos enfrentamos
Quanto maior a diferença, maior a possibilidade
De se fazer maior e melhor na diversidade

Percebe-se o brilho da luz ao vislumbrar a escuridão
Valoriza melhor a companhia quem já se viu na solidão
Só se entrega livremente à doçura do amor
Quem já ficou preso e abandonado na dor

A força é evidenciada na fragilidade
A grandeza de alma despertada na pequenez de uma bondade
A coragem maior vem no confronto com o medo
A liberdade é valiosa quando já se esteve no degredo

Vive melhor quem tem a vida como um presente
Boa, má, com sorrisos ou lágrimas, não se mostra ausente
Não fica na superfície, mergulha fundo
É preciso aproveitar o que há de bom no mundo

Alda M S Santos

Autores

AUTORES
Autores o tempo todo
Escrevendo uma história original
Não importa tanto a capa
Sequer a página inicial
O que vale mesmo nessa obra
Que escrevemos até sem perceber
É a audácia e delícia de viver
Cujo fechar de olhos é que determina o final
Num momento que não sabemos quando vai ser
Páginas em branco recebemos
Com a tarefa de ali algo belo registrar
Não importa o estilo textual 
Sequer a linguagem ou idioma
Independente do número de páginas, personagens
É pessoal!
Se sua história fosse um livro
Você ousaria indicar?
Teria prazer em (re)ler?
Se virasse filme assistiria com seus pais, filhos?
Ao final, tudo que fica é nossa história
Não precisa ser um best seller
Basta que seja uma bela história!
Caprichemos!
Alda M S Santos

Uma sacudida

UMA SACUDIDA

Muitas vezes a vida nos dá um sacudida
Traz situações que deixam a mente aturdida
Parece que quer nos despertar de alguma letargia
Dizer pra gente: levanta, viva essa magia!

Pode ser uma perda importante e dolorosa
De algo ou alguém que deixa a alma chorosa
Pode ser a saúde que debilita, fragiliza
Ou uma decepção, sonho que não se materializa

Um novo olhar para o que se tem
Até mesmo para o que falta também
Fazer as pazes, aceitar o que convém

Bom aproveitar toda oportunidade
De acreditar na vida, lutar por liberdade
E abraçar o que surgir com amor e verdade

Alda M S Santos

Jeito de olhar…

JEITO DE OLHAR

Um passo atrás pode ser avançar
A tempestade pode vir para limpar
A queda pode ensinar a levantar
O vendaval pode colocar as coisas no lugar

Tudo depende do jeito de olhar

Chorar ensina a valorizar o sorriso
Medo e inércia nem sempre são coisas de indeciso
Talvez seja um modo de usar o perigo
Para encontrar melhor abrigo

Tudo depende do jeito de olhar

Solidão nem sempre é ausência de companhia
Talvez seja escolha de pessoas
Que usam de muita sabedoria
Ao não insistir em buscar no outro
Aquilo que encontram em si mesmas: paz e sintonia

Tudo depende do jeito de olhar

Preta, branca, cinza ou multicor
A vida sempre será uma tela
Para artistas que pintam com estilo e amor
E usam a paleta preferida para torná-la ainda mais bela…

Tudo depende do jeito de olhar
Do jeito de a vida encarar …

Alda M S Santos

Tanta gente…

TANTA GENTE…

Tanta gente ferindo seu irmão
Tanta gente que não se importa com o coração
Tanta gente que quer ter sempre razão
Por vezes é difícil seguir com determinação

Tanta gente por aí na falsidade
Batendo forte, sendo maldade
Será que há gente que seja bondade
Que, sem egoísmos, saiba ser humanidade?

Tantos podem ser os momentos cinzentos
Tantas feridas rondando os pensamentos
A mente vaga em busca de uma boa lembrança
Bem colorida e brilhante que desperte a esperança

A vida é feita de cores, de flores
Perfumes e odores, tantas dores e amores
Nesse caminho a gente escolhe o que priorizar
Sempre escolherei ficar no amar

Alda M S Santos

No automático

NO AUTOMÁTICO

Nada mais cansativo, tenso e doloroso
Que viver no automático, no modo tedioso
Não há escolhas, opções, há imposição
Das coisas da vida que não geram emoção

A vida requer envolvimento, prazer
Simpatia,  empatia em tudo que for fazer
O desejo de se entregar, se envolver
Faz tudo ter significado nesse viver

Quando a alma não se sensibiliza
Parece anestesiada, robótica, não verbaliza
É chegada a hora de ligar o vitaliza

Sem redundância, viver é um presente de amor
Mas se não há alegria, conversemos com o Criador
Busquemos no Alto, em nós mesmos, mais disposição e calor

Alda M S Santos

Momento fecundo

MOMENTO FECUNDO

O olhar expressa o que vai dentro da gente
A nossa realidade ou nosso sonho mais premente
O brilho dos olhos reflete nossas fantasias
Aquelas mais inimagináveis, carregadas de magia

Uma alma observadora capta esse sinal
Que dança no olhar, vento calmo ou vendaval
Vida que se multiplica, se refaz
Em desejos intensos de um viver mais eficaz

Espelhos da alma, reflexos de sentimentos
Assim são nosso olhos ao partilhar sofrimentos
Ou na satisfação de dividir prazer, contentamentos

Um mergulho no olhar, suave e bem profundo
Diz-nos do que vale a pena nesse mundo
A fantasia se faz realidade num momento fecundo

Alda M S Santos

Perguntas…respostas?

PERGUNTAS… RESPOSTAS?

O que fazer para não nos machucar
Ou se isso acontecer, como parar de chorar
Uns com tanto, outros na necessidade
Será que dá para ter um pouco de felicidade?

Dois mil anos é há quem acredite na guerra
Doença, maldades e mortes assustam na Terra
Será que há um espaço além do espaço sideral
Que possa ativar nosso lado menos animal?

Viver cansa, dói, fere, alegra, dá prazer
Um vai e vem frenético sem saber quando irá acontecer
Aquele momento que nos levará embora, interrupção fatal 
Para onde será que iremos, afinal?

São tantas as perguntas nessa vida de labuta
Tantas coisas a nos deixar de calça curta
Qual o sentido disso tudo, meu Deus?
A pergunta não cala, mas é melhor confiar nos desígnios Seus

Alda M S Santos

Riquezas

RIQUEZAS

É bom ter por aqui muitas riquezas
Por conquista é melhor, tem mais beleza
Daquelas que nos enlevam, fazem bem
Valor inestimável para a alma também

Riqueza é ser feliz com o que se tem
É não invejar, não inferiorizar ninguém
É rico quem sabe que bens materiais
São apenas penduricalhos, nada mais

É rico quem tem família, tem saúde
Quem curte brincar, sorrir, amiúde
Sabe-se valioso quem sabe amar
E faz das amizades um amor, seu melhor lugar

Quanto mais evoluída é uma pessoa
Menos ela depende do ter, quer ser alma boa
Segue seu caminho com fé, luz e magia
E distribui a todos em gotas de sabedoria

Tem uma joia, verdadeiro tesouro
Quem consegue aguardar o dia vindouro
Com alegria e esperança no coração
De uma consciência limpa de quem equilibrou razão e emoção

Alda  M S Santos

Fim

FIM
Do princípio ao fim
Ou do fim ao princípio
Tantas questões dentro de mim
Chego só, volto só
Enfim, qual é o propósito
Disso tudo, Serafim
Será o fim?
Aterrisso sem nada saber
Tenho tanto ainda para aprender
E já começo a voltar
Para casa regressar
Perco a mobilidade, a habilidade
A memória e, por vezes, a consciência
Não é uma incongruência
Disso tudo, Serafim?
Tudo que amealhei por aqui
Não mais me pertencerá
O que me acompanhará é aquilo que ganhei ou perdi
Conquistei ou doei, e que poderei também deixar
Com quem esteve comigo do princípio ao fim
Chego nua, volto vestida de Lua, perfume de jasmim
Várias fases, brilho e luz…
Um ciclo que se fecha em mim e me conduz…
Alda M S Santos

A cada amanhecer

A CADA AMANHECER

A cada amanhecer abro as janelas da casa
Deixo o Sol entrar, aquecer, abro minhas asas
Permito que invada, abro as janelas do coração
Um sorriso, uma prece, momento de gratidão

Uma longa espreguiçada, já me sinto preparada
Um “bom dia” de carinho a todos, à vida, minha namorada
Penso no dia que tenho pela frente, faço planos
Prometo lidar com sabedoria e alegria, amenizar os danos

Logo o estômago pede um alimento, um café
A alma se alimenta de boa leitura, de fé
Tão bom se sentir parte: amor, paz, saúde, bom tripé
Não me faço de rogada, sigo a boa maré

Lá fora a vida já segue em atividade
Tanta coisa acontecendo, há maldade, há bondade
O desafio é estar sempre do lado do bem
Revidar só aquilo que for bom também!

Bom dia! Belo amanhecer!

Alda M S Santos

Alimentado pelo coração

ALIMENTADO PELO CORAÇÃO

A vida vai nos oferecendo simplicidades
Coisas que nos fazem bem, felicidades
A alma se sente leve e se põe a voar
Basta estar atento para poder captar

O calor do sol a brilhar ou o intenso luar
A brisa leve e suave à beira-mar
A chuva que irriga e traz introspecção
O frio que acende a lareira no coração

Um olhar, um colo quentinho de alguém
Um sorriso, um abraço apertado também
São coisas que despertam e fortalecem
Nos fazem bem, aquecem, rejuvenescem

Cuidar para haver no bem a reciprocidade
Isso é alimentar a luz em qualquer idade
Nunca esquecer da verdade, a maior lição
O que cresce e floresce é o que é alimentado pelo coração

Alda M S Santos

Encontros e conversas

ENCONTROS E CONVERSAS

Fico imaginando ao ler coisas minhas antigas
Será que se me encontrasse com meu eu do passado
Haveria paz, harmonia, alegria… ou brigas?
A mulher que já foi menina, moça, se sentiria contemplada?

Minhas atitudes despertariam orgulho
Ou me causariam no estômago um embrulho
Teria a noção de tempo bem aproveitado
Ou que tudo nesses anos foi desperdiçado?

Abraçaria com carinho aquela menina
Que a doce alegria e lembrança me fascina
A moça que seguiu bravamente sua sina
Teria espaço na mulher que hoje ensina?

Sei que seria um encontro intenso
De lágrimas e sorrisos, consenso
Uma coisa posso afirmar, eu confesso
Valeu cada momento do viver: professo

Alda M S Santos

Vergonha de ser gente

VERGONHA DE SER GENTE

Tantas vezes tenho dessa humanidade uma danada vergonha
Essa impunidade e injustiça dolorosa e enfadonha
Gente que ainda acredita que pode se matar
Por qualquer motivo parte para o guerrear

De que nos vale o título de racionais
Se o que fazemos nos torna piores que animais
Por um pedaço de terra, petróleo ou religião
Acabamos em lutas de morte com nosso irmão?

Já são mais de dois mil anos que Ele se fez humano
Para nos mostrar um viver mais leve, menos insano
Esteve entre nós, ensinou o amor como caminho
O que ficou em nós desse especial carinho?

Vejo nações e  povos matando, tendo supremacia
Adultos, crianças e idosos em total arrelia
Fuga, fome, dores, diversos males e feridas
A amorosidade sendo cada vez mais preterida

O que será preciso para o ser humano aprender
A Terra ir pelos ares, desaparecer?
Talvez haja um planeta melhor, mais acolhedor
Quero estar onde reine verdadeiramente o amor…

Alda M S Santos

Acordo prévio?

ACORDO PRÉVIO?

Até que ponto o que temos foi determinado pelo destino
Ou fomos nós quem pedimos num momento de desatino
Será que aqueles que caminham conosco por aqui
Foram escolhidos do outro lado para nosso evoluir?

Aqueles que nos decepcionam são lição
Os que nos encorajam, atiçam, são animação
Há os que são puro carinho e amor, eterna gratidão
Penso: qual foi nosso acordo prévio com a Criação?

Certo é que nada nem ninguém é por acaso, tudo vem a calhar
Importante é saber o que jogar fora ou manter, depois da lição tirar
Olho em meu entorno e vejo tanta gente diferente 
Será que precisamos uns dos outros mutuamente?

Percebo que há também um constante ir e vir
Ha quem já cumpriu sua missão por aqui, seu evoluir
Chega a hora de voltar para casa, para o eterno lar
Bom seria tanta gente boa poder reencontrar…

Alda M S Santos

Alimentos

ALIMENTOS

O que por aqui te alimenta
Que te faz bem, te sustenta
Que está por trás de sua alegria
De seu brilho, sua energia?

Alimento do corpo é fácil saber
O paladar logo registra, faz acontecer
Carboidratos, lipídios e protídios
Frutas, verduras, bebidas, glicídios

Mas o que alimenta o coração
Satisfaz a alma, a mente, a emoção
Qual prato trará esse humano calor
Qual a medida certa, onde está o amor?

Estará naquela doce companhia
No prazer de convívio dia a dia
O que se for tirado ou acrescentado
Te fará infeliz, da alma adoentado?

Nossa dieta deve ser bem balanceada
Do corpo e da alma, nehuma negligenciada
Se a vida precisa de sorriso e alegria
Cabe a cada um de nós alimentar essa magia

Alda M S Santos


1⁰ de Maio: Qual seu trabalho?

1⁰ DE MAIO: QUAL SEU TRABALHO?

Qual seu trabalho, sua ocupação
Qual seu labor, sua sustentação
É realizado por prazer, com coração
Um meio de vida e satisfação?

Vida que se preenche de alegria
Trabalho que suga e devolve energia
Se pudermos escolher o que nos alimenta
A vida fica mais bela, se autossustenta

Dons, habilidades, trabalho e doação
De tudo um pouco, vida em ebulição
Ficar à toa não é boa pedida não

Nesse dia do trabalho um pedido especial
Que o cidadão possa se sentir fundamental
E sinta que seu trabalho é valorizado, essencial

Alda M S Santos

Um pedido de casamento

UM PEDIDO DE CASAMENTO

Um pedido de casamento, uma autorização
Delicadeza em cada detalhe, escrita à mão
Relíquia de quase oitenta anos atrás
Consentimento da minha bisavó Alvita ao matrimônio de meus avós
Uma viagem no tempo, ficamos imaginando
Meu avô Davino, enamorado, fazendo um pedido apaixonado
Minha avó sobre seus desejos sendo consultada
E a vida se fazendo, família sendo concretizada
O registro ali, no fundo de um baú a missiva foi encontrada
Fazendo um paralelo, como são registradas hoje as relações
Será que nossos filhos e netos encontrarão registros de nossas uniões?
Álbuns de fotos amareladas ainda guardadas
Um torpedo, um e-mail, uma mensagem no WhatsApp, será?
Fotografias no Facebook ou Instagram, direct, isso bastará?
Sem saudosismo, mas com boa dose de nostalgia
Penso que ganhamos muito com a tecnologia
Mas não fica a sensação de que falta um pouco de magia?
Ah, sei lá! Gosto muito de algo bem palpável!
E essa carta é de riqueza e beleza considerável
Minha avó Dudu, 99 anos, tem seus guardados em papéis
Mas sei que carrega na alma bem tatuadas
Várias outras marcas de vida registradas
Que seus filhos, netos, bisnetos e tataraneta, família ali iniciada
Tenham também uma bela história para contar
Senão numa missiva bela assim pra posteridade
Que seja digitalizada no fundo do coração
E a ela, nossa matriarca, nosso amor e gratidão!

Alda M S Santos

Senta aqui

SENTA AQUI
Senta aqui do meu lado, precisamos conversar
Quero falar de tudo que me alegra
De tudo que sinto falta
Da falta que você me faz
Daquilo que me faz chorar…
Senta aqui do meu lado, só nós dois
Quero jogar conversa fora, sorrir
Rir de mim mesma, da vida
Chorar pelos meus erros e falhas
Ouvir suas histórias e bons conselhos
Senta aqui do meu lado
Quero brincar, te contar casos
Quero dividir contigo o prazer de ter aqueles que amo
Ou as tristezas de não poder ser útil a tantos outros
Lamentar por aqueles que partiram
E que deixaram vazios e saudades
Senta aqui do meu lado
Conversar com você é vencer medos
É saber-me aceita mesmo com todas as minhas falhas
É sentir acolhimento e seu olhar de amor
É sorrir chorando, é chorar sorrindo
É olhar ao longe e enxergar dentro de mim mesma
É perceber que há muito ainda a viver
E saber que VOCÊ, como prometeu
Estará comigo até o fim dos tempos…
Senta aqui, vamos conversar!
Alda M S Santos

Pra fazer sentido…

PRA FAZER SENTIDO…

Gosto do que me desperta sorriso de paz
Que brinca, que acalma, que simplifica, é eficaz
A vida quer gente que faça, que seja ação
Mas que nunca abra mão da emoção

Gosto do que a natureza me proporciona
Da riqueza, força, l suavidade que emociona
Aprecio quando tudo parece se encaixar
Quando encontro colo ao ver tudo desmoronar

Preciso que as coisas para mim façam sentido
Para que eu tenha sensação de dever cumprido
Mas que não pese, seja leve, um viver divertido

Pra fazer sentido é necessário tocar o coração
Não basta que seja apenas percebido na razão
Se não acariciar a alma não vale nada não

Alda M S Santos

Há gente assim…

HÁ GENTE ASSIM…

Há gente de todo tipo nesse mundão
Há gente luz, há gente escuridão
Há gente que briga, outras que dão a mão
Há gente que é separação, outras união

Há gente que é lágrima, gente sorriso
Gente que é força, gente fragilidade
Gente que é medo, gente que é coragem
Gente que foge, gente que segue viagem

Há gente que que é peso, outras leveza
Gente que é feiúra, outras beleza
Há gente que é amor e doação
Gente que é descaminho e perdição

Há gente de todo tipo por aqui, incrível
O que nem sempre é tão perceptível
É que todas elas podem fazer morada
Dentro de nós mesmos em diferentes jornadas

Alda M S Santos

Faz falta na vida da gente…

FAZ FALTA NA VIDA DA GENTE…

O que faz falta na vida da gente
Que dói se estiver ausente
Aquilo que deixa a alma carente
E o coração parece que fica dormente?

Faz falta um sorriso, a fantasia
Um abraço apertado, carregado de magia
Um Sol quente que renova a vida todo dia
A chuva que faz brotar a semente da alegria…

Faz falta na vida da gente a fé na Criação
Em algo maior para depositar nossa gratidão
Deixa-nos vazios a ausência de perseverança
Faz a vida parecer inócua, sem esperança

Faz falta ter um alguém, família, amor, amigos
Não fomos feitos para estar por aí sem abrigo
Nossa melhor morada é dentro de um alguém
Faz falta sermos boa morada também

Alda M S Santos

Será que sou daqui?

SERÁ QUE SOU DAQUI?
Tantas vezes olho para cima
Um céu noturno, salpicado de estrelas
Uma lua de tantas fases e faces
Nuvens pesadas separando os mundos
Ou um lindo sol a uni-los
Um infinito de possibilidades
Uma via láctea ali estampada e convidativa
E sinto que não pertenço a esse mundo
Um mundo tantas vezes cruel e injusto
Desigual e repleto de males do corpo e da alma
Sinto que não sou daqui
Que há uma força a me atrair
Será que de lá eles olham para cá
E têm a mesma impressão?
Será que cada estrela não é um ente querido que se foi
Como falamos para as crianças?
Será que há uma porção minha do lado de lá
Que quer me levar embora daqui?
Ou sou eu que carrego comigo uma porção delas
E esteja querendo atraí-las para cá?
Será que temos algo a trocar, a compartilhar?
Sei que esse mundo é muito maior que isso aqui
E há muito a aprender, a ensinar
A pedir, a oferecer…
Quero voar, subir, encontrar com outros seres
Iguais ou não, encontrar com Ele
Correr sobre as águas, sentar num banco de nuvens
Bater um papo longo, receber um puxão de orelhas, talvez um colinho
Quem sabe assim a gente se complete
E construa um mundo mais justo
Lá e cá?
Sinto que não sou daqui
Mas enquanto estiver aqui tentarei fazer o melhor…
Alda M S Santos

O que realmente importa?

O QUE REALMENTE IMPORTA?

Tantas as pontes, tantas as travessias 
Tantos ganhos e perdas nessas trilhas 
O que realmente importa, que traz alegrias? 
Será quanto vale ter uma casa onde morar 
Vale tanto quanto ser para todos um abençoado lar? 

Será que vale muito ter carro novo, um meio de transporte 
Ou vale mais seguir sem perder nosso norte? 
Será qual o valor de ter um emprego cobiçado 
Seria melhor fazer algo prazeroso, ainda que mal remunerado? 

Qual a importância de se sentir belo e inteligente 
Se isso nada de bom trouxer para a vida do outro, da gente? 
Qual o valor de ter saúde e muitos dons, ser habilidoso
Se não souber aproveitar e fazer disso um uso duvidoso 

Vale muito ter muitas coisas, várias conquistas, bom coração 
Mas nada se compara ao prazer de partilhar essa emoção 
É bom ter muitos amigos, vários alguéns, ser admirado, admirar 
Mas nada vale mais que ter alguém real para amar

O que realmente importa por aqui? 
Vale lembrar que nada levamos para a eterna morada 
Importa mesmo é o que de marcante em cada alma for deixada 
No mais é perda de tempo, é jogar fora uma vida que nos foi dada

Alda M S Santos 

Quando a vida escurecer

QUANDO A VIDA ESCURECER

Quando parecer não haver mais caminho
O mato tomar conta das trilhas, sentir-se sozinho
Quando o Sol lá fora não nascer, o interno esfriar
Urge fazer brotar a esperança, o mundo não pode acabar

Quando as lágrimas ocuparem todo o espaço
Embaçando o olhar, nublando, na alma um inchaço
É preciso se abrir para o sorriso que se apresentar
Nosso rosto pode ser para ele um bom lugar

Quando a chuva for o que o dia oferecer
E buscarmos proteção, fugir, correr
Bom seria uma nova avaliação dessa situação
Talvez dançar nela seja o que precisa o coração

Quando parecer que a dor tomou conta
Tudo que acontece parece ser à vida uma afronta
Necessário é rebater e fazer eco ao amor
Um fiozinho dele só, pode alastrar em nosso interior

Quando a vida se fizer noite, escurecer
O desejo for de desistir ou se recolher
Que possamos nos cobrir com um grande manto
Um edredom de Lua e estrelas para acalmar nosso pranto

Alda M S Santos

Desatinos

DESATINOS

De quantos desatinos se faz uma loucura?
De quantas loucuras se faz uma alegria?
De quantas alegrias uma vida precisa para ser feliz?

De quanta felicidade se faz uma história
De quantas histórias se faz uma memória
De quantas memórias uma vida precisa para renascer?

De quantas vidas se faz essa viagem
Em quantas viagens embarcamos nessas paragens
Dá para viver vendo o mundo se desfazer em bobagens?

De quantos desatinos precisamos para não enlouquecer
A quantos nãos conseguimos sobreviver
Dá para viver sem o amor fazer acontecer?

Alda M S Santos

Pedaços de mim

PEDAÇOS DE MIM

Quantas vezes eu me quebrei toda por aqui
Sobre mil pedaços de mim, chorei, não havia mais conserto 
Quantas vezes eu me despetalei toda nesse jardim
E, juntando cada pétala, em harmonia, fiz um concerto?

Quantas vezes quis negar as lágrimas, ignorar
Mas foi com elas que pude os cacos colar
Quantas vezes me cortei com pedaços pontiagudos
Me recolhi, silenciei, sarei, em gritos agudos?

Quantas vezes quis me mudar para um canto escuro
Onde ninguém pudesse ver meu pranto obscuro
Quantas vezes quis pedir para esse mundo parar
Estava cansada, não queria mais brincar…

Tantas vezes sem conta eu me colei, fiz reparos
Até mesmo em peças de cristal, saiu bem caro
As marcas ficaram, as linhas de suturas 
Hoje me olho no espelho, estou mais segura?

Sou um alguém que perdeu partes nessa viagem
Os pedaços de mim fazem parte dessa bagagem
Meu eu tem cicatrizes, são valiosas, são minhas
Grudei com quem me amparou, não andei sozinha

Alda M S Santos

Que eu perca

QUE EU PERCA

Que eu perca a força
Mas que encontre braços que me amparem
Que eu perca a sanidade
Mas que faça loucuras com um alguém
Que eu perca a alegria algumas vezes
Mas encontre felicidade em outras tantas
Que eu perca a voz, a palavra
Mas encontre o tom nos versos, na poesia
Que eu perca o sono
Mas nunca o desejo de acordar
Que eu perca o norte
Mas que encontre pouso, repouso
Que eu perca um alguém
Mas aproveite para me encontrar também
Que eu perca a percepção, o tino
Mas que não viva sempre em desatino
Que eu perca a coragem
Mas não o desejo de vencer os medos
Que eu perca um amor
Mas nunca o desejo de amar
Que eu perca a tranquilidade
Mas que encontre a paz nas pequenas coisas
Que eu perca o brilho
Mas nunca a luz que trago comigo
Que eu perca a esperança por vezes
Mas que a fé permaneça ilesa
Que eu perca muitas folhas
Mas que fortaleça minhas raízes
Que eu perca o sorriso
Mas encontre um ombro que acolha minhas lágrimas
Que eu perca qualquer coisa por aqui
Mas que mantenha meu propósito de seguir
Que eu saiba que não dá para perder
O amor a Deus e minha capacidade de sempre recomeçar
Acreditando que a vida é maior que isso tudo aqui
Vai muito, muito além…

Alda M S Santos

Fonte da juventude

FONTE DA JUVENTUDE

A fonte da juventude é feita de muitos artifícios
Várias loções, pocões, unguentos e invenções
São apresentados com a promessa de ganhar uns anos de juventude
Ou até mesmo retardar a inevitável velhice
Daí fica aquela questão: como se fica velho?
Dá para amenizar, interromper o processo
Ou até mesmo recuperar danos já causados?
Restaurar uma pele que já não tem tanto viço
Um cabelo que talvez não tenha tanto brilho
A tonicidade e força da derme …é possível?
A ciência pode ter vários recursos, acredito
Mas ainda penso que o melhor remédio para manter a juventude
É uma alma feliz, amorosa e verdadeira
Esse brilho nenhuma poção mágica
Ou argila dourada, rosa ou roxa
Teráo o poder de criar ou restaurar
A juventude da alma tem reflexos poderosos no corpo
E essa só a paz de espírito é capaz de proporcionar…

Alda M S Santos

Não tem idade

NÃO TEM IDADE

Há coisas que se deterioram com o tempo
Outras que melhoram com o passar dele
Há também aquelas que são atemporais
Passe o tempo que passar mantêm-se naturais
A saúde costuma fragilizar-se com a idade
O amor verdadeiro se fortalece com o decorrer do tempo
A poesia é atemporal… sempre será bela e natural
Será que podemos compartilhar essa realidade
Com poetas e poetisas de verdade
Deixar que cada um que registra em versos essa magia
Possa também se eternizar em alegria
Sendo atemporais como a poesia?
Só um pequeno pedido
De uma poetisa ao mundo mágico da fantasia…

Alda M S Santos

Ser como antes…

SER COMO ANTES…

Às vezes queremos ser como éramos antes
Tempos idos, talvez como infantes
Mas não dá para voltar lá atrás
O rio segue para o mar, não corre para trás

Quando dói, fere, nos desconhecemos
Nem sempre é fácil que nos acostumemos
Vem a necessidade de apagar tudo
Retroceder a algo conhecido nesse mundo

Imaginar que tudo era menos complicado
É um modo de não nos ter como aliados
O hoje é o que é, somos o que somos
Seguimos a vida com aquilo que nos tornamos

A cada dor ou obstáculo superado
Somos novos seres, mais adaptados
Se não é possível voltar aos tempos de outrora
Urge aprender a lidar com quem somos agora

Alda M S Santos

A vida pede coragem

A VIDA PEDE CORAGEM

A vida pede coragem para seguir
Coragem para não desistir, não se ferir
Coragem para num momento lutar
Coragem para saber a hora de parar

Coragem também pede tréguas
Não adianta avancar léguas e léguas
É uma boa estratégia fazer uma parada
Reavaliar rotas, analisar jogada

A vida pede coragem para enfrentar os medos
Não vale ignorar, fazer deles segredos
Na hora certa ele não parecerá tão temível
Medo enfrentado deixa se ser tão terrível

A vida exige coragem para pedir ajuda
Especialmente nos momentos de dor aguda
Não é vergonha aceitar a mão estendida
Sabedoria de quem passou por muitas na vida

Alda M S Santos

Tenho controle?

TENHO CONTROLE?

Quando ter tudo sob controle vira necessidade
Que nos acompanha sem qualquer piedade
Descobrimos que isso nem sempre faz bem
É verdade, controle de tudo nunca a gente tem

Não controlo o que o outro sente
Tampouco o que ele faz ou me dá
Mas posso de certo modo controlar
O que ao mundo vou permitir ou ofertar

Se não quero sofrer com a decepção
Devo controlar as expectativas, a emoção
Essas são minhas, nelas posso trabalhar
E em meus cantinhos secretos adaptar

Descobri que se lutar com meus pensamentos
Contra sonhos e vontades traz sofrimento
Sei que é um modo de crescer e evoluir
Só mexendo neles para poder melhor seguir

Alda M S Santos

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