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Dunas

DUNAS

Na natureza tudo tem sua razão de ser
Na interdependência que há entre diversos fenômenos
Buscando gerar estabilidade e harmonia
Vemos um equilíbrio vital, beleza, sintonia
Dunas se formam por ação dos ventos constantes
Movimento dos sedimentos ou grãos de areia soltos no ar
Ao encontrarem obstáculos naturais vão se acumulando
Uma beleza natural vai se formando
Proteção de solo, das áreas construídas, lençóis freáticos
Continuam seu movimento, até meio lunático
E vão se movendo, se protegendo
A natureza sendo rica, nos envolvendo
Nos ensinando que os ventos podem nos favorecer
Ainda que haja obstáculos e difícil possa parecer
Tudo pode ser bem aproveitado em nosso viver
Basta ter fé, coragem e nunca esmorecer

Alda M S Santos

Entre as muitas de mim

ENTRE AS MUITAS DE MIM

Muitas vezes sou palavras sem fim
Tantas outras o silêncio habita em mim
Algumas vezes quero abraçar e acolher o mundo
Noutras, nem a meu próprio mundinho consigo acolher

Sou, às vezes, gargalhadas de alegria e satisfação
Tantas outras sou um sorriso tímido de decepção
Muitas vezes sou a animação, a atração
Noutras, quero me esconder num cantinho sem aparição

Muitas vezes sou dança, sou verso, sou sedução
Noutras tantas sou muito atrapalhada, sou tombo, sou confusão
Muitas vezes sou maternal, terna, emocional
Noutras sou tão sozinha, isolada, individual

Tantas vezes vejo adiante um mundo de oportunidades
Noutras só vejo agonia e infelicidade
Muitas vezes estou em paz com as muitas de mim
Tantas outras elas travam uma batalha de vida e morte bem ruim

Entre as muitas de mim
Perfumada de flores, de jasmim
Nessa constante contradição
Procuro enfeitar esse jardim…

Alda M S Santos

Pérolas e mulheres

PÉROLAS E MULHERES

A mais linda produção gerada pela dor, pelo atrito
Pelo sofrimento, ostra protegida, machucada
Uma obra de arte que encanta a mulherada
Mulher entende de sofrimento, de superação
Entende de dor, de alegria, de beleza e proteção
É parceira e admiradora infinita dessa joia
Uma relação de atração, de sedução e amor
Que se explica na essência que ambas trazem consigo
Produzir maravilhas, encantar, ignorar o castigo
Serem aos olhos do mundo a fragilidade e a força
O encanto, o brilho, a luz e a opacidade
Sem nunca perder o que trazem de mais belo, a naturalidade
Mulheres são pérolas raras que carregam em si a felicidade

Alda M S Santos
XLVIII ENCONTRO PÔR DO SOL
TEMA: Pérolas e mulheres, uma longa história de amor

No caos

NO CAOS

Na confusão de meu caos busco caminhos reais
Nessa bagunça intensa tento encontrar um cais
Sem tantas dores, sem tantos ais
O caos exige medidas, às vezes, radicais

Não escondo meus caos, meus descaminhos
Não adianta fingir, sofro, retiro os espinhos
A cada ferida sarada, uma cicatriz a mais, é cura
Sobrevivência, na alma, marca que perdura

Em meus caos encontro tesouros, preciosidades
Não é fácil, exige persistência, habilidades
As lágrimas podem embaçar, escurecer, nublar
Mas quando se vão deixam luz no caminhar

O caos, por tudo remexer, tirar do lugar
A quem souber aproveitar e não se deixar estacionar
Tem capacidades intrínsecas de renovação
E trazer mais vida e energia a cada coração

Alda M S Santos

Nos braços de Morfeu

NOS BRAÇOS DE MORFEU
Deitou-se à beira mar num fim de tarde de outono
O Sol se punha belo e multicor no horizonte
As ondas vinham leves e mornas sob seus pés, puxando a areia
Um céu de azul profundo, gaivotas a voar
As crianças brincavam felizes, despreocupadas
Olhos querendo fechar, embalados pelos sons e cheiro de maresia inebriantes
Não posso dormir- pensou! Perigoso!
Entregou-se aos braços de Morfeu, sem perceber
Noite alta, despertou sem ar, quase se afogando
Queria nadar de volta à praia, tudo escuro como breu, nada via
Sensação claustrofóbica terrível
Água por todos os lados em círculos, pedia ajuda, ninguém ouvia
Nadava e sentia-se afundar, ouvia barulhos de gente
Procurava por seus entes queridos, gritava e a voz não saía
Chamava por seus amigos e familiares e…nada, ninguém a socorria
Sentia-se afundar, olhos ardendo do sal do mar e das lágrimas
As forças minavam, faltava oxigênio, pensou em Deus…
Os olhos se abriram, clarearam, a areia da praia apareceu, nadou de volta
Esgotada, entregue, chorou, agradeceu…
Alda M S Santos

Virtudes e pecados

VIRTUDES E PECADOS
Numa vida de virtudes, há pecado que nos condenaria?
Numa vida de pecados, há virtude que nos salvaria?
Que há de tão bom em nós que neutralizaria qualquer mal?
Que poderia haver de tão ruim que anularia qualquer bem?
Que carregamos de tão leve, feito balãozinho no jardim, que teria peso positivo?
Que carregamos de tão pesado, feito esponja encharcada, que pesaria negativamente na balança?
Pudéssemos julgar a nós mesmos com os mesmos critérios que julgamos os outros
Nas mesmas leis, pelo mesmo peso e medida
Com direito às mesmas atenuantes e defesas
Sob o mesmo júri implacável
Qual seria nosso veredicto, inocentes ou culpados
Qual penalidade receberíamos?
Teríamos direito de recorrer?
Virtudes e pecados, pecados e virtudes
Qual humano está isento a ponto de ser capaz de julgar?
Alda M S Santos

Tudo bem também

TUDO BEM TAMBÉM

Não seremos sempre a animação e a alegria
Muitas vezes seremos desânimo, letargia
O sorriso não estará sempre presente
As lágrimas poderão tomar conta da gente
E está tudo bem também…

Podemos nos acovardar diante da dor, da perda
Querer desistir diante de uma decepção
Ou de algo que venha a partir nosso coração
Causando na vida muita ansiedade e frustração
E está tudo bem também…

A saudade pode apertar, sufocar o peito
A fé não mover montanhas, não surtir efeito
As nuvens apagarem o Sol, escurecem o céu
E as estrelas perdidas atrás de um grosso véu
E está tudo bem também…

Sabendo que somos falíveis, acertando, errando, aprendizes
Aceitando as guinadas que a vida dá, jogando tudo pelo ar
Entendendo que uma hora tudo volta para o lugar
Fica mais fácil nos aceitar sem tanto nos culpar
E está tudo bem também …

Alda M S Santos

Catapulta

CATAPULTA

Não é preciso nem um extremo nem outro

Não preciso sorrir todo o tempo, tampouco chorar

Posso ter energia bastante para lutar

Mas posso querer hibernar por uns tempos

A alegria pode ser rara, a tristeza também

Mas não preciso nem um extremo e nem outro

Não quero viver na zona de confronto todo o tempo

Mas a zona de conforto também não é satisfatória

O amor não necessita ser daqueles de contos de fadas

Mas também não precisa ser de conto policial

Não preciso nem um extremo e nem outro

O trabalho pode ser intenso e prazeroso

Mas a inércia também pode fazer parte, ser necessária

Ou posso optar por deixar-me levar pela letargia

Vez ou outra preciso me desligar de tudo

Antes que tudo se desligue de mim

Não é preciso nem um extremo nem outro

Mas se chegar a qualquer dos extremos

Que eu possa me encontrar em qualquer um deles

E ser catapultada de volta ao prumo!Alda M S Santos

Onda de quê?

ONDA DE QUÊ?

Onda de calor, quarenta graus, frente quente
Daquelas que sugam a energia da gente
Onda de frio, temperaturas baixas, frente gelada
Daquelas que nos fazem encolher na madrugada

Tanta onda que aparece por aí
Queria tanto saber quando chegará por aqui
A onda de amor, frente de bondade
Que é dessa que tanto precisa a humanidade

Onda de compaixão, um pouquinho de atenção
Que levanta alguém do chão, que acolhe o irmão
Onda de solidariedade, que atinge qualquer idade
Desperta a piedade, atiça a caridade

Onda de carinho, chegando de mansinho
Daquelas que matam a saudade
Que nos pegam e nos dão um colinho
E afastam qualquer maldade…

Quando a onda do amor irá nos abater?
Só queria saber…

Alda M S Santos

Queria voar

QUERIA VOAR

Queria tanto voar…

Não a bordo de um avião
Ou dentro de máquina de aço qualquer
Queria bater minhas asas
Como águia, ou um gavião
Poder ir a qualquer canto
Onde não houvesse nenhum pranto

Queria tanto voar…

Lá do alto observar a tudo
Vista privilegiada desse mundão
Liberdade de ir e vir, sem prisão
E poder a quem precisar estender a mão

Queria tanto voar…

Mas sou um ser humano
A nós foram dadas outras habilidades
Podemos andar, pensar, falar, menos voar
Pensando bem, eu trocaria qualquer uma delas
Pela capacidade de subir, voar, plainar…

Queria tanto voar…

Já que isso não é possível
E confio no Senhor da Criação
Daqui fico curtindo e acenando
E voando apenas na imaginação…

Vamos voar?

Alda M S Santos

Rascunhos

RASCUNHOS

Não há borrachas, tampouco corretivos
Não dá para apagar ou descartar
Não escrevemos nossa história a lápis
A vida é pintada à tinta
Com as cores que escolhemos
Direto na tela final

Não dá para viver de ensaio
Não dá para ficar rascunhando
A vida é um espetáculo ao vivo
Não se pode parar, retornar
Ou ficar aguardando boa luz

Essa obra-prima é original, única versão
É sempre uma finalização
Não faça rascunhos, não viva de esboços
Talvez não haja tempo para passar a limpo…

Alda M S Santos

Ventania

VENTANIA

Posso ser uma brisa suave, um ventinho
Aquele que acalma o calor, parece carinho
Mas posso ser forte ventania
Que chega sem aviso, causa certa agonia
E pode tirar tudo do seu lugar
Fazer bagunça, sem saber como arrumar
Posso ser o ventinho que traz paz e amor
Que acalenta, aconchega, sem pudor
Outras vezes sou tornado, pareço tudo destruir
Dando oportunidade para recomeçar, reconstruir
Vento, ventinho, brisa, furacão, tempestade
Sou democrática, não escolho gênero ou idade
Venho de todos os lados, qualquer canto
Quero mesmo é te fortalecer, enxugar seu pranto
Fazer sorrir, crescer, feliz sentir, evoluir
Sabedora que por aqui é mais uma estrada a seguir
Que te levará de volta para casa, ao ninho
Sou a vida que te faz ser o que é, ser seu próprio caminho

Alda M S Santos

Pau que nasce torto

PAU QUE NASCE TORTO

“Pau que nasce torto, morre torto”
Será que dá pra crer em algo tão radical
Acreditar que somos assim tão imutáveis
Que não é possível ajeitar um mal?
Não seria isso descartar a capacidade de mudança
Afastar toda e qualquer esperança
Que estamos por aqui para evoluir
Crescer, aprender, melhorar em cada ato?
Quero crer que o que há de fato
São pessoas aprendizes e em constante evolução
Aqui vamos errando, acertando, mudando a cada emoção
Torcendo esse pau, ajeitando e buscando o céu
Pau que nasce torto só permanece torto se quiser
Na vida tudo é possível a quem tem fé!

Alda M S Santos

Solidão

SOLIDÃO

Não dá pra viver bem sozinho
Sempre iremos querer alguém
Que preencha bem nosso ninho
Que nos cuide com atenção e carinho

Não dá pra viver na solidão
Ela pode até fazer bem para reflexão
Mas não pode durar muito, não
Precisamos de alguém que ocupe o coração

Forte ou frágil não faz diferença
Todo ser humano precisa de gente
Que o faça melhor, menos carente

O corpo pede, a mente solicita
O olhar implora, o coração grita
Um abraço é tudo que precisamos

Alda M S Santos

Pra caminhar

PRA CAMINHAR

Preciso de um céu azul e ensolarado
Ou de uma chuvinha fina e refrescante
O tempo nem tanto importa nessa andança
Pra caminhar preciso fé e esperança

Preciso de um bom motivo
De um estímulo, um objetivo
Posso ir descalça, despida
Pra caminhar preciso estar de amor vestida

Preciso de companhia para seguir
De alguém que goste de comigo estar
Não é bom na vida sozinha caminhar

Pra caminhar preciso de um amor
Por alguém, pela vida, pela natureza
Assim que se vence tristeza e dissabor

Alda M S Santos

Por aí

POR AÍ
Caminhando em busca de algo que ative o coração
Perdida, a esmo, por aí, até chegar aqui, sentir
Estacionando em mim mesma, acionando a emoção
Encontrando o que é preciso para a vida poder fluir
Olho lá fora,  olho bem longe, além do horizonte
Mas sei bem que não é lá que está
Aquilo que necessito para continuar
É em mim, nos meus recônditos mais secretos
Nas emoções e sentimentos mais profundos
Que estará a razão de meu existir, de meu mundo
Inspiro, expiro, me entrego suavemente
A essa vida que corre lá fora tão rapidamente
Sabedora que o que há aqui dentro
Só eu tenho controle, sou o meu pensamento
E farei dele o melhor, quero gerar contentamento
Minha vida sou eu que faço, não quero mais sofrimento
Quero minhas saudades, meu passado, meu presente, meu futuro
Mas só quero manter na vida as pontes, derrubo o que for muro

Alda M S Santos

Para quê?

PARA QUÊ?

Sem quê e nem para quê
Tantas vezes vivemos sem saber
A que viemos, fazer o quê?
São muitas as questões para responder

Se mergulharmos fundo em nós
Aquietarmos para desfazer os nós
Será que encontraremos as respostas
Para tanta coisa que nos é imposta?

Sei que o que preciso deve estar comigo
É bom que algo externo acione, sem perigo
E que isso não seja de modo algum um castigo

Talvez seja essa a causa e o porquê
De virmos nessa viagem para esclarecer
Quem somos, que buscamos, por quem e para quê fazer?

Alda M S Santos

Imperfeita

IMPERFEITA

Ela é assim, imperfeita
Interessante, atraente, convidativa
Ora boa, outras nem tanto
Mas com fé a gente se ajeita

Ela é assim, imperfeita
Bela, cinzenta ou colorida, engraçada
Faça rir ou faça chorar
Ninguém nunca a rejeita

Ela é assim, imperfeita
Inteira ou faltando pedaços
Repleta de amores e desamores
E de coragem que a gente respeita

Ela é assim, imperfeita
Nem sempre como almejamos
Mas é a vida que a gente não enjeita
E a amamos mesmo assim:
Imperfeita!

Alda M S Santos

Não me cabe

NÃO ME CABE

Nessa caixa não me cabe
Não é que eu não seja flexível
É que ela tende a me moldar
Colocar num padrão que me machuca
E que não vai me agradar

Nessa caixa não me cabe
Dobra daqui, dobra dali
Tira um pedaço desse lado
Aperta o outro, transfere de lugar
Até eu não mais me identificar

Nessa caixa não me cabe
E mesmo se coubesse eu não gostaria
É que prezo a liberdade de ser o que sou
Colocar-me ali me mataria

Nessa caixa não me cabe
Não sou boneca para viver em caixa, preciso de ar
Prefiro jardim, mata, rio, mar ou cachoeira
E assim quero viver a vida inteira…

Alda M S Santos

Mais abençoada

MAIS ABENÇOADA

Não dá para saber ao certo em tempos de grande tribulação
Se a vida vale mais ou menos em meio a tanta confusão
Ela se perde tão facilmente e por quase nada
Nem sempre sentimos que está abençoada

A emoção é sacudida, muito balançada
Pela dor, pela angústia, pela saudade, por quase nada
O coração precisa aconchego, o corpo pede abrigo
Somos gregários, precisamos de amigos

O risco tão eminente da perda a faz mais valorizada
Busquemos um momento de reflexão e introspecção
Para encontrar a paz em nós, na oração

Urge manter a alma elevada, a saúde preservada
Acreditar que juntos somos mais fortes
Sendo firmes na fé, sem perder nosso norte…

Alda M S Santos

Linhas tortas

LINHAS TORTAS

“Deus escreve certo por linhas tortas”
Será algo sem saída, fechamento de portas
Ou um novo caminho que se descortina
Abrindo nossa visão, iluminando nossa retina?

As linhas são tortas ou nossa visão é deturpada
Será que há à frente uma estrada encantada e iluminada
Em belas e longas curvas delineada, disfarçada
E a gente só enxerga escuridão, encruzilhada?

Quero transformar as linhas tortas do meu papel
Em belas gaivotas a namorar sob meu pincel
E acreditar que posso desenhar de novo nesse céu

Quero que as linhas tortas, curvas ou retas
Sejam para mim a maneira mais bela e certa
De me encontrar no amor nessa vida tão incerta

Alda M S Santos

Simplesmente, viaja

SIMPLESMENTE, VIAJA…
Da janela, na janela, para o mundo
Simplesmente, viaja…
Ora em grandes navios no vasto oceano ou em barquinhos de pescadores
Ora em aviões bimotores, supersônicos ou teco-tecos
Simplesmente, viaja…
Ora em foguetes para o espaço sideral ou fugindo no calor do deserto
Ora caminha em florestas densas e fechadas ou deitada na relva sob o luar
Simplesmente, viaja…
Nas páginas de um livro, romance, poemas
Sozinha ou acompanhada, lutando ou desanimada, feliz ou nem tanto
Nas asas da imaginação, da memória
Nos capítulos felizes ou infelizes do passado
Ou nos capítulos sonhados para o futuro
Simplesmente, viaja…
Num mundo criado pelos outros, para os outros, ela se inclui
Sente-se parte, faz parte, mergulha
Vive, revive, imagina-se…
E cria, assim, sua própria viagem…
Simplesmente, vive…
Alda M S Santos

Plantando ventos

PLANTANDO VENTOS

Dito popular: quem planta vento colhe tempestade
Será mesmo assim na realidade
E se semear uma brisa, um ventinho
Será que vou colher frescor, um carinho?

Se planto egoísmo, desânimo, tristeza
Certo que na colheita não haverá muita beleza
Mas se planto uma ventania de afeto e calor
Ah, quero colher um tornado de amor!

Não há dúvida que estamos sempre plantando
Todo o tempo, até sem saber, semeando
Passado, presente e futuro se encontrando

Quero plantar só bondade, beleza e amor
Mas se em minha imperfeição, impossível for
Posso pedir para replantar, por favor?

Alda M S Santos

Pedido de licença

PEDIDO DE LICENÇA

Quero pedir licença para poder passar
Com meu jeito emotivo de me apresentar
Ora sorrindo, chorando, me emocionando
Mas sabendo que errando ou acertando
Sou aprendiz, sigo evoluindo, não me envergonhando
Quero pedir licença por tantas vezes me entristecer
Querer desistir, fugir, quase esmorecer
Quero pedir licença a esse mundo
Que tantas vezes parece tão cruel
Dizer a ele que apesar do fel
Prefiro me concentrar no mel
Quero pedir licença aos amigos e inimigos
Que foram e são para mim lição e abrigo
Mas, sobretudo, a todos agradecer
Por me fazerem racional e emocionalmente crescer
Quero pedir licença à mãe natureza
Que é minha irrigação maior de força e beleza
Quero pedir licença ao que vem do alto, a Deus
Mas sobretudo agradecer, por não deixar os filhos seus
Quero pedir licença apenas para continuar meu viver…

Alda M S Santos

Encontro marcado

ENCONTRO MARCADO

Temos por aqui um encontro marcado
Desde sempre tentamos fazê-lo afinado
Sem fugir, correr ou deixar de lado
O ideal é querer, buscar, ser seu aliado

Um encontro especial que se faça presente
Que seja verdadeiro, forte na vida da gente
Que se faça importante, caliente, envolvente
Que nunca nos deixe na solidão, alma carente

Nessa travessia é preciso saber aproveitar
À nossa revelia, o tempo segue sem cessar
Queremos com o amor poder encontrar

Não importa se é através do outro que ele vem
Certo que é um encontro de amor que convém
Mas, o ideal,  que seja o amor-próprio também

Alda M S Santos

Autores

AUTORES
Autores o tempo todo
Escrevendo uma história original
Não importa tanto a capa
Sequer a página inicial
O que vale mesmo nessa obra
Que escrevemos até sem perceber
É a audácia e delícia de viver
Cujo fechar de olhos é que determina o final
Num momento que não sabemos quando vai ser
Páginas em branco recebemos
Com a tarefa de ali algo belo registrar
Não importa o estilo textual
Sequer a linguagem ou idioma
Independente do número de páginas, personagens
É pessoal!
Se sua história fosse um livro
Você ousaria indicar?
Teria prazer em (re)ler?
Se virasse filme assistiria com seus pais, filhos?
Ao final, tudo que fica é nossa história
Não precisa ser um best seller
Basta que seja uma bela história!
Caprichemos!
Alda M S Santos

Gente de verdade

GENTE DE VERDADE

Gosto de delicadeza, que chega devagarinho
Suavidade, beleza, tudo com jeitinho
Não gosto de nada explícito, prefiro insinuado
Que tem intensidade, mas sabe ser valorizado

Gosto do Sol despontando suavemente na serra
Ou a Lua que no céu sua beleza encerra
Gosto do amor que nos abraça forte
Que nos faz encontrar nosso norte

Gosto de gente que é de verdade
Nada de santos, prefiro autenticidade
Gente que cresce com as falhas, sem falsidade

Gosto de quem demonstra o amor
De romantismo, aconchego, perfume da flor
De quem sabe ser colo, carinho, cobertor

Alda M S Santos

Que seja o bem

QUE SEJA O BEM
Se for para se esforçar
Que seja com o peso do bem
Se for para sorrir ou chorar
Que seja por motivos do bem
Se for para se apaixonar
Que seja pela graciosidade do bem
Se for para se perder ou se encantar
Que seja pelos caminhos do bem
Se for para se encontrar
Que seja nos recantos do bem
Se for para repousar
Que seja no colo do bem
Se for para copiar
Que seja o que dá certo no bem
Se for para confiar
Que seja naqueles que propagam o bem
Se for para amar
Que seja para transformar em nós o mal em bem…
Alda M S Santos

Era uma vez…

ERA UMA VEZ…

Era uma vez…
Um alguém que confiava em todos os alguéns
Acreditava nas palavras belas, nos sorrisos
No que trazia, no modo de ver a vida, de fazer poesia
Não enxergava as sombras, as energias ruins
Vivia no bem, via o bem, atraía-se pelo belo

Era uma vez…
Uma menina ingênua, ela sempre foi assim,
Alegre, sorridente, encantada e encantável
Chegavam trazendo o afeto, a amizade
Um estender de mão que parecia realidade
Sonhos doces a alimentar sua vaidade
Até tudo desmoronar com a cruel verdade:
Não é todo alguém que merece sua lealdade!

Era uma vez…
Um alguém que tenta se corrigir
Quer não mais confiar, só seguir
Apagar os sonhos, ficar só com a realidade
Abrir bem os olhos, afastar toda maldade
Ativar o botão de alerta, ser severidade
Será que conseguiria não ter mais docilidade?

Era uma vez…
Um alguém que tenta seguir
Sem perder a fé no ser humano, no existir
Que quer não se enganar pelas aparências
Mas não quer perder a luz, sua boa influência
De uma alma que confia e mantém sua essência

Era uma vez…

Alda M S Santos
Tarde de Poesias: ERA UMA VEZ

À caneta

À CANETA

A vida é vivida e registrada à caneta
Não dá para apagar as falsetas
Sem que fiquem marcas impressas
Desmanchar sem cuidado, com pressa
Faz buracos, rasga, danifica o papel
Se já está escrito e não é mais bonito
Vire a página, mude o capítulo, o livro
Bom mesmo é se munir de tinta e pincel
E pintar novamente por cima um novo céu
Com asas, anjos e arcanjos em festa
Voando, bailando, amando, flutuando
E em luz as trevas transformando
Nas novas cores, novos perfumes, novas flores
Mais vida, mais verdade, mais amores
Decepções enterradas, lições aprendidas
E um novo céu de estrelas salpicadas
Seguiremos de alma clara e lavada
À caneta a vida é registrada, tatuada
E sempre vale à pena, é abençoada

Alda M S Santos

Perto de você

PERTO DE VOCÊ

Perto de você eu não tenho medo
Nas situações difíceis não faço segredo
Peço sua presença todo o tempo
Com você enfrento qualquer contratempo

Você me aceita, me acolhe, me ampara
Afasta o negativo, do mal me separa
Me corrige, me dá colo, me anima
Sou mulher, sou terna, sou sua menina

Não tenho medo se tiver você
Longe ou perto, pode parecer clichê
Sinto sua proteção, seu amor, seu porquê

Você está comigo no sol, no céu, na lua
Em cada anjo que me manda, te sinto, sou tua
Com valentia, a ti me apresento de alma nua

Alda M S Santos
XLI Encontro Pôr Do Sol
Tema:” Não Tenho Medo Perto De Você

Sinto, logo…

SINTO, LOGO…

Sinto tanto, sinto muito, sinto com força
Dor, tristeza, mágoa, decepção

Sinto, logo…sofro!

Sinto tanto, de todas as formas e grandezas
Vontades, desejos, saudades, lembranças

Sinto, logo…espero!

Sinto tanto sem querer, por querer, quase desisto
Descrença, desânimo, desalento, descaso

Sinto, logo…resisto! Choro, sorrio…

Sinto tanto a qualquer hora, a qualquer tempo, a todo tempo
Cheiro de flor, cheiro de amor, de encanto, de alegria e fé

Sinto, logo…vivo!

Alda M S Santos

Deixe o vento levar

DEIXE O VENTO LEVAR
Se está difícil fique contra o vento
Sem medos ou anseios
Abra os braços, a alma, sem lamento
Deixe o vento levar…
Feche os olhos, deixe-se tocar
Arrepiar, arrancar todo o tormento
Não segure nada que machuca ou angustia
Deixe o vento levar…
Forte ou frágil, seja resistente, sem ressentimento
Se só traz dor ou impede seu crescimento
Deixe o vento levar…
Inspire fundo, expire, libere todo o sentimento
O que for bom retornará para ti
Sem prejuízos ou arrependimento
Deixe o vento levar…
O que ficar vale uma vida, ainda que por breve momento…
Alda M S Santos

Eu gosto

EU GOSTO

Gosto de quem acredita que vale a pena
Não é superior, nivela, mantém a alma serena
Que sabe ser aconchego, acolhimento
Não desvaloriza dor, não desfaz do sofrimento

Gosto de quem sabe ser afeto, ser calor
Demonstra isso em atos e palavras com ardor
Esse mundo anda tão sem sentido, doloroso
Urge ser colo, ser abraço, ser amoroso

Gosto de quem sabe gostar, não machucar
Sabe compreender, ajudar, sem julgar
Gosto de gente que sabe ser gente, mesmo ao errar

Gosto de aprender com nossa humanidade
A cada passo ou descompasso ser verdade
Gratidão, liberdade, lealdade e simplicidade

Alda M S Santos

Espaços em branco

ESPAÇOS EM BRANCO
Ninguém precisa ter todos os espaços preenchidos
Ninguém precisa preencher “falhas” dos outros
Ou ter todos os seus “quadros” pintados
Precisamos de telas em branco
Para fazermos dia a dia nossa obra de arte
Todos nós necessitamos desse espaço livre dentro de nós
Para que haja oxigenação, livre transitar
Para que a imaginação cresça, o amor floresça
Para que a luz penetre, aqueça
Para que não soframos de excessos
Para que encontremos aquilo que procuramos
Para podermos acolher o que nos fizer crescer
Para que as emoções possam livremente se expressar
Para que não se crie bolor por falta de uso
Tampouco grandes feridas por fricção e uso inadequado
Para que quando voltarmos para casa
Tenhamos usufruído de todas as nossas possibilidades…
Alda M S Santos

As pedras do caminho

AS PEDRAS DO CAMINHO

Pedras de todos os tipos, cores e tamanhos Tantas vezes elas parecem pesar demais
Particularmente quando as carregamos sozinhos
Ou quando nelas tropeçamos no caminho
Algumas ignoramos, fingimos não ver
Que muito nos machucou, nos fez sofrer
Outras lançamos longe, queremos distância
E há ainda as que grudam em nossos sapatos
Essas precisamos partilhar, isso é fato
Não é tão fácil juntar e fazer delas um castelo
Como diz o poeta em seu poema tão belo
Pedras de estimação só aquelas nas quais podemos subir
Sentar e de lá de cima ver melhor o caminho a seguir
E é bom dividir com quem nos tem amor
Cada qual ajuda com uma parte, diminuiu o terror
Assim, uma pedra deixa de ferir tanto
Quando encontramos onde sorrir e acalmar nosso pranto

Alda M S Santos 

Uns e outros

UNS E OUTROS
Há quem prefira encurtar caminhos
Outros optam por alongar-se nas distâncias
Há quem prefira devorar um biscoito
Outros o degustam saboreando pedacinho a pedacinho
Há quem prefira tomar e levar
Outros preferem conquistar e serem levados
Há quem prefira ganhar no grito
Outros gostam da suavidade encantadora de um sorriso
Há quem alce voos longínquos e inimagináveis
Outros preferem manter-se perto, não se afastar dos demais
Há quem prefira viver na segurança dos nados na superfície
Outros mergulham em busca de encantos escondidos
Há quem prefira ter fama, sucesso e veneração alheias
Outros contentam-se em não perder a própria admiração
Há uns e outros…
Todos lutando por um espaço!
Alda M S Santos

Em equilíbrio

EM EQUILÍBRIO

Ser feliz é estar em paz
É em equilíbrio saber manter
Tudo aquilo que nos satisfaz
Que nos permite de todo o mal desfazer

Para cada dor ou dissabor
Equilibrar com fé e muito amor
Para cada desconfiança ou decepção
Oferecer esperança e um novo coração

A vida é um grande self-service
Estaremos mais saudáveis e bem cuidados
Se montarmos um prato nutritivo e equilibrado

Mas o amor, esse não tem medida
Gera equilíbrio em qualquer quantidade
Faz a liga de corpo e alma em qualquer idade

Alda M S Santos

Pontes

PONTES
Há pontes que nos levam
Outras nos trazem de volta
Tão bom ir, desbravar
Conhecer, buscar, se inteirar
Descobrir mundos e pessoas
Amar, aprender, ensinar, saberes trocar
Mesmo que nos causem medo transitar
Mas bom mesmo é aquela ponte
Que pegamos para voltar
E é só nossa essa travessia
Esse delicioso, por vezes, doloroso caminhar
Quase sempre cansativo retornar
Pontes que nós mesmos (des)construímos
Não ficam prontas a nos esperar
Mas que são erguidas com maestria
Quando impera o desejo de regressar
E descobrir, finalmente, que ali é nosso lugar…
Alda M S Santos

A casa só para nós

A CASA SÓ PARA NÓS
A casa tão pequena antes
Para tanto barulho e bagunça
Hoje parece grande e silenciosa
Vocês não estão aqui a correr
A disputar nossa atenção, nosso colo
A cair pelos cantos, a pedir “brinca comigo”
Queríamos tanto um espaço para nós
Que só vinha tarde da noite
Quando o sono já nos derrubava
Hoje a casa é toda para nós
Não há brinquedos pelo chão
Não há riscos na parede
Tudo arrumadinho e organizado
Não há risadas altas, choros dengosos
O cobertor não está no sofá da sala
A TV nos desenhos animados e vídeo-game
Os primos não vêm dormir juntos e fazer bagunça
Cadernos e livros não estão sobre a mesa
Aguardando a lição ser feita
Temos a sala, os quartos, cozinha, banheiros e quintal só para nós
Hoje essa casa que é toda para nós
Parece estranha aos nossos olhos saudosos
Podemos dormir, tomar banho, namorar quando quisermos
Sem sermos interrompidos por um pedido qualquer
Não precisamos sair correndo a levá-los para a escola
Para o futebol, o inglês a informática
Podemos dormir a noite toda
Vocês não vêm se infiltrar entre nós na cama
Fugindo dos pesadelos que curávamos com beijinho
Entregamos o cuidado de vocês a Deus
Cuja proteção está em toda parte
Já não saímos mais os quatro juntos para tudo
Hoje temos a casa toda para nós
Vocês estão buscando o mundo que tanto ensinamos
Com sabedoria, amor, bondade e responsabilidade
Estamos imensamente felizes e gratos a Ele
Peito inflado de amor e orgulho
Casa vazia, só para nós…
Agora o que queremos é um tempo só com vocês
A casa cheia de vocês…
Felizes ficamos quando vocês a preenchem novamente
Hoje somos nós que pedimos
“Brinca comigo”?
Mas sabemos que “nós quatro” sempre estaremos juntos
Ainda que em espaços, casas ou momentos diferentes
Casa feliz é casa cheia de amor
De gente que compartilha as dores e alegrias do viver…
Alda M S Santos- uma mãe

TOMBOS

TOMBOS

Qual o tombo mais alto, que mais machuca
Aquele que se cai de cima de uma árvore
Dos galhos verdes da esperança
Ou dos desejos de pujança?

O que se perde a classe, sai do salto
O que cai das expectativas de felicidade
Ou o que despenca da magia dos sonhos
E cai forte na cruel realidade?

Qual tombo machuca mais?
O que fere o corpo, causa fraturas
Ou o que faz sangrar o coração
Sem esperança de qualquer cura?

Qual tombo machuca mais?
A queda da razão ou da emoção?
A tristeza da desconfiança ou da decepção?
Qual ferida que não cura, não há cicatrização?

Qual?

Alda M S Santos

Desapego

DESAPEGO

Deixar para lá, essa é a nova ordem, desapegar
Não insistir no que só faz machucar
No que te afasta de si, te deixa sem lugar
Ou que tira o foco, faz nublar, faz chorar

Desapegar com consciência
Ter a alma livre, sem dependência
Somos feitos de mente e coração
Equilibrar é bom, não faz mal não

Busquemos assim o desapego
Mas não vale trocar um por outro apego
É preciso algo que traga paz e sossego

A vida pede carinho, busque arrego
Ainda que venha de si mesmo
Amar-se é por aqui um bom emprego

Alda M S Santos

Segue a rota

SEGUE A ROTA

Tantas vezes queremos deixar a vida escolher a rota, fazer o arco
Vontade de fechar os olhos, entrar no barco
Optar cansa, frustra, traz pesos e responsabilidades
Desejo de aguardar o que vier, entregar-me às novidades

Tipo o “deixa a vida me levar”, não quero optar
Quero brincar, passear, surtar, viajar, amar
Sem ter medo de não dar tempo ou do sonho acabar
Quero momentos lindos poder eternizar

Pode ser apenas um desejo de paz
Mesmo quando parecer coisa de gente maluca
Ou que tem preguiça, que não quer esquentar a cuca

Nesses momentos em que a vontade é de a vida entregar
Que sejamos raptados pelo amor, pelo bem
Que faça para nós aquilo que é certo, que convém

Alda M S Santos

Adeus

ADEUS

Tchau, até mais, bye, não quero dizer adeus
A Deus quero entregar os sonhos meus
Que Ele cuide bem de minha emoção
E nao deixe ir a alegria em meu coração

Não vou deixar ir embora
Se o abraço ainda se enlaça, se demora
Se o beijo ainda desperta tentações
Se lembranças são motivo de boas sensações

Não vou dizer adeus ao que a vida traz de bom
Que me faz dançar, cantar em alto e bom som
E amar em qualquer situação, em belo tom

Adeus, não, a Deus, sim
Ele sabe de tudo que se passa em mim
E me cuida como delicada flor de um jardim

Alda M S Santos

Escuridão (Dueto Brasil e Angola)

ESCURIDÃO ( Dueto Brasil e Angola)

Eu me assusto e temo a escuridão
Ela faz ver o que assombra o coração
E esconde o que seria bonito para a emoção
Busco a luz para iluminar esse mundão

Busco eu aquelas estrelas
Para iluminar esse escuro,
Para haver um bom futuro
Para esse mundão ter uma boa explicação!

Quando me assusto com a escuridão
Fecho os olhos para o todo, busco a solidão
Assim vejo melhor meu interior
E de lá trago a luz para todo o exterior

Sim! Levo comigo aquela lanterna
Que brilha de forma eterna Eu não vou desistir , vou
persistir até conseguir
Vencer essa escuridão que aterroriza o meu coração

Alda M S Santos & Pe Dro

Para ver melhor

PARA VER MELHOR

Está escuro e cinzento lá fora
Em pequenas gotas o mundo chora
Insistente desagua, sem demora
Parece não se preocupar com a hora

Tons de cinza de outras cores apagam nuances
Mexe com nosso interior, questiona alguns lances
Que há no cinza lá fora, no exterior
Que insiste em também acinzentar o interior?

Caminho por minhas trilhas internas
Umas já conhecidas, desbravadas
Outras ainda virgens a serem desvendadas

Fecho os olhos para ver bem e melhor
A pele arrepia, sinto a energia, a poesia
E mergulho em mim mesma, sonhos de magia

Alda M S Santos

Lapidação

LAPIDAÇÃO
O que somos, aquilo que nos tornamos
Vem sendo em nós lapidado ao longo do tempo
A cada momento diferente do viver
Uma camada nos é acrescentada
Ou, diferentemente, uma nos é retirada
Nosso ser é uma joia que vem sendo lapidada
Vamos sofrendo polimentos a cada amargura ou decepção
A cada medo, perda ou frustração
A cada confiança quebrada ou partida
A cada tristeza profunda sofrida
A cada caminhar ou estrada pelo outro interrompida
Nossa cerâmica abre trincas, fendas, fragiliza
Nossa alma sofre, chora, parece ruir
Mas a cada amor ou amizade que se vive
A cerâmica brilha, a alma se alegra
Se reconstrói, se refaz, fica mais bela
Nova camada polida e brilhante aparece
Mesmo que ainda possa doer ou amargar
Ela enfrenta novamente o viver
Mais experiente, mais forte, nem sempre mais feliz
Mas mais preparada para sofrer menos danos
No próximo polimento, na próxima lapidação
Viver é parecer inteiro, é construir laços
A despeito da alma ainda estar em pedaços
Alda M S Santos

Ferida

FERIDA
Aquela ferida que todos carregamos
Causada por um machucado doloroso
Relíquia de um tombo inesquecível
De bicicleta, da escada, do galho de uma árvore
De um sonho, do alto de uma esperança, de uma ilusão
Escorregando de um colo ou despencando de um coração qualquer
Ferida que está disfarçada, coberta por uma cicatriz
Para não chamar a atenção dos curiosos
Para não assustar os mais sensíveis
Para que se evite cutucar
Para que não sangre tudo outra vez
Para que cure, se cure, se cuide
Cicatrizes servem para nos lembrar que sobrevivemos
E que saudade é a bonita cicatriz da vida que doeu, sangrou
Que nos ensinou pela alegria e pela dor
Que ela pode ser bela
Mesmo com nossos machucados…
Alda M S Santos

Há luz no fim do túnel?

HÁ LUZ NO FIM DO TÚNEL?

Pode até haver uma luz no fim do túnel
Mas não quero dela depender
Não sei nem se chegarei até lá
Ou o que pode no caminho acontecer

Pode até haver uma luz no fim do túnel
Mas enquanto por aqui estiver enevoado
Prefiro ativar em mim algo abençoado
Para guiar meus passos, serem iluminados

Pode até haver luz no fim do túnel
Mas prefiro acender a luz que há em mim
Em algum lugarzinho bonito ela está sim

Pode até haver luz no fim do túnel
Mas confio em mim, nos abraços seus
Sei que essa luz não me abandona, vem de Deus

Alda M S Santos

Como confiar?

COMO CONFIAR?

Como confiar num mundo em que o Merthiolate não arde
Nas delícias da Coca-cola que desentopem sanitários
Nas sandálias Havaianas que arrebentam as tiras tão facilmente
No leite que não vira coalhada depois de três dias fora da geladeira
No Bombril que não tem mais mil e uma utilidades?

Como confiar?

Como confiar numa justiça com tantos pesos e medidas
Na palavra dada que de nada vale se não for documentada
Nos amores que não duram até que a morte os separe
Nas brigas entre rosas e cravos em que ambos não saiam despedaçados
Num “te amo para sempre” apenas se você me amar?

Como confiar?

Como confiar nas compatibilidades de gêneros, ao invés das incompatibilidades de gênios
Que “primeiro as damas” é coisa de feminismo ou machismo
Que ter um quintal sem muro é apenas utopia de Roberto Carlos?

Como confiar?

Nas crianças que dançam  “quadradinho” até o chão e não mais “Atiram o pau no gato”
Nos olhares dos pais que não são entendidos como alertas de perigo
Nos adultos isolados da infância e da velhice como seres inatingíveis?

Como confiar?

Como confiar na fé que se professa e não se vive
No ouro que não “compra” terreno no céu
Nos “homens de Deus” que têm doenças mundanas
Na felicidade encontrada apenas nas conquistas profanas?

Como confiar?

Nas amizades que, monetariamente, calculam perdas e ganhos
Na saudade que não dói, no machucado que não sangra
No abraço que não acalma, na família que não se enlaça
No beijinho que não cura qualquer mal?

Como confiar num mundo tão confuso, hipócrita e perdido?

Alda M S Santos

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