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poemas e reflexões da vida cotidiana

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Sentimentos

Reflexo

REFLEXO

Somos reflexo daquilo que vivemos

Das vitórias alcançadas, das batalhas travadas

Das negações recebidas, das derrotas sofridas

Das pessoas que nos cercam

Do amor que conosco compartilham

Sofremos influências do meio todo o tempo

Positivas ou negativas

Mas não precisamos ser esponjas

Não devemos absorver tudo que se apresentar

Podemos repelir o que fizer mal

Tentar ser mais ímã, atrair mais o que nos é afim

Quem olha para nós enxerga apenas parte do que refletimos

A outra parte fica muitas vezes camuflada pelo que ela é ou sente

Por isso o que somos verdadeiramente nunca é visto totalmente

O brilho nos olhos, o sorriso espontâneo

O carinho que se doa, a autenticidade,

Muitas vezes não passa no filtro “carregado” do outro…

Vamos refletir mais amor

Ele atravessa qualquer filtro!

Alda M S Santos

Intimidade

INTIMIDADE

Intimidade é aquela relação prazerosa que cultivamos

Com quem nos é especial

Onde tudo podemos dizer, fazer, trocar

Sem nos envergonhar e, com isso, aliviar todo mal

Quem tem boas relações de amor, de amizade

Quase nunca é acometido pela solidão

Encontra nessa pessoa a disponibilidade

E a intimidade que complementa toda boa relação

A intimidade pede reciprocidade

Confiança que se abastece na troca, conexão

Nudez em sua totalidade

Intimidade não só de corpos, mais conhecida como paixão,

Mas intimidade de mente, sintonia

Principalmente, intimidade de almas, magia…

Uma boa intimidade de almas nunca se acaba

Vai além da vida…

Alda M S Santos

Dona do meu destino

DONA DO MEU DESTINO

Sou assim meio louca, imperfeita

Já desisti de tentar a todo custo ser aceita

Quero apenas não decepcionar a mim mesma

Sem desatino, ser a dona do meu destino

Sou assim meio inquieta, mais coração, menos razão

Tentando ser um pouco menos emoção

Buscando em tudo a magia do existir

Querendo nada da vida prender, deixar fluir

Sou a que quer sempre mais atividade

Mas que se contenta na singela e rica simplicidade

A que sonha voar alto, puro encanto

Mas que se realiza na magia de um doce encontro…

Por aqui vou tentando não viver de favor

Não ser clandestina, inquilina

Apenas buscando ser a dona do meu destino…

Alda M S Santos

Invernos íntimos

INVERNOS ÍNTIMOS

Gosto de chuva, de dias nublados, de inverno

Neles dá para notar melhor quem tem luz própria

Dá para melhor sentir o calor dos humanos

Não dá para se esconder atrás da luz ou calor do Sol

Não dá para fingir que tudo está bem

Não dá para deles tomar energia por empréstimo

Não que seja errado se energizar no Sol

Na claridade de um dia de verão

Pelo contrário, a natureza está aí para isso

Mas ela apenas complementa nossa essência

O que somos verdadeiramente não se perde num dia chuvoso

Não se esfria num dia de inverno

Não fica cinzento porque amanheceu nublado

Nosso sol e calor internos precisam brilhar e aquecer

Ainda, ou principalmente, quando lá fora estiver frio e chuvoso

É assim que superamos nossos invernos íntimos

Assim que clareamos nossas emoções nubladas

Assim que aquecemos nossa alma quando o coração esfria de dor ou saudade

Assim que lavamos nosso interior, mesmo com lágrimas

Assim que sobrevivemos ao tempo de hibernação…

Alda M S Santos

De pele ou de alma?

DE PELE OU DE ALMA?

Uns são música, outros são apenas barulho

Uns são preciosidades, outros são entulho

Uns são mente, outros são emoção

Uns são coração, outros são perdição

Uns são frescor, outros são terror

Uns são atalho, outros são abismo

Uns são realidade, outros são fantasia

Uns são saudade, outros são nostalgia

Uns são luz, outros são escuridão

Uns são amanhecer, outros são entardecer

Uns são poesia, outros são melodia

Uns são sonho, outros pura magia…

Uns são sede, outros são oásis

Uns são paixão, outros são solidão

Uns são de pele, outros são de alma

Uns são ternos, outros são eternos…

O que o outro é para nós

Ou o que somos para o outro

Sempre será uma relação dual

De ser e de permitir-se ser especial…

Alda M S Santos

Prontos para dizer adeus?

PRONTOS PARA DIZER ADEUS?

Um bom dia rotineiro ao amanhecer

A conversa trivial no café da manhã

O beijo de “vá com Deus” nos filhos

O banho rápido, o perfume, o vestido rodado, preferido

O ônibus lotado, o sinal fechado

O sorriso dado a um funcionário gentil

A impaciência na fila do banco

A discussão infrutífera com o chefe

Um dia cansativo no trabalho

O happy-hour adiado

Aquele abraço não valorizado

Um olhar de admiração ignorado

O amor que se fez ao adormecer…

E se tudo isso fosse pela última vez?

Se tudo fosse despedida?

Se não mais pudesse ser vivido?

Faria alguma diferença para você?

Se fosse possível rebobinar, faria algo diferente?

Certamente estaríamos mais atentos aos detalhes

O abraço seria demorado, o sorriso mais valorizado

O carinho estendido, a impaciência eliminada

Daríamos valor ao que realmente tem valor!

Lutaríamos pelo que queremos

Não desejaríamos o que não pode ser nosso

Aceitaríamos as pessoas como elas são…

Mas sempre estamos nos despedindo!

Por não saber o que nos aguarda no segundo seguinte

E também porque o momento nunca se repete

A situação sempre será diferente, não há reprises

Valorizemos cada segundo como se fosse o último

Sem demagogia, ele não volta mais!

Estamos sempre nos despedindo…

Prontos para dizer adeus?

Alda M S Santos

Onde carregas?

ONDE CARREGAS?

Onde carregas o que amas?

No pulso a contar o tempo

A te enternecer todo o momento?

Na carteira bem guardado

Onde proteges o valorizado?

Onde carregas o que amas?

Naquela imagem no celular estampada

Num cartão na página do livro marcada

Na camiseta em coração silkada

Ou numa declaração no corpo tatuada?

Onde carregas o que amas?

Na pele tal qual fragrâncias impregnadas

Na mente em muitas memórias ativadas

No coração em todos os espaços demarcados

Na alma, enfim, o amor eternizado…

Onde carregas o que amas?

Alda M S Santos

A chave

A CHAVE

Uma porta, uma fechadura, uma chave

Inseriu, girou, abriu

Nem sempre é assim tão simples

Pode estar emperrada como nunca se viu…

Às vezes a chave não é aquela

A fechadura está enferrujada

Ou talvez te falte o jeitinho

Para enfrentar essa parada

Outras vezes a porta não está à vista

Exigirá muito tato e habilidade

A chave não é tão concreta

Mas feita de carinho e intimidade

Não há portas intransponíveis

Tampouco fechaduras invioláveis

O que nos falta é perícia e perseverança

Para torná-las acessíveis, maleáveis

Se a força bruta não adiantou

A chave também não serviu

Não adiantará de nada arrombar

Use o amor, seja doce, seja gentil

E pela porta poderá entrar e ficar…

Alda M S Santos

Fazemos parte daqueles que amamos

FAZEMOS PARTE DAQUELES QUE AMAMOS

Fazemos parte de um jardim que plantamos, cuidamos

Fazemos parte da casa onde moramos, cada marca na parede, cada móvel

Fazemos parte da escola que frequentamos, da quadra de esportes, da biblioteca

Fazemos parte da igreja onde oramos, trabalhamos

Fazemos parte de cada espaço onde dia após dia deixamos um pouco de nós

Há ali nossas marcas, nosso trabalho, nossa energia

Mas, principalmente, fazemos parte das pessoas com as quais convivemos

Com aquelas com as quais trocamos laços de afeto, carinho, companheirismo

Amizade, cumplicidade, confidências, amor

Quanto maior a troca entre elas, mais serão parte uma da outra

Como com aquelas pessoas com as quais nos sentimos em casa

Como se fôssemos feitos da mesma massa, mesma essência

Sensação de pertencimento, fazem bem e pronto

Essas pessoas fazem parte da gente

Fazemos parte delas, para sempre

Estejam onde estiverem…

É muito bom fazer parte dos espaços onde estivemos

Mas é incomparável fazer parte de alguém

Ou ser parte de alguém…

Assim somos eternos naqueles que amamos e nos amaram…

Alda M S Santos

Lavo a alma

LAVO A ALMA

Debaixo de uma cachoeira gelada

Abro um sorriso assustada

Solto um grito, encantada

E saio de alma lavada

Água que alegra, que anima

Desperta-me para a vida

Banha-me, não tenho saída

E saio de alma despida

Água que escorre das rochas

Com a força da natureza

Nunca vi tamanha beleza

E saio de alma indefesa

Ali deixo a tristeza, a solidão

A pureza que brota do chão

Deve ser essa a razão

De minh’alma ser só emoção

Água, terra, natureza e eu

Renovação, encanto, sintonia

Um banho de pura magia

Na alma banhada de energia…

Alda M S Santos

SOS CORAÇÃO

SOS CORAÇÃO

O sol está alto no céu

E aquilo ali é uma cama

E está “feita” onde todos transitam

Cobertores embolados, papelões rasgados

Alguns ainda dormem

Sujos, barbados, vestidos da cor das ruas

Às vezes uma sacola com “tudo” o que têm na vida

Serve a eles de travesseiro

Guardam outras poucas peças de roupas

Talvez um pente ou uma escova de dentes

Um espelho quebrado, será?

Uma fotografia de outros tempos

Mas aquilo é uma cama!

Ali no meio do caminho

Exposta a todas as intempéries

Logo vai escurecer e esfriar, é inverno

Como pode um ser humano viver assim?

Dependentes da generosidade alheia

Será que levam ao pé da letra a passagem bíblica (Mt 6, 25-34)

Das aves do céu e dos lírios do campo

Que Deus alimenta, veste e cuida sempre?

Ou já em nada mais creem?

São muitas as histórias

São imigrantes que vieram e não encontraram emprego

Usuários de entorpecentes perdidos de si mesmos

Pessoas brigadas com familiares

Doentes da mente, do corpo, da alma…

Mas são pessoas!

E nós que temos também nossa cama

Nosso lar, nossas coisas, nossas conquistas

Até que ponto podemos ser considerados humanos

Se nada disso nos sensibilizar

Não nos fizer agir para isso tudo amenizar?

A humanidade pede socorro

SOS CORAÇÃO!

Alda M S Santos

Eclipses

ECLIPSES

Os eclipses encantam tanto do lado de lá

Que paramos sempre para observar

Lua entre Terra e Sol

Luz e sombra a nos fascinar

A olho nu ficamos do lado de cá

Ou nos telescópios a admirar…

Tantos eclipses acontecem em nós

Do lado de dentro, do lado de cá

Quando algo tapa nosso sol

Tudo escurece, vira breu

Mergulhados ali ficamos, tontos

Aguardando a vida girar

E devolver tudo para seu devido lugar

Para a gente de novo se aprumar…

Pós eclipse a vista arde

Pupilas dilatadas pela escuridão

Demoramos a recuperar a visão

Mas sabemos que nunca é tarde

Coração acelerado pela ansiedade

Aguarda a luz nos trazer de volta à realidade…

Alda M S Santos

Assim somos feitos

ASSIM SOMOS FEITOS

Do barulho das gargalhadas de alegria

Do colo quentinho que doamos, pura magia

Da luz de cada olhar que o bem irradia

Do mel de um beijo de bom dia

Assim somos feitos…

De uma oração no tapete ajoelhados

Dos gritos de medo na garganta sufocados

Dos abraços na ponta dos pés, apertados

Do adormecer no travesseiro de lágrimas molhado

Assim somos feitos…

Do passado que ficou na saudade

Do hoje que se impõe sem piedade

Do amanhã que aguardamos com ansiedade

Do viver sempre em busca da felicidade

Assim somos feitos…

Alda M S Santos

Páginas arrancadas

PÁGINAS ARRANCADAS

No livro de sua vida

Há mais capítulos novos

Ou páginas arrancadas

Há mais histórias apagadas

Ou novas registradas

Há mais folhas já usadas a desprender, esquecer

Ou mais em branco, a escrever

Há mais partes bem romanceadas

Que carregam marcas calientes de batom

Ou há mais dor nas vidas dos outros roubadas

Há muitos trechos daqueles de gargalhada solta

Ou mais de lágrimas escorridas

Que é melhor manter escondidas

Há mais corações grudados

Ou trechos rabiscados

Há ilustrações emocionantes

Ou textos longos e fatigantes

A leitura é prazerosa, instigante

Ou cansativa, massante

A autoria é sua, compartilhada

Ou você a entregou de mão beijada

É uma história para na estante ficar esquecida

Ou lida, relida, revivida

Você recomendaria esse livro

Ainda que para si mesmo?

Alda M S Santos

Um brinde

UM BRINDE

Ao sol que nos aquece toda manhã

À vida que nos permite sonhar com um amanhã

Aos caminhos que a nossa frente se descortinam

Às pedras que a refletir nos ensinam

Tim tim!

Às lágrimas que lavam nossa alma

Aos amigos que nos trazem a calma

Às janelas dos sorrisos que nos iluminam

Às belas flores que em nós germinam

Tim tim!

À noite que nos acolhe sedenta

Às estrelas que iluminam nossa vida, às vezes cinzenta

À esperança que em nós desperta

À vida, às vezes, tão incerta

Tim tim!

Ao amor que brota em nosso peito

À saudade que faz tudo ser perfeito

Ao trabalho que nos enobrece

E à diversão que o cansaço amortece

À vida!

Tim tim!

Alda M S Santos

No meio do caminho

NO MEIO DO CAMINHO

No meio do caminho

Tinha buracos, tinha espinhos

Tinha amigos, tinha amores

Tinha poeira, tinha carinhos

E tinha você…

No meio do caminho

Tinha pedras, tinha árvores

Tinha rampas, tinha escadas

Tinha trabalho, tinha preguiça

E tinha você …

No meio do caminho

Tinha aviso, tinha perigo

Tinha desamparo, tinha abrigo

Tinha gritos, tinha silêncio

E tinha você …

No meio do caminho

Tinha sol, tinha chuva

Tinha luz, tinha escuridão

Tinha desânimo, tinha perseverança

E tinha você…

No meio do caminho

Tinha dor, tinha ansiedade

Tinha sorrisos, tinha lágrimas

Tinha medos, tinha afinidade

E tinha você…

Mas no meio do caminho

Tinha o mundo todo perfeito

De belas escolhas recheado

Da saudade acompanhado

Mas era insignificante, pois não tinha você!

Qualquer caminho só será bonito

Se tiver você!

Valorize-se!

Alda M S Santos

Onda de quê?

ONDA DE QUÊ?

Onda de calor, quarenta graus, frente quente

Daquelas que sugam a energia da gente

Onda de frio, temperaturas baixas, frente gelada

Daquelas que nos fazem encolher na madrugada

Tanta onda que aparece por aí

Queria tanto saber quando chegará por aqui

A onda de amor, frente de bondade

Que é dessa que tanto precisa a humanidade

Onda de compaixão, um pouquinho de atenção

Que levanta alguém do chão, que acolhe o irmão

Onda de solidariedade, que atinge qualquer idade

Desperta a piedade, atiça a caridade

Onda de carinho, chegando de mansinho

Daquelas que matam a saudade

Que nos pegam e nos dão um colinho

E afastam qualquer maldade…

Quando a onda do amor irá nos abater?

Só queria saber…

Alda M S Santos

Um pé e um coração fraturados…

UM PÉ E UM CORAÇÃO FRATURADOS …

Um pé quebrado, machucado

Pé engessado, pé fraturado

Dói muito, dor aguda, dor sofrida

Uma muleta, uns saltos, uns cuidados

Em dois meses logo está curado

E basta umas sessões de fisioterapia

Para poder voltar pra lida

Coração machucado, magoado

Dói tanto, dor que não tem nome, peito apertado

Desilusão que não tem remédio

O mundo parece feio, acabado

Que fazer para acabar com esse mal, esse tédio?

Sensação de que tudo foi em vão

Tristeza que atinge a alma

Dor que vem da profunda decepção

Que se pode fazer para retomar de novo a calma?

Será que se engessado, em repouso colocado

E com umas sessões de psicoterapia

O coração estará pronto para de novo ser amado

E reencontrar de novo a alegria?

Dar tempo ao tempo, não se culpar

Deixá-lo alegrias viver

Ter fé, confiar em si mesmo, se amar

E nunca da vida se esconder

Assim se cura um coração magoado

Afinal, perdeu foi quem não soube ser amado…

Alda M S Santos

De volta para casa

DE VOLTA PARA CASA

Quero pegar o caminho mais gostoso

Nem sempre flores, tantas vezes pedregoso

Quero pegar um atalho que me leve ao que amo

Àquilo que nunca deixou de existir

Quero pegar o caminho de volta para casa

Quero pegar o caminho do qual me afastei

Em busca daquilo que estava tão perto

Quero pegar o caminho que tão bem conheço

Que poderia perfazer de olhos fechados até aqui

Quero pegar o caminho de volta para casa

Quero pegar o caminho que me leve até mim

Aquela que outros caminhos percorreu

Voltas e voltas que deu para chegar cansada, voltar crescida

Quero pegar o caminho de volta para casa

Aquela que sempre esteve aqui

Que sabe o que quer e habita em mim

E logo percebi que todos os caminhos, afinal,

Eram necessários para me trazer de volta para casa

Para me trazer de volta para mim …

Oi! Voltei! Senti saudades!

Alda M S Santos

Eu me rendo

EU ME RENDO

Um friozinho da manhã

A relva toda molhada de orvalho

Um passeio a cavalo

O sol brilhando atrás da serra

Eu me rendo…

Pássaros cantando, bois mugindo

Cachorros brincando, patos nadando

A vida acontecendo

Eu me rendo…

Uma tarde preguiçosa

A rede na varanda

Todos parecem aboletados em algum canto

Uma soneca relaxante, aroma de café

Eu me rendo…

A noite chegando

A escuridão abraçando todos os espaços

Todos buscando abrigo

A lua reinando no céu

Gatos namorando em cima do telhado

E a gente cá embaixo

Eu me rendo…

A vida acontecendo lá fora

A vida acontecendo cá dentro

Eu me rendo…

Alda M S Santos

Sob o luar

SOB O LUAR

Sob a luz intensa do luar

Quero relaxar, me entregar

A um banho quente, envolvente

Que afaste tudo da mente

Exceto o prazer de ser gente

Quero um banho de Lua!

Sob a beleza da Lua

Por uma noite sem fim, sem pudor

Ou por toda a vida, de alma despida

Poder sem medo me abrir, me expor

Preciso de um banho de Lua!

Sob o poder e encanto da Lua

Deixar tocar e brilhar em mim

Raios de amor, gotas de poesia

Da pele suave à alma nua

Pura magia…

Quero um banho de poesia!

Embriagada de poesia ao luar

Mergulhada na ânsia de amar

Um nostálgico desejo me faz te chamar

Não quer comigo também se banhar

No mar, sob o luar?

Precisamos nos banhar

De lua

De poesia

De amor…

Alda M S Santos

Universo paralelo

UNIVERSO PARALELO

Alguns parecem viver num universo paralelo

Distantes e avessos ao que é tido como normal

Não gostam de seguir a boiada

Lutam por algo diferente, bem mais natural

Autênticos e verdadeiros

Não ferem a própria essência

Preferem ficar à margem

Ainda que acusados de demência

Entre tantos descaminhos

Dores e atrocidades de alta magnitude

Viver num universo paralelo

Além de autoproteção, chega a ser grande virtude…

Alda M S Santos

Aboletada

ABOLETADA

Ando meio cansada

Ainda não sei bem de quê

Quero apenas ficar aboletada

Até descobrir o porquê

De tanto andar desse jeito

Inquieta e sempre atarefada

Mesmo não sendo nenhum defeito

Quero mais é ficar aboletada

Andei levando alfinetada

De gente que não é muito camarada

Mas não me importo, sou arretada

E ficarei, sim, aboletada

Pensando, meio encasquetada

A uma conclusão cheguei

Tão bom ficar aboletada

Que até já descansei

E antes de ser mal interpretada

Seguirei assim agitada e com a vida encantada

E deixo uma coisa decretada

Sempre que quiser ficarei de novo na natureza aboletada!

Alda M S Santos

Injusta

INJUSTA

A vida pode ser cruel

Dolorosa, intensa, parcial

A cada um de nós caberá

Torná-la menos desigual

Muitas vezes parece tão longa

Noutras é por demais curta

Mas é o que fazemos por ela

Que a tornará menos injusta

Buscamos no outro a alegria

Ou a paz que de nós fugiu

Sequer percebemos que está na gente

O prazer de viver que um dia sumiu

Mesmo injusta ela é só nossa

Mas se torna mais bela

Quando destrancamos portas fechadas

E sorrisos abrimos em nossa janela…

Mesmo injusta ainda podemos fazer dela

Uma linda e encantadora aquarela…

Alda M S Santos

Na multidão

NA MULTIDÃO

Na multidão procura-se amenizar a solidão

Mas na multidão aumenta-se ainda mais essa sensação

Se com alguém dali não houver uma conexão

E enquanto não se perde essa ilusão

De que muita gente não é para ela a solução

A solidão continuará a apertar o coração…

Solidão é estado interior

É desarmonia entre tanta gente dentro da gente

Com tanta gente do lado de fora

É alma desgrudada do corpo

Mal que não se resolve no exterior

Um sintoma que é falha na sintonia interna

Ou ausência de um amor:

O próprio!

É preciso reconectar-se!

Alda M S Santos

Gratidão

GRATIDÃO

Entre os mais belos sentimentos

Figura a nobre gratidão

Saber reconhecer o valor

De quem sempre te estendeu a mão

A ela compara-se apenas a compaixão

O saber se colocar no lugar de um irmão

E para ele transferir o que temos de melhor no coração

Você pode ser ou fazer de tudo

Mas se não souber ser agradecido

Àqueles que te ajudam a ser o que é

Nunca será bom de verdade

Fazer o bem é gratidão

Ser gratos à vida, a Deus, ao universo

Nos fortalece, nos reabastece

Daquilo que nutre e alimenta toda alma grata:

O amor!

Alda M S Santos

Sobre amor, sobre amar

SOBRE AMOR, SOBRE AMAR

Se não valoriza o que você é

Se te pede para fazer o que você não gosta

Se quer te fazer outra mulher

Ou não se importa com o que você quer

Não te ama!

Se não te prioriza

Se não diz que você é linda

Se não te olha nos olhos

Nem te abraça apertado

Não te ama!

Se não passeia contigo

Se não assiste com você um filme de amor

Se não dança agarradinho à sua cintura

Se não dorme de conchinha

Nem toma banho juntinho

Não te ama!

Se não te protege

Se te põe em risco

Se põe em dúvida sua moral

Ou faz de tudo um vendaval

Não te ama!

Mas se tem um olhar especial

Um ombro que te cabe direitinho

Um beijo de arrepiar o cangote

Um abraço de urso quentinho

Coração grande e terno colinho

Palavras e ouvidos de puro carinho

Principalmente, respeita o seu jeitinho

E aceita seu amor, mesmo imperfeito

Ele te ama!

Mas sobre amor, sobre amar

Só a gente mesmo para saber ou falar…

Alda M S Santos

Baile dos Namorados!

BAILE DOS NAMORADOS

É noite de baile!

Nas canções começa toda a magia

Sob luzes, ora juntos, ora separados

Alegria contagiante, sinergia

Uns mais contidos, outros mais animados

É noite de baile!

Banda retrô, sessenta, setenta ou oitenta

Somos todos transportados via coração

Ativa-se a máquina do tempo

Levando todos para outra dimensão

É noite de baile!

O baile é dos casados, eternos namorados

Reina paz, carinho, aproximação

Tudo ali se atrai, se renova

Não há como fugir dessa emoção…

É noite de baile!

Alda M S Santos

Depende…

DEPENDE…

Um manhã ensolarada e morosa ou uma tarde longa e chuvosa

Uma noite na roça ao luar ou uma tarde na areia à beira-mar

Um inverno congelante ou um calor sufocante

Diante de uma sofisticada lareira ou em volta de uma simples fogueira

Uma cidadezinha do interior formosa ou uma grande metrópole famosa

Uma cachoeira na floresta ou uma praia deserta

Um sábado numa boate lotada ou um filme debaixo do edredom na madrugada

Um traje de gala sofisticado ou um vestido de flores delicado

Depende…

Tudo vai depender da companhia que se tem

Mais vale a escuridão de um caminho com um alguém

Que a iluminação de outro, na solidão, sem ninguém…

Alda M S Santos

Imperfeita

IMPERFEITA

Ela é assim, imperfeita

Interessante, atraente, convidativa

Ora boa, outras nem tanto

Mas com fé a gente se ajeita

Ela é assim, imperfeita

Bela, cinzenta ou colorida, engraçada

Faça rir ou faça chorar

Ninguém nunca a rejeita

Ela é assim, imperfeita

Inteira ou faltando pedaços

Repleta de amores e desamores

E de coragem que a gente respeita

Ela é assim, imperfeita

Nem sempre como almejamos

Mas é a vida que a gente não enjeita

E a amamos mesmo assim:

Imperfeita!

Alda M S Santos

Dentro do coração

DENTRO DO CORAÇÃO

Afixados nas paredes de um lar de idosos

Acima de cada cama, estão ali, à mostra

Uma colagem dos sonhos de cada um

Feita de recortes de revistas e um bom papo

Sonhos não têm idade

Nascem e crescem dentro do coração da gente

Uns tornam-se realidade

Outros existem para fazer brilhar a luz do olhar

De quem insiste em viver nesse lugar…

Ali para todos verem, expostos em papel

Os sonhos desses idosos falam, gritam

“Tenho muitos anos de vida

Mas nunca deixarei de sonhar

Pois quando isso acontecer

Já terei deixado de viver…

Alda M S Santos

Não me cabe

NÃO ME CABE

Nessa caixa não me cabe

Não é que eu não seja flexível

É que ela tende a me moldar

Colocar num padrão que me machuca

E que não vai me agradar

Nessa caixa não me cabe

Dobra daqui, dobra dali

Tira um pedaço desse lado

Aperta o outro, transfere de lugar

Até eu não mais me identificar

Nessa caixa não me cabe

E mesmo se coubesse eu não gostaria

É que prezo a liberdade de ser o que sou

Colocar-me ali me mataria

Nessa caixa não me cabe

Não sou boneca para viver em caixa, preciso de ar

Prefiro jardim, mata, rio, mar ou cachoeira

E assim quero viver a vida inteira…

Alda M S Santos

Tudo é novo!

TUDO É NOVO!

Tantos momentos únicos, ímpares

Como todos eles o são

Mesmo que pareça tudo igual

Não há repetição…

O entardecer acontece todo dia no horizonte

Mas sempre com novos matizes

A aurora desponta todas as manhãs na serra

Clara, intensa e brilhante na nossa janela

Mas não somos os mesmos a observá-la

Cada olhar, cada abraço, cada raiva ou decepção

Sempre ficarão para trás, serão passado, ainda que a gente queira segurá-los

Amanhã, novos olhares, novos abraços, novas raivas ou decepções

E o amor…

Esse que doamos ou recebemos é sempre novo

E isso é o motor do viver…

Alda M S Santos

Demolição

DEMOLIÇÃO

Demolir é tão importante quanto construir

Tantas vezes é pré-requisito para uma nova construção

Trincar, quebrar, desmoronar, ruir

O que não serve mais deixar cair, jogar no chão

Entregar-se, se preciso, à emoção

Sofrer, chorar, lamentar, mas levantar

Das ruínas tirar uma lição

Aproveitar o que for útil, der suporte

Regar com suor, sorrisos ou lágrimas esse chão

E ali construir base sólida, forte

Aproveitar a demolição para recomeçar

Nova e bela construção

Um novo castelo nascido em nós ressurge

Só assim mantém-se vivo nosso coração…

Alda M S Santos

Prazer instantâneo

PRAZER INSTANTÂNEO

Despertar um sorriso no olhar

Por mais discreto que seja

É tarefa prazerosa demais

Um sorriso lá, outro cá

E a tristeza não tem lugar…

Tantas vezes é preciso tão pouco

Para fazer alguém feliz, para sentir-se feliz

Nesse mundo tão louco

Onde quase nada de bom se ouve, se diz

Há coisas cuja reciprocidade é instantânea

Carinhos, beijos, abraços e sorrisos

Quando simples e verdadeiros

Na alma têm efeito bumerangue

Vão e voltam de maneira simultânea

Delicioso prazer momentâneo de caráter duradouro…

Alda M S Santos

#carinhologos

Pessoas

PESSOAS

Lembrar das pessoas de nossas vidas

E perceber o que cada uma fez ou deixou em nós

Deixa-nos ora saudosos, ora aliviados

É trabalho catártico, terapêutico

Vêm à mente palavras ou ações

Boas ou ruins, algumas já esmaecidas ou quase apagadas

Outras ainda marcantes como digitais

Muitas vezes nos esquecemos do cheiro, da voz, das palavras, do olhar

Mas sempre nos lembraremos

Da sensação que nos causaram

Dos sentimentos despertados

De como nos acordaram para a vida

Ou do modo que nos apagaram ou jogaram para baixo

Focar nos sentimentos bons que ficaram em nossa alma

É um modo inteligente de seguir em frente…

Pessoas são pessoas, errando ou acertando

Ser marcante positivamente

Deixar boas lembranças registradas nos corações dos outros

Deve ser um propósito de vida…

Alda M S Santos

Coretos

CORETOS

Para mim, coretos remetem a interior

Interior de cidades,

Interior da gente…

Qualquer cidadezinha tem ao menos um

Qualquer pessoa já subiu em um!

Todos temos num coreto uma história

Em cada história uma saudade

Sempre são pontos turísticos,

Nas praças das igrejas, nos centros, nos jardins,

Músicas, festivais, passeios de casais de mãos dadas,

Revisitamos e nos esbaldamos nas lembranças

Olhares, paqueras, romance, namoro…

E uma foto no coreto…

Olha o passarinho!

Alda M S Santos

Guanhães MG

Zoo

ZOO

Nesse mundo animal

Quero ser um bicho qualquer

Desde que bem selvagem e irracional

Guiado pelos naturais instintos

Sabedor do bem e do mal

Nesse mundo cheio de razão

Quero ser de outra espécie ou philo

Aqui não há vez para o coração

Não quero ser homosapiens

Abro mão, prefiro ser emoção…

Nesse mundo tão perdido

Descaminhos, escuros, vacilos

Onde tudo já parece falido

Quero de novo me encontrar

Entre bichos não corrompidos encontrarei abrigo

Mundo zoo!

Alda M S Santos

Presentes

PRESENTES

Há muitas maneiras vistosas

Coloridas, enfeitadas com laçarotes

Que certos “presentes” são embrulhados

E a nós oferecidos por aí

Como consumidores vorazes

Muitas vezes até pagamos para tê-los

E a decepção é grande

Ao notarmos que a propaganda era enganosa

Que a ideia não era assim tão original

A vitrine nos fazia ver brilho onde não existia

Novidade no que era apenas repetição

Mesmo produto ultrapassado com nova roupagem

O conteúdo não correspondia ao embrulho

Notamos que “levamos gato por lebre”

Fomos ludibriados…

Será mesmo?

Podemos mesmo culpar o engodo do outro

Ou devemos assumir nossa vaidade

Ao querer levar algo tão “valioso e belo”

Sem avaliar sabiamente o que era oferecido?

A culpa é de quem presenteia

Ou de quem se deixa presentear?

Nesse comércio onde tudo se vende ou se troca

Sábio é quem sabe o que comprar

E não se deixa mais enganar…

Alda M S Santos

Nudez

NUDEZ

Fiquemos nus!

É preciso ser autêntico, real

Retirar as máscaras

Que escondem o que é feio

Arrancar os disfarces

Que cobrem o que não é tão agradável

Lavar com água fria

Todo resquício de maquiagem

Apagar qualquer sinal

De adereços ou acessórios complementares

Mostrar exatamente aquilo que somos

Sem medos de rejeição

Para o outro, nosso espelho

Para nós mesmos, nossa autoaceitação

Silenciar qualquer artifício

Usado para impressionar

Fiquemos nus!

Beleza precisa se sustentar na nudez

Não na nudez do corpo

Beleza precisa se sustentar

Na nudez da alma

Límpida, clara, transparente e encantadora

És capaz de se apresentar nu?

Alda M S Santos

Fazer as pazes

FAZER AS PAZES

É preciso fazer as pazes

Com aqueles que nem sempre agimos como deveríamos

Pelas atitudes não tomadas quando necessário

Pela inaptidão em estender a mão

Pelo uso inadequado dos dons recebidos

É preciso fazer as pazes

Pelos erros cometidos contra os outros

Voluntária ou involuntariamente

Pela incapacidade de voltar atrás e desfazer algo

Pelos medos que impedem de seguir em frente

Mas é preciso, principalmente, fazer as pazes consigo mesmos

Encarar a própria fragilidade e/ou (des)humanidade

Reconhecer-se falho, errante, imperfeito, aprendiz

Perdoar-se, propor-se a fazer diferente daí em diante

E seguir…

Reconciliar-se com o outro é fundamental

Mas passa pela reconciliação conosco mesmos

Façamos as pazes!

Alda M S Santos

Visita preciosa

VISITA PRECIOSA

Certas visitas quando chegam

São tão preciosas e queridas

Fazem-nos vibrar, sentir bem

Simplicidade e beleza que encantam

Mostram que o ambiente está receptivo

Trazem a paz consigo e nos dão sensação de pertencimento

A esse lugar, a esse plano, a essa natureza tão rica

Nos fazem crer que resta ainda uma esperança

Para o nosso tão lindo planeta

Que nos foi dado a cuidar e amar

Que pode ainda haver salvação

Para nossa alma, nosso coração

Para nós mesmos como membros dessa humanidade tão complexa

Precisamos acreditar e agir

Proteger-nos como espécie integrante de um todo maior

E, principalmente, fazer tornar sempre atual a lição

Amar aos outros como a nós mesmos

Aqui somos visitantes apenas

Que deixemos melhor que encontramos…

Alda M S Santos

Jeito de olhar

JEITO DE OLHAR

Um passo atrás pode ser avançar

A tempestade pode vir para limpar

A queda pode ensinar a levantar

O vendaval pode colocar as coisas no lugar

Tudo depende do jeito de olhar

Chorar ensina a valorizar o sorriso

Medo e inércia nem sempre são coisas de indeciso

Talvez seja um modo de usar o perigo

Para encontrar melhor abrigo

Tudo depende do jeito de olhar

Solidão nem sempre é ausência de companhia

Talvez seja escolha de pessoas

Que usam de muita sabedoria

Ao não insistir em buscar no outro

Aquilo que encontram em si mesmas: paz e sintonia

Tudo depende do jeito de olhar

Preta, branca, cinza ou multicor

A vida sempre será uma tela

Para artistas que pintam com estilo e amor

E usam a paleta preferida para torná-la ainda mais bela…

Tudo depende do jeito de olhar

Do jeito de a vida encarar …

Alda M S Santos

Lançando laços

LANÇANDO LAÇOS

A vida eu sigo lançando laços

Desfazendo nós, conquistando abraços

Numa brincadeira séria procuro me divertir

Ora sou mágica, ora bailarina, ora palhaça

Nesse circo faço meu espetáculo

Percorro caminhos, venço distâncias, detono o cansaço

Não provoco grandes barulhos ou estardalhaço

Me protejo, no picadeiro tento não me partir em mil pedaços

Mesmo que, muitas vezes, seja ferida pelos estilhaços

Sigo nessa travessia em busca de luz e paz

Procuro demarcar meu próprio espaço

Tentando não depender de aplausos

Cuidadosa para não afastar os gostosos amassos

Nesse eterno vai e vem, levanta e cai

Me desembaraço, me enlaço, me desfaço e me refaço

Alinho a fé, a coragem e nossos passos

Para chegar ao final dessa travessia num único compasso

Sigo a vida lançando laços…

Alda M S Santos

Silêncio barulhento

SILÊNCIO BARULHENTO

No meu silêncio barulhento acalmo meus gritos

No meu barulho silencioso afogo minhas angústias

Silêncios que gritam, gritos que calam

Pacífico tormento…

Nas minhas angústias molhadas rego meus solitários momentos

Desses momentos (re)nascem traumas e sonhos

Dessa solidão bem nutrida colho as mudas de esperança

E descarto os medos já crescidos

Feito mato entre flores, enfrentamento

As esperanças viçosas e perfumadas tal qual rosas vermelhas

Alimentam e alegram meu viver nesse jardim, puro renascimento

E quanto mais as distribuo por aí

Mais elas crescem e perfumam em mim…

Alda M S Santos

Deixe o vento levar…

DEIXE O VENTO LEVAR

Se está difícil fique contra o vento

Sem medos ou anseios

Abra os braços, a alma, sem lamento

Deixe o vento levar…

Feche os olhos, deixe-se tocar

Arrepiar, arrancar todo o tormento

Não segure nada que machuca ou angustia

Deixe o vento levar…

Forte ou frágil, seja resistente, sem ressentimento

Se só traz dor ou impede seu crescimento

Deixe o vento levar…

Inspire fundo, expire, libere todo o sentimento

O que for bom retornará para ti

Sem prejuízos ou arrependimento

Deixe o vento levar…

O que ficar vale uma vida, ainda que por breve momento…

Alda M S Santos

Fim

FIM

Do princípio ao fim

Ou do fim ao princípio

Tantas questões dentro de mim

Chego só, volto só

Enfim, qual é o propósito

Disso tudo, Serafim

Será o fim?

Aterrisso sem nada saber

Tenho tanto ainda para aprender

E já começo a voltar

Para casa regressar

Perco a mobilidade, a habilidade

A memória e, por vezes, a consciência

Não é uma incongruência

Disso tudo, Serafim?

Tudo que amealhei por aqui

Não mais me pertencerá

O que me acompanhará é aquilo que ganhei ou perdi

Conquistei ou doei, e que poderei também deixar

Com quem esteve comigo do princípio ao fim

Chego nua, volto vestida de Lua, perfume de jasmim

Várias fases, brilho e luz…

Um ciclo que se fecha em mim e me conduz…

Alda M S Santos

Sobras

SOBRAS

O que sobra aqui, falta lá

O que sobra lá, falta aqui

Espiritual, material, emocional

É preciso contrabalançar

Vivemos para tentar equilibrar

Fazer com que sobre menos

Lá e cá …

Diminuir as carências

De lá e de cá…

Equalizar essa balança

E fazer dessa dança existencial

Mais do que um solo que encanta

De preferência, um dueto emocionante

Um espetáculo sem igual…

Alda M S Santos

Estar perto

ESTAR PERTO

Quando algo incomodar a quem se ama

Nem sempre é preciso expor, falar, dialogar

Um simples silenciar pode ajudar

Às vezes nada concreto falta

Talvez apenas uma angústia no existir

Uma saudade de não se sabe o quê

Uma mágoa qualquer do viver, do porvir

Uma esperança por um sonho difícil

Pode ser uma preocupação excessiva

A fé que esqueceu de se fortalecer

Algo bom que deixou de acontecer

Ou apenas uma fase de muito cansaço

Dores emocionais, carência pessoal

Para qualquer uma dessas coisas

Basta ficar pertinho, estar ali, bem sentimental

Um toque, uma presença, um carinho especial

É um remédio sem erro, de eficácia total!

Alda M S Santos

Põe na conta

PÕE NA CONTA

Aquele sorriso amarelo e sem graça

Aquela angústia que machuca e o peito amassa

Aquela vontade de chorar que não passa

Põe na conta das tristezas que nos fazem crescer

Aquele sol que nos acorda com alegria

Acompanhado de um beijo de bom dia

E de um café quente que anestesia

Põe na conta dos encantos que nos fazem florescer

Aquele sonho bom do qual não queremos acordar

Aquela lembrança ou saudade gostosa que nos faz vibrar

Aquele abraço e cuidado que só o amor é capaz de proporcionar

Põe na conta das esperanças que nos fazem viver…

Alda M S Santos

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