VIDA PARALELA

Vivo uma vida paralela à vida oficial

Aquela quando meu corpo repousa na madrugada

E meu espírito sai por aí numa missão especial

Não sei ainda o que ele quer nessa invernada, afinal

Faz visitas acolhedoras, anda por lugares inimagináveis

Veste-se de seres lendários, encantados

Sorri, chora, faz amor, sobe e desce trilhas incansáveis

Refaz trajetos difíceis, encontra seres amados

É uma vida paralela que o corpo que descansa desconhece

Mas a alma quer rever, refazer, ela não adormece

Ela deve saber o que faz, cuidadosa, em prece

Gostaria apenas de poder acessar mais facilmente

O que ela vive, repara, conserta na noite insolente

Talvez numa transversal a gente bata de frente, se encontre, finalmente

Alda M S Santos