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Queria voar

QUERIA VOAR

Queria tanto voar…

Não a bordo de um avião

Ou dentro de máquina de aço qualquer

Queria bater minhas asas

Como águia, ou um gavião

Poder ir a qualquer canto

Onde não houvesse nenhum pranto

Queria tanto voar…

Lá do alto observar a tudo

Vista privilegiada desse mundão

Liberdade de ir e vir, sem prisão

E poder a quem precisar estender a mão

Queria tanto voar…

Mas sou um ser humano

A nós foram dadas outras habilidades

Podemos andar, pensar, falar, menos voar

Pensando bem, eu trocaria qualquer uma delas

Pela capacidade de subir, voar, plainar…

Queria tanto voar…

Já que isso não é possível

E confio no Senhor da Criação

Daqui fico curtindo e acenando

E voando apenas na imaginação…

Vamos voar?

Alda M S Santos

Imperfeita

IMPERFEITA

Ela é assim, imperfeita

Interessante, atraente, convidativa

Ora boa, outras nem tanto

Mas com fé a gente se ajeita

Ela é assim, imperfeita

Bela, cinzenta ou colorida, engraçada

Faça rir ou faça chorar

Ninguém nunca a rejeita

Ela é assim, imperfeita

Inteira ou faltando pedaços

Repleta de amores e desamores

E de coragem que a gente respeita

Ela é assim, imperfeita

Nem sempre como almejamos

Mas é a vida que a gente não enjeita

E a amamos mesmo assim:

Imperfeita!

Alda M S Santos

Fim

FIM

Do princípio ao fim

Ou do fim ao princípio

Tantas questões dentro de mim

Chego só, volto só

Enfim, qual é o propósito

Disso tudo, Serafim

Será o fim?

Aterrisso sem nada saber

Tenho tanto ainda para aprender

E já começo a voltar

Para casa regressar

Perco a mobilidade, a habilidade

A memória e, por vezes, a consciência

Não é uma incongruência

Disso tudo, Serafim?

Tudo que amealhei por aqui

Não mais me pertencerá

O que me acompanhará é aquilo que ganhei ou perdi

Conquistei ou doei, e que poderei também deixar

Com quem esteve comigo do princípio ao fim

Chego nua, volto vestida de Lua, perfume de jasmim

Várias fases, brilho e luz…

Um ciclo que se fecha em mim e me conduz…

Alda M S Santos

Espaços em branco

ESPAÇOS EM BRANCO

Ninguém precisa ter todos os espaços preenchidos

Ninguém precisa preencher “falhas”dos outros

Ou ter todos os seus “quadros” pintados

Precisamos de telas em branco

Para fazermos dia a dia nossa obra de arte

Todos nós necessitamos desse espaço livre dentro de nós

Para que haja oxigenação, livre transitar

Para que a imaginação cresça, o amor floresça

Para que a luz penetre, aqueça

Para que não soframos de excessos

Para que encontremos aquilo que procuramos

Para podermos acolher o que nos fizer crescer

Para que as emoções possam livremente se expressar

Para que não se crie bolor por falta de uso

Tampouco grandes feridas por fricção e uso inadequado

Para que quando voltarmos para casa

Tenhamos usufruído de todas as nossas possibilidades…

Alda M S Santos

Viver de quê?

VIVER DE QUÊ?

Busca por razões de viver

Algo que motive, instigue

Que faça tudo isso valer a pena

E nessa desenfreada busca

Atropela-se tudo, passa-se por cima dos outros

Das razões de viver do outro, inclusive de si mesmo

Sua própria vida vazia é soberana

Vale mais do que todas as outras

Automutilação, autoextermínio

Viver de quê, para quê, para quem?

Enquanto não se perceber que uma vida não se constrói

Destruindo outras vidas

Sendo governo, povo, instituição, indivíduo ou o escambau

Qualquer busca será em vão

Será inócuo qualquer estender de mão

Precisamos viver das boas ações, do amor

Da esperança que um mundo melhor começa em nós

Mas que nunca exclui o mundo do outro

Buscamos por razões de viver

Que façam com que a dor e a alegria

Tenham razão de ser, não sejam em vão…

Precisamos viver da fé

“Só não se sabe fé em quê”

Alda M S Santos

Pilotando um Boeing 787

PILOTANDO UM BOEING 787

Viver é comandar um Boeing 787, sem brevê

E aprender a fazê-lo, na prática

Sem aulas ou lições prévias

Manter-se no ar, em movimento, enfrentar intempéries mil

Ser submisso ao comando da “torre”

Pilotando na base da reflexão, por intuição

Baseando-se em aprendizados obtidos na tentativa e erro

Algumas vezes até dá pra deixar no piloto automático

Descansar, relaxar, confiar no trabalho da tripulação

Ou contar, ocasionalmente, com ajuda de um co-piloto

Mas viver é ir aprendendo a pilotar um 787 com coragem

Ser capitã da prática diária

É enfrentar inimigos externos e internos

Aprender a negociar, apaziguar, evitar danos na aeronave

É saber que carrega ali muitas vidas dependentes de sua habilidade

Que basta um erro para que todos sejam atingidos

Uma falha mais grave poderá ser fatal

E levar consigo para o chão toda a tripulação e passageiros

Não escolhemos quando começamos a voar

Tampouco saberemos o momento de parar

Mas, de todo modo, não deixa de ser um voo prazeroso e emocionante…

Alda M S Santos

Amor incondicional

AMOR INCONDICIONAL

Um amor puro, sem exigências ou condições

Daqueles que todos estamos sempre necessitados

Amor maior não há!

Amor que se doou, que deu a vida por nós…

Um amor feito de compreensão, de confiança, de perdão…

Amor que persiste mesmo conhecendo as falhas

Amor que não discriminou, que a todos acolheu

Que nos deu um coração para também amar

Amor que viveu por nós!

E, porque VIVE, quer para nós o que sempre nos ensinou:

O AMOR a todos.

Amor de luz, amor de paz, AMOR DE JESUS!

Jesus renasce todos os dias

Nos corações daqueles

Que se levantam dispostos a amar…

Pode faltar tudo nessa Páscoa, menos esse amor…

Feliz Páscoa, amigos!

Alda M S Santos

Espetáculo da vida

ESPETÁCULO DA VIDA

Quiséramos uma sincronia assim perfeita para a vida

Entre pliés, tendus e frapés

Solo, duplas, grupos, coletivamente

Seguir sempre a coreografia

Ora girando, abaixando, grudando, leveza total

E num grande jeté sermos lançados para o alto

Na certeza que não nos deixarão cair

Que haverá um partner a nos recolher

No ritmo da música, lindamente…

Que iremos girar e girar e girar

Sem tontura, sensualmente brilhar

E o próximo passo seguirá perfeito

Exaustivamente treinados como num grande espetáculo

Todos cumprindo bem seu papel

Um sonho: que a vida fosse assim

Um ballet onde ninguém cai

Todos sabem sua participação ali

A hora certa de entrar, se apresentar, brilhar

E também de sair de cena…

Porque tudo que temos aqui é um grande teatro

Bem ou mal representado, apresentado

Não há plateia, apenas autores e atores…

Alda M S Santos

Quantos degraus?

QUANTOS DEGRAUS?

Quantos degraus até o céu?

A escada é sinuosa, rolante, escorregadia, antiderrapante?

Quem pode subir, há restrições, limites de entrada?

Podemos levar alguém, sermos levados por alguém?

E se nos cansarmos no caminho, tropeçarmos, cairmos?

Podemos voltar a subir ou perdemos a vez?

Os últimos serão os primeiros?

Quantos degraus até o céu?

A entrada é franca? Paga-se com quê?

Qual a “moeda” de troca?

Muitas perguntas… Sei lá!

Enquanto isso vou fazendo do agora o meu céu

Tal qual crianças a brincar, a pular amarelinha

Continuo subindo até o céu…

Alda M S Santos

Não estamos sozinhos

NÃO ESTAMOS SOZINHOS

Somos humanos cercados por outros humanos

Numa casa rodeada por outras casas

Numa cidade fronteiriça de outra cidade

Dentro de uma nação que se avizinha de outras nações

Habitantes do planeta Terra, ao lado de outros planetas e astros

Membros de uma galáxia gigantesca

Não estamos sozinhos!

Mesmo quando não nos sentimos mais que pequeninos grãos de areia

E parecemos estar muito sós, não estamos

Em nossa mais intensa introspecção temos a nós mesmos

E quando encontramos a nós mesmos

Somos capazes de identificar o outro tão perto de nós

E estender a mão, pegar uma mão…

Alda M S Santos

A melhor professora

A MELHOR PROFESSORA

Ela é considerada a melhor professora

Nem sempre a mais doce

Tampouco a mais justa

Pode levar tempo, machucar

Precisar reapresentar as mesmas lições

Do mesmo modo, mesmos recursos e técnicas

Ou com um método diferente, novos livros, material didático atualizado

Para os alunos mais “complicados” e difíceis

Mas ninguém pode negar sua eficiência

Ela ensina, leve o tempo que levar

Por bem ou por mal

Por prazer ou por dor

A vida ensina! E como ensina!

Se esse for o único quesito exigido, o troféu vai para ela

A vida é a melhor professora!

Alda M S Santos

Quem mais viveu?

QUEM MAIS VIVEU?

Quem mais viveu?

Aquele que acumulou mais idade cronológica

Ou aquele que mais cresceu, amadureceu emocionalmente?

Quem mais viveu?

Aquele que acumulou mais sorrisos

Ou aquele que mais chorou?

Quem mais viveu?

Aquele que mais conquistou bens

Ou aquele que mais prestou serviços?

Quem mais viveu?

Aquele que mais prazer vivenciou

Ou aquele que mais se doou?

Quem mais viveu?

Aquele que conheceu o mundo todo

Ou aquele que conheceu melhor a si mesmo?

Quem mais viveu?

O que despertou mais empatia e amor

Ou o que mais intensamente amou?

Quem mais viveu?

Aquele que lutou e brigou por um mundo melhor para si e para os outros

Ou aquele que aceitou o que a vida apresentou

Extraindo dela o melhor?

Quem?

Quem mais viveu foi o que soube ser feliz em qualquer circunstância

Estando pleno mesmo na falta…

Quanto nos “falta” para a plenitude?

Alda M S Santos

Deixe virar poesia

DEIXE VIRAR POESIA

Aquilo que te leva ao êxtase

Que provoca risos sem fim

Deixe virar poesia

Aquilo que te machuca, corta

Que causa dores e cicatrizes

Deixe virar poesia

Aquilo que você agora desconhece

Que te magoa, enrijece

Deixe virar poesia

Aquilo que te sensibiliza, emociona

Que aperta o coração, e que você tanto ama

Deixe virar poesia

Aquilo que te amedronta, aterroriza

Causa pesadelos que nem a luz ameniza

Deixe virar poesia

Aquilo que é real, imaginário

Que é fugaz ou que virou saudade

Deixe virar poesia

Aquilo que é beleza, na simplicidade ou na sofisticação

Que traz sabor e aroma ao cotidiano

Deixe virar poesia

Tudo aquilo que é vida, que não se desperdiça ou economiza

Se eterniza

Deixe virar poesia…

Alda M S Santos

Devaneios

DEVANEIOS

Vou escrever uma história

Daquelas bem bonitas

Real ou imaginária

Talvez mesclada, realizada e sonhada

E colocar numa garrafa de vidro

Enrolada tal qual pergaminho

Exalando um pouco de perfume suave

Um beijo de batom rosa

Umas lágrimas desobedientes

Muitos sorrisos de satisfação e amor

Colocar uma rolha fechando a vácuo

E lançar no oceano…

Quem sabe um dia, décadas à frente, alguém a encontre

A esfregue para retirar marcas do tempo

E, tal qual gênio da lâmpada de Aladim

De lá de dentro a história se materialize novamente

Rica em detalhes e melhor vivida

Ou que apenas deixe para a posteridade

O registro de uma história de vida bonita

Espero que seja a nossa…

Alda M S Santos

Que haja vida em nós

QUE HAJA VIDA EM NÓS

Tantas vidas valiosas se perdendo todos os dias

Levadas de modos tão estúpidos e cruéis

Nos tiram o chão, o ar, nos deixam à mercê do acaso

Fazem-nos crer que não valemos grande coisa

Que não temos controle de nada

Somos um grão de areia nessa imensa galáxia

Que podemos simplesmente sair para trabalhar e não voltar

Sem sequer poder nos despedir, nos desculpar

Dar um último abraço ou beijo

Ou fazer uma bela declaração de amor

Com palavras, com uma delicadeza, um olhar ou um aceno

Mas será que há mesmo acaso?

Qual nossa responsabilidade sobre nossas vidas

E sobre as vidas dos que nos são caros

Ou que são caros para os outros?

Quero crer que um propósito há nisso tudo

Que ainda podemos seguir, abraçar, amar, viver

Porque no dia em que não acreditarmos mais nisso

A vida já terá se acabado em nós

Com ou sem tragédias

E isso é pior que morrer…

Que a fé e o amor prevaleçam

Que os aprendizados aconteçam

Que as mágoas arrefeçam

E que sempre haja vida em nós para recomeçar

Quantas vezes forem necessárias…

Alda M S Santos

Foto Serra da Moeda – MG

Ritmo da vida

RITMO DA VIDA

Havia um burburinho por ali

No entorno ouvia gargalhadas de algumas pessoas

Numa mesa algumas mulheres sorriam contando casos

Na outra um casal se falava com os olhos e as mãos

Um grupo de homens assistia ao futebol num canto

A música que se ouvia vinha de uma pequena banda ao vivo

Um senhor sério conversava com duas mulheres bem mais jovens

Os três pareciam isolados em si mesmos

Garçons e garçonetes frenéticos procuravam atender a todos

Numa mesa, virada para a rua, estava uma mulher olhando a Lua

Bonita, vestida de si mesma, parecia esperar alguém

Olhava o relógio todo o tempo e enxugava os olhos

Chamou o garçom, entregou a ele um guardanapo onde escreveu algo

Ele se encaminhou e entregou a mensagem ao violeiro da banda

Ele ruborizou, saiu de lá, foi até a mulher

E saíram dançando entre as mesas sob aplausos

Um guardanapo caiu no chão

Havia uma marca de beijo de batom, lágrimas e um “vamos dançar”?

Seguiram dançando ao ritmo que a vida impunha

Quantas histórias haviam ali?

A vida é assim, ela impõe o ritmo

Mas somos nós que escolhemos se, como

Quando e com quem dançar…

Alda M S Santos

Perdendo vida

PERDENDO VIDA

Perder documentos, óculos, carteira, chaves

Num bolso, na bolsa, no transporte público ou na rua

Talvez se recupere, talvez não

E a vida continua…

Mas perder ideias, sonhos, ideais, pessoas, sentimentos

Escondidos num coração ou numa alma

Que não se mostra para o mundo

Que teme a dor, a rejeição, o sofrimento

É muito mais danoso, é perder o rumo, é perder vida

E talvez de modo irreversível

Todo cuidado é pouco com o que deixamos se perder de nós por aí …

Alda M S Santos

Vejo em você

VEJO EM VOCÊ

Vejo em você o que preciso para crescer

Para ser melhor a cada dia

E não são só coisas boas que me possibilitam isso

O que há de negativo em você também me ensina a evoluir

Me permite desenvolver o que é falho também em mim

Aprendo quando você me faz sofrer, me faz chorar

Aprendo quando você me leva ao êxtase, à alegria extrema

Sou melhor quando preciso esquecer um pouco de mim

E me concentrar no que você insiste em me mostrar

Vejo em você vários caminhos que me desnorteiam

Mas que também me ensinam a responsabilidade das escolhas

Vejo em você, Vida, tudo que preciso para ser eu mesma

Um ser humano em evolução que busca no amor a sua luz

Por isso ainda insisto em ficar com você!

Obrigada, Vida!

Alda M S Santos

Namastê

NAMASTÊ

O Deus que habita em mim saúda o Deus que habita em você

E quando isso ocorre só coisas boas podem acontecer

O belo que existe em mim saúda o belo que existe em você

Minha essência humana saúda sua essência humana

Minha porção divina saúda sua porção divina

A partir daí somos imbatíveis, invencíveis

Porque ao acionarmos o bem que há em cada um de nós

Não sobra espaço para o mal, o negativo fica sem lugar

As sombras não causam medo, os monstros não atemorizam

A escuridão é iluminada pela luz

Aquela que, mesmo escondida, mora dentro de mim, dentro de você

Basta acender!

Namastê!

Alda M S Santos

Verão

VERÃO

Verão que tudo é luz, é calor

Energia que emana do interior

Do ar, da terra, do alto, do ser…

Verão que não é uma simples estação a viver

É rosa desabrochada, perfume, encanto, diversão

É amor em cores, multicores, alegria, brilho em profusão

É inspiração que instiga a alma, o coração

É o produto do longo hibernar do inverno, é emoção

É leveza, é brisa, é descanso, é preguiça, é união

Verão é viagem além-mar, logo ali

Ou mesmo na imaginação

Verão é só riso, sorriso, é gratidão!

Alda M S Santos

Vai lá…

VAI LÁ…

Era chegada a hora

Um abraço de despedida

Um beijo de “até breve”

E ouvia as expectativas

“Você é forte, é capaz”!

Entre medos e receios de última hora

“Será que isso é mesmo necessário”?

Ou “não posso ficar mais um pouco”?

E ouviu mais um incentivo

“Foi uma escolha de amor. Vá”!

Angústia, medo de não ter forças, saudades antecipadas

“Estarei contigo e te tratei de volta na hora certa”!

Mais um abraço de puro amor

“Se precisar de Mim, ore, chame meu nome, Eu te ouvirei”!

E ela desceu pronta para a batalha

“Vai lá e arrasa! Faça valer a pena “!

E de passo em passo, uma oração

Entre erros e acertos, buscava por Ele

Tentando cumprir sua missão de amor…

Até breve!

Alda M S Santos

Enquanto isso…

ENQUANTO ISSO…

Enquanto a humanidade busca suas companhias

Enquanto seleciona o amor, a família, as amizades e afinidades

Enquanto conserva, mantém ou destrói relações

Focando demasiadamente em físicos padrão, em corpos jovens, bonitos e desejáveis

O que encontramos quase sempre

São corpos sarados e (des) acompanhados

Mentes tantas vezes doentes e solitárias

Almas abandonadas e tristes

Em seres humanos tantas vezes infelizes

Que não se sentem bem consigo mesmos, que roubam o bem estar de outros

Incapazes de ser ou de fazer alguém feliz

Sem chão, perdidos…

A humanidade precisa se reencontrar…

Alda M S Santos

Sozinhos

SOZINHOS

Medo inexplicável e insondável todos temos da solidão

Já que em momentos cruciais do existir estamos sós

Viemos para esse mundo, abrimos os olhos, vemos a luz, choramos …

Por mais gente que esteja ao nosso redor nesse momento

Chegamos sós…

E passamos a vida em busca de companhia, de afinidades

De um modo de afastar a solidão…

Será que temos a consciência que o momento da solidão voltará

Que será difícil, doloroso?

E que ter alguém ao longo do caminho poderia amenizar isso?

Na hora de partir, de voltar para o lugar de onde viemos

No momento em que fecharemos os olhos para esse mundo

Teremos apenas a solidão de companheira, iremos sós

Voltaremos também sozinhos

Para um lugar que mesmo imaginado, até sonhado

É, ainda assim, desconhecido…

Quanto mais amigos ficarmos dessa companheira, a solidão

Menos sozinhos estaremos…

Ser amigo da solidão, é não perder-se de si mesmo…

Alda M S Santos

Dá para explicar?

DÁ PARA EXPLICAR?

“Você conseguiria explicar isso para seus pais, para seus filhos

Sem pestanejar, sem titubear, sem subterfúgios

Com leveza, certeza, tranquilidade?

Essa é a pergunta que me faço antes de tomar qualquer decisão

Seja na vida profissional, pessoal, social ou religiosa”

Ouvi isso certa vez e achei muito sensato!

Se qualquer atitude tomada for envergonhar

Não der para explicar de modo claro, sem mentiras

Para aqueles que mais amamos e nos importamos

Para quem nos admira e se importa conosco

É sinal que não é uma boa opção

Se não dá para explicar sem medos ou receios de rejeições

As construções, escolhas, desconstruções e consequências

É uma atitude que não deve ser tomada

Certamente irá machucar alguém e ferir a própria consciência…

Certa vez ouvi uma pessoa amiga dizer

“Não queria isso, como vou explicar para meus filhos”?

Isso pode não ser tão fácil sempre

Mas é uma maneira sábia de lidar com indecisões

Com erros e acertos, com tropeços e quedas

Com as ventanias da vida…

Alda M S Santos

Fazer o bem, viver o bem

FAZER O BEM, VIVER O BEM

“Uma pessoa do bem, que ajuda a tantos não merece passar por isso”

Fala contínua pós-tragédias, particularmente quando atingem indivíduos “do bem”

Fazer o bem não livra ninguém de ser atingido pelo mal

É um modo caridoso de ser e de viver

Uma maneira de ser generoso consigo mesmo através dos outros

Uma vida tentando ser fiel a seus princípios

Que, infelizmente, não imuniza contra as maldades existentes por aí

Mas torna seus autores mais fortes e resistentes para enfrentá-las

Num mundo de cabeça para baixo

Ser bondoso, ético e correto, o que deveria ser visto como natural

É encarado com incredulidade.

Espanto com o mal deveria ser geral, independente de quem atinja…

Cercarmo-nos do bem, fazer o bem

Tornar mais equilibrada a luta do bem contra o mal

É na verdade uma maneira de tentar neutralizar o negativo existente por aí

Que sabemos que tem sempre muitos adeptos

Infelizmente…

Alda M S Santos

Finou-se?

FINOU-SE?

Dia de Finados, dia dos mortos, dia dos vivos

Dia de todos nós que aceitamos nossas mortes diárias

Aquilo que em nós finou por inanição, por circularidade existencial, por ciclo vital

Somos feitos de nascimentos e mortes todo o tempo

Aprendendo a lidar com o que em nós definha, morre

O que em nós brota, nasce, cresce, se agiganta

Até mesmo o que em nós se transforma ou se recolhe

Para não tirar a luz daquilo que precisa crescer

Fruto que precisa secar, morrer

Para deixar a semente de um novo existir brotar

E manter oxigenado em nós o que precisa viver…

A “melhor morte” de todas é a que serve de adubo para aquilo que vai nascer

Não morre, se transforma e renasce em algo mais lindo e duradouro

Como o que temos em nós de mais maravilhoso

Capaz de permitir que nele nos eternizemos: O AMOR

Alda M S Santos

Qual a questão?

QUAL A QUESTÃO?

Não é uma questão de vencer a qualquer custo

É uma questão de saber quais “armas” são válidas

Não é uma questão de ter a quem culpar

É uma questão de assumir as próprias responsabilidades

Não é uma questão de vencer ou perder

É uma questão de ficar bem consigo mesmo numa ou noutra situação

Não é uma questão de quem vive ou quem morre

Por quem se vive ou por quem se morre

É uma questão de vida e morte para todos

É uma questão de porquê se vive e porquê se morre

Mas, principalmente, de como se vive ou como se morre

Pois não há quem vença sempre

Não há tampouco quem viva para sempre…

Em cada vitória trazemos uma derrota acoplada

Em cada derrota há sempre algo de positivo e vitorioso a considerar

É tudo uma questão de ir aprendendo a viver

Enquanto houver vida, amor, esperança e confiança…

Alda M S Santos

Dores e delícias do viver

DORES E DELÍCIAS DO VIVER

É dor ou delícia?

Dispor de um céu infinito para voar

E encontrar alimento num cativeiro alheio?

É dor ou delícia?

Ter asas leves e fortes capazes de alçar voo nos sonhos do coração

E precisar manter os pés firmes e pesados no chão?

É dor ou delícia?

Avistar um deslumbrante e convidativo horizonte além-mar a desbravar

E desejar um porto distante e inalcançável a um barquinho de papel?

É dor ou delícia?

Flutuar nas águas límpidas e leves do amor incondicional

E, afoito, se afogar nas águas turvas e densas da ilusão?

Viver é se molhar e se secar, tornar a se molhar e tornar a se secar

No brilho líquido e vibrante dos sorrisos e das lágrimas

Que nos tomam todo o tempo de delícias e dores….

É dor ou delícia?

Cada qual que responda por si…

Alda M S Santos

Quando eu for embora

QUANDO EU FOR EMBORA

Quando eu for embora

Quem de mim sentirá falta?

Aqueles que caminharam comigo

Que tiveram de mim a companhia diária?

Quando eu for embora

Quem de mim sentirá falta?

Aqueles aos quais dei meu melhor, mesmo falha, mesmo nos erros?

Ficará neles a lembrança do meu sorriso, do meu cuidado, do meu amor?

Quando eu for embora

Quem de mim sentirá falta?

Aqueles para os quais trabalhei, ensinei, me dediquei?

Quando eu for embora

Quem de mim sentirá falta?

Aqueles que buscaram em mim a inspiração e energia para continuar?

Quando eu for embora

Quem de mim sentirá falta?

Aqueles que me amaram…

Mas quem me amou de verdade?

Quando eu for embora

Quem de mim sentirá falta?

Aqueles que de mim precisaram, que usufruíram do que pude proporcionar

Que amaram não a mim exatamente, mas o que lhes possibilitei

Esses encontrarão logo substituto quando eu for embora

Sentirão falta de alguém como eu, não de mim…

Nós somos quem amamos e quem nos amou de verdade

Quando formos embora levaremos grande parte deles conosco

Deixaremos muito de nós com eles…

Quando eu for embora

Quem de mim sentirá falta?

Alda M S Santos

Desculpe

DESCULPE!

Eu lutei, me esforcei, enfrentei o que machucava, sem revoltas

Dei tudo de mim, entreguei o que tinha, pedi, perdi

Desculpe!

Não foi o bastante tudo que fiz

As dores que passei, os medos que vivi, eu tentei, perdi

Desculpe!

Amei vocês acima de tudo, briguei comigo mesma

Quis estar aqui, ser a Mulher Maravilha, perdi

Mas nem todos os laços que cultivei conseguiram me salvar

Desculpe!

Fui feliz, sorri, chorei, sofri, fiz vocês sofrerem

Acreditei que seria possível… perdi

Desculpe!

Por não ter aguentado, não ter conseguido ficar mais

Desculpe!

Por ter partido e deixado vocês para trás

Desculpe!

Mas uma promessa eu cumprirei

Amarei vocês para sempre!

Ainda nos encontraremos um dia e abraçarei vocês de novo

Desculpe! Adeus!

Ela teria dito, se pudesse, antes de partir…

Eu teria dito se fosse ela

E ela se foi…

Guerreira, amante e amada…

Alda M S Santos

Para onde irão?

PARA ONDE IRÃO?
Roupas e calçados doados para caridade
Livros lidos e relidos, que estante ocuparão?
Aquelas fotos e CDs antigos, verdadeira raridade
Objetos de apego, perfume especial, animais de estimação
Para onde irão?
Crônicas e textos escritos, poemas e versos
Cartas e cartões, carinhos contidos, afeições declaradas
É a vida em seus direitos e avessos, versos e reversos
Rosas plantadas, flores regadas, ervas arrancadas
Para onde irão?
Versos de amor gravados na alma em doces melodias
Sorrisos e abraços que aqueceram e iluminaram nossos dias
Qualquer tentativa de lidar com a ausência, com a saudade, pura perda de tempo, embromação
Bom mesmo é ficar, mesmo depois de ir embora, permanecer pra sempre gerando emoção…
Todo o resto não importa para onde irá, especulação
Se o que importa de verdade estiver tatuado no coração…
Alda M S Santos

É macabro falar de morte?

É MACABRO FALAR DE MORTE?

Muitas são as explicações na tentativa de justificá-la

Uma das poucas certezas da vida: a morte

E ainda assim a desconhecemos e tememos

Atinge a todos, sem exceção

Não escolhe idade, raça, gênero, cultura ou condição socioeconômica

Ainda assim tentamos explicar:

“Estava velho e doente, sofrendo, foi melhor assim”

“Tão jovem, uma vida pela frente, não dá para aceitar”

“Lutou contra o destino, mas não teve jeito, era a hora”

“Esse também desafiou a morte todo o tempo”

“Era um anjinho, nada viveu ainda”

“Uma alma boa, nunca fez mal a ninguém”

Ou a mais ouvida de todas:

“Deus chamou de volta para casa!”

Quem Deus chama de volta?

Qual o critério para voltar para casa?

Deu defeito, venceu o período de garantia?

Precisa de “assistência técnica” especializada?

Deu ou causou perda total e precisa voltar para o fabricante?

E se foi mau uso, tem direito a reparos e retorno às vias?

E aqueles que apresentam reiteradamente o mesmo defeito, destruindo ou arriscando a si e aos outros?

Nessa perspectiva Deus seria o mecânico, o técnico especialista em reparar falhas e danos.

Mas será que Ele não saberia fazer isso com o motor funcionando, com o coração batendo?

Será que quem volta para casa não precisa de injeção de carinho, tratamento intensivo de amor?

E aqueles que não apresentam defeito de fábrica,

Por que voltam para a “oficina”?

Será que Ele não leva alguns tão bons para ajudá-lo lá em cima?

Será que simplesmente não venceram seu “estágio” por aqui?

Será que quem é chamado de volta já não veio com data de retorno?

Qual o critério para escolher o quanto viver e quando morrer?

Olhando por um lado positivo

Quem morre já cumpriu seu papel nessa dimensão,

E volta para a eternidade, para o paraíso tão aclamado!

Não é castigo ou punição a morte, apenas mudança de jornada.

Seriam, então, privilegiados aqueles que vão mais cedo…

Difícil é fazer aqueles que foram deixados para trás

Entender, aceitar e aprender a lidar com a ausência e a saudade…

E, não, falar de morte não é macabro!

Alda M S Santos

Cultivando amizades

CULTIVANDO AMIZADES

Amava a terra, a natureza

Cuidar de sua horta, suas galinhas

Plantando árvores, colhendo frutas

Cultivando amizades, distribuindo simpatia

Sempre original com seu bigode e seu chapéu

Cuidadoso e carinhoso com os cachorros de “todo mundo”

Atencioso com todos, carinho sem igual com filhos e netos

Nosso moço da água, responsável, brincalhão

Pegando grama para ninhos das galinhas, matando cobras

Fazia parte daquele lugar

Descendo a rua a passear com a esposa

Subindo seu terreno ao lado do nosso

E sempre um cachorrinho atrás

Um bate papo atencioso com quem encontrava

Como só pessoas de lugares lindos e simples

E de almas grandiosas são capazes…

Foi chamado para cuidar de outras terras, do outro lado

Antônio dos Santos não será o mesmo lugar sem você

Se puder, apareça por lá vez ou outra…

Vá em paz, amigo Walmir!

Se Deus o levou, que possa amparar quem ficou!

ABRAÇOS CARINHOSOS DA FAMÍLIA SANTOS

Alda M S Santos

E quem poderá dizer?

E QUEM PODERÁ DIZER?

Quem poderá dizer do quanto de cada um de nós é autêntico ou fuga?

Os introvertidos, calados, que preferem a solidão

Ou a própria companhia, quase não se misturam

Não gostam de aglomerações nem de improvisos…

Os rebeldes que reclamam, brigam, sozinhos ou não, riem, choram, gritam, esbravejam

Nunca parecem quietos, estão sempre envolvidos, insistem, “comem” a vida…

E aqueles que participam de inúmeras atividades, gostam de tudo, dispostos e cheios de energia

Literalmente, abraçam o mundo, sempre sorrindo…

Quem é verdadeiramente feliz ou infeliz?

O quanto disso é autêntico ou quem está usando subterfúgios para se esconder de si e dos outros?

O quanto no modo de ser de cada um é prazer, alegria, insatisfação ou fuga?

Quem está verdadeiramente em paz consigo mesmo, com a própria consciência, com a vida?

Quem poderá dizer do quanto disso tudo não é sobrevivência?

Quem poderá saber ou julgar?

Quem não gostaria de ser diferente ou estar de outro modo, noutro lugar?

Afinal, cada qual luta com o que tem, com a arma que melhor conhece…

Ou levanta a bandeira branca!

Quem poderá dizer algo ou contradizer?

Alda M S Santos

Estou viva!

ESTOU VIVA!

Estou no perfume doce e inebriante da flor

Também nos espinhos que a protegem e nos causam dor

Estou no calor escaldante do sol a brilhar

Também na chuva fria que cai fininha sem cessar

Estou na paz e inocência do sorriso infantil

Também na ternura do olhar de um idoso senil

Estou no beijo de um casal apaixonado

Também na saudade de um amor do passado

Estou na brisa suave que acalma, refresca, arrepia a pele e os cabelos balançam

Também nos ventos fortes dos vendavais que assustam e tudo bagunçam

Estou nos acordes suaves da empolgante canção

Também nos corpos grudados que dançam sensuais pelo salão

Estou na claridade da lua cheia ao anoitecer

Também na nebulosidade de um dia em que o sol esqueceu de nascer

Estou na finalização que nos traz todo entardecer

Também na esperança que renasce verdejante em cada alvorecer

Estou no amor vivido, na dor cortante, frustrante

E na vida que se renova no silêncio de paz dos amantes

Estou viva, sou a poesia

E, vez ou outra, me transmuto em versos, em poemas, em magia…

Alda M S Santos

Autossustentáveis

AUTOSSUSTENTÁVEIS

Buscamos por um ambiente autossustentável

Uma água que siga seu ciclo e se renove

Árvores que nasçam, cresçam, se reproduzam e morram

Não sem antes nos fornecer seus frutos, sombra e madeira

Sem nos deixar na mão

Animais que nos sirvam de algum modo, que sejam “úteis”

Vegetais, animais e minerais à nossa mercê

Água, terra, fogo, ar, puros e infinitos para nosso prazer

Outros humanos a nos agradar e “servir”

E qual nossa parte nisso tudo?

Apenas usufruir sem contribuir?

Arriscando secar qualquer fonte de água, alimento ou amor?

Precisamos de humanos autossustentáveis

Brancos, amarelos, negros, vermelhos ou azuis

Ou, no mínimo, que não destruam irremediavelmente

Tudo aquilo de que precisam para se manter…

Como espécie e como indivíduos

A começar por si mesmos…

Alda M S Santos

Quem assina?

QUEM ASSINA?
Se pudéssemos observar com olhar neutro nossas vidas
De fora, com imparcialidade, sem grande envolvimento emocional
Como a observar um quadro “pintado” em sua totalidade
E também em suas partes, seus detalhes
A parte que brilha, a fosca, a meio escondida, a que se destaca
A mais colorida, a clara, a moderna, a abstrata
A antiga, a contemporânea, a atual
Original ou controversa,
Aquela fácil de entender e a que ninguém decifra
O que veríamos?
E, mais importante, quem assina essa obra?
Quem é o autor de verdade?
Quais influências terceiras sofre?
Nosso nome está assinado ali, mas somos mesmo os pintores dessa obra?
Ou é uma arte falsificada, uma fraude?
Pintamos o que acreditamos, com nossas próprias tintas e criatividade
Ou somos “ladrões” de material alheio?
Mesmo sem conseguir manter a neutralidade e imparcialidade
É possível fazer minimamente essa análise:
Somos autênticos?
O grande Autor da Obra Vida deu a receita: amor
Essa tinta nos permite viver uma obra de arte verdadeira
E chegar na grande galeria do outro lado com um quadro original
Ainda que todo manchado de sorrisos e lágrimas…
Com o vermelho do amor pelo outro e da paixão de viver
Com o amarelo das tentativas frustradas
Com o roxo das decepções e angústias
Com o verde brilhante da esperança
Mas nossa!
Nossa tela pode ter muitas cores e influências externas
Mas todas devem ser passadas e filtradas pela nossa alma
Sempre procurando ter orgulho do trabalho feito
E muito pouco do que se envergonhar…
Alda M S Santos

Placas tectônicas

PLACAS TECTÔNICAS
O movimento das placas tectônicas causa graves acidentes na superfície do planeta
Terremotos, maremotos, tsunamis e vulcões assustam
Mas são sinais da vida ativa no interior da Terra
A cada vez que elas se movimentam
Grandes desastres naturais são gerados resultando em morte, terror, destruição
Uma nova posição elas tomam, nova organização se dá: sobrevivência
Quem está melhor preparado sabe o que fazer, como lidar, seleção natural
Nem sempre os mais altos e bonitos edifícios mantém-se de pé
Muitas vezes são os primeiros a ruir e tombar ao chão,levando consigo muitos outros
O que vale é a estrutura firme, a base forte, a flexibilidade das colunas
Desconsiderar a força da vida interna que se rebela e se revela não é sábio
Nos terremotos naturais os sobreviventes conhecem a regra: o tripé da vida
Apoiar-se em algo sólido e firme, abaixar-se, proteger-se
E esperar a lava quente, a fumaça tóxica, os destroços serem levados oceano afora …
Nesse grande planeta azul, somos dele pequenas miniaturas
Onde estamos nos apoiando quando nossas placas tectônicas se movimentam perigosamente?
Alda M S Santos

 

Em pergaminho, uma vida

EM PERGAMINHO, UMA VIDA

Num pergaminho de pontas queimadas e amareladas

Escreveu em versos simples e singelos sua vida num poema

Na contramão da era digital, online, devastadora

Uma vida tão sonhada, desejada e não realizada

Foi escrita a pena, a duras penas, regada a lágrimas

Enrolada, amarrada em laço e numa garrafa colocada

Lançou ao oceano aqueles sonhos para a posteridade

Quem sabe quem a encontrasse não se inspirasse

E fizesse daquele poema meloso, piegas e fictício

Uma linda poesia da vida real…

Alda M S Santos

Um dia nosso sol irá se por

UM DIA NOSSO SOL IRÁ SE POR…

Um dia nosso sol irá se por

Seu brilho descerá calmamente atrás da serra

Com cores lindas se apagando no firmamento

Um dia nosso sol irá se por

Nossos dias serão um entardecer infinito

Com ou sem arrependimentos por quem aqueceu ou deixou de aquecer

E isso não mais irá importar

Um dia nosso sol irá se por

Nossos sorrisos não iluminarão mais nossos rostos

Nossa alegria não mais irrigará nossos corações

Um dia nosso sol irá se por

Levará consigo o chiado de quando quase se afogou em nossas lágrimas

Sem expectativas de um amanhecer por aqui

Deixando um rastro de luz, vida e brilho por onde passou

Um dia nosso sol irá se por

Mas não será hoje

E quando isso acontecer, não irá doer

Não importarão as partes escuras enfrentadas

As lembranças nas sementes que fez germinar

E a luminosidade que deixou noutros corações

Serão o suficiente para nascer noutro lugar

Um dia nosso sol irá se por

Mas não será hoje…

Um dia, quando eu me apagar por aqui

Espero nascer um pouco em você, em vocês

Que me amaram e que eu um dia amei…

Alda M S Santos

Moldados pela vida

MOLDADOS PELA VIDA

Não há nada que nunca mude, que nunca se transforme

Até mesmo as pedras, as rochas, inertes e imóveis no mar

Sofrem total interferência do meio

Aparentemente firmes e fortes, a água, o sol, o sal, os ventos

A matéria orgânica, animal e vegetal a modificam

A água abre reentrâncias, provoca sulcos, invade espaços

Quando não há, contorna, passa por cima e, ainda assim, é atingida

Adquire novas cores, novas formas, novo relevo

Muitas vezes nocivo, que corta fundo quem se aproxima

Causa dores, escorregões e tombos

Uma pedra nunca está totalmente isolada por estar parada no mesmo lugar, inerte

Cedo ou tarde, ela será “outra” pedra

Somos pedras sendo moldados pelas águas da vida em seu ir e vir incessante

Ora turbulentas, ora calmas, ora violentas e sempre incansáveis da vida…

Podemos escolher fazer parte, ou sermos modificados à nossa revelia…

Alda M S Santos

Explosão de luz e calor

EXPLOSÃO DE LUZ E CALOR

Explosão gradativa de luz e calor

Diária, constante, permanente

A aquecer e renovar esperanças

Independentemente de como estejamos

Do que aconteceu ao mundo

Ou ao nosso mundo particular

Ele sempre nasce e se põe, certo, incansável, perseverante

Aparentemente indiferente aos revezes do mundo

Às nossas nuvens escuras ou às tempestades que provocamos

Às intempéries, naturais ou não, que enfrentamos

Às nossas dores ou alegrias, amores e desamores

Sempre a brilhar no firmamento

Prefiro acreditar que é um apoio à vida

Como alguém a dizer “nunca me esqueço de você”

“Estando alegre ou triste, estarei sempre aqui”

“Meu amor por você é incondicional”

“Estou longe, mas posso sentir você, como você me sente”

“Nós, juntos, podemos priorizar a vida”

Sábio, Rei, sabe que é preciso se recolher, às vezes,

Para amanhecer mais forte em todo seu esplendor…

Salve o Sol, salve a vida!

Alda M S Santos

No ponto certo

NO PONTO CERTO
Café, passado na hora, quentinho, cheiro delicioso e convidativo
Sementes, mudas, raízes, brotos, galhos, flores, frutos maduros
Depois de aparentemente prontos para consumo
Os grãos precisam ser colhidos
Colocados para secar, socar, torrar, moer
Para, ainda assim, passar por água fervente, ser coado
Até podermos saborear o delicioso cafezinho…
Colhê-los antes da hora seria perda de tempo, desperdício
Esperar demais ele seca, murcha, passa do ponto, apodrece e cai
Verde demais ou apodrecido não dá pó, não faz café
O mesmo se dá conosco
Todas as fases que passamos são para chegarmos ao ponto certo de “consumo”
Quantas vezes parecemos maduros e prontos
Não aceitamos a parte dolorosa do secar, torrar, moer
Sem saber que o melhor ainda está por vir?
Laranjas só dão suco se espremidas
Grãos de café só valem se maduros, torrados e moídos
Pessoas só chegam à alegria e sabedoria da maturidade
Quando são o “café” quente e animador para si e para os outros
Quando não negam e encaram as etapas dolorosas do viver
Como parte do se tornar “eu”.
Somos eternos cafezais num constante florir, frutificar, colher, secar, torrar, moer, repousar
E virarmos cafezinho saboroso
Verde, maduro, seco, no ponto certo…e a vida segue…
Qual seu ponto ideal?
Aceitam um café?
Alda M S Santos

Na dolorosa despedida

NA DOLOROSA DESPEDIDA…

Chegou a hora de ir, tinha medo, não se sentia pronta ainda.

-Não posso ficar mais um tempo aqui?

-Você é quem escolhe, mas sabemos que é chegada a hora.

-Tenho medo! E se eu errar, me perder, cair, te decepcionar?

-Poderá sempre recorrer a mim, poderá aprender, mudar!

-Olhando daqui tudo parece fácil, claro, tenho você, mas lá fora é assustador!

-Confie! Você é fruto do amor, aprendeu muito, é perspicaz.

-Será? E se me ferir, machucar os outros, não conseguir consertar as coisas, cair nos mesmos buracos deles?

-Olhe para dentro de si, ore, busque tudo de bom e amoroso que tem aí dentro!

-Mas você não estará lá comigo! E quando me sentir desamparada?

-Você está levando anjos preciosos contigo! Cuide deles! Deixe-se cuidar!

-Mas lá é nebuloso, há outros que nos enganam, que querem nos levar para longe de nós, de ti.

-Eu sempre estarei contigo todo o tempo, dentro de você!

-E se eu não conseguir vê-lo? Como saber?

-Procure-me naqueles que precisarem de você. Se forem do bem, você me verá neles.

-E se forem do mal não devo me demorar neles…

-Sim. Ajude até o ponto em que tenha certeza do que é certo e não corra riscos…

-E se eu quiser voltar? Se me cansar, estiver ferida, quiser colo, sentir saudades?

-Estarei aqui. Conheço sua força e seus limites. Saberei o momento de te trazer de volta!

-E vá logo, minha filha, e lembre-se: EU AMO VOCÊ!

Ela recebeu um abraço demorado, um olhar de puro amor de PAI MISERICORDIOSO, e desceu.

Alda M S Santos

Me leva

ME LEVA

Me leva com você para os caminhos que já trilhou

Para que possas me ensinar a ser feliz no conhecido

E a me alegrar com o que passou sem sofrimentos

Me leva com você por caminhos novos

Para que possas encantar-se junto a mim com novas descobertas

E fazer delas uma boa opção

Um rio de águas cristalinas a molhar os pés cansados

Me leva, melhor ainda,

Siga-me por caminhos que só eu conheço

Aqueles cujas trilhas marcadas por sulcos de sorrisos e lágrimas

Estão bem dentro de mim

Esperando por bons caminhantes

Me leva por qualquer caminho, qualquer um,

Havendo tristeza ou alegria, não pare!

Mas não me deixe na mão, não me desampare…

Me leva todos os dias, vida,

Com você poderei sempre aprender

Mas não me deixe ao léu

Ensina-me teus segredos

De continuar a existir

Quando tudo no entorno parecer ruir …

Me leva…

Alda M S Santos

Praga urbana?

PRAGA URBANA?

Seria um pombo-correio?

Chegou pertinho de mim no jardim, joguei água

Querendo impedir que os cães o pegassem

Não voou, ficou me olhando, parecia pedir clemência com os olhos

Fechei a torneira, me abaixei e o peguei

Aquele olhar parecia falar, eu queria ouvir

E “ouvia” os argumentos dos outros para descartá-lo

“Isso é praga urbana, só transmite doenças”

“Que nojo! Mata! Bicho piolhento”

“Solta para os cachorros comerem”

“Isso prolifera igual praga, desequilíbrio ambiental”

“Só serve para distrair os velhinhos que os alimentam nas praças”

Lembrei de casos terríveis de extermínio de mamíferos e aves “nocivos”

E eu via apenas um pombo que me olhava

Que tinha asas para voar e me deixou pegá-lo

De onde veio? Por que estava só? Estaria nas últimas?

Praga urbana?

Para mim era apenas um pássaro

Não era um pombo-correio, mas me trouxe um recado

“Os humanos é que estão se tornando praga urbana

Em sua luta desenfreada para sobreviver roubam a vez de qualquer ser”

Eu o coloquei na beirada do balaústre

Ele continuou a me olhar: “confio em você”

Ficou ali muito tempo e depois voou para o muro

Trouxe seu recado:

“Não há na criação nenhum ser melhor que o outro”

Era mesmo um pombo-correio

Um ser da criação, símbolo da paz!

Praga urbana? Responsabilidade de quem?

Alda M S Santos

Não vai embora

NÃO VAI EMBORA

Não vai embora quem fincou em nós suas raízes de bondade

Não vai embora quem nos fez sorrir, nos permitiu servir

Não vai embora quem nos demonstrou amor na simplicidade

Não vai embora quem nos ensinou que gratidão é da vida o pão

Não vai embora o amor que é partilha, que irradia, que aquece

Não vai embora quem, sem perceber, ajudou a curar nossas feridas

E, acreditando ser ajudado, nos fez ser cada dia melhores

Não vai embora quem amou sem qualquer garantia, gratuitamente

Pois assim que deve ser todo amor: gratuito e incondicional

Até pode ir, mas sua luz é tão forte, que será presença constante em nós

Até pode ir, mas não vai só, leva parte de nós consigo, pra sempre

E deixa-nos com muitos vácuos, mas repletos de amor e saudade…

Alda M S Santos

#carinhologos

Amistosos?

AMISTOSOS?

Treino é treino, jogo é jogo

A máxima dos esportes, em alguns aspectos, também se aplica à vida

A premissa de que a torcida é um jogador a mais pode ser válida

Mas nem sempre é um jogador bom e produtivo

Diante de uma torcida eufórica, a favor ou contra, quem se ”apresenta”, se mostra

Está sob avaliação externa nem sempre positiva ou justa

Abstrair-se é a instrução, olhar ao longe, ficar zen

Ou para dentro de si mesmo, ignorando as cobranças externas

Que, quase sempre, têm reflexos no que vai dentro da gente

No entanto, não dá para ignorar a relação ambígua que temos com a torcida e os expectadores

São eles que nos estimulam a ser cada dia mais e melhor

Que nos impulsionam ou detonam com a confiança ou a descrença

Apenas precisamos saber quem realmente somos e do que somos capazes

Não há barganhas, nossa torcida interna é a que precisa prevalecer

Porque na vida, ao contrário dos esportes, não há treino

Na vida não há jogos amistosos

Jogamos a valer todo o tempo

E o peso da taça somos nós que carregamos…

Alda M S Santos

Quero voltar para casa

QUERO VOLTAR PARA CASA

Triste ver quem foi sempre “atividade” e amor

Presença, sorriso e luz definhar dia a dia

Aparelhos de todo tipo mantendo a “vida”

Respiram, se alimentam, excretam por aparelhos

Estão vivos!

Gemem, roncam, dormem, choram, desconhecem a todos

Memórias antigas, arrependimentos, saudades

Não existe mais o hoje, o amanhã, apenas a carga do ontem

Leve ou pesada, é a que carregam…

Leve ou pesada são a “carga” de alguém

Será que sonham?

Se pudessem escolheriam ir embora?

Deveríamos poder dizer “cansei de brincar, vou para casa”

Essa brincadeira já está machucando, perdeu a graça

Quero pegar o caminho de volta, ou pra frente, tanto faz

Desde que me leve de volta para casa, para o aconchego do Pai

Uma escolha que não nos é permitida

Nem para conosco mesmos, sem sermos “interditados”

Nem para com aqueles que amamos

Sem sanções legais, religiosas, espirituais, emocionais, psicológicas

Deveríamos poder sair de campo, do jogo

Enquanto ainda pudermos escolher, sem manchas no “currículo”, sem humilhações

Escolher a hora do apito final, humanamente, mesmo no zero a zero

Quero poder escolher a hora de voltar para casa!

Alda M S Santos

Miragem

MIRAGEM

Como sonâmbulo, você andava num espaço bonito, porém frio e nebuloso

Passava por muita gente e não enxergava ninguém

Alguns lhe estendiam as mãos, sorriam, cumprimentavam

Outros nem te percebiam ou pareciam bravos contigo

Você não via, parecia ter outro objetivo

Olhos sem brilho, “adormecido”, opacos

Mas seguia…sem parar para nada

Eu observava de longe, encolhida num canto, chorosa

Você chegou até mim, os olhos brilharam, acordaram

Estendeu-me as mãos, levantou-me do chão

Pediu desculpas, chorou, me abraçou demoradamente

“Eu sempre te amei… sempre”-afirmou muitas vezes

E sumiu numa nuvem de fumaça

Como miragem…desapareceu…

Sentei-me novamente no canto

Você voltou para a vida

Eu continuei ali de onde não poderia sair…

Um sonho perturbador!

Alda M S Santos

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