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poemas e reflexões da vida cotidiana

Autor

Alda M S Santos

Para mim, a vida é apaixonante, deixo o amor brotar, rego-o, alimento-o e o distribuo por onde passo.

Flor é poesia

FLOR É POESIA

Se é cor, é pura intensidade
Se é delicadeza é suavidade
Se é perfume, é atração, magia
É flor, é beleza, é poesia

Nada há nela de falso ou artificial
Num belo jardim ou no quintal
Flor é poesia, na calmaria ou vendaval
Pura doçura, acalma qualquer mal

Em broto, botão, belo desabrochar
Como o poeta aos poucos a versar
Abertos para o mundo encantar

Flor é na natureza a melhor poesia
Enfeita a vida, sinal de paixão, amor
Vale como abraço, é calor, tem valor

Alda M S Santos

Não preciso de muito

NÃO PRECISO DE MUITO

Não preciso de muito
Basta um cantinho qualquer
Para me aboletar, aconchegar
Minha alma incansável de mulher

Não preciso de muito
Somente um espaço no seu coração
Para que eu possa assim crescer
Nessa troca de carinho e emoção

Não preciso de muito
Mas o que vier, que seja verdadeiro
Somos espetáculo, sem picadeiro

Não preciso de muito
Só preciso não me perder de mim
Nesse eterno encontro comigo, enfim

Alda M S Santos

Quero acreditar

QUERO ACREDITAR

Quero acreditar que estou no mundo das possibilidades
Que ainda que algo se quebre, não dê certo
Sempre haverá novas realidades

Quero acreditar que estou num mundo direito
Que ainda que ele se vire do avesso
Sempre será possível fazer de novo, bem feito

Quero acreditar que estou no mundo dos sonhos
Que ainda que eles se tornem pesadelos
Nunca serão cansativos, enfadonhos

Quero acreditar que estou no mundo das amizades
Que mesmo que a gente chore ou sofra
Sempre teremos nelas a reciprocidade

Quero acreditar que estou no mundo da beleza
Que mesmo que tudo fique seco ou frio
Ainda acharei refrigérios na natureza

Quero acreditar que estou no mundo do amor
Que mesmo que ele esteja repleto de medos
Sempre será pra nós bem sedutor

Quero, preciso acreditar!

Alda M S Santos

Blindagem

BLINDAGEM

Lá fora há muita negatividade
Temos medos, receios, ansiedades
De nos expor ao que trará infelicidade
Nos blindamos, trancamos preciosidades

Queremos deixar entrar só o que faz bem
Nada de forçar passagem, não convém
Mas a mesma porta tão bem blindada
Não permite entrada, nem saída, nada

Se a luz não entra, ela também não sai
Se o medo toma conta, o sorriso se esvai
Cuidemos do que em nós sobressai

Não dá para da vida nos esconder, nos blindar
A mesma blindagem que pode do mal proteger
Pode impedir do bem e do amor acontecer

Alda M S Santos

Como é possível?

COMO É POSSÍVEL?
Como é possível, ao mesmo tempo
Estar tão perto, estando tão longe
Estar tão longe, estando tão perto
Estar tão dentro, sem haver cabimento
Como é possível, ao mesmo tempo
Ser tão doce sorriso, escondendo amargas lágrimas
Ser tão acolhedor colo, estando carente de aconchego
Ser reflexo de si mesmo, de tão brilhante luz,
Tendo apenas uma faísca acesa
Como é possível, ao mesmo tempo
Ser o amor em meio a tanta indiferença
A esperança em meio a dolorosa ingratidão
A paz em meio a tanta maldade e confusão
Como é possível, ao mesmo tempo
Ser o norte quando se está perdido
O recomeço depois de haver desistido
A continuidade de um viver intenso, meio sofrido
Quando sabemos que a qualquer hora
Seremos pelo tempo engolidos, consumidos?
Como é possível?
Alda M S Santos

É preciso falar

É PRECISO FALAR

Precisamos muito falar, nos comunicar
Aquela angústia ali escondida no olhar
Que nem sempre consegue-se decifrar
Camuflada num sorriso que tenta disfarçar

Não dá para ficar alimentando tristeza
Isso seria fugir de nossa natureza
Que é rica, tem grande potencial e beleza
Quando fortaleza ou mesmo na incerteza

Somos seres interdependentes e interativos
Não dá para viver preso, das emoções cativos
Somos responsáveis, o mal não pode ser cumulativo

É preciso falar, conversar, desabafar
Mas é preciso, sobretudo, saber escutar
Quem fala e quem ouve só tem a ganhar

Alda M S Santos

SetembroAmarelo

Solidão

SOLIDÃO
Solidão não é ausência do outro ao seu lado
Pessoas vão e vêm todo o tempo
Solidão é não encontrar-se consigo mesmo
Quando mais precisa de si
É buscar-se nas batidas frágeis de seu coração
Na infinitude da grandeza de sua alma
E não se ver, não se achar
Encontrar apenas escombros
Solidão mais doída não é ausência de pessoas
Solidão dolorosa mesmo é ausência de si mesmo
Porque a partir do momento que nos encontramos
Nos enxergamos e nos resgatamos
De nossos próprios escombros
É que passamos a enxergar quem está perto
E não notávamos, sequer percebíamos a presença
Para enxergar e valorizar a presença do outro
É preciso vermos a nós mesmos primeiro
Aí a solidão será escolha
E apenas um momento de paz…
Alda M S Santos

Bem-vinda

BEM-VINDA!

Um broto em cada cantinho
Em cada canteiro, uma flor
Em cada flor, uma esperança, um caminho
Tudo é alegria, tudo é perfume e cor
Ninguém quer ser ou estar sozinho
Borboleta, joaninha, passarinho
Todos querem fazer parte desse mundinho
É primavera que chega, sempre chega
Alegria que tanto a gente almeja
Podemos ouvir os sons, a sintonia
A música que a vida toca, a harmonia
O desejo de dançar, ser amor, magia
O inverno fica para trás, diz: até breve
Ele volta, sempre volta, nos resfria
Mas não assusta quem tenta ser luz, cor, calor
Quem carrega a primavera dentro de si
Em harmonia com todas as estações
Vivendo intensamente todas as vibrações
Bem-vinda, primavera!

Alda M S Santos

Inteiros

INTEIROS
Não dá para viver com metades
Meias verdades não colam
Meias palavras não falam
Meios caminhos não levam a lugar algum
Meias certezas não descem
Meias vontades nada produzem
Meias curas não resolvem
Meios amores não acalentam
Meias vidas não satisfazem
Precisamos de totalidade
Precisamos de inteireza
Inteireza no amor, na paixão
Inteireza na compaixão, no amor irmão
Inteireza na alegria, na felicidade
Inteireza na verdade, na fraternidade
De metade em metade
Passamos a vida em pedaços
Partes que não se encaixam
Quebra-cabeças que não se completam
Não dá para buscar uma metade no outro
Nossas metades estão dentro de nós mesmos
Juntá-las nos torna inteiros
Prontos a encontrar outros inteiros, amiúde
E viver uma vida de completude…
Alda M S Santos

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