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poemas e reflexões da vida cotidiana

Autor

Alda M S Santos

Para mim, a vida é apaixonante, deixo o amor brotar, rego-o, alimento-o e o distribuo por onde passo.

No tempo certo

NO TEMPO CERTO

Uma das lições da vida: tudo acontece no tempo certo
Mas como saber se já chegou esse momento
Como identificar, como saber o sentimento?
Será que o tempo certo dirá: é agora!
Ou nos colocará no canto: calma, não apavora!
Será que precisa do Sol e da chuva para ele chegar
Como planta que carece de água e calor para brotar?
Será que é quando algo lá dentro abala nossas estruturas
E se move, mexe e remexe, novas conjecturas?
Será que é quando já não há mais lágrimas, tudo esgotou
Ou quando o sorriso já se impõe, aflorou?
Como saber esse tal de tempo certo
Para não deixá-lo passar,  puxá-lo para perto?
Posso acelerar esse relógio, mudar meu calendário
Ou não posso atropelar, devo aguardar novo cenário?
Tenho medo de ficar sempre a esperar
E esse tempo certo nunca chegar!
Muitas vezes penso: é agora, preciso fazer acontecer
O tempo precisa de minha coragem para florescer
E assim sigo a vida, a linha, equilibrando desejos e ansiedades
Em busca da melhor hora dos sonhos virarem realidades…
Vou controlar a ansiedade
Será que hoje é o tempo certo?

Alda M S Santos

Em meus sonhos

EM MEUS SONHOS

Em meus sonhos há luz a brilhar no horizonte
Enquanto navego tranquila no barco, boa fonte
Noutro momento há penumbra suave e calma
Danço a música, sedução a tocar minh’alma

Em meus sonhos há muita história, há magia
Trazendo angústia, amor ou alegria
Neles posso brincar, sorrir, ser o que quiser
Sem me importar com um medo qualquer

Em meus sonhos crio meu conto de fadas
De reis, príncipes, princesas encantadas
Viajo nas linhas que escrevo, sou a poesia
Aquela que irriga meu mundo de boa energia

Nos meus sonhos coloco e tiro a meu bel prazer
Escolho quem entrar ou sai, faço acontecer
E nem precisa muito esforço ou luta
Sonhos são mágicos, independente da conduta

Qual seu sonho?

Alda M S Santos

Chuvinha que cai

CHUVINHA QUE CAI

A chuvinha cai insistente lá fora
Por que sempre parece levar algo embora?
O céu escuro, carregado, parece que chora
Que fazer nesse dia, nesse agora?

A alma também se recolhe
Busca lá dentro de si algo que não se molhe
Cutuca, mexe e remexe e deixa brotar
Um jardim colorido para se enfeitar

O cinzento pode estar lá no exterior
O bolorento não tem vez no interior
A água de fora e a luz de dentro fazem um arco-íris
Que vão refletir no sorriso, no brilho da íris

Chuvinha que cai, leva embora consigo
Aquilo que já não é mais amigo
Também leve o que já não serve de abrigo
Deixe só o que for amor aqui comigo..

Alda M S Santos

Poetas…

POETAS…

Tidos como sensíveis e amalucados
Alheios à realidade, caminhos sonhados
Flutuam num espaço único e especial
Quem entende o acompanha nessa viagem sensacional

Poetas veem tudo em cores vibrantes
Até mesmo o cinza tem variantes
Abre a janela, pinta a vida feito belo arco-íris
Multicor se faz o mundo em sua íris

Você pode ser dele a inspiração
Pode estar naquele poema, ser a emoção
Não se inquiete se parecer que escreveu pra você
Suas emoções em versos são do mundo um porquê

Poeta tem a alma sensível, excelente percepção
Não cabe tanto lá dentro, o poema é a solução
Também é poeta quem sente essa poesia
Que chega até si, em constante energia

Alda M S Santos

No presente

NO PRESENTE

Busco no passado uma explicação
Algo que justifique o hoje, uma razão
Lá há dores e alegrias, derrotas e vitórias
Há belos registros, várias histórias

Lanço o olhar lá na frente, no futuro
Ainda que haja uma barreira, um muro
Ele é recheado de esperanças e expectativas
Tento ser mais racional, menos intempestiva

Olho para o hoje, o agora, o momento
Quero agir no que me traz contentamento
Preciso ser mais atenta, atitudes assertivas
O passado e o futuro são questões exaustivas

Quero usar o passado com sabedoria
As lições que trouxe, a boa energia
O futuro é uma incógnita, a ele peço licença
Vou agir no presente, fazer a diferença

Alda M S Santos

Através da janela

ATRAVÉS DA JANELA

Uma janela aberta, um mundo de possibilidades
O olhar vai longe, em busca de verdades
Lá fora a vida convida, nos chama
Quer nos levar para o  novo, o viver proclama

Janela aberta para o mundo, dentro da gente
Queremos passar, seguir em frente, na corrente
Não podemos viver sempre por um fio
É preciso vencer os medos, os desafios

Chega até nós o brilho e calor do Sol
Nos viramos para ele feito girassol
Cores e perfumes das rosas seduzem
Lua e estrelas na escuridão reluzem

Há um ímã, através da janela há atração
Um viver além de nós mesmos, mais emoção
Pode ser de bondade, estender de mãos
Também de amor,  paz, um viver mais irmão

Alda M S Santos

Lápis e borracha

LÁPIS E BORRACHA
Histórias escritas, desenhadas
Grafitadas, coloridas!
A cada dia um novo traço, um novo risco
Uma palavra mal escrita, um traçado mal feito
Ou até tudo bem feito, mas no livro errado
E lá surgem lágrimas a borrar toda a obra!
Borrachas tornam-se necessárias
Apagar o que deixou de ser parte da história,
Ou que não pode continuar sendo…
Borrachas deixam marcas, sombras
Mas tudo pode ser reaproveitado
Uma palavra mal dita pode ser inserida noutro contexto
Uma frase noutro capítulo
Um capítulo noutro momento
Uma pedra pode se transformar numa flor
Uma flor numa borboleta no roseiral
Uma lágrima numa gota a regar o novo jardim.
Que será sempre revisitado no fundo de nós.
Nesse livro da nossa vida
Podemos, precisamos ter muitos críticos,
Editores deverão ser ouvidos,
Mas somos nós que selecionamos as palavras, os riscos, os rabiscos
Que farão os capítulos dessa história
Somos nós que daremos cor ao que for importante
E deixaremos em escala de cinza o que precisa sair de cena,
Ou ficar nos bastidores desse espetáculo chamado vida.
Alda M S Santos

Pra depois

PRA DEPOIS

Melhor deixar para depois, agora não
Quem sabe o vento muda a direção
Ou amanhã não vai chover, haverá Sol
Poderei me encantar com o canto do rouxinol

Esse trabalho pode esperar outra hora
O lazer não precisa ser para agora
Aquele desejo antigo que carregamos conosco
Já perdeu o brilho, a cor, ficou fosco

Num eterno procrastinar,  deixar para depois
O tempo não espera ninguém, é sabido
Quando se percebe já não se acha mais abrigo
A vida vai passando, deixando feridos

Urge aproveitar agora cada anoitecer
Aproveitar a vida entre as flores no alvorecer
Fazer nossa hora, ensolarada ou nublada
Não dá é para ficar por aqui estacionada

De depois em depois a vida se esvai…

Alda M S Santos

Regras do jogo

REGRAS DO JOGO

Estamos num grande tabuleiro
Num campo bagunçado ou ordeiro
O jogo sendo sempre jogado
Não dá para ficar parado, isolado

Quais as regras de cada partida
Será que temos outra saída
Dá para criar as próprias normas
Ou temos que aceitar o que se forma?

Há regras para o lazer, para o trabalho
É preciso estar atento para não ser falho
Para o amor as regras envolvem coração
Jogo mais complexo, que gera mais satisfação

Não podemos desanimar ou desistir
É preciso jogar, brincar, seguir
Se isso é fato, melhor é nos divertir
Jogar acompanhado pode melhor servir

Alda M S Santos

Coisas de Deus

COISAS DE DEUS

O Sol, a chuva, o arco-íris pós-tempestade
A Lua em fases a brincar na obscuridade
O rio que corre levando vida até o mar
Se perdendo e se achando nesse caminhar

Tudo isso são coisas de Deus…

Um amor que sofre, que pede, que se doa
Que evolui, se autoabastece, se aperfeiçoa
A vida que diz sim, não ou talvez
E nos deixa na fartura ou escassez

Também isso são coisas de Deus?

O sorriso confiante de uma criança
Um olhar idoso carregado de esperança
O fogo que alimenta o amor dos amantes
As expectativas não satisfeitas, frustrantes

Tudo isso…será que são coisas de Deus?

Deus está na criança que, feliz, confia
Está no adulto que da sua sombra desconfia
Está num viver que nem sempre contagia
Está naquele que segue a sua revelia

Tudo isso são coisas de Deus!

Mas o que fazemos com o que se apresenta
Se se atrai o bem, se o mal afugenta
É nossa responsabilidade, nossa verdade
Não dá para viver sem naturalidade

Alda M S Santos

Recortes de amor

RECORTES DE AMOR

Nossa vida é feita de momentos
Preciosos, leves ou pesados tormentos
A profissão escolhida fica na alma registrada
Cada passo ou escolha, diariamente marcada

O magistério exige amor, uma grande vocação
Mas é trabalho, investimento, uma profissão
Cuidar de seres que estão em formação
Exige uma boa dose de dedicação e intuição

Muitos podem ver como sacerdócio
Ou hobby para se afastar do ócio
Mas é trabalho de amor, o melhor negócio

Ainda que não tenhamos a valorização devida
Ainda que não seja tão fácill essa lida
Somos professores, cuidamos de vidas!

Alda M S Santos

Relâmpago

RELÂMPAGO

Uma luz ilusória, por vezes assustadora
Não dura, só um flash, arrebatadora
Fugaz, rápida, acompanhada de muito barulho
Remexe com nossos medos, nossos entulhos

Relâmpagos são prenúncio de tempestade
Luz que não ilumina, não trazem verdade
São alerta que algo difícil se aproxima
Nessa luz não dá para confiar, ela alucina

Há relâmpagos nas tempestades internas
Descargas emocionais viram uma baderna
Urge arrumar tudo, organizar nossa caverna

Prefiro a luz das estrelas, do Sol, da Lua
Apazigua a alma, que se mostra toda nua
E se (re)encontra numa vida que é só sua

Alda M S Santos

É bom ser criança!

É BOM SER CRIANÇA!

Infância: beleza, encanto, boa energia
Leveza, simplicidade, alegria que contagia
Tantas saudades de um tempo que ficou no passado
Em que beijinho e carinho curava qualquer machucado
As brincadeiras eram o que de mais sério havia
E como era bom viver com os amigos em sintonia
Esconde-esconde, amarelinha, passa-anel ou queimada
Eram as lições sendo na alma registradas
Esconderijos são melhores quando acompanhados
Vamos do inferno ao céu, devagar, degraus são escalados
De mãos em mãos buscamos nossos anéis preciosos
Ficamos experts em desviar dos “amigos” perigosos
Quero apenas poder retomar do mundo de criança
A leveza de tudo aproveitar, ter fé e esperança
E poder sempre encontrar quem cure machucado com um abraço
Criar uma boa roda para brincar, bons laços
E, faça Sol ou chuva, amar, me molhar, curtir esse espaço…

Alda M S Santos

Já fui criança

JÁ FUI CRIANÇA


Fui criança
Que
Mesmo
Com dificuldades
Não perdi
A alegria
E,
Aprendi
A não
Compactuar
Com
A ignorância
Por isso
Vivo
Feliz
Com Deus
Que
Me dá luz
Em
Abundância

Já fui criança
Um dia
Faz tempo
Chorava
Sorria
Tinha
Um colo
Que
Me satisfazia
A simplicidade
Me bastava
Era feliz
Tinha amor
Carinho
Com quem brincar
Olho
Para trás
Olho hoje
Para mim
No espelho
A criança
Ainda mora aqui
Abro um sorriso
Viro
Uma cambalhota
E vou procurar
Alguém para brincar

Eduardo Lapa Alda M S Santos

Sorriso de criança

SARAU DAS CRIANÇAS

SORRISO DE CRIANÇA

O olhar brilha, é iluminado
É verdadeiro, muito encantado
Assim é o sorriso de criança
Aquece corações, traz esperança

Cabe a cada um de nós que já cresceu
Nunca se esquecer que isso é trabalho seu
Cuidar, ensinar, amar, levá-las ao apogeu
Não importa se se é religioso ou ateu

Quando se está triste ou acabrunhado
Quando parece que a vida nos deixou de lado
Basta buscar energia ficando no meio delas
São o belo caminho através de nossas janelas

Sejamos sempre gratos ao Criador
Por nos permitir cuidar com amor
Das crianças que são o Reino do Céu
E de nós todos que levantamos nosso véu

Alda M S Santos

Infância

INFÂNCIA
Quanto tempo dura a infância?
Até a troca definitiva dos dentes de leite,
Ou até o corpo se transformar pelos hormônios?
Quanto tempo dura a infância?
Enquanto se empanturrar de doces sem se preocupar com formas redondas,
Ou até cair nas armadilhas da mente e do coração?
Quanto tempo dura a infância?
Enquanto a brincadeira de bonecas for mais interessante que paquerar um “boneco”,
Ou até o guarda-roupas não ter mais nada que agrade?
Quanto tempo dura a infância?
Enquanto uma mágoa durar apenas alguns minutos,
Ou até o perdão ser uma ação mais complicada?
Quanto tempo dura a infância?
Enquanto um beijinho curar qualquer ferida,
Ou até ser comum dormir chorando e acordar sem vontade de levantar?
Quanto tempo dura a infância?
Enquanto a valsa da bailarina for a maior preocupação do dia,
Ou até os sonhos bons serem atropelados mais vezes por pesadelos?
Quanto tempo dura a infância?
Enquanto um copo de leite for mais saboroso que uma taça de vinho,
Ou até o joelho ralado doer mais que coração partido?
A infância já ficou bem lá atrás quando nos fazemos todas essas perguntas,
Mas se for uma nostalgia e saudade gostosa,
Conservamos uma alma infantil,
Isso é que vale!
Alda M S Santos
Abraços e desejos de felicidades a todas as crianças, de qualquer idade!

Sustentável?

SUSTENTÁVEL

Quero poder aplicar à minha história
Os três eRRes da vida sustentável
Já pensou poder reciclar, reutilizar, reduzir
Fazendo um viver mais saudável?
Começaria reduzindo preocupações e ansiedades
Passaria a reciclar o que já parece descartável
Como as angústias das memórias, das saudades
Faria delas um pote de alegrias e boas lembranças
Para ser revisitado em minhas constantes andanças
E iria muitas vezes reutilizar, esse o R mais útil
Reutilizar o corpo, a mente, a alma, o que der
Reativar sorrisos, doçuras, prazeres, emoções
Particularmente as que aproximam corações
Sei que precisarei de outros eRRes muitas vezes
O R de recusar aquilo que não me convém
O R de rebater de volta o que não quero também
O R de reescrever o que já não é tão bonito
E, finalmente, o R de recomeçar
Quantas vezes for preciso nesse lugar
Tudo por uma vida emocional mais sustentável
Será que tudo isso pode ser viável?

Alda M S Santos

Se eu tivesse asas…

SE EU TIVESSE ASAS…

Se eu tivesse asas poderia ir aonde quisesse
Brincando na rua, dançando com a Lua
Fazendo tudo que me aprouvesse
Não ficaria quieta, estacionada
O infinito seria minha jornada
Se eu tivesse asas enfrentaria qualquer parada
Meus sonhos teriam suas trilhas visitadas
E qualquer vontade seria realizada
Se eu tivesse asas poderia dar carona
Àqueles que não sabem voar, vivem na lona
Mostraria a eles a beleza infinita que há
Na capacidade de ir para lá e para cá
Se eu tivesse asas deixaria as dores num canto
Não levaria pesos, tampouco pranto
Nas asas só o que o amor pudesse carregar
Se eu tivesse asas eu poderia ser a inspiração
Aquela que te visita, toca seu coração
E faz de um ser humano qualquer
A poesia que brota em cada estação
Fica apenas uma dúvida que não quer calar
Será que dá para voar
Estando parada no mesmo lugar?

Alda M S Santos

Meu mundo infantil

MEU MUNDO INFANTIL

No meu tempo de criança o amanhecer era cheio de expectativas
Um dia longo pela frente para brincar, ser ativa
No quintal, na rua, fosse onde fosse
A vida era leve, bela, sem pesos, cargas ou culpas
Boas ações e atitudes premiadas com um doce
A certeza do amor, do amparo
Ainda que demonstrar fosse raro
Sentíamos em casa dentro de nós mesmos
Se teria Sol ou  estaria chovendo
Era nossa maior preocupação
Não existia naquele tempo o mundo virtual
Tudo era bem concreto, bem real
As risadas, as brigas, os machucados
Que se curavam sem grandes cuidados
O futuro estava longe, não gerava ansiedade
Ele chegaria no seu tempo, sabíamos dessa verdade
Sinto tanta falta dessa leveza, alegria fácil
Que permeava o mundo infantil
Um mundo colorido feito arco-íris no céu azul anil
Olho para trás e fico pensativa, em reflexão
Sou a mulher que aquela criança sonhou em seu coração?
Olhando com cuidado, carinho e atenção
Posso dizer: Aldinha, penso que fizemos um bom trabalho desde então…

Alda M S Santos
Tarde de Peosias: No meu tempo de criança

Sussurro de Deus

SUSSURRO DE DEUS

Que será preciso para ouvir o sussurro de Deus
Como será que ele fala, se comunica aos seus
Será que podemos ouvi-Lo sussurrando numa poesia
Onde está Sua voz, Sua benção, Sua magia?

Há sussurro no jardim em muitas cores
No oceano profundo e seus açores
Há sussurro de Deus na criança que chora
Na alma que sofre quando alguém vai embora?

Há sussurro no vento que acaricia a pele
Na noite escura que pra dentro nos impele
No beijo de amor que a expressão suaviza
Na reciprocidade que qualquer dor ameniza?

Há sussurro de Deus em toda sua criação
Basta saber apurar os ouvidos do coração
Deus fala em mim, em você, em nós
Posso ouvi-Lo sussurrando baixinho, desfazendo os nós…

Alda M S Santos

Ritmo

RITMO

Quem determina o ritmo que essa banda toca
Se há parceria ou intenso troca-troca
Quem se importa se não há harmonia
Se a orquestra não está em sintonia?

Quem determina o ritmo do lazer, do trabalho
O leve transitar da consciência em frangalho
Quem coloca limites em nossa velocidade
No que fazemos, queremos, por necessidade?

Quem determina o ritmo do rio, da caminhada
Se a marcha está saudável, (des)acompanhada
Quem dá o tom, o sabor, a cor e o som do amor
Num ritmo calmo, louco, alucinado, por favor!

Quem determina o ritmo dessa aeronave
Que nos transporta sempre, veloz ou suave
Quem tem a nós acesso, nossa chave
De um viver ora despreocupante, ora grave…

Quem determina seu ritmo?

Alda M S Santos

Não sei…

NÃO SEI…

Se o tempo passa veloz e me deixa para trás
Se estou aproveitando tudo que a vida traz
Se sou esponja ou ímã em todo canto por aqui
Não sei…queria ter certeza de como agir…

Se estou absorvendo o bastante o calor do Sol
Se aproveito o encanto desse arrebol
Se a Lua me parece companheira, confiável
Não sei…será que sou fases, meio instável?

Se exijo demais do amor, de mim
Se aceito o que me cabe, relaxo, enfim
Se vou à luta ou se jogo a tolha
Não sei…às vezes cansa a batalha

Se sigo o caminho, sou gratidão
Ofereço o que tenho, sou doação
Se entendo que tudo por aqui é lição
Sei lá…entendo que em tudo há evolução…

Alda M S Santos

Qual o trato?

QUAL O TRATO?

Como cheguei até aqui?
Nesse lugar que não sei bem definir
Que ora me faz feliz, me faz sorrir
Ora é um grande equívoco, dói seguir

Que me trouxe até aqui, para quê?
De onde vim, qual foi o trato
Tudo parece ora bem concreto, noutras tão abstrato
Se desistir, há multa por quebra de contrato?

Será que existe um outro lugar, outro “aqui”?
Onde serei acolhida, bem-vinda
Ou serei avaliada, colocada na berlinda
Cumpridora, devedora, quando isso se finda?

Olho em volta para tudo isso aqui
Ora tem tanto por fazer ainda, qual a sentença
Será que sou daqui ou posso sair, pedir licença
Preciso saber para poder fazer a diferença…

Alda M S Santos

Sem definição

SEM DEFINIÇÃO

Há tanta coisa sem definição…só sensação
Gosto assim, sem precisar definir, só sentir
Sem precisar explanar, só o prazer de encantar 

Há tanta coisa sem definição…só sensação
Como o Sol que vai e vem, sem se esquecer de ninguém
Como a Lua que guarda segredos, dissipa os medos 

Há tanta coisa sem definição…só sensação
Como a cachoeira que lava toda zonzeira
Que acolhe e abraça toda a gente namoradeira 

Há tanta coisa sem definição…só sensação
Como a chuva que cai despretensiosa, fininha ou torrencial
Molha a terra, enche os rios, irriga nossa secura existencial 

Há tanta coisa sem definição…só sensação
Como o amor que faz morada num coração, sem permissão
Faz sorrir, faz chorar, faz viver uma vida com toda a emoção

Há tanta coisa sem definição…só sensação
Para que cobrar razão, ter tanta indagação
Se o que vale mais a pena nem tem explicação?

Alda M S Santos

Esconderijos

ESCONDERIJOS

Somos, a vida toda, eternas crianças
A brincar conosco de esconde-esconde
São vários esconderijos nessas andanças
E vamos tentando não cair desse bonde

Há nessa nossa viagem refúgios diversos
Para cada situação ou momento adverso
Ora escondemos numa atividade exterior
Ora bem lá dentro de nós, nosso interior

Às vezes estamos atrás de um sorriso feliz
Noutras num momento de lágrimas ou oração
Ou naqueles em que estendemos nossa mão

Esconder pode ser um momento de nos refazer
Poupar energias, encontrar a harmonia
Para seguir esse caminho em total sintonia

Alda M S Santos

Rosa por dentro e por fora

ROSA POR DENTRO E POR FORA
Estamos de rosa, por fora e por dentro
Delicadeza e firmeza que bem interagem
Estamos de rosa, por fora e por dentro
Ternura, carinho e força numa só imagem
Estamos de rosa, por fora e por dentro
Alertando para o cuidado da saúde feminina, sem rodeios
Estamos de rosa, por fora e por dentro
Abordando a necessidade de tocar os seios, sem receios
Estamos de rosa por fora e por dentro
Para sensibilizar a todos da necessidade de cuidar das mulheres queridas de suas vidas
Estamos de rosa, por fora e por dentro
Acreditando que o amor atento e cuidadoso vence todas as partidas
Estamos de rosa por fora e por dentro
Rosa bebê, rosa pink , rosa choque, nesse outubro rosa
Para nunca esquecermos: câncer de mama mata, mas tem cura!
Previna-se!
Quando você fez sua última mamografia?
Esse é nosso alerta, essa é nossa prosa
Em rosa…e em todas as cores do arco-íris…
Alda M S Santos

Sonhos: vida em ebulição

SONHOS: VIDA EM EBULIÇÃO

Os sonhos são a vida em alerta
Ou são reflexo de uma alma descoberta
Será que dá para neles fiar, crer, esperar
Alimentando em nós um doce inspirar?

Podem vir em coisas tristes ou dolorosas
Mas também podem ser bem prazerosas
Certo é que sonhos são vida em ebulição
Neles pulsa o que transborda no coração

Sonhos carregam intensos desejos ou temores
Em diversas profundidades, sem pudores
Nos sonhos enfrentamos as mais difíceis dores

Mas sonho também pode ser alegria, ser luz
Um passeio por uma vida linda, que seduz
Será necessário mesmo saber o que ele traduz?

Alda M S Santos

Meu céu

MEU CÉU

Meu céu nem sempre está limpo, céu de brigadeiro
Digno de grandes voos no fim de semana inteiro
Por vezes fica escuro, tenso, carregado
Só se consegue ver que está bem pesado

Gosto da grandeza da imensidão celeste
Seja em norte, sul, leste ou oeste
Para todo lado há algo insondável
Que desperta o desejo, o inimaginável

Se escuro, deixar de voar será o ideal?
Aguardar que tenha condição especial?
Ou seguir assim mesmo, não temer o vendaval?

Meu céu pode mudar a qualquer hora
Olho, me recolho, espero, não demora
Logo meu voo será intenso por aí a fora …

Alda M S Santos

Sou capaz

SOU CAPAZ

Sou capaz de manter um sonho guardado
Nem sei por quando tempo, aguardando aliado
Sou capaz de amar sem medidas
Desejando colo, aconchego, guarida

Sou capaz de voar por aí, meio perdida
Na imaginação que flui, meio dividida
Sou capaz de chorar pela ingratidão
Também pela bondade de um coração

Sou capaz de encarar a vida de frente
Mesmo quando tudo parece dormente
Sou capaz de me recolher em meu cantinho
Aquele que me leva para um só caminho

Sou capaz até mesmo de desistir
Até encontrar nova razão para seguir
Sou capaz de lutar pra fazer valer por aqui
Minha existência, minha vida, meu porvir

Alda M S Santos

Por que rosa?

POR QUE ROSA?
Ele é rosa, o outubro é rosa
Todos os meses deveriam ser rosa
Rosa é coisa de mulherzinha, também de mulherão
Rosa é coisa de mulher, associado ao feminino, é força e fragilidade
Rosa cor, rosa flor, rosa amor, rosa de superação da dor
Somos rosa não apenas pela delicadeza
Somos rosa pela força que se agiganta quando preciso
Que brota do fundo, cresce e se alastra como roseiral
Somos jardim de rosas em luta pela saúde feminina
Rosa que conscientiza a fazer o autoexame dos seios
Rosa que nos leva a lutar pelo direito à saúde pública, a exames de imagem
Rosa que nos lembra da prevenção do câncer de mama
Rosa que nos faz guerreiras ao extirpar um tumor
Rosa que nos fortalece a encarar de peito aberto essa batalha pela vida
Rosa que nos leva a sensibilizar companheiros da importância do apoio familiar
Rosa que nos faz sentir sempre belas, queridas e desejadas
Rosas amadas, ainda que nos falte temporariamente uma parte bem feminina
Que tem o poder de alimentar outras pequenas vidas
Mas que nos lembra que somos femininas por muitas outras razões
Principalmente o amor, a bondade e a coragem
Nada chega ou se vai sem deixar algo importante
E o câncer de mama tem esse poder
Despertar a força adormecida em cada rosa desse lindo roseiral
O outubro é rosa, somos todas rosa
Somos rosas pela vida!
Cuidar desse jardim é responsabilidade de todos!
Alda M S Santos

#outubrorosa

O valor de uma vida

O VALOR DE UMA VIDA
Ânsia, necessidade premente de seguir
Seguir em frente para o desconhecido, o novo
Até onde não haja mais chão para caminhar
E ali pousar…
Ânsia, necessidade premente de seguir
Seguir, mas pegando o retorno, voltar
Até um bom lugar, um ponto pacífico, saudoso, confiável
Buscar o conhecido, prazeroso, sentar
E ali pousar…
Todo desejo de seguir esconde um embutido desejo de estacionar
Num lugar de tranquilidade e paz…
Enquanto houver propósito de seguir haverá vida
Em pouso ou em trânsito…
Cada qual faz sua melhor versão do caminho
Cada um sabe o valor de sua vida e das vidas alheias …
Alda M S Santos

Estações

ESTAÇÕES 

Nascemos Primavera, flores, beleza, encanto, projetos, sonhos, árvores a plantar,

Crescemos Verão, sol, calor, energia, diversão, frutos a colher, realizações,

Amadurecemos Outono, perdas, danos, reconstrução, seletividade, recomeços,

Envelhecemos Inverno, sabedoria, tranquilidade, paz, serenidade, resignação, calmaria…

Não há como escapar das estações de nossas vidas.

 É preciso aproveitar! 

Nada impede que possamos curtir os veranicos em pleno outono ou inverno. 

Nossa estação “interna” apenas nossa alma pode determinar…

Alda M S Santos

Nas gavetas da memória

NAS GAVETAS DA MEMÓRIA

Mexo, remexo, procuro, vasculho
Nas gavetas de minha memória há entulho
Mas com jeitinho, esperança e carinho
Encontro também doçura, cuidado, desalinho

Nas gavetas repletas da minha mente
Há muitos fatos, histórias, muita gente
Mas gosto de revirar as gavetas do coração
Lá encontro a poesia, a boa sensação

Uma lágrima, um sorriso, um jeito especial
É o que está registrado em meio ao temporal
Não preciso ir fundo, ali há emoção, afinal
Nas gavetas bem guardado, o amor é imortal

Arrumo as gavetas, reorganizo espaços
Jogo fora coisas que já não fazem laços
Mas o amor sempre terá seu lugar
Na alma de quem não desiste de sonhar

Alda M S Santos
ENCONTRO PÔR DO SOL
TEMA: NAS GAVETAS DA MEMÓRIA, UM AMOR

É preciso permitir-se!

É PRECISO PERMITIR-SE!
É preciso se permitir sorrir para o bem propagar, o bem atrair
Mas também é preciso se permitir chorar,
Para a tristeza extravasar, a alma lavar.
É preciso se permitir amar para a vida ser plena, o coração não ser pequeno,
Mas também é preciso se permitir não gostar, se afastar do que faz mal,
Para respeitar a si e ao outro.
É preciso ser permitir falar, dizer tudo que agrada ou incomoda,
Mas também é preciso se permitir calar, silenciar, segredar,
Para não magoar, não magoar-se!
É preciso se permitir ser o que é, viver a própria essência,
Mas também é preciso saber aceitar a essência dos outros.
É preciso se permitir viver,
Mas de um modo que não fira ou impossibilite a vida alheia.
É preciso permitir e permitir-se!
Alda M S Santos

É tempo de desabrochar

É TEMPO DE DESABROCHAR

É tempo de desabrochar
Rosas em tantos belos tons
Brancas, amarelas, laranjas
Qual mais te causa frisson?
Azul, cor-de-rosa, champanhe, vermelha
Despertam o sentir, acendem a centelha
Rosas são em nós puro simbolismo
Prenúncio de amor, amizade e otimismo
É tempo de desabrochar…
Suavidade no toque, perfume de inebriar
Rosa atrai, encanta, sabe eternizar
O que faz bem, leva-nos a apaixonar
E terá sempre em nós um bom lugar
É tempo de desabrochar…
Em cada alma há um botão
Fechado ainda, aguardando a melhor ocasião
Prestes a se abrir, ser emoção
Espalhando boa energia em cada coração
É tempo de desabrochar…
Branca, laranja, vermelha ou amarela
Tanto faz, todas são belas
Vale mesmo o que você traz
Que faz brilhar os olhos dela
É tempo de desabrochar e encantar…

Alda M S Santos

De pouquinho em pouquinho

DE POUQUINHO EM POUQUINHO

Um passo de cada vez, sem atropelar
Dá para ir longe nessa viagem, nesse lugar
Fora ou dentro de órbita, só ou acompanhado
A vida gira, segue, sabe o que deixar de lado

O sorriso pode se esconder, o olhar ficar apagado
Mas de pouquinho em pouquinho dá para esquecer
O que deixa o coração triste e amargurado
E buscar nas reservas internas uma razão de ser

Bem devagarinho dá para ir cicatrizando
Com carinho e atenção, a alma vai acalmando
Não desistir de seguir, tampouco ficar chorando
Até a ferida ficar curada, não dá para ficar cutucando

De gota em gota dá para cuidar do broto
Hidratar, reanimar, cozer o que estiver roto
Quero mesmo é apagar o que está dolorido
E pintar sempre nessa tela um novo colorido

Alda M S Santos

Nasceu!

NASCEU!

Já deixei brotar, já deixei nascer
Já cultivei para crescer, já vi morrer
Mas também já nasceu sem meu querer
Já foi embora, triste, vi desaparecer

Ora é saudade, ora é vontade
Ora é desejo de trazer de volta, sem piedade
Cultivo as lembranças com simplicidade
Para ver se renascem para nossa felicidade

Aparece como nuvens brancas no céu
Ou bem pesadas, verdadeiro véu
Ora são brisa leve, chuvinha fina
Tempestades seguidas de arco-íris, brilhante purpurina
Que aquecem de amor o coração da menina

Assim é a poesia em mim
Rústica, delicada, sofisticada,
Ou firme como marfim
Assim são os poemas, enfim…

Alda M S Santos

Quem sou eu para questionar?

QUEM SOU EU PARA QUESTIONAR?

Tenho direito às minhas sombras!

Até o Sol se esconde no horizonte, tira um tempo para si
As rosas perdem suas pétalas que adubam o jardim
A Lua tem suas fases, sua luz e sua escuridão
O rio tem tempo de seca, quase desertificação

Tenho direto às minhas sombras!

Os ipês têm tempo de beleza, de florescer
Mas também têm períodos em que parecem morrer
O mar tem as marés, altas, baixas, as ressacas
Os trópicos também têm períodos de friaca

Também tenho direito às minhas sombras!

Até mesmo a fé tem momentos em que não move tantas montanhas
Ou os heróis tiram a capa, sem grandes façanhas
O amor tem momentos carentes, em que tem mais fome ou sede
E a vida pede uma pausa, um descanso na rede

Então, quem sou eu para questionar minhas sombras?

Alda M S Santos

Quero ouvir

QUERO OUVIR

Quero apurar meus ouvidos
Colocar ali toda sensibilidade
Ajustar no processo todos os envolvidos
E ouvir bem tudo que vier, com alteridade

Quero ouvir o que a voz cala
Mas a opacidade da lágrima grita
Ou o brilho do olhar nos fala
Aquilo que traz a alma contrita

Quero ouvir em sonhos o amor manifesto
Nas palavras, na expressão corporal
Quero captar o que vem por protesto
Escutar os ensinamentos de cada vendaval

Quero ouvir o som suave do vento
O que ele diz no nosso pensamento
Entender o que falam as águas da cachoeira
Ou o Sol que vai sumindo na ribanceira

Há muitos dizeres, audição, compreensão
Basta afinar os ouvidos com o coração
Se houver bondade, luz e emoção
Tudo que for “dito” terá boa interpretação

Quero dizer, quero ouvir…
Você me ouve?

Alda M S Santos
Tarde de Poesias. Tema: Quero ouvir

Amor-próprio

AMOR-PRÓPRIO
Amor-próprio e autoestima é muito mais que se alegrar
Com a pele lisinha e dentes branquinhos
É mais que a satisfação de caber na calça jeans de sempre
Ou poder usar um biquíni de lacinho
É mais do que gostar da imagem que o espelho reflete
Autoestima em dia, amor-próprio o bastante
É encarar a si mesmo no espelho
É não desviar os olhos daquele olhar que te encara
É sorrir de volta para aquela imagem refletida
Com admiração, respeito, coragem
Apesar dos medos e derrotas
É reconhecer-se um vencedor
É saber perdoar os próprios erros
Encarar a si mesmo, sorrir de volta
Ou até mesmo chorar
Mas fazer as pazes consigo mesmo
E seguir em frente
É bom ter amigos, ter um amor
Mas jamais seremos bons amigos, bons amores
Se não entendermos que precisamos ser
Nossos melhores amigos
Nosso verdadeiro amor…
O primeiro compromisso que temos por aqui
É conosco mesmos!
Isso não é egoísmo
É a base de todo tipo de amor e amizade…
És capaz de se admirar ao espelho?
Alda M S Santos

Ainda me ama?

AINDA ME AMA?
Sei que me ama
Quando sou sorriso, alegria, atividade
Sei que me ama também
Quando sou entrega, amor, pura sensualidade
Ou luz, carinho, bondade, verdadeira amizade
Mas será que me ama ainda
Quando tudo fica escuro
O sorriso vira lágrima
A atividade cessa
O amor não tem pressa
A alegria arrefece
A sensualidade adormece…
E aí? A amizade se compadece?
Seu amor está condicionado a quê,
Para que possa permanecer ao meu lado?
Posso contar contigo, meu coração
Para ser, mesmo nos erros, meu abrigo, meu irmão?
Alda M S Santos

Sem saber o porquê

SEM SABER O PORQUÊ

Quando o peito aperta sem saber o porquê
Se tudo parece nublado sem razão de ser
A energia fica seca como areia no deserto
E nem se sabe se quer alguém por perto

Que se pode fazer?

Falta uma conexão importante, especial
Desejo de embrenhar no fundo do quintal
Em meio às folhas e galhos pós-vendaval
Ali parece ser acolhedor,  nada convencional

Que se pode fazer?

Um vazio que, paradoxalmente, é pesado
Uma angústia que nos deixa à parte, de lado
Questiona-se a razão de tudo isso aqui
E bate um desejo grande de partir

Que se pode fazer?

A vida vai sempre ensinando o caminho
Mostrando por onde seguir, mesmo sozinho
Abrindo trilhas em nossas matas fechadas
Se possível, levando boas almas aliadas

Assim, talvez, se encontre a razão de ser
E, finalmente, se saiba o que fazer…

Alda M S Santos

Eu te dei

EU TE DEI

Eu te dei…
A tela branca para pintar o seu sol
As árvores frondosas onde canta o rouxinol
As estrelas brilhantes para iluminar o seu céu
Uma linda paleta para satisfazer seu pincel

Eu te dei…
A chuva prata que irriga sua plantação
Que mata a sua sede e de sua criação
Que alimenta seus desejos de amor
Que te faz na vida um sonhador

Eu te dei…
A brisa para seu rosto refrescar
O rio para seu corpo banhar
A Lua para seu amor encantar
As rosas para sua vida perfumar

Só Eu te dei tanto…
Sem cobrar nada, tudo por encanto
Seu pouso, seu mais doce recanto
Alegria, gratidão, nada de pranto

Só Ele nos deu…

Alda M S Santos

Esperançar

ESPERANÇAR

Gosto de poder um substantivo verbalizar
Transformar em ação o que é abstrato
Particularmente, gosto de esperançar
Firmar comigo mesma um novo trato

Esperançar é se alimentar de sonhos
É lutar contra a tristeza, o que parece medonho
Esperançar não é sinônimo de esperar
Esperar é aguardar, esperançar é ir atrás, é buscar

É tão bom ser amor, poder amar
Mas melhor ainda é poder esperançar
Acreditar que se abastece essa chama 
Quando uma alma por outra clama

Esperançamos melhor com parceria
Quando partilhamos entre nós a energia 
Esperançar é abrir caminhos, não desistir
Acender nova luz, multiplicar, dividir e seguir…

Alda M S Santos
#setembroamarelo

Bom presságio

BOM PRESSÁGIO

Às vezes nossa luz míngua, meio assustadora
Desejo de ficar no cantinho, em hibernação
Mergulhar fundo na alma apaziguadora
Em busca de cura, de cicatrização

Mas algo nos impele, empurra pra frente
Diz: vá em busca de luz, de boa gente
Há delas para todo lado, felizmente
Reclamar do escuro é contraproducente

Há propósito para tudo, eu quero acreditar
A tristeza, a angústia têm razão de ser
Arrumar cada coisa em seu devido lugar
Sorrisos e lágrimas podem nos fazer crescer

Cuidar de si, cuidar do outro, evitar naufrágio
A humanidade avança por contágio
Seja pelo mal ou pelo bem, paga-se pedágio
Ser luz na escuridão é sempre bom presságio

Alda M S Santos

Movendo montanhas

MOVENDO MONTANHAS

Passamos a vida movendo nossas montanhas
Descobrindo quem nos impele a isso
Quem nos dá essa energia, essa força sobrenatural
De tudo mover, mudar, tornar especial
O que ou quem nos faz derrubar muros, afastar barreiras
E ainda assim nos sentir bem conosco mesmos
Sabedores de termos feito o melhor, abrindo fronteiras
E encontrando nosso oásis em meio ao deserto
Depois de sofrer com a angústia tão de perto
Mover montanhas não precisa ser pesado
Pode e deve ser por e com prazer, com cuidado
Dizem que a fé move montanhas
Sim! A fé em Deus, no seu amor, sem artimanhas
Mas sobretudo na fé que Ele depositou em nós
Nos mandando pra cá para enfrentar esse mundo feroz
Se Ele acredita e espera tanto da gente
Quem somos nós para fazer diferente?
Quero mesmo é mergulhar fundo nessa lagoa que é a vida
Ora parada, calma, ora agitada, bela miragem
E mover qualquer montanha será um ato de coragem …

Alda M S Santos

Tempo de amanhecer

TEMPO DE AMANHECER

A música tocando suavemente
As estrelas lá em cima, coração dormente
Em fones, é puro encanto a melodia
Toca fundo, irriga, pura poesia

As lágrimas rolam sem medo
Traçam um caminho, pedem arrego
Um encontro especial com as questões internas
Já não tem tanta força as coisas externas

Conexão com o alto, recônditos secretos
Desejo de viajar para longe, pouso certo
O viver tantas vezes é tão incerto!

Lágrimas lavam tudo, têm poder
De lavrar a alma, fazer acontecer
Surge um novo dia, tempo de amanhecer

Alda M S Santos

Pequi

PEQUI

Quem gosta de pequi
Ia gostar bem de vir aqui
Há pequi para todo lado
Na rua, na cidade ou no cerrado

Quem conhece um pequizeiro?
Bela árvore, bem copada, bom sombreiro
Alegria de goianos, baianos e mineiros
Se facilitar plantam até nos canteiros

Pequi é de gosto forte, polpa amarela
Tem espinhos, se não cuidar gruda na goela
Isso não impede de estar em nossa panela

Como tudo na vida é preciso saber apreciar
É bom no arroz, com frango, boa iguaria
Posso te apresentar o pequi, nossa gostosa especiaria

Alda M S Santos

Educação libertadora

EDUCAÇÃO LIBERTADORA

Ele acreditou na capacidade do ser humano sempre aprender
Ele afirmou que há aprendizado recíproco no ato de ensinar
Divulgou e defendeu a educação, um exímio intelectual
Sempre a apontou como o melhor meio de justiça social
Filosofou e intelectualizou a Pedagogia do Oprimido
Acreditou na capacidade de cada um construir seu saber
Sem eliminar o que puder do outro receber
Apenas incentivando a disposição interna e a individualidade
Freire responde pelo que há de mais democrático na intelectualidade
Para ele não há saber superior, apenas saberes diferentes
Todos aprendemos na troca constante ou intermitente
A máxima de Freire: a leitura do mundo precede a leitura da palavra
Ou seja, a leitura de nós mesmos e do outro é essencial
A qualquer um que pretenda crescer, modo gradual
Ninguém é superior a ninguém, isso é pontual
Mas, mesmo o.contrariando, Paulo Freire é sabedoria sem igual

Alda M S Santos
SARAU CENTENÁRIO DE PAULO FREIRE

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