Busca

vidaintensavida.com

poemas e reflexões da vida cotidiana

O amor e o tempo

O AMOR E O TEMPO

Que o amor faz ao tempo: acelera, modifica?
Que o tempo faz ao amor: fragiliza, solidifica?
O amor tem poder de parar o tempo
Congelar nos momentos mais felizes
Onde não haja contratempos?
Ou segue indefinidamente, mero passatempo?
O tempo dilui o amor, desaparece, enfraquece
Ou o enraiza, fortalece, engrandece?
Por si só o tempo não faz nada
Tudo dependerá da ação empenhada
Do que queremos ter em nós eternizada
Lembranças boas e aprendizados
Carinhos e atenção recebidos e doados
O tempo apenas potencializa
Aquilo que temos como prioritário
Fará crescer o que foi cuidado e regado
Fará morrer o que foi a segundo plano relegado
Mas o tempo sempre permite aprendizado
E novo recomeço a coração magoado
Disposto a se enveredar nesse mundo
Onde aquele que ama é sempre abençoado
Sempre haverá tempo para um alguém
Que se dispõe a amar e ser amado …

Alda M S Santos

Por aí

POR AÍ

Por aí sigo captando belezas
Num cantinho qualquer
Sendo alvo das gentilezas
Apreciando o que de encanto há
Nas flores, nas cores, na pureza…

Por aí sigo captando a música
Que o vento sopra
Que os pássaros cantam
Que as árvores dançam
Aquelas que tocam lá fora,
Tocam cá dentro
E nos encantam…

Por aí sigo em busca da sintonia
Aquela que vem na percepção da poesia
Que nos faz frágeis, fortes
Que nos inebria, contagia…

Por aí encontro algo que todos buscam
Aquela que há nos momentos mais inesperados
Onde um desavisado só vê simplicidade
Eu encontro felicidade!

Alda M S Santos

Aqui tem cachoeira

AQUI TEM CACHOEIRA

Aqui também tem cachoeira
Bela, forte, até assustadora
Se a gente der bobeira
Ela nos leva, arrebatadora

Atrás da queda, bem escondidinho
Os pássaros se reúnem, cantam juntinho
Saem ligeiros em revoada
Quem vê logo pensa
De onde veio essa passarada?

A queda d’água forma uma piscina
Onde nadam moças e moços fugindo da rotina
Sobre todos baila um sereno fininho
Ali, afoitos, roubam abraço e beijinho

Cachoeira, calor, sol, natureza
Venha se banhar, faça parte dessa beleza
Quer encanto, sossego, paz
Viva sem isso tudo se for capaz!

Alda M S Santos

Seja empatia

SEJA EMPATIA

Dor que se apresenta, se agiganta
Aperta o peito, fecha a garganta
Os olhos minam, a voz não sai
Não há um propósito, só um ai

Viver parece difícil, um descaminho
Passa a ver o fim como caminho
Não se vê importante, tudo dói
Ou é a indiferença que corrói?

E a pergunta persiste: para quê viver?
Mas nao quer morrer, quer entender
Buscar meios de fazer a dor desaparecer
Reencontrar por aqui a sensação de pertencer

Tanta dor, solidão e incompreensão
Falta afeto, carinho, audição
Ter alguém presente, mais que corpo
Que seja empatia, não olhe torto

A palavra, o olhar, o acolher são a cura
Do desejo de morte, fonte de amargura
Olhe seu entorno, para frente, para trás
Ofereça atenção, carinho, leve a paz
Quase sempre basta, é eficaz
Pois a vida é um bem que não se desfaz

SetembroAmarelo

Alda M S Santos

PARAÍSO?

PARAÍSO?

Era um lugar diferente, especial
Caminhava feliz, como no meu quintal
Alguns bancos, grama verdinha
Havia muita gente, mas estava sozinha

Parecia conhecer a todos ali
Olhavam-me, sorriam, “que faz aqui”?
Era o que o olhar deles perguntava
Não sabia dizer, só caminhava

Conversavam entre si, havia harmonia
Mas apesar de estar só, sentia a sintonia
De um lugar calmo, pacífico e acolhedor
Mas procurava alguém “sim, meu senhor”

Com uma facilidade enorme escalei
Uma árvore até o topo e lá fiquei
Paz era a sensação…”você aqui”?
Abri os olhos, sorri, te achei, acordei …

Alda M S Santos

Sabiá apaixonado

SABIÁ APAIXONADO

Queria entender o seu canto
Não sei se é alegria ou pranto
Se chama pela companheira
Ou faz show para tomar a dianteira

Parece encontro já marcado
Entre dois afoitos namorados
No mesmo lugar, na mesma hora
Sabiá parece cantar “não demora”

Mas nada dela chegar ali
Canta alto, entoa “estou aqui”
Para, observa e voa para o caqui

O canto cessou, o amor chegou
Agora alegria silenciosa restou
Deixa quieto, para lá eu não vou

Alda M S Santos

Dom de ser feliz

DOM DE SER FELIZ
Cada humano traz consigo o dom de ser feliz
Para cada qual usar como melhor lhe aprouver
Uns guardam, enterram
Outros economizam, usam pouco
Outros ainda gastam tudo de uma só vez
Há ainda os que o compartilham com os demais
Tem gente que o busca em grandes feitos
Atos heróicos ou intensas emoções
Mas ser feliz é simples
Pode estar no mar, na rosa ou num dedo de prosa
Em doar amor, fazer amor, ser o amor
Em buscar a magia na poesia, na sintonia
Não adianta buscar no outro o dom que está em si
O exterior pode até acender a centelha
Mas cabe a cada um manter acesa a chama
Que o torna um ser humano inteiro e feliz
E aprendemos, finalmente
Que o dom de ser feliz se multiplica
No ato da partilha, da divisão
Ninguém é feliz sozinho
Mas se a felicidade não nascer em nosso coração
Nada de fora será capaz de despertá-la
Como você tem usado esse dom que recebeu da Criação?
Alda M S Santos

Um lugar

UM LUGAR

Acordei aqui meio sem lugar
Sensação estranha, de agonia
Senti que precisava muito conversar
Na natureza encontraria a magia

Ali fiquei, sentei, tudo em volta observei
Tão rica e preciosa é a criação
Somos parte dela, isso eu sinto, eu sei
Fomos criados pelo Amor, fiquei em adoração

Sou apenas uma pequena e frágil luzinha
Que por aqui luta, segue, sempre caminha
Tentando iluminar, não estar sozinha

Pouco a pouco respostas vou encontrando
Olho para o alto, me entrego, fundo inspirando
Grata, sinto meu lugar, a boa energia voltando

Alda M S Santosu

Vamos?

VAMOS?

Enquanto houver vida embaixo desse céu
Não dá para deixar emoções ao léu
Inspira, expira, não pira, coloca no papel
Haverá alguém para brincar nesse carrossel

Enquanto houver voz, eu canto
Alívio para a alma, a dor, o pranto
Mesmo desafinada, desgastada
Minha voz ainda é expressão desenjaulada

Enquanto conseguir todo dia me levantar
Ver o Sol lá fora a brilhar, me chamar
Farei valer a pena a travessia nesse lugar

Enquanto houver caminho à vista, eu sigo
Trilhas construo, faço, refaço, prossigo
Levo quem tem afinidades comigo…vamos?

Alda M S Santos

Blog no WordPress.com.

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: