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poemas e reflexões da vida cotidiana

CONFUSÃO

CONFUSÃO
Confunde a mente, aperta o coração
Enche de preocupação
Dificuldade em dizer não
Machuca, desestabiliza
Tenta -se estender a mão
Mas nem sempre é o melhor, não
Vasculha em si uma solução
Busca, insiste, persiste
E voa longe a imaginação
Isola-se, confusão, solidão
Até encontrar um caminho
Que leve de volta ao ninho
Abastecido de amor e carinho
Encontrar a si mesmo nesse burburinho
Alda M S Santos
Mais no meu blog vidaintensavida.com

A paz

A PAZ

A paz que buscamos, onde estará
Será num navio em alto-mar
Numa praia deserta sentados a divagar
Ou numa cachoeira fria a nos banhar?

A paz que buscamos, onde estará
Numa relva deitados sob o luar
Numa aeronave bem alto a viajar
Nas veredas de seu coração a desbravar?

A paz que precisamos somente iremos encontrar
Quando soubermos como acionar
Aquilo capaz de nossa alma despertar

A paz que tanto necessitamos
Está no amor que preservamos
Dentro e fora de nós acalentamos

Alda M S Santos

Natureza em mim

NATUREZA EM MIM

Quando entro numa mata densa
Numa trilha cercada de grandes árvores
Sempre me torno propensa
A ali seguir caminhando
Cada vez mais para dentro mergulhando
O barulho me encanta, o silêncio me satisfaz
Dessa natureza faço parte
Sinto-me forte, de tudo sou capaz
Quando entro numa mata densa
Encontro com a simplicidade
A magia que encanta, sem vaidade
Sinto Deus que mora em meu interior
Que me permite ser mais eu, de verdade
Encontro com as muitas de mim
Que nem sempre têm tanto espaço assim
Inspiro fundo, expiro devagar
E sigo com esperança meu caminhar…

Alda M S Santos

Quisera

QUISERA
Quisera poder voar
Bem alto, bem longe
A tudo de lá observar
Devagarinho, asas bem abertas
Poder planar, descansar
Calmamente, escolher onde pousar
Quisera poder voar
Como que por encanto
Cessar a dor, o pranto
De uma nuvem qualquer fazer meu canto
De travesseiro, repouso e acalanto
Quisera poder voar
Passar pela mente de toda gente
Sondar a alma, fazer inspeção
Saber onde há pouso para meu coração
Quisera poder voar
Para o mundo da magia, da fantasia, da poesia
E levar comigo quem quiser amar
Quisera poder voar…
Alda M S Santos

Jogo

JOGO

No jogo da vida somos peças
A avançar, recuar, sempre sendo movidos
Não dá para parar, bobear
Sob pena de sermos engolidos

As apostas são feitas na grande mesa
Lances altos, dinheiro circula, a roleta gira
Saber as fichas de que dispomos é importante
Caso contrário a gente enlouquece, pira

Bom mesmo é ser o dono das próprias cartas
Comprar, vender, saber do que se desfazer
Aproveitar o que se apresentar, apostas fazer

Nesse grande cassino que se torna nosso viver
O jogo prioriza a máquina, é preciso saber
Para que possamos mais ganhar que perder

Alda M S Santos

Relações light , diet ou zero

RELAÇÕES LIGHT, DIET OU ZERO?
Qual seu amor ou amigo mais antigo?
Num tempo de relações fugazes nos apegamos a quem?
Quem ainda tem um amigo de infância, da adolescência?
Quem ainda está com o amor da juventude?
Talvez mais recentes: quem convive com amigos da faculdade,
Os padrinhos de casamento, os compadres?
Até o convívio prazeroso com primos e irmãos muita gente não tem.
Quase sempre temos colegas ou conhecidos
Aqueles amigos confidentes ficaram nos meio-fios do passado
Os passeios de bicicleta viraram gifs nos smartphones
Os amores quentes, de beijos ardentes e amassos furtivos,
Ficaram nos alpendres das casas ou nos bancos da praça da igreja
E não vale culpar apenas o tempo, ou a falta dele.
A questão é que as relações são mesmo difíceis.
Nada é tão perfeito! São relações humanas!
Humanos são imperfeitos! E relacionar-se envolve dedicação, empenho.
Cada relação é construída dia-a-dia nas diferenças
Abraçando as semelhanças, aparando algumas arestas
Aceitando alguns pés ou olhares tortos,
Um sorriso murcho, uma gargalhada escandalosa
Um compromisso ou uma memória mais ou menos
O que não pode é carinho, afeto ou amor mais ou menos
São eles que dão a liga a toda relação feita para durar.
Relação exige alimento, coisas que deem substância
Num mundo onde tudo é light, diet ou zero
Uma relação de abraço forte, sorriso doce
E amor integral é quase uma ofensa!
Prefiro uma refeição completa, demorada, nada de fast food!
Antes viver “obesa” de amor e feliz!
Que ter que me contentar com amor “light” e amizades “zero”
FORA DIETAS!
Alda M S Santos

Somos água, somos ilha

SOMOS ÁGUA, SOMOS ILHA
Água, sempre água, por todos os lados
Corrente, fluida, represada,
Doce, sobre pedras, oceânicas, salgadas
Na garganta, escorrendo dos olhos
Em nosso entorno, sobre ou sob nós
Não importa, todas têm seu ciclo
Sobe e desce, evapora, “some”, condensa
Mas sempre volta, ora calma, ora bravia
Ensinando a viver essa magia
A superarmos os momentos letargia
Com calma, alegria, sem muito nos preocupar
A circularidade da água é prova dos ciclos vitais
Somos água, somos ilha, somos ciclo
Somos poesia…
Alda M S Santos

Sem borracha

SEM BORRACHA

Viver é escrever à caneta, desenhar sem borracha
É precisar aproveitar cada linha escrita, cada traço feito
E nessa louca procura, em que o que se quer nem sempre se acha
Precisamos transformar dor em versos, disfarçar o que é tido como defeito

Para cada flor desenha-se um beija-flor
Para cada lágrima que cai uma rosa a sugar e reaproveitar sua dor
Para cada risco incerto desse desenho, às vezes sem cor
Tentamos fazer um grande e colorido mosaico furta-cor

Viver é pintar com verde-mata, vermelho-sangue ou branco- neve
Mas não dispensar o preto retinto ou o amarelo-girassol
É entender que nessa mistura é que se faz o que é eterno ou o que é breve
É saber dia ou noite, ser lua, céu, mar, estrela ou sol

Viver é desenhar sem borracha, é não descartar o borrão
É fazer uma obra-prima digna do Mestre, original
Ter sempre o olhar do artista, valorizar toda a emoção
É acreditar que a arte da vida sempre tem um tom divinal…

Alda M S Santos

Sobre o mar

SOBRE O MAR
Um grande hotel sobre águas salobras
Vários andares em direção ao céu
Luxo em cada detalhe, luz, brilho e cor
Parque aquático, restaurantes, cassinos
Shows, espetáculos, teatros e festas
Vivendo dias e noites de esplendor
Tudo para diversão, descanso e lazer
Mas tudo isso está navegando
Flutuando sobre águas, um leve balançar
O mar lá embaixo em movimento
Quase não dá para acreditar
Mas a cidade vai ficando para trás
E o navio MSC segue seu rumo
E a gente por aqui mantendo nosso prumo
Tentando não nos perder nesse convés
Entre tanto sobe e desce, ir e vir
Costurando a vida em doce e colorido viés
Alda M S Santos

A poesia

A POESIA

A poesia ainda vai curar o mundo
Levar o amor e magia a toda criatura
Ao descrente, ao sensível, ao vagabundo
Ao culto, ao letrado, ao apaixonado
A poesia ainda vai nos livrar da dor
Sendo encanto, beleza, o peixe, o pescador
Sendo jardim, flor ou beija-flor
A poesia ainda vai nos ensinar a amar
Ser a fé, a esperança, a vibração
Ser atração, sedução, paixão, emoção
A poesia ainda vai nos tirar da indiferença
Sendo a luz, o silêncio, o barulho, a presença
Sendo nesse mundo tão superficial,
Nossa mais doce essência…

Alda M S Santos

Ser coração

SER CORAÇÃO

Ser colo, acolhimento, empatia, sentimento
Exige uma alma sensível, receptiva
Domínio da própria emoção, com respeito
Que saiba ser amiga, compreensiva

Esse mundo onde tem imperado a dor, a solidão
Pessoas sentindo descaso e abandono
Rodeadas de gente, não há compreensão
Terreno fértil para aparecimento da depressão

Urge ser alguém que ouve e acolhe nesse mundão
Que estende a mão, sabe ser coração
Para aquele que se sente sem chão

O tempo corre , voa, não perdoa
Mas dá para ser ainda aquela alma boa
Que não quer passar por essa vida a toa

Alda M S Santos

Todas las voces 6

Revista de escritores latino-americanos

http://online.pubhtml5.com/wdzl/wlsw/

Mundo difícil

MUNDO DIFÍCIL

Há por aqui gente de todo tipo
Em diferentes fases de evolução e aprendizado
Há quem se doe, seja crédulo, ajude
E há quem não saiba sequer ser amado

Há quem veja sempre o lado bom das pessoas,
Sabe ser carinho, acolhimento e respeito
Mas há quem não entenda esses sentimentos
E queira sempre tirar proveito

E a balança está sempre a oscilar
Crédulos, descrentes e aproveitadores
Em quantos ainda podemos confiar?

Inspirar esperança,, não deixar de acreditar
Pois quando se perder a fé na humanidade
É jogar a toalha antes da luta terminar

Alda M S Santos

Loucuras

LOUCURAS?
Quero ser um caracol, fechar-me dentro de mim mesma
Sair apenas quando a luz de fora entrar
Ou a de dentro conseguir iluminar tudo lá fora
Quero brincar de esconde-esconde
Encontrar um esconderijo bem original
E lá ficar até ser encontrada por alguém com a mesma ideia.
Quero inspirar fundo, bem fundo, sufocar-me em coisas boas
E expirar, jogando fora tudo que faz mal
Quero correr, correr muito, sem direção, até esgotar todas as forças e não sentir mais nada.
Quero ser uma bolha de sabão, subir, subir nas árvores, nas nuvens, encantar e desaparecer.
Quero mergulhar, sem máscaras ou snookers, sentir tudo, descobrir tudo
Afogar-me, se preciso for, e renascer.
Loucuras?
Às vezes são necessárias para se manter a sanidade.
Alda M S Santos

Faça

FAÇA

Faça aquilo que te dá vontade
Faça aquilo que tem que ser feito
Faça com fé e coragem
Mas nunca faça de qualquer jeito

Faça com amor, com carinho
Faça acompanhado, faça sozinho
Com cuidado para não bagunçar
E não conseguir mais endireitar

Faça com pressa, faça devagarinho
Faça como beija- flor, com jeitinho
Faça sempre, nada deixe pelo caminho

Haja luz ou escuridão, indiferença ou emoção
Faça sol ou faça chuva, frio ou calor
Faça da vida um lugar de mais amor

Alda M S Santos

Um norte

UM NORTE

Pode haver coisa mais linda
Que uma estrada assim tão colorida
Cheiro de mato, de terra molhada
De uma vida que segue, não fica parada?

Verde em vários matizes, brilhantes
Aromas da natureza, marcantes
Sons que acalmam, energizantes
Cachoeira que seduz, atraente, hipnotizante

Não importa se há bichos
Eles fazem parte do encanto
São natureza viva, cada qual em seu canto

Há quem goste, há quem desgoste
Há quem fique totalmente perdido
Há quem encontre aqui o seu norte

Alda M S Santos

Tempero

TEMPERO

Uns dizem que é prova de amor
Para outros é possessividade
Certamente é desconfiança
No outro, em si mesmo, em sua capacidade

Ciúme pode até ser doce, bonitinho
Prova de cuidado e carinho
Mas quando há invasão, perde-se a razão
Passa a machucar, a ferir o coração

Dizem que ciúme é do amor um tempero
Para aqueles que não sabem dosar
O sal que dá sabor, também pode amargar

Bom mesmo é temperar o amor com outras iguarias
Agridoces, adocicadas, apimentadas
Que agradem às almas apaixonadas, enamoradas

Alda M S Santos

Simplesmente, ia…

SIMPLESMENTE, IA…
As árvores passavam rápido lá fora
Um vento gostoso entrava pela janela
E bagunçava todo o cabelo dela
Uma música alta tocava ali atiçando a coragem
Pisava fundo, subia, reduzia na banguela
Quanto mais seguia, mais caminho surgia
E ela dirigia meio sem saber para onde ia
Simplesmente, ia…tinha que ir, disso sabia…
Algo estranho a impulsionava, nada a impedia
Ora sol, ora chuva, sempre a música a embalava
Que buscava?
Não sabia, simplesmente ia…
Quando chegasse, saberia, ou regressaria…
Alda M S Santos
Mais no meu blog vidaintensavida.com

FELICIDADE

FELICIDADE
Felicidade é estar em paz
Lidar bem com as próprias vontades e necessidades
É estar tranquilo com as faltas e as ausências
É saber esperar, é sorrir, é chorar
É até mesmo, por vezes, se rebelar e gritar
Felicidade é amar, ser amado
É aceitar e ser aceito, mesmo imperfeito
É fazer o bem, ser o bem
É cumprir nosso papel nessa nau
Não fazer o mal
É passear, banhar na cachoeira, no mar
É os altos e baixos da vida aceitar
É ler, escrever, ser poesia
É ser para alguém a magia
É ser amigo de alma, de coração
Daqueles que entendem sua emoção
É ser calor, colo, cobertor, fazer amor
Felicidade é um simples bom dia
É a luz da Lua que a janela
Ou o sol queimando a pele dela
Felicidade é ser, não ter
A suprema felicidade é não depender do externo
Ela já mora dentro de nosso ser
É um estado de espírito de paz, mesmo na solidão
É viver bem enquanto não chega
A hora de atravessar a ponte de volta para casa…
Você conhece a felicidade?
Alda M S Santos

Infinito

INFINITO

Quero o infinito e seus mistérios
A (im)possibilidade que atormenta
O desconhecer que não acalenta
Quero o mundo e seus refrigérios

Quero um amor infinito, maduro
Mas não um amor qualquer
Que seja verdadeiro, puro
Intenso, cheio de bem-me-quer

Quero esquecer que a vida é finita
Quero-a infinita, sempre bonita
Não vou desistir, não insista

Quero no infinito mergulhar
Me perder, me achar, me reencontrar
Fazer esse mundo louco girar

Alda M S SANTOS

Fantasia

FANTASIA

E se todo dia fosse Carnaval
E aquela fantasia bela, secreta
Pudesse sair da gaveta, afastar todo mal
E fazer nosso viver sempre especial?

Quem sabe uma deusa, uma fada
Um anjo, uma alma encantada
Pudesse atrair, hipnotizar, enfeitiçar
E nada de bom deixasse passar?

Quem sabe um amor declarado
Sob o intenso luar revelado
Nem precisaria samba ou marchinha
Se nunca por aqui ficasse sozinha

Nesse carnaval, qual sua fantasia?
No dia a dia, qual seu sonho, sua rebeldia?

Alda M S Santos

Borboleta voou

BORBOLETA VOOU

Uma borboleta, linda, suave
Colorida, leve, encantadora
Passou por duras e incompreensíveis penas
Lagarta, casulo, criou asas
Borboleteou por aqui, incansável
Voou amou, flores tocou
Intensa, semeou vida, polinizou
Viveu sua metamorfose, aceitou
Lutou suas batalhas, recuou, avançou
Pediu trégua, venceu…
Ao Criador sempre agradeceu
Enfim, pousou…
Mas toda borboleta sabe que há fases
Logo estará voando do lado de lá
Borboleta tão bela assim de lá irá tudo aqui enfeitar
Saudades imensas no coração deixou
Mas os lugares que aqui voou, pousou, enfeitou
Nunca deixará de estar…
Seu brilho intenso, perfume delicado de flor
Será para todos que ficaram
A prova irrefutável de um grande amor
Vá com Deus, Borboleta
Outras flores precisam de ti…

Alda M S Santos

Quero ir longe

QUERO IR LONGE

Quer seja sobre duas ou quadro rodas
Sobre as águas, hélices ou turbinas
Ou nas asas da imaginação
O que eu quero é ir longe, bem longe
Fugir do que me causa mal
Afastar-me de todo vendaval
Ser menina- mulher a brincar em seu jardim
Colher frutos em seu quintal
Quero ir bem longe
Apagar toda mágoa e decepção
Esquecer um pouco qualquer razão
Que insiste em machucar, apertar
Ferir e sangrar o coração
Quero ir longe buscar o tesouro do arco-íris
A fada que mora na mata, cuida da cachoeira
A sereia que vive no mar, aparece na areia
Quero ir longe, bem longe
Até saber que ali é meu lugar
Quem sabe para sempre ficar…

Alda M S Santos

Não quer

NÃO QUER
Ela não quer ser uma lembrança dos tempos áureos
Uma foto desbotada na estante de alguém
Uma marca impressa numa alma arrependida
Ou a saudade de uma relação doída
Ela não quer ser história passada
Nos livros a tristeza registrada
Ela não quer ser a magia
Rabiscada num livro velho de poesia
Ela quer se eternizar, se renovar
Ser desejada, cobiçada, uma joia rara, valorizada
Não tem um preço a se pagar
Mas tem valor que qualquer um pode conquistar
Cobra apenas cuidado e desejo de conservar
Ela não quer ser esquecida, embrutecida
Precisa de amor para ser abastecida
Ela é o que sustenta a vida
Ela é a natureza…viva…
Alda M S Santos

Licença poética

LICENÇA POÉTICA

Peço licença poética para enxergar o mundo

Quero vê-lo sob meu toque particular, sem regras

Gramaticais, ortográficas ou sintáticas

Quero tocá-lo com meu olhar perscrutador, amoroso ou invasivo

Quero flexionar gênero, número ou grau a meu bel prazer

Sem métricas, sem rimas, sem coesão, incoerentemente

Dá licença?

Quero plurais onde me apetecer, onde me sentir muito só

Singular onde acreditar ser mais conveniente

Ficar maiúscula onde me sentir melhor, puder ser o bem

Ser minúscula quando quiser sumir, me esconder como ênclise nas palavras sem nexo

Sempre iniciando, sem pontos finais, exclamando sempre

Sem separações de sílabas ou outras quaisquer

Em contínuas reticências

Questionando o que sangrar ou machucar…

Dá licença?

Quero conjugar os verbos viver, amar ou partir a meu modo, sem imperativos

Com os sujeitos que julgar adequados, simples, complexos ou ocultos

Sem pretextos ou pretéritos, sem objetos diretos ou indiretos

Usar a voz ativa e passiva quando for amor, sem preconceitos de pessoa, gênero ou qualquer tipo

Quero atribuir belos predicados, abusar de vícios de linguagem

Dá licença?

Quero ouvir o silêncio de um coração que grita ou a música das águas geladas de uma cachoeira

Ouvir a declaração de amor das estrelas numa noite quente ou a solidão da lua sem parceiros

Cegar-me com o brilho do sorriso de quem ama

Aquecer-me sob o sol escondido atrás das nuvens escuras

Chorar com a saudade em gotas que escorre e cria sulcos naquele rosto que insiste em sorrir

Dá licença?

Quero abraçar a poesia que há em mim, no outro

Fazer amor incansavelmente com a vida com a mesma paixão

De um casal que se “pega” e se beija com entrega apaixonada num canto escuro qualquer

Quero fazer desse viver o mais lindo poema

Usando nesses escritos a licença que só a alma pode conferir

Dá licença?

Alda M S Santos

Conexão

CONEXÃO

É mágica a conexão que temos com a natureza
Flora, fauna, mananciais hídricos, pura beleza
Alegria ímpar que não podemos deixar se perder
É ela que reenergiza nossas baterias emocionais
Com seu silêncio pacífico, calmante
Sua intensidade viva, relaxante
Suas cores fortes, ricas, vibrantes
Não há mente que não se encontre
Não há corpo que não se encaixe
Não há coração que não fique forte
Não há alma que não encontre seu norte

Alda M S Santos

O tempo

O TEMPO

O tempo é um ingrediente paradoxal
Tantas vezes parece útil, bondoso
Noutras causa verdadeiro vendaval
Particularmente a quem fica ocioso
O tempo é remédio que deve ser bem dosado
Se em dose lenta ou baixa perde para o mal
Se em dose elevada, acelerada 
Nada cura, nada apaga,  pode ser fatal
O tempo pode trazer frio ou calor
Pode aumentar ou arrefecer uma dor
Pode fazer crescer ou minar um amor
O tempo tem poderes embriagantes, pparalisantes 
Aumenta a saudade, é mágico, alucinante
Mas se a gente aceitar também é apaixonante 
Alda M S Santos

Não importa

NÃO IMPORTA
Não importa quem começou a briga,
Importa quem saberá por fim à pendenga
Não importa quem primeiro criou a mágoa
Importa quem será capaz de perdoar e seguir
Não importa quem adoeceu ou mais sofreu
Importa quem saberá ser a cura,
Não importa se a tempestade quase tudo levou
Importa quem irá se levantar para começar a reconstrução
Não importa se a doença não sara
Importa quem aprende a conviver com ela
Não importa se errou, todo mundo erra
Importa se aprendeu com o erro e prosseguiu
Não importa quem começou o amor
Quem o interrompeu, teve dúvidas ou fraquezas
Se houve tropeços, quedas, obstáculos
Importa mesmo é quem nunca deixará de amar…
Alda M S Santos

Real

REAL

Sou assim, queira ou não, bem real
Acerto, erro, brinco, fico séria
Gosto de ser o máximo natural
Descabelada, arrumada, no salto ou descalça

Sou assim, queira ou não, bem real
Sorrio até a barriga doer
Choro até não mais poder
O rosto inchado, olhos vermelhos
Até passar o vendaval
Sou doçura, carinho, colo, desejo
Por vezes bem sensual

Sou assim, queira ou não, bem real
Ora distante, falante, alegre ou enraivecida
Isso tudo faz parte da vida
Ora pura candura, fácil leitura
Ora travessura, bravura, amargura
Buscando apenas uma cura

Sou assim, queira ou não, bem real
Ora lindeza, feiúra, pureza, levadeza, comunicação
Ora tristeza, dor, reflexão, introspecção, solidão
Apenas alguém que quer da vida amor, emoção, evolução
Sou assim, queira ou não, bem real…

Alda M S Santos

Em busca de mim

EM BUSCA DE MIM
Sempre fui apaixonada por água
Não nado bem, tampouco bebo o bastante
Mas ela exerce verdadeiro fascínio em mim
Não importa como se apresente:
Rio, cachoeira, mar, lagoa, chuva, nascentes…
Posso ficar horas admirando!
Água tem o poder de me acalmar
Molho os pés, a nuca, lavo o rosto, sento à beira
Ouço o barulho suave do rio ou furioso da cachoeira ou tempestade,
Mergulho, sinto seu frescor, lavando tudo.
Tudo é encanto!
Quero ali ficar até tudo de negativo ir embora
Encher-me de positividade
Restabelecer a confiança, o amor
A fé no ser humano, na vida, em mim mesma
Enquanto houver água correndo,
Haverá encanto, haverá vida.
Água que nasce, que brota
Que corre, que cai, que vai, me leva…
Em busca de outros caminhos
De outras águas,
Em busca de mim…
Alda M S Santos

Decisões

DECISÕES

Decidi não mais me preocupar
Não quero mais sofrer ou me amargurar
Ou se isso acontecer
Que seja apenas um atalho bem rápido
Que logo me devolva ao saudável caminhar
Decidi não mais me importar
Com quem já encontrou guarida noutro lugar
Preciso mais de mim mesma me ocupar
Abastecer meu estoque para poder me doar
Decidi sempre procurar ajudar
A quem de mim verdadeiramente precisar
Que fique feliz com minha presença
Meu sorriso, atenção e doce abraçar
Decidi resgatar entre as muitas de mim
Aquelas que possam se autoabastecer
Que não necessitem tanto dos outros
Para garantir o seu próprio viver
Decidi nunca me esquecer de mim
Aquela que tem alegria, energia, prazer
Até mesmo aquela que às vezes só quer desaparecer
Porque ambas são partes do mesmo viver
Lados diferentes da mesma moeda lançada
Todo o tempo dessa vida abençoada…
Decidi…
Alda M S Santos

Escolho o amor

ESCOLHO O AMOR

Num mundo tão dificil, complicado
Onde nossas escolhas envolvem tantas vidas
Implicando até mesmo no futuro ou passado
Não dá pra ser tolo, ficar alienado

Escolher entre o agir ou se omitir
Entre o sentar, ficar ou partir
Entre o se calar ou o amor gritar
Entre sorrir ou chorar, tudo irá nos afetar

As escolhas precisam ser conscientes
Entre muitas, ou não, sempre faremos uma opção
Envolvendo alegria, dor, esperança ou solidão

É preciso escolher a si mesmo, escolher o amor
Quem não escolhe amar a si mesmo primeiro
Não terá nada a oferecer a um terceiro

Alda M S Santos

Sem fronteiras

SEM FRONTEIRAS

Quisera romper toda e qualquer fronteira
Subir, escalar, derrubar, contornar
Não deixar que me limitem, não dar bobeira
Um multiverso de possibilidades a explorar

Quisera romper toda e qualquer fronteira
As impostas pelo medo, pela razão ou religião
Atravessar qualquer ponte ou trincheira
Para apenas poder ouvir as batidas do coração

Quisera romper toda e qualquer fronteira
Deixar a vida se impor, abrir a porteira
Ser nesse espaço livre a pioneira

Quisera romper toda e qualquer fronteira
Sendo alegre, sem culpas, faceira
Em busca de uma vida completa, mais inteira

Alda M S Santos

O poder

O PODER

Há poder num dia ensolarado
De encantar e se fazer admirado
Há poder num dia chuvoso
De ser nostálgico, meio dengoso

Há poder numa noite de amor
De reenergizar, aquecer, ser calor
Há poder numa amizade, na bondade
Aquela que traz aconchego, serenidade

Há poder no acolhimento, na empatia
Há luz, caminhos são vislumbrados
Num conselho há magia, sabedoria

Mas só nós podemos mudar nossa história
O poder de verdade está dentro da gente
Esperando para ser despertado e encarado de frente

Alda M S Santos

Errante

ERRANTE
Já sofri, já chorei, quis fugir, desaparecer
Já fui forte, frágil, ponte, muro, travessia
Já fui luz e sombra, frio e calor
Já fui arredia, também colo acolhedor
Já me doei, ja recebi, fui roubada
Andei meio perdida, desamparada
Amei e fui amada
Já fui arco-íris, céu azul, dia cinzento
Já fui falta e complemento
Já fui raiva, decepção, saudade e solidão
Fui também coragem, destruição, reconstrução
Não digo que nunca mais vá errar
Ou que não vá pela contramão
Sei apenas que a cada queda, um machucado
A cada levantar, mais vida, mais aprendizado
Sou apenas um ser errante, falho, aprendiz
Que procura por aqui ser e fazer feliz…
Alda M S Santos

Liberdade vigiada

LIBERDADE VIGIADA

Um lindo aquário, água, luz, alimento, cuidado
Quase tudo se assemelha ao ambiente natural
Outros semelhantes a nadar por ali em círculos
Nadam, criam, procriam…
O tempo todo observados, monitorados
Liberdade controlada, vigiada
Se for muito longe bate contra o vidro
Se mudar a rota dá de cara na porta
Mas tem comida, proteção, não tem predador
Não?
Mas tem grandes sonhos, seu doutor!
Um lindo, vasto e perigoso oceano lá fora
E ele ali naquele lar, morando com o inimigo
Será que pensa nisso quando a gente vai embora?
Liberdade vigiada…

Alda M S Santos

Prazo de validade

PRAZO DE VALIDADE

Tudo nesse mundo tem prazo de validade
E se a gente não se cuidar pode a saúde afetar
Até mesmo a sanidade um dia bagunçar
Portanto, não dá para brincar ou facilitar

Alimentos perdem, até os ditos não perecíveis
O corpo não vigora, a paixão deteriora
Não importa se o coração chora ou a alma implora
Chegou a hora, tudo vai embora

Uns dão caruncho, azedam, apodrecem
Outros secam, murcham, desfalecem
E há os que caem, evaporam, desaparecem

Mas há algo que vai além do prazo de validade
Se for sincero e primar pela simplicidade
Não importa a idade, o amor mantém a vitalidade

Alda M S Santos

Tá no ar

TÁ NO AR

Não precisa ir muito longe, não há mistério
Tudo que precisa saber está ali, é sério
Basta um olhar atento, aguçar a percepção
Inspirar, expirar, pra captar no ar toda a emoção

Se quer algo direto é só as palavras ouvir
Mas cuidado, com elas é fácil fingir
Mas se quer algo verdadeiro busque o olhar
Ali poderá ver opacidade ou sua luz brilhar

Há profundidade na essência, ela não é superficial
É o que temos de autêntico, belo, bem natural
E quando atiçada causa até mesmo um vendaval

Mas se quer mesmo alguém desvendar
Veja as atitudes, o sorriso, inspire, tá no ar
Perfumada como rosa, linda e clara como a luz do luar

Alda M S Santos

Canarinhos

CANARINHOS
Canarinhos na ameixeira, cantam, comem, fazem zoeira
São muitos, brigam, disputam uma fêmea
Fico a observar a fêmea namoradeira
Qual irá escolher, o mais amarelinho, o mais galante
Ou o que canta mais bonitinho, mais “falante”?
Banham-se no rodador do jardim
Divertem -se, encantam, encantam-se
Qual será desse romance o fim?
E a algazarra continua até o despertar da Lua
Vão-se embora, não sei qual deles venceu
Qual ficou com a fêmea que se ofereceu
Vida linda, doce, colorida e simples
Comer, cantar, namorar…
E nós aqui a vida a complicar…
Alda M S Santos

A LISTA

A LISTA

Lista de coisas a fazer antes de morrer
Lista que se renova e faz renascer
Lista de medos, de desejos, de anseios
Lista de conquistas, vitórias, devaneios

Sempre conhecer um lugar novo
Reencontrar um amigo, abraço gostoso
Ser calmaria na vida desse povo
Ter na vida um amor intenso, fogoso

Pular de paraquedas, fazer um cruzeiro
Fazer o que der na telha o dia inteiro
Voltar à terra natal
Descansar à sombra da mangueira no quintal

Banhar nua na cachoeira gelada
Ser na varanda aquela moça feliz, a namorada
Ler, escrever, fazer valer esse viver
Com ou sem lista, tudo por prazer…

Alda M S Santos

Deixando saudades

DEIXANDO SAUDADES
Onde não há vícios do olhar
Quando não estamos anestesiados pela mesmice
Onde nossos olhos repousam e se encantam
Onde nosso coração sente prazer em estar
Onde a respiração é longa, suave e doce
Onde o carinho vem natural, nas palavras e nas atitudes
Onde nossa alma sente-se acolhida, em casa
É de onde sentimos saudades, deixamos saudades
É onde reabastecemos nossa energia vital
É onde o amor se faz essencial
Alda M S Santos

Além do mar

ALÉM DO MAR

Estou aqui na terra a levitar
Ora pés e mente no chão
Ora coração a divagar
O que haverá do outro lado do mar?

Gostaria de saber, de atravessar além do mar
Buscar o final da linha do horizonte
E com o pote de ouro do arco-íris me encontrar
Será que há para lá uma ponte?

Um dia Alguém andou sobre as águas
Para fazermos o mesmo a fé nos bastaria
Mas somos muito incrédulos, não garantimos a travessia

Ainda hei de atravessar essa ponte
Algo de muito belo e mágico irei encontrar
Busco a magia daqui enquanto aguardo essa hora chegar

Alda M S Santos

Passarinho

PASSARINHO

Passarinho cantou na janela
Veio dizer “acorde, a vida é bela”

Borboleta dançou entre as tranças da menina
Veio pedir para sermos leves como a neblina

Lagarta ficou inerte no casulo, solidão
Exemplo que a vida passa por momentos escuros, transformação

Joaninha colorida voava, pura delicadeza
Alertou para da alma extrairmos a pureza

Beija-flor de tanto beijar apaixonou-se por uma flor
Veio dizer que a vida só vale quando há amor

Alda M S Santos

Sanidade

SANIDADE

De quantas pequenas loucuras se faz uma sanidade?
De quantas lágrimas e soluços se faz uma felicidade?

De quantas feridas e cicatrizes se faz uma cura
De quantos medos se faz a bravura?

Quantas dores esconde um sorriso?
Quantos silêncios são necessários para sufocar um grito?

A quanto dissabor ignorado sobrevive um amor?
Quanta emoção frustrada aguenta um coração?

Quantas fadas ou bruxas podem fazer essa magia
Quanto é preciso de poesia para se entrar em sintonia?

Alda M S Santos

Silêncio aquece

SILÊNCIO AQUECE

Silêncio amedronta, é aterrador

Na medida em que seu barulho ensurdecedor

Torna tudo em torno da gente assustador

Mexe e remexe nosso frágil interior

Silêncio acalma, é refrigério

Quando ativa nosso lado zen

Leva a meditar, nos encontrar

E nada há que nos tire do bem

Silêncio fala, é palavra, é comunicação

Quando o que há por dentro extravasa

Vai muito além da suportável emoção

Silêncio cala, emudece, ensurdece

Mas onde há esperança e amor

Ele é doce e quentinho cobertor, aquece…

Alda M S Santos

Arte de viver

ARTE DE VIVER

Desenhei no caderno da vida um sonho colorido

Pintei na tela da existência um cérebro bem resolvido

Bordei na colcha macia um amor fantasia, pura sintonia

Escrevi no seu coração um poema cheio de emoção

Depositei beijinhos no seu corpo, com carinho

Acendi na nossa estrada a luz da Lua, encantada

Para uma noite de amor, dancei suave, sem pudor

Criei uma letra, uma música, uma melodia, uma história de amor

Mãos postas, um silêncio, uma oração, gratidão

Com minha ajuda o destino escreveu na linha do horizonte nosso apogeu

Deixei registrada por aqui nossa passagem em arte magia, poesia

A vida e eu…

Alda M S Santos

Que temos para hoje?

QUE TEMOS PARA HOJE?

O dia começa meio nebuloso
Não dá pra saber como irá ficar
Que irá nos proporcionar
Parece tudo meio duvidoso

Que temos para hoje?
Tempestade, calmaria
Trabalho, descanso, lazer, alegria
Paz, sossego, brisa ou ventania,?

Que temos para hoje?
Sorriso, amizade, saudade, bondade
Sonhos, esperança, fé, realidade?

Teremos para hoje aquilo que alimentarmos
Compaixão, autopiedade, solidão ou
Amor, amizade, caridade e Deus no coração

Alda M S Santos

Vida de verdade

VIDA DE VERDADE

Casinhas simples, janelas na calçada
Arquitetura favorecendo a boa convivência
Sorriso de bom dia, boa prosa
Como estando sempre a dizer
Chega pra cá, pra tomar uma xícara de café
Moças a observar pessoas que passam
As “namoradeiras” debruçadas nas janelas de madeira
O olhar ao longe esperando a chegada de alguém especial
As vovós aguardando notícias de amigos
Ou aquele abraço especial de alguém que vem da capital
Uma vida em ritmo mais lento
Em ritmo de magia e alegria a contento
Tempos em que a vida acontecia, pura nostalgia
Sem grandes alvoroços, onde o olhar se demorava
Nas coisas e pessoas por onde o amor passava…
Vida de valores e pessoas de verdade
Sem se preocupar com luxo, amor na simplicidade
E ser feliz, sem qualquer complexidade. ..

Alda M S Santos

Não importa

NÃO IMPORTA

Não importa o formato, o tamanho, o cheiro, a cor
Desde que seja amor…

Não importa a cultura, a instrução, a profissão ou religião
Se o amor for sua opção

Não importa o idioma, a nacionalidade, condição financeira, personalidade
Desde que o amor seja prioridade

Não importa se é louco, efêmero, eterno ou finito
Se é amor, é bonito

Se a emoção é verdadeira, não importa
É amor para a vida inteira

Alda M S Santos

Voltei

VOLTEI
Caminhava num lugar de intensa luz e calor
Sentia-me leve, parecia caminhar sobre nuvens de algodão
Uma brisa suave balançando os cabelos
Um vestido florido e brilhante, bem fino
Eu procurava por alguém, sentia uma presença
Mas não conseguia ver quem era
Sentei-me na grama à beira de um lago
Descalça, balançava os pés na água
Esperava…Não sei bem o quê …
Via reflexos no lago, alguns conhecidos, outros não
Uns sorridentes, outros tristes
Ouvi meu nome sendo chamado
Entrei na água chorando, alguém me abraçou
Não identifiquei o rosto, mas era puro amor
“Já ganhou o abraço que queria, pode voltar”
Disse sem dizer
Mostrei resistência, quis ficar
“Não! Ainda não!” – e desapareceu…
Voltei…
Alda M S Santos

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