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poemas e reflexões da vida cotidiana

Nasceu!

NASCEU!

Já deixei brotar, já deixei nascer

Já cultivei para crescer, já vi morrer

Mas também já nasceu sem meu querer

Já foi embora, triste, vi desaparecer

Ora é saudade, ora é vontade

Ora é desejo de trazer de volta, sem piedade

Cultivo as lembranças com simplicidade

Para ver se renascem para nossa felicidade

Aparece como nuvens brancas no céu

Ou bem pesadas, verdadeiro véu

Ora são brisa leve, chuvinha fina

Tempestades seguidas de arco-íris, brilhante purpurina

Que aquecem de amor o coração da menina

Assim é a poesia em mim

Rústica, delicada, sofisticada,

Ou firme como marfim

Assim são os poemas, enfim…

Alda M S Santos

Nasce um poema

NASCE UM POEMA

Todo nascimento é comemorado

Vem de gestações diferentes, é abençoado

Nove meses, nove dias, nove horas

Nove minutos ou segundos

Uma vida é gestada, um poema é cultivado

Plantado no coração de um poeta

Nos corações daqueles que amam

Alimentado pela lua, pela água, pelo ar ou pelo mar

Pela paixão, saudade ou desejo de amar

Por tudo que há de beleza, de grandeza

Nessa nossa tão terna natureza…

O poeta tão sensível o faz nascer

Uns vêm à luz mais facilmente

Outros são tirados à força, com raízes, dolorosamente

E nascem, desabrocham, crescem, intenso viver

Para fazer sorrir ou chorar o mundo

Para colorir o mundo de alguém…

Alda M S Santos

Como fazer amor

COMO FAZER AMOR

Fazer um poema é como fazer amor

É preciso interesse, desejo

Um olhar terno, talvez um pouco de pudor

Uma lenta aproximação, um beijo

E, no tempo de cada um, nasce o poema

Faz-se o amor…

Fazer um poema é como fazer amor

Não dá para ser de qualquer jeito

É preciso encanto, admiração

Captar a magia, a poesia, o pulsar do coração

E, com total entrega e paixão

Nasce um poema

Faz-se o amor…

Fazer um poema é como fazer amor…

Alda M S Santos

Amor-próprio

AMOR-PRÓPRIO

Amor-próprio e autoestima é muito mais que se alegrar

Com a pele lisinha e dentes branquinhos

É mais que a satisfação de caber na calça jeans de sempre

Ou poder usar um biquíni de lacinho

É mais do que gostar da imagem que o espelho reflete

Autoestima em dia, amor-próprio o bastante

É encarar a si mesmo no espelho

É não desviar os olhos daquele olhar que te encara

É sorrir de volta para aquela imagem refletida

Com admiração, respeito, coragem

Apesar dos medos e derrotas

É reconhecer-se um vencedor

É saber perdoar os próprios erros

Encarar a si mesmo, sorrir de volta

Ou até mesmo chorar

Mas fazer as pazes consigo mesmo

E seguir em frente

É bom ter amigos, ter um amor

Mas jamais seremos bons amigos, bons amores

Se não entendermos que precisamos ser

Nossos melhores amigos

Nosso verdadeiro amor…

O primeiro compromisso que temos por aqui

É conosco mesmos!

Isso não é egoísmo

É a base de todo tipo de amor e amizade…

És capaz de se admirar ao espelho?

Alda M S Santos

A vida se refaz

A VIDA SE REFAZ

A vida chega, invade, se esconde

Some, seca, dá um basta, parece morrer

De repente ela acorda, desabrocha

E perfuma da aurora ao anoitecer

A vida ora é companhia, ora é solidão

Mas não dá para viver

Sem o aconchego, sem o chamego

Sem o amor, sem o colo de um irmão

A vida se faz, se refaz

Agrega, transforma

E, se bem olhar, há doçura

Na delicadeza está a força

Cada dia mais bela

Mais leve, mais terna…

A vida se refaz…

Alda M S Santos

Meu jardim

MEU JARDIM

Amo cultivar meu jardim

Pequeno ou grande, não importa

Quero apenas que seja assim

Uma saída, uma porta

Uma entrada para dentro de mim

Tantas cores, cada uma mais bela

Tanto perfume e suavidade

Adentrando em minha janela

Um toque de delicadeza, de simplicidade

No rubro, rosa, branca ou amarela

Misturo-me às rosas, camuflo

Ali quietinha, adormeço

E que venha a chuva, o sol, as borboletas

As joaninhas e beija-flores, puro apreço

Disputando rosas e violetas

Já nem sei quem sou

Gente, bicho ou flor

Sei lá, não me importo

Serei feliz, seja como for…

Alda M S Santos

Quero chuva

QUERO CHUVA

Quero chuva na minha primavera

Abraços e amor quando tudo for solidão

Uma vida por demais sincera

E alegria constante no coração

Quero chuva para disfarçar meu pranto

Fazer brotar meus jardins internos

Dos pássaros ouvir o canto

E amigos cada vez mais ternos

Quero chuva para irrigar a vida

Lavar e levar para longe

Tudo que não for bênção, mão amiga

Em ouro, prata ou bronze

Quero chuva, quero alma, quero paz

Quero um viver mais eficaz

De humanos mais amigos

E que não seja tão fugaz!

Quero chuva!

Alda M S Santos

No azul

NO AZUL

Entre positivo e negativo

Entre ônus e bônus oscilando

Entre créditos e débitos balançando

Negociando com cuidado meus ativos

Sigo mantendo a vida no azul…

Ainda que quando se trate de emoção

Não dê para ser tão razão

É impossível ser sempre exato

Quando a sensibilidade é que é o fato

Sigo mantendo a vida no azul…

A medida é o peso ou leveza

Aquela capacidade do peso de um sorriso soltar

Da leveza de uma lágrima segurar

E manter com toda sutileza

O que a vida tem de beleza

Sigo mantendo a vida no azul …

Alda M S Santos

Mais no meu blog vidaintensavida.com

Ainda me ama?

AINDA ME AMA?

Sei que me ama

Quando sou sorriso, alegria, atividade

Sei que me ama também

Quando sou entrega, amor, pura sensualidade

Ou luz, carinho, bondade, verdadeira amizade

Mas será que me ama ainda

Quando tudo fica escuro

O sorriso vira lágrima

A atividade cessa

O amor não tem pressa

A alegria arrefece

A sensualidade adormece…

E aí? A amizade se compadece?

Seu amor está condicionado a quê,

Para que possa permanecer ao meu lado?

Posso contar contigo, meu coração

Para ser, mesmo nos erros, meu abrigo, meu irmão?

Alda M S Santos

ECC: o terceiro elemento

ECC: O TERCEIRO ELEMENTO

Não é para passar receitas, tampouco trocar figurinhas

É para possibilitar um retiro para dentro de si, para dentro do outro

É permitir reflexões, orações, um espaço para o casal

É dar-se tempo para reavaliações individuais, aos pares

É poder se colocar no lugar do parceiro

É buscar o que muitas vezes está perdido dentro de si

Em meio às tempestades do dia a dia

É, acima de tudo, abrir espaço para enxergar o terceiro elemento essencial numa relação: Jesus Cristo

Esse é o Encontro de Casais com Cristo

Que Ele esteja conosco!

Alda M S Santos

Eu quero

EU QUERO

Quero uma bússola,

Que me dê um norte

Que me aponte o caminho

E me torne mais forte…

Quero uma âncora,

Que me mantenha firme

Só a suavemente balançar

E não me deixe me afastar

Do que for um bom lugar…

Quero uma vela,

Que me leve lentamente

Ao sabor do vento,

Do bom sentimento

Para um lugar de autoconhecimento…

Quero asas grandes, coloridas

Que me levem para bem alto

Para apreciar os encantos

De uma vida mais bonita…

Quero um colo, bem quentinho

Que me ampare, me dê carinho

E me faça entender rapidinho

Que na vida o que vale mais

Pode estar bem pertinho…

Eu quero!

Alda M S Santos

Antiguidades

ANTIGUIDADES

Vivemos entre o novo e o antigo

Transitando num mundo nem sempre amigo

Daí tanta saudade, nostalgia

De uma época com menos tecnologia

Onde havia muito mais magia…

Faltavam máquinas e motores

Mas a força vinha de nossos corpos

Nossas mentes também trabalhavam

E os amores, esses sim nos comandavam…

Os amigos estavam por perto, eram reais

Nossas famílias eram grandes, especiais

Cantávamos, brincávamos, dançávamos, era demais

E nas lutas, vitórias e derrotas, éramos mais iguais…

O amor era para sempre

Tudo durava, não se acabava tão facilmente

Nada era tão descartável

Viver era coisa que se fazia naturalmente…

Sentimos saudades!

Alda M S Santos

Que te faz bela?

QUE TE FAZ BELA?

Que torna uma pessoa bela?

Tudo bem, desconsidere atributos físicos

Essa obviedade todos sabemos

Traços harmônicos, corpo saudável, bem cuidado

Isso já é clichê…

Além disso, que torna bela uma pessoa, verdadeiramente,

Que não se perde com o tempo?

Um sorriso iluminado, mesmo com rugas?

Um olhar brilhante mesmo com lágrimas?

O coração bondoso e as mãos estendidas,

A serenidade e autenticidade,

As palavras de amor e delicadeza?

Que faz uma pessoa bela e atraente?

Uma alma em paz consigo mesma,

A paz e leveza que transmite

Que não se envergonha de se desnudar?

Sim, essa é bela com certeza! Aparece e extravasa no sorriso e no olhar

E o tempo só favorece…

Essa é a beleza que vale a pena cultivar!

Nada há mais lindo que uma alma nua e limpa

De braços abertos para a vida

Essa beleza a própria pessoa a sente, independe dos outros

Vem de dentro para fora…nua…

Alda M S Santos

Quero água

QUERO ÁGUA

Quero água!

Pode ser do rio ou do mar

Ou de uma bela cachoeira

Não sou tão exigente

Límpida, cristalina, quero é me banhar

Não dá para ficar de bobeira

Para não desidratar

O calor não tá de brincadeira

O ar tá seco, tá difícil respirar…

Quero água!

Uma piscina, uma ducha

Até mesmo um banho de mangueira

Mas bom mesmo seria

Uma boa chuva na moleira

Correr, brincar, me esbaldar

Poder na tempestade me encharcar

E depois, toda molhada, refrescada

Ter alguém para, toda faceira,

Poder abraçar e amar…

Quero água!

Alda M S Santos

Tudo de você

TUDO DE VOCÊ

Há alguém que conhece tudo de você

Tudo, tudo mesmo?

Suas qualidades, suas vitórias, seus sorrisos

Suas lágrimas, medos, fracassos

Preconceitos, mesquinharias, covardias

Aquilo que você tem vergonha de admitir até para si mesmo?

Não te vê apenas maquiado, mascarado

Do jeito que quer que te vejam

Mas enxerga além da superfície

Vê sua capacidade de se doar

Conhece seus direitos e avessos

Suas sedas suaves, suas belas costuras e bordados

Seus rotos, esfarrapados, cerzidos?

As vezes que caiu, levantou, derrubou ou salvou alguém

Aquelas em que quase desistiu

Ou que prosseguiu por prosseguir

Te encontra nos dias em que o sol brilha

Mas também naquele cantinho escuro de sua alma

Para onde você vai vez ou outra

E ficaria ali com você sendo seu abraço, seu apoio

Numa conversa verdadeira infinita…

Há alguém para quem você seja transparente

E mesmo assim te reconheça como belo ser humano

Que respeita sua história, não desiste de você

Está perto e, ainda assim, te ama?

Além de Deus, que nos ama com amor piedoso e misericordioso

Talvez você mesmo, que se entende e se aceita

Se possui outro alguém assim

Você é muito mais rico do que pensa…

Há alguém que saiba tudo, tudo de você?

Alda M S Santos

Com as mãos

COM AS MÃOS

Há quem faça tudo com as mãos

Elas são extensão de sua emoção

Tá triste, encolhe as mãos

Tá feliz, fala com as mãos

Tá com raiva, sacode e xinga com as mãos

Tá emotivo, alisa as mãos

Tá tenso, aperta as mãos

Tá de qualquer modo, largado

As mãos se jogam de lado

Tá saudoso, abraça com as mãos

Conversa com alguém, as mãos são complemento

Se é alguém querido,

As mãos se tocam todo o tempo

Se quer levar carinho, matar saudades

As mãos se cruzam e ficam juntinhas

Mãos cumprimentam, dão adeus

Postas, oram a Deus

Pode ser específico de algumas personalidades

Mas, mãos que se dão são prenúncio

De uma relação baseada no afeto

Mãos se doam, se dão, acolhem o irmão

Pelas mãos das pessoas

Dá para alguém saber o que se passa

Na alma de outro alguém…

Alda M S Santos

Momentos ilha

MOMENTOS ILHA

Existem pessoas de muitas personalidades

Emotividades, atividades, jeitos e trejeitos…

Cada qual, exatamente por essas particularidades,

Tem sua beleza, seu encanto

Criticar e se afastar é contraproducente

Cada um de nós “exige” ou doa um tipo diferente de atenção,

De carinho, de vida, de emoção…

Deus, em Sua infinita sabedoria,

Nos fez desse modo exatamente para nos completarmos

Não somos pedaços, mas podemos interagir para crescer

Ninguém é uma ilha isolada

Podemos até ter nossos momentos ilha,

Mas estamos cercados de seres humanos por todos os lados.

Em algum momento teremos que interagir uns com os outros

Para nadar e atravessar para o outro lado

Nossas semelhanças nos tornam humanos,

Nossas diferenças nos tornam vivos

Semelhanças e diferenças nos fazem amar

E viver…

Alda M S Santos

Desculpe-me

DESCULPE-ME

Desculpe-me pelas vezes em que não te ouvi

Por aquelas que fingi nada sentir

Desculpe-me pelas vezes que te fiz sofrer, chorar

E num pranto sentido mergulhar

Desculpe-me pelas vezes em que seu jeito desrespeitei

E fiquei perdida, desesperei

Desculpe-me por tentar fazer de ti o que não és

Para agradar aos outros, em tanto revés

Desculpe-me pelas vezes em que fui tão coração

E te magoei sem razão

Desculpe-me pelas vezes que, afoita,

Não te dei tempo para se recolher, repensar

Desculpe-me pelas vezes em que não vivi

Por medo insano de viver, quase morri

Desculpe-me, meu interior,

O lado mais verdadeiro de mim

Pelas vezes em que fingi não estar a fim

Desculpe-me pelas vezes em que errei

E quase joguei fora a chance de viver, não perdoei

Felizmente, aprendi, enfim

O que sou é o que há de mais belo e real para mim

E, antes de qualquer um, devo a mim mesma perdoar, amar

Até quando for permitido juntas este caminho atravessar…

Desculpe-me!

Alda M S Santos

Quero acreditar

QUERO ACREDITAR

Quero acreditar que estou no mundo das possibilidades

Que ainda que algo se quebre, não dê certo

Sempre haverá novas realidades

Quero acreditar que estou num mundo direito

Que ainda que ele se vire do avesso

Sempre será possível fazer de novo, bem feito

Quero acreditar que estou no mundo dos sonhos

Que ainda que eles se tornem pesadelos

Nunca serão cansativos, enfadonhos

Quero acreditar que estou no mundo das amizades

Que mesmo que a gente chore ou sofra

Sempre teremos nelas a reciprocidade

Quero acreditar que estou no mundo da beleza

Que mesmo que tudo fique seco ou frio

Ainda acharei refrigérios na natureza

Quero acreditar que estou no mundo do amor

Que mesmo que ele esteja repleto de medos

Sempre será pra nós bem sedutor

Quero, preciso acreditar!

Alda M S Santos

Cristal quebrado?

CRISTAL QUEBRADO?

Cristal quando se quebra

Não tem jeito, mesmo que colemos

Perde o brilho, bem sabemos!

Nunca mais ficará igual

O erro é comparar o amor a um cristal

Amor de verdade é diamante, é especial

Não se quebra tão facilmente

É firme, duradouro, resistente

Amor que se faz eterno torna-se joia rara

É difícil, precisa garimpar para encontrar

Uma vez encontrado pode até ser machucado

Sofrer arranhão, avaria e dano

Que nunca estará acabado

Jamais ficará em segundo plano

Um amor cristal vai se transformando com o tempo

A várias mãos, a dois corações

No mais precioso diamante

Atravessando as muitas atribulações

Se se quebra como cristal, não é amor de verdade

Amor de verdade é diamante, é raridade…

Alda M S Santos

Como é possível?

COMO É POSSÍVEL?

Como é possível, ao mesmo tempo

Estar tão perto, estando tão longe

Estar tão longe, estando tão perto

Estar tão dentro, sem haver cabimento

Como é possível, ao mesmo tempo

Ser tão doce sorriso, escondendo amargas lágrimas

Ser tão acolhedor colo, estando carente de aconchego

Ser reflexo de si mesmo, de tão brilhante luz,

Tendo apenas uma faísca acesa

Como é possível, ao mesmo tempo

Ser o amor em meio a tanta indiferença

A esperança em meio a dolorosa ingratidão

A paz em meio a tanta maldade e confusão

Como é possível, ao mesmo tempo

Ser o norte quando se está perdido

O recomeço depois de haver desistido

A continuidade de um viver intenso, meio sofrido

Quando sabemos que a qualquer hora

Seremos pelo tempo engolidos, consumidos?

Como é possível?

Alda M S Santos

Que somos?

QUE SOMOS?

Para alguns somos abraço bom

Para outros cumplicidade

Para outros ainda, a bondade…

Para alguns somos doçura

Para outros acolhimento

Para outros ainda, aborrecimento…

Para alguns somos a luz

Para outros, sintonia

Para outros ainda, a magia…

Para alguns somos sorriso

Para outros, sensualidade

Para outros ainda, amizade…

Para alguns somos companhia

Para outros, agonia

Para outros ainda, terapia…

Para alguns somos apenas dor

Para outros, jabuticabeira em flor

Para outros ainda, verdadeiro amor…

Para alguns somos beleza

Para outros, fortaleza

Para outros ainda, delicadeza…

Para alguns somos só euforia

Para outros, sabedoria

Para outros ainda, ousadia…

Para alguns somos razão

Para outros, coração

Para outros ainda, solidão…

Para alguns somos briga

Para outros, intriga

Para outros ainda, a própria vida…

Para alguns somos o sonho

Para outros, realidade

Para outros ainda, a saudade…

E a vida assim se faz veloz

Entre aquilo que somos para os outros

E aquilo que eles são para nós …

Alda M S Santos

É melhor

É MELHOR

Às vezes é melhor ficar quietinho em nosso canto

Aboletada lá naquele espaço nem sempre aconchegante de nossa alma

Quando olhamos para um lado e vemos silêncio

Para o outro indiferença ou pranto

Para a frente só desânimo ou desencanto

Nem todo dia é brilho ou luz

Nem todo caminho está sempre aberto

Nem todo o tempo somos alegria, energia

Às vezes é tudo tão cru, frio, incerto

Melhor entrar para dentro da gente

Fechar a porta, trancar, passar a chave, a corrente

Rezar, nos abraçar, sorrir ou chorar, extravasar

E esperar essa corrente negativa passar

Quando ela se for, a gente sai devagar

Mais fortalecidos e dispostos a tudo enfrentar…

Nem todo dia o sol brilha

E precisamos aceitar nossos nublados

Nossas garoas e chuviscos

São eles que fazem florescer a trilha

E nos tornam dispostos, menos ariscos

É melhor…

Alda M S Santos

Que você vê?

QUE VOCÊ VÊ?

Dá para ver tanta coisa aí

Que você vê?

Pássaros a plainar, peixes a nadar

Pessoas a mergulhar, se aventurar?

Que você vê?

Uma praia deserta, uma alma aberta

A pessoa certa, uma mulher desperta?

Que você vê?

Crianças a brincar, o sol a esquentar

Um casal a se olhar, se beijar, se apaixonar?

Que você vê?

Um horizonte, um entardecer

Uma briga, um romance, um momento de prazer

Ou a solidão de um ser?

Que você vê?

Dá para ver tanta coisa aí

Tanta cor, tanta luz, brilho, tanta escuridão e magia

Muita arte, beleza, imaginação, fotografia

Tudo irá depender do seu olhar

Da intensidade da sua poesia…

Que você vê?

Alda M S Santos

Somos primavera

SOMOS PRIMAVERA

Nos longos e escuros invernos

Tal qual a semente que sob a terra adormece

Quietinha, hiberna, se aquece

Estamos nós sonhando com abraços ternos

Em busca daquilo que a alma carece

Reclusos, confusos, tantas vezes obtusos

Vamos desabrochando, as dores ignorando, a luz enxergando

Acordando de novo para a vida, enaltecida

Somos brotos, somos folhas, somos flores, somos cores

Somos perfume, delicadeza, esquecidos das dores

Somos primavera que atravessou o frio inverno

E abraça, feliz e bela, o mundo de coração fraterno

No inverno ou na primavera

Somos amor, desejo, quimera…

Alda M S Santos

Inteiros

INTEIROS

Não dá para viver como metades

Meias verdades não colam

Meias palavras não falam

Meios caminhos não levam a lugar algum

Meias certezas não descem

Meias vontades nada produzem

Meias curas não resolvem

Meios amores não acalentam

Meias vidas não satisfazem

Precisamos de totalidade

Precisamos de inteireza

Inteireza no amor, na paixão

Inteireza na compaixão, no amor irmão

Inteireza na alegria, na felicidade

Inteireza na verdade, na fraternidade

De metade em metade

Passamos a vida em pedaços

Partes que não se encaixam

Quebra-cabeças que não se completam

Não dá para buscar uma metade no outro

Nossas metades estão dentro de nós mesmos

Juntá-las nos torna inteiros

Prontos a encontrar outros inteiros, amiúde

E viver uma vida de completude…

Alda M S Santos

Solidão

SOLIDÃO

Solidão não é ausência do outro ao seu lado

Pessoas vão e vêm todo o tempo

Solidão é não encontrar-se consigo mesmo

Quando mais precisa de si

É buscar-se nas batidas frágeis de seu coração

Na infinitude da grandeza de sua alma

E não se ver, não se achar

Encontrar apenas escombros

Solidão mais doída não é ausência de pessoas

Solidão dolorosa mesmo é ausência de si mesmo

Porque a partir do momento que nos encontramos

Nos enxergamos e nos resgatamos

De nossos próprios escombros

É que passamos a enxergar quem está perto

E não notávamos, sequer percebíamos a presença

Para enxergar e valorizar a presença do outro

É preciso vermos a nós mesmos primeiro

Aí a solidão será escolha

E apenas um momento de paz…

Alda M S Santos

Só a poesia

SÓ A POESIA

Só a poesia nos permite ter um olhar especial

Para aquilo que todos veem como trivial

Só a poesia nos faz sentir algo, ser mensageiro

Daquilo que todos têm como corriqueiro

Só a poesia nos habilita a tocar fundo no sentimento

De perto, de longe, no pensamento

Só a poesia nos deixa a flutuar, a divagar

Mesmo quando a tendência é parar, estacionar

Só a poesia nos permite manter a sanidade

Em meio às nossas loucuras diárias

Só a poesia é capaz de enxergar o sorriso

Aquele que está atrás das lágrimas

E as lágrimas atrás de cada “tudo bem”

Só a poesia nos permite ainda amar

Mesmo que tudo aponte para a indiferença, para o odiar

Só a poesia nos capacita

A mirar o futuro com esperança

A atravessar o passado sem desconfiança

Sem perder o foco do presente

Sendo a interação, a boa energia

Poesia é a alma que se vê

Poesia é pura magia…

Alda M S Santos

Sou parte

SOU PARTE

Apenas um pontinho na imensidão

Um grãozinho em tamanha grandeza

Uma parte aparentemente insignificante

Diante de tão vasta e maravilhosa natureza

Ainda assim, mesmo um pontinho ali, faço parte

Tanto verde, tanto céu, tanta vida, tanta história

E posso em tudo influenciar

Por atividade ou inércia

Posso modificar o ciclo natural das coisas

Tudo que faço ou não faço

Tem efeito dominó, atinge a tudo e a todos

Tem efeito bumerangue, retorna para mim mesma

Essa energia que a tudo atrai, repele ou contagia

Que se faz harmonia, magia, sintonia

Mostra que fazemos parte

Somos importantes por aqui

É uma grande responsabilidade

Sou parte! Somos parte!

Alda M S Santos

Por aí

POR AÍ

Por aí sigo captando belezas

Num cantinho qualquer

Sendo alvo das gentilezas

Apreciando o que de encanto há

Nas flores, nas cores, na pureza…

Por aí sigo captando a música

Que o vento sopra

Que os pássaros cantam

Que as árvores dançam

Aquelas que tocam lá fora,

Tocam cá dentro

E nos encantam…

Por aí sigo em busca da sintonia

Aquela que vem na percepção da poesia

Que nos faz frágeis, fortes

Que nos inebria, contagia…

Por aí encontro algo que todos buscam

Aquela que há nos momentos mais inesperados

Onde um desavisado só vê simplicidade

Eu encontro felicidade!

Alda M S Santos

Na praça

NA PRAÇA

Na praça a vida passa

Rapidamente ou devagar

Pra lá e pra cá segue a massa

Sem parar, sem pensar

Na praça tem coreto, tem jardim

Tem igreja, santos e fiéis

Tem bancos, escadarias, ambulantes e cordéis

Tem flores, pássaros e jasmins

Na praça a vida se faz inteira, se faz pedaços

Tem paquera, beijos e abraços

Tem namoros e amassos

Tem alegrias, esperanças e cansaços

Bem ou mal, conscientes ou nem tanto

Vamos deixando nossas marcas

Enfatizando sorriso ou pranto

Nos corações dessa gente tão afoita

Tentando se fazer encanto…

Alda M S Santos

Um casarão

UM CASARÃO

A sede de uma fazenda

Um casarão antigo, tão nostálgico

Remete a lembranças reais ou imaginárias

Histórias de outros tempos

Assoalhos de madeiras, fotos antigas nas paredes

Móveis de madeira de lei

Pesadas como certas dores

Cheiro de fumaça, de fumo de rolo

As banquetas em torno do fogão a lenha

As pimentas em conserva, os doces nos tachos

Gordura animal nas latas, cães bravos

Uma fresta no assoalho que se vê lá embaixo

Telhados com forros de sisal

Frutas e verduras numa cesta colhidas na horta

Galinhas e patos pelo quintal

Roupas dependuradas no varal

Uma escada de madeira, uma portinhola

A varanda na frente onde se põe a conversa em dia ao entardecer

O pomar carregado de frutas

Algumas fotos de familiares que já foram para o céu

Ou morar na capital…

Ali o moderno e o antigo se misturam

O celular sobre o móvel antigo

Ao lado de uma vitrola que ainda funciona…

Assim a vida parece lenta e longa

Mas porque a gente sente que tudo passou tão rápido?

Nostalgia…

Um casarão carrega toda uma história

Casarões trazem nossas histórias impregnadas

Vivida por nós ou pelos nossos

Histórias que se misturam

Num casarão….

Alda M S Santos

Aqui tem cachoeira

AQUI TEM CACHOEIRA

Aqui também tem cachoeira

Bela, forte, até assustadora

Se a gente der bobeira

Ela nos leva, arrebatadora

Atrás da queda, bem escondidinho

Os pássaros se reúnem, cantam juntinho

Saem ligeiros em revoada

Quem vê logo pensa

De onde veio essa passarada?

A queda d’água forma uma piscina

Onde nadam moças e moços fugindo da rotina

Sobre todos baila um sereno fininho

Ali, afoitos, roubam abraço e beijinho

Cachoeira, calor, sol, natureza

Venha se banhar, faça parte dessa beleza

Quer encanto, sossego, paz

Viva sem isso tudo se for capaz!

Alda M S Santos

Mais no meu blog vidaintensavida.com

Sou Guanhães

SOU GUANHÃES

Tem mato, tem mata, tem bicho e carrapicho

Tem João-de-Barro e João-Graveto

Tem imensidão, paixão e solidão

Tem também o abraço forte de um irmão

Tem vovó na janela, tem um dedo de prosa

Tem carroça, tem gado, tem cultivo de rosa

Tem cabra valente, tem tarde preguiçosa

Tem moça perfumada e formosa

Tem fogão a lenha, tem quitanda

Tem cansaço e sesta na varanda

Tem bicho-de-pé, tem fruta no pé

Tem também café fresco e cafuné

Tem a igrejinha no pé da serra

Tem mansão e casa de sapê

Tem gente que acerta, gente que erra

Tem caboclo simples e de muita fé

Tem muita gente, família, muito parente

Gente amiga e confidente

Tem amor, tem amizade, tem saudade

Não importa em qual idade

Tem passado, tem futuro, tem modernidade

Sou Guanhães, sou Minas Gerais

Se você ainda não conhece

Não perca seu tempo mais

Aqui tem o que de melhor a vida oferece…

Alda M S Santos

No mesmo lugar

NO MESMO LUGAR

São seis filhos, tantos netos

Vários bisnetos e até uma tataraneta

Mas ela não queria ir com eles morar

Dizia: “aqui é meu lugar”

Agora, 96 anos, não teve jeito

Foi com uma das filhas ficar

Lúcida, esperta, mas nesse mundo tão mau

Não dá pra facilitar!

Tantos queriam levá-la para perto

Poder dela com carinho cuidar

Mas nenhum podia ir com ela morar

A casa ainda está no mesmo lugar

Mas falta vida ali

Ela não mora mais lá

Mas a sentimos em todo lugar…

Salvo quando vem filho de longe visitar

Aí ela vem para sua casa cuidar

Mas o terreiro não é mais o mesmo

Aquele que sempre me encantou

Está tão árido!

A fonte secou, a cacimba soterrou

Roseira reclamou, o galo não cantou

Galinheiro caiu, a horta murchou

Ainda há uns pássaros na goiabeira

Que se adonaram do lugar

E reclamam quando a gente vem passear

Mas agora vou aproveitar

Estamos aqui, ela também

E aqui ela veio conosco ficar…

Assim será até quando Deus nos permitir

Poder em seu colo descansar

E, a bem da verdade, nosso coração é que é seu lugar..

Alda M S Santos

Dom de ser feliz

DOM DE SER FELIZ

Cada humano traz consigo o dom de ser feliz

Para cada qual usar como melhor lhe aprouver

Uns guardam, enterram

Outros economizam, usam pouco

Outros ainda gastam tudo de uma só vez

Há ainda os que o compartilham com os demais

Tem gente que o busca em grandes feitos

Atos heróicos ou intensas emoções

Mas ser feliz é simples

Pode estar no mar, na rosa ou num dedo de prosa

Em doar amor, fazer amor, ser o amor

Em buscar a magia na poesia, na sintonia

Não adianta buscar no outro o dom que está em si

O exterior pode até acender a centelha

Mas cabe a cada um manter acesa a chama

Que o torna um ser humano inteiro e feliz

E aprendemos, finalmente

Que o dom de ser feliz se multiplica

No ato da partilha, da divisão

Ninguém é feliz sozinho

Mas se a felicidade não nascer em nosso coração

Nada de fora será capaz de despertá-la

Como você tem usado esse dom que recebeu da Criação?

Alda M S Santos

Cara de eternidade

CARA DE ETERNIDADE

O que em nós dura mais

Que demora mais tempo para desaparecer

A raiva, a mágoa, a tristeza

Ou o sorriso feliz de puro prazer?

O que em nós tem cara de eternidade

Que gruda no corpo, cola na mente, une-se à alma

Uma imagem bela, um cheiro suave, uma palavra doce

Ou um toque de amor que aquece e acalma?

O que em nós se eterniza

E tem no coração lugar cativo

Aquilo que nos fortalece, nos fragiliza

Ou o que pelo amor nos torna abrigo?

Que em você tem cara de eternidade?

Alda M S Santos

A semente da saudade

A SEMENTE DA SAUDADE

Saudade é semente que o outro semeia no coração da gente

Que só brota, cresce, vira uma plantinha

Quando o semeador vai embora, deixando-nos sozinhos

Sem saber dela cuidar…

Ainda assim, ela cresce, se desenvolve, vira árvore

Cria raízes e tronco forte

É alimentada pela natureza

Pela chuva, pelo sol, pela lua e pelas estrelas

É abastecida pelas lembranças boas ou nem tanto

Escorre em lágrimas ou sorrisos como rio nas pedras

Saudade é planta que só cresce alimentada pelas recordações

Aquelas doces memórias que mesmo dolorosas

Fazem nosso viver mais bonito

Sabendo que ele foi rico de coisas boas

Que fincaram em nós suas raízes

E não querem mais ir embora

Isso é saudade!

Você já cuidou hoje da sua saudade?

Qual é a saudade que você gosta de ter?

Alda M S Santos

Mais no meu blog vidaintensavida.com

Para a Tarde de Poesias do grupo Pedaços de Amor em poesias Tema: Saudades

Quando sou primavera

QUANDO SOU PRIMAVERA

Quando sou primavera

Sou flor, cheiro, cor

Beleza, harmonia

Atraio, encanto,

Perfumo e embelezo…

Porém, não sou primavera todo o tempo

Venho de invernos frios, longos e solitários

Quase destruída nos verões de muitos ventos e tempestades

Abandonada e recolhida em mim mesma nos outonos

Em que perdi boa parte de mim…

Reconstruí, floresci, renasci….

Enfim, primavera!

Trago comigo arraigados

Meus verões, outonos e invernos…

E com eles, quem me acompanhou

Com eles quero dividir

Minhas flores, minhas alegrias, meu perfume

Minhas cores, meu encanto!

E sigo devagar, sem pressa…

Nas chuvas e nas brisas vou florindo meu jardim

E me abasteço para o próximo outono

Ele sempre vem!

Alda M S Santos

Primavera: música e poesias no Abrigo Frei Otto #carinhologos

Ah, saudades, há saudades…

AH, SAUDADES, HÁ SAUDADES…

Saudades que fixam o olhar no infinito

Querendo trazer de volta algo tão bonito

Ah, saudades, há saudades…

Saudades que olham ao longe

Mas na verdade enxergam mesmo é dentro de si

Vasculham em seu interior

Mexe, remexe, revive, tempos que não voltam mais

Faz e refaz, apaga e reescreve

Saudade é a vida passada a limpo

É a versão final de algo que já deixou de ser

Rascunhos fora, saudade é a parte bonita

Aquela que foi sorriso, foi amor

Saudade é a prova de que houve vida

Saudade é testemunho vivo de algo que adormeceu para o mundo

Mas permanece bem acordado dentro da gente…

Ah, saudades… há saudades!

Alda M S Santos

O mundo lá fora

O MUNDO LÁ FORA

É bom levantar voo, viajar, voar, conhecer o mundo

Desbravar o universo lá fora, o mundo desconhecido

Mas isso só é válido se tivermos para onde voltar

É bom, é preciso ter mar aberto para navegar

Tanto quanto é preciso ter cais para retornar

É bom ter um céu azul infinito para plainar

Desde que se tenha onde pousar

É bom mergulhar nas profundezas do mundo de alguém

Mantendo um pé firme cá fora

Para podermos voltar para dentro de nós mesmos

Quando tudo parecer ruir, desmoronar

Nunca devemos ir a lugar algum

Se não soubermos de onde estamos saindo

E para onde poderemos voltar…

Alda M S Santos

Muita sede ao pote

MUITA SEDE AO POTE

Quem vai com muita sede ao pote

Com muita ânsia e gula em busca de saciedade

Acaba por derrubá-lo e morrer de sede

Se se demora demais perde-se o pote para outro sedento

Bom mesmo é ir devagar

Gole por gole, um pouquinho de cada vez

Antecipando o prazer da satisfação

Saciando aos poucos o desejo que se apresenta

Vale para todo tipo de sede

De água, de vinho, de amor ou de carinho

Física, profissional, financeira ou emocional

Se não se busca pelo pote d’água morre-se de sede

Se se quebra o pote perde-se o conteúdo

Morrendo de sede à beira do rio…

Tudo é uma questão do tamanho da sede

E da sabedoria na hora de satisfazê-la…

Tá com sede?

Alda M S Santos

Três anos de blog: happy birthday to us! Thanks!

TRÊS ANOS DE BLOG: HAPPY BIRTHDAY TO US! THANKS!

“Tudo era apenas uma brincadeira que foi crescendo, crescendo, me absorvendo…

E de repente eu me vi assim completamente tua…”

Três anos se passaram!

O que começou como uma brincadeira tornou-se uma grande necessidade.

O prazer de poder colocar aqui meus sentimentos, meus versos, minha prosa,

Poder criar, extravasar o que vai dentro de mim, o que percebo do mundo a minha volta, é uma catarse.

Encontrar uma imagem que corresponda ao escrito também é outra tarefa estimulante.

Poder “usar” a todos vocês, que se dispõem a me acompanhar, como receptáculos de minha criação,

Tantas vezes sendo dela a inspiração, me salva da loucura que ronda continuamente a todos nós.

O hábito de escrever diariamente, ter acesso ao que vai dentro de vocês também, o retorno que me dão, nos torna um pouco conhecidos, um pouco amigos, um pouco irmãos.

Quem escreve sabe bem interpretar o que está por trás de cada inspiração transformada em palavras, em versos.

Quem ousa compartilhar sabe o quanto isso pode ser aterrorizante e, ao mesmo tempo, estimulante, viciante e benéfico.

Muito obrigada a cada um de vocês!

Feliz aniversário a nós!

Vida, intensa vida a todos!

Alda M S Santos

Nossos desertos

NOSSOS DESERTOS

Em nossos desertos internos

Pode faltar água

O sol castigar a pele

A aridez do solo queimar os pés

As tempestades de areia machucarem o corpo

O calor excessivo do dia causar alucinações

A friagem congelante da noite paralisar a emoção

Mas nunca se perde a esperança

De descansar à sombra de um arbusto

De encontrar vida ativa

De encontrar um oásis…

Essa espera que nos faz enfrentar todos os medos

Toda a secura de nossos desertos internos

O desejo de sobreviver é maior

Mas é a expectativa e a visão de um oásis mais à frente

Que nos alimenta nesse duro caminhar

Que abastece o coração de vida

Que mantém a alma em atividade e estado de espera…

Não importa quando

Apenas sabemos que o oásis irá chegar…

Isso basta!

Alda M S Santos

Minha política

MINHA POLÍTICA

Não, eu não discuto política

Ela me entristece, magoa, fere, me tira do eixo

Faz-me perder as esperanças num mundo melhor

Prefiro viver a política como posso: agindo

Tentando ser a leveza onde tudo pesa

A balança para equilibrar desigualdades

A mão que se estende a quem está só

O colo que abraça e acolhe quem está perdido

Mesmo que eu mesma precise de colo também

Que chore, perca as esperanças ou a fé

Que também ache que não tem mais jeito muitas vezes

Agindo como posso na posição que estou

Não gosto de radicalismos

E é só isso que tenho visto em ambas as partes

Óbvio que tenho minha posição

Eu sou pelo amor, sempre

Eu o utilizo como minha régua, minha ferramenta

Minha medida para qualquer coisa ou situação

“O quanto há de amor nisso?- sempre me questiono

Avalio a qualidade das pessoas pelo amor

Ele me permite ter a tolerância suficiente com os diferentes

Ele me permite tentar entender quem pensa diferente de mim

Ele me ajuda a olhar pela perspectiva do outro

Ele me faz questionar até que ponto estou certa

Minha política é viver o amor, levar o amor

Portanto, sou contra qualquer exclusão, de qualquer tipo

Minha política é amar e fazer o bem, sempre

Qualquer coisa que fugir a isso, não me interessa

Não terá meu apoio ou aprovação!

Qual sua medida, sua régua?

Alda M S Santos

Em preto e branco

EM PRETO E BRANCO

Muitas vezes sou cor, multicor, sou arco-íris

Noutras sou preto e branco

Nuances de cinza, em sombras

Há quem me veja só em cores

Brilho, sorrisos, flores e amores

E me ignore quando preto e branco

Quando saudade, dor, lágrimas e apatia

Sou assim, essa mistura, essa aquarela, essa energia

Mas nenhum arco-íris surge antes da tempestade

Sem a chuva, o cinza , o medo não há magia

Só merece o brilho e intensidade das cores do arco-íris

Quem soube aceitar, lidar com o cinza, ser sintonia

Das próprias tempestades e ventanias

E não fugiu dos vendavais dos outros

Soube ser cais, ser porto

Daqueles que fazem nosso clima mais ameno

Em qualquer tempo, cor ou intempérie…

Como você se vê, me vê?

Alda M S Santos

O que você vê?

O QUE VOCÊ VÊ?

O que você vê quando olha para a vida ?

Uma estrada longa, quente e comprida

Ou uma sombra refrescante na subida

O sol forte que queima e dá lombeira

Ou seu brilho e calor que te faz desejar uma cachoeira

A chuva forte sem hora, sem cabimento

Ou o arco-íris que ilumina o firmamento

As árvores que produzem flores e frutos no quintal

Ou a sujeira que fazem no local

O mar azul que acolhe os banhistas

Ou a maré alta que invade a pista

A Lua Cheia que abraça os namorados

Ou a escuridão onde se escondem os marginalizados

A moça bonita, de olhar distante,

Sentada na areia, na beira do mar

Ou aquela de andar vacilante

Sonho distante, a caminhar?

Qual o seu olhar para a vida?

Isso irá determinar

O quanto ela pode ser colorida…

Alda M S Santos

Leveza

LEVEZA

Sonhei que estava a caminho do céu

Vestes brancas e leves a flutuar

Na cabeça uma tiara de rosas, um véu

Subia, girava, sorria, ia devagar

Vez ou outra parava no caminho

Sentava numa nuvem para baixo a olhar

Quem foi que deixei sozinho

Isso pesava, não me deixava viajar

Era tão bom poder plainar

Cada vez mais longe, mais alturas alcançar

Tal qual águia na imensidão a voar

Tudo ficava leve, pétalas de rosas a carregar

Mas algo não estava bem

Ainda não posso ir, preciso retornar

Aqui tinha ficado alguém

Mas já conhecia o caminho do céu a atravessar

Me despedi de mim mesma

Minha leveza, minha destreza

Quem sabe não chegaria o dia

Que iria com certeza pra lá

Enquanto não é possível

Quero de novo sonhar

E nas asas de uma borboleta

As alturas de novo chegar…

Alda M S Santos

Mais no meu blog vidaintensavida.com

Precisamos falar de dor

PRECISAMOS FALAR DE DOR

Eles podem estar chorando

Mas também podem estar aí sorrindo, tentando

Podem estar dentro do quarto, alheios

Mas podem estar dentro de si mesmos, aí no seu meio

Podem estar gritando em silêncio sua dor

E nós não termos jeito para lidar com amor

Podem estar flertando com a morte

Não vendo na vida nenhum pouco de sorte

Não é fraqueza, não é frescura,

É patologia, é doença, precisa tratamento

É dor que tem no amor e atenção parte da cura

É não sentir da vida a beleza, a candura

É querer sumir para um universo paralelo

Onde não sinta mais tanto medo, tanto flagelo

A morte é natural, faz parte da vida

Mas desejá-la não é normal

O setembro amarelo é para sensibilização

Podemos salvar um irmão

Vamos buscar informação?

Alda M S Santos

Quando nada tem graça

QUANDO NADA TEM GRAÇA

O setembro é amarelo, amarelo-alerta

Alerta para um mundo cinzento e frio

Onde falta fome para poder se alimentar

Ânimo para se levantar, coragem para reagir

Não há desejo ou prazer para a vida colorir

Não há passado, não há futuro

Somente um presente pesado, frio, solitário e duro

Do qual o único desejo é fugir

Escapar desse mundo tão sofrido, sumir

Não falta Deus, não falta fé

Não falta o que fazer, falta tesão de viver

Sobra dor… e a fuga torna-se atraente, uma possibilidade

Para dentro do quarto, para dentro de si mesmo

Cada vez mais fundo mergulhar, total imersão

Encolhido e sufocado na própria depressão

Até a dor atingir o limite máximo, a exaustão

Aquele em que o instinto de sobrevivência falha

Nesse ponto nem sempre há como pedir ajuda, a dor estraçalha

O autoextermínio parece ser o fim do que machuca

É preciso que o mundo do entorno perceba

E resgate essas pessoas dessa morada escura

Que leve a um tratamento, busque a cura

Que possa devolver o prazer, a luz, o desejo de viver…

Já reparou nas pessoas que choram, se isolam, ou até sorriem a sua volta?

Podemos salvar uma vida em cinza, devolver a cor!

Podemos ser da vida o amor!

Viver deve ter graça, ser algo especial

Setembro Amarelo, porque querer morrer não é natural!

Alda M S Santos

#setembroamarelo

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