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Reiniciando

REINICIANDO

Tudo em preto e branco, branco e preto
Ou em tons acinzentados, desmantelados
A vida parece em modo de espera
E meio sem saber, humanos subjugados
Lá fora agora está quase tudo proibido
Ficar cá dentro muitas vezes parece castigo
Onde estão as cores, as flores, os amores
Tantos se perguntam, andam perdidos…
Beijo, abraço, um toque, uma visita? – pode não
Você não sabe que põe os outros em risco, cidadão?
Humanidade que tantas vezes pairou na superfície
Sente-se obrigada a aprofundar, mergulhar em si mesma
Desacostumada com a solidão, sente-se desafortunada
Tão habituada a usar máscaras de proteção de sentimentos
Se vê coagida a usar máscaras de barreira contra contaminação
Um sorriso amarelo que disfarçava dores, dizia “tudo bem”
Agora nada valem se não chegar aos olhos que é o que veem
Tantas dúvidas, medos, ansiedades e inseguranças
Enquanto uns questionam o que virá disso tudo
Há quem festeje, quer que o mundo seja formatado
E outros querendo apenas que ele reinicie
Dando nova oportunidade de fazer diferente
Reaprender a amar, confiar, ser mais gente
Que valha a pena…reiniciando….
Alda M S Santos

Como tudo começou …

COMO TUDO COMEÇOU…

Não há ninguém no colo

Tampouco na poltrona da frente ou de trás

Ninguém para eu me preocupar se está bem

Se tem fome, sede, sono ou medo

Se precisarei segurar a mão

Deixar que fique na janela pra apreciar a vista

Negociar os desejos e vontades

Apartar brigas e incentivar a parceria

Parece que a vida deu uma volta quase completa

E retornou ao começo…

Há pouco tempo eles caminhavam conosco

Os sonhos e planos eram similares aos nossos

O ponto de partida e chegada eram os mesmos

Ainda dependiam de nós…

Hoje já fazem seus próprios voos

Solo ou com novas companhias

Felizmente? Certamente!

Pode não ter sido o suficiente

Mas foram abastecidos do que tínhamos de melhor

Acrescentaram o que oferecemos ao que já possuíam

Já podem voar sozinhos, alcançarão novos ares

Conquistarão seus próprios espaços

Farão seus próprios ninhos

Mas por que parece tão estranho?

Por que ainda sentimos um vazio

A sensação de que está faltando alguém?

Precisamos reaprender a viver sozinhos

A viver com o círculo quase se fechando

Início e fim se aproximando

Que acontece quando a volta se completa?

Termina ou recomeça?

Já que não temos acesso a essa informação

Precisamos seguir voando

Mesmo com as asas já gastas, alcançando novos ares

Confiando que tudo acabará como tem que ser

Que esse plano de voo já foi feito noutra dimensão…

Boa viagem a todos os tripulantes e passageiros

Sozinhos ou acompanhados, isso é só um detalhe

Sempre voarão conosco em nossas mentes

Eternamente em nossos corações e orações…

Alda M S Santos

Recomeçar do zero

RECOMEÇAR DO ZERO

Não existe recomeçar do zero

Porque se temos essa prerrogativa

É porque um dia já começamos

E todo começo deixa nem que seja uma negativa

Retirando o que perdemos, o que permaneceu?

E não diga que nada ficou

De tudo que se construiu, viveu

Ao menos entulho restou

Separe o joio do trigo

Descarte, reaproveite, reserve, busque abrigo

E se ainda assim só encontrar a dor

É com ela que irá recomeçar

E com renovado fervor…

Recomece do amor que encontrar em você, por você!

Alda M S Santos

Sem referencial

SEM REFERENCIAL

Cenário de catástrofe: terremoto, tsunamis, vendavais

Entulhos e mais entulhos, escombros

Nada mais de pé, sequer uma árvore, uma edificação

Nada que possa ser reconhecido, identificado

O banco da praça, a igreja

Uma torre de energia, um restaurante

A padaria da esquina, a casa de um amigo

Não há ruas, esquinas ou quarteirões

Apenas um todo de destruição

Perdidos, sem referencial…

Tantas vezes as ruínas estão em nós

Como encontrar alguém ali?

Como se encontrar ali?

Buscar em si aquele ponto de luz

Algo que permaneça inalterado

Que seja firme como rocha

Que nada nem ninguém consiga mudar

E ali se alojar aguardando as forças brotarem

Indicando um caminho para continuar

Um novo referencial

Para recomeçar…

Alda M S Santos

(Des)fazendo

(DES)FAZENDO

Um móvel daqui, outro dali

Tudo sendo desmontado

Desfeito

Uma cortina arriada, tudo espalhado

O vazio de fora reflete o vazio de dentro

A bagunça por ali não se compara à bagunça interna

Uma planta ainda viçosa

Ignora a ausência de vida à sua volta

Sai um colchão, uma cama

Uma almofada com marcas de um corpo

Jogada sobre um sofá

Para onde irá?

Quais cabeças ou corpos irá amparar?

Afinal, ecos de uma vida sendo (des)feita

Mas tudo isso não são coisas?

Coisas vêm e vão, só têm vida junto aos seus

Adquire-se novamente quando preciso

A vida que parece estar sendo desfeita

Ao mesmo tempo está sendo refeita

Reconstruída, mesmo que em meio a escombros

Nos ecos de um passado tão presente

Ouve-se a esperança de um futuro

Nota-se o brilho entre as frestas do porvir

Percebe-se o bater acelerado de um coração apertado

Onde houve vida sempre haverá um renascer

Onde corações bateram e geraram vida

Sempre existirá amor e recomeços

Cada dia melhor e mais forte

Nem sempre tão simples ou fácil, porém necessário

Basta acreditar e recomeçar…

Alda M S Santos

Renovando…

RENOVANDO…

A vida nem sempre é como a gente quer

As pessoas e situações quase nunca correspondem às nossas expectativas

A dor muitas vezes se impõe, as forças minam

Sentimo-nos excluídos, esquecidos, desvalorizados, preteridos

Mas brota lá de dentro uma semente, a da sobrevivência

E a gente cuida, rega, aduba, se deixa cuidar e adubar

Enquanto formos capazes de levar um abraço, um cuidado

Enquanto formos capazes de respeitar e cuidar de toda vida existente

Enquanto formos capazes de sorrir um para o outro

Para nós mesmos, a despeito de todo e qualquer sofrimento

O amor prevalecerá, a vida se renovará

Cada dia mais bela e promissora…

Alda M S Santos

Vamos recomeçar?

VAMOS RECOMEÇAR?

Percorremos tantos caminhos na vida, em várias direções

Em busca de realização profissional, harmonia familiar

De uma vida recheada de amores sinceros, amizades verdadeiras

Em busca de um Deus que nos acolha, oriente, perdoe e ampare

Mas qual deles nos leva a nós mesmos?

Alguns sabemos que nos afastam de nós, precisamos retornar

Recomeçar da estaca zero, se possível, mais sábios, talvez mais fortes

Tudo dependerá de nosso olhar e ação sobre as curvas e entraves do caminho

Da perícia em saber a hora de voltar

Qual delas poderá nos redirecionar em busca de nós mesmos?

É preciso estar consciente das próprias pegadas para caminhar

Um caminho que nos afasta de nós mesmos e daquilo que mais prezamos não é uma boa escolha

Um caminho válido é aquele que nos leva ao aprendizado, ao autoconhecimento

Pois, por incrível que pareça, estamos sempre a nos surpreender

E nisso consiste a beleza do existir…

Vamos recomeçar?

Alda M S Santos

Um vento passou por aqui

UM VENTO PASSOU POR AQUI

Um vento passou por aqui

Aproveitou as janelas abertas e invadiu

Quebrou trancas e tramelas, portas destruiu

Muita coisa bagunçou, outras embora levou

Derrubou esperanças, sorrisos apagou, portas fechou

Um vento passou por aqui

Misturou o certo e o errado, o doce e o salgado, a autoconfiança minou

Mentiras criou, verdades questionou, inimigos levantou

Debates inventou, calados despertou, falantes calou

Um vento passou por aqui

O que era rígido, mas frágil, caiu e quebrou

O que era firme, forte, mas flexível balançou e se solidificou

O que era verdadeiro e leve flutuou e se eternizou…

Um vento passou por aqui

Entre tantas desordens que causou

Entre tanto que trouxe e levou

Algo de novo possibilitou, coisas antigas reafirmou:

Solidez não rima com rigidez,

A água tudo contorna, não pelo peso, mas pela persistência e fluidez

Amor e simplicidade têm primazia sobre qualquer ventania

Um vento passou por aqui…

E sua marca deixou… o sorriso replantou…

Alda M S Santos

Como andar de bicicleta

COMO ANDAR DE BICICLETA

Se a gente parar, reduzir, pensar demais,

A gente se distrai, amedronta, perde a confiança, cai!

Quando aprendemos a andar de bicicleta

Logo depois que retiramos o conforto e segurança das rodinhas

O equilíbrio se mantém e nos impede de tombar, de cair

Enquanto estamos em movimento, pedalando

Aos poucos, devagar, depois de alguns tombos, feridas

Vamos aprendendo a reduzir lentamente

Ouvindo alguns conselhos amigos

Descartando aqueles que, invejosos ou ciumentos,

Visam apenas nos ferir e desestabilizar

Avaliando os riscos, mantendo-nos sobre o selim,

Nas retas primeiro, fugindo das curvas.

Só então poderemos realmente sentir o passeio,

Aumentar nossa força e coragem, dar um tchauzinho

Observar a paisagem, sentir o vento no rosto,

As pessoas que passam, os outros ciclistas

Pedalar junto, dar carona, apostar uma corrida

Nos arriscar nas curvas convidativas, nos declives acentuados

Ajudar outros ciclistas, e curtir…

Certos e conhecedores dos pontos críticos

Que outros tombos podem ocorrer,

Mas que estaremos mais fortes.

A vida é, por vezes, como andar de bicicleta

Somos tantas vezes aprendizes!

Se a gente parar, reduzir, pensar demais,

A gente cai!

E o sentido, tanto de andar de bicicleta

Quanto de viver, está no prazer que se obtém disso

Basta observar uma criança em sua bicicleta

Que, apesar dos tombos, insiste, sorri, comemora

Vamos pedalar! Vamos viver!

Alda M S Santos

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