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Sem referencial

SEM REFERENCIAL

Cenário de catástrofe: terremoto, tsunamis, vendavais

Entulhos e mais entulhos, escombros

Nada mais de pé, sequer uma árvore, uma edificação

Nada que possa ser reconhecido, identificado

O banco da praça, a igreja

Uma torre de energia, um restaurante

A padaria da esquina, a casa de um amigo

Não há ruas, esquinas ou quarteirões

Apenas um todo de destruição

Perdidos, sem referencial…

Tantas vezes as ruínas estão em nós

Como encontrar alguém ali?

Como se encontrar ali?

Buscar em si aquele ponto de luz

Algo que permaneça inalterado

Que seja firme como rocha

Que nada nem ninguém consiga mudar

E ali se alojar aguardando as forças brotarem

Indicando um caminho para continuar

Um novo referencial

Para recomeçar…

Alda M S Santos

(Des)fazendo

(DES)FAZENDO

Um móvel daqui, outro dali

Tudo sendo desmontado

Desfeito

Uma cortina arriada, tudo espalhado

O vazio de fora reflete o vazio de dentro

A bagunça por ali não se compara à bagunça interna

Uma planta ainda viçosa

Ignora a ausência de vida à sua volta

Sai um colchão, uma cama

Uma almofada com marcas de um corpo

Jogada sobre um sofá

Para onde irá?

Quais cabeças ou corpos irá amparar?

Afinal, ecos de uma vida sendo (des)feita

Mas tudo isso não são coisas?

Coisas vêm e vão, só têm vida junto aos seus

Adquire-se novamente quando preciso

A vida que parece estar sendo desfeita

Ao mesmo tempo está sendo refeita

Reconstruída, mesmo que em meio a escombros

Nos ecos de um passado tão presente

Ouve-se a esperança de um futuro

Nota-se o brilho entre as frestas do porvir

Percebe-se o bater acelerado de um coração apertado

Onde houve vida sempre haverá um renascer

Onde corações bateram e geraram vida

Sempre existirá amor e recomeços

Cada dia melhor e mais forte

Nem sempre tão simples ou fácil, porém necessário

Basta acreditar e recomeçar…

Alda M S Santos

Renovando…

RENOVANDO…

A vida nem sempre é como a gente quer

As pessoas e situações quase nunca correspondem às nossas expectativas

A dor muitas vezes se impõe, as forças minam

Sentimo-nos excluídos, esquecidos, desvalorizados, preteridos

Mas brota lá de dentro uma semente, a da sobrevivência

E a gente cuida, rega, aduba, se deixa cuidar e adubar

Enquanto formos capazes de levar um abraço, um cuidado

Enquanto formos capazes de respeitar e cuidar de toda vida existente

Enquanto formos capazes de sorrir um para o outro

Para nós mesmos, a despeito de todo e qualquer sofrimento

O amor prevalecerá, a vida se renovará

Cada dia mais bela e promissora…

Alda M S Santos

Vamos recomeçar?

VAMOS RECOMEÇAR?

Percorremos tantos caminhos na vida, em várias direções

Em busca de realização profissional, harmonia familiar

De uma vida recheada de amores sinceros, amizades verdadeiras

Em busca de um Deus que nos acolha, oriente, perdoe e ampare

Mas qual deles nos leva a nós mesmos?

Alguns sabemos que nos afastam de nós, precisamos retornar

Recomeçar da estaca zero, se possível, mais sábios, talvez mais fortes

Tudo dependerá de nosso olhar e ação sobre as curvas e entraves do caminho

Da perícia em saber a hora de voltar

Qual delas poderá nos redirecionar em busca de nós mesmos?

É preciso estar consciente das próprias pegadas para caminhar

Um caminho que nos afasta de nós mesmos e daquilo que mais prezamos não é uma boa escolha

Um caminho válido é aquele que nos leva ao aprendizado, ao autoconhecimento

Pois, por incrível que pareça, estamos sempre a nos surpreender

E nisso consiste a beleza do existir…

Vamos recomeçar?

Alda M S Santos

Um vento passou por aqui

UM VENTO PASSOU POR AQUI

Um vento passou por aqui

Aproveitou as janelas abertas e invadiu

Quebrou trancas e tramelas, portas destruiu

Muita coisa bagunçou, outras embora levou

Derrubou esperanças, sorrisos apagou, portas fechou

Um vento passou por aqui

Misturou o certo e o errado, o doce e o salgado, a autoconfiança minou

Mentiras criou, verdades questionou, inimigos levantou

Debates inventou, calados despertou, falantes calou

Um vento passou por aqui

O que era rígido, mas frágil, caiu e quebrou

O que era firme, forte, mas flexível balançou e se solidificou

O que era verdadeiro e leve flutuou e se eternizou…

Um vento passou por aqui

Entre tantas desordens que causou

Entre tanto que trouxe e levou

Algo de novo possibilitou, coisas antigas reafirmou:

Solidez não rima com rigidez,

A água tudo contorna, não pelo peso, mas pela persistência e fluidez

Amor e simplicidade têm primazia sobre qualquer ventania

Um vento passou por aqui…

E sua marca deixou… o sorriso replantou…

Alda M S Santos

Como andar de bicicleta

COMO ANDAR DE BICICLETA

Se a gente parar, reduzir, pensar demais,

A gente se distrai, amedronta, perde a confiança, cai!

Quando aprendemos a andar de bicicleta

Logo depois que retiramos o conforto e segurança das rodinhas

O equilíbrio se mantém e nos impede de tombar, de cair

Enquanto estamos em movimento, pedalando

Aos poucos, devagar, depois de alguns tombos, feridas

Vamos aprendendo a reduzir lentamente

Ouvindo alguns conselhos amigos

Descartando aqueles que, invejosos ou ciumentos,

Visam apenas nos ferir e desestabilizar

Avaliando os riscos, mantendo-nos sobre o selim,

Nas retas primeiro, fugindo das curvas.

Só então poderemos realmente sentir o passeio,

Aumentar nossa força e coragem, dar um tchauzinho

Observar a paisagem, sentir o vento no rosto,

As pessoas que passam, os outros ciclistas

Pedalar junto, dar carona, apostar uma corrida

Nos arriscar nas curvas convidativas, nos declives acentuados

Ajudar outros ciclistas, e curtir…

Certos e conhecedores dos pontos críticos

Que outros tombos podem ocorrer,

Mas que estaremos mais fortes.

A vida é, por vezes, como andar de bicicleta

Somos tantas vezes aprendizes!

Se a gente parar, reduzir, pensar demais,

A gente cai!

E o sentido, tanto de andar de bicicleta

Quanto de viver, está no prazer que se obtém disso

Basta observar uma criança em sua bicicleta

Que, apesar dos tombos, insiste, sorri, comemora

Vamos pedalar! Vamos viver!

Alda M S Santos

Vida ou morte?

VIDA OU MORTE?

Às vezes parece que temos ido mais a velórios que a maternidades…

Percebido mais mortes que nascimentos perto de nós

Será mesmo?

Ou nosso olhar tem focado mais num do que noutro?

Avaliado mais um “evento” do que outro?

Saber que ambos fazem parte da vida é importante

Até mesmo essencial para prosseguirmos com mais serenidade e ânimo

Ter essa visão cíclica da vida, o quanto ela é rotativa

Ora estamos aqui, ora estaremos do outro lado

Isso pode gerar desejo de fazer o melhor possível o quanto antes

Ou avaliar que, por mais que se faça, nada mudaria o final

E se “entregar” à inércia do acaso…

Vida ou morte, nascimento ou sepultamento?

Até em nós mesmos fazemos isso todo o tempo

Nascem e morrem em nós emoções, sentimentos, necessidades, alegria, dores

Nem sempre temos controle do que vive ou morre em nós

Tentamos deixar brotar o que nos faz bem, sepultar o que já não está vivo

Ou que poderia vir a nos matar…

Nascer e morrer…

As únicas certezas que temos

No intervalo tudo pode acontecer, boa parte depende de nós…

Alda M S Santos

Roubos e arroubos

ROUBOS E ARROUBOS

Quanto mais caminhamos para longe de nós mesmos

Quanto mais rápido o fazemos, vislumbrando um destino sonhado

Quanto mais arroubos há, mais roubos são realizados, “autorizados”

Mais difícil e necessário se tornará o caminho de volta

Mais longo e doloroso será o retorno

Dívidas deverão ser quitadas, débitos pagos com juros

Sorrisos resgatados, lágrimas enxugadas, flores arrancadas devolvidas a seus canteiros

Cristais frágeis que forem quebrados novamente colados

Fé e autoconfiança recuperadas…

É bom ir, mas todo cuidado é pouco para não nos perdermos de nós

Para não nos afastarmos e caminharmos perto de quem nos mantém inteiros e acende nossa luz

Para não fazermos com que quem amamos se percam de si mesmos…

Alda M S Santos

Ruínas

RUÍNAS

Mergulhar no que acreditamos serem nossas ruínas

Limpar áreas empoeiradas de nossa alma

Quase nunca visitadas, negligenciadas, até temidas

Pode nos levar a encontrar objetos esquecidos

Partes importantes de um quebra-cabeças que julgávamos perdido

Uma figurinha que faltava no nosso álbum de vida

Uma flor desidratada dentro de um livro que irriga nossos olhos

Uma dedicatória significativa e estimulante, que injeta ânimo e coragem

Coisas que julgávamos mortas e sepultadas que ressuscitam

Como uma criança que revisita o quartinho de brinquedos velhos

E volta de lá feliz com muitas coisas “novas” ou perdidas

Para voltar a brincar…

Ruínas podem ser muitas vezes

Apenas partes de nós

Que, se bem avaliadas e cuidadas ,

Podem voltar à vida e brilhar tanto ou mais do que antes…

Alda M S Santos

Para onde voltar

PARA ONDE VOLTAR

Ter pra onde ir, mesmo sem saber ao certo o lugar, é bom

Abrir caminhos nessa imensidão, com a precisão da lâmina afiada da foice da nossa ansiedade

Com a velocidade e força da vida que pulsa e corre em nossas veias

Desejo de conhecer o mundo além de nossas porteiras fechadas

Conquistá-lo, vencê-lo, fazer história,

Atrelar nossa história à história de alguém,

Deixar nossas boas sementes plantadas para a posteridade

Colher bons frutos, chorar pelos que não vingaram

E chega a hora de querer voltar…

Voltar pra onde?

Temos para onde voltar?

Aquela porteira de outrora abrirá para nós novamente?

Irá nos reconhecer?

Pais, avós, amigos, nós mesmos, o quanto nos distanciamos?

Caberemos lá dentro, agora que os sonhos foram satisfeitos ou esquecidos

As angústias controladas, os medos vencidos

E a vida já não pulsa tão forte em nós quanto águas de cachoeira na serra

Mas na tranquilidade das águas de um rio que segue seu curso, seu remanso

Sabendo-se vida para tantos…

Queremos sempre voltar em algum momento

Como se algo precioso tivesse ficado lá atrás

Alguém a quem prestar contas do que foi vivido, uma avaliação

Voltar para nós mesmos, nos reconhecer, é um bom começo

Olhar naquele espelho da casinha simples de adobe que muitas vezes buscamos

Ver nos olhos que aquele espelho reflete os olhos Dele a nos receber

E poder nos dizer “que bom que está aqui e, apesar de mudado, reconheço você, sua essência se preservou”

Alguém que encontrou o retorno dentro de si mesmo

E não tem do que se envergonhar, ou quase não tem

Isso é ter pra onde voltar…

E sem medo de não ser bem recebido!

Ter pra onde ir é muito bom

Ter pra onde voltar é maravilhoso…

Alda M S Santos

Sofrimentos

SOFRIMENTOS
Há duas maneiras das pessoas encararem as duras penas da vida
Algumas sabem o peso de determinado sofrimento
E jamais querem o mesmo para alguém, próximo ou não
Outras, como sofreram aquilo, não se importam com o outro
Às vezes, desejam que o outro passe pelo que passou,
Até, muitas vezes, causam no outro a mesma dor
Na tentativa errônea de sofrer menos, não sabendo-se só
Como se ao doer no outro doesse menos em si próprio
São os modos diferentes que a alma de cada um
Mais evoluída, ou menos, lida com o próprio sofrimento!
Mas aprende, cedo ou tarde, que a dor de cada um é única
E deve ser enfrentada dentro de si mesmo,
Até ir apagando aos pouquinhos…
Alda M S Santos

Volta por cima

VOLTA POR CIMA

“Levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima”

Tão necessário nas trilhas da vida

Lema dos vencedores!

Nas grandes quedas, aquelas das quais não conseguimos levantar tão rapidamente

Todo cuidado é pouco para não derrubar mais ninguém

Além de quem já foi derrubado e de nós mesmos

Se uma volta por cima implicar em jogar poeira nos olhos dos outros

Ou lançar alguém para a “volta de baixo”

O melhor mesmo é ficar dignamente onde está…

Alda M S Santos

Universo paralelo

UNIVERSO PARALELO

Na balança da vida oscilei bastante

Sempre em busca do equilíbrio, do ponto neutro

Sorri muito, chorei bastante

Fui necessária a alguns

Precisei de tantos outros

Sem intenção, atraí ou afastei pessoas, situações

Trabalhei, me doei, mergulhei de cabeça

Acertei, errei, me decepcionei

Acreditei estar num universo paralelo

Vivendo num mundo do qual não faço parte

Fiquei perdida, um navio encalhado, à deriva

Caí, machuquei, levantei,

Sempre em busca do equilíbrio, da paz interior

Olho longe, olho para dentro de mim mesma

Busco conexões, elos perdidos

Encontro amigos, família, Deus…

Apenas um pedido:

Que no próximo ano vocês todos estejam comigo

E eu com vocês!

Feliz 2018!

Alda M S Santos

Amparo

AMPARO

Em retrospectiva, vislumbramos momentos

Estágios e situações da vida que enfrentamos

E não acreditamos que algumas coisas foram reais

De onde tiramos força e coragem para superar cada revés

Vencemos medos, risco de morte, ameaças, doenças,

Angústias, perdas, decepções, mudanças, saudades,

Ou ao menos estamos aprendendo devagarzinho a conviver…

Como conseguimos? Simples! Deus!

Fé e esperança! Enfrentamento! Não nos escondendo, mesmo sofrendo.

Ainda que a gente não tenha percebido nas ocasiões

Deus nos permite viver somente o que nos fará aprender e crescer.

Se Ele nos submete a algo, ele nos ajuda e nos ampara

Como um pai que coloca rodinhas na bicicleta dos filhos

Depois tira uma, a outra, segura a bicicleta e, finalmente, o deixa ir

Mas seu olhar sempre cuidadoso acompanha e ampara o filho

Saber disso nos dá forças para não estacionar, prosseguir

Mesmo que a gente ainda se aventure demais por aí,

Leve alguns tombos nos mesmos lugares de antes

Nas curvas, se esfole, sofra, chore…

Mas só compreendemos mais tarde

“Para ver a ilha como um todo é preciso estar minimamente fora dela”

Alda M S Santos

Certeza do fim

CERTEZA DO FIM

Se houvesse a certeza de que amanhã seria o fim de tudo

Por qualquer dos métodos escabrosos de auto-destruição que nós mesmos criamos

Qual seria nosso maior arrependimento?

Qual seria nosso maior orgulho?

Existe algum lugar especial em que gostaríamos de estar?

Algo específico que gostaríamos de fazer?

Ou alguém especial para estar junto, abraçadinho?

As respostas a essas três perguntas

Também responderá qual o arrependimento e o orgulho

E poderá direcionar nossos passos seguintes

Qual seria nosso cartão de visitas no céu?

Sempre há os crédulos na proximidade do fim

Isso pode ser ideia de algum insano

Ou de alguém bastante lúcido

Podemos escolher em qual acreditar…

Alda MS Santos

Se eu faltar pra você…

SE EU FALTAR PRA VOCÊ…

Se eu faltar pra você, quanto tempo sofrerá por mim?

Ficará revoltado, achando que a vida foi injusta, que merecia mais?

Será daqueles que mergulham em histórias e mais histórias pra esquecer minha partida?

Escreverá um livro contando nossa história para relembrar, não me apagar da sua mente?

Sentirá falta do quanto te amei, de minha companhia diária, do quanto nos fizemos bem?

Ou será do tipo que procuraria exatamente por quem disse que nunca faria, por pura rebeldia?

Seria capaz de me responsabilizar pelo que não foi culpa minha?

Saberia ser agradecido a Deus pela vida que compartilhamos, ou revoltado pelo fim?

Seguirá em frente, amará outra mulher logo, pois acostumou-se a uma vida de amor?

Não sei o que você faria…

Soubesse com antecedência da minha partida poderia até levar você…

Mas não seria justo! Você tem direito à sua vida!

Afirmo apenas que levaria você comigo para sempre:

No coração e na alma para qualquer dimensão…

Alda M S Santos

Im ou explosão

IM OU EXPLOSÃO?

Implosão, explosão, ambas destruidoras

Derrubam, desmancham, apagam, zeram

Em se tratando de pessoas

Qual a que causa menos mal?

Explodir, quase sempre com os outros

E tudo que nos incomoda, machucar

Queimar tudo!

Implodir, para dentro de nós mesmos,

Estourar para o nosso interior,

Arrefecer por falta de alimento, de oxigênio, ferir-se

Como aqueles espirros contidos…

Qual o menos danoso?

Im ou explodir?

Alda M S Santos

O quanto dói o que mais dói?

O QUANTO DÓI O QUE MAIS DÓI?

Dor de dente, cólicas renais, parto, coluna,

Enxaquecas, ressacas, crises de abstinência, nervo ciático,

Luto, amor, saudade, solidão, compaixão, ingratidão…

São tantas a doer!

Dores são bem democráticas

Quase sempre distribuídas a todos

O grau de cada uma e o que fazemos delas

É o que nos difere uns dos outros.

Tantas pessoas sorridentes por aí

Com dores que uns julgam pouca coisa

E outros sequer pensariam em suportar.

Qual a dor que mais dói?

Aquela que sabemos que também dói no outro,

Ou a que sabemos suportar sozinhos?

A dor que mais dói é certamente a que sentimos no momento.

O quanto cada dor dói, só quem a sente é capaz de dizer.

Nunca subestimar a dor ou sofrimento do outro,

Não potencializar a nossa, tampouco fingir que não existe,

São bons modos de encarar esse mal comum a todos.

Uma injeção de amor também seria o ideal!

Alda M S Santos

Um dia…

UM DIA

Um dia a angústia pode queimar o peito

Um dia as lágrimas podem inundar a fé

Um dia a tristeza pode fechar o sorriso

Um dia a desesperança pode secar a alegria

Um dia o amor pode ser só dor e saudade

Um dia a amizade pode não corresponder

Um dia um abraço, um beijo, um olhar podem não ser suficientes,

Um dia a amargura pode calar nossa voz,

Um dia a vida pode se assemelhar a um chão de folhas secas e mortas.

Quase sempre é um dia, alguns dias, semanas, meses…

Nesses dias é que precisamos buscar um pouquinho de alegria no fundo de nós

Sempre há!

E focar nela, regá-la, nutri-la

E, aos poucos, bem aos pouquinhos,

Ela se encarregará de inundar o resto.

Basta ter fé e esperar…

Alda M S Santos

Quando não estou em mim

QUANDO NÃO ESTOU EM MIM

Procuro-me em todos os cantos

Tento me identificar, me localizar

Saber onde me encontro

Quando não estou em mim.

Se eu não estivesse mais aqui

Onde poderia ser mais facilmente encontrada?

O que remeteria as pessoas diretamente a mim?

O que olhariam e diriam: isso me faz lembrar dela!

Uma cachoeira, uma mata densa, pássaros, borboletas, flores?

O mar, um rio, a chuva, as estrelas, a Lua cheia?

Certamente, sinto-me em casa junto a tudo isso.

Um sorriso, um abraço, uma palavra, um poema? Identifico-me.

Meus filhos? Claro, partes mais lindas de mim.

Meus pais? Sim, sou parte deles.

Meu amor, meus amigos? Alguns deles, os que me amaram, me entenderam, sintonizaram comigo.

Em cada pessoa que passou por minha vida, que me agregou valores, me fez feliz, me fez sofrer?

Sim, foram também partes de mim.

Estou em muitos lugares, em cada pedaço de chão que pisei

No ar que respirei, mas, principalmente, no amor que doei.

Se quiserem me encontrar, procurem em tudo isso,

Também no sorriso de uma criança,

Na nostalgia de um idoso, no abraço de um casal apaixonado…

De preferência, num dia de chuva.

Eu estarei lá!

Quando não estou em mim estou naqueles que amo,

Onde quer que estejam.

E estar neles, é um modo de estar em mim.

Alda M S Santos

Excluir, arquivar, back, next: aprendendo a usar

EXCLUIR, ARQUIVAR, BACK, NEXT: APRENDENDO A USAR

Tantos são os novos aplicativos, cada dia surge mais um

Mas o mais antigo de todos, que nos vem acoplado ao DNA

É a capacidade de manter aquilo que nos faz bem

De excluir o que nos traz mágoas e tristezas

De arquivar o que é bom ou que pode vir a ser,

De voltar quando é possível,

De prosseguir, seguir em frente, mudar de fase.

Esses recursos vêm de fábrica

Mas vamos aprendendo a usar com o tempo

Com as necessidades que surgem.

E como todo jogador, cada qual tem suas estratégias e perfis

Uns são audaciosos e buscam sempre mais, nunca voltam,

Quase nada arquivam, excluem e seguem em frente.

Outros, mais conservadores, mantêm muitos dados, arquivam demais,

Têm dificuldade de excluir, caminham mais pesadamente.

Mas todos estamos nos aperfeiçoando

Aprendendo a usar, buscando suporte técnico,

Pois a qualquer hora pode haver baixa,

O game over sempre chega, cedo ou tarde.

Alda M S Santos

Perdas

PERDAS

Sempre sabemos lidar com perdas: as perdas alheias.

Para elas sempre temos algo a dizer, a aconselhar.

Mas quando a perda é com a gente, tudo muda de figura.

Não importa que tipo de perda seja: material, pessoal, humana…

Sempre irá doer, sempre irá machucar!

Perde-se emprego, casa, saúde, animais de estimação,

Amigos, familiares, amores…

Perde-se a paz, o sossego, a fé, a alegria!

Por que nunca somos ensinados a perder?

A família, a escola, a igreja, todos nos ensinam a conquistar.

Isso porque a teoria da perda de nada vale!

E, quase sempre, é essa teoria que passamos para os amigos “perdidos”.

Mas somente quem vivencia a perda é capaz de aprendê-la na prática.

Aprende-se a perder, perdendo: chorando, gritando, se recolhendo, sofrendo.

Não é lição que se ensina, é lição que se aprende só!

E o tempo que leva para se recuperar,

Depende do modo de ser de cada um.

Alguns rapidamente superam, esquecem, e a vida segue normal.

Outros demandam muito mais tempo, muitas lágrimas, muita tristeza…

Respeitar o próprio jeito, a própria dor, é fundamental no processo de cura!

Alda M S Santos

Dias difíceis

DIAS DIFÍCEIS

Para dias difíceis, pessoas fáceis.

Na falta, fique consigo mesmo!

Ainda que você não seja muito fácil,

É alguém que conhece há mais tempo que se pode lembrar,

Que aturou cada sorriso, cada lágrima, cada dor ou prazer,

Mesmo que não esteja uma boa companhia,

Sempre será alguém com que se pode contar!

Não se abandone!

Alda M S Santos

Primaveras de dentro

PRIMAVERAS DE DENTRO

Quem vê a beleza de uma rosa,

Sua frescura, sua cor e perfume

Intensa delicadeza e suavidade

Não imagina quantos obstáculos rompeu

Quantas dores sofreu, sede passou,

Insetos e pragas enfrentou,

Ou quanta persistência foi necessária

Para chegar a mostrar tamanho esplendor.

De tantas lutas ficaram os espinhos,

Lembrança de que nada se alcança,

Por mais delicada e bela, sem lutas.

Foi inverno, é primavera!

Mas nada dura para sempre!

Nem os invernos, nem as rosas, nem as primaveras,

Fora ou dentro da gente.

Alda M S Santos

Mata virgem

MATA VIRGEM

Amar é adentrar numa mata virgem

Sem qualquer conotação sexual,

Ou pode ter, se assim o preferir. 

É desbravar, abrir trilhas, descobrir espaços secretos

É passar por espaços iluminados, outros escuros

É ter momentos de dor, de cansaço, de frio e calor, 

É ter prazer nos oásis, na maciez de uma cama de folhas, 

É encontrar itens encantadores, outros perigosos, 

É ter apenas uma ideia do que se quer

É saber que nem toda surpresa será boa

É, sobretudo, ter certeza que vale a pena desbravá-la,

Porque não há modo de conhecê-la de fora,

Projetar ou resolver problemas sem nela adentrar.

Uma mata virgem, assim como o amor

São convites a curiosos e corajosos. 

Alda M S Santos

 

 

Escalas

ESCALAS 

A viagem da vida não acontece sem escalas

Não é voo direto!

Pode ter várias escalas, paradas, conexões,

E, nelas, reavaliarmos o trajeto, o destino

A necessidade de retornos, mudanças de aeronaves

De tripulação e novos reembarques.

Não podemos é ficar muito tempo estagnados

Sob pena de perder o embarque.

Apertemos nossos cintos e boa viagem!

Alda M S Santos

Construindo Castelos

CONSTRUINDO CASTELOS

Viver é construir castelos

Sem saber quanto tempo moraremos neles

Quanto tempo levarão para se desintegrar

Ou serem tragados pela areia movediça que nos cerca.

Como crianças na areia da praia que, pacientemente,

Vão até à beira d’água, carregam um baldinho pela metade,

Despejam num monte de areia e mãos à obra!

Pequenos grandes arquitetos, com ajudantes ou não,

Constroem lindos castelos, se enterram na areia,

Deitam-se em poças d’água e sorriem,

Mesmo quando o castelo é levado pelas águas.

Começam a construir outro e outro…

Incansáveis!

Em sua simplicidade entendem que a alegria está no construir

Não esperam o término da obra ou sua durabilidade para serem felizes.

Se a areia movediça levou seu castelo, não importa!

Se as ondas do mar fizeram tudo ruir, e daí?

Foram felizes enquanto ele existiu! Por isso a dor é passageira.

E ainda há muita areia e água pela frente, novos castelos,

Mesmo com a incerteza do amanhã.

Mesmo que não saibamos o tempo que nos resta….

Construindo…sempre…

Alda M S Santos

No ar…

NO AR…
Voar, bem alto, no infinito,
Devagar, curtir, planar…
Tudo ver, tudo analisar, de fora, por cima,
Tudo observar, escolher, fixar os olhos
E mergulhar… fundo…
Na certeza do que se quer,
No prazer antecipado do encontro,
No gozo da vida que recomeça
A cada voo,
A cada mergulho…
No ar…
Alda M S Santos

Próximo do nocaute

PRÓXIMO DO NOCAUTE

Ver, mesmo de olhos cerrados,

Sentir, mesmo com o coração fechado,

Dizer, mesmo sem palavras,

Ouvir, mesmo os gritos ou sussurros dos silêncios, 

Acreditar, mesmo que tudo pareça ruir,

Abraçar, ainda que os braços pesem,

Sorrir, mesmo entre lágrimas, 

Lutar, mesmo próximo do nocaute,

Beijar, mesmo com lábios ressequidos pela distância, 

Prosseguir, mesmo com a sensação de andar para trás,

Viver, mesmo que a vida pareça pertencer a todos, menos a nós mesmos. 

Alda M S Santos

Perdido

PERDIDO

Se há muito busca encontrar-se

Refazer-se, tornar-se de novo inteiro

E de tantas partes

Encontrou apenas algumas

Busque-se em sua última morada

Junto à escova de dente, perfume, roupas íntimas

E alguns utensílios dispensáveis esquecidos,

Pode ter deixado algo mais valioso

Que reconstitua seu quebra-cabeça particular.

Se lá houver mais partes que cá,

Mude-se de vez para lá.

Alda M S Santos

 

 

Descaminhos

DESCAMINHOS

E quando chegamos naquela parte do caminho

Em que já atravessamos partes leves, agradáveis, floridas

Também as difíceis, duras, pedregosas,

Já fomos longe demais e percebemos que não é mais possível prosseguir?

Descobrimos que pra frente pode haver raios e trovões

Tempestades, tsunamis, maremotos intensos?

É possível descaminhar?

Dar marcha à ré, retornar pelo mesmo caminho,

Voltar ao ponto de largada, retomar?

Como se ao voltar fôssemos desfazendo tudo, desmanchando detalhes

Voltando a fita em câmera lenta

Sorrindo e chorando tudo outra vez

Apagando as pegadas deixadas na areia…

Ou o melhor a fazer é seguir em frente

Por outro caminho, gravando por cima?

Talvez possamos usar nova fita, fazer nova gravação

E deixar esse arquivo guardado num cantinho

Para ser utilizado em momentos de nostalgia e saudade

Ou de novos aprendizados…

De qualquer maneira, perder a “direção” nunca é bom.

É preciso sentar-se à beira do caminho, refletir, retomar as forças e a serenidade.

De quem tanto caminhou, espera-se que logo pegará sua bússola e, cedo ou tarde, vislumbrará uma nova trilha!

Alda M S Santos

Culpas e responsabilidades

CULPAS E RESPONSABILIDADES

Todos nós somos acometidos por elas em algum momento da vida.

Quanto mais regras e normas de conduta carregamos, 

Quanto mais corretos e precavidos tentamos ser, mais o risco de as carregarmos em nossas bagagens.

Ninguém está livre ou isento, posto que somos humanos!

Errar, machucar, machucar-se, consertar, tentar de novo, errar outra vez, sempre fará parte de todo aprendizado. 

Análises, julgamentos, veredictos: culpados!

Nós mesmos prevemos grandes punições e sanções.

Acreditamos que os outros merecem,

Acreditamos merecê-las! 

Temos em mente a lei do retorno, da colheita, do “aqui se faz, aqui se paga.”

Vale lembrar que o grande Mestre do amor apregoa o perdão.

Se Ele é capaz de nos perdoar, após arrependimentos e mudança de atitudes,

Deveríamos ao menos ser mais complacentes com os erros dos outros, 

E, particularmente, com os nossos, e tentar de novo, sempre.

O tempo vai nos ensinando de quais perigos nos manter afastados ou vigilantes: animais, situações, pessoas…

Por mais bonitos ou convidativos que possam parecer.

Bagagens carregadas de culpas atrasam nossa caminhada,

Não são bons materiais de construção,

Impedem vivências ricas e maravilhosas. 

Peso inútil, descartável!

Alda M S Santos 

Redemoinho

REDEMOINHO

Tudo se passa em câmera lenta

Chega, olha em volta

Espaço grande, luz forte 

Muitas pessoas conhecidas ali 

Recebe as boas vindas

Parece perdida, descalça, meio assustada 

Procura alguém…

Olha nos olhos de cada um que passa

Todos fixam nela o olhar meio encabulados

Continua a circular

Procura alguém, não sabe quem

Mergulha num redemoinho de imagens

Chora, senta, soluça

Alguém cobre seus ombros com uma colcha

“Esse vestido é fino, transparente, vai congelar.”

Reconhece a voz, o olhar, o cuidado

Levanta-se, vira-se e ele desaparece pela porta 

Vai atrás, chega numa porta e só vê nuvens, como de dentro de um avião. 

Sem medo, lança-se espaço abaixo…

Para as nuvens…

E tudo é paz! 

Alda M S Santos

Prólogo

PRÓLOGO

Serão novas páginas, novos capítulos

Personagens novos, alguns renovados

Uns se foram por conta própria ou foram cortados

Outros terão participação reduzida 

Novos planos e projetos alegram e assustam 

A permanência de alguns caminhos e desejos dão segurança

Coadjuvantes e personagens secundários conhecidos e aliados confortam

Cenários novos, fechados ou abertos animam

Muitas possibilidades! 

As páginas dessa história, novamente em branco, irão recomeçar

Muitos volumes escritos, um novo por escrever

O mesmo roteirista, mas o mais importante, a mesma protagonista

Mais forte, mais corajosa, experiente, amorosa e com muita fé! 

E aberta a muitas surpresas e novidades! 

Convido-os a tomar parte nessa aventura!

Alda M S Santos 

Esqueça

ESQUEÇA

Esqueça! 

A angústia que aperta o peito

A saudade que dói

Aquela necessidade que não passa.

Há coisas que só esquecendo!

Esqueça!

 O trabalho que só te suga

A amizade que não era tão verdadeira

O amor não correspondido.

Melhor não lembrar!

Esqueça!

A ingratidão que recebeu em troca

O afastamento de alguém especial

O amor que te magoou…

Aquele sonho inalcançável! 

Lembrar cansa!

Esqueça!

Mas se for impossível, 

Lembre-se!

Ative a coragem, a força

E lute!

Essa luta possui muitos rounds! 

E jogar a toalha antes da vitória ou do nocaute

Não demonstra espírito esportivo!

1, 2, 3, 4…! 

Alda M S Santos 

Chuva!

CHUVA
Chuva lava as plantas
Lágrimas lavam a alma
Chuva irriga a terra
Lágrimas irrigam o coração
Juntas, chuva e lágrimas,
Geram beleza, vida e recomeços…
Unidas, fazem brilhar Sol e sorrisos,
Em todos os corações dispostos a amar…
E deixam a alma em êxtase.
Alda M S Santos

Anoitecer

ANOITECER
Noite: chuvosa ou estrelada,
Lua cheia ou Nova
De brisa suave ou calor escaldante.
Escuridão que pode ser bênção.
Pra dormir, pra descansar corpo e mente.
Pra pensar, analisar, avaliar, planejar…
Pra sonhar, pra amar…
Agradecer!
Não é por acaso que ela é iluminada pelas estrelas e pela Lua.
Deus nos mostra o quanto a vida é cíclica…
Do quanto cada fase pode ser importante.
Se delas soubermos tirar proveito.
Por mais bela ou difícil,
Que tenha sido a noite.
A alvorada chega pra todos, pra recomeçarmos.
Sempre!
Alda M S Santos
Boa noite!!!!

Buscando a alegria de viver

Segunda-feira, dia de recomeçar: a semana, a dieta, a ginástica, um novo amor, os planos, a vida… 

Dia de acordar com o pé direito, uma oração aos céus, vestir uma cor alegre no corpo, um sorriso brilhante no rosto, a paz na alma. 

Ignorar aquela angústia no peito, a saudade doída, os desejos secretos, os sonhos quase impossíveis. 

Se preciso, parar, respirar fundo, se aquecer ao sol, chorar. Lavar o que machuca, deixar espaço para o que faz bem. 

Trazer à memória o corpo saudável, a mente lúcida, mesmo turbulenta, o coração que ama além da conta, os amigos queridos, a família amorosa, mas principalmente, um Deus que nos acompanha em tudo. 

Segunda-feira, pode vir! E traga as demais. Estamos prontos! Seja breve ou seja longa, seja produtiva, menos dolorida, mais feliz. 

Alda M S Santos

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