(DES)FAZENDO

Um móvel daqui, outro dali

Tudo sendo desmontado

Desfeito

Uma cortina arriada, tudo espalhado

O vazio de fora reflete o vazio de dentro

A bagunça por ali não se compara à bagunça interna

Uma planta ainda viçosa

Ignora a ausência de vida à sua volta

Sai um colchão, uma cama

Uma almofada com marcas de um corpo

Jogada sobre um sofá

Para onde irá?

Quais cabeças ou corpos irá amparar?

Afinal, ecos de uma vida sendo (des)feita

Mas tudo isso não são coisas?

Coisas vêm e vão, só têm vida junto aos seus

Adquire-se novamente quando preciso

A vida que parece estar sendo desfeita

Ao mesmo tempo está sendo refeita

Reconstruída, mesmo que em meio a escombros

Nos ecos de um passado tão presente

Ouve-se a esperança de um futuro

Nota-se o brilho entre as frestas do porvir

Percebe-se o bater acelerado de um coração apertado

Onde houve vida sempre haverá um renascer

Onde corações bateram e geraram vida

Sempre existirá amor e recomeços

Cada dia melhor e mais forte

Nem sempre tão simples ou fácil, porém necessário

Basta acreditar e recomeçar…

Alda M S Santos