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E a vida se faz…

E A VIDA SE FAZ…

O futuro tem dúvidas, se recusa, vê perigo
O passado desistiu, não quer, foi abrigo
Resta o presente, o que tens de real consigo

Muitos ontens ficaram para trás
Amanhãs não sabe quantos serão
Não dá para do hoje abrir mão

Do ontem há lembranças, marcas, saudades
Do amanhã só há expectativas, vontades
Só o hoje permite iniciativa, atividades

Passado, futuro, presente na vida da gente
Transitamos entre eles, coração eloquente
Derrubando muros,  atravessando pontes, sendo agente

E a vida se faz…

Alda M S Santos

Lembranças futuras

 LEMBRANÇAS FUTURAS
Todos os dias construindo, abrindo caminhos
Plantando uma flor, aparando os espinhos
Tentando espalhar perfume, distribuir carinhos
Procurando ser a brisa que refresca
O vento que leva pra longe os maus fluidos
Ao olhar para trás, se possível, não quero ter arrependimentos
Quero me ver na fé e na oração buscando entendimentos
Quero saber que fui frágil, fui forte
Que não fiquei parada contando com a sorte 
Quero me ver acolhendo o outro, sendo abrigo
Abraçando a vida, sendo ouvido amigo
Chorando ou sorrindo, nunca desistindo
Nas minhas lembranças futuras quero saber que tentei
De todas as formas ser o bem
Que me doei e não me neguei ao amor por medo da dor
Que errei, caí, me arrependi, levantei, segui
Que fui capaz de falhas alheias desculpar
Mas, principalmente, que fui capaz de me perdoar
Que lutei contra o que de negativo carreguei
Procurei melhorar,  evoluir, encontrar um bom lugar
Até o momento de para casa poder voltar
Nesse gigantesco mar mergulhar
Se não for possível, quero voltar para cá e consertar…
Alda M S Santos

(Des)fazendo

(DES)FAZENDO

Um móvel daqui, outro dali

Tudo sendo desmontado

Desfeito

Uma cortina arriada, tudo espalhado

O vazio de fora reflete o vazio de dentro

A bagunça por ali não se compara à bagunça interna

Uma planta ainda viçosa

Ignora a ausência de vida à sua volta

Sai um colchão, uma cama

Uma almofada com marcas de um corpo

Jogada sobre um sofá

Para onde irá?

Quais cabeças ou corpos irá amparar?

Afinal, ecos de uma vida sendo (des)feita

Mas tudo isso não são coisas?

Coisas vêm e vão, só têm vida junto aos seus

Adquire-se novamente quando preciso

A vida que parece estar sendo desfeita

Ao mesmo tempo está sendo refeita

Reconstruída, mesmo que em meio a escombros

Nos ecos de um passado tão presente

Ouve-se a esperança de um futuro

Nota-se o brilho entre as frestas do porvir

Percebe-se o bater acelerado de um coração apertado

Onde houve vida sempre haverá um renascer

Onde corações bateram e geraram vida

Sempre existirá amor e recomeços

Cada dia melhor e mais forte

Nem sempre tão simples ou fácil, porém necessário

Basta acreditar e recomeçar…

Alda M S Santos

Passado, presente, futuro…

PASSADO, PRESENTE, FUTURO…

Se quero saber algo do futuro, olho um pouco para trás

Se quero, saudosamente, lembrar o passado, olho para frente

Assim mesmo! Paradoxal!

Ver-se nos filhos, nos pais

Saudades, expectativas…

Meus filhos me mostram meu ontem, minha infância e juventude

Meus pais me possibilitam visualizar meu futuro

Uma idade que não sei se virá

Se quero que chegue, se terei coragem de vivê-la

Tento me concentrar no hoje, agir nele

Aproveitando o que o ontem me forneceu

E a expectativa e incerteza do que o amanhã me possibilita

Eu também fui o ontem e sou o amanhã de alguém

Quero apenas um hoje bom, para que a lembrança seja boa

Para mim, para os que comigo conviverem…

Alda M S Santos

Nostalgia

NOSTALGIA
Nostalgia é morada da saudade
É tempo que para no tempo
É vida presa nos laços da felicidade perdida
É desejo de retornar a um ontem sonhado, idealizado, quase irreal…
Nostalgia é melancolia profunda
Que entende o presente como alegria artificial, forçada
E perde a visão de um amanhã real
Enquanto se agarra ao passado, sentimental
Nostalgia boa é saudade gostosa
Que deixa o passado em seu devido lugar
Mas o usa para alimentar e irrigar o hoje de força e fé
E planta um futuro com sementes de esperança
Retiradas dos frutos bons do passado
Formando o círculo completo da existência…
Alda M S Santos

(Retro)visão

(RETRO)VISÃO

Diante do vidro para-brisa se descortina o caminho

O olhar o tem à frente, independente se o vemos limpo ou embaçado

Claro, escuro, livre ou interrompido por desvios

Ele esta lá, quer pisemos fundo no acelerador da vida

Ou brequemos forte nos freios, desanimados

O olhar volta para o retrovisor, vê o caminho lá atrás

Ora bonito, florido, iluminado, feliz

Com abraços apertados e beijos doces

Ora escuro, empoeirado, esburacado, triste

Com dores, lágrimas, medos e decepções

Sentimos saudades, por vezes queremos voltar

Mesmo passado, nem sempre bom, ele carrega em si a prerrogativa de ser conhecido

Mas o caminho à frente se impõe no grande para-brisa, o novo

Desconhecido, apenas imaginado, gera insegurança e expectativas

E nesse vai e vem de olhares, a visão precisa se manter à frente

As dimensões desproporcionais entre retrovisor e para-brisa

Significam que é bom olhar para trás, vez ou outra

Trazer grudado no coração e na alma o que o passado agregou

O amor recebido ou perdido, os afetos doados, os aprendizados

Os buracos em que caiu ou que “jogou” alguém

As vidas que salvou, ou as que não conseguiu

Mas sabe que a vida segue é para frente…

Pisa mais calmamente no acelerador e segue

Todo cuidado é pouco,

Luz forte cega tanto quanto escuridão

Não quer deixar quem queira seguir junto sozinho no caminho

Não há pressa…

O presente acontece para quem não fica parado

E o futuro, se chegar, já será presente …

Alda M S Santos

Eram três todo o tempo

ERAM TRÊS TODO O TEMPO

Eram três e caminhavam quase sempre juntas

Menina, jovem, idosa…

Ontem, hoje e amanhã

O ontem como a antiga (menina) doce e sonhadora, nada temia

O amanhã como uma criança (velha), desconhecida, sendo gestada

O hoje, uma jovem senhora, caminhando no fino e longo fio que une menina e idosa

O passado na pessoa da menina sorridente a martelar insistentemente cobrando e estimulando

O futuro na pessoa da idosa entre medos e expectativas do vir a ser, a lembrar que o tempo é curto

O presente, o único elo entre elas, às vezes se perde, retorna ou avança desenfreadamente

Lutando para não deixar morrer os sonhos de outrora

Para poder conquistar cada um deles

Sem comprometer a velhice temerosa

Sem decepcionar a criança sorridente

O hoje, uma mulher madura, tentando se equilibrar nesse fino elo entre elas

Desejando torná-las uma só, harmônica e em paz

Tentando se firmar, não cair e ser feliz no presente, que é o que existe de real!

Alda M S Santos

Tempos de amor e paz

TEMPOS DE AMOR E PAZ

Paz…amor…

Almejados para o futuro

Reconhecidos no passado

Pouco percebidos no presente.

Paz…amor…

É aqui e agora que se faz!

Alda M S Santos

No parque

NO PARQUE
Descem de mãos dadas aos gritos no tobogã
Um tiro ao alvo certeiro, ursinho conquistado, um beijinho recebido
Aquele abraço juntinho na roda-gigante
O frio na barriga no balanço
Gargalhadas no carrossel,
Uma lambida para desgrudar o algodão-doce da bochecha,
Uma pipoca doce roubada e compartilhada,
Tranquilidade na paz do por-do-sol no pedalinho,
Uma foto apertadinhos no lambe-lambe.
A volta pra casa no quadro da bicicleta.
Amor de domingo, amor antigo,
Amor dos sonhos…
Alda M S Santos

Além do horizonte

ALÉM DO HORIZONTE

Os anos passam, a tecnologia avança, as pessoas crescem

A medicina evolui, o amor e o romantismo se transformam…

Todos para melhor, certo? Há sérias controvérsias!

No que tange ao amor e ao romantismo houve transformações

Mas, para melhor? Analisemos!

Basta uma simples “apreciação” nos nomes pensados para atrair

Entre “bondes”, “gaiolas” “popozudas”, “safadões”, “créus”,

“Fogosas” e “quebra-barracos”

Ainda podemos encontrar “letras” que atingem fundo:

“Meu p. te ama”, “piranha recalcada”, “late, que eu to passando,”,

“Um otário para bancar”, “encaixa nela”…

Todas dessa estirpe!

Como diria o “ultrapassado” Roberto Carlos, são muitas emoções.

Como ficam o amor e o romantismo, a sedução, o namoro no portão?

A conquista, o dar-se as mãos, as poesias num cartão, as rosas?

“Aquelas rosas que não falam, mas exalam o perfume que roubam de ti”?

São as mesmas as “amadas amantes” de hoje?

Prefiro um amor velhinho e ultrapassado

“Esse amor demais antigo, Amor demais amigo, Que de tanto amor viveu”

Mesmo os amores não vividos eram lindos, poesia pura!

“Tentei deixar de amar, não consegui/Se alguma vez você pensar em mim

Não se esqueça de lembrar/Que eu nunca te esqueci”.

Alguém aí entendido de “bondes”, pode me informar

Onde passa o próximo com destino ao passado?

Vou a “120, 150, 200km por hora”…

“Além do horizonte deve ter algum lugar bonito pra viver em paz”

“Não deixo marcas no caminho pra não saber voltar”…

Alda M S Santos

Espectros

ESPECTROS

Sempre fiquei encabulada com as pessoas idosas que vão perdendo a memória. 

Entre os muitos males que acometem os mais velhos, o que mais me intriga e amedronta é a perda da lucidez, da memória recente.

Meu avô, no final da vida, não se lembrava dos filhos, chamava minha mãe pelo meu nome, misturava dados importantes.

Nosso cérebro é ainda um mistério para a Ciência.

O que faz com que algo de nosso passado distante esteja nítido e algo dos últimos anos se apague? 

Será que “escolhemos”, inconscientemente, o que lembrar? 

Será que o que fica é a melhor parte, o que mais nos marcou ou o que não causa dor? 

Se fosse possível realmente escolher, quais momentos gostaríamos de eternizar em nós? 

Há realmente algo que desejemos apagar sem nos descaracterizar?

Ainda que estejamos marcados nas vidas daqueles que amamos, que convivemos, acho cruel essa perda das lembranças. 

Penso que ao se extraí-las, vão nos apagando aos poucos, viramos um espectro de nós mesmos. 

Pior que isso, só sermos apagados da mente daqueles que amamos. 

Exceto se morrermos cedo, certamente não estaremos incólumes! 

É consenso que ninguém quer perder nada.

Porém, sei que há dissenso, mas, a ter que perder algo, opto em manter minha mente, minha lucidez, minhas memórias.

 E, se possível, minha visão, para ler e escrever. 

Ah! Esqueci que não nos cabe escolher…

Alda M S Santos

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