AH, QUE SAUDADES…

Tenho saudades das muitas de mim

Daquelas que foram ficando pelo caminho

Sufocas ou desnutridas pelas circunstâncias

Perdidas na escuridão das trilhas

Tenho saudades das muitas de mim

Daquelas de confiança cega e sorriso fácil

De entrega apaixonada e sem grandes expectativas

Tenho saudades das muitas de mim

Daquelas de brilho no olhar, coragem e romantismo

Muita energia e boa vontade, até uma certa ingenuidade

Tenho saudades das muitas de mim

Da audaciosa, da atrevida, da sapeca, da nerdzinha

Até da medrosa, chorona ou impaciente

Tenho saudades das muitas de mim

Que foram ficando pelo caminho

Que não me acompanharam até aqui

Que se ofuscaram pelo brilho falso de outras pedras

Que foram se apagando nas gotas das mágoas e decepções

Minguando, minguando até desaparecer…

Tenho saudades das muitas de mim

Mas logo percebo que “elas” todas não se foram

Apenas deram lugar a outra

Foram usadas como ingredientes essenciais

Diluídas na massa de uma grande forma para moldar o que sou hoje…

Quando as saudades de mim atingem forte

Percebo que basta ir para um cantinho

Garimpar bem, com calma e paciência

Que encontrarei meu tesouro: as muitas de mim

Aquelas sem as quais eu não existiria

E fazer as pazes com elas

Fazer as pazes comigo…

Alda M S Santos