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poemas e reflexões da vida cotidiana

Como confiar?

COMO CONFIAR?

Como confiar num mundo em que o Merthiolate não arde
Nas delícias da Coca-cola que desentopem sanitários
Nas sandálias Havaianas que arrebentam as tiras tão facilmente
No leite que não vira coalhada depois de três dias fora da geladeira
No Bombril que não tem mais mil e uma utilidades?

Como confiar?

Como confiar numa justiça com tantos pesos e medidas
Na palavra dada que de nada vale se não for documentada
Nos amores que não duram até que a morte os separe
Nas brigas entre rosas e cravos em que ambos não saiam despedaçados
Num “te amo para sempre” apenas se você me amar?

Como confiar?

Como confiar nas compatibilidades de gêneros, ao invés das incompatibilidades de gênios
Que “primeiro as damas” é coisa de feminismo ou machismo
Que ter um quintal sem muro é apenas utopia de Roberto Carlos?

Como confiar?

Nas crianças que dançam  “quadradinho” até o chão e não mais “Atiram o pau no gato”
Nos olhares dos pais que não são entendidos como alertas de perigo
Nos adultos isolados da infância e da velhice como seres inatingíveis?

Como confiar?

Como confiar na fé que se professa e não se vive
No ouro que não “compra” terreno no céu
Nos “homens de Deus” que têm doenças mundanas
Na felicidade encontrada apenas nas conquistas profanas?

Como confiar?

Nas amizades que, monetariamente, calculam perdas e ganhos
Na saudade que não dói, no machucado que não sangra
No abraço que não acalma, na família que não se enlaça
No beijinho que não cura qualquer mal?

Como confiar num mundo tão confuso, hipócrita e perdido?

Alda M S Santos

A primavera chegará

A PRIMAVERA CHEGARÁ

Podem deixar meus frutos cair
Minhas flores não vingarem
E as folhas voarem por aí
Meus galhos podem estar quebrados
E tudo parecer abandonado
Mas a primavera chegará …

Podem tirar tudo de mim
Deixar-me nua, frágil, exposta
Aos malefícios do desamor e do tempo
À mercê de todo contratempo
Mas a primavera chegará…

Minha raiz, minha base, minha essência
Estas estarão intocadas, recolhidas
Em intenso trabalho de regeneração
E, no tempo certo, com força total retornarão
A primavera chegará…

Assim é na natureza, nos seres humanos
Na seca, no deserto, nos corações mundanos
Assim também é no planeta, na Terra
Deus é bom, é Pai, nunca erra
A primavera chegará…

Alda M S Santos

Quero, posso, devo?

QUERO, POSSO, DEVO?

Quero, posso, devo?
O querer é o mais primário instinto
Satisfação, sobrevivência, aquilo que sinto
Invade sonhos, adentra nossa vontade
O poder passa pelo próprio interesse e capacidade
A constante busca por  prazer e felicidade
Alimentada pela imaginação e desejo de realização
O dever já é cerceado pela vida em comunidade
O que é adequado, avalizado, aprovado
Aquilo que não traria sanção ou danos ao coração
Entre quereres, poderes e  deveres
Entre ids, egos e superegos
Transitando entre vaidades satisfeitas e culpas
A vida vai se fazendo de dores e prazeres
Um caminho de sorrisos e alegrias
De tristezas, lágrimas,  fantasias
Um eterno cair e levantar, subir e descer
Encanto, conquista, vitórias e derrotas
Em busca do mais belo e intenso viver
Pelos caminhos que aprouver,  pelas melhores rotas

Alda M S Santos

Louvando

LOUVANDO

Louvo a vida, louvo o amanhecer, louvo a fé
Louvo o amor que se mantém de pé
Louvo a amizade, louvo a verdade
Louvo a liberdade de ser o que se é

Louvo a beleza, a que se encontra na natureza
Louvo a simplicidade da alma, a bondade
Louvo quem luta por um mundo mais irmão
E não desiste de espalhar a compaixão

Louvo a Deus, a união, louvo a esperança
Louvo quem a semeia em suas andanças
Louvo o amor, seja de que tipo for
Purificando e renovando em Nosso Senhor!

Alda M S Santos

Brilho

BRILHO
Buscamos o brilho das estrelas
Queremos a beleza e encanto da Lua
Almejamos um céu azul e ensolarado
Ou um destino de sombra e água fresca
Mas nem sempre o caminho até eles é brilhante
Ou a trilha sob nossos pés é plana
Tantas vezes teremos estradas esburacadas
Não haverá flores, perfume, brilho ou companhia
Mas não podemos desistir
É preciso persistir, insistir
E saber aproveitar quando houver luz sob nossos pés
Para seguir adiante, acreditando que tudo é possível
E que a roda da vida gira
Ora luz, ora escuridão
Ora companhia, ora solidão
Mas vale manter o brilho
Dentro de nós, sob nós…
Em frente! Enfrente!

Da minha varanda

DA MINHA VARANDA
A vista da minha varanda
Sou eu quem faço
Dizem que são sempre as mesmas árvores
As mesmas casas inacabadas, as mesmas aves
O mesmo vento, o mesmo sol, a mesma chuva
O mesmo céu…
Mas sou eu quem pinto esse quadro
Sou eu quem dou o tom, a intensidade
Sou eu quem estilizo, dou o brilho a cada cor
Personalizo meu quadro diário
Sou eu quem “fotografo” com e para a alma
Tudo que há de belo ali
Posso tornar tudo fosco, cinza, preto e branco
Ou posso pintar tudo multicolorido
Tudo dependerá das cores que houver em mim
Naquele momento que minha “objetiva” captar a imagem
Não há monotonia, não há rotina
Cada dia nova imagem que me absorve
Com encanto e magia…
Alda M S Santos

Na onda

NA ONDA
Onda que chega, pesada, crescente
Forte, carregada de opiniões e palpites
Cega, radical, violenta, destrutiva
Daquelas com as quais não compactuamos
E querem nos arrastar consigo
Contra nossa vontade ou desejo
Naquela avalanche de negativismo
Precisamos fincar pé, lutar, nadar contra a corrente
Ou, simplesmente, deixar-nos levar
Não desperdiçar energia
Ver até onde dá pra ir sem nos ferir
E escolher o melhor momento para sair fora
Nadar de volta e retomar do local onde fomos arrastados
Encontrar o ponto essencial
Aquele que não fere nossos princípios e nossa consciência
Aquele que nos torna humanos
Uma hora toda onda passa e se desfaz…
Alda M S Santos

Conexão

CONEXÃO

Era noite, total silêncio e escuridão
Saía devagarinho, passos de algodão, quase flutuação
Lá fora grilos, corujas, um céu de estrelas e Lua cheia
Encontro de almas afins em outra dimensão

Seguia um caminho que parecia ter na mente guardado
Um rio caudaloso, paz, amor, lugar abençoado
Sentava-se na raiz de uma árvore centenária
E esperava o momento certo, emoção primária

Não tinha necessidade de palavras, mas havia comunicação
Uma interação boa, total entrega e conexão
Uma dança bela, comunicação de corpos, mentes, almas, coração
Aquela que proporciona doçura, encanto, evolução

Nossa mente viaja, passeia, vai e volta
Travessia pacífica, mesmo na reviravolta
Abastecendo de luz e boas energias
Gerando tranquilidade, satisfação e magia

Alda M S Santos

Um teatro

UM TEATRO

A vida é muitas vezes um grande teatro
Ora estamos no iluminado palco atuando
Fazendo nosso papel, representando
Ora estamos na plateia aplaudindo, ou vaiando

Importante lembrar que essa peça está valendo
O tempo está passando, as cenas acontecendo
Drama, comédia, suspense, romance, não importa
Vale mesmo é como agimos, o que dela estamos fazendo

No palco ou na plateia, fazemos parte
Essa é nossa história, nossa obra de arte
Precisamos nos unir, não fazer apartes

O espetáculo só termina quando as cortinas se fecham
E cada um retorna para o camarim, dentro de si
E é aí que os aplausos mais interessam

Alda M S Santos

Enigmas

ENIGMAS
Sou feita de barulhos e de silêncios
Ora sou um, ora sou outro
Ambos necessários em mim…
Há quem goste dos barulhos
Há quem prefira os silêncios
Há quem não compreenda nem um, nem outro
Há quem desperte barulhos intensos
Há quem provoque silêncios profundos, tranquilos ou dolorosos
Há quem não saiba lidar com nenhum dos dois
Há quem consiga fazer a travessia de um para o outro
Sou feita de contrários, de antagonismos
E nessa luta frenética em mim
Vou desvendando meus enigmas
Tornando-me mais eu…
Alda M S Santos

Provisões

PROVISÕES

Arrumou bem arrumada sua bagagem
Nada queria deixar para trás naquela viagem
Seu intento era ter muitas provisões
Para enfrentar o que viesse, muitas emoções

Colocou boas memórias, muitas lembranças
Cada passo dado, estacionado, as andanças
Guardou na mala expectativas, sonho especial
O motor de tudo, suas vontades, seu natural

Seguiria em frente, não haveria um rumo
Certo é que buscaria onde quer que fosse
Um cantinho que oferecesse paz, um prumo

Abriria as porteiras da alma, sentaria à mesa, tomaria um café
Uma prosa longa, pacífica, demorada, desejada
Restaurando consigo a alegria, o autoconhecimento, a fé

Alda M S Santos

Ela é…

ELA É…

Ela caminha por aí vestida de luz
Transita por espaços tridimensionais
É força, beleza, energia que conduz
Está na natureza, em momentos sensacionais
Ela é sonho, é desejo, é realidade
É a esperança de um amor de verdade
Pode ser lágrima, sorriso, emoção
Dança, mistério, encanto, sedução
Ela está no canto dos passarinhos
No perfume das rosas, nos carinhos
No afeto irmão, na compaixão
No amor que se quer, que se faz
Nas lutas, nas derrotas e vitórias, na paz
Ela está por aí, é sonho, é real
Em busca de um poeta, seu igual
Poderia ser uma mulher, mas é a poesia
Que se faz, qualquer tema, qualquer lema
É um sonho,  um encanto de um poema…

Alda M S Santos

Sonhe!

SONHE!
Se a realidade parece intolerável
Está difícil manter a fé, acreditar
E a solidão está quase palpável
Sonhe!
Se o dia está muito nublado
À noite o céu não está estrelado
E você se sente abandonado
Sonhe!
Se o amanhã não dá para enxergar
O ontem já não permite voltar
A dor hoje não quer passar
Sonhe!
O sonho alimenta o coração
Renova a vida de esperança
Traz sossego, calma, renovação
Sonhe!
Mesmo que hoje pareça impossível
Sonhar reenergiza, anima
Quem sabe um dia tudo seja possível?
Permita-se sonhar…
Alda M S Santos

Entre as muitas de mim

ENTRE AS MUITAS DE MIM
Muitas vezes sou palavras sem fim
Tantas outras o silêncio habita em mim
Algumas vezes quero abraçar e acolher o mundo
Noutras, nem a meu próprio mundinho consigo acolher
Sou, às vezes, gargalhadas de alegria e satisfação
Tantas outras sou um sorriso tímido de decepção
Muitas vezes sou a animação, a atração
Noutras, quero me esconder num cantinho sem aparição
Muitas vezes sou dança, sou verso, sou sedução
Noutras tantas sou muito atrapalhada, sou tombo, sou confusão
Muitas vezes sou maternal, terna, emocional
Noutras sou tão sozinha, isolada, individual
Tantas vezes vejo adiante um mundo de oportunidades
Noutras só vejo agonia e infelicidade
Muitas vezes estou em paz com as muitas de mim
Tantas outras elas travam uma batalha de vida e morte bem ruim
Entre as muitas de mim
Perfumada de flores, de jasmim
Nessa constante contradição
Procuro enfeitar esse jardim…
Alda M S Santos

Amor dominante?

AMOR DOMINANTE?

Quero bem conseguir definir, poder escolher
Quem sabe possa vir a entender
O que pode ser recessivo no ser
O que certamente é dominante
Na louca e intrigante genética
Além de olhos, cabelos, altura ou cor
Saber se é recessiva ou dominante a ética
Se o amor é AA, aa, Aa quero desvendar
Para avaliar, analisar, optar
Aí poderia escolher na hora H
Mas como seria isso?
Amor dominante seria o amar incondicional
Ou o amor recessivo é que seria o ideal?
Genótipo não posso ver tão facilmente
Mas queria pelo fenótipo identificar
Será que esse vale a pena amar?
Quero nessa encantadora genética
Poder fazer os devidos cruzamentos
De modo a deixar dominar
Em genotipia ou fenotipia
O que nos fizer mais humanos, mais fortes
Sabedores que temos por aqui um norte
Gerador de paz, alegria, sintonia
AA, Aa, aa?
Quero entender bem essa Biologia!

Alda M S Santos

Amor é fé

AMOR E FÉ

Amor é coisa bela, corriqueira
Mas cada um o faz a sua maneira
O essencial, porém, é não dar bobeira
Cuidar do outro, exige ir além da fronteira

Amor é dádiva, é luz, proteção
Não dá pra viver sem ele não
Se você é amado, é abençoado
Se ama, tem seu paraíso legalízado

Amor é mente, é corpo, é coração
É desejo, é cuidado, é emoção
Amor gostoso se equilibra nesse tripé
E segue a vida na doçura da fé

O amor é a salvação do mundo
Atinge a alma ao fundo
Contagie e deixe-se contagiar
Nada há melhor e mais belo que amar.

Alda M S Santos

Não dá!

NÃO DÁ!

Não dá para viver na desconfiança

Na incerteza, na dúvida, na desesperança

A vida pede mais amor, mais aliança

Não dá para viver só de desejos e sonhos

Por mais belos e encantadores que sejam

O viver clama por momentos reais, mais risonhos

Não dá para viver contando as horas

Esperando que logo chegue aquela hora

E não deixar a alegria ir embora

Não dá para fugir para o mundo da imaginação

Precisamos voltar, recapitular, fazer a lição

Amar é tarefa que exige dedicação

Não dá viver sempre essa  montanha russa de sensações

Ora feliz, ora triste, tantas emoções

E a vida necessitando, gritando por ponderações

Não dá para esperar a magia cair do céu

Precisamos lançar mão de papel e pincel

E pintar aqui nosso divertido carrossel

Alda M S Santos

Falar de Páscoa

FALAR DE PÁSCOA

Falar de Páscoa é falar de vida, de renovação
Daquilo que faz bem, é amor pelo irmão
Vai além do visível, acalenta o coração
E nos torna mais alegres, gera união

Falar de Páscoa é espalhar alegria
Em ovos, em chocolate, doce sintonia
É lembrar que o amor a tudo venceu
Nos perdoou, ensinou, vida que ofereceu

Falar de Páscoa é saber que tudo podemos
Nele somos fortes, não enfraquecemos
Somos filhos do Pai, vida nova merecemos

Quero espalhar por aí muitas doçuras
Em chocolate, em afeto, afastar amarguras
Crendo que o amor só gera mais ternuras

Alda M S Santos

Quantos degraus

QUANTOS DEGRAUS?
Quantos degraus até o céu?
A escada é sinuosa, rolante, escorregadia, antiderrapante?
Quem pode subir, há restrições, limites de entrada?
Podemos levar alguém, sermos levados por alguém?
E se nos cansarmos no caminho, tropeçarmos, cairmos?
Podemos voltar a subir ou perdemos a vez?
Os últimos serão os primeiros?
Quantos degraus até o céu?
A entrada é franca? Paga-se com quê?
Qual a “moeda” de troca?
Muitas perguntas… Sei lá!
Enquanto isso vou fazendo do agora o meu céu
Tal qual crianças a brincar, a pular amarelinha
Continuo subindo até o céu…
Alda M S Santos

Não foi

NÃO FOI
Não pode dizer que foi barco
Aquele que só ficou atracado no porto
Não pode dizer que foi pássaro
Aquele que viu a vida por trás das grades da gaiola
Não pode dizer que foi borboleta
Aquela que não saiu do casulo
Não pode dizer que foi gente
Aquele que ficou no porto, não voou, não saiu do casulo…
Não foi humano aquele que não soube ser terno
Aquele que mais destruiu que construiu
Que mais invejou que conquistou
Que não soube ser fraterno
Não soube ser amor…
Mas se foi amor… foi especial…
Alda M S Santos

Sonhos, um mundo à parte

SONHOS, UM MUNDO À PARTE

Coisa de quem vive num mundo à parte, que fantasia
Coisa de quem busca na imaginação um pouco de alegria
Que se abastece de esperanças, rega de luz a energia
Que encontra nesse recanto secreto mais harmonia

Sonhos, o oceano nos quais mergulhamos
Deliciosamente acreditamos, nos entregamos
Onde a realidade é coberta por um fino véu
E entra aos poucos para não causar escarcéu

Sonhos dos quais não quero nunca abrir mão
Sonhos que levam males pra fora do coração
Sonhos que fazem a vida ser de encantação

Sonhos que, se durmo, os tenho intensamente
Se acordo os quero reais, mais urgente
E a vida fica deles recheada, felizmente

Alda M S Santos

Eu queria

EU QUERIA
Eu queria poder entender os gritos silenciados
Aquela dor profunda escondida nos olhos alagados
Eu queria ter uma palavra capaz de curar a dor
Envolver o sofrimento num abraço de puro calor
Eu queria não me entristecer tanto com o mal
Saber que ele tem suas razões de ser
E procurar com suas linhas bordar
Um jardim encantado para se viver
Eu queria ser capaz de amar a todos igualmente
Saber que nem todos têm a mesma oportunidade
Não souberam plantar boa semente
Eu queria ser nesse mundo confuso, a esperança
Nunca, nunca desistir, persistir
Aquela que após tantas andanças
Trilhas sem saída e caminhos mal iluminados
Não desanima, segue nessa dança
E ainda quer ser companhia aos abandonados
Eu queria ser apenas um ser abençoado
Que por aqui caminha até ser chamado para o outro lado…
Alda M S Santos

Menina

MENINA

Menina que sonha, que tem esperança
Que brinca de ser gente grande
Que cai, machuca, levanta, não se cansa
Sorri, ainda que na vida tudo desande

Menina que é força ou fragilidade
Que busca um ombro, acolhimento
Carrega um mundo de sensibilidade
Pede colo, carinho, contentamento

Menina que ama, que sonha, que deseja
Não importa a idade em que esteja
A alma viva de mulher/menina festeja

Menina que sabe bem curtir essa viagem
O amor é sua mais eficaz linguagem
Ontem, hoje, amanhã, um resumo: coragem

Alda M S Santos

Seja sorriso

SEJA SORRISO
Tímido, contido, amarelado ou disfarçado
Aberto, rasgado, gargalhado ou meio acabrunhado
Sempre iluminado!
Dê à vida seu melhor sorriso
É mais difícil magoar quem sorri
É mais difícil desnudar quem se veste de sorriso
É mais difícil derrubar quem carrega a leveza de um sorriso
É mais difícil humilhar quem traz a força de saber sorrir
É mais difícil enganar quem faz do sorriso sua verdade
É mais difícil apagar o brilho de quem traz um sorriso nos olhos
É mais fácil confiar em quem traz a alma expressa no sorrir
Até as lágrimas cessam nos olhos de quem sorri
É impossível não sorrir
Para aquele que nos presenteia com um lindo sorriso
Seja vida, seja um vencedor, seja amor
Seja verdade, seja sorriso!
Alda M S Santos

Um mundo novo

UM MUNDO NOVO
Tudo aponta para um mundo novo
Há medos, dúvidas, ansiedade
Inseguranças de toda a humanidade
O mundo como conhecemos está sendo testado, remexido
Mas há que se preservar a vida
Não é só aqui ou ali
O planeta todo está sendo ameaçado, sacudido
Precisamos mesmo de mudanças
Para garantir a vida, nossas andanças
Não é só um vírus que mata
Tudo o que ele traz consigo exige reflexões
Nesse momento de escolhas difíceis
Percebemos quais são nossas prioridades
De um, de outro, de toda uma comunidade
Que sobrará disso tudo?
Estamos prontos para lidar com isso?
Para recomeçar do zero se preciso for?
Há em nós suficiente coragem e amor?
Alda M S Santos

O Amor

O AMOR

Amor…
Ele está em ágape, é divinal
É o mais puro, soberano, especial
Está no topo, se for possível nivelar
É infinito, ímpar, impossível findar

Amor…
Está também em philia, é alegria
Amor irmão, amizade, amor família
Leve, pacífico, vida em nuvens de algodão
Cantinho bom para repousar o coração

Amor…
Há também eros, de todos o mais caliente
Paixão, atração, emoção, sensação, sedução
É pele, pode trazer prazer, dor e decepção
Mas sem ele não há vida boa não…

Amor…
Bonito de falar, declamar, lindo de escrever
Bom mesmo é sentir, nem precisa entender
Em cada esfera que se fizer acontecer
Amar é, deveras, intenso prazer, razão do viver

Alda M S Santos

Este poema faz parte de um Desafio Literário entre as plataformas wordpress e blogspot.  É sétimo desafio iniciado em Setembro por Rodrigo Meyer com o tema LIVRO.

Em outubro, Sandro Ernesto (https://panografias.com.br/) trouxe a palavra PAZ.

Em novembro Vall Nunnes do Blog Poetizando    (https://poetizarpravariar.blogspot.com/),  apresentou-nos o tema ORAÇÃO. 

Em dezembro:  Chica  (https://chicaescreveporai.blogspot.com/2021/01/medo.html), sugeriu o tema Natal. 

Em janeiro, Rosélia (https://www.escritosdalma.com.br/2021/01/medo-desolador.html) trouxe o tema: esperançar.

Em fevereiro o grande poeta mineiro Toninho Bira, do Blog Mineirinho (https://mineirinho-passaredo.blogspot.com/2021/01/o-medo-viajando-com-neruda.html) abordou o tema Medo.

Toninho encarregou Estevam de indicar o tema de março e a pessoa que deve prosseguir com o Desafio. 

Em Março Estevam Matiazzi, estevamweb.wordpress.com nosso mestre das Minas Gerais nos presenteou com seus lindos versos sobre o MEDO

https://estevamweb.wordpress.com/2021/02/26/medo-de-ser/

Estevam Matiazzi do Blog Sabedoria do Amor me incumbiu de versar sobre o Amor, tema no qual me sinto muito à vontade.

Então vamos lá. indico a INTENSA Poetisa CRISTILEINE LEÃO o tema A NATUREZA EM MIM

https://depressaocompoesia.com/

Blog Depressão com Poesia

Acima está minha contribuição para o tema Amor e abaixo as regras para a sequência do Desafio. 

1. Escrever um texto no formato que preferir (poesia/prosa…) sobre o tema A NATUREZA EM MIM

2. Postar no seu blog  e em outras mídias, se possuir.

3. Deixar o link de sua postagem nos comentários do Blog vidaintensavida.com

https://vidaintensavida.com/o-blog/

O Poeta Brincador

O POETA BRINCADOR

Poeta faz das letras seu melhor brinquedo

Não há para ele qualquer segredo

Vai alto em seu balanço predileto

Quando tudo dentro dele está inquieto

Junta sujeitos, verbos e predicados

Substantivos e adjetivos tornam-se seus aliados

Uma pitada de natureza, sonhos, percepções

Sabe amar, encantar, despertar sensações

Poeta brinca de esconde-esconde com a dor

Abraça vocábulos vários com calor, sem pudor

Diverte-se de  pega-pega  com e por amor

Poeta sabe bem o que juntar, combinar

Sensível, emocional, faz sorrir, faz chorar

E num poema encontra seu berço, seu lugar

Alda M S Santos

Onde eu possa ser mais eu

ONDE EU POSSA SER MAIS EU

A casa mais receptiva do mundo não é a mais luxuosa ou bem localizada
Mas aquela que me permite sentar no sofá ou no chão
Andar de saltos ou descalça
Descabelada ou bem penteada, com ou sem maquiagem
Sorrir, chorar, cantar ou gargalhar sem receios

Onde eu possa ser mais eu…

As vestes mais cobiçadas e mais lindas que existem
Não são aquelas de marca nobre ou tecidos caros, modelos sensuais
Mas aquele vestido leve, de tecido simples, colorido e rodado que me faça leve e bela

Onde eu me sinta mais eu…

O passeio mais divertido do mundo não é aquele realizado em lugares de luxo
Mas o que nos leva a um lugar simples, natural e belo e haja conexão entre corpo, mente e alma

Onde eu possa ser mais eu…

A companhia mais desejada do universo
Não é a daquela pessoa famosa e importante, forte e bela, rica ou poderosa
Mas aquela que se alegra com minhas singularidades
Que possa sorver minhas lágrimas, despertar meus sorrisos, incentivar meu crescimento
Aquecer meu coração, irrigar minha alma, aceitar-me assim, imperfeita, amar-me e deixar-se amar

Onde eu possa ser mais eu…

Alda M S Santos

Não estamos sozinhos

NÃO ESTAMOS SOZINHOS
Somos humanos cercados por outros humanos
Numa casa rodeada por outras casas
Numa cidade fronteiriça de outra cidade
Dentro de uma nação que se avizinha de outras nações
Habitantes do planeta Terra, ao lado de outros planetas e astros
Membros de uma galáxia gigantesca
Não estamos sozinhos!
Mesmo quando não nos sentimos mais que pequeninos grãos de areia
E parecemos estar muito sós, não estamos
Em nossa mais intensa introspecção temos a nós mesmos
E quando encontramos a nós mesmos
Somos capazes de identificar o outro tão perto de nós
E estender a mão, pegar uma mão…
Alda M S Santos

Testemunha

TESTEMUNHA

Caminhavam à beira-mar, lado a lado
Numa conversa longa, interminável
Doçura, magia, parecia tudo encantado
Acalentava, mesmo sendo, às vezes, indecifrável

Os pássaros, à frente, pousavam
Cantavam, pulavam, namoravam
Com eles não se importavam
Da festa eram parte, imaginavam

Uma parada, sentados na areia
Ombro com ombro, olhos no horizonte
Um silêncio que acalma e incendeia
Um toque, um gesto, carícias aos montes

Diante do oceano o amor se faz, linda natureza
Testemunha da conexão de corpos e almas- que riqueza!
Não há o que fazer diante dessa beleza
Além de aceitar o destino e suas delicadezas

Alda M S Santos

Salve-se quem puder

SALVE-SE QUEM PUDER
Tempos difíceis vivemos
A vida como a conhecemos pede socorro
Preta, branca, amarela ou vermelha
Salve-se quem puder
Somos capazes de ouvir?
A humanidade corre risco
Nem isso é capaz de nos unir?
Salve-se quem puder
Não há como se esconder ou fugir
Dinheiro, bens, títulos, posses diversas nada valem
O único modo de nos salvarmos
O único transporte possível para nos tirar daqui
É o que carregamos dentro de nós
A medida exata entre razão, amor, compaixão
A capacidade de nos vermos como espécie
Como um todo que faz parte de algo maior
Salve-se quem puder não é lema individual
Só nos salvaremos se agirmos coletivamente
Não há como se salvar deixando o outro para trás
Na perspectiva da continuidade da vida
Ou nos salvamos todos, ou nos perdemos como raça, como espécie…
Salvemo-nos todos se pudermos!
Alda M S Santos

Desertificando

DESERTIFICANDO
Um planeta desértico estamos nos tornando
Picos de temperatura, amplitude racional, aridez emocional
Deserto de compaixão, de doação, sensação de solidão, abandono
Desconhecimento do outro, que parece tão longe ou inexistente
Perdidos e sem rumo, a esmo, presos à ingratidão
Grudados a “valores” questionáveis, a egos indomáveis
Mas como em todo deserto
Enquanto houver lembrança da umidade e frescor
Enquanto brilhar a esperança de um oásis
Enquanto estiver firme o desejo de mudança
Ainda será possível abrir os olhos e o coração
A despeito da ventania, da areia, do calor intenso
E, em marcha, seguir toda a humanidade
Um passo de cada vez
Um ser humano após o outro
Em busca de nova vida…
Alda M S Santos

Do mundo dos sonhos

DO MUNDO DOS SONHOS

Quero sair atenta dos braços de Morfeu
Passear acordada nos caminhos que ele me ofereceu
Ir por todos os cantos, melhor ainda na alvorada
Os mesmos que andei sonhando na madrugada

Quero ter poder de usar asas, voar no espaço
Levar carinho, aconchego, beijo e abraço
Acalmar a alma e  o coração também
Dizer e ouvir que tudo vai passar, ficaremos bem

Quero ser o amor  belo e terno que se apresentou
Sem medos, receios, caminhos desbravou
Aquele que dançou, cantou, acreditou e encantou

Quero trazer do mundo dos  sonhos toda a magia
A capacidade de tudo resolver, ser  real a sintonia
O real que gera esperança, luz e mais alegria

Alda M S Santos

Teimosia

TEIMOSIA
Uma vida de teimosias, de bater de pé, de insistências
Um joelho esfolado que cicatriza
Um braço fraturado que se cola
Um coração partido que não se emenda
Teimosias…
Uma lágrima que escorre junto a um sorriso que ilumina
Tal qual arco-íris pós tempestade
Um corpo alquebrado que se refresca num rio caudaloso
Que se renova num abraço carinhoso
Teimosias…
Uma mente conturbada em curto-circuito
Uma alma repleta e, paradoxalmente, ainda cheia de espaço
Um ser humano pensado e criado para não desistir
Quando tudo parecer ruir
Teimosias…
Amor: a maior teimosia do mundo
Mas a única capaz de ainda garantir o viver…
Alda M S Santos

Muitas moradas

MUITAS MORADAS
“Há muitas moradas na casa de Meu Pai”
Nossos corações são uma casa de muitas moradas
Neles cabem os mais diversos moradores
Em diferentes graus de necessidade e profundidade
Em diversos níveis e capacidade de ensinamento e aprendizado
Nem sempre sabemos ou conseguimos controlar quem chega e quem se vai
Apenas tentamos organizá-los melhor, mais confortavelmente
Distribuindo melhor cada espaço
Evitando que alguns tomem posse de tudo
Estamos aprendendo a lidar com nossos inquilinos e proprietários
Aceitando tranquilamente os donos cativos por usucapião
E enfrentando as dores do eterno entra e sai
Apenas Ele sabe lidar bem com Seus moradores
Há perfeição, sabedoria e amor bastantes
Talvez um dia a gente aprenda melhor a morar e ser boa morada…
Alda M S Santos

Quero acreditar

QUERO ACREDITAR

Quero acreditar que tudo vai passar
Que logo vou poder sair, trabalhar
Brincar, passear, abraçar, amar
Ter a “vida” de novo para me ocupar

Mas não quero que volte a ser como antes
Quero que esse medo de tudo perder
Tenha mudado algo dentro de cada ser
Que tenham acordado para o que vale a pena viver

Que aproveitemos a reclusão e introspeção
Para autoanálise, autocrítica e autoavaliação
Que tudo sirva de aprendizado e lição

Que tenhamos sentido a nossa fragilidade
Também a força que brota na necessidade
E a importância da compaixão e solidariedade

Alda M S Santos

Águas de março

ÁGUAS DE MARÇO

Elas chegam lavando tudo, as águas de março
Fortes ou não, desfazem nós, apertam laços
Apagam e levam para longe os medos
Acalentam conosco nossos segredos

Lá fora tudo é beleza, nostalgia
Convite à reflexão, um toque de magia
Buscamos na natureza molhada uma sintonia
Que nos faça mais amorosos, em harmonia

Chuva é presente que cai do céu
Dias cinzentos, cobertos por um véu
Lindo, insinuante, tiro meu chapéu

Logo vem o outono, introspecção
As águas fecham o verão, vem a seca, então
É tempo de curtir o melhor de cada estação

Alda M S Santos

Todas iguais?

TODAS IGUAIS?
Dizem que são todas iguais
Mudam apenas o endereço
Todos têm, grande ou pequena
Barulhenta, bagunçada ou organizada
Carinhosa ou contida, briguenta ou emotiva
Uns rebeldes, uns nerds, uns amorosos
Uns solícitos, outros carentes
Tanto faz, é sua!
Sua família!
Não invada as dos outros
Não permita invasões na sua
Cuide bem dela, seja grato
Cultive, irrigue de amor
É tudo que de mais real e verdadeiro
Você tem por aqui…
É aquilo que Dele recebemos
É onde começa e termina tudo
É onde toda mudança ou continuidade é possível
São iguais nas bênçãos infinitas, no amor do Pai
Foi numa família que Ele veio para nos ensinar a amar
Família Santa: Jesus, Maria e José
A Eles confiamos nossa família
Nele depositamos nossas esperanças!
Alda M S Santos

No ninho

NO NINHO

O ninho representa um lugar de aconchego e proteção
É carinho, cuidado, aprendizado e lição
Até o momento de alçar voos noutra dimensão
Fortalecidos e de bases sólidas, buscando evolução

Na vida vamos construindo novos ninhos
De alguns voamos livres, somos passarinhos
De outros mantemos reservado o cantinho
Para sempre voltar quando a asa avariar um pouquinho

Um ninho não rejeita nunca seu passarinho
Ele é abrigo maior, asas abertas, acolhimento
Salva da dor, da tristeza e de todo sofrimento

Voar é bom, para o ninho voltar, também
Não se pode desprezar ou abandonar ninguém
Por aqui, ora somos terra, ora céu, somos além

Alda M S Santos

Um jardim especial

UM JARDIM ESPECIAL

Uma noite, um desejo, uma oração, um pedido
Que tudo se tranquilize, fique bem entendido
Nada há que não possa ser resolvido
Aqui somos alunos, temos sempre aprendido

Um jardim, lindas rosas, borboletas e beija-flor
Cores, texturas, beleza, perfume de flor
Jardineiros cuidadosos, uma lição de amor
Ervas fora, delicadeza, persistência e calor

O belo e o bem têm sempre a preferência
Mas precisam de atenção, de paciência
Entregar os pontos não é opção, é má influência

Para manter belo e encantador o jardim
É preciso sabedoria, trabalho e dedicação
Manter acesa a luz, o amor, vencer a provação

Alda M S Santos

Renovação

RENOVAÇÃO

Hora de se recolher, hibernar, renovar
Perder folhas, abrir espaço para o novo chegar
Que seja lindo, que possa a tudo purificar
Uma alma leve e em paz tem seu lugar

A vida pede calma, pede paz e união
Que possamos num momento de introspecção
Encontrar num cantinho especial do coração
Um estoque de bondade, luz e compaixão

Afastar o que machuca, jogar fora a amargura
Restaurar a força, a energia e a bravura
Somos melhores quando semeamos a doçura
Se há ingratidão, doe perdão e mais ternura

Vamos saudar essa nova estação
Abrir espaço, ser luz em cada coração
Perde quem não sabe amar, ser emoção
Façamos um lindo louvor de purificação

Alda M S Santos

Uma prece

UMA PRECE

Quando em cada olhar perceber o medo
E em cada situação houver segredo
Angústia, mágoa, decepção ou insatisfação
Uma prece é a melhor solução

Quando nada parecer surtir efeito
Tudo estiver fora de lugar, imperfeito
A fé é o caminho que nos leva até nós
Onde está Deus, pronto a desfazer os nós

O canal mais rápido com o alto
É uma prece, uma conversa, uma oração
Faz bem à alma, gera purificação

Mas bom mesmo é a prece constante
No bem ou no mal manter-nos perseverantes
Em Deus está a renovação, basta ser confiante

Alda M S Santos

Louvando

LOUVANDO

Louvo a vida, louvo o amanhecer, louvo a fé
Louvo o amor que se mantém de pé
Louvo a amizade, louvo a verdade
Louvo a liberdade de ser o que se é

Louvo a beleza, a que se encontra na natureza
Louvo a simplicidade da alma, a bondade
Louvo quem luta por um mundo mais irmão
E não desiste de espalhar a compaixão

Louvo a Deus, a união, louvo a esperança
Louvo quem a semeia em suas andanças
Louvo o amor, seja de que tipo for
Purificando e renovando em Nosso Senhor!

Alda M S Santos

O que é importante

O QUE É IMPORTANTE

Ela disse que tudo vai passar
Não sem antes muito nos ensinar
Que há um propósito em tudo
Ainda que o mundo pareça mais carrancudo

A fadinha com sua capacidade de voar
Com o corações das pessoas conversar
Ir a todos os cantos com seu encanto
Aos pouquinhos acalmando a dor e o pranto

Há um grande propósito de reaproximação
Mesmo que pareça afastar e desunir
O que se objetiva é perdão e união

A fadinha quer mostrar o valor da simplicidade
Da atenção, do carinho, dos abraços
Volte-se para o que é importante, aperte os laços

Alda M S Santos

Diante do Espelho

DIANTE DO ESPELHO
Diante do espelho eis a questão:
Quem é essa que me retribui o olhar?
Que olha além do brilho úmido, do tom castanho?
Dos cílios negros, do piscar intermitente?
Que tenta atravessar, ver em 3D, do outro lado?
O que vê? O que quer? Do que precisa?
Corajosa, mantém o olhar fixo em mim.
Mergulho profundamente, navego ali, temo me perder.
Vasculho recantos escondidos, cutuco pontos doloridos
Áreas obscuras, fechadas, há muito trancadas.
Retiro descartes jogados num canto, recupero itens da lixeira,
Troco “objetos” de lugar, demoro-me junto a alguns sentimentos
Sento, converso com eles, negocio, tento compreendê-los,
Aceitá-los, aproveitá-los, reativá-los ou descartá-los.
Tanta gente que já se foi e está ali. Reencontros, sorrisos. Para sempre serão amadas.
Vejo muito, vejo tudo, entendo tanto!
Hora de voltar!
Ela continua a me olhar. Lágrimas escorrem ali…
Lubrificaram o caminho difícil.
Encaram-se. Sorriem.
Não foi difícil encontrar o caminho de volta.
Bastou seguir o amor, como migalhas de pão, deixado nas trilhas.
Apesar de tudo, são vitoriosas.
Lembram de um verso que leram:
“Perdoa o que tiver que perdoar, abrace o que tiver que amar e o resto deixa, que a vida se encarrega de afastar”- (Tati Zanella)
Ou trazer de volta.
Alda M S Santos

Energias

ENERGIAS

Estamos cercados por muitas energias
Umas atraímos, ficamos em sintonia
Outras repelimos, não há harmonia
E seguimos, assim, com autonomia

Há energia da natureza,  pura beleza
Há energia do amor, traz encanto, calor
Há energia que rejuvenesce, é vital
Faz bem à alma, enternece, alto astral

As energias que meu mundo escurecem
Não deixo por perto, me esmorecem
Ativo minha blindagem de luz, incandescem

Se armazeno energia térmica, química ou radiante
Tento espalhar a que puder ser mais contagiante
E absorver a que me iluminar, me fizer vibrante

Alda M S Santos

Nada está sob controle

NADA ESTÁ SOB CONTROLE
Relaxe, se fie, confie
Nada está sob controle
Siga o curso, se não há outro recurso
Nada é tão certo, tão previsível
Desça com a correnteza, deixe-se levar
Contorne, retorne, descanse, desvie
Passe por cima se não for machucar
Abrace-se à natureza, faça qualquer proeza
Relaxe: nada está sob controle
Liberte-se de toda tensão
Passe por caminhos obscuros
Enfrente a luz, o brilho
As companhias e a solidão
A única certeza que temos
É que esse rio segue seu curso
Mesmo à nossa revelia
E nos leva, querendo ou não
Portanto, relaxe, siga em paz
Confie! Nada está sob controle…
E que isso seja bom!
Alda M S Santos

Quando mais preciso

QUANDO MAIS PRECISO
Não se afaste quando eu chorar
Tampouco quando eu só lamentar
Tenha paciência se eu for cansativa
Quando discordar de você
Ou provocar uma briga
Não se afaste se eu errar
Se ao consertar me atrapalhar
Compreenda se eu quiser me afastar,
Mas ainda assim, não se afaste de mim
Quando eu menos merecer
Quiser de tudo me desfazer
Sumir, fugir, desaparecer
É quando mais preciso de você,
Amor…
Alda M S Santos

Gosto assim

GOSTO ASSIM

Gosto de quem transmite no olhar a esperança
Espalha bons sentimentos, mostra confiança
Sabe brilhar, ser luz, paz, união, gratidão
E apaziguar o que faz sofrer o coração

Gosto de quem me acredita, não grita
Não acusa, não maltrata, acolhe, facilita
Gosto de quem sabe ser prosa, verso, emoção
No balanço da vida aceitar meu sim, meu não

Gosto de quem me gosta, mesmo quando não me entende
Que aceita meu afeto, meu sorriso, meu carinho
Chega junto, me acalma, pareia comigo meu caminho

Gosto de quem sabe que não existe perfeição
Que ama acima de qualquer imperfeição
Segue sempre em frente, a melhor direção

Alda M S Santos

Fênix- Em escala de cinza

FÊNIX- EM ESCALA DE CINZA

Quero pedir licença para ter meus dias cinzentos.
Sem precisar explicar nada, falar nada. Simplesmente ficar em escala de cinza.
Pelo tempo que quiser ou julgar necessário.

A natureza, sempre tão colorida, tem períodos de recolhimento, de seca.
O Sol se põe e abre espaço para a escuridão da noite.
O mar tem períodos de ressaca.
A Lua tem a fase Nova.
A terra tem períodos inférteis.

Nenhum deles tem que dar explicação. São aceitos como são!
Por que eu, uma simples mortal, tenho que justificar, esconder, disfarçar ou me envergonhar de meus dias cinzentos?
Se toda a natureza tem seus momentos de brilho e opacidade, por que eu não posso?

Quero sentar num canto, invisível, chorar se quiser, dormir 24 horas seguidas, sequer me olhar no espelho.
Apenas desligar de tudo e de todos.
Ficar em modo de espera, em coma induzido. Acinzentar-me!

Agradeceria se não me enxergassem.
Se me vissem, não me perguntassem nada.
Se questionassem, aceitassem meu “tudo bem”.
Não ê grosseria ou ingratidão. É respeito próprio.
Independente se minha tristeza ou dor é maior ou menor que a sua, é minha.
Pra mim tem valor.

Sem piadinhas, por favor! Brigou com o marido? Dormiu comigo? Acabou a bateria? Vou ignorar, por educação.
Posso garantir que vai passar.
Sou parte da natureza, mesmo pequena e mortal, eu me refaço.
Como fênix, renasço das cinzas.

Prometo que quando os dias cinzentos forem seus, eu os presentearei com o mesmo respeito.
Agradeço os olhares coloridos e cinzentos que dirão silenciosos “estou aqui”. Eles me bastarão.

Como fênix, renascerei das cinzas…

Alda M S Santos

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