ENTRE AS MUITAS DE MIM
Muitas vezes sou palavras sem fim
Tantas outras o silêncio habita em mim
Algumas vezes quero abraçar e acolher o mundo
Noutras, nem a meu próprio mundinho consigo acolher
Sou, às vezes, gargalhadas de alegria e satisfação
Tantas outras sou um sorriso tímido de decepção
Muitas vezes sou a animação, a atração
Noutras, quero me esconder num cantinho sem aparição
Muitas vezes sou dança, sou verso, sou sedução
Noutras tantas sou muito atrapalhada, sou tombo, sou confusão
Muitas vezes sou maternal, terna, emocional
Noutras sou tão sozinha, isolada, individual
Tantas vezes vejo adiante um mundo de oportunidades
Noutras só vejo agonia e infelicidade
Muitas vezes estou em paz com as muitas de mim
Tantas outras elas travam uma batalha de vida e morte bem ruim
Entre as muitas de mim
Perfumada de flores, de jasmim
Nessa constante contradição
Procuro enfeitar esse jardim…
Alda M S Santos