FÊNIX- EM ESCALA DE CINZA

Quero pedir licença para ter meus dias cinzentos.
Sem precisar explicar nada, falar nada. Simplesmente ficar em escala de cinza.
Pelo tempo que quiser ou julgar necessário.

A natureza, sempre tão colorida, tem períodos de recolhimento, de seca.
O Sol se põe e abre espaço para a escuridão da noite.
O mar tem períodos de ressaca.
A Lua tem a fase Nova.
A terra tem períodos inférteis.

Nenhum deles tem que dar explicação. São aceitos como são!
Por que eu, uma simples mortal, tenho que justificar, esconder, disfarçar ou me envergonhar de meus dias cinzentos?
Se toda a natureza tem seus momentos de brilho e opacidade, por que eu não posso?

Quero sentar num canto, invisível, chorar se quiser, dormir 24 horas seguidas, sequer me olhar no espelho.
Apenas desligar de tudo e de todos.
Ficar em modo de espera, em coma induzido. Acinzentar-me!

Agradeceria se não me enxergassem.
Se me vissem, não me perguntassem nada.
Se questionassem, aceitassem meu “tudo bem”.
Não ê grosseria ou ingratidão. É respeito próprio.
Independente se minha tristeza ou dor é maior ou menor que a sua, é minha.
Pra mim tem valor.

Sem piadinhas, por favor! Brigou com o marido? Dormiu comigo? Acabou a bateria? Vou ignorar, por educação.
Posso garantir que vai passar.
Sou parte da natureza, mesmo pequena e mortal, eu me refaço.
Como fênix, renasço das cinzas.

Prometo que quando os dias cinzentos forem seus, eu os presentearei com o mesmo respeito.
Agradeço os olhares coloridos e cinzentos que dirão silenciosos “estou aqui”. Eles me bastarão.

Como fênix, renascerei das cinzas…

Alda M S Santos