Busca

vidaintensavida.com

poemas e reflexões da vida cotidiana

Tag

Renascer

Fênix- Em escala de cinza

FÊNIX- EM ESCALA DE CINZA

Quero pedir licença para ter meus dias cinzentos.
Sem precisar explicar nada, falar nada. Simplesmente ficar em escala de cinza.
Pelo tempo que quiser ou julgar necessário.

A natureza, sempre tão colorida, tem períodos de recolhimento, de seca.
O Sol se põe e abre espaço para a escuridão da noite.
O mar tem períodos de ressaca.
A Lua tem a fase Nova.
A terra tem períodos inférteis.

Nenhum deles tem que dar explicação. São aceitos como são!
Por que eu, uma simples mortal, tenho que justificar, esconder, disfarçar ou me envergonhar de meus dias cinzentos?
Se toda a natureza tem seus momentos de brilho e opacidade, por que eu não posso?

Quero sentar num canto, invisível, chorar se quiser, dormir 24 horas seguidas, sequer me olhar no espelho.
Apenas desligar de tudo e de todos.
Ficar em modo de espera, em coma induzido. Acinzentar-me!

Agradeceria se não me enxergassem.
Se me vissem, não me perguntassem nada.
Se questionassem, aceitassem meu “tudo bem”.
Não ê grosseria ou ingratidão. É respeito próprio.
Independente se minha tristeza ou dor é maior ou menor que a sua, é minha.
Pra mim tem valor.

Sem piadinhas, por favor! Brigou com o marido? Dormiu comigo? Acabou a bateria? Vou ignorar, por educação.
Posso garantir que vai passar.
Sou parte da natureza, mesmo pequena e mortal, eu me refaço.
Como fênix, renasço das cinzas.

Prometo que quando os dias cinzentos forem seus, eu os presentearei com o mesmo respeito.
Agradeço os olhares coloridos e cinzentos que dirão silenciosos “estou aqui”. Eles me bastarão.

Como fênix, renascerei das cinzas…

Alda M S Santos

De tempos em tempos

DE TEMPOS EM TEMPOS

De tempos em tempos ela some
Todos pensam que se foi, morreu
Não embeleza, não alegra, não encanta
Parece que da vida se esqueceu

Mas a natureza é sábia, ela fica guardada
Em raízes na terra aprofundada
Meses e meses ali protegida
E renasce linda, fortalecida

Nós também por vezes somos assim
Perdemos nossa cor, nosso brilho
Nosso encanto e perfume, enfim

Mas, como Dálias, em nós a vida renasce
O sorriso brilha, a luz reaparece
O desejo do ser se faz, a vida acontece

Alda M S Santos

Onde o Sol nasce

ONDE O SOL NASCE

Quero ir lá onde o Sol nasce

Não aquele que se vê do alto de um edifício

Tampouco aquele que entra nas frestas da janela

Ou aquele que do avião parece uma bola amarela

Quero ir lá onde o Sol brilha mais bonito

Onde seu calor é mais forte, intenso, uma aquarela

Quero ir lá onde o Sol nasce

Talvez na linha do horizonte, no fim do mar

Ou atrás daquele pico bem alto que quero escalar

Onde nada possa haver entre ele e eu, quero conversar

Olhos nos olhos, pura luz a brilhar

Quero ir lá onde o Sol nasce

Quero senti-lo aquecer minha pele

Arrepiar, queimar, animar, me bronzear

Quero ir lá onde o Sol nasce, atrás da cachoeira

Preciso trocar uma ideia com ele, não posso dar bobeira

Quero perguntar para ele como se faz

Para todo dia morrer atrás do monte, tudo esquecer

E novamente lindo e forte renascer

A cada manhã num belo e novo alvorecer

E vver feliz com um amor, sem doer

Será que ele poderá me dizer?

Preciso aprender…

Alda M S Santos

A porteira da vida

A PORTEIRA DA VIDA
Nem todo dia o sol brilha na minha janela
Muitas vezes não está convidativo lá fora
Não quero sair, não quero levantar, quero ficar aqui
Tentando encontrar a luz que falta lá fora
Num cantinho qualquer dentro de mim
Mexo, remexo, troco as coisas de lugar
Escorrego em lugares em que já caí
Retorno, choro, saio logo dali
Busco espaços onde o amor mantém a vitalidade
Alguns são só saudade, outros em plena atividade
Tropeço em gargalhadas, me aconchego em abraços
Refaço algumas trilhas, aperto alguns laços
Encontro com o que já deixou de ser, aceno em paz
Outros prefiro nem passar perto, cicatriz nova ainda
Rolo para lá e para cá, olho de novo a janela
Um solzinho sem vergonha ameaça aparecer
Quer saber? Vou ficar por aqui hoje…
Assim que estiver menos nebuloso faço acontecer
Acendo meu próprio sol, abro o sorriso
Visto- me de esperança, meu vestido mais colorido
E abro a porteira da vida, ela precisa ser bem vivida…
Alda M S Santos

Fragilidade

FRAGILIDADE

Um pequeno sopro, uma brisa qualquer

E ela se desfaz, se desmancha

Morre, deixa de existir aqui

Para virar mil novas mudas de si por aí

Espalha-se por todos os lados

Levada pelo que, aparentemente, veio para destruir

Mas renasce noutros cantos,

Em terrenos propícios, terra boa

Tão bela quanto antes

Força que vem da fragilidade

Leveza que tem razão de ser

Em cada ser da criação

Força ou fragilidade é só uma questão de ponto de vista

De tempo, de fase, de estação…

Alda M S Santos

O último raio de sol

O ÚLTIMO RAIO DE SOL

Os últimos raios de sol estão brilhando no horizonte

Irradiam e refletem todo o trabalho de um dia nas águas do oceano

Descansam ali toda a energia despendida em forma de luz e calor

Deitam nele suas esperanças de um novo amanhecer

Um olhar ao longe também repousa

Ela acalma o seu coração diante desse espetáculo gratuito a lhe dizer:

A vida é cíclica, tudo vai, tudo volta

Tenha calma na alma

Que a paz reinará!

Alda M S Santos

Abra as janelas

ABRA AS JANELAS

As portas estão passadas a chave

Janelas cerradas, persianas baixadas

Espaços interiores fechados, escuros, protegidos

Não deixam a vida entrar, acontecer

Abra as persianas devagar…

Deixe a luz de fora entrar aos poucos

Para não cegar com a claridade do exterior

Olhe lá fora através da vidraça

As cores, o brilho, a intensidade

Encante-se!

Abra as vidraças aos poucos…

Deixe a brisa balançar seus cabelos

O sol aquecer sua pele, arrepiar-se

Respire fundo o ar puro de rosas

Se vier uma tosse não faz mal

Desintoxique-se!

Abra bem as janelas da sua alma

Deixe sair o ar viciado que já não se renova

Deixe a vida renascer!

Depois das janelas abertas

Logo as portas também se destrancarão e se abrirão

Apenas vigie o que entra e o que sai

Portas são para isso mesmo…

Abra as janelas e as portas do seu coração

Areje a alma, a mente

Proteja o que é valioso de intrusos, expulse-os

Convide a luz do céu existente em cada ser para entrar

Sentar e fazer de seu interior sua mais nova morada

Abra as janelas, sente-se, escreva sua história…

Alda M S Santos

Brotos de vida

BROTOS DE VIDA

Aquela flor que precisa “morrer”

Suas raizes em batatas necessitam do repouso do solo

Do calor do sol a aquecer a terra

Da água que chega na hora certa

Para que possa romper-se em brotos

E buscar a luz do sol

O sorriso de satisfação de quem por ela esperou

De quem nela acreditou, ou não

Como fênix que renasce das cinzas

Como urso que desperta pós inverno e longo hibernar

Como o sol que se “apaga” e se acende todas as manhãs

Como o amor que mantém-se vivo em meio a tanto desamor

Sabe o momento de se proteger na distância ou na indiferença

E, como flor, procura preservar a raiz das tempestades

Recolher-se é necessário, é sabedoria

Parecer morrer é juntar energia

Para renascer mais forte

A luz brilha mais intensamente onde antes foi escuridão

Para quem tem no coração a força que vem da esperança…

Alda M S Santos

Nascer de novo

NASCER DE NOVO

Quantas vidas temos? Sete, como os gatos?

Quantas mortes são necessárias para nascermos de novo?

Por quantos partos passamos para recomeçar?

“Nasci de novo”!- dizemos ao passar por um risco iminente de morte.

Ignoram as vezes que morremos e nem perceberam.

As vezes em que nos mataram, nos matamos, de tudo quanto é tipo de morte.

Não é só arma ou doença que matam!

Desconhecem as vezes que fizemos nosso próprio parto, calados, sofridos.

Sozinhos nas madrugadas, expulsamos placentas, damos a luz a algo novo.

Parto natural, após cada morte/vivência nova, dolorida, mas produtiva.

Parto cesariana, após um período longo e difícil de gestação.

Usando fórceps, quando quase desistimos, faltava força e coragem para renascer e continuar…

Tantos matam, se matam, gestam e renascem tão facilmente quanto respiram.

Mas renascer exige força e coragem!

Há os partos duplos ou triplos, quando o renascer traz outras vidas consigo.

Quantas vezes morremos, quantas renascemos? Quantas mortes evitamos?

Quem é capaz de dizer além de nós mesmos?

Certo é que um renascer é quase sempre muito difícil!

Até que chega um morrer do qual não conseguimos ou não queremos nascer de novo…

Alda M S Santos

Ao pó voltarás

AO PÓ VOLTARÁS

“Do pó viestes, ao pó voltarás”

No intervalo, vamos nos divertindo, gerando vida

Arando a terra ora dura , ora macia de nossos corações

Semeando o amor, plantando flor, ressecando dor

Com pés no chão, na terra

Mas sem abrir mão das asas

Flutuando entre nuvens brancas ou cinzentas

Escolhendo caminhos menos tortuosos

Regando, adubando, colhendo

Espalhando mudas e sementes

Do pó viestes semente

Ao pó voltarás flor…

Alda M S Santos

Dia dos mortos

DIA DOS MORTOS

Temos dia pra tudo nesse mundo

Hoje é dedicado aos que já se foram

Como se precisassem de dia especial

O máximo que se pode fazer por eles é oração

Qualquer atitude, pensamento ou sentimento bom

Precisa ser feito por aqui mesmo.

E mortos, todos somos um pouco.

Quantas coisas em nós foram mortas

Assassinadas por nós mesmos ou pelos outros ao longo da vida

Ou, simplesmente, deixamos morrer por inanição?

A vantagem dos que estão vivos

É que sempre é possível deixar renascer o que morreu, ou quase

Replantar, cuidar, deixar brotar novamente,

Enquanto houver vida, esperança e desejo…

Alda M S Santos

NOSSO PRÓPRIO PARTO

NOSSO PRÓPRIO PARTO

Quando o espaço já está pequeno,

E já não nos cabe mais

É preciso renascer…

Retirar as camadas que nos envolvem

E, aparentemente, nos protegem

E dar a luz a nós mesmos.

Alda M S Santos

 

Quero colo e calor

QUERO COLO E CALOR

É sabido que toda planta precisa de água, de chuva.

Também não é novidade que elas necessitam da luz e calor do sol.

Se, para as protegermos, as colocarmos dentro de casa, elas definham, secam.

Se, expostas ao tempo, recebem a chuva fria que cai,

E os raios do sol que as aquecem,

São nítidos o crescimento, a beleza, o viço. 

E ficam fortes para enfrentar períodos de seca ou tempestades.

Nós também temos nossos períodos de abastecimento, de reserva e de carestia.

Luz e calor, água e umidade, sol e chuva…

Carinho e amor, amigos e família, atenção e afeto são nosso sol, nossa chuva.

Fortalecidos, enfrentamos tempestades de vento, areia, ciclones e tsunamis…

E permanecemos inteiros. 

Esconder não cria resistência, fugir não fortalece. 

Exposição nos engrandece…

Vamos pra fora! Sair de dentro de nós mesmos.

Enfrentar o mundo além da “segurança” de dentro! 

Podemos nos deparar com tombos e machucados,

Mas nos arriscaremos a encontrar colo e calor.  

Alda M S Santos

Renascimento

RENASCIMENTO

Tantos preocupam-se se há vida após a morte…

O problema não é se há vida ou esperança após a morte, a questão é que só podemos tê-la antes de morrer. 

Se há algo por fazer, que faça-se. 

A natureza nos mostra que mesmo quando, aparentemente, já não há vida, tudo renasce.

Tantas plantas ficam sem folhas, sem flores, apenas galhos. 

Mas as raízes estão lá, fortalecendo-se.

Ursos hibernam, alheios ao resto do mundo, apenas seguem sua natureza. 

Há um tempo de reserva de energias e retorno para dentro de si mesmo para voltar mais forte. 

Conosco não é diferente. Há períodos de introspecção. Mergulho profundo em nossas emoções, em nossos silêncios. Tempo de lamber nossas feridas. 

Esse tempo é só nosso. Alguns podem até ajudar, mas sem invasões. 

Nosso interior é propriedade nossa. Possui áreas virgens, desconhecidas. Precisamos desbravá-las, ou outros, menos hábeis ou cuidadosos, o farão.

A esperança de vida e renovação está aqui.

Uma alma leve e rica se dará bem antes ou depois daqui, antes ou depois da morte.

Aprendamos!

Alda M S Santos

Luz que não se apaga

LUZ QUE NÃO SE APAGA

Todos temos uma luz

Fundamental, ela é:

Energia que nos move

Calor que nos aquece

Carinho que nos acalma

Amor que nos alimenta

Essa luz nos mantém vivos

Ela é o fio que nos conduz

Se está lá, nada conseguirá apagá-la. 

Mesmo que pareça longe

Abastecida por duas fontes,

Uma parte dela vem de dentro de nós

A outra é acionada por terceiros.

Devemos manter em equilíbrio essas fontes

Quando uma enfraquece

Fortalecemos a outra. 

Depender da luz de “fora” 

Pode parecer difícil

Mas, tantas vezes, é ela que nos salva,

Quando a luz interior mingua, perde o foco.

Se ambas quiserem se apagar, busquemos a maior de todas

Aquela que nunca falha

Que devemos manter sempre conosco

A luz que vem do alto. 

A luz que vem de Jesus! 

Alda M S Santos

Blog no WordPress.com.

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: