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poemas e reflexões da vida cotidiana

Não preciso de muito

NÃO PRECISO DE MUITO

Não preciso de muito
Basta um cantinho qualquer
Para me aboletar, aconchegar
Minha alma incansável de mulher

Não preciso de muito
Somente um espaço no seu coração
Para que eu possa assim crescer
Nessa troca de carinho e emoção

Não preciso de muito
Mas o que vier, que seja verdadeiro
Somos espetáculo, sem picadeiro

Não preciso de muito
Só preciso não me perder de mim
Nesse eterno encontro comigo, enfim

Alda M S Santos

Quero acreditar

QUERO ACREDITAR

Quero acreditar que estou no mundo das possibilidades
Que ainda que algo se quebre, não dê certo
Sempre haverá novas realidades

Quero acreditar que estou num mundo direito
Que ainda que ele se vire do avesso
Sempre será possível fazer de novo, bem feito

Quero acreditar que estou no mundo dos sonhos
Que ainda que eles se tornem pesadelos
Nunca serão cansativos, enfadonhos

Quero acreditar que estou no mundo das amizades
Que mesmo que a gente chore ou sofra
Sempre teremos nelas a reciprocidade

Quero acreditar que estou no mundo da beleza
Que mesmo que tudo fique seco ou frio
Ainda acharei refrigérios na natureza

Quero acreditar que estou no mundo do amor
Que mesmo que ele esteja repleto de medos
Sempre será pra nós bem sedutor

Quero, preciso acreditar!

Alda M S Santos

Blindagem

BLINDAGEM

Lá fora há muita negatividade
Temos medos, receios, ansiedades
De nos expor ao que trará infelicidade
Nos blindamos, trancamos preciosidades

Queremos deixar entrar só o que faz bem
Nada de forçar passagem, não convém
Mas a mesma porta tão bem blindada
Não permite entrada, nem saída, nada

Se a luz não entra, ela também não sai
Se o medo toma conta, o sorriso se esvai
Cuidemos do que em nós sobressai

Não dá para da vida nos esconder, nos blindar
A mesma blindagem que pode do mal proteger
Pode impedir do bem e do amor acontecer

Alda M S Santos

Como é possível?

COMO É POSSÍVEL?
Como é possível, ao mesmo tempo
Estar tão perto, estando tão longe
Estar tão longe, estando tão perto
Estar tão dentro, sem haver cabimento
Como é possível, ao mesmo tempo
Ser tão doce sorriso, escondendo amargas lágrimas
Ser tão acolhedor colo, estando carente de aconchego
Ser reflexo de si mesmo, de tão brilhante luz,
Tendo apenas uma faísca acesa
Como é possível, ao mesmo tempo
Ser o amor em meio a tanta indiferença
A esperança em meio a dolorosa ingratidão
A paz em meio a tanta maldade e confusão
Como é possível, ao mesmo tempo
Ser o norte quando se está perdido
O recomeço depois de haver desistido
A continuidade de um viver intenso, meio sofrido
Quando sabemos que a qualquer hora
Seremos pelo tempo engolidos, consumidos?
Como é possível?
Alda M S Santos

É preciso falar

É PRECISO FALAR

Precisamos muito falar, nos comunicar
Aquela angústia ali escondida no olhar
Que nem sempre consegue-se decifrar
Camuflada num sorriso que tenta disfarçar

Não dá para ficar alimentando tristeza
Isso seria fugir de nossa natureza
Que é rica, tem grande potencial e beleza
Quando fortaleza ou mesmo na incerteza

Somos seres interdependentes e interativos
Não dá para viver preso, das emoções cativos
Somos responsáveis, o mal não pode ser cumulativo

É preciso falar, conversar, desabafar
Mas é preciso, sobretudo, saber escutar
Quem fala e quem ouve só tem a ganhar

Alda M S Santos

SetembroAmarelo

Solidão

SOLIDÃO
Solidão não é ausência do outro ao seu lado
Pessoas vão e vêm todo o tempo
Solidão é não encontrar-se consigo mesmo
Quando mais precisa de si
É buscar-se nas batidas frágeis de seu coração
Na infinitude da grandeza de sua alma
E não se ver, não se achar
Encontrar apenas escombros
Solidão mais doída não é ausência de pessoas
Solidão dolorosa mesmo é ausência de si mesmo
Porque a partir do momento que nos encontramos
Nos enxergamos e nos resgatamos
De nossos próprios escombros
É que passamos a enxergar quem está perto
E não notávamos, sequer percebíamos a presença
Para enxergar e valorizar a presença do outro
É preciso vermos a nós mesmos primeiro
Aí a solidão será escolha
E apenas um momento de paz…
Alda M S Santos

Bem-vinda

BEM-VINDA!

Um broto em cada cantinho
Em cada canteiro, uma flor
Em cada flor, uma esperança, um caminho
Tudo é alegria, tudo é perfume e cor
Ninguém quer ser ou estar sozinho
Borboleta, joaninha, passarinho
Todos querem fazer parte desse mundinho
É primavera que chega, sempre chega
Alegria que tanto a gente almeja
Podemos ouvir os sons, a sintonia
A música que a vida toca, a harmonia
O desejo de dançar, ser amor, magia
O inverno fica para trás, diz: até breve
Ele volta, sempre volta, nos resfria
Mas não assusta quem tenta ser luz, cor, calor
Quem carrega a primavera dentro de si
Em harmonia com todas as estações
Vivendo intensamente todas as vibrações
Bem-vinda, primavera!

Alda M S Santos

Inteiros

INTEIROS
Não dá para viver com metades
Meias verdades não colam
Meias palavras não falam
Meios caminhos não levam a lugar algum
Meias certezas não descem
Meias vontades nada produzem
Meias curas não resolvem
Meios amores não acalentam
Meias vidas não satisfazem
Precisamos de totalidade
Precisamos de inteireza
Inteireza no amor, na paixão
Inteireza na compaixão, no amor irmão
Inteireza na alegria, na felicidade
Inteireza na verdade, na fraternidade
De metade em metade
Passamos a vida em pedaços
Partes que não se encaixam
Quebra-cabeças que não se completam
Não dá para buscar uma metade no outro
Nossas metades estão dentro de nós mesmos
Juntá-las nos torna inteiros
Prontos a encontrar outros inteiros, amiúde
E viver uma vida de completude…
Alda M S Santos

É preciso fazer as pazes

É PRECISO FAZER AS PAZES

É preciso fazer as pazes
Estar de bem consigo, novos ares
Buscar fora e dentro de si bons lugares
Deixar de fora as culpas, os males

É preciso fazer as pazes
Aceitar nossas falhas nessa jornada
O corpo que nem sempre agrada
A emoção que às vezes nos degrada

É preciso fazer as pazes
Com o outro que não nos aceita
Com a vida que nunca é perfeita
Conosco mesmos por tanta desfeita

É preciso fazer as pazes
Com o passado que nos magoou
Com o futuro que não chegou
Com o presente, que é onde estou

É preciso fazer as pazes…

Alda M S Santos

Só a poesia

SÓ A POESIA
Só a poesia nos permite ter um olhar especial
Para aquilo que todos veem como trivial
Só a poesia nos faz sentir algo, ser mensageiro
Daquilo que todos têm como corriqueiro
Só a poesia nos habilita a tocar fundo no sentimento
De perto, de longe, no pensamento
Só a poesia nos deixa a flutuar, a divagar
Mesmo quando a tendência é parar, estacionar
Só a poesia nos permite manter a sanidade
Em meio às nossas loucuras diárias
Só a poesia é capaz de enxergar o sorriso
Aquele que está atrás das lágrimas
E as lágrimas atrás de cada “tudo bem”
Só a poesia nos permite ainda amar
Mesmo que tudo aponte para a indiferença, para o odiar
Só a poesia nos mantém de pé
Ignorando os ventos contrários e a falta de fé
Só a poesia nos capacita
A mirar o futuro com esperança
A atravessar o passado sem desconfiança
Sem perder o foco do presente
Sendo a interação, a boa energia
Poesia é a alma que se vê
Poesia é pura magia…
Alda M S Santos

O amor e o tempo

O AMOR E O TEMPO

Que o amor faz ao tempo: acelera, modifica?
Que o tempo faz ao amor: fragiliza, solidifica?
O amor tem poder de parar o tempo
Congelar nos momentos mais felizes
Onde não haja contratempos?
Ou segue indefinidamente, mero passatempo?
O tempo dilui o amor, desaparece, enfraquece
Ou o enraiza, fortalece, engrandece?
Por si só o tempo não faz nada
Tudo dependerá da ação empenhada
Do que queremos ter em nós eternizada
Lembranças boas e aprendizados
Carinhos e atenção recebidos e doados
O tempo apenas potencializa
Aquilo que temos como prioritário
Fará crescer o que foi cuidado e regado
Fará morrer o que foi a segundo plano relegado
Mas o tempo sempre permite aprendizado
E novo recomeço a coração magoado
Disposto a se enveredar nesse mundo
Onde aquele que ama é sempre abençoado
Sempre haverá tempo para um alguém
Que se dispõe a amar e ser amado …

Alda M S Santos

Por aí

POR AÍ

Por aí sigo captando belezas
Num cantinho qualquer
Sendo alvo das gentilezas
Apreciando o que de encanto há
Nas flores, nas cores, na pureza…

Por aí sigo captando a música
Que o vento sopra
Que os pássaros cantam
Que as árvores dançam
Aquelas que tocam lá fora,
Tocam cá dentro
E nos encantam…

Por aí sigo em busca da sintonia
Aquela que vem na percepção da poesia
Que nos faz frágeis, fortes
Que nos inebria, contagia…

Por aí encontro algo que todos buscam
Aquela que há nos momentos mais inesperados
Onde um desavisado só vê simplicidade
Eu encontro felicidade!

Alda M S Santos

Aqui tem cachoeira

AQUI TEM CACHOEIRA

Aqui também tem cachoeira
Bela, forte, até assustadora
Se a gente der bobeira
Ela nos leva, arrebatadora

Atrás da queda, bem escondidinho
Os pássaros se reúnem, cantam juntinho
Saem ligeiros em revoada
Quem vê logo pensa
De onde veio essa passarada?

A queda d’água forma uma piscina
Onde nadam moças e moços fugindo da rotina
Sobre todos baila um sereno fininho
Ali, afoitos, roubam abraço e beijinho

Cachoeira, calor, sol, natureza
Venha se banhar, faça parte dessa beleza
Quer encanto, sossego, paz
Viva sem isso tudo se for capaz!

Alda M S Santos

Seja empatia

SEJA EMPATIA

Dor que se apresenta, se agiganta
Aperta o peito, fecha a garganta
Os olhos minam, a voz não sai
Não há um propósito, só um ai

Viver parece difícil, um descaminho
Passa a ver o fim como caminho
Não se vê importante, tudo dói
Ou é a indiferença que corrói?

E a pergunta persiste: para quê viver?
Mas nao quer morrer, quer entender
Buscar meios de fazer a dor desaparecer
Reencontrar por aqui a sensação de pertencer

Tanta dor, solidão e incompreensão
Falta afeto, carinho, audição
Ter alguém presente, mais que corpo
Que seja empatia, não olhe torto

A palavra, o olhar, o acolher são a cura
Do desejo de morte, fonte de amargura
Olhe seu entorno, para frente, para trás
Ofereça atenção, carinho, leve a paz
Quase sempre basta, é eficaz
Pois a vida é um bem que não se desfaz

SetembroAmarelo

Alda M S Santos

PARAÍSO?

PARAÍSO?

Era um lugar diferente, especial
Caminhava feliz, como no meu quintal
Alguns bancos, grama verdinha
Havia muita gente, mas estava sozinha

Parecia conhecer a todos ali
Olhavam-me, sorriam, “que faz aqui”?
Era o que o olhar deles perguntava
Não sabia dizer, só caminhava

Conversavam entre si, havia harmonia
Mas apesar de estar só, sentia a sintonia
De um lugar calmo, pacífico e acolhedor
Mas procurava alguém “sim, meu senhor”

Com uma facilidade enorme escalei
Uma árvore até o topo e lá fiquei
Paz era a sensação…”você aqui”?
Abri os olhos, sorri, te achei, acordei …

Alda M S Santos

Sabiá apaixonado

SABIÁ APAIXONADO

Queria entender o seu canto
Não sei se é alegria ou pranto
Se chama pela companheira
Ou faz show para tomar a dianteira

Parece encontro já marcado
Entre dois afoitos namorados
No mesmo lugar, na mesma hora
Sabiá parece cantar “não demora”

Mas nada dela chegar ali
Canta alto, entoa “estou aqui”
Para, observa e voa para o caqui

O canto cessou, o amor chegou
Agora alegria silenciosa restou
Deixa quieto, para lá eu não vou

Alda M S Santos

Dom de ser feliz

DOM DE SER FELIZ
Cada humano traz consigo o dom de ser feliz
Para cada qual usar como melhor lhe aprouver
Uns guardam, enterram
Outros economizam, usam pouco
Outros ainda gastam tudo de uma só vez
Há ainda os que o compartilham com os demais
Tem gente que o busca em grandes feitos
Atos heróicos ou intensas emoções
Mas ser feliz é simples
Pode estar no mar, na rosa ou num dedo de prosa
Em doar amor, fazer amor, ser o amor
Em buscar a magia na poesia, na sintonia
Não adianta buscar no outro o dom que está em si
O exterior pode até acender a centelha
Mas cabe a cada um manter acesa a chama
Que o torna um ser humano inteiro e feliz
E aprendemos, finalmente
Que o dom de ser feliz se multiplica
No ato da partilha, da divisão
Ninguém é feliz sozinho
Mas se a felicidade não nascer em nosso coração
Nada de fora será capaz de despertá-la
Como você tem usado esse dom que recebeu da Criação?
Alda M S Santos

Um lugar

UM LUGAR

Acordei aqui meio sem lugar
Sensação estranha, de agonia
Senti que precisava muito conversar
Na natureza encontraria a magia

Ali fiquei, sentei, tudo em volta observei
Tão rica e preciosa é a criação
Somos parte dela, isso eu sinto, eu sei
Fomos criados pelo Amor, fiquei em adoração

Sou apenas uma pequena e frágil luzinha
Que por aqui luta, segue, sempre caminha
Tentando iluminar, não estar sozinha

Pouco a pouco respostas vou encontrando
Olho para o alto, me entrego, fundo inspirando
Grata, sinto meu lugar, a boa energia voltando

Alda M S Santosu

Vamos?

VAMOS?

Enquanto houver vida embaixo desse céu
Não dá para deixar emoções ao léu
Inspira, expira, não pira, coloca no papel
Haverá alguém para brincar nesse carrossel

Enquanto houver voz, eu canto
Alívio para a alma, a dor, o pranto
Mesmo desafinada, desgastada
Minha voz ainda é expressão desenjaulada

Enquanto conseguir todo dia me levantar
Ver o Sol lá fora a brilhar, me chamar
Farei valer a pena a travessia nesse lugar

Enquanto houver caminho à vista, eu sigo
Trilhas construo, faço, refaço, prossigo
Levo quem tem afinidades comigo…vamos?

Alda M S Santos

Terminou, mas não acabou…

TERMINOU, MAS NÃO ACABOU…
Aquela vida que se jogou do alto de uma passarela no asfalto lá embaixo
Deixa a sensação aos que ficam de que há algo inacabado
Terminou, mas não acabou…
Não era a hora, foi interrompida por força das circunstâncias que desconhecemos
Aquele relacionamento feliz, mas que andava pisando em ovos, lutando contra medos, culpas, fragilidades e inseguranças
Terminou, mas não acabou…
Não acaba quando o amor permanece, a saudade ainda machuca, a ausência fere e dói
Quando não é dado um fim pacífico dentro de si
Aquele ser que se levanta todos os dias, sem brilho, sem alegria, sem norte
Que não encontra razões para estar vivo, cujos olhos opacos não dizem nada além de “cansado de viver”
Ainda não terminou, mas está se acabando…
Exceto o que deu fim a si mesmo lançando-se pelas dores e amarguras ao asfalto
E que continua apenas na mente dos que ficaram e nada puderam fazer,
Os demais não se acabaram, ainda que pareçam finalizados
Não estão mortos, a vida existe lá dentro
Camuflada em meio à penumbra da solidão
E precisa de luz para ser de novo despertada,
Esse suicídio lento pode e deve ser interrompido
Deixar correr as águas desse rio para a imensidão do mar
Retirar as amarras, as cordas do pescoço, desfazer os nós
Criar laços de amor e vida…
#setembroamarelo
Alda M S Santos

Ouvindo poesia

OUVINDO POESIA

Quem pensa que poesia só se escreve, se engana
Muito antes de ser escrita, verbalizada ou declamada
Já foi sentida, entendida e escutada
Abusando da sensibilidade que se tem aguçada

Pássaros cantam poesia na alvorada
Em doces e belos tons, rima apaixonada
Entregues, não desistem, persistem nessa empreitada
Até ter rendida para si a linda namorada

Árvores são poesia aos quatro ventos sussurrada
Gostam de se fazer sentir, serem abraçadas
Junto das flores são alimento, beleza, poesia perfumada

Poetas são esponja, são ímã, alma encantada
Sintonizam suavemente no canto da passarada
Deixam o coração falar, pela brisa ser levada

Alda M S Santos

Certo ou errado?

CERTO OU ERRADO?

Que é pra você certo ou errado
É certo o que está na lei registrado
Se foge a ela está tudo errado
Ou há outros meios de separar certo e errado?

A lei divina diz uma coisa, a dos homens, outra
Avalio como errado se ferir um coração
Mas há modo de viver no certo
Sem nunca magoar um alguém, um irmão?

Alguns afirmam que não erra quem ouve o coração
Outros já dizem que coração não tem razão
É insano e faz besteiras de montão

Sei que não se pode agradar todo mundo, não
Melhor ouvir a consciência, dosar razão/emoção
Já dá muito trabalho cuidar do próprio coração

Alda M S Santos

Vontade de sumir

VONTADE DE SUMIR
Quem nunca teve essa vontade, em alguma fase da vida, que atire a primeira acusação.
Não importa a causa, a razão ou a ausência de motivação…
Nem se para o outro não é motivo bastante. O que devemos considerar é que quando temos esse pensamento estamos sofrendo.
Estamos lidando com algo que, ao menos no momento, julgamos que seja superior às nossas forças.
Várias podem ser as causas: um prejuízo financeiro, perda de emprego, de um amor, de uma amizade, uma doença…
Somos únicos e lidamos de modo único com nossos problemas.
Pode ser que tenhamos acumulado coisas demais e a gota d’água tenha sido uma briga com o companheiro.
Desse modo, pode parecer que o desejo de sumir seja sem propósito e repentino, mas só quem o vive sabe o peso que tem.
Há, obviamente, os casos graves de depressão, em que esse desejo de fugir surge com mais frequência.
Esses casos, além da ajuda de familiares e amigos, torna-se necessário também o tratamento terapêutico e espiritual.
Mas quando ocorre entre os ditos “normais”, apenas alguns cuidados devem ser tomados.
Precisamos respeitar esse grito de nossa alma. A vontade de sumir é um pedido de socorro, um grito de pare, me dê um tempo.
Muitas vezes, tudo que precisamos é fugir para dentro de nós mesmos.
Pode haver coisas demais em conflito lá dentro, precisando sair, se organizar…
Fazermos uma faxina emocional. Descartar coisas, guardar outras com carinho, tirar algumas de evidência.
Talvez precisemos de ajuda externa, mas muitas vezes precisamos só de nós mesmos.
Chorar, gritar, ouvir música bem alto, orar, isolar-se, dirigir sem rumo, até mesmo viajar por uns tempos.
Respeitar nosso tempo. Até nos encontrarmos conosco mesmos.
A vontade de sumir é a vontade de nos reencontrarmos.
No fundo, sabemos que nosso lugar é onde estão aqueles que amamos e que nos amam.
Muitas vezes, ao ouvir isso de alguém, nossa tendência é “segurar” os que desejam ir.
Não adianta. Eles precisam de tempo para se encontrar. Devemos apenas estar por perto para ampará-los, abraçá-los, amá-los, quando voltarem.
Certo é que onde quer que a gente vá, levaremos conosco nossa mente, nosso coração, nossa alma…e tudo e todos que lá estiverem.
Que a gente vá, se encontre e volte ainda mais forte!

SetembroAmarelo

Alda M S Santos

Palavras

PALAVRAS

Se quiser ferir alguém, use palavras
Cortam como lâmina, queimam como brasa
Ficam como agulhas na pele enterradas
A cada mexida a dor aguda é atiçada

Há quem as use até sem perceber
Não tem sensibilidade para entender
Diz que é apenas seu modo de ser
Que não machuca o outro por querer

Mas há outros meios de se eternizar
Um jeito perfeito para se fazer lembrar
Basta palavras doces e de amor usar

Usá-las bem é um dom bonito de se ter
Melhor compor versos, fazer enternecer
Sendo para o outro puro e intenso prazer

Alda M S Santos

Leveza

LEVEZA

Sonhei que estava a caminho do céu
Vestes brancas e leves a flutuar
Na cabeça uma tiara de rosas, um véu
Subia, girava, sorria, ia devagar

Vez ou outra parava no caminho
Sentava numa nuvem para baixo a olhar
Quem foi que deixei sozinho
Isso pesava, não me deixava viajar

Era tão bom poder plainar
Cada vez mais longe, mais alturas alcançar
Tal qual águia na imensidão a voar
Tudo ficava leve, pétalas de rosas a carregar

Mas algo não estava bem
Ainda não posso ir, preciso retornar
Aqui tinha ficado alguém
Mas já conhecia o caminho do céu a atravessar

Me despedi de mim mesma
Minha leveza, minha destreza
Quem sabe não chegaria o dia
Que iria com certeza pra lá

Enquanto não é possível
Quero de novo sonhar
E nas asas de uma borboleta
Às alturas de novo chegar…

Alda M S Santos

Quando nada tem graça

QUANDO NADA TEM GRAÇA
O setembro é amarelo, amarelo-alerta
Alerta para um mundo cinzento e frio
Onde falta fome para poder se alimentar
Ânimo para se levantar, coragem para reagir
Não há desejo ou prazer para a vida colorir
Não há passado, não há futuro
Somente um presente pesado, frio, solitário e duro
Do qual o único desejo é fugir
Escapar desse mundo tão sofrido, sumir
Não falta Deus, não falta fé
Não falta o que fazer, falta tesão de viver
Sobra dor… e a fuga torna-se atraente, uma possibilidade
Para dentro do quarto, para dentro de si mesmo
Cada vez mais fundo mergulhar, total imersão
Encolhido e sufocado na própria depressão
Até a dor atingir o limite máximo, a exaustão
Aquele em que o instinto de sobrevivência falha
Nesse ponto nem sempre há como pedir ajuda, a dor estraçalha
O autoextermínio parece ser o fim do que machuca
É preciso que o mundo do entorno perceba
E resgate essas pessoas dessa morada escura
Que leve a um tratamento, busque a cura
Que possa devolver o prazer, a luz, o desejo de viver…
Já reparou nas pessoas que choram, se isolam, ou até sorriem a sua volta?
Podemos salvar uma vida em cinza, devolver a cor!
Podemos ser da vida o amor!
Viver deve ter graça, ser algo especial
Setembro Amarelo, porque querer morrer não é natural!
Alda M S Santos
#setembroamarelo

A que vim

A QUE VIM

Nem sempre consigo identificar
A razão de por aqui estar
Não sei se faço bem em buscar
Um motivo, um objetivo para continuar

Tantas vezes já parece tão cheio o jardim
Já não me cabe, meio diferente assim
Abelhas, borboletas, beija-flores
Brincam entre os canteiros entre tantas cores

Ando para lá, voo para cá, dou o melhor de mim
Tento não ficar onde não estão a fim
Sigo buscando a que vim

Olho em volta, olho para dentro de mim
Busco força, um trampolim
Me descubro meu próprio jardim

Alda M S Santos

Precisamos falar de dor

PRECISAMOS FALAR DE DOR

setembroamarelo

Eles podem estar chorando
Mas também podem estar aí sorrindo, tentando
Podem estar dentro do quarto, alheios
Mas podem estar dentro de si mesmos, aí no seu meio
Podem estar gritando em silêncio sua dor
E nós não termos jeito para lidar com amor
Podem estar flertando com a morte
Não vendo na vida nenhum pouco de sorte
Não é fraqueza, não é frescura,
É patologia, é doença, precisa tratamento
É dor que tem no amor e atenção parte da cura
É não sentir da vida a beleza, a candura
É querer sumir para um universo paralelo
Onde não sinta mais tanto medo, tanto flagelo
A morte é natural, faz parte da vida
Mas desejá-la não é normal
O setembro amarelo é para sensibilização
Podemos salvar um irmão
Vamos buscar informação?


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Alda M S Santos

Super-heróis

SUPER- HERÓIS

Queria ter essa fé nos super-heróis
Acreditar que nos salvam de todo mal
Que nunca seremos levados no vendaval
Que nos carregariam de volta ao nosso quintal

Queria ter essa fé nos super-heróis
Saber que estaria protegida
Num super abraço seria acolhida
Num intenso olhar seria entendida

Sentir que há alguém a nos amparar
Que das adversidades irá nos afastar
Que nada os impedirá de por nós lutar

Crianças, neles acreditamos piamente
Crescemos e os buscamos inconscientemente
Maduros, sabemos que os heróis vivem dentro da gente

Alda M S Santos

É a cura

É A CURA

Amor é a cura para quase tudo
Mas amor também adoece?
Será que fica dolorido, envelhece?
E se reativado, renasce, rejuvenesce?

Amor é remédio para desilusão
É mel que adoça o fel da solidão
É alimento em qualquer situação
É da vida a própria realização

Amor não pode doer, fazer sofrer
Não dá para viver de amargura
Amor é a vacina, a cura

Amor é saúde, é beleza
Não pesa, não morre, é pura leveza
Amor é da vida a maior grandeza

Alda M S Santos

Poeta

POETA

Poeta, aquilo que sai da sua cabeça
É algo que talvez nunca se esqueça
Aquilo que sai da sua cachola
E um pouco até extrapola
Vira versos, poemas, te ajuda a sair de sola

Poeta, aquilo que sai da sua alma
Que vem do coração até a palma da sua mão
Transborda sentimentos, escreve, extravasa
Vira versos, poemas, são levados pelo vento
Lavam a alma, atingem outro coração…

Poeta, o que passa por sua cabeça
Vira sonho, faz um atalho pelo coração
Deixa você mais leve, doce, sublime
Te lava por dentro, te redime
Isso se chama amor, revestido de inspiração
E te faz ser mais emoção…

Poeta, que se passa em seu coração?

Alda M S Santos

Porque vivo

PORQUE VIVO

Já chorei de alegria até a barriga doer
De emoção até não mais poder
Ou de angústia até amanhecer
Isso porque vivo…

Já tive medo de alguém perder
De não poder ver meus filhos crescer
De adoecer, envelhecer, dos outros depender
Isso porque vivo…

Já implorei pela vida, tive medo da morte, da escuridão
Rezei por todos, pedi perdão
Muitas vezes acompanhada, outras na solidão
Isso porque vivo…

Já tive muitas amizades, já fiquei na saudade
Brinquei, fui séria, lutei por liberdade
Nunca quis ser apenas uma metade
Isso porque vivo…

Já me organizei, arrumei o que estava bagunçado
Já fiz burradas, baguncei o que estava arrumado
Quase desisti de ver tudo de novo organizado
Isso porque vivo…

Já ganhei, vibrei, comemorei
Já perdi, sofri, quis sumir, revoltei
Amei, fui amada, correspondida, ignorada
Aprendi, cresci, me empolguei
Encontrei o caminho, voltei
Isso porque vivo…

Num saldo positivo vou vivendo, vou seguindo
Cada dia mais longe do começo
Não necessariamente perto do fim
Só de pensar, estremeço
Isso porque vivo…

Alda M S Santos

Dança

DANÇA

Dança para aliviar, para relaxar
Dança para divertir, para conquistar
Dança por prazer, para sensualizar
Dança para brincar, para amar

Dança que tem na vida seu lugar
Que é sinergia, que pede um par
Mexe o corpo, mexe o coração
Sacode a poeira, libera a emoção

Não existe não saber dançar
Existe ao som se entregar
E deixar a energia extravasar

Dança para aliviar a tensão
Dança para conquistar esse mundão
Dança para ter espaço no seu coração

Alda M S Santos

Nasce a poesia

NASCE A POESIA

Ela brota em nós, suave doçura
Rompendo barreiras da terra escura
Tal qual semente que a luz procura
Desabrocha, encanta, louca fissura

Alimentada por nossos sentimentos
Aquecida em densos momentos
Irrigada pelas lágrimas dos tormentos
Despertada na alegria dos acontecimentos

É sonho, é realidade em letras versada
Escrita, declamada, aclamada
No outro se vê, encontra morada

A poesia nasce e cresce assim
Nos poetas, em você, em mim
Seguindo, inseparáveis, até o fim

Alda M S Santos

Onde você quer ficar?

ONDE VOCÊ QUER FICAR?

Na vida há cobertor que não aquece
Água que a sede não mata
Abraço que a dor não amortece
Amizade que nó não desata

Há estrelas que não amenizam a escuridão
Sol que não ilumina nosso caminhar
Saudades que nos tiram o chão
Rios que não chegam ao mar

Há males que não nos deixam arredar pé
Há compaixão para a alguém estender a mão
Também tem energia que nasce junto da fé
E sabedoria ao tocar com delicadeza um coração

Na vida há também luz que vem de dentro
Amor que nos põe no centro
Calor que brota e alastra da alma parceira
Beijo que aquece a vida inteira

Na vida há todo tipo de lugar
Só precisamos saber onde queremos ficar…

Alda M S Santos

Nosso baú de lembranças

NOSSO BAÚ DE LEMBRANÇAS

Às vezes é preciso botar ordem
Na bagunça, na grande desordem
Que se tornam nossas lembranças
Machucando,  provocando lambanças

Pegar esse baú para organizar
Jogar fora o que já não tem lugar
Aquilo que fere, machuca, faz chorar
Selecionar, classificar, separar, guardar

As que ainda doem, mas são preciosas
Deixar lá no fundo bem guardadas
Para quando preciso serem acessadas

Bem em cima, facilmente alcançáveis
Guardar em caixinhas bonitas e douradas
As lembranças de amor, as mais abençoadas

Alda M S Santos

Fada Coração

FADA CORAÇÃO

A Fada Luz queria tanto saber
Um modo de ser e fazer feliz
Resolveu rodar o mundo inteiro
Até descobrir o segredo

Num jardim, entre rosas,
Em meio a tanta luz e calor
Deu de cara com a Fadinha Sol
Que afirmou que para ser feliz
Era preciso saber a todos aquecer, fazer crescer…

Numa noite de lua e estrelas
Encantou-se com a Fadinha Estrela,
Sentada na Lua Cheia
E, brilhante, não tinha dúvidas:
A felicidade estava em iluminar caminhos…

Seguiu uma trilha até o horizonte
E foi dar no mar, numa praia distante
Ali estava satisfeita sob um coqueiro a Fadinha Água
Convicta, afirmou: ser feliz é matar a sede de viver

Fadinha Luz pensativa ficou, acreditava em todas elas
Era preciso aquecer, iluminar, matar a sede de vida
Mas sabia que algo ainda não estava completo
Sentia que ser feliz era mais que isso

E no meio de tanta criança feliz
Brincando, cantando, sorrindo e dançando
Encontrou, de olhos brilhantes, a Fada Coração
E ali descobriu que a felicidade
Estava em saber se doar, amar, ser irmão…

E Fada Luz aprendeu a lição:
Ser feliz é saber amar, é ser carinho
É ser pureza, é ser criança
É ser da vida o coração!

Alda M S Santos

Vista-se de sonhos

VISTA-SE DE SONHOS

Não dá para perder as estribeiras
Mesmo se a vida nos passa rasteira
Melhor é seguir nessa estrada
Ainda que ela pareça estagnada

É bom poder curtir a paisagem
Não deixar pesar muito a bagagem
Se por aqui estamos de passagem
Melhor mesmo é curtir a viagem

Quando a alegria quiser minar
Ative a fé, nunca deixe de acreditar
A roda da vida nunca para de girar

Se a realidade parece muito crua
Expõe angústias, deixa a alma nua
Vista-se de sonhos, dispa-se para a Lua

Alda M S Santos

Só assim

SÓ ASSIM
Um mundo de tantas conquistas e riquezas
Só valerá a pena se eu puder levar comigo aqueles que amo
Só assim será bom…
Um mundo de tanto luxo e sofisticação
Só valerá a pena se não houver tanta gente passando necessidade
Só assim será bom…
Um mundo cheio de grandes prazeres
Só valerá a pena se não tiver deixando ninguém para trás no sofrimento
Só assim será bom…
Um mundo de grandes conquistas só será valioso
Se não tiver tirando nada de ninguém
Só assim será bom…
Um mundo onde a vista é bela do alto de onde estivermos
Só será valioso se a vista de quem olha de baixo também for bela
Só assim será bom…
Um mundo só será realmente belo quando for mais igualitário
Enquanto isso, prefiro ficar do lado de cá
Só assim posso me sentir melhor…
Alda M S Santos

Firmando laços

FIRMANDO LAÇOS

Cansaço, medo, dor, preocupação
Repouso, um pedido em forma de oração
Que haja paz, que o mal não prevaleça
Que num belo sonho tudo se esclareça

Caminhos nebulosos, difíceis, assustadores
A vida se apresenta, mostra suas dores
Passando por elas, em cada uma, aprendendo
Em cada tropeço, evoluindo, crescendo

Força, fé e coragem são renovadas
Em frente, gratidão, não estamos sós
Há anjos amigos, enviados a nós

Somos usados para desfazer os nós
O bem em olhares, palavras, abraços
Reforçando a parceria, firmando laços

Alda M S Santos

Emendas

EMENDAS
Rasgar o verbo pode ser um modo inteligente
De ter um bom motivo para remendar a própria vida
Costurar aquelas bandas que estão separadas
Cerzir partes que estão puídas
Cortar sobras e pares desalinhados
Fazer bainha no que está sobrando
Ajustar o que está frouxo e deformado
Abrir partes para ter melhor caimento
Customizar o que já está repetitivo
Arrumar fechos, pregar ou arrancar botões de vez
Bordar umas flores, árvores ou montanhas
Um sol, um luar, uma praia, um mar..
Sei lá! Enfeitar!
Aproveitemos as oportunidades para nos renovar
Pois quando se trata de nós
Não dá pra jogar fora e comprar um novo viver…
Alda M S Santos

Tem poder

TEM PODER

Que mais sobre você tem poder
De fazer tudo do melhor acontecer
Não te deixar desanimar ou esmorecer
Te fazer vibrar, em belos tons florescer?

Que tem poder de te fazer mover
Te afastar da inércia, fazer efervescer
Tirar do lugar suas internas montanhas
Sem subterfúgios ou artimanhas

Se a banda passa você segue a dança
Se a menina sorri logo ativa sua esperança
Coração anda cansado de tanta andança

Quer um dia de chuva pra se sentir descansado
Se for ensolarado pra deixar mais animado
No fundo, quer mesmo o amor pra ficar mais encantado

Alda M S Santos

À flor da pele

À FLOR DA PELE

Sensibilidade que fragiliza
Que arrepia a pele, aromatiza
Que desperta medos escondidos
Que faz brotar sonhos já banidos

Sensibilidade que pede mais amorosidade
Que luta pela vida com vontade
No silêncio pidão dos olhos a divagar
Na suavidade de um sorriso a encantar

Sensibilidade à flor da pele
Delicada feito rosa recém desabrochada
Forte pela tempestade já enfrentada

Sensibilidade à flor da pele
Basta um só olhar, um pingo de atenção
Para o mundo desaguar e aquecer o coração

Alda M S Santos

Deixar-se amar

DEIXAR-SE AMAR
Que aprende-se a amar, todos sabemos
Mas aprende-se também a deixar-se amar
Ambas as ações se conectam, se interligam
Quem não sabe amar, não sabe aproveitar o amor que recebe
Amor bem dado e amor bem recebido se multiplicam
Aprende-se a receber amor, doando amor
E aprende-se a doar amor, amando, na prática.
Não há manuais ou receitas, talvez algumas experiências.
Ambas as vozes do amor são ativas
Não existe passividade no amor
Amor passivo é vida inativa!
Alda M S Santos

Simplesmente, amo!

SIMPLESMENTE, AMO!

Será que precisa mesmo esse desvendar
De um amor, um intenso precisar
Quer saber a razão, o porquê
De um viver agarrado assim em você

É necessidade que não sai
Um desejo que não se esvai
É um modo de partilhar
Emoções que estão meio sem lugar

Tantas vezes não há como falar
Não se sabe como expressar
Mas você nos permite esse passear

Uma vez que encontra essa sintonia
Nos versos, na prosa, na poesia
Não há mais jeito, abrir mão é heresia

Alda M S Santos

É amor?

É AMOR?

Amor não é difícil de perceber
Quando já se “instalou” em um ser
Basta observar com atenção
O cuidado que se tem, então…

Amor de verdade deixa rastro
Um brilho, uma cor, um olhar
Mas só é amor de fato
Se houver cuidado no trato

Amor tem desejo, sexo, atração
Tem admiração, loucura e satisfação
Mas se ficar só nisso, não confunda, é paixão
Amor de verdade gera cuidado e proteção

Um amor assim todos almejamos
É riqueza, grandeza, como sonhamos
Você cuida de mim, eu cuido de você
Até sem existir um porquê

Você quer um amor assim?

Alda M S Santos

Ciúme e amor

CIÚME E AMOR

Cuidado e proteção todo amor quer
Seja naquele de amizade
Ou numa relação homem-mulher
Mas e o ciúme  é sinal de amor?
Ou é mais uma desconfiança qualquer
Coisa de uma mente doente
De uma alma possessiva, insegura, demente
Que quer manter o outro atado, preso a si
Não é uma emoção pura!
Traz em si muita nocividade
Que envenena uma boa relação
É pesado, tira a leveza, gera maldade
Quem ama quer ter segurança
Quem ama a oferece ao ser amado
Se é preciso fiscalizar, cobrar, exigir
Já é doentio, melhor escapar, fugir
O amor só vale a pena se trouxer alegria
E o ciúme retira essa beleza, essa magia
Quem ama tem medo de perder
Isso é normal, dá para entender
Mas daí a prender para se sentir seguro
É enveredar por caminho obscuro
Ame, deixe-se amar, seja feliz
Mantenha o coração puro…

Alda M S Santos

Mulher/Menina

MULHER/MENINA

Ela caminha pela vida
Vestindo sorriso de menina, alma de mulher
Ou será sorriso de mulher, alma de menina?
Tanto faz, mulher/menina ou menina/mulher…

Ela caminha pela vida
Levando abraços, beijos, delicadeza
Em busca de resgatar da vida a pureza
E absorver da rosa a beleza…

Ela caminha pela vida
Deixando onde passa pequenas partes de si
Em cada canto um encanto
Junto a uma fragrância de jasmim…

Ela caminha pela vida
Trazendo consigo na alma, no sorriso
As cicatrizes de cada alegria, cada perigo
E as marcas de onde encontrou abrigo…

Ela caminha pela vida
Mulher/menina, menina/mulher
Até quando puder…

Alda M S Santos

Nas coisas simples

NAS COISAS SIMPLES

Bobagem perder tempo, se na realidade
Nas coisas simples está a felicidade
Quanto mais buscar sofisticação
Mais ainda demorará a satisfação

Também há imensurável prazer
Em cuidar da felicidade de outro ser
Aliviar uma dor, fazer despertar para o amor
Tal qual o desabrochar de uma flor

Não adianta embromação
Joias, ouro, fama, palacete
Isso tudo é um grande falsete

Brisa suave, descalços, pés no chão
Alma em paz, bom coração
Isso, sim, é felicidade de montão

Alda M S Santos

Poesia

POESIA
Poesia não é para entender, não é para explicar
Poesia é para sentir, para se fazer sentir
Poesia não é para racionalizar, equacionar
Poesia é para apreciar, emocionar
Pois é fruto das boas energias
Que transbordam de algo ou alguém
E viram versos, poemas
Poesia é para alguém faminto de magia, de encanto
Não são todos que sabem uma poesia apreciar
Poesia é para a alma de simplicidade alimentar
De emoções, de amor, de beleza e encanto
Poesia faz a vida fazer sentido
Sem precisar explicar!
Alda M S Santos

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