QUANDO NADA TEM GRAÇA
O setembro é amarelo, amarelo-alerta
Alerta para um mundo cinzento e frio
Onde falta fome para poder se alimentar
Ânimo para se levantar, coragem para reagir
Não há desejo ou prazer para a vida colorir
Não há passado, não há futuro
Somente um presente pesado, frio, solitário e duro
Do qual o único desejo é fugir
Escapar desse mundo tão sofrido, sumir
Não falta Deus, não falta fé
Não falta o que fazer, falta tesão de viver
Sobra dor… e a fuga torna-se atraente, uma possibilidade
Para dentro do quarto, para dentro de si mesmo
Cada vez mais fundo mergulhar, total imersão
Encolhido e sufocado na própria depressão
Até a dor atingir o limite máximo, a exaustão
Aquele em que o instinto de sobrevivência falha
Nesse ponto nem sempre há como pedir ajuda, a dor estraçalha
O autoextermínio parece ser o fim do que machuca
É preciso que o mundo do entorno perceba
E resgate essas pessoas dessa morada escura
Que leve a um tratamento, busque a cura
Que possa devolver o prazer, a luz, o desejo de viver…
Já reparou nas pessoas que choram, se isolam, ou até sorriem a sua volta?
Podemos salvar uma vida em cinza, devolver a cor!
Podemos ser da vida o amor!
Viver deve ter graça, ser algo especial
Setembro Amarelo, porque querer morrer não é natural!
Alda M S Santos
#setembroamarelo