QUERO SER SUA POESIA
Quero sentir que você está perto
Que me acompanha nos caminhos incertos
Quero sentir o calor de seu toque
Que me faz bem, me provoca um choque
Quero sentir em ondas seu amor
Que me faz flutuar, aprofundar sem pudor
Quero sentir a alegria de sua amizade
Que me inebria de bênção, de realidade
Quero sentir sua força que me impulsiona
Que me faz cavalgar nessa estrada como amazona
Quero sentir que não estou só
Que tenho em você meu quentinho paletó
Quero sentir que em mim confia
Que me faz ser mais eu, sua mais pura e intensa poesia…
Alda M S Santos
REGISTROS
Quisera buscar na poesia
Um toque de doçura, de magia
Quisera buscar na poesia
O alívio da dor, a cura da amargura
Quisera encontrar na poesia
Seu encanto, seu amor, sua alegria
Busquei na poesia a mais pura simplicidade
Num poema registrei meu desejo de felicidade…
Alda M S Santos
VERSOS
Os versos falam todo o tempo
Não há verso mudo, calado
São expressões infinitas de sentimento
Cada qual os recebe de acordo com seu entendimento
Há versos que falam de fazer amor
Outros de amizade, de intensidade
Há os gritos de aviso, denúncia ou alerta
Quase sempre estão na medida certa
Mas na medida meio confusa do poeta
Há versos que querem curar uma dor
Cicatrizar uma alma machucada, ferida
Há versos com raiva, compram uma briga
Há versos que tentam saldar uma saudade
Ou fazer do sonho uma realidade
Talvez no silêncio cantem uma vontade
Ou gritem aos quatro ventos sua necessidade
Os versos são uma linguagem única
Entende quem quer, quem pode
Quem aprecia, entra em sintonia
E faz do verbo, na rima, no verso
Sua vida, sua alma registrada em poesia
Alda M S Santos
ERA TÃO LINDO
Fui entrando devagarinho, receosa, temerosa
Sem querer me expor, muito cuidado para não me machucar
Ganhando espaços, abrindo portas
Aos poucos arrebentando comportas
Angariando simpatia, conquistando a confiança
Passeva por um mundo tão livre, tão lindo
Sem entraves, sem falsos pudores, sem censuras
Recheado de palavras doces, mas também algumas duras
Havia muitas moradas, jardins maravilhosos
Janelas e portas abertas todo o tempo
Não havia muros ou grades, não precisava
Os abraços eram constantes, sorrisos idem
Era um mundo recheado de histórias, de versos
Era um mundo tão livre, tão belo
Era o mundo da alegria e magia
Era o mundo da poesia
Que dura enquanto há sintonia
Alda M S Santos
ESCREVO
Escrevo porque preciso
Quando estou segura ou em perigo
Ou quando tudo parece impreciso
Escrevo para sanar o que machuca
O que aperta, fere, sangra
Escrevo para aliviar a cuca
Escrevo para extravasar os excessos
Angústia, ansiedade, medo, alegria
Escrevo para não haver retrocessos
Escrevo para espalhar belezas
Que habitam em mim, natureza
Escrevo para semear e captar pureza
Escrevo para partilhar o amor
Para levar emoção, calor
Num mundo sem tanto pudor
Quero nos versos rabiscados na luz ou no breu
Ter registrado em tinta meu apogeu
Escrevo para cada dia me tornar mais eu…
Alda M S Santos
MUNDO SEM POESIA
O que o poeta diz é o que sua sensibilidade captou,
Processou dentro de si e transformou em versos
Um poema é o mundo revestido pela alma do poeta
Um mundo sem poeta é um mundo nu e cru…
Alda M S Santos
SEM POETA
Dá para viver sem o poeta
A poesia não deixará de existir
Ela estará por aí…
Mas sem ninguém para captar
Ninguém para as belezas divulgar
Ou para com a vida se apaixonar
Dá para viver sem o poeta
Mas será triste e vazia
Como um jardim sem jardineiro para cuidar
Uma refeição sem ninguém para apreciar
Uma mulher sem ninguém para admirar
Um amor sem ninguém para amar
A magia sem o mágico para alegrar
Uma criança sem ninguém para brincar
Dá para viver sem o poeta
Mas não serão tão belos
A cachoeira para alguém se purificar
O luar para enamorados se amar
A praia para em suas areias caminhar
O mar intenso para navegar
Um alguém encantador para amar
Uma curva feminina para derrapar
Dá para viver sem o poeta
Mas os sentimentos ficarão sufocados
O amor não será divulgado
O universo não será admirado
Os somhos não serão alcançados
As lágrimas não serão choradas
Sobre o mal ninguém será alertado
Dá para viver sem o poeta
Mas a beleza será desperdiçada
Tudo estará em escala de cinza
Nada será tão encantado
O mundo parecerá acabado…
Alda M S Santos
A POESIA
A poesia ainda vai curar o mundo
Levar o amor e magia a toda criatura
Ao descrente, ao sensível, ao vagabundo
Ao culto, ao letrado, ao apaixonado
A poesia ainda vai nos livrar da dor
Sendo encanto, beleza, o peixe, o pescador
Sendo jardim, flor ou beija-flor
A poesia ainda vai nos ensinar a amar
Ser a fé, a esperança, a vibração
Ser atração, sedução, paixão, emoção
A poesia ainda vai nos tirar da indiferença
Sendo a luz, o silêncio, o barulho, a presença
Sendo nesse mundo tão superficial,
Nossa mais doce essência…
Alda M S Santos
LICENÇA POÉTICA
Peço licença poética para enxergar o mundo
Quero vê-lo sob meu toque particular, sem regras
Gramaticais, ortográficas ou sintáticas
Quero tocá-lo com meu olhar perscrutador, amoroso ou invasivo
Quero flexionar gênero, número ou grau a meu bel prazer
Sem métricas, sem rimas, sem coesão, incoerentemente
Dá licença?
Quero plurais onde me apetecer, onde me sentir muito só
Singular onde acreditar ser mais conveniente
Ficar maiúscula onde me sentir melhor, puder ser o bem
Ser minúscula quando quiser sumir, me esconder como ênclise nas palavras sem nexo
Sempre iniciando, sem pontos finais, exclamando sempre
Sem separações de sílabas ou outras quaisquer
Em contínuas reticências
Questionando o que sangrar ou machucar…
Dá licença?
Quero conjugar os verbos viver, amar ou partir a meu modo, sem imperativos
Com os sujeitos que julgar adequados, simples, complexos ou ocultos
Sem pretextos ou pretéritos, sem objetos diretos ou indiretos
Usar a voz ativa e passiva quando for amor, sem preconceitos de pessoa, gênero ou qualquer tipo
Quero atribuir belos predicados, abusar de vícios de linguagem
Dá licença?
Quero ouvir o silêncio de um coração que grita ou a música das águas geladas de uma cachoeira
Ouvir a declaração de amor das estrelas numa noite quente ou a solidão da lua sem parceiros
Cegar-me com o brilho do sorriso de quem ama
Aquecer-me sob o sol escondido atrás das nuvens escuras
Chorar com a saudade em gotas que escorre e cria sulcos naquele rosto que insiste em sorrir
Dá licença?
Quero abraçar a poesia que há em mim, no outro
Fazer amor incansavelmente com a vida com a mesma paixão
De um casal que se “pega” e se beija com entrega apaixonada num canto escuro qualquer
Quero fazer desse viver o mais lindo poema
Usando nesses escritos a licença que só a alma pode conferir
Dá licença?
Alda M S Santos
ENTÃO, ELE ESCREVE…
Se chove forte, se está seco ou se se molha
Se há vendavais, tornados, tempestades de areia ou de neve
Ele escreve…
Se há sol forte, calor intenso, desnorteador
Se há alegria, tristeza, angústia ou dor
Ele escreve…
Se quer falar, gritar, alertar, se rebelar
Se quer se esconder, murchar, silenciar
Ele escreve…
Se há luz forte, breu intenso, escuridão
Se há só a luz da Lua e das estrelas, só solidão
Ele escreve…
Se está perdido, confuso ou irado
Se se encontra, se abraça, sente-se abençoado
Ele escreve…
Se tem medo, esperança ou saudade
Se quer fugir, ir embora, ter liberdade
Ele escreve…
Se está sozinho ou acompanhado
Fazendo amor, feliz ou apaixonado
Ele escreve…
Se falta amor, magia, sobra paixão
Se a vida machuca, corta, fere o coração
Ele escreve…
Se quer gritar e não consegue
Se quer falar e o medo persegue
Ele escreve…
Enfim, tudo serve de inspiração
Os versos brotam fundo, pura emoção
Poesia é para o poeta o ar que circula no coração…
Então, ele escreve…
Alda M S Santos
NA POESIA
Há quem use alucinógenos ou analgésicos
Há quem use soníferos ou anestésicos
Há quem use a fantasia
E há quem use a poesia
Há quem use os altos brados
Há quem na dor silencie
Há quem no desespero mergulhe
E há quem mergulhe na poesia
Há quem vibre por um amor declarado
Há quem prefira amar calado
Há quem busque um amor no passado
E há quem ame na poesia
Há quem vive de passado, de lembranças
Há quem vive de futuro, de esperanças
Há quem vive na ilusão, na solidão
E há quem vive na poesia
Há quem está perdido nessa vida
Há quem não vê nenhuma saída
Há quem perdeu seu abrigo
E há quem se abrigue na poesia
Há quem cansou de lutar
Há quem ainda quer brigar
Há quem quer da dor se curar
E há quem se cure na poesia
Alda M S Santos
QUERO UMA RIMA
Não é preciso rimar para ser bonito
Mas sintonizar é preciso para não ser finito
Quero uma rima para o amor
Ou será que basta sintonizar, sem qualquer pudor?
Não é preciso rimar para ser poesia
Mas precisa encantar, despertar
Se quiser o bem, e fazer com que alguém sorria
Quero uma rima com emoção
Que atraia, seja ardor, paixão
Daquelas que nos tirem do chão
Quero uma rima para felicidade
Daquelas que não se esgotem com a idade
Que seja realidade e não apenas saudade
Quero uma rima para mim
Bonita, inteira, completa, afim, enfim
Quero sim!
Alda M S Santos
SEJA
Seja alguém que valha a pena ter por perto
Seja a água límpida no deserto
Seja o pão que sacia a fome de um irmão
Seja o olhar acolhedor, seja emoção
Seja o sorriso que ilumina, o amor sem pudor
Seja um coração de terra fértil para a flor
Seja a verdade que questiona, que aprende
Seja a alma que à simplicidade se rende
Seja a luz do luar que enfeitiça os amantes
Seja brisa, seja frescor, seja o próprio amante
Seja as águas de uma cachoeira, embriagante
Seja tudo de belo que há, seja a magia
Seja o poeta, a letra, o verso, a melodia
Seja harmoniosa sintonia, seja a poesia
Alda M S Santos
ONDE MORA A POESIA
A poesia mora em nosso sentimento,
A poesia existe e nos traz divertimento,
Fazer poesia é como se alimentar,
Quando começa não quer parar.
Coisa linda é uma boa poesia,
É onde mora nosso sentimento,
Ela nos alegra a cada dia,
Não fosse assim, seria um tormento.
Ser poeta é essa sensibilidade deixar aflorar
É ver no outro algo que pode te completar
E nunca se cansar de deixar a vida te encantar
A poesia é como o amor
Quanto mais distribui mais se tem
Sem amor e poesia não dá pra viver bem
João Leles Martins
Alda M S Santos
Dueto para um sarau
POETAS
Captar um momento sublime com sensibilidade
Encantar-se com detalhes mínimos da natureza
E disso fazer belos versos com destreza
Só os poetas têm essa habilidade
Inebriar-se com um momento de sensualidade
De atração, carinho, boa vontade
Descrever o ato de amar com sonoridade
Sem vulgaridade ou maldade
Expor emoções, intimidades, sentimentos
Com a coragem ali exigida para se expressar, desabafar
Numa história sua ou não,
Só outros poetas sabem captar
É preciso saber ler o não dito
Entender o que a outros passa despercebido
Num jogo de palavras gritadas no silêncio, nas entrelinhas
Aquilo que nem sempre vale a pena ser estendido
Um poeta encontra em outro parceria, compreensão
Um alguém que faz dele um irmão
Que usa a arma, a cura mais perfeita da emoção
O ato de dividir com outro seu coração
Alda M S Santos
MORADA
Gosto de viver a poesia
Que há em cada sorriso
Sentir essa magia que encanta, inebria
Nesse mundo tantas vezes indeciso
A poesia é minha casa, minha morada
Nela posso deitar, rolar, me esbaldar
Viver a vida nem sempre animada
Mas nela buscar um jeito de me encontrar
…
Morada é uma coisa bem abençoada,
Morada é onde a gente é feliz e disposto,
E além de linda e muito bem arrumada,
A poesia, ela sim nos traz gosto.
Isso tudo a gente encontra na poesia,
Ela nos alegra, nos fortalece a cada dia,
Se não fosse a poesia, a vida a graça perdia,
Ah, Deus fez tudo de bom e colocou na poesia.
Alda M S Santos
João Leles Martins
Dueto no desafio num sarau
POETAS
Todo poeta é adepto de um pouco de solidão
Pois é desses momentos que brota a inspiração
Mergulhamos em densa ou suave conversação
Vamos para um cantinho de nós mesmos em reflexão
Somos nós, poetas, uma espécie ruminante da criação
Tudo ingerido, ruminamos, fazemos a “digestão”
Num canto, acompanhados pela nossa imaginação
Usamos o amor que trazemos em nosso coração
Criamos prosas, versos, nossa mais íntima exibição
Daquilo que em nós extravasa, e é muita emoção
Não dá para guardar, não fazemos estoque, não
Se você viu um poeta em momento introspecção
Talvez ele te ignore ou não te dê muita atenção
Mais saiba, não é descaso, é a arte da criação
Alda M S Santos
POETIZANDO
Poetizar: ato ou efeito de transformar em versos
Aquilo que não sai da mente, da alma
Que é forte, intenso, pura emoção
Que machuca ou alegra, que aperta o coração
Poetizar é um modo de verbalizar
Aquilo que está intenso, que precisa extravasar
Que em versos rimados vai se transformar
Para o poeta não se sentir sufocar
Poetizar é dividir com o outro o que parece tormento
É lançar ao vento, ao tempo, a todo momento
Uma gama colorida e enorme de sentimento
Poetizar é se tratar, se auto-analisar
É buscar no outro um alguém para encantar
Se alegrar, se curar, se amar…
Alda M S Santos
ELA PERMITE
Ela permite quase tudo
A silenciosa e calma admiração
O grito alto, que alivia, surdo
O encanto, a paixão, a veneração
Ela permite ir a qualquer lugar
Para o saudoso ontem ou o amanhã a despontar
Ainda que não saiba aonde chegar
Mesmo no mais íntimo sonhar
Ela permite quebrar fechaduras, abrir janelas
Arrombar portas, estourar taramelas
Despir-se de tudo, pular cancelas
Ela quer mesmo é uma vida de magia
De amor, de paz, de fantasia
Ela permite tudo, ela é a poesia…
Alda M S Santos
O VERSO E O REVERSO
Cada qual faz uso daquilo que possui
Uns usam o grito, a oração, a canção
Há quem faça uso do silêncio que intui
Vale tudo se for boa a intenção
O poeta tem papel de suma importância
Cabe a ele espalhar beleza, leveza, alegria
Também denunciar o mal, a intolerância
Lançar mão do amor, da magia, da poesia
Há quem diga que isso é utopia, tá falido
Que não há mais jeito, tudo bandido
Que esse mundo já era, tempo perdido
Prefiro acreditar no poder do verso
Da voz que se expressa no reverso
Do amor que insiste em ser a luz do universo
Alda M S Santos
POETAR
A habilidade de os sentidos apurar
Acionar até o sexto sentido
Nada perder, tudo captar no ar
Até o que parece falido
Ter um novo olhar, mais atento
Ativar olfato, audição, aguda percepção
Ter em si mesmo novo alento
Potencializar ainda mais a intuição
Entraves enxergar, parcerias buscar
Não querer sozinho caminhar
Será que isso é poetar?
O poeta Estevam disse que poetar é
“Transmitir angelicais inspirações”
Vou mais além: é receber, processar e repartir sensações…
Alda M S Santos
A PRÓPRIA VIDA
Para uns, inspiração
Para outros, confusão
Alguns leem com a razão
Outros já sentem com o coração
E a alma de um poeta a versar
Segue organizando esse caos
Tentando fazer valer a pena
O que a pena nem sempre consegue registrar…
Para uns, encantamento
Para outros, fingimento
Finge que é feliz, finge que não dói
Que não se importa com o que se diz
Mas em tudo há deslumbramento
Pelo que vê, sente, ressente
E nisso tudo há muito contentamento…
Para uns, letras, versos, poemas
Para outros, um passatempo
Para o poeta, a própria vida
Um meio de viver com seu sentimento…
Alda M S Santos
DIA DO POETA
A arte de captar a poesia
E transformá-la em poemas…
Que possamos prosseguir
Nesse caminho terapêutico da poesia
Espalhando amor e alegria
Feliz do a do poeta a todos!
Alda M S Santos
DEIXEI POESIA
Qual foi sua contribuição
Para o mundo melhorar
Essa era a verdadeira questão
Feita a todos ali sem cessar
Uns diziam: curei males físicos e mentais
Outros: ensinei as lições fundamentais
Há quem tenha dito que levou paz a toda gente
Ou que tenha lutado na linha de frente
Entre tantas defesas e tanta melhoria
Num rompante de sabedoria
Há quem disse simplesmente:
Por onde andei eu levei poesia
Fiz a vida mais contente
Assim disse o poeta:
Fui flor, doei amor, tristezas dissipei
Desse modo muitos corações aflitos salvei!
Para o mundo melhorar
Deixo poesia fluindo no ar…
Alda M S Santos
POESIA
Por onde passar, deixe poesia
A vida ficará mais bonita, doce
Colorida e florida para nossa travessia…
Alda
CATARSE
As letras iam saindo meio misturadas
Formavam umas palavras meio sem nexo
Juntas não pareciam fazer sentido algum
Mas ela sentia, sentia muito
Apertava o coração, doía a alma
Ainda assim, ela continuava
Deixava na tela do celular tudo que a incomodava
Tudo que estava “sobrando” dentro de si
Letras e mais letras, palavras, frases, versos
Iam se juntando, criando uma harmonia
Enfim, um poema… poesia…
Chorava, sentia-se mais leve
Meio esgotada, renovada, reabastecida
Assim funciona um poema catártico
Aquele que tem o poder de processar sentimentos
Construir, desconstruir, reconstruir
E fazer viver melhor
Poesia é terapia…
Alda M S Santos
PEDE O QUÊ?
“Hoje é domingo, pede cachimbo”
Que pede seu domingo?
Uma neblina baixa, friozinho
Chuvinha fina, insistente
As flores até demonstram um sorrisinho
Voam no céu, ignoram a chuva os canarinhos
Galos cantam ao longe, saracura saliente
Só os bichos acordaram, não estão sozinhos
E eu aqui na rede na varanda
Bom dia!
Meias nos pés, respirando essa poesia
Domingo pede descanso, pede calor
Pede café recém coado, um queijo coalhado
Pede um amor debaixo do cobertor
Domingo pede magia, pede poesia
Pede nós dois aqui em harmonia…
Hoje é domingo, pede um pingo de chuva, de vida
Agradeço, sem choramingo
A chuva, o amor, a paz e a magia de viver…
Seu domingo pede o quê?
Alda M S Santos
NASCEU!
Já deixei brotar, já deixei nascer
Já cultivei para crescer, já vi morrer
Mas também já nasceu sem meu querer
Já foi embora, triste, vi desaparecer
Ora é saudade, ora é vontade
Ora é desejo de trazer de volta, sem piedade
Cultivo as lembranças com simplicidade
Para ver se renascem para nossa felicidade
Aparece como nuvens brancas no céu
Ou bem pesadas, verdadeiro véu
Ora são brisa leve, chuvinha fina
Tempestades seguidas de arco-íris, brilhante purpurina
Que aquecem de amor o coração da menina
Assim é a poesia em mim
Rústica, delicada, sofisticada,
Ou firme como marfim
Assim são os poemas, enfim…
Alda M S Santos
NASCE UM POEMA
Todo nascimento é comemorado
Vem de gestações diferentes, é abençoado
Nove meses, nove dias, nove horas
Nove minutos ou segundos
Uma vida é gestada, um poema é cultivado
Plantado no coração de um poeta
Nos corações daqueles que amam
Alimentado pela lua, pela água, pelo ar ou pelo mar
Pela paixão, saudade ou desejo de amar
Por tudo que há de beleza, de grandeza
Nessa nossa tão terna natureza…
O poeta tão sensível o faz nascer
Uns vêm à luz mais facilmente
Outros são tirados à força, com raízes, dolorosamente
E nascem, desabrocham, crescem, intenso viver
Para fazer sorrir ou chorar o mundo
Para colorir o mundo de alguém…
Alda M S Santos
COMO FAZER AMOR
Fazer um poema é como fazer amor
É preciso interesse, desejo
Um olhar terno, talvez um pouco de pudor
Uma lenta aproximação, um beijo
E, no tempo de cada um, nasce o poema
Faz-se o amor…
Fazer um poema é como fazer amor
Não dá para ser de qualquer jeito
É preciso encanto, admiração
Captar a magia, a poesia, o pulsar do coração
E, com total entrega e paixão
Nasce um poema
Faz-se o amor…
Fazer um poema é como fazer amor…
Alda M S Santos
QUE VOCÊ VÊ?
Dá para ver tanta coisa aí
Que você vê?
Pássaros a plainar, peixes a nadar
Pessoas a mergulhar, se aventurar?
Que você vê?
Uma praia deserta, uma alma aberta
A pessoa certa, uma mulher desperta?
Que você vê?
Crianças a brincar, o sol a esquentar
Um casal a se olhar, se beijar, se apaixonar?
Que você vê?
Um horizonte, um entardecer
Uma briga, um romance, um momento de prazer
Ou a solidão de um ser?
Que você vê?
Dá para ver tanta coisa aí
Tanta cor, tanta luz, brilho, tanta escuridão e magia
Muita arte, beleza, imaginação, fotografia
Tudo irá depender do seu olhar
Da intensidade da sua poesia…
Que você vê?
Alda M S Santos
SÓ A POESIA
Só a poesia nos permite ter um olhar especial
Para aquilo que todos veem como trivial
Só a poesia nos faz sentir algo, ser mensageiro
Daquilo que todos têm como corriqueiro
Só a poesia nos habilita a tocar fundo no sentimento
De perto, de longe, no pensamento
Só a poesia nos deixa a flutuar, a divagar
Mesmo quando a tendência é parar, estacionar
Só a poesia nos permite manter a sanidade
Em meio às nossas loucuras diárias
Só a poesia é capaz de enxergar o sorriso
Aquele que está atrás das lágrimas
E as lágrimas atrás de cada “tudo bem”
Só a poesia nos permite ainda amar
Mesmo que tudo aponte para a indiferença, para o odiar
Só a poesia nos capacita
A mirar o futuro com esperança
A atravessar o passado sem desconfiança
Sem perder o foco do presente
Sendo a interação, a boa energia
Poesia é a alma que se vê
Poesia é pura magia…
Alda M S Santos
QUANDO SOU PRIMAVERA
Quando sou primavera
Sou flor, cheiro, cor
Beleza, harmonia
Atraio, encanto,
Perfumo e embelezo…
Porém, não sou primavera todo o tempo
Venho de invernos frios, longos e solitários
Quase destruída nos verões de muitos ventos e tempestades
Abandonada e recolhida em mim mesma nos outonos
Em que perdi boa parte de mim…
Reconstruí, floresci, renasci….
Enfim, primavera!
Trago comigo arraigados
Meus verões, outonos e invernos…
E com eles, quem me acompanhou
Com eles quero dividir
Minhas flores, minhas alegrias, meu perfume
Minhas cores, meu encanto!
E sigo devagar, sem pressa…
Nas chuvas e nas brisas vou florindo meu jardim
E me abasteço para o próximo outono
Ele sempre vem!
Alda M S Santos
Primavera: música e poesias no Abrigo Frei Otto #carinhologos
POETA
Poeta, aquilo que sai da sua cabeça
É algo que talvez nunca se esqueça
Aquilo que sai da sua cachola
E um pouco até extrapola
Vira versos, poemas, te ajuda a sair de sola
Poeta, aquilo que sai da sua alma
Que vem do coração até a palma da sua mão
Transborda sentimentos, escreve, extravasa
Vira versos, poemas, são levados pelo vento
Lavam a alma, atingem outro coração…
Poeta, o que passa por sua cabeça
Vira sonho, faz um atalho pelo coração
Deixa você mais leve, doce, sublime
Te lava por dentro, te redime
Isso se chama amor, revestido de inspiração
E te faz ser mais emoção…
Poeta, que se passa em seu coração?
Alda M S Santos
MUSA INSPIRADORA
A cada poema, uma musa
A cada verso, uma inspiração
Venha da natureza, da fé, da emoção
Da beleza ou grandeza do coração
“Eu sinto, só não sei escrever”- já ouvi dizer
Traduzir em palavras os sentimentos
Próprios ou dos outros não é coisa fácil de fazer
Exige muita sensibilidade e muito querer
De onde vem sua inspiração?
Todo poeta já ouviu essa questão
Cada qual com sua “musa” inspiradora
Nessa vida nada animadora
Quase sempre vem de algo ou alguém que viu
Viveu, sentiu, ouviu, observou, despertou os sentidos
Atiçou a emoção, acendeu a imaginação
E logo está pronto um poema
Carregado de vida, mente, paixão e alma em ebulição…
Qual sua “musa”da inspiração?
Alda M S Santos
POESIA
Poesia não é para entender, não é para explicar
Poesia é para sentir, para se fazer sentir
Poesia não é para racionalizar, equacionar
Poesia é para apreciar, emocionar
Pois é fruto das boas energias
Que transbordam de algo ou alguém
E viram versos, poemas
Poesia é para alguém faminto de magia, de encanto
Não são todos que sabem uma poesia apreciar
Poesia é para a alma de simplicidade alimentar
De emoções, de amor, de beleza e encanto
Poesia faz a vida fazer sentido
Sem precisar explicar!
Alda M S Santos
O TEMPO NÃO CONTA
Neles, os poetas, a brisa toca mais suavemente
As flores têm mais perfume, mais cor, mais espinhos
A chuva cai mais torrencial, assustadora
E o sol aquece mais rapidamente
Neles, os poetas, o abraço enlaça melhor
O olhar enxerga mais detalhes
Os beijos são pura emoção
E as conversas são longas e com melhor teor
Neles, os poetas, o amor se faz mais intenso, mais terno
O coração bate em uníssono, em harmonia
As ondas arrebentam suaves a seus pés
Numa explosão de pura alegria
Neles, os poetas, o tempo não se conta, se canta
O caminho se faz noutro ritmo, como um rio
O amor é a liga de tudo que há
E a vida sempre os encanta
Neles, os poetas, a vida é pura poesia
Nada há que não possa ser sentido
Eles são os escritores que fazem dela versos, poemas
E a abrem a todos por pura cortesia…
Alda M S Santos
CLICK: POETA DAS IMAGENS
Capta em qualquer canto
Um encanto ou beleza qualquer
Terra, mar, rio, mata, gente
E surge um desejo premente
Eternizar aquele momento
Fazer de tudo para fixar na mente
Aquele segundo especial, envolvente
Mexe daqui, ajeita dali, senta, deita
Se encaixa num ângulo perfeito
Busca sua musa, a melhor luz, a mais aparente
Quer capturar a essência genuína daquele lugar
Click! Atua o poeta das imagens
E “escreve” ali sua poesia
Para sempre eternizada
Em sua objetiva, objetivamente
Em seus olhos, em sua mente
Numa alma que deseja viver da beleza
Que não se cansa de procurar, de gravar
Ainda que desajeitadamente
O que de mais intenso e belo ali encontrar…
Fotografia: a arte de fazer da imagem uma poesia…
Alda M S Santos
SOMOS TODOS POESIA
Em nosso caminhar do dia a dia
Tristes, felizes, falantes ou calados
Tranquilos, afoitos, solitários ou acompanhados
Somos todos poesia…
Carentes, completos, amantes ou amados
Profundos ou superficiais, intensos nessa louca travessia
Juntos, separados, magoados ou abandonados
Somos todos poesia…
Doentes, sadios, loucos ou apaixonados
Sentados no caminho, subindo numa árvore, seguindo ou parados
Lutando por uma fantasia ou sofrendo de paralisia
Somos todos poesia…
Poesia aberta a quem possa apreciá-la
Poesia que carece de alguém que a leia, que a sinta
E possa transformar nosso avesso em versos
Que organize nossa confusão em rimas
E que faça de nós um poema, sua maior obra-prima
Somos todos poesia…
Alda M S Santos
CENSURA POÉTICA
Nem tudo que se quer
Percebe, capta ou sente
Convém virar poema
Poderia ser mal interpretado
Traduzido do modo errado
Não condizente com o real
E tornar-se um grande mal
Censura poética…
Nem tudo que se quer
Percebe, capta ou sente
Seria recebido como poesia
Transmutada em palavras
Em versos, em rimas, em beleza, em magia
Censura poética…
Nem tudo que se quer
Percebe, capta ou sente
Pode ser gritado ou calado nos versos de um poema
O amor e a dor seriam confundidos
A alegria e tristeza mesclados
A esperança e a saudade exaltados
O erro ou o dolo perdoados
Censura poética…
Pura bobagem,
Não há censura que cale a voz da alma de um poeta
Não há censura que impeça a conexão com o leitor
Ou que tape seus ouvidos para o canto de um belo poema, faça-me o favor…
Censura poética? Que horror!
Alda M S Santos
LEIA-SE!
Hoje é o Dia Internacional do Livro
Leia, releia um livro, emocione-se
Tente, se nunca leu, pode se apaixonar
“Esqueça” um livro por aí,
Para que alguém o encontre
Presentei-se, faça-se bem, regue seu interior
Equilibre sua razão e emoção
Leia livros digitais, impressos, antigos ou novos
Alimente sua mente, sua alma
Viaje!
Encontre-se nos versos de um poema
Compreenda ali sua trajetória, ou parte dela
Ler um livro é o melhor modo de entender o mundo
É um jeito de aprender a ler o outro
A maneira mais eficaz de entender a si mesmo
Quem sabe um dia você escreva um livro, um verso
Sobre si, sobre o outro, sobre o mundo
Sobre essa grande interação que vivemos
Pois, fazer parte de uma história
Todos nós já fazemos
A mais linda história que alguém já escreveu
A história da nossa vida!
Leia-se!
Alda M S Santos
FOTÓGRAFOS
Há poetas das imagens, os fotógrafos
Eles andam por aí com seus lápis a mão
Ops! Com suas máquinas
E eternizam momentos em sua lente
Que ficariam apenas em sua mente
Se não fossem esses segundos capturados em sua objetiva
Instantes de poesia que perceberam no ar, num olhar
Leveza, alegria, dor, tristeza, esperança
Sensualidade, amor, prazer de viver, gratidão…
Uma história registrada numa imagem
Tão perfeita que quase se nota o frescor da brisa
O carinho no olhar, o medo nas expressões
O cansaço, o pedido de socorro, a paz
Há foto que grita, que toca fundo, que comunica
Como os poetas eles “escrevem” sua poesia
E cada leitor ou admirador a receberá de um modo
Fará sua interpretação desse flash natural
Capturado num momento carregado de emoções e sentimentos
Baseado no contexto, nos pré-requisitos que traz dentro de si
Imagem que fala ao seu observador/leitor
Que atinge sua mente, seu coração, sua alma
Há fotografias e poemas que mostram o lado de dentro
Fotografia é poesia instantânea
Compartilhada com quem ama poesia…
Alda M S Santos
QUAL SUA ARMA?
Todos temos armas. Todos!
E as usamos diariamente, conscientemente ou não
Algumas mais poderosas e certeiras que outras
Certamente com objetivos diferentes
Mas sempre visam atingir ou “matar“ algo ou alguém
Eu uso a poesia, as palavras
O sorriso, a literatura, os livros
Uso um abraço, um carinho, uma mão estendida, o amor
Quero matar a tristeza, a desilusão, a ignorância, o desamor
Em mim e nos outros…
Já tive arma de fogo apontada pra cabeça
Quase matou meu desejo de viver
Quase levou embora minha fé e confiança na humanidade
Quase…
Ainda me atormenta, mas não tem mais tanto poder sobre mim
Tenho muitos “livros” e amor na mente, na memória, na alma
E o que me faz seguir caminhando são eles
Minhas armas: amor e conhecimento
Um livro pode não salvar a minha vida
Mas pode ajudar a salvar uma humanidade inteira
Conhecimento e amor blindam o ser humano,
São impeditivos e incompatíveis com arma de fogo
Minha maior arma é a poesia
Uma poesia recheada de amor e fé
Eu a disparo todos os dias, todo o tempo
Espero atingir todos vocês!
Qual sua arma?
Alda M S Santos
DEIXE VIRAR POESIA
Aquilo que te leva ao êxtase
Que provoca risos sem fim
Deixe virar poesia
Aquilo que te machuca, corta
Que causa dores e cicatrizes
Deixe virar poesia
Aquilo que você agora desconhece
Que te magoa, enrijece
Deixe virar poesia
Aquilo que te sensibiliza, emociona
Que aperta o coração, e que você tanto ama
Deixe virar poesia
Aquilo que te amedronta, aterroriza
Causa pesadelos que nem a luz ameniza
Deixe virar poesia
Aquilo que é real, imaginário
Que é fugaz ou que virou saudade
Deixe virar poesia
Aquilo que é beleza, na simplicidade ou na sofisticação
Que traz sabor e aroma ao cotidiano
Deixe virar poesia
Tudo aquilo que é vida, que não se desperdiça ou economiza
Se eterniza
Deixe virar poesia…
Alda M S Santos
POESIA: ANALGÉSICO, ANESTÉSICO, ESTIMULANTE
Na dor, poesia é analgésico eficaz
Na saudade, poesia é anestésico poderoso e catártico
Na letargia, poesia é estimulante feroz
Na alegria, poesia é pura magia
Na descrença, poesia é a fé restaurada
Na vida poesia é a droga legalizada
No poeta, poesia, amor, fé e vida se fundem
Se confundem, se materializam, se transmutam
Em letras, versos, poemas, emoções…
Poesia é registro vivo, a prova irrefutável
Daquilo que ainda vive…
Alda M S Santos
DiRoma Parque- Caldas Novas
QUANDO NÃO ESTOU EM MIM
Um sonho realizado…
Vem aí meu primeiro e-book
Logo, logo…
A LUA MUDOU
A coluna dói mais quando a Lua muda de fase
Se o tempo esfria, aquela dor crônica nas articulações piora
Se o joelho incomoda já sabe que vem chuva
A Lua Cheia inspira os amantes
A maré baixa causa indisposição
A natureza dando sinais no corpo
Ou o corpo buscando justificativa para suas alegrias e mazelas?
Chuva, dias nublados, Sol, Lua, estrelas
Belezas, dores e amores inspiram poetas
Ou sua inspiração que faz com que vejam tudo isso
Onde ninguém mais vê?
Transformam em poemas o que veem lá fora
Ou o lá fora apenas ativa, atiça o que já têm cá dentro?
O joelho dói porque vai chover
Ou vai chover porque o joelho doeu?
Qual a mudança na Lua lá em cima
Que sensibiliza poetas cá embaixo?
Que marés são capazes de virar nossos ventos internos?
Ou será que a sensibilidade está bem mais perto daqui
E a Lua é apenas a Lua, o mar apenas o mar,
O amor apenas mais uma dor?…
A Lua mudou…
Alda M S Santos
ESCRITAS
Escrevo no papel, a lápis para não borrar
Quando não há certeza do que calar ou dizer
Se precisar apagar e reescrever…
Escrevo no papel, a tinta para não apagar
Quando é certo e definitivo o que se quer expressar
Na vã tentativa e desejo de eternizar o sentimento descrito em palavras
Escrevo nas páginas inúmeras da alma
Com lágrimas, sorrisos, gritos e silêncios
Uso vermelho sangue, amarelo vida, cinza luto, verde esperança
Páginas borradas, reescritas, infinitas, multicores
E percebo que o que foi escrito ali é o pote de ouro além do arco-íris
Não há modo de apagar, é sempre belo e desejado
São versos ternos, eternos, com ou sem rima…
Escrevo no coração daqueles que compreendem
A poesia traduzida em versos de carinho e amor
E a querem infinita e eterna em si
Escrevo nas páginas infinitas da minha alma
Uma história de amor pela vida
A poesia que busco eternizar em mim…
Alda M S Santos
ESTOU VIVA!
Estou no perfume doce e inebriante da flor
Também nos espinhos que a protegem e nos causam dor
Estou no calor escaldante do sol a brilhar
Também na chuva fria que cai fininha sem cessar
Estou na paz e inocência do sorriso infantil
Também na ternura do olhar de um idoso senil
Estou no beijo de um casal apaixonado
Também na saudade de um amor do passado
Estou na brisa suave que acalma, refresca, arrepia a pele e os cabelos balançam
Também nos ventos fortes dos vendavais que assustam e tudo bagunçam
Estou nos acordes suaves da empolgante canção
Também nos corpos grudados que dançam sensuais pelo salão
Estou na claridade da lua cheia ao anoitecer
Também na nebulosidade de um dia em que o sol esqueceu de nascer
Estou na finalização que nos traz todo entardecer
Também na esperança que renasce verdejante em cada alvorecer
Estou no amor vivido, na dor cortante, frustrante
E na vida que se renova no silêncio de paz dos amantes
Estou viva, sou a poesia
E, vez ou outra, me transmuto em versos, em poemas, em magia…
Alda M S Santos