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Minhas pedras

MINHAS PEDRAS

Há coisas que devemos por bem compartilhar

Alegrias, amor, sorrisos, carinho

Coisas que fazem bem trocar

Também é bom, até necessário, falar, conversar

Desabafar, dividir com alguém as pedras do caminhar

Mas é importante também saber a hora de calar

Há pedras que podemos com o outro revezar

Outras são só nossas, não dá para repassar

Sob pena de o peso ser grande demais

Para que qualquer um possa carregar

Melhor deixar apenas as flores perfumar

As minhas, as suas, as nossas pedras

Um dia serão um belo calçamento

Onde desfilarão somente bons sentimentos

Alda M S Santos

Seria possível?

SERIA POSSÍVEL?

Só por um dia eu gostaria de poder ser certeira no agir
Não ter qualquer dúvida, medo ou impedimento
Ser a mão que leva um toque de amor por onde for
Ter a palavra certa para acender uma alma apagada
Ser o abraço acochado para aquecer um corpo cansado
Seria possível?
Só por um dia curar dor com um beijo
Desânimo e sofrimento com um sorriso
Depressão com a empatia de um coração
Ser as asas de quem não pode voar
O sonho de quem não pode mais sonhar
A realidade boa de quem vive na desilusão
Sem amargura, sem decepção ou ilusão
Ser amor, paz, esperança, emoção…
Seria possível?
E nessa cura que de mim sai
Que para mim também retorne
Em forma de luz, de energia, magia
Amor de Deus…
Só por um dia, todos os dias…
Seria possível?

Alda M S Santos

A céu aberto

A CÉU ABERTO

A vida segue, sigo eu atrás
Não sei se quero correr
Mas não quero ficar para trás
Bem ou mal, vou pareando o viver

Não sei se falo, não sei se calo
Tampouco se adormeço, às vezes, desfaleço
Fujo de briga, abomino intriga
Por vezes prefiro empurrar com a barriga

O mar parece infinito, pura imensidão
O olhar vagueia ao longe, solidão
Que almeja encontrar esse doce coração?

Estará lá longe, ou bem aqui perto
O caminho desse viver, o mais certo
Dentro de mim, ou bem a céu aberto?

Alda M S Santos

Dissabor

DISSABOR

Um machucado, uma fratura, uma ferida que arde, sangra, queima

Fase aguda do mal, só analgésico forte para aliviar, é normal

Um aperto no coração, tristeza, mágoa, decepção

Fase aguda da dor, que fazer para sanar desilusão?

Machucado melhora com antisséptico, anti-inflamatório e antibióticos

Um curativo, uma tala, que por um tempo isola do meio externo aquilo que está em recuperação

E quando a dor está no coração, que fazer então?

Qual o remédio, dá pra isolar do mundo externo a emoção?

Não sei, mas é bom retirar-se do meio, afastar da multidão

Buscar o interior, sanar a dor, retirar da alma a cicatrização

Ferida é sempre ferida, dor é sempre dor

Seja física, mental, emocional é sempre um mal

Passamos primeiro pelo vendaval

Em seguida vem a calmaria, levantamento de perdas, bom sinal

E, lentamente, a cura, a reconstrução

Mas todo cuidado é pouco com o remédio que se usa

Tanto para o mal físico ou emocional

Não dá para criar vícios e dependências, seria fatal

Ou cria-se raiz para novo mal, com nova aparência

Mas tudo tem seu tempo…

Logo o que era ferida é descoberta para o mundo exterior

Fica a cicatriz, o aprendizado

O coração aprende a lidar com qualquer dissabor

É a cura… e a vida segue, de preferência, sem rancor…

Alda M S Santos

Quem não tem?

QUEM NÃO TEM?

Quem não tem?
Um erro que quer esquecer
Com o vento desaparecer
Deixar no tempo se desfazer?
Quem não tem?
Um amor marcante para celebrar, a alma enobrecer
Nos momentos de tristeza o coração aquecer?
Quem não tem?
Uma cicatriz que vira e mexe faz doer
Que sangra, machuca, faz sofrer?
Quem não tem?
Algo do qual muito arrepender
Que machucou, envergonhou, mas fez crescer?
Quem não tem?
Uma ação que deixou orgulho e alegria
Por ter levado a paz, a magia e a harmonia?
Quem não tem?
Uma história boa para sonhar, reviver
Em boas lembranças se entregar, amolecer?
Quem não tem?
Um sonho, um desejo de entontecer
Que faz a vida cada minuto valer?
Quem não tem?
Um segredo lá no fundo bem guardado
Que o torna único, especial, bem-amado?
Quem não tem?
Esperança de algo de bom fazer
Deixar por aqui marcas de amor, de intenso viver?
Quem não tem?

Alda M S Santos

Surra de viver

SURRA DE VIVER

Precisamos levar uma surra da vida
Não para ferir ou machucar
Mas para (re)ativar o que estiver adormecido
Daquelas que levem à reflexão
Que mostrem os caminhos sem saída
Que apontem a trilha certa, nada de contramão
Precisamos levar uma surra da vida
Daquelas que acendam holofote à frente
E que nos afastem dos becos escuros
Que não nos deixe ficar dementes
Precisamos levar uma surra da vida
Não desanimar, não ficar descrentes
Mas que seja uma surra de amor
Pois só ele ensina de verdade
Só ele cura o mal em qualquer idade
Só o amor é capaz de trazer felicidade
O amor é a esperança numa vida de mais bondade
Precisamos levar uma surra da vida
Precisamos levar uma surra de amor

Alda M S Santos

Que ela seja assim

QUE ELA SEJA ASSIM

Que ela seja assim
Bela e triste como névoa na praia ao amanhecer
Animada como dia de sol no parque ao entardecer
Pacífica como céu estrelado no anoitecer

Que ela seja assim
Romântica feito banho de chuva com alguém especial
Divertida e quente como dançar num luau
Saborosa e madura como fruta colhida no quintal

Que ela seja assim
Refrescante como mergulho na cachoeira ao luar
Intensa e mágica como o amor nas areias do mar
Aconchegante como abraço para o cansaço aliviar

Que a vida seja assim
Nem sempre do jeito que nossa mente deseja
Mas na medida certa do que nossa alma almeja

Alda M S Santos

Oferendas

OFERENDAS
Quero lançar ao mar tudo o que de negativo vivi
Não que eu entenda suas águas como depósito de lixo
Mas poderosas para dissolver lágrimas e amenizar dores e decepções
Levá-las para longe e trazer de volta apenas esperança e força
Quero lançar ao mar tudo que de bom eu vivi
Não é que eu seja mal agradecida ou queira me desfazer das bênçãos recebidas
Oferto com um forte desejo de partilhar com os outros o que recebi, conquistei
Amor, compaixão, carinho, perdão e amizade
Nesse vai e vem das ondas do mar
Cada um de nós deseja apenas um certo equilíbrio
Uma alma em paz para nós e para os outros
Que em cada pé que suas águas salgadas tocarem
Haja mais esperança, fé, respeito
Mais igualdade, menos preconceito, mais amor
E que um sorriso iluminado de paz possa reinar
Essas são minhas oferendas ao mar, à vida
Oferendas que vão e voltam
Com as ondas do mar…
Alda M S Santos

Energia vital

ENERGIA VITAL

Tudo parece meio nebuloso
O caminho à frente apresenta bifurcações
Caminhos conhecidos,  floridos
Ou nem tanto assim, seco e cheio de depressões
Para um lado, o que parece certo
Para o outro, é desconhecido, incerto
Momento de parar e refletir antes de prosseguir
Saber bem o que vale a pena por aqui
Certezas e incertezas, real e irreal
O que é sonho,  fantasioso
Mesmo que pareça prazeroso
O olhar passeia lá atrás, tanto já vivido
O olhar dá um pulo no futuro, será sofrido?
O olhar tenta se fixar no presente
Fazendo o aqui e agora mais sorridente
Acreditando que a vida acontece
Para quem enfrenta as dúvidas, não amolece
E ainda que tudo pareça meio irreal
Sonhar é bom, acalma o vendaval
Fortalece e abastece nossa energia vital
Em frente!

Alda M S Santos

Arte de viver

ARTE DE VIVER
A arte de bem viver consiste
Em estar preparado
Para perder tudo o que se tem
Mas acreditar que isso não irá acontecer
Estar preparado para viver sem o que se tem
Sem deixar de ser o que se é!
Equilíbrio entre o temido e o improvável,
Entre o desejado e o possível…
Alda M S Santos

Nosso lugar é aqui

NOSSO LUGAR É AQUI!
Mesmo que seja entre nuvens
Com garoa ou tempestade
Ou que o sol apareça preguiçoso
Que as gaivotas se recusem a voar
Os mergulhões não queiram pescar
E os quero-queros não brinquem no mar.
Que o caminho seja duro, firme e seco
Ou arenoso, macio e quente.
Que estejamos em boa companhia
Sozinhos ou cercados de gente vazia.
Que a vista ao longe seja esplendorosa
Ou que nossos olhos sejam incapazes de enxergar
Que nossa cadeira esteja reservada
Ou que tenhamos que conquistá-la.
Independente da situação,
Aqui é onde o espetáculo da vida acontece.
Nosso lugar é aqui!
E não podemos dele abrir mão!
Alda M S Santos

Por onde eu for

POR ONDE EU FOR

Sigo por aí parecendo muito certa de meus caminhos
Dos entroncamentos, das vias esburacadas
Dando de cara com gente má e bons anjinhos
Nas ruas sem saída e grandes encruzilhadas

Não consigo fugir de mim, deixar nada para trás
Por onde eu for, nas costas e na alma, levo bagagem
No coração quem me amou, quem amei
Nessa vida especial, minha grande viagem

Vão comigo as lembranças das lágrimas derramadas
Toda a tristeza e dores já acalmadas
O aprendizado que trouxe de toda vida aproveitada

Mas por onde eu for, certa do caminho ou não
Levo comigo tudo que sou, toda emoção
Disso nunca conseguirei abrir mão

Alda M S Santos

Onde você queria estar?

ONDE VOCÊ QUERIA ESTAR?

Feche os olhos do corpo vagarosamente
Abra os olhos da alma suavemente
Inspire fundo, traga algo de bom para a mente
Expire e deixe sair o cansaço lentamente

Sinta a brisa na pele a arrepiar
O coração batendo no ritmo de amar
Onde você gostaria de estar?
Seria capaz de pra lá se transportar?

Inspire novamente, sinta o amor de dentro fluir
Pense em alguém que desejaria que pra lá pudesse ir
Num pensamento pacífico sinta-se para lá partir

Chegando lá tudo é encanto, delicadeza
Reinam a paz, a magia da criação, muita beleza
É o encontro de almas, do amor junto à natureza

Alda M S Santos

De nada vale

DE NADA VALE

De nada vale estar cercado de água
Se ela for de oceano, não der para beber
Não dá para afogar as mágoas
Se desistir de se fazer entender

De nada vale saber nadar
Se não quiser aprofundar
Ter medo de fundo mergulhar
Num rio raso que pode seu coração fraturar

De nada vale se estender ao sol ou ao luar
Se não souber essa magia aproveitar
Sair na chuva sem querer se molhar
Ou ir para o parquinho sem saber brincar

De nada vale todo esse nosso viver
Se por aqui não fizermos acontecer
Aquilo que nos faz amar, encantar e crescer
Ajudando a tantos jardins enfeitar e florescer

Alda M S Santos

REINANDO

REINANDO

O rei acorda bem cedinho
Sem cerimônia, invade todos os espaços
Aproveita qualquer fresta, ilumina
Sabe que é necessário, esquenta
A vida que carrega consigo é soberana
A fotossíntese possibilita, alimenta
Sempre a nos dizer que o amanhecer é seu
Aconteça o que acontecer estará ali
Aquecendo nosso corpo, nossa pele
Ativando nossas emoções mais internas
Despertando sonhos, desejos, sensações
Por mais escura e fria que tenha sido a noite
Ainda que os pesadelos tenham atormentado
Ele traz a certeza da realidade, é abençoado
Essa circularidade natural gera segurança
Desejos de prosseguir em nossas andanças
Independente da nossa disposição ou humor
É inegável seu calor, seu esplendor
Nada é tão certo quanto o sol amanhecer
No mar, na serra, na mata, dentro do ser
Que se impõe após cada anoitecer
Assim, a vida segue, se faz acontecer
Vamos?

Alda M S Santos

Superpoder

SUPERPODER

Se pudesse adquirir um superpoder
Qual deles você gostaria de ter
Ver o futuro, mudar o passado, viajar no tempo
Mudar no outro um sentimento?

Uma superforça física, exímia visão
Supervelocidade ou tirar a dor com a mão?

Debaixo d’água respirar, no céu azul poder voar
Ou com quem morreu poder se comunicar?

Ser capaz de voltar à vida, todo sonho realizar
Poder todo o mal apagar
Ou a vida de alguém poder restaurar?

Para bem viver nem é preciso superpoder
Basta a gente ter um coração a bater
E alguém que saiba nosso amor receber

Alda M S Santos

Não precisa

NÃO PRECISA

Não precisa estar sempre a sorrir
Basta saber suportar quando a lágrima surgir
Não precisa ser sempre energia e disposição
Basta esperar de volta a animação
Não precisa ser belo como capa de revista
Basta que seja amor e em mim invista
Não precisa me dar a vida, o mundo
Basta que eu seja parte essencial no seu mundo
Não precisa uma fé que remova montanhas
Basta que remova a desesperança das entranhas
Não precisa haver sempre intenso desejo ou paixão
Mas um amor que perdure além de qualquer emoção
Não precisa que os caminhos sejam sempre floridos
Mas que haja companhia nos vales descoloridos
Não importa se haverá desertos a trilhar
Mas que o oásis seja o bastante para refrigerar
Não precisa que a vida seja fácil por aqui
Mas que tenha momentos que valham a pena seguir

Alda M S Santos

Não gosto

NÃO GOSTO
Não gosto de saber
Dessa vida tão passageira
Não gosto de não saber
Das necessidades não atendidas
Não gosto de querer
Impossibilidades
Não gosto de não querer aquilo que me cabe
Não gosto de me envolver naquilo que não tem sentido
Não gosto de estar à parte do que tem verdadeira importância!
Não gosto da ausência de respostas
Não gosto de parecer mal agradecida
Não gosto de não gostar
Tento muito gostar
Mesmo do que não mereça meu gosto, meu gozo, meu prazer…
Gostando ou não gostando,
Vou seguindo meu caminho
Fazendo meu viver
Enquanto não perecer.
Alda M S Santos

Alma cigana

ALMA CIGANA

Uma alma cigana intensamente sensível
Viajante, livre, terna, meio imprevisível
Que dança, que canta, que o corpo balança
Atravessa o mundo buscando a contradança
Alma cigana que gosta de natureza
Se esbalda em intensa beleza
Vê o amor como único caminho da felicidade
Por ele se entrega, se mostra, é a pura verdade
Numa vida de sonhos, de realidade
De alegria, de força, de coragem
Fazendo por aqui uma vida de intensidade

Alda M S Santos

É preciso

É PRECISO

Não dá para engolir ou segurar
Aquilo que fica preso no peito
Que parece que vai entalar ou machucar
Se não fizer algo a respeito

Sentimento foi feito para se expressar
Não importa se é bonito ou feio
Se está preso pode uma hora estourar
Não vale a pena por nele um freio

Se for tristeza deixe a lágrima lavar
Se for desarmonia deixe o diálogo acertar
Se for decepção ache espaço para o perdão
Se for solidão busque outro coração

Se for alegria deixe o sorriso iluminar
Se for amor, deixe ocupar seu lugar
Se for esperança deixe a alguém contagiar
É preciso, de todo modo, a alma extravasar

Alda M S Santos

Não sei

NÃO SEI

Não sei em qual parte do caminho eu estou
Sei que o que vivi já é bem mais do que restou
Quantativa ou qualitativamente
Não dá para saber acertadamente

Sei que por muito já passei, alegrias vivenciei
Trouxe vidas ao mundo, trabalhei, magoei, amei
Já ganhei, perdi, tive momento frustrante
Já fui amada, necessária, importante

Não sei se cumpri o script a mim designado
Se fiz ao menos boa parte do combinado
Ou se ficarei devendo algo para momento mais afortunado

Uma coisa afirmo com toda certeza, eu me entreguei
Sou humana, errei, acertei, desanimei, continuei
Mas em tudo dedicação e amor coloquei, nisso não falhei

Alda M S Santos

Poção mágica

POÇÃO MÁGICA

Preciso reaprender uma nova poção

Uma que seja mágica e que anime o coração
Que possa fazer para todos sem distinção
Que traga carinho e alegria de montão
Numa só colherada afaste a decepção

Preciso fazer uma nova poção

Num leve sopro leve para longe a solidão
Numa cachoeira forte restaure boa emoção
Uma gota apenas renove a fé na humanidade
Uma só pitada afaste a agonia e a ansiedade

Quero fazer uma nova poção

Uma poção para despertar sorrisos distantes
Para restaurar amor e amizades fragilizados
Um pó na ventania que torne a todos abençoados

Quero fazer uma nova poção

Se essa poção me for permitido fazer
Nunca mais hei de esquecer
Vou multiplicar e a todos oferecer

Alda M S Santos

Fragilidade

FRAGILIDADE

Dias que qualquer coisa te faz rir ou chorar
Emoções à flor da pele, sensibilidade total
Não importa se é algo bom que acontece
Ou a decepção que te enfraquece, já é normal
Acaba em lágrimas, como rio, desaguando
Não entende bem o porquê
Ou se entende não quer fazer fuzuê
A vida sacode, joga para baixo e para cima
Para ver se você se convence que essa é sua sina
Não adianta esconder, fugir, desaparecer
Sempre haverá algo para te fazer muito sorrir
Ou para te fazer chorar, sofrer
Ora querer seguir, ora desistir
Mas, como sempre, a vida segue suas trilhas
Será que faltam ainda muitas milhas?
Tem horas que gostaria de saber
Só para ver se valeria a pena esse viver

Alda M S Santos

Entre rosas e espinhos

DUETO POÉTICO

ANGOLA & BRASIL

ENTRE ROSA E ESPINHOS

Quem ama rosas, quem ama jardins
Sabe que entre tantas cores, perfume e suavidade
Há espinhos que fazem parte, são afins
Como a vida com seu pacote de maldade e bondade (AMSS)

Rosa encarcerada nos espinhos
que se vergam nos seus contornos
vive caçando orifício para sair
almeja turistas lá fora atrair (MK)

Não pode dizer que ama a rosa se não aceita seus espinhos
Não pode dizer que ama a vida e só aceita seus carinhos
Na rosa espinhos machucam, afastam invasores, são proteção
Na vida os espinhos servem de aprendizado, são lição para evolução(AMSS)

Espinhos seduzem raios ardentes do sol
para a rosa da vida murchar
a água nasce para a rosa regar
sorvando suas gotas sempre vai se erguer(MK)

A rosa é encanto, fala de amor, de atração
O jardim é seu espaço, mas pode estar em cada coração
Na vida é presente, é beleza, com espinhos ou não
É ofertada a quem se tem amor, admiração e devoção (AMSS)

Rosa inserida nos espinhos
enfrenta raios ardentes
com gotas refrigerantes
não enterra sua fé
de algum dia se solevar (MK)

Amizade pode ferir, amor pode machucar
A vida é mesmo assim, tudo vem para nos ensinar
Se se aprende com beijinhos, também se aprende com espinhos
Tudo vale por aqui, nessa vida de (des)caminhos (AMSS)

Rosa que inocente é
é esmagada por espinhos
lírio que se abre como
boca que aufere um beijo
suga tanto e tanto fumo
não negreja o seu queijo
é rosa que sufoca espinhos
e está perto da mercê (MK)

Alda Maria Silva Santos
Moisés Kudimuena

A cura

A CURA

Qual a cura para um mundo de amargura
Para humanos tão sem ternura
Que pouco fazem por evolução
E não temem a própria extinção?

Qual a cura para um mundo tão sem compaixão
Egoísta, que vive na alienação
Quer tudo, é imediatista, destrói o futuro
E já não sabe mais como ser puro?

Qual a cura para você, para nós
Há como desatar tantos nós
Refazer os laços, oferecer mais abraços?

Já foi apontada a cura para tanto desengano
Houve um Alguém que disse, um Senhor
Que a cura para qualquer mal é o amor…

Alda M S Santos

Aprendendo a viver

APRENDENDO A VIVER

Na na vida há muitas coisas dolorosas
Aprender a lidar com angústia, medo frustração 
Pode levar tempo, apertar o coração
Mas sempre nos ensina algo, até mesmo a decepção
Pode ser um sonho que não se realiza
A fé que vez ou outra não avaliza
A saúde que, às vezes, fragiliza
Pode ser um amor que está longe
Uma amizade que nem sempre corresponde
Um alguém que não nos entende
Nós mesmos que nem sempre nos entendemos
Nos recolhemos, agimos mal ou nada fazemos
Mas doloroso mesmo é não conseguir dizer
Aquilo que machuca ou faz doer
Somos seres sociais, necessitamos comunicação
Um abraço, um carinho, apreciação
Mas nem sempre isso está disponível por aí
Bom mesmo é encontrar em nós mesmos a aprovação
Ativar a fé, o autoconhecimento, a boa ação
Ir atrás da natureza, lavar a alma, ativar o coração

Alda M S Santos

Onde foi parar?

ONDE FOI PARAR?

Onde foi parar a alegria de brincar na chuva
De correr na enxurrada, dispensar guarda-chuvas?

Onde foram parar as brincadeiras na rua
Aquelas com os amigos coloridos sob a Lua?

Onde foram parar os bate-papos na calçada à noitinha
Os abraços e amassos no alpendre da madrinha?

Onde foi parar a expectativa por uma carta
A dor de barriga por um amor que não se farta?

Onde foram parar os sonhos, os contos de fadas
A esperança no futuro, vidas mais amadas?

Onde foi parar a animação num banho de rio
De tanque, de mangueira por horas a fio?

Onde foi parar a alegria na simplicidade
Quando passamos a querer mais e mais numa insanidade?

Quando foi que passamos a enxergar só a maldade
E com isso encontramos só infelicidade?

Quando?

Alda M S Santos

Rascunhos

RASCUNHOS

Somos meros rascunhos a viver
Uma página rabiscada, por escrever
Um verso torto, inacabado
Um sonho bom a ser realizado

Estamos sendo aqui rascunhados
Compondo uns poemas rimados
Em busca de uma prosa, um dueto
Ou de um amor versado em soneto

A composição será ainda mais bela
Quando passada a limpo, nova tela
O amor pintado com toda tinta da aquarela

Somos a folha, o verso, a trova, a poesia
O tinteiro, a pena, a tinta, a doce magia
Nossa história: realidade vivida ou boa fantasia?

Alda M S Santos

Perspectiva

PERSPECTIVA

Ver o lado bom é questão de escolha
Pode ser aprendido, um treino, uma opção
Admirar a sombra das árvores os frutos, a floração
Ao invés da sujeira que as folhas causam no chão
A maravilha que a chuva traz à vida que irriga, hidrata
Ao invés dos dias cinzentos e molhados, desconforto que maltrata
O Sol que aquece, colore, ilumina, instiga
Ao invés do calor excessivo que castiga
A dificuldade de uma trilha cansativa
Dá lugar à beleza do entorno que cativa
Optar pelo banho na água cristalina, forte e bela da cachoeira
Ao invés de reclamar do tempo, da canseira
Podemos até mergulhar em nossos próprios desertos
Mas ali ir em busca de um oásis, um refrigério
O melhor quase sempre está bem perto
É só uma questão de perspectiva
De uma alma que se pretende seguir evolutiva

Alda M S Santos

De gota em gota

DE GOTA EM GOTA
De gota em gota ela cai lá fora
A terra sedenta a recebe de boca aberta
Suavemente é engolida, absorvida por sementes e mudas
Os brotos crescem a olhos vistos
A piscina já não se importa
Ali, desnecessária, “completa”
Está cheia, transborda, não tem carências …
O que é excesso para uns
Quase sempre é falta para outros
De gota em gota se mata uma sede
Mas uma tempestade também pode matar…
De gota em gota a chuvinha cai lá fora
Alimenta sonhos, desejos e esperanças
De gota em gota…
Alda M S Santos

Coexistência

COEXISTÊNCIA
Vida e morte, morte e vida
No mesmo espaço, no mesmo cacho
Coexistência…
Fases de um viver, circularidade do existir
Por que tanta resistência em aceitar um partir?
Doloroso, fere fundo
A saudade que fica é paradoxal
Alimenta a ausência, machuca
Mas da vida é prova cabal
Quero a vida que há mesmo na morte
Aquela que nos deixa mais forte
E confiantes num poder maior
Num porvir que justifique esse existir
Saudade…
De tudo que partiu
De tudo que morreu em mim
Para mim
Saudade…
Um dia nos encontraremos
Em qualquer lugar, noutro plano
E, enfim, entenderemos…
Alda M S Santos

Aldá-cia

ALDÁ-CIA

É preciso um pouco de audácia para viver
Aldá-cia para enfrentar os medos,
Aldá-cia para nadar contra a corrente
Aldá-cia para seguir em frente

Aldá-cia nos faz acreditar no caminhar
Ter ânimo para o novo explorar
Não desistir quando a fragilidade surgir
Saber que na vida é preciso seguir

Aldá-cia é em nós a dose de ousadia
Que sonha o que se quer, fantasia
E conquista o desejado, alegria

Aldá-cia leva-nos a um novo patamar
De esperança e luz em qualquer lugar
Crendo sempre que há um Deus a nos amparar

Alda M S Santos

É a vida

É A VIDA

Tá no ar, na brisa a suavizar
No coração que ora bate forte
Ou que tantas vezes parece parar
Querendo encontrar seu norte

Tá na flor, no perfume, no beija-flor
Na suavidade, na delicadeza, na cor
No sol que ilumina, que traz calor
No céu de Lua e estrelas, em todo esplendor

Tá no abraço, no beijo, no olhar
Na ânsia de ser feliz, de amar
No desejo de ser luz, ajudar

Tá dentro de nós, é inspiração
É luminosidade em toda escuridão
É a vida nos acolhendo em toda dimensão

Alda M S Santos

Quero (re)escrever

QUERO (RE)ESCREVER

Quero fazer uso de um lápis mágico
Escrever, reescrever, desenhar, ilustrar
Uma vida cheia de sonhos para realizar
A cada traço do meu lápis mágico
Tornar o mundo mais belo e encantado
Nessa dimensão maluca poder girar, parar, descansar
Quando escrever amizade, poder unir amigos de qualquer idade
Se escrever cachoeira, logo estar banhando, sem bobeira
Se desenhar um jardim, sentir você perto de mim
Ao traçar uma rosa, nos envolvermos numa longa prosa
Ah, e se escrever amor, em qualquer cor
Que possamos ser doçura, intensidade, calor
Sem medos, sem culpas, sem pudor
Um lápis mágico que possa desenhar sem parar
E se errar, que possa redesenhar, sem magoar
Quero com meu lápis mágico traçar um destino
Navegar nele com alegria, mesmo em desatino
Não perder o norte, ser forte, suporte
Até reescrever o momento derradeiro da morte
Sabedora de que fui e fiz o que era preciso nesse plano
Voltar sem arrependimentos para casa…

Alda M S Santos
Tarde de poesias- Meu lápis mágico

Um anjo

UM ANJO
Ele me disse num sonho que seria o último dia
Quis saber último dia para quê
Não me disse, apenas reafirmou
Hoje é o último dia…
Intrigada, logo pensei: ou o mundo terá fim
Ou meu mundo irá se acabar
Que poderei fazer para melhor aproveitar
Para desse mundo louco e lindo me despedir
Quanto mais pensava, mais coisas desejava
Ficar agarradinha na família, entre os meus
Dar um passeio com amigos e amigas
Dirigir por aí, sem rumo, vento no rosto
Embrenhar numa mata com uma linda cachoeira e não voltar
Navegar em alto-mar até sumir de vista
Realizar aquele sonho louco que tanto quis
Infringir alguma lei, quebrar barreiras
Dizer os “te amo” que foram poupados por medo
Ficar entre as rosas perfumadas do jardim
Sorrir mais vezes, brincar mais, chorar menos
Num cantinho só meu, me despedir de mim…
Eram tantas coisas a fazer
Tanto que havia ainda por viver
Quando assustei o dia já chegava ao fim
E agora? Que irá acontecer?
O dia se foi, a noite veio, novo dia chegou …
E eu sempre pensando que aquele poderia ser o último
Fui aproveitando melhor o que de bom eu tinha
Lindo e amigo anjo que veio me avisar
Que a vida pode num sopro se acabar…

Alda M S Santos

Para onde irão?

PARA ONDE IRÃO ?
Roupas e calçados doados para caridade
Livros lidos e relidos, que estante ocuparão?
Aquelas fotos e CDs antigos, verdadeira raridade
Objetos de apego, perfume especial, animais de estimação
Para onde irão?
Crônicas e textos escritos, poemas e versos
Cartas e cartões, carinhos contidos, afeições declaradas
É a vida em seus direitos e avessos, versos e reversos
Rosas plantadas, flores regadas, ervas arrancadas
Para onde irão?
Versos de amor gravados na alma em doces melodias
Sorrisos e abraços que aqueceram e iluminaram nossos dias
Qualquer tentativa de lidar com a ausência, com a saudade, pura perda de tempo, embromação
Bom mesmo é ficar mesmo depois de ir embora, permanecer pra sempre gerando emoção…
Todo o resto não importa para onde irá, especulação
Se o que importa de verdade estiver tatuado no coração…
Alda M S Santos

Querer, poder, dever

QUERER, PODER, DEVER

Posso querer tanta coisa nessa vida
Não quer dizer que tudo me convém
Que posso tudo aquilo que quero
Mas sei que deveria querer o que posso
Seria mais fácil o viver, menos emocionante talvez
Ou menos produtivo e rico
Mas certamente menos doloroso
Mais feliz? Não dá para afirmar.
O querer é o estímulo primeiro
O poder é a limitação da sociedade
O dever é a consciência gerada, prioridade
Qual será nossa maior verdade?
Entre o querer, o poder e o dever vamos vivendo
Em cada situação evoluindo, aprendendo
Equilibrando nossa balança emocional
Evitando ser levado por qualquer vendaval
Deixando apenas nos refrescar nas águas desse canal
Em suma, o que fica em cada um de nós
É o que sobra ao desfazer tantos nós
Querer, poder e dever
E assim vai seguindo o viver…

Alda M S Santos

Encantação

ENCANTAÇÃO

Um pássaro que canta para atrair a namorada
Isso é encanto na bela e convidativa alvorada
O rio que corre sempre rumo ao mar, sem parar
É encanto e nos faz querer nos banhar
O sol que sempre nasce e a todos aquece
Isso é encanto que diariamente nos fortalece
As estrelas que salpicam a escuridão do céu
São encanto, todos desempenhando seu papel
A chuva, a fauna, a flora em todas as estações
Isso é encanto que enfeitiça nossos corações
Um casal apaixonado sob o luar abraçado
Isso é encanto de um viver enamorado
Viver nesse mundo já mágico, encantação
No bom e no mau caminhar para a evolução
Sempre, no bem e no mal, ser gratidão
Pois em tudo há dedo do amor
Há essência e energia amorosa da Criação
Isso tudo é encantação!

Alda M S Santos

Porque escolhi viver

PORQUE ESCOLHI VIVER
Porque escolhi viver nem sempre serei sorrisos.
Viver implica aceitar um pacote de possibilidades.
Tantas vezes é meter a cara onde parecia arriscado.
É pegar o ônibus em movimento.
Acordar cedo, dormir tarde, nem dormir…
É enfrentar humores oscilantes, humanos vacilantes.
É chorar de dor de dente, de dor de amor, sofrer pela dor do outro.
É dormir orando de preocupação ou agradecimento.
É ter dias nublados e outros ensolarados.
É encharcar-se até a alma nas tempestades próprias.
Poderia ter escolhido me recolher, não me envolver, não participar.
Sentar na janela e só observar a paisagem…
Mas eu escolhi viver.
Por isso, sou assim
Multifacetada…
Ora lágrimas, ora sorrisos…
Ora prazer, ora saudade…
Nem sempre sorrisos
Mas quando eles existem…
Sua luz é capaz de gerar brilho por dias…
Porque escolhi viver…
Alda M S Santos

Fecho os olhos

FECHO OS OLHOS
Fecho os olhos quando não quero ver algo
Fecho os olhos quando quero me isolar do exterior
Fecho os olhos quando quero ver melhor
Fecho os olhos quando quero me conectar com meu interior
Fecho os olhos quando não quero ver o que é feio, o que magoa
Fecho os olhos fingindo não ver, não perceber, não saber ou sentir
Fecho os olhos para me proteger do desamor, das decepções
Fecho os olhos quando quero ver o essencial
Fecho os olhos para ver com outros sentidos
Fecho os olhos para ver a brisa leve arrepiar a pele
Fecho os olhos para ver as ondas batendo nas pedras
Fecho os olhos para ver o voo livre das gaivotas
Fecho os olhos para me aquecer nos primeiros raios de sol da alvorada
Fecho os olhos para absorver bênçãos, para potencializar o bem
Fecho os olhos quando quero ver com os olhos do coração
Como num beijo de amor e entrega
Que tudo vê e sente com os olhos da alma…
Fecho os olhos, tudo vejo, tudo percebo…
Feche os olhos!
Alda M S Santos

A certeza

A CERTEZA

Quero a certeza que mesmo num dia nublado
O Sol está ali, bem ao nosso lado
Que ainda que não possa ser visto
Ele está lá, voltará, é bem quisto

Quero a certeza que há em toda a natureza
Da infinidade de grandeza, de beleza
Do alvorecer que se segue a cada anoitecer
Quero ter fé, nunca esmorecer

Quero a certeza que tudo vem para acrescentar
Que tanto o amor quanto a dor vão ensinar
Que é preciso seguir, acreditar, confiar

Quero a certeza que mesmo pequenina
Sou parte de um todo que não desanima
Sou da Criação uma alma menina

Alda M S Santos

Como é possível?

COMO É POSSÍVEL?
Como é possível, ao mesmo tempo
Estar tão perto, estando tão longe
Estar tão longe, estando tão perto
Estar tão dentro, sem haver cabimento
Como é possível, ao mesmo tempo
Ser tão doce sorriso, escondendo amargas lágrimas
Ser tão acolhedor colo, estando carente de aconchego
Ser reflexo de si mesmo, de tão brilhante luz,
Tendo apenas uma faísca acesa
Como é possível, ao mesmo tempo
Ser o amor em meio a tanta indiferença
A esperança em meio a dolorosa ingratidão
A paz em meio a tanta maldade e confusão
Como é possível, ao mesmo tempo
Ser o norte quando se está perdido
O recomeço depois de haver desistido
A continuidade de um viver intenso, meio sofrido
Quando sabemos que a qualquer hora
Seremos pelo tempo engolidos, consumidos?
Como é possível?
Alda M S Santos

Inteiros

INTEIROS
Não dá para viver com metades
Meias verdades não colam
Meias palavras não falam
Meios caminhos não levam a lugar algum
Meias certezas não descem
Meias vontades nada produzem
Meias curas não resolvem
Meios amores não acalentam
Meias vidas não satisfazem
Precisamos de totalidade
Precisamos de inteireza
Inteireza no amor, na paixão
Inteireza na compaixão, no amor irmão
Inteireza na alegria, na felicidade
Inteireza na verdade, na fraternidade
De metade em metade
Passamos a vida em pedaços
Partes que não se encaixam
Quebra-cabeças que não se completam
Não dá para buscar uma metade no outro
Nossas metades estão dentro de nós mesmos
Juntá-las nos torna inteiros
Prontos a encontrar outros inteiros, amiúde
E viver uma vida de completude…
Alda M S Santos

É preciso fazer as pazes

É PRECISO FAZER AS PAZES

É preciso fazer as pazes
Estar de bem consigo, novos ares
Buscar fora e dentro de si bons lugares
Deixar de fora as culpas, os males

É preciso fazer as pazes
Aceitar nossas falhas nessa jornada
O corpo que nem sempre agrada
A emoção que às vezes nos degrada

É preciso fazer as pazes
Com o outro que não nos aceita
Com a vida que nunca é perfeita
Conosco mesmos por tanta desfeita

É preciso fazer as pazes
Com o passado que nos magoou
Com o futuro que não chegou
Com o presente, que é onde estou

É preciso fazer as pazes…

Alda M S Santos

Aqui tem cachoeira

AQUI TEM CACHOEIRA

Aqui também tem cachoeira
Bela, forte, até assustadora
Se a gente der bobeira
Ela nos leva, arrebatadora

Atrás da queda, bem escondidinho
Os pássaros se reúnem, cantam juntinho
Saem ligeiros em revoada
Quem vê logo pensa
De onde veio essa passarada?

A queda d’água forma uma piscina
Onde nadam moças e moços fugindo da rotina
Sobre todos baila um sereno fininho
Ali, afoitos, roubam abraço e beijinho

Cachoeira, calor, sol, natureza
Venha se banhar, faça parte dessa beleza
Quer encanto, sossego, paz
Viva sem isso tudo se for capaz!

Alda M S Santos

Vamos?

VAMOS?

Enquanto houver vida embaixo desse céu
Não dá para deixar emoções ao léu
Inspira, expira, não pira, coloca no papel
Haverá alguém para brincar nesse carrossel

Enquanto houver voz, eu canto
Alívio para a alma, a dor, o pranto
Mesmo desafinada, desgastada
Minha voz ainda é expressão desenjaulada

Enquanto conseguir todo dia me levantar
Ver o Sol lá fora a brilhar, me chamar
Farei valer a pena a travessia nesse lugar

Enquanto houver caminho à vista, eu sigo
Trilhas construo, faço, refaço, prossigo
Levo quem tem afinidades comigo…vamos?

Alda M S Santos

A que vim

A QUE VIM

Nem sempre consigo identificar
A razão de por aqui estar
Não sei se faço bem em buscar
Um motivo, um objetivo para continuar

Tantas vezes já parece tão cheio o jardim
Já não me cabe, meio diferente assim
Abelhas, borboletas, beija-flores
Brincam entre os canteiros entre tantas cores

Ando para lá, voo para cá, dou o melhor de mim
Tento não ficar onde não estão a fim
Sigo buscando a que vim

Olho em volta, olho para dentro de mim
Busco força, um trampolim
Me descubro meu próprio jardim

Alda M S Santos

Porque vivo

PORQUE VIVO

Já chorei de alegria até a barriga doer
De emoção até não mais poder
Ou de angústia até amanhecer
Isso porque vivo…

Já tive medo de alguém perder
De não poder ver meus filhos crescer
De adoecer, envelhecer, dos outros depender
Isso porque vivo…

Já implorei pela vida, tive medo da morte, da escuridão
Rezei por todos, pedi perdão
Muitas vezes acompanhada, outras na solidão
Isso porque vivo…

Já tive muitas amizades, já fiquei na saudade
Brinquei, fui séria, lutei por liberdade
Nunca quis ser apenas uma metade
Isso porque vivo…

Já me organizei, arrumei o que estava bagunçado
Já fiz burradas, baguncei o que estava arrumado
Quase desisti de ver tudo de novo organizado
Isso porque vivo…

Já ganhei, vibrei, comemorei
Já perdi, sofri, quis sumir, revoltei
Amei, fui amada, correspondida, ignorada
Aprendi, cresci, me empolguei
Encontrei o caminho, voltei
Isso porque vivo…

Num saldo positivo vou vivendo, vou seguindo
Cada dia mais longe do começo
Não necessariamente perto do fim
Só de pensar, estremeço
Isso porque vivo…

Alda M S Santos

Onde você quer ficar?

ONDE VOCÊ QUER FICAR?

Na vida há cobertor que não aquece
Água que a sede não mata
Abraço que a dor não amortece
Amizade que nó não desata

Há estrelas que não amenizam a escuridão
Sol que não ilumina nosso caminhar
Saudades que nos tiram o chão
Rios que não chegam ao mar

Há males que não nos deixam arredar pé
Há compaixão para a alguém estender a mão
Também tem energia que nasce junto da fé
E sabedoria ao tocar com delicadeza um coração

Na vida há também luz que vem de dentro
Amor que nos põe no centro
Calor que brota e alastra da alma parceira
Beijo que aquece a vida inteira

Na vida há todo tipo de lugar
Só precisamos saber onde queremos ficar…

Alda M S Santos

Fada Coração

FADA CORAÇÃO

A Fada Luz queria tanto saber
Um modo de ser e fazer feliz
Resolveu rodar o mundo inteiro
Até descobrir o segredo

Num jardim, entre rosas,
Em meio a tanta luz e calor
Deu de cara com a Fadinha Sol
Que afirmou que para ser feliz
Era preciso saber a todos aquecer, fazer crescer…

Numa noite de lua e estrelas
Encantou-se com a Fadinha Estrela,
Sentada na Lua Cheia
E, brilhante, não tinha dúvidas:
A felicidade estava em iluminar caminhos…

Seguiu uma trilha até o horizonte
E foi dar no mar, numa praia distante
Ali estava satisfeita sob um coqueiro a Fadinha Água
Convicta, afirmou: ser feliz é matar a sede de viver

Fadinha Luz pensativa ficou, acreditava em todas elas
Era preciso aquecer, iluminar, matar a sede de vida
Mas sabia que algo ainda não estava completo
Sentia que ser feliz era mais que isso

E no meio de tanta criança feliz
Brincando, cantando, sorrindo e dançando
Encontrou, de olhos brilhantes, a Fada Coração
E ali descobriu que a felicidade
Estava em saber se doar, amar, ser irmão…

E Fada Luz aprendeu a lição:
Ser feliz é saber amar, é ser carinho
É ser pureza, é ser criança
É ser da vida o coração!

Alda M S Santos

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