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poemas e reflexões da vida cotidiana

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Como tudo começou …

COMO TUDO COMEÇOU…

Não há ninguém no colo

Tampouco na poltrona da frente ou de trás

Ninguém para eu me preocupar se está bem

Se tem fome, sede, sono ou medo

Se precisarei segurar a mão

Deixar que fique na janela pra apreciar a vista

Negociar os desejos e vontades

Apartar brigas e incentivar a parceria

Parece que a vida deu uma volta quase completa

E retornou ao começo…

Há pouco tempo eles caminhavam conosco

Os sonhos e planos eram similares aos nossos

O ponto de partida e chegada eram os mesmos

Ainda dependiam de nós…

Hoje já fazem seus próprios voos

Solo ou com novas companhias

Felizmente? Certamente!

Pode não ter sido o suficiente

Mas foram abastecidos do que tínhamos de melhor

Acrescentaram o que oferecemos ao que já possuíam

Já podem voar sozinhos, alcançarão novos ares

Conquistarão seus próprios espaços

Farão seus próprios ninhos

Mas por que parece tão estranho?

Por que ainda sentimos um vazio

A sensação de que está faltando alguém?

Precisamos reaprender a viver sozinhos

A viver com o círculo quase se fechando

Início e fim se aproximando

Que acontece quando a volta se completa?

Termina ou recomeça?

Já que não temos acesso a essa informação

Precisamos seguir voando

Mesmo com as asas já gastas, alcançando novos ares

Confiando que tudo acabará como tem que ser

Que esse plano de voo já foi feito noutra dimensão…

Boa viagem a todos os tripulantes e passageiros

Sozinhos ou acompanhados, isso é só um detalhe

Sempre voarão conosco em nossas mentes

Eternamente em nossos corações e orações…

Alda M S Santos

Sou Guanhães

SOU GUANHÃES

Tem mato, tem mata, tem bicho e carrapicho

Tem João-de-Barro e João-Graveto

Tem imensidão, paixão e solidão

Tem também o abraço forte de um irmão

Tem vovó na janela, tem um dedo de prosa

Tem carroça, tem gado, tem cultivo de rosa

Tem cabra valente, tem tarde preguiçosa

Tem moça perfumada e formosa

Tem fogão a lenha, tem quitanda

Tem cansaço e sesta na varanda

Tem bicho-de-pé, tem fruta no pé

Tem também café fresco e cafuné

Tem a igrejinha no pé da serra

Tem mansão e casa de sapê

Tem gente que acerta, gente que erra

Tem caboclo simples e de muita fé

Tem muita gente, família, muito parente

Gente amiga e confidente

Tem amor, tem amizade, tem saudade

Não importa em qual idade

Tem passado, tem futuro, tem modernidade

Sou Guanhães, sou Minas Gerais

Se você ainda não conhece

Não perca seu tempo mais

Aqui tem o que de melhor a vida oferece…

Alda M S Santos

A semente da saudade

A SEMENTE DA SAUDADE

Saudade é semente que o outro semeia no coração da gente

Que só brota, cresce, vira uma plantinha

Quando o semeador vai embora, deixando-nos sozinhos

Sem saber dela cuidar…

Ainda assim, ela cresce, se desenvolve, vira árvore

Cria raízes e tronco forte

É alimentada pela natureza

Pela chuva, pelo sol, pela lua e pelas estrelas

É abastecida pelas lembranças boas ou nem tanto

Escorre em lágrimas ou sorrisos como rio nas pedras

Saudade é planta que só cresce alimentada pelas recordações

Aquelas doces memórias que mesmo dolorosas

Fazem nosso viver mais bonito

Sabendo que ele foi rico de coisas boas

Que fincaram em nós suas raízes

E não querem mais ir embora

Isso é saudade!

Você já cuidou hoje da sua saudade?

Qual é a saudade que você gosta de ter?

Alda M S Santos

Mais no meu blog vidaintensavida.com

Para a Tarde de Poesias do grupo Pedaços de Amor em poesias Tema: Saudades

Ah, saudades, há saudades…

AH, SAUDADES, HÁ SAUDADES…

Saudades que fixam o olhar no infinito

Querendo trazer de volta algo tão bonito

Ah, saudades, há saudades…

Saudades que olham ao longe

Mas na verdade enxergam mesmo é dentro de si

Vasculham em seu interior

Mexe, remexe, revive, tempos que não voltam mais

Faz e refaz, apaga e reescreve

Saudade é a vida passada a limpo

É a versão final de algo que já deixou de ser

Rascunhos fora, saudade é a parte bonita

Aquela que foi sorriso, foi amor

Saudade é a prova de que houve vida

Saudade é testemunho vivo de algo que adormeceu para o mundo

Mas permanece bem acordado dentro da gente…

Ah, saudades… há saudades!

Alda M S Santos

Névoa

NÉVOA

Névoa fina e densa que amanhece

Como aquela que vez ou outra desce e fica dentro da gente

Que invade todos os espaços

Adentra cada cantinho escondido

Não aquece, esfria, não ilumina, escurece

Mas é o sinal de um tempo passado, que esmorece

Prenúncio de chuvas, tempestades

Ou de sol forte mais tarde?

Quem sabe resquícios, sobras, lembranças

Daquilo que um dia foi sólido

E, em forma de nebulosidade, retorna

E logo se condensa em nós

Névoa fina que cai

Em forma de saudade…

Alda M S Santos

Passado, presente, futuro…

PASSADO, PRESENTE, FUTURO…

Se quero saber algo do futuro, olho um pouco para trás

Se quero, saudosamente, lembrar o passado, olho para frente

Assim mesmo! Paradoxal!

Ver-se nos filhos, nos pais

Saudades, expectativas…

Meus filhos me mostram meu ontem, minha infância e juventude

Meus pais me possibilitam visualizar meu futuro

Uma idade que não sei se virá

Se quero que chegue, se terei coragem de vivê-la

Tento me concentrar no hoje, agir nele

Aproveitando o que o ontem me forneceu

E a expectativa e incerteza do que o amanhã me possibilita

Eu também fui o ontem e sou o amanhã de alguém

Quero apenas um hoje bom, para que a lembrança seja boa

Para mim, para os que comigo conviverem…

Alda M S Santos

Nostalgia

NOSTALGIA
Nostalgia é morada da saudade
É tempo que para no tempo
É vida presa nos laços da felicidade perdida
É desejo de retornar a um ontem sonhado, idealizado, quase irreal…
Nostalgia é melancolia profunda
Que entende o presente como alegria artificial, forçada
E perde a visão de um amanhã real
Enquanto se agarra ao passado, sentimental
Nostalgia boa é saudade gostosa
Que deixa o passado em seu devido lugar
Mas o usa para alimentar e irrigar o hoje de força e fé
E planta um futuro com sementes de esperança
Retiradas dos frutos bons do passado
Formando o círculo completo da existência…
Alda M S Santos

Alma livre

ALMA LIVRE

Ela é uma poetisa que hoje mora num lar de idosos

Extremamente educada, delicada e gentil

Idade já avançada, mente alerta, olhar “invasor“, observador

Como só os poetas de alma podem ser

Ela me olhava conversar com um idoso de longe sentada em sua cadeira

Apoiada no andador, o corpo não mais acompanha a agilidade da mente e dos sentimentos

Olhava por cima dos óculos todos os demais em roda

Interagindo com a música como podiam

Cantando, dançando, ouvindo, fazendo parte…

Cheguei até ela, fiz um carinho do qual fui correspondida

Perguntei pelos poemas, se ainda escrevia aquelas preciosidades que já declamou para nós outras vezes

“Ah, não! Não tenho mais cabeça e memória para isso, faltam palavras”

“Mas para escrever poemas não precisa memória, precisa sensibilidade e sentimentos que a senhora tem de sobra ”- retruquei

Ela deu um lindo sorriso, fez-me um carinho no rosto

“Que linda e gentil você é! Estava vendo como era atenciosa com aquele senhor.”

“Ele é uma ‘peça’, gosta de conversar. Falava das filhas”- completei

“Mas não são todos que têm paciência com ele! E seu blog, ainda escreve?”

Essa foi a pergunta de quem disse não ter a mente boa…

Falei sobre o blog pra ela há tempos…

Uma alma delicada de poeta naquele corpo frágil, num lar para idosos

Será que se sente presa ali, no próprio corpo, naquele lar, ou a alma é livre?

Não tive coragem de perguntar, mas acho que ela percebeu o que eu sentia/temia

Sorriu e me beijou o rosto, agradeceu a presença

Não tem como não pensarmos no nosso próprio futuro…

Cada Carinhólogo certamente se faz essa pergunta!

Alda M S Santos

#carinhologos

Umbigo enterrado

UMBIGO ENTERRADO

Diz-se de um lugar que a gente gosta muito

Que nosso umbigo foi ali enterrado

Que não conseguimos nos afastar

Meu umbigo foi repartido e enterrado em vários lugares que amo

E esse é um deles: a escola que completa 30 anos de existência

Dos quais fiz parte de 26 deles…

Aqui fiz do meu trabalho, do meu ganha-pão, a minha alegria

Aqui me diverti, eduquei, fiz amizades maravilhosas

Deixei marcas, fui marcada por crianças e adultos especiais

Meu umbigo está aqui!

Parabéns EMVAM, na pessoa de professores, funcionários, alunos e pais…

Alda M S Santos

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