NAQUELA RUA

Parado na esquina estava aquele mesmo carro

Que tantas vezes por ali passou, leve, carregando alegria

Agora pesava muito, semblante carregado

Não descia, apenas olhava, esperava, triste,

Que alguém saísse por aquela porta com o mesmo sorriso

A dizer que nada mudou, que o amor era o mesmo

Que nada existia, nem de dentro de si mesmos ou dos outros,

Que pudesse impedir de ficarem juntos.

Aquela casa conhecida, sempre convidativa e amável

Parecia estranha, a dizer que nada mais havia ali de importante.

Isso não era certo! Então porque doía tanto?

Agora todo mundo passava e olhava, menos quem interessava

Enquanto isso não acontecia, entre nascer e pôr de sol,

Esperava, olhava e chorava…

Quem sabe um dia deixaria de doer ou de se importar?

Alda M S Santos