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poemas e reflexões da vida cotidiana

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Sentimentos

CONFUSÃO

CONFUSÃO
Confunde a mente, aperta o coração
Enche de preocupação
Dificuldade em dizer não
Machuca, desestabiliza
Tenta -se estender a mão
Mas nem sempre é o melhor, não
Vasculha em si uma solução
Busca, insiste, persiste
E voa longe a imaginação
Isola-se, confusão, solidão
Até encontrar um caminho
Que leve de volta ao ninho
Abastecido de amor e carinho
Encontrar a si mesmo nesse burburinho
Alda M S Santos
Mais no meu blog vidaintensavida.com

Faça seu pedido

FAÇA SEU PEDIDO

Fonte dos desejos: faça seu pedido

Algo material, profissional, familiar, emocional

Que pedir?

Será que algum desejo será impedido

Ou a fé que tenho nele

É o bastante para ser validado?

A quem vou dirigir meu desejo

Onde vou cobrar resultado?

Fonte dos desejos: faça seu pedido

Águas transparentes, belas e convidativas

Busco lá dentro algo que prove

Que tudo isso não é embromação

Que tenha mesmo poderes de realização

Fonte dos desejos: faça seu pedido

Descrente, mas com vários desejos no coração

Debruço-me para melhor enxergar e não me enganar

E tudo que vejo é meu reflexo distorcido a me encarar

Fonte dos desejos: faça seu pedido

Enfim, entendo o que realmente é a fonte dos desejos

A fonte que tem poder de nos despertar

Mostrar que qualquer desejo é possível

Que só depende de nós mesmos realizar…

Fonte dos desejos: faça seu pedido

Jogue uma moeda, por desencargo de consciência

Corra atrás dele, tenha paciência

Mas nunca desista de sua existência…

Alda M S Santos

Névoa

NÉVOA

Névoa fina e densa que amanhece

Como aquela que vez ou outra desce e fica dentro da gente

Que invade todos os espaços

Adentra cada cantinho escondido

Não aquece, esfria, não ilumina, escurece

Mas é o sinal de um tempo passado, que esmorece

Prenúncio de chuvas, tempestades

Ou de sol forte mais tarde?

Quem sabe resquícios, sobras, lembranças

Daquilo que um dia foi sólido

E, em forma de nebulosidade, retorna

E logo se condensa em nós

Névoa fina que cai

Em forma de saudade…

Alda M S Santos

Leituras

LEITURAS

Há leituras e leituras…

Há quem leia um poema e se emocione

Há quem leia uma capa e se admire

Há quem leia um número e racionalize

Há quem leia apenas palavras e viaje

Há quem leia um corpo e se encante

Há quem leia um olhar e ali se perca

Há quem leia um toque e retribua

Há quem leia um abraço e devolva

Há quem leia um sorriso e se ilumine

Há quem leia a distância e a percorra

Há quem leia o silêncio e grite em resposta

Há quem leia uma dor e se solidarize

Há quem leia uma lágrima e a enxugue

Há quem leia uma saudade e vá nela morar

Há quem leia mais uma história fictícia e desista

Há quem nessa história se encaixe e insista

Há quem leia um momento doce e se lambuze

Há quem apenas decifre códigos gráficos

E há quem leia e interprete tudo isso

De acordo com suas vivências…

Como você me lê, lê os outros?

Alda M S Santos

Névoa

NÉVOA

Caía uma névoa fininha

Daquelas que embaçam o tempo

Esfriam até nossos ossos

Da varanda, tomando uma xícara de café recém coado eu observava

Como a natureza tem a capacidade de atingir nossas emoções!

Quando fica assim sinto-me em outro mundo

Dizem que é o momento em que a tristeza e depressão têm seu auge

Tem-se a percepção de que a Terra parou…

Poucos passarinhos se arriscavam a sair de suas casas

A cigarra sossegou seu canto

Beija-flor aparecia e beijava mais rápido que o normal

Para logo se recolher e se aquecer

Parece que a ordem geral em suspense era: recolham-se!

Uns recolhiam-se para dentro de suas casas

Outros, para dentro de suas lembranças e emoções

Outros para os recônditos de suas almas inquietas

Muitos não achavam para onde se recolher

Perdidos…

Esses que costumam não achar o caminho de volta…

Gosto de tempo assim!

Saio admirando as flores molhadas

Os bichos recolhidos, as pessoas que passam apressadas

Ou aquelas que nem se importam com aquela névoa

Que insistia em atingir os ossos

Volto e vou acender o fogão à lenha

Aquecendo…

Alda M S Santos

Atemporal

ATEMPORAL

Que não tem tempo, de qualquer tempo

Além de qualquer efeito advindo de temporalidades

Atravessa qualquer época, estação

Cai bem em qualquer tempo ou espaço

E permanece em nós, firme, forte, exigente

Que transpassa e perpassa sentimentos

Agrega, completa, faz parte

E se torna infinito em nós

Atemporal…

Alda M S Santos

Tão difícil

TÃO DIFÍCIL

Tão difícil quanto segurar espirro ou tosse

Tão difícil quanto conter as crises de riso em situações sérias

Tão difícil quanto mexer com água com vontade de fazer xixi

Tão difícil quanto não dormir deitado diante da TV

Tão difícil quanto manter-se aprumado na ventania

Tão difícil quanto parar qualquer avalanche iniciada

É segurar lágrimas de tristeza, emoção, raiva, mágoa ou decepção

Aquelas que não se quer verter…

Tenta-se distrair a mente, focar noutra coisa, evitar autopiedade

Respirar fundo, contar até 100

E torcer para ninguém, mas ninguém mesmo, notar ou perguntar nada

Qualquer palavra ou olhar doce

Um carinho ou cuidado, qualquer atitude pode trincar a estrutura montada

Romper comportas e ativar uma torrencial tempestade de lágrimas contidas

E acabar por inundar tudo…

Tão difícil!

Alda M S Santos

Não seria roça!

NÃO SERIA ROÇA!

Não seria roça se não faltasse energia

E se não fosse preciso esquentar água no fogão à lenha

Para tomar banho de bacia

Não seria roça se o céu não fosse mais limpo e tivesse mais cor

As estrelas mais numerosas, brilhantes e cadentes

A despertar nas mocinhas um pedido de amor

Não seria roça se os pássaros não se banhassem na terra

Se não cantassem nos galhos da ameixeira ou no alto da serra

Não seria roça se não tivesse uma rede na varanda

Uma música caipira tocada na viola por violeiro cheirando a fumo e lavanda

Não seria roça se não tivesse quitanda quentinha no forno de barro branco batido

Ou um mingau de fubá fumegante com queijo derretido

Não seria roça se o café não fosse coado na hora no coador de pano

Servido em caneca esmaltada

E se não tivesse banho no rio de criança sapeca e pelada

Não seria roça se a galinha d’angola não estivesse sempre fraca, o galo não cantasse animado

Ou o leite não fosse tirado das tetas inchadas das vacas por um vaqueiro cansado

Não seria roça se não tivesse prosa nas noites geladas em torno da fogueira

Um cão vira-latas a vigiar a porteira

E uma criança a se balançar na gangorra na mangueira

Não seria roça se a gente não se sentisse na roça

Não seria roça se a gente não fosse um pouco roça também…

Alda M S Santos

Tudo gera lágrimas

TUDO GERA LÁGRIMAS

Que há quando quase tudo

Nos toca, sensibiliza, emociona?

Se alguém querido diz algo que nos magoa

Nos debulhamos em lágrimas

Se a pessoa se toca, se justifica, se desculpa

As lágrimas rolam mais intensas ainda

Se alguém amado não nos valoriza, não se lembra de nós, choramos

Se tem carinho, cuidado, atenção, choramos também

Se os outros são desligados e indiferentes ao que fazemos, choramos

Se alguém demonstra gratidão, reconhecimento, as lágrimas brotam sem cessar…

O sol que arde, a chuva que cai

Alguém que sofre, outro que é feliz

O frio que martiriza, o calor que enerva

Uns que chegam, outros que se vão e deixam saudades

Uns que nos encantam, outros que nos decepcionam

A vida que segue indiferente a todos, implacável

Como ondas num mar gigante que vão e vêm

E as lágrimas sempre, sempre brotando…

Será que estão lavando o terreno das impurezas e parasitas

Para um novo broto renascer?

Alda M S Santos

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