SAUDADE É BICHINHO INTROMETIDO
Saudade é bichinho meio intrometido
Sempre acha um lugarzinho para entrar
Mesmo que você o afaste firmemente
Ele costuma achar buraquinhos ou brechas
E ali se acomodar…
Se é num livro, ele torna-se personagem
Se for num filme, ele faz parte da cena
Num poema é a rima que falta
Numa canção é a harmonia da melodia
No sorriso é a dor camuflada
Nas lágrimas é o alívio desejado
Nos sonhos é desejo saciado
Saudade é bichinho meio intrometido
Sempre acha um lugarzinho para entrar
E ali se acomodar…
Nas companhias, às vezes é a ausência
Nas ausências faz-se presença
No jardim é o mais suave perfume
No barulho é o silêncio dolorido,
No silêncio é o grito contido,
Saudade é bichinho meio intrometido
Sempre acha um lugarzinho para entrar
E como borboleta, ali se aboletar…
Cansado de tanto se impor,
Esse bichinho de nome saudade
Nas orações torna-se pedido
De ali ficar e morar para sempre…
Alda M S Santos