HERANÇAS
Que essa vida passa bem rápido, todos já sabemos. Quer tenhamos feito, ou não, bom uso desse presente, ele se vai.
Sem papo mórbido ou tenebroso, o que gostaríamos de deixar aqui quando formos chamados para o outro lado?
Recursos financeiros todos gostaríamos de receber, de deixar, é verdade. Mas eles acabam, se esvaem. E são apenas recursos. Não nos representam.
Tantos exemplos temos tido do quanto a vida é fugaz. A morte não ceifa a vida apenas dos enfermos.
Se fôssemos levados agora, o que estaremos deixando de mais valioso? Independente de termos ficado por aqui 20, 30, 50 ou 70 anos, o que ficará de nós nos outros?
Sei de mim que gostaria de deixar lembranças. De preferência, boas.
Quero que ao menos uma pessoa se lembre que a tratei com carinho e compaixão. Quer sejam familiares, amigos ou desconhecidos.
Que outra se lembre que lhe dei atenção, dei colo, chorei junto, sorri, aconselhei.
Que lembrem-se de ajuda material também, pois aqui somos matéria.
Que quem eu feri de alguma maneira possa lembrar-se que me desculpei, que soube me redimir.
Que quem me magoou não se sinta mal com minha partida, pois terá a certeza do meu perdão.
Que alguns seres humanos possam sentir-me viva em seu coração, pois fiz morada ali, por uns tempos, ou pela vida toda.
Que quem se lembrar de mim possa dizer: ela não foi perfeita, mas soube se doar o máximo que podia! E aproveitou a vida!
Que possam mais se alegrar por mim que chorar.
Que nossa vida valha uma boa herança!
Alda M S Santos