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Movendo montanhas

MOVENDO MONTANHAS

Passamos a vida movendo nossas montanhas
Descobrindo quem nos impele a isso
Quem nos dá essa energia, essa força sobrenatural
De tudo mover, mudar, tornar especial
O que ou quem nos faz derrubar muros, afastar barreiras
E ainda assim nos sentir bem conosco mesmos
Sabedores de termos feito o melhor, abrindo fronteiras
E encontrando nosso oásis em meio ao deserto
Depois de sofrer com a angústia tão de perto
Mover montanhas não precisa ser pesado
Pode e deve ser por e com prazer, com cuidado
Dizem que a fé move montanhas
Sim! A fé em Deus, no seu amor, sem artimanhas
Mas sobretudo na fé que Ele depositou em nós
Nos mandando pra cá para enfrentar esse mundo feroz
Se Ele acredita e espera tanto da gente
Quem somos nós para fazer diferente?
Quero mesmo é mergulhar fundo nessa lagoa que é a vida
Ora parada, calma, ora agitada, bela miragem
E mover qualquer montanha será um ato de coragem …

Alda M S Santos

De que adianta?

DE QUE ADIANTA?

De que adianta uma linda voz

Se quando é preciso, ela se cala?

De que adianta um belo sorriso, se apenas se abre para alguns,

E tantos necessitados são excluídos?

De que adianta tamanha inteligência,

Se não sabe agir ao sabor da emoção?

De que adianta tanta beleza, se não é possível mergulhar mais fundo,

Sob pena de “bater a cabeça” em rasa profundidade?

De que adianta tanta “cultura”,

Se as palavras mais doces não fazem parte de seu vocabulário?

De que adianta braços fortes e ombros largos,

Se não servem de abrigo ou de colo a quem precisa?

De que adianta o amor preso dentro de si,

Se ele é uma flor que precisa do sol

Que existe no outro,

Para crescer, se abrir e encantar?

De que adianta?

Alda M S Santos

Adivinhação

ADIVINHAÇÃO

Sonhei que tinha acordado com o poder de adivinhar
Bastava olhar alguém e sua alma podia enxergar
Rapidinho percebia de quem poderia gostar
Ou no coração de quem eu já tinha bom lugar

Para uns eu olhava e dava vontade de chorar
De outros eu queria apenas me distanciar
Havia aqueles que queria muito abraçar e beijar
E outros, tão ternos, o que fazer melhor nem contar

Parecia coisa boa ter poder de adivinhação
Saber de longe o que se passa em um coração
Mas, afinal, não é assim grande coisa, não

Só valeria a pena se a adivinhação
Viesse acompanhada com poder de ação
Aquela que no coração do outro faz transformação

Alda M S Santos

A casa

A CASA
Era uma casa tão linda, iluminada, acolhedora
Ajudou a construir, tijolo a tijolo, decorou
Conhecia cada detalhe, cada recanto, cada morador
Cada espaço especial, cada fresta
Pontos fortes, fragilidades, a tudo amou
Abriu janelas, escancarou portas
Plantou flores, distribuiu perfume, delicadezas espalhou
Regou todos os canteiros do jardim com cuidado
Ajeitou as imperfeições do telhado
Grandes festas houve ali, bem animadas
A Lua refletindo na linda casa do lago testemunha dos afagos
Algumas tempestades enfrentou, ventanias acalmou
Ir e vir de visitantes encantados superou
Tinha naqueles corredores livre trânsito
Mas agora a chave se perdera, não a possuía
Já não tinha mais fácil acesso ali
De fora tudo parecia diferente, nada se apresentava do mesmo modo
A casa permanecia perfeita, cada dia mais formosa
Entre tantas outras na rua, bem parecidas, era a mais linda, tinha história
Sentia-se orgulhosa com tão linda construção
Morada que sempre faria parte de seu coração
Se quisesse entrar precisaria bater à porta
Aguardar permissão para estar em comunhão
Era um novo modo da vida seguir, continuar
Novas paredes construir, se proteger, telhados levantar
Sempre, sempre plantar belos jardins, cuidar, enfim
E jamais se esquecer que nunca, nunca se perde na vida por amar

Alda M S Santos

A cura

A CURA

Qual a cura para um mundo de amargura
Para humanos tão sem ternura
Que pouco fazem por evolução
E não temem a própria extinção?

Qual a cura para um mundo tão sem compaixão
Egoísta, que vive na alienação
Quer tudo, é imediatista, destrói o futuro
E já não sabe mais como ser puro?

Qual a cura para você, para nós
Há como desatar tantos nós
Refazer os laços, oferecer mais abraços?

Já foi apontada a cura para tanto desengano
Houve um Alguém que disse, um Senhor
Que a cura para qualquer mal é o amor…

Alda M S Santos

Querer, poder, dever

QUERER, PODER, DEVER

Posso querer tanta coisa nessa vida
Não quer dizer que tudo me convém
Que posso tudo aquilo que quero
Mas sei que deveria querer o que posso
Seria mais fácil o viver, menos emocionante talvez
Ou menos produtivo e rico
Mas certamente menos doloroso
Mais feliz? Não dá para afirmar.
O querer é o estímulo primeiro
O poder é a limitação da sociedade
O dever é a consciência gerada, prioridade
Qual será nossa maior verdade?
Entre o querer, o poder e o dever vamos vivendo
Em cada situação evoluindo, aprendendo
Equilibrando nossa balança emocional
Evitando ser levado por qualquer vendaval
Deixando apenas nos refrescar nas águas desse canal
Em suma, o que fica em cada um de nós
É o que sobra ao desfazer tantos nós
Querer, poder e dever
E assim vai seguindo o viver…

Alda M S Santos

Um olhar vago

UM OLHAR VAGO
Ela estava sentada naquele banco debaixo de uma grande árvore no parque.
Gostava muito de ir ali para pensar, relaxar, abstrair-se dos problemas.
Tempo frio, vento de agosto, o sol brilhava, mas pouco aquecia.
Jardim bem cuidado, lindas flores, perfumado, borboletas e beija-flores.
Crianças corriam, subiam, desciam, escorregavam, pedalavam, riam. Totalmente alheias ao mundo confuso dos adultos.
Um grupo de mães mais a frente vigiava. Falavam do mundo infantil. Algumas com bebês nos carrinhos, vez ou outra ofereciam água às crianças.
Um casal enamorado sentado de frente um para o outro, imersos um no outro.
Um senhor de idade meio indefinida, cabelos ralos e brancos, parecia distraído, acessando muitas lembranças. Carregava um jornal que não lia, olhar ao longe.
E ela ali, pensando, imaginando, observando…
As crianças continuavam a algazarra. Uma bola veio aos seus pés, jogou de volta com um sorriso.
O casal parecia cada vez mais desligado do entorno, mais mergulhados em si mesmos.
As mulheres continuavam uma conversa animada sobre os preços no mercado.
O senhor lentamente se levantou, limpou uma sujeira imaginária na própria calça, conferiu o banco, guardou o jornal na sacola e veio andando.
Derrepente a bola passou veloz no ar em direção àquele senhor.
Ela, num impulso, saltou e interceptou a bola antes que atingisse o alvo. Certamente derrubaria aquele senhor.
As mães ralharam e chamaram as crianças para ir embora. Umas reclamavam, outras choravam.
O casal olhou distraído para aquilo que ousava tirá-los de seu mundo e voltou a se beijar.
O senhor demonstrou gratidão, aceitou a sugestão dela e sentou-se novamente.
Olhou bem para ela, sorriu, um doce sorriso que iluminou todo aquele rosto.
Pegou o jornal, abriu, tirou de dentro dele um livro, o seu livro…
“É você, não é?” – afirmou sem esperar resposta com surpresa e alegria. “Adoro seus poemas”.
Ela também sorriu. A poesia tomou conta do parque .
A conversa fluía solta, o olhar já não era mais vago…
Alda M S Santos

Aprendi

APRENDI
Aprendi a viver com a água encanada
Mas não perdi o gosto de no rio ser banhada
Aprendi a transitar em rua asfaltada
Mas amo em caminhos de terra fazer minha caminhada
Aprendi a viver de certa forma engaiolada
Mas minha alma se encanta com a liberdade da passarada
Aprendi a não temer o escuro da madrugada
Pois sei que Ele sempre manda a beleza da alvorada
Aprendi a conviver com alma machucada
Pois sei que cedo ou tarde estará cicatrizada
Aprendi a viver, às vezes, perdida nessa estrada
Pois acabo me encontrando quando me percebo amada
Aprendi por frascos ser dia a dia perfumada
Mas não o desejo de me perfumar na floresta encantada
Aprendi a ver a luz em ruas enfileirada
Mas nada se compara ao brilho de uma noite enluarada
Aprendi enfrentar as dificuldades de uma vida entrincheirada
Mas nunca saberei lidar com a vida que se faz desprezada
Alda M S Santos

Nunca!

NUNCA!

Estamos sendo convocados
Pelo nosso eu, nosso interior
A encontrar um meio de valorizar
O que realmente tem valor

Nunca fomos tão necessários
Para fazer uma boa avaliação
Do que em nós é precário
E do que carece evolução

Nunca fizemos tanta falta
Para nós,  para a humanidade
Saber que somos mais e melhores
Quando agimos pela coletividade

Nunca tanta carência se evidenciou
De fé,  de pão, de emoção e afeto
O momento é agora, já começou
Você não poderá fugir,  isso é certo

Alda M S Santos

Minhas pedras

MINHAS PEDRAS

Há coisas que devemos por bem compartilhar

Alegrias, amor, sorrisos, carinho

Coisas que fazem bem trocar

Também é bom, até necessário, falar, conversar

Desabafar, dividir com alguém as pedras do caminhar

Mas é importante também saber a hora de calar

Há pedras que podemos com o outro revezar

Outras são só nossas, não dá para repassar

Sob pena de o peso ser grande demais

Para que qualquer um possa carregar

Melhor deixar apenas as flores perfumar

As minhas, as suas, as nossas pedras

Um dia serão um belo calçamento

Onde desfilarão somente bons sentimentos

Alda M S Santos

Mais no meu blog vidaintensavida.com

Já quis

JÁ QUIS

Já quis falar, já quis calar, já quis fugir
Já quis chorar até derreter, já quis sorrir, sem conseguir
Já quis desistir, já quis sumir
Já quis amar, desabafar, a alma lavar
Já quis brigar, quis cobrar, quis insistir
E nesse vai e vem de quereres
Nessa luta de angústia, prazeres e deveres
Na roda viva de emoções e obrigações
A vida prevalece cheia de razões
Enfrentando calmarias, turbulências e furacões…

Alda M S Santos

Vamos brincar de viver

VAMOS BRINCAR DE VIVER

Que fazer com esse novo amanhecer
Que invade sua janela sem pedir
Sem perguntar se é isso que vai querer
Sol que lança através da vidraça seus raios sem pudor
Leva calor, luz, pássaros, afasta seu cobertor
Que parecem cantar em sua sintonia
Acorda! É tempo de viver o amor!
Há um mundo lá fora à sua espera
Que precisa de cada um aqui
Para que se opere a magia
De um viver de paz e harmonia
Abra as portas da sua alma
Acredite, deixe-se invadir pela energia dessa boa aura
O belo cá de fora convida o belo que há em você
Venha! Vamos brincar de viver!
Vamos?

Alda M S Santos

Na corda bamba

NA CORDA BAMBA

Aquela sensação de caminhar na corda bamba

Abrindo os braços para equilibrar, acertar os passos

Com a impressão que um vento qualquer irá tudo derrubar

Um silêncio sinistro paira no ar, dificulta o respirar

Pressentimento, sexto sentido, intuição?

Não sei dizer o que é isso não

Um cheiro de medo, de desconstrução

Mas elevo o pensamento ao alto, um pedido, uma oração

Se este vento vier mesmo, que venha certeiro

Que coloque as coisas no lugar primeiro

Depois, jogue tudo que é ruim no chão

E deixe apenas o que for aliado do amor sobrar no coração

Alda M S Santos

Mais no meu blog vidaintensavida.com

Tão fácil

TÃO FÁCIL

Tão fácil ficar aqui deitada
Vendo a chuva escorrendo na janela
Tentando não pensar em nada
Tão fácil fingir que não vejo
Que o relógio segue sem parar
Independente do que eu desejo
Tão fácil me ligar no silêncio de fora
Fingindo que o barulho de dentro
Vai passar a qualquer hora
Tão fácil brincar de faz-de-conta
Ser fada, deusa, sereia, rainha, bruxinha
Ignorar que a vida nem sempre é boazinha
Tão fácil ver sempre o lado bom
Ser Pollyanna, fazer o jogo do contente
Sem passado, sem futuro, só presente
Tão fácil…pode até não ser
Mas a gente vai tentando
Brincando, amando, versando, pra melhor viver
Alda M S Santos

De gota em gota

DE GOTA EM GOTA

De gota em gota vão chegando as alegrias

Aquelas que a vida nos presenteia dia a dia

E nós, tolos, queremos copo cheio

Nos perdemos e nos afogamos nesse meio

De gota em gota vai chegando um grande amor

Aquele que aos poucos faz a vida ser flor

Colorida, bela, perfumada, seja como for

E nos ensina que de beijo em beijo se satisfaz o beija-flor

Chuviscos, garoa ou furacão

Qualquer deles irriga um coração

Basta querer bem, ser atenção, (com)paixão

A conta-gotas também dá para ser feliz

Brotar, crescer, criar raiz

Ser árvore frondosa no céu de quem me quis

Alda M S Santos

Que ela seja assim

QUE ELA SEJA ASSIM

Que ela seja assim
Bela e triste como névoa na praia ao amanhecer
Animada como dia de sol no parque ao entardecer
Pacífica como céu estrelado no anoitecer

Que ela seja assim
Romântica feito banho de chuva com alguém especial
Divertida e quente como dançar num lual
Saborosa e madura como fruta colhida no quintal

Que ela seja assim
Refrescante como mergulho na cachoeira ao luar
Intensa e mágica como o amor nas areias do mar
Aconchegante como abraço para o cansaço aliviar

Que a vida seja assim
Nem sempre do jeito que nossa mente deseja
Mas na medida certa do que nossa alma almeja

Alda M S Santos

Aprendendo a pescar 

APRENDENDO A PESCAR

Nossa vida é uma grande pescaria. Numa hora pegamos um peixe tão pequenino que, insatisfeitos ou compadecidos, o devolvemos ao rio.

Noutra, passamos um tempão na beira do lago, gastamos empenho e paciência para pescar um grandão e nos decepcionamos.

Há ainda as vezes em que sequer percebemos os peixes que, insistentes, mordem nossa isca, e os ignoramos.

Também existem aqueles que nos oferecem, gratuitamente, mas, orgulhosos, dispensamos.

Ter a paciência para esperar e identificar o peixe certo morder nossa isca é habilidade de poucos.

Saber qual peixe devolver ao rio, num ato “caridoso”, também!

Estar atento para não deixar passar em branco aqueles insistentes é importante. Pode ser o “peixe” de nossa vida!

Pescar é divertido, mas dispensar o peixe gratuito, salvo se não for de boa procedência, pode não ser muito inteligente.

Nessa grande pescaria que é a vida, as oportunidades, as pessoas, as situações, são os peixes. Somos apenas um entre milhões de pescadores. Todos queremos pescar!

O rio é grande, nem sempre limpo ou caudaloso, mas há peixes para todos que têm paciência e habilidade.

Devemos nos concentrar em nossa cesta e esquecer a cesta do pescador vizinho. Ela não melhorará nossa pescaria.

Finalmente, lembrar que também somos peixes pode ser muito útil na hora de pescar.

Qualquer dúvida, há grandes lições do maior pescador de almas que já houve: Jesus. Encontram-se num “manual” chamado Bíblia!

Boa pescaria a todos!

Alda M S Santos 

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