QUE SOU PRA VOCÊ?
A brisa suave que refresca e acalma, a água que gela
Ou o fogo que aquece, mas a tudo consome
Que sou pra você?
O colo que acolhe, o abraço que acalenta e apascenta
Ou a presença que agita, movimenta, preocupa, enerva
Que sou pra você?
A companhia, a amizade, o amor, a confiança, o cuidado
Ou a ausência dolorosa e saudosa, porém, necessária
Que sou pra você?
Um presente desejado, querido e amado
Ou aquele “objeto” a mais que tens a entulhar seus móveis
Que sou pra você?
A fraqueza, o calcanhar de Aquiles, o ponto nevrálgico
Ou a rocha firme, a raiz, a força onde se apoias nas crises
Que sou pra você?
Um passado saudoso, um presente tolerável e um futuro incerto
Ou apenas aquilo sem o qual você não se imagina viver
Que sou pra você?
Posso ser um pouco de tudo isso
Em momentos diferentes…
Assim como você pode ser tudo isso para mim também
Como somos quase todos uns para os outros
Somos humanos, falhos, aprendizes,
E co-dependentes do amor, da doação, dos erros para crescer…
Alda M S Santos
NÃO SE CULPE!
Se seu sol hoje não brilhou
Se a chuva a você encharcou
Não se culpe!
Arco-íris precisa de água e luz para colorir
E ser capaz de encantar e seduzir
Se o caminho parece longo demais
Se as flores já não perfumam mais
Não se culpe!
Sempre há trilhas, atalhos
Talvez neles recolha seus frangalhos
Se tudo parece um eterno estacionar
Se em você a alma está a divagar
Não se culpe!
A terra está girando devagar
E acaba colocando tudo no lugar
Se o viver te parece indiferente
Se não sabe mais ao certo o que sente
Não se culpe!
Observe bem, acolha, abrace, beije, seja gente
Acordar todo dia é um grande presente
Alda M S Santos
FAÇA
Faça aquilo que te dá vontade
Faça aquilo que tem que ser feito
Faça com fé e coragem
Mas nunca faça de qualquer jeito
Faça com amor, com carinho
Faça acompanhado, faça sozinho
Com cuidado para não bagunçar
E não conseguir mais endireitar
Faça com pressa, faça devagarinho
Faça como beija- flor, com jeitinho
Faça sempre, nada deixe pelo caminho
Haja luz ou escuridão, indiferença ou emoção
Faça sol ou faça chuva, frio ou calor
Faça da vida um lugar de mais amor
Alda M S Santos
FELICIDADE
Felicidade é estar em paz
Lidar bem com as próprias vontades e necessidades
É estar tranquilo com as faltas e as ausências
É saber esperar, é sorrir, é chorar
É até mesmo, por vezes, se rebelar e gritar
Felicidade é amar, ser amado
É aceitar e ser aceito, mesmo imperfeito
É fazer o bem, ser o bem
É cumprir nosso papel nessa nau
Não fazer o mal
É passear, banhar na cachoeira, no mar
É os altos e baixos da vida aceitar
É ler, escrever, ser poesia
É ser para alguém a magia
É ser amigo de alma, de coração
Daqueles que entendem sua emoção
É ser calor, colo, cobertor, fazer amor
Felicidade é um simples bom dia
É ter a luz da Lua brilhando na janela
Ou o sol queimando de dia a pele dela
Felicidade é ser, não ter
A suprema felicidade é não depender do externo
Ela já mora dentro de nosso ser
É um estado de espírito de paz, mesmo na solidão
É viver bem enquanto não chega
A hora de atravessar a ponte de volta para casa…
Você conhece a felicidade?
Alda M S Santos
ESTRADAS DA VIDA
Aquele vento nos cabelos pelas janelas abertas
As vistas ardem, o peito aperta, as lágrimas rolam
Segue dirigindo, música alta, meio alheia a tudo
Será que a rota está certa?
Não se preocupa muito, sensação de liberdade
Vontade de dirigir sem rumo, indefinidamente
Passa por lugares chuvosos, outros ensolarados
Estradas planas ou grandes aclives, secas ou floridas
Retas ou curvas, lá fora a vida parece meio irreal, surreal
Vê as árvores passando tão rápido, tão perto
Dentro dela enorme confusão, um grande vendaval
Tenta organizar os espaços, estabelecer prioridades
Apagar com sorriso as mágoas e decepções
Escrever, a lápis mesmo, novos planos
Pode precisar redefinir, reescrever, refazer
Acende a luz para iluminar alguns sonhos
Deleta outros, são mesmo impossíveis
E o caminho vai ficando para trás
Culpas, erros, derrotas, excesso de confiança vão ficando
Percebe que as estradas são metáforas da vida
Há de tudo um pouco, mas tudo vai passando
Basta seguir em frente que novos pontos vão se descortinando
Tenta levar consigo boas lembranças, pessoas de bem
O amor, a amizade, a fé e a esperança
Quando já não doer mais, talvez ela volte
Para um novo ponto de partida
Um recomeço para a mesma vida …
Alda M S Santos
PRA VIVER É PRECISO SONHAR
Não há vida sem sonhos, há apenas a seca sobrevivência
Pra manter-se vivo de verdade, vibrante, é preciso sonhar
Mas há que se ter equilíbrio, saber dosar a água e o fubá
Um sonho sozinho não se sustenta por muito tempo
Desfaz-se feito nuvens negras em dias de verão
Tampouco a dura realidade se mantém íntegra sem a liga dos sonhos
Quem vive sem sonhos amarga duras realidades
Quem vive só de sonhos amarga dolorosas decepções
Até mesmo um sonho precisa de umas pitadas de realidade, vez ou outra
Para temperar a vida,
Para poder sobreviver…
Alda M S Santos
INFINITO
Quero o infinito e seus mistérios
A (im)possibilidade que atormenta
O desconhecer que não acalenta
Quero o mundo e seus refrigérios
Quero um amor infinito, maduro
Mas não um amor qualquer
Que seja verdadeiro, puro
Intenso, cheio de bem-me-quer
Quero esquecer que a vida é finita
Quero-a infinita, sempre bonita
Não vou desistir, não insista
Quero no infinito mergulhar
Me perder, me achar, me reencontrar
Fazer esse mundo louco girar
Alda M S SANTOS
CURTIR A PAISAGEM
Sempre haverá algo para nos desagradar
Um barulho que não para de soar
Um silêncio que insiste em gritar
Um sonho que não quer realizar
Sempre haverá algo novo para lidar
Um sapato apertado a incomodar
Aquela roupa que não cai mais tão bem
Uma saudade que nem sempre convém
Não importa se é um desejo não atendido
Um amor no coração mal resolvido
Uma frustração por algo até descabido
Tudo isso faz parte dessa passagem
Saber lidar com isso, tornar boa a viagem
É relaxar e, apesar disso, curtir a paisagem
Alda M S Santos
PRA SER FELIZ
Se perguntarem “que precisa pra ser feliz”
Assim de supetão, que você me diz?
O trio certeiro saúde, amor e paz
Parece bom, sem erro, eficaz
Mas esse trio não é de presente ofertado
Precisa ser a princípio conquistado
Dia a dia cuidado, abastecido, alimentado
Se não quiser perder tudo, ficar no desagrado
Saúde exige abastecer mente, corpo, coração
Amor exige sintonia, magia e emoção
E uma dose extra de respeito e perdão
Mas o que permeia essa sensação de felicidade
É a paz que vem da verdadeira simplicidade
Mora na alma dos que carregam em si a bondade
Alda M S Santos
Tarde de poesias- Pra ser feliz
COLISÃO
Que fazemos por aqui- a pergunta não quer calar
Nuns momentos somos apenas mais um na multidão
Querendo gritar, mas apenas conseguindo silenciar
Querendo fugir em busca de uma resposta
Vagar por aí desejando ardentemente uma solução
A vida nem sempre se apresenta boa ou bela
Tantas vezes usa um idioma incompreensível
E só mesmo quando mergulhamos bem fundo
Ou quando saímos de nós mesmos e damos uma volta por aí
É que passamos a entender que a decepção pode ser dolorosa lição
Mas é a aula número um dos aprendizados de vida
E seguimos sozinhos vagando no espaço sideral de nós mesmos
Até a colisão, a explosão e a ressignificação…
Alda M S Santos
NOSSA BAGUNÇA
Uma ampla sala arejada com poltronas aconchegantes
Um quarto quentinho, macio e acolhedor
Uma cozinha receptiva, com aroma de café e pão de queijo
Uma rede na varanda com uma vista da Serra
Um quintal com flores, frutos e balanço na goiabeira
Um gramado para brincar, dançar, se exercitar
Um sótão para guardar as bagunças e ferramentas…
Cada qual tem seu sonho de casa, de moradia
Mas para um lar todos têm o mesmo desejo
Que seja amoroso, pacífico, harmonioso
E isso independe da casa em que se mora
Depende muito de com quem se mora
E da sabedoria em manter organizados nossos ambientes internos
Nossa “casa” não é sempre um amplo espaço arejado
Mas também não pode ser toda ela um sótão bagunçado
Um lar “arrumado”, ou não, está diretamente ligado
Ao modo como cada pessoa presente ali
Lida com a bagunça que traz dentro de si
E com a bagunça que o outro traz consigo
Alda M S Santos
NAS BATALHAS
Batalha pelo pão que alimenta o corpo
Batalha pelas águas claras que hidratam o ser
Batalha pelo chão firme sob os pés
Batalha pelo céu azul que possibilita voos livres
Batalha pelo abraço gostoso que une os seres afins
Batalha pelos bons relacionamentos que enriquecem o viver
Batalha pelo amor recíproco que alimenta a alma
Batalha para sentir-se membro dessa nau
Batalha para ter onde repousar corpo, mente e coração
E viver um sonho real
De amor e compaixão…
Nas constantes batalhas para nos firmar como gente
Devemos nos cuidar para não perdermos nossa humanidade
Nas batalhas da vida precisamos, às vezes, nos render
Pedir uma trégua, talvez até nos sentir meio presos
Para poder sermos verdadeiramente livres e vitoriosos
E seguir em paz quando chegar o momento de voltar para casa
Alda M S Santos
NÃO IMPORTA
Não importa quem começou a briga,
Importa quem saberá por fim à pendenga
Não importa quem primeiro criou a mágoa
Importa quem será capaz de perdoar e seguir
Não importa quem adoeceu ou mais sofreu
Importa quem saberá ser a cura,
Não importa se a tempestade quase tudo levou
Importa quem irá se levantar para começar a reconstrução
Não importa se a doença não sara
Importa quem aprende a conviver com ela
Não importa se errou, todo mundo erra
Importa se aprendeu com o erro e prosseguiu
Não importa quem começou o amor
Quem o interrompeu, teve dúvidas ou fraquezas
Se houve tropeços, quedas, obstáculos
Importa mesmo é quem nunca deixará de amar…
Alda M S Santos
QUERO MORAR
Quero morar num lugar especial
Tão longínquo quanto o espaço sideral
Onde eu possa silenciar ou gritar
Sem ninguém interromper ou se assustar
Quero morar sem pagar aluguel
Pintar as paredes, o chão, meu céu
Em cores vivas ou em tons papel
Brincar de roda e de passar anel
Quero morar numa casa de amplas janelas
De portas escancaradas, sem tramelas
Onde a brisa possa minha pele acariciar
E num sonho bonito me acalentar
Quero morar dentro de um coração
Mas não quero ficar apertada, não
Onde possa brincar de beijar, de amar
E ali ser pra sempre meu lugar
Alda M S Santos
POETA-CORAÇÃO
A poesia é eterna, universal, vitalícia
Bela, emocionante, com ou sem malícia
Ela está entranhada na alma do poeta
Quer perceba, ou não, ela é sua meta
Poesia e poeta se retroalimentam
Ainda que não a transforme em versos
Ele a vive nesse mundo de atos controversos
Na chuva que cai ele a vê prateada
Na mente a sente, também na alma carente
Poeta poetiza, dança sob o luar, faz baliza
Ele vê poesia na natureza, em toda emoção
Naquela que se aloja em seu coração
Em seus sonhos faz morada
É sua eterna e terna namorada
Poesia está em seu caminhar
No seu jeito de olhar, falar ou calar
Poeta é depósito de toda essa confusão
Que há no mundo, causa comichão
Tenta em si uma melhor organização
De cada desejo, sonho, vontade, sensação
Ele tenta traduzir para sua linguagem preferida
O amor que faz e nutre de beleza sua vida
A poesia não morre onde há um poeta-coração
O poeta vive no que a poesia lhe dá, presenteia
Uma alma repleta de amor que incendeia
Mantém sempre brilhante essa doce centelha
Alda M S Santos
DEIXE VIRAR POESIA
Aquilo que te leva ao êxtase
Que provoca risos sem fim
Deixe virar poesia
Aquilo que te machuca, corta
Que causa dores e cicatrizes
Deixe virar poesia
Aquilo que você agora desconhece
Que te magoa, enrijece
Deixe virar poesia
Aquilo que te sensibiliza, emociona
Que aperta o coração, e que você tanto ama
Deixe virar poesia
Aquilo que te amedronta, aterroriza
Causa pesadelos que nem a luz ameniza
Deixe virar poesia
Aquilo que é real, imaginário
Que é fugaz ou que virou saudade
Deixe virar poesia
Aquilo que é beleza, na simplicidade ou na sofisticação
Que traz sabor e aroma ao cotidiano
Deixe virar poesia
Tudo aquilo que é vida, que não se desperdiça ou economiza
Se eterniza
Deixe virar poesia…
Alda M S Santos
CONEXÃO
É mágica a conexão que temos com a natureza
Flora, fauna, mananciais hídricos, pura beleza
Alegria ímpar que não podemos deixar se perder
É ela que reenergiza nossas baterias emocionais
Com seu silêncio pacífico, calmante
Sua intensidade viva, relaxante
Suas cores fortes, ricas, vibrantes
Não há mente que não se encontre
Não há corpo que não se encaixe
Não há coração que não fique forte
Não há alma que não encontre seu norte
Alda M S Santos
QUERIA VOLTAR ÀQUELE TEMPO
Queria voltar àquele tempo
Onde os desejos eram simples e facilmente satisfeitos
Chupar bala puxa-puxa, subir em árvores, andar descalça, brincar na rua, tomar banho de bacia, dividir a cama com o irmão
Tempo de sentimentos puros e perfeitos…
Queria voltar àquele tempo
Onde os amigos eram menos virtuais, mais reais
Estavam do outro lado da cerca de bambu
A apenas um abraço de distância
Tempo de amigos leais…
Queria voltar àquele tempo
Onde os amores eram mais verdadeiros
Confidências, sorvete na pracinha, beijos roubados, “pegas” no portão
Tempo de amores mais parceiros…
Queria voltar àquele tempo
Onde as músicas eram pura poesia
Dançantes ou não, tocavam corpo e alma
Tempo de melodias que refletiam o que a gente sentia…
Queria voltar àquele tempo
Onde até sofrer era uma forma “doce” de viver
Sem precisar recorrer a antidepressivos
Tempo de magia, encanto e prazer…
Queria voltar àquele tempo,
E me sentir plenamente reviver…
Alda M S Santos
DEVANEIOS
Vou escrever uma história
Daquelas bem bonitas
Real ou imaginária
Talvez mesclada, realizada e sonhada
E colocar numa garrafa de vidro
Enrolada tal qual pergaminho
Exalando um pouco de perfume suave
Um beijo de batom rosa
Umas lágrimas desobedientes
Muitos sorrisos de satisfação e amor
Colocar uma rolha fechando a vácuo
E lançar no oceano…
Quem sabe um dia, décadas à frente, alguém a encontre
A esfregue para retirar marcas do tempo
E, tal qual gênio da lâmpada de Aladim
De lá de dentro a história se materialize novamente
Rica em detalhes e melhor vivida
Ou que apenas deixe para a posteridade
O registro de uma história de vida bonita
Espero que seja a nossa…
Alda M S Santos
GOSTO
Gosto de quem, apesar da aridez, sabe florescer
De quem sabe, apesar da própria dor, acolher
De quem usa a sabedoria para enternecer
E nunca, nunca desiste de lutar por esse viver
Gosto de quem espalha delicadezas
Em forma de palavras, sorrisos, belezas
Na vida insiste, no amor acredita, usa sutilezas
Ainda que veja no entorno tanta aspereza
Gosto de quem não desiste do amor
Independente se já nele se perdeu
Mas não se deixou levar pelo rancor
Gosto de quem escolhe ser a própria poesia
Num mundo onde ganha espaço a agonia
Numa batalha por um pouco mais de harmonia
Alda M S Santos
FANTASIA DE CARNAVAL
A julgar pelo tanto que amo dançar
Carnaval deveria ser para mim ótimo lugar
Mas ele não me traz prazer ou alegria
Exceto por poder fugir da confusão
E na natureza encontrar a solução
Ali na mata mato a fome, sacio desejos na poesia
Aquela que me traz paz, harmonia
Coloca-me em contato com meus sonhos
E minhas mais doces fantasias
Alda M S Santos
NÃO QUER
Ela não quer ser uma lembrança dos tempos áureos
Uma foto desbotada na estante de alguém
Uma marca impressa numa alma arrependida
Ou a saudade de uma relação doída
Ela não quer ser história passada
Nos livros a tristeza registrada
Ela não quer ser a magia
Rabiscada num livro velho de poesia
Ela quer se eternizar, se renovar
Ser desejada, cobiçada, uma joia rara, valorizada
Não tem um preço a se pagar
Mas tem valor que qualquer um pode conquistar
Cobra apenas cuidado e desejo de conservar
Ela não quer ser esquecida, embrutecida
Precisa de amor para ser abastecida
Ela é o que sustenta a vida
Ela é a natureza…viva…
Alda M S Santos
AMOR É CURA
Amor que em qualquer dosagem é cura
Que ensina a lidar com várias interações
A ir amenizando o sofrer, a amargura
Despertando bons sentimentos e emoções
Enfrentando a vida, tantas vezes dura
Amar se aprende amando
Na prática do dia a dia, errando e acertando
Não há tutoriais, não há receitas
Se serve pra um não é certo que dê pro outro
Precisa ir adaptando, aparando arestas
Seja em qual modalidade o amor se apresentar
Não é preciso saber amar de antemão
Basta agir com alma, com coração
Saber ser luz, ser acolhimento, ser perdão
O amor é e sempre será a nossa salvação
Como indivíduos, como humanidade
Em qualquer tempo, lugar, idade
Sem amor não há vida, não há evolução
Alda M S Santos
REAL
Sou assim, queira ou não, bem real
Acerto, erro, brinco, fico séria
Gosto de ser o máximo natural
Descabelada, arrumada, no salto ou descalça
Sou assim, queira ou não, bem real
Sorrio até a barriga doer
Choro até não mais poder
O rosto inchado, olhos vermelhos
Até passar o vendaval
Sou doçura, carinho, colo, desejo
Por vezes bem sensual
Sou assim, queira ou não, bem real
Ora distante, falante, alegre ou enraivecida
Isso tudo faz parte da vida
Ora pura candura, fácil leitura
Ora travessura, bravura, amargura
Buscando apenas uma cura
Sou assim, queira ou não, bem real
Ora lindeza, feiúra, pureza, levadeza, comunicação
Ora tristeza, dor, reflexão, introspecção, solidão
Apenas alguém que quer da vida amor, emoção, evolução
Sou assim, queira ou não, bem real…
Alda M S Santos
NÃO É EM VÃO
Não é em vão
Qualquer ação vinda do coração
Não importa como ela chega
De onde vem, de quem vem
Se vier da alma, houver compaixão
Não é em vão
Se traz alegria, harmonia, atenção
Se agita a emoção, acelera o coração
Pode durar minutos, horas, dias
Até se eternizar na lembrança
Não é em vão
Um abraço apertado que nos tira do chão
Um carinho, um beijinho, um “juízo, hein”
Por amizade, solidariedade, humanidade, amor
Se faz brotar o sorriso, se te deixa leve
Não é em vão
Vã é a crença de que nada vale…
Alda M S Santos
PELA ESTRADA AFORA
“Pela estrada afora eu vou bem sozinha”
Vamos caminhar nessa estradinha?
Caminho do rio ou da floresta?
Para todo lado há lobos maus
Nem sempre dá para fazer a festa
Mas a magia do caminhar é sensacional
Vão em frente Chapeuzinhos e vovozinhas
Tentando escolher o melhor caminho
Em busca de seus doces, oferecendo suas doçuras
Fugindo do mal, das amarguras
Muitas vezes o coração é que é deserto
Mas cada qual segue sua sina, sua trilha
Sabendo que o mal pode estar por perto
Mas confiante que o bem também, por certo
Por vezes, fazem algumas travessuras
Afinal, o quadro da vida pede variadas pinturas
Seguem Chapeuzinhos, vovozinhas e lobos
Bons ou maus… aprendendo, afinal
Ora se cruzam, ora seguem em paralelas
Buscando o que há de bom por aqui
Até chegar à tardinha, ao sol poente do existir
E junto à própria consciência, feliz e contente, dormir…
Alda M S Santos
POESIA: ANALGÉSICO, ANESTÉSICO, ESTIMULANTE
Na dor, poesia é analgésico eficaz
Na saudade, poesia é anestésico poderoso e catártico
Na letargia, poesia é estimulante feroz
Na alegria, poesia é pura magia
Na descrença, poesia é a fé restaurada
Na vida poesia é a droga legalizada
No poeta, poesia, amor, fé e vida se fundem
Se confundem, se materializam, se transmutam
Em letras, versos, poemas, emoções…
Poesia é registro vivo, a prova irrefutável
Daquilo que ainda vive…
Alda M S Santos
DECISÕES
Decidi não mais me preocupar
Não quero mais sofrer ou me amargurar
Ou se isso acontecer
Que seja apenas um atalho bem rápido
Que logo me devolva ao saudável caminhar
Decidi não mais me importar
Com quem já encontrou guarida noutro lugar
Preciso mais de mim mesma me ocupar
Abastecer meu estoque para poder me doar
Decidi sempre procurar ajudar
A quem de mim verdadeiramente precisar
Que fique feliz com minha presença
Meu sorriso, atenção e doce abraçar
Decidi resgatar entre as muitas de mim
Aquelas que possam se autoabastecer
Que não necessitem tanto dos outros
Para garantir o seu próprio viver
Decidi nunca me esquecer de mim
Aquela que tem alegria, energia, prazer
Até mesmo aquela que às vezes só quer desaparecer
Porque ambas são partes do mesmo viver
Lados diferentes da mesma moeda lançada
Todo o tempo dessa vida abençoada…
Decidi…
Alda M S Santos
HÁ POESIA
Há poesia na plantação e na colheita
Na chuva que cai no mar ou no alto da serra
No sol que nos abraça, não faz desfeita
Nas estrelas, nas fases da Lua que não erra
Há poesia no perfume da rosa vermelha
No olhar sedutor da moça faceira
Na saudade que em nós faz centelha
Nos amantes felizes sob a cachoeira
Há poesia nos corações apaixonados
Naqueles que sofrem desamparados
No silêncio ou no grito de todo desafortunado
Há poesia em você, em mim
Especialmente quando nos dizemos sim
Somos amor, carinho, sonhos sem fim
Alda M S Santos
EM BUSCA DE MIM
Sempre fui apaixonada por água
Não nado bem, tampouco bebo o bastante
Mas ela exerce verdadeiro fascínio em mim
Não importa como se apresente:
Rio, cachoeira, mar, lagoa, chuva, nascentes…
Posso ficar horas admirando!
Água tem o poder de me acalmar
Molho os pés, a nuca, lavo o rosto, sento à beira
Ouço o barulho suave do rio ou furioso da cachoeira ou tempestade,
Mergulho, sinto seu frescor, lavando tudo.
Tudo é encanto!
Quero ali ficar até tudo de negativo ir embora
Encher-me de positividade
Restabelecer a confiança, o amor
A fé no ser humano, na vida, em mim mesma
Enquanto houver água correndo,
Haverá encanto, haverá vida.
Água que nasce, que brota
Que corre, que cai, que vai, me leva…
Em busca de outros caminhos
De outras águas,
Em busca de mim…
Alda M S Santos
DANÇA DA VIDA
Temos tanto ainda a crescer
Por aqui somos meros aprendizes
Em cada ação desse nosso viver
Buscamos sempre nos fazer felizes
Nem sempre acertamos bem o passo
Somos trôpegos, não há sincronia
Há quedas, entorces, descompasso
Na dança da vida erramos a coreografia
Há dor, decepção, tristeza e solidão
É preciso exercer a solidariedade, a compaixão
Escolher como agir está em nossas mãos
Não desistir da procura, do encontro
Buscar parcerias, boas companhias
Para evoluir no amor com sabedoria
Alda M S Santos
ESCOLHO O AMOR
Num mundo tão dificil, complicado
Onde nossas escolhas envolvem tantas vidas
Implicando até mesmo no futuro ou passado
Não dá pra ser tolo, ficar alienado
Escolher entre o agir ou se omitir
Entre o sentar, ficar ou partir
Entre o se calar ou o amor gritar
Entre sorrir ou chorar, tudo irá nos afetar
As escolhas precisam ser conscientes
Entre muitas, ou não, sempre faremos uma opção
Envolvendo alegria, dor, esperança ou solidão
É preciso escolher a si mesmo, escolher o amor
Quem não escolhe amar a si mesmo primeiro
Não terá nada a oferecer a um terceiro
Alda M S Santos
OLHAR SEM VERGONHA
Há olhos e olhos, modos e modos de enxergar
Já não notamos aquela nuvem que se modela,
A sombra engraçada à nossa frente
As flores viçosas naquele jardim na calçada cimentada
Um casal idoso de mãos dadas
Os olhares opacos de quem passa, o mendigo à margem
A pessoa ao nosso lado, as rugas no rosto de nossos pais
Se um observador atento diz “que lindo o dia”
Ainda pensamos, às vezes, “onde, tá louco”?
Sequer olhamos nosso próprio rosto!
Nosso olhar não se fixa mais, exceto no vazio.
Ou para recriminar e fazer críticas negativas
O feio está cada dia mais feio,
E o bonito tornou-se corriqueiro.
Acredito que precisamos “deseducar” nosso olhar,
Afastar a superficialidade, o ver sem ver.
Olhar sem vergonhas, sem princípios,
Sem direções, sem tutoriais, sem vícios.
Precisamos olhar com olhos infantis, olhos puros,
Olhos fixos, profundos e deslumbrados…
Olhos que descobrem, desvendam, olhos da alma.
Só assim, o muito visto, se nos apresentará como novo…
E encontraremos beleza em todos os cantos e recantos.
Alda M S Santos
SEM FRONTEIRAS
Quisera romper toda e qualquer fronteira
Subir, escalar, derrubar, contornar
Não deixar que me limitem, não dar bobeira
Um multiverso de possibilidades a explorar
Quisera romper toda e qualquer fronteira
As impostas pelo medo, pela razão ou religião
Atravessar qualquer ponte ou trincheira
Para apenas poder ouvir as batidas do coração
Quisera romper toda e qualquer fronteira
Deixar a vida se impor, abrir a porteira
Ser nesse espaço livre a pioneira
Quisera romper toda e qualquer fronteira
Sendo alegre, sem culpas, faceira
Em busca de uma vida completa, mais inteira
Alda M S Santos
SONHANDO
Sonhou que brincava de flutuar
Era tão leve que as nuvens seguia
Encantada por poder voar para todo lugar
Dançava, girava, enfeitiçada pela magia
Sonhou que brincava de amar
Bailando faceira sob o luar
Olhos de amor intensos a brilhar
Ela era pluma, presa naquele olhar
Sonhou que a vida iria acabar
E ali que gostaria de ficar
Num mundo mágico a dançar e amar
O sonho acabou, ela acordou
Presa naquele mundo ficou
Ou será que o sonho continuou?
Alda M S Santos
PRESTE ATENÇÃO
Olhe para o que te falta, busque
Mas veja aquilo que você tem de verdadeiramente seu
Olhe devagar, absorva o positivo, o divino
Preste atenção!
Inspire fundo, sinta o perfume doce da paz
Mesmo que precise inspirar muitas vezes
Sinta-se vivo! Preste atenção!
Olhe no seu entorno
Natureza viva, ar puro, brisa suave, calor humano
Entregue-se! Delicie-se!
Veja quem te estende a mão, quem te cuida
Quem te abraça, te acolhe, te ama
Quem reza por você, pensa em você
Quem sempre te coloca como prioridade
Preste atenção!
Veja com um novo olhar tudo aquilo que está dentro de você
Demore-se um pouco nesse olhar, tenha calma
Preste atenção! Sinta-se!
Ainda que seja apenas você mesmo
Olhe! Veja de verdade! Preste atenção!
E valorize! Valorize-se!
Onde você se encontra, também encontra Deus
A vida é aquilo que fazemos dela…
Alda M S Santos
SOMOS NÓS
Somos nós que podemos escolher
Aquilo que em nós deve prevalecer
Se deixamos a entrada livre, porta aberta
Ou se esperamos com calma a hora certa
Somos nós que damos permissão
A toda e qualquer invasão de emoção
Escolhendo o que em nós é melhor cultivar
Alimentando o que nos fará crescer, frutificar
Em nós pode haver embates
Lutas, vitórias, derrotas, empates
Que nossa alma seja forte, não se mate
Os ventos trazem de tudo sem piedade
Brisas leves ou fortes tempestades
Que prevaleça a liberdade com dignidade
Alda M S Santos
O PODER
Há poder num dia ensolarado
De encantar e se fazer admirado
Há poder num dia chuvoso
De ser nostálgico, meio dengoso
Há poder numa noite de amor
De reenergizar, aquecer, ser calor
Há poder numa amizade, na bondade
Aquela que traz aconchego, serenidade
Há poder no acolhimento, na empatia
Há luz, caminhos são vislumbrados
Num conselho há magia, sabedoria
Mas só nós podemos mudar nossa história
O poder de verdade está dentro da gente
Esperando para ser despertado e encarado de frente
Alda M S Santos
PONTES
Pontes são convites, são chamados
Elos a permitir a ida de um lugar a um ainda não-lugar
Aquele que vemos apenas pelas frestas das persianas de nossa mente
Apresentar o desconhecido ao conhecido
Possibilitar o novo, encorajar
Passarelas ou pinguelas, as físicas ou as mentais
Assustadoras para muitos, paralisantes
Fundamentais para tantos…
Necessárias onde há falhas no caminho, obstáculos, interrupções
Rios, mares, montanhas, abismos
Aqueles da natureza ou dentro da gente
Não vale é ficar parado onde já esgotou possibilidades
Ou no meio da ponte a impedir o caminho dos outros
Ou ainda esperando até as forças faltarem para a travessia
Encontrar pessoas ponte, pessoas pinguela
A nos dar as mãos, acalmar nossos medos
Encorajar cada passo na pinguela
“Em frente, não olhe para baixo”
“Um passo de cada vez, tá quase lá, estou aqui”
São ouro num mundo tão cheio de muros…
Alda M S Santos
DEIXE-SE SEDUZIR
Ela vem cheia de charme
Luz, brilho, cantos e encantos
Sedutora, tira você para dançar
Gira pelo salão, pelas ruas, na contramão
Sobe e desce, oferece flores, perfumes e delicadezas
Faz que vai, volta, te abraça
Você a segue no sol ou na chuva
Dia ou noite, cedo ou tarde
Anda sobre águas, mergulha, vai longe
Você quer fugir, às vezes, quer desistir, tem medo
Mas ela não deixa você se abater
Habilidosa, sabe de seu valor, sua supremacia
É soberana, poderosa, instintiva
E usa de todos os artifícios para manter sua atenção e desejo
Quer venha nua ou coberta de riquezas
Ela te vence, te embriaga, te encanta, te seduz
E você se entrega…
Ela é a vida, que nunca desiste de você
Não desista dela
Deixe-se seduzir…
Alda M S Santos
SÓ SEI QUE DÓI
Não dá para identificar ao certo
A dor está lá, crescendo, remexendo
Indefinida, dor de quê, em quê?
Dor da (in)existência, enfraquecendo
Aperta a garganta, parece que sufoca
Ora deixa lágrimas presas rolarem
De onde vem, fura feito broca
Excesso de passado, ausência de futuro?
Um presente de realidades meio indesejadas
Repleto de sonhos, desejos, anseios
Em corações e almas bastante alucinadas
É preciso sanar a dor, apagar essa sensação
De que tudo é meio impossível, em vão
Crer na cura no amor, na esperança, sem senão
Alda M S Santos
DIFÍCIL ESQUECER?
Que é por aqui mais difícil de esquecer
O que faz chorar, faz sofrer
O que mais faz feliz, faz sorrir
Ou o que declinou, quis partir?
É difícil esquecer as dores
Causadas por (des)afetos, (des)amores
Ou os carinhos, cuidados, sem enfado
De quem sempre esteve ao seu lado?
Se é difícil esquecer a criança que fomos
Também o é a pessoa que nos tornamos
E todos aqueles a quem amamos
Se pudéssemos escolher deixar desvanecer
Apagar da memória, fazer desaparecer
O que gostaríamos de em nós deixar morrer?
Alda M S Santos
Tarde de Poesias: Difícil de esquecer
QUANTO VALE UMA VIDA?
Uma pergunta difícil : quanto vale uma vida?
Uma vida vale tudo, mas não há nada que pague.
Também não vale nada, visto que não há valor material que possa sustentá-la
E tantas vezes parece estar presa a um único fio…e perdura
E outras, parece forte… e se perde
Vale o tamanho do nosso amor, da dor que fica
Da ausência deixada, da lacuna não preenchida
Como amor não tem medida, a vida também não tem…
Qualquer vida que se perde
Que permitimos que se vá
Que não conseguimos impedir a partida
É uma perda irreparável,
Independente de quem foi
Sexo, idade, classe social, instrução, religião, profissão…
É sempre um projeto de Deus interrompido…
E uma vida nunca pode substituir a outra
Cada vida é única e especial
Algumas são mais preciosas para a gente que outras
São aquelas que Deus nos entregou nas mãos e disse
“Cuida, confio em você”!
São aquelas pelas quais seremos cobrados
São aquelas que trazem tudo de bom que temos
Que fazem a nossa própria vida ser preciosa
Que nos alimentam de sorrisos e lágrimas
Que nos fazem acender, manter e fazer valer nossa porção divina…
Alda M S Santos
MEU PEQUENO MUNDO
Meu mundo é pequeno diante desse mundão
Tantas vezes acredito que sairá de órbita
E ficará à deriva, perdido na escuridão
Numa nau desértica e inóspita
A pequenez dá a ideia que não faz diferença
Aquilo que faço ou desfaço, por (des)crença
Mas como num jogo de peças de dominós
Elas estão ligadas, ainda que pareçam sós
Não vamos sozinhos, somos partes do todo
Uma mexida qualquer abala, causa incômodo
Para o bem ou para o mal, sem engodo
Esse mundão é feito de pequenos mundos
Mudá-lo exige realizar sonhos profundos
Ativar em nós a paz, união e amor fecundos
Alda M S Santos