OLHAR SEM VERGONHA
Há olhos e olhos, modos e modos de enxergar
Já não notamos aquela nuvem que se modela,
A sombra engraçada à nossa frente
As flores viçosas naquele jardim na calçada cimentada
Um casal idoso de mãos dadas
Os olhares opacos de quem passa, o mendigo à margem
A pessoa ao nosso lado, as rugas no rosto de nossos pais
Se um observador atento diz “que lindo o dia”
Ainda pensamos, às vezes, “onde, tá louco”?
Sequer olhamos nosso próprio rosto!
Nosso olhar não se fixa mais, exceto no vazio.
Ou para recriminar e fazer críticas negativas
O feio está cada dia mais feio,
E o bonito tornou-se corriqueiro.
Acredito que precisamos “deseducar” nosso olhar,
Afastar a superficialidade, o ver sem ver.
Olhar sem vergonhas, sem princípios,
Sem direções, sem tutoriais, sem vícios.
Precisamos olhar com olhos infantis, olhos puros,
Olhos fixos, profundos e deslumbrados…
Olhos que descobrem, desvendam, olhos da alma.
Só assim, o muito visto, se nos apresentará como novo…
E encontraremos beleza em todos os cantos e recantos.
Alda M S Santos