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poemas e reflexões da vida cotidiana

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autoproteção

Não me cabe

NÃO ME CABE

Nessa caixa não me cabe
Não é que eu não seja flexível
É que ela tende a me moldar
Colocar num padrão que me machuca
E que não vai me agradar

Nessa caixa não me cabe
Dobra daqui, dobra dali
Tira um pedaço desse lado
Aperta o outro, transfere de lugar
Até eu não mais me identificar

Nessa caixa não me cabe
E mesmo se coubesse eu não gostaria
É que prezo a liberdade de ser o que sou
Colocar-me ali me mataria

Nessa caixa não me cabe
Não sou boneca para viver em caixa, preciso de ar
Prefiro jardim, mata, rio, mar ou cachoeira
E assim quero viver a vida inteira…

Alda M S Santos

Bipolar

BIPOLAR
Ou o Sol que racha, ou o breu da noite,
Ou o amor que aquece, ou a tristeza que gela,
Ou a chuva torrencial, ou a seca que desidrata
Ou amizades que acalentam, ou inimigos que as ofuscam
Ou a fome desvairada, ou a anorexia bulímica
Ou gargalhadas contagiantes ou lágrimas tempestuosas.
E o coração sempre no mesmo polo, sempre cheio!
Ainda que pareça sair pela boca,
Ou estar tão apertado que pareça nada conter.
Antes bipolar e cheio de vida,
Que num constante polo de tristeza!
Alda M S Santos

Tatuado na testa

TATUADO NA TESTA

O bom não traz marca na testa
É isso que ouvimos há tempos
E é consenso, não há quem contesta
Bom mesmo seria se viéssemos de fábrica
Com algumas informações importantes
Talvez um tutorial, um manual
A nos alertar para aquilo que fosse mau
Ou para o que for causar algum dano
“Frágil, quebrado também corta”
“Falhas estruturais, risco se deamoronamento””
“Dificuldades para se envolver”
“Só pega depois de um café”
“Poeta, sensível e confuso”
“Ladra, mas não morde”
“Só a cara é de santo, proteja-se”
“Mentiroso hábil e compulsivo”
“Sorriso que desarma e destranca qualquer coração”
“Propriedade particular, cuidado com o cão”
“Basta um abraço para brilhar”
Sei lá, seríamos poupados de muitos falsos atalhos
Ou caminhos desnecessários
Talvez até tenhamos essas marcas
Mas, afoitos, não damos a devida importância
E a cada vez novos choques, feridas, repouso, aprendizado
Será?
Qual marca você deveria trazer tatuada na testa?
Qual marca você mais precisaria ser alertado?
Alda M S Santos

Moro num lugar

MORO NUM LUGAR

Moro num lugar simples e encantador

Nada paguei por ele, veio de graça

Tantas vezes tem brilho e cor

Talvez eu tenha pedido, merecido

Às vezes fica úmido, escuro, até meio mofado

Noutras é dia lindo, ensolarado

Mas é o que tenho de mais meu, mais concreto

A mim cabe saber cuidar, amar, estar por perto

Zelar, seja nos dias de luz ou escuridão

Nos dias em que há festa no salão

Quando fica apertado e parece não me caber

Ou quando sobra tanto espaço que não sei o que fazer

Pode ser muitas vezes uma mansão luxuosa

Noutras uma casinha simples no pé da serra

Não posso partilhar com qualquer um minha morada

Pois é casa simples, especial, até sagrada

Mas gosto de dividir com pessoas especiais

Com as quais me sinto bem, amada

O prazer de aqui morar, ser abraçada

Essa casa, meu corpo, onde minha alma fez morada

Alda M S Santos

Talismã

TALISMÃ

Quero um pequeno talismã comigo carregar

Para fazer minha coragem retornar

Que me faça sorrir quando a vontade for chorar

Ou até que me deixe chorar sem tanto me incomodar

Quero um talismã que tenha boas energias a espalhar

Que me permita sem medos continuar a amar

Que me acompanhe e me impeça de errar

E que faça encontrar no coração do outro bom lugar

Quero um talismã, não só por, às vezes, ser frágil

Mas por nem sempre poder ser forte

Nesse mundo de batalhas entre a vida e a morte

Quero um talismã que me renove a esperança

Num futuro bonito e iluminado em minhas andanças

Com mais alegria, paz, amor, e uma vida de mais alianças

Alda M S Santos

Quem de mim irá cuidar?

QUEM DE MIM IRÁ CUIDAR?

Mexo para lá, mexo para cá

Cuido de um, cuido do outro

Entre tantas mexidas e cuidados

Fico a pensar: quem de mim um dia irá cuidar?

Não há como saber quem poderá a mim se dedicar

A vida é apenas um constante esperar

Enquanto só posso imaginar

Faço o que me cabe: de mim mesma vou cuidar

Enquanto a pergunta persiste e angustia

Melhor ir seguindo sendo energia

Buscando no viver essa doce magia …

Bom é que aprendendo do outro cuidar

Vou assimilando que a vida é doação

Na hora certa, Deus me mandará anjos cheios de compaixão….

Alda M S Santos

Cicatrizes

CICATRIZES

Cicatrizes carregam consigo uma trilha

Um caminho a lembrar do percorrido até ali

Caminho que nela teve fim

Da cicatriz para trás, o vivido, vencido, curado

Da cicatriz em diante nada há, exceto expectativas

Dali para a frente, novas trilhas, novos caminhos

Independentes do caminho anterior

As feridas passadas deixaram a marca

Mas não é ela que irá determinar para onde ir

Novos caminhos, novos aprendizados, novas feridas ou cicatrizes

Ou não!

É preciso seguir para descobrir …

Vamos?

Alda M S Santos

Tudo de você

TUDO DE VOCÊ

Há alguém que conhece tudo de você

Tudo, tudo mesmo?

Suas qualidades, suas vitórias, seus sorrisos

Suas lágrimas, medos, fracassos

Preconceitos, mesquinharias, covardias

Aquilo que você tem vergonha de admitir até para si mesmo?

Não te vê apenas maquiado, mascarado

Do jeito que quer que te vejam

Mas enxerga além da superfície

Vê sua capacidade de se doar

Conhece seus direitos e avessos

Suas sedas suaves, suas belas costuras e bordados

Seus rotos, esfarrapados, cerzidos?

As vezes que caiu, levantou, derrubou ou salvou alguém

Aquelas em que quase desistiu

Ou que prosseguiu por prosseguir

Te encontra nos dias em que o sol brilha

Mas também naquele cantinho escuro de sua alma

Para onde você vai vez ou outra

E ficaria ali com você sendo seu abraço, seu apoio

Numa conversa verdadeira infinita…

Há alguém para quem você seja transparente

E mesmo assim te reconheça como belo ser humano

Que respeita sua história, não desiste de você

Está perto e, ainda assim, te ama?

Além de Deus, que nos ama com amor piedoso e misericordioso

Talvez você mesmo, que se entende e se aceita

Se possui outro alguém assim

Você é muito mais rico do que pensa…

Há alguém que saiba tudo, tudo de você?

Alda M S Santos

Desculpe-me

DESCULPE-ME

Desculpe-me pelas vezes em que não te ouvi

Por aquelas que fingi nada sentir

Desculpe-me pelas vezes que te fiz sofrer, chorar

E num pranto sentido mergulhar

Desculpe-me pelas vezes em que seu jeito desrespeitei

E fiquei perdida, desesperei

Desculpe-me por tentar fazer de ti o que não és

Para agradar aos outros, em tanto revés

Desculpe-me pelas vezes em que fui tão coração

E te magoei sem razão

Desculpe-me pelas vezes que, afoita,

Não te dei tempo para se recolher, repensar

Desculpe-me pelas vezes em que não vivi

Por medo insano de viver, quase morri

Desculpe-me, meu interior,

O lado mais verdadeiro de mim

Pelas vezes em que fingi não estar a fim

Desculpe-me pelas vezes em que errei

E quase joguei fora a chance de viver, não perdoei

Felizmente, aprendi, enfim

O que sou é o que há de mais belo e real para mim

E, antes de qualquer um, devo a mim mesma perdoar, amar

Até quando for permitido juntas este caminho atravessar…

Desculpe-me!

Alda M S Santos

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