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Circularidade da vida

CIRCULARIDADE DA VIDA

Acredito nos ciclos vitais

Sejam da água, das plantas, da Lua

Das marés, da Terra ou dos humanos

Fazemos nossa própria rotação

Giramos em torno de nós mesmos e dos nossos

Sem percebermos que, tal qual a Terra em torno do Sol,

Fazemos também nossa translação em torno do mundo

E em cada parte desse ciclo que vamos criando

Enfrentamos marés altas, calmarias

Tsunamis e ressacas

E vamos aprendendo a lidar com cada uma

Protegendo-nos de riscos desnecessários

Acolhendo com tranquilidade fases ruins

Resistindo melhor ao gosto pelo supérfluo

Aproveitando ao máximo a face bela e luminosa do período amoroso

Aprendemos a nos fortalecer

Na certeza da circularidade da vida: tudo vai, tudo volta

E procuramos melhorar a cada ciclo

Sem perder nossa essência, nossa individualidade

O que faz de nós aquilo que somos: únicos!

Alda M S Santos

Ser feliz

SER FELIZ

Descobri um jeito simples de ser feliz

Não exige tanto esforço ou trabalho

Não há necessidade de acumular bens

Nem estar vestido na última moda

Dispensável ser sarado, esbelto, musculoso ou curvilíneo

Ou ter rosto de capa de revista

Não há necessidade de ter QI de Einstein

Ou a bondade da Madre Teresa de Calcutá

Não exige que esteja com alguém

Tampouco será problema se estiver sozinho

Basta ser o motivo da felicidade de alguém

Aquela pessoa que desperta sorrisos no outro

Aquela alma que parece carregar consigo o segredo da paz mundial

Que faz com que o outro se sinta acolhido e aquecido

Que faz com que se sinta alguém especial

Que exala, amor, luz, carinho, bondade

E faz outro ser se sentir valorizado, amado…

Aquela pessoa indispensável na vida de outro alguém

Que faz o dia ser mais belo simplesmente por ela existir

Isso é ser feliz: fazer feliz!

Simplesmente porque isso gera energia boa

Que flui em mão dupla

Vai e volta simultaneamente…

Quer ser feliz? Faça um alguém feliz!

Alda M S Santos

Histórias arrancadas

HISTÓRIAS RABISCADAS

São tantas as histórias, tantos os momentos

Bons ou ruins, saudosos ou amargos

E muitas vezes queremos rabiscar alguns capítulos

Arrancar algumas páginas

Apagar definitivamente algumas cenas dolorosas

Mas isso não é possível…

Tudo está gravado definitivamente

Seja rabiscado, arrancado, queimado, lançado fora

Tudo está lá em nosso HD interno

E salvo no Livro da Vida o qual não temos acesso

Podemos desfocar, desviar a atenção

Deixar ir embaçando por falta de uso

Grifar com brilho páginas mais interessantes

Destacar capítulos alegres e prazerosos

Colocar rosas a marcar o que se quer “reler”

Mas apagar, definitivamente, não dá!

Vira e mexe cenas reaparecem

E só podemos aprender com elas

Reeditar, consertar, reestruturar, melhorar o que for possível

E mandá-las novamente para a caixinha de histórias rabiscadas

Daquelas que só serão relidas do outro lado da vida…

Alda M S Santos

Plurais

PLURAIS

Gosto de pessoas plurais

Intensas, diversas, multi

Capazes de me despertar de qualquer letargia

E me inspirar a ser cada dia mais

Gosto de pessoas singulares, únicas

Daquelas que carregam o sol em si sem perecer

E mesmo nas noites mais escuras e frias

São capazes de brilhar e me aquecer

Gosto de pessoas plurais ou singulares

Contanto que enxerguem o mundo a sua volta, tudo natural

Que me vejam como as vejo

E façam-me sentir única, especial

Gosto de pessoas, todas elas

Desde que sejam reais, verdadeiras

Plurais ou singulares, pares ou ímpares

Que me façam sentir que existo, que sejam parceiras…

Gosto de pessoas…

Alda M S Santos

Além do horizonte

ALÉM DO HORIZONTE

Do horizonte multicor faço uma tela gigante da vida

Um filme de um viver, de um “passar” por aqui

Cada cor refletindo uma alegria, um êxtase

Uma dor, um prazer, um dissabor

Uma mistura delas tão nítida em alguns pontos

Tão confusa e borrada em outros

Filme que desperta sorrisos, satisfação

Lágrimas, tristeza, saudade, gratidão

Um filme de bilheteria singular

Será que nossa história passa em alguma outra tela por aí?

Causa emoção, esperança, dores e arrependimentos

Ou quem sabe tenha takes e cenas de amor e saudade?

Luz, escuridão, emoção, decepção, vida…

Cada uma delas retratando um momento especial

Porque viver é sempre especial

No horizonte multicor assisto a um filme que ainda acontece

E continuo produzindo novas cenas…

Gravando!

Alda M S Santos

Sentimentos tão (des)humanos

SENTIMENTOS TÃO (DES)HUMANOS

Determinação : Você poderia me arrumar um emprego? Quero trabalhar!

Arrependimento: Vim de Pouso Alegre e acabei aqui sem pouso.

Fome: Pode repetir? Estou faminto hoje!

Depressão: Faço uns bicos durante o dia, durmo no abrigo, saio às vezes, a depressão bate fundo.

Fé: Um dia estarei do lado que vocês estão, se Deus quiser!

Tristeza: Meu filhinho de três anos está internado.

Maternidade: Preciso de roupas de criança. Lembra de mim e do meu filhinho loirinho e de olho azul?

Vaidade: Gosto de sabonete cheiroso, esse é bom!

Preferências: Não posso com esse cobertor, sou alérgico, pinica!

Simplicidade: Tem um chinelo ou tênis? Se for grande pode ser de mulher mesmo!

Humildade: Não tem mais blusa de frio? Tenho frio! Pode me dar essa sua?

Satisfação: Que massa! Ganhei uma blusa do Galo(Atlético MG)

Simpatia: A vida na rua dói, moça! Tem pasta de dente aí, ajuda a sorrir!

Mulher: Acabaram os absorventes? Estava precisando…

Oportunismo: Tem gente que pega coisa que tem, eu não faço isso, não!

Má índole: Pode me dar uma sacola grande? Se a gente não dormir por cima eles roubam!

Vícios: Não dê cobertores para aqueles lá, não, que vendem para comprar “cola”.

Gratidão: Deus abençoe e proteja vocês!

Realidade: E assim segue a vida nas ruas de Belo Horizonte

Nos cantos, nas filas de doações, nas camas improvisadas

No fogo para aquecer, na bebida ou droga para esquecer

Nas barracas de cobertores que servem de casa, dia ou noite…

Sentimentos tão (des)humanos que transbordam

No meio de todos nós…

Alda M S Santos

Quero acreditar

QUERO ACREDITAR

Quero acreditar num mundo de amor e paz

Mesmo que ainda tropecemos em seres humanos pelas calçadas

Quero acreditar na bondade inerente a todo ser humano

Mesmo que tantas atitudes nem pareçam humanas

Quero acreditar na força que nos faz persistir

Mesmo que a fraqueza física ou mental nos puxem para baixo

Quero acreditar que qualquer bem que se faça é um começo

Mesmo que pareça tão pouco aos olhos de tantos

Quero acreditar que posso espalhar a luz

Mesmo que o entorno tenha tanta escuridão

Quero acreditar na cola universal chamada amor

Capaz de a tudo colar, reintegrar e renovar

Mesmo que estejamos quebrados pela covardia e inércia

Cheios de cacos cortantes, algozes

Ferindo a todos a nossa volta e a nós mesmos

Quero acreditar num mundo melhor, de amor reinante

Preciso disso para continuar fazendo algo, agindo…

Acredita comigo?

Alda M S Santos

Ninguém rouba de nós

NINGUÉM ROUBA DE NÓS

O bem estar de saber-se num bom caminho

A satisfação de poder ajudar, doar carinho

A coragem de nas lágrimas nos aliviar

A capacidade de aprender com as falhas e recomeçar

Ninguém rouba de nós…

A saudade de um tempo bom, de alguém

Um passado de dores e amores, sem dever ninguém

A humildade de conseguir pedir perdão

A esperança de um amanhã com mais união

Ninguém rouba de nós…

A indignação diante de uma injustiça com alguém

A hombridade em nada ter tirado de ninguém

A liberdade de poder escolher companhia ou solidão

A felicidade que há em amar um irmão

Ninguém rouba de nós…

A honestidade de nunca deixar ninguém para trás

A serenidade de uma alma criança, em paz

A crença num Deus de amor, nossa fé

A delícia de ser quem se é…

Ninguém rouba de nós…

Só se a gente deixar que o façam …

Alda M S Santos

Por aí…

POR AÍ…

Ando por aí…

Ora concentrada, absorta

Ora distraída, dispersa

Atenta ao que parece não importar

Mas, na verdade, quero a todos motivar

Ando por aí…

Notando cores, construções, edificações

Percebendo também destroços, demolições

Ando por aí…

Tentando parear com quem caminha só

Buscando direcionar o passo de quem parece perdido

Ando por aí…

Levando abraços, sorrisos, um pouco de fé e esperança

Porque nessa vida o que mais pesa na balança

O que mais nos trará valor positivo

É aquilo que de nós foi amor, foi abrigo

Ando por aí…

Alda M S Santos

Da cor que a gente pinta

DA COR QUE A GENTE PINTA

Verde, vermelho, amarelo ou azul

A vida tem a cor que a gente pinta

Roxo, branco, preto ou laranja

Cinzenta ou multicolorida, talvez a gente a sinta

Se as cores que recebermos não forem suficientes

Vamos misturar, agitar, novas cores criar

Como as crianças dizem “quero de todas as cores” pintar

Vamos escolher melhor nossas paletas

Um jardim de muitas flores em várias facetas

E tingir nosso céu de azul anil

Nosso chão de marrom terra infantil

Nossas emoções de delicada violeta

Nossas lágrimas de clara magenta

Nosso sorriso de dourado amizade

Nossa esperança de verde solidariedade

Nosso amor de vermelho forte, vibrante

Nossas dores de amarelo calmante

Nossa alma furta-cor, multicor

Fazer do nosso e do mundo à nossa volta uma tela abstrata, repleta de amor

E quando tudo cinzento e tempestuoso parecer

Um arco-íris no céu de nossas emoções iremos fazer

Onde todos possamos nosso pote de ouro buscar

E o tesouro brilhante e valioso de uma vida em paz encontrar!

Alda M S Santos

Trilhando

TRILHANDO

Busco as trilhas do viver

Na mata densa e quase fechada

Sigo em frente, não olho para trás

Caminho sob árvores, piso em folhas secas, sou animada

Cheiro bom de terra molhada

Ar puro, sons da natureza, verde intenso

Um pássaro que canta para atrair sua namorada

Nas árvores, num coração, as marcas de um amor, de alguém

Em frente, sigo a trilha, não busco ninguém

Roupas dependuradas num galho

De quem serão? Não há ninguém!

Despertam a imaginação…

Barulho de água corrente me atrai, mudo a rota

Quanto mais ando, mais quero andar

Tão fácil ali me perder…

Percebo que nas trilhas da mata densa

Sempre em frente, numa água cristalina que cai

Encontro a minha própria trilha

O cansaço não vence, se esvai

Aquela trilha leva a mim mesma

Perdendo e me encontrando

Vou trilhando, vou vivendo…

Alda M S Santos

À primeira vista

À PRIMEIRA VISTA

Não existe amor à primeira vista

Existe atração à primeira vista

Que pode vir a ser amor

Ou terminar na fase da paixão

Amor precisa chegar devagarzinho

Abrindo portas com sorrisos sinceros

Destrancando cadeados com a chave da amizade

Quebrando medos com a força da confiança

Vencendo tabus com aceitação das diferenças

Destravando segredos com a segurança de um ombro

Derrubando com delicadeza muros levantados pela autoproteção

Escalando degraus da reciprocidade, um por vez

Amor não invade, conquista

Amor não toma, pede, se doa

Amor não é à primeira vista

Amor se mantém quando a vista, a alma atinge fundo

Mesmo quando nem tudo é bonito

Mas sabe que é ali que você quer ficar para sempre…

Isso é amor! A muitas vistas!

Alda M S Santos

Vamos transformar o mundo

VAMOS TRANSFORMAR O MUNDO

Vamos transformar esse mundo frio

Aquecendo cada coração carente que se aproximar

Vamos transformar esse mundo amargo

Sendo sorriso para cada cara amarrada que encontrar

Vamos transformar esse mundo sério, tolo e feio

Sendo brincadeira, sendo criança, sendo alegria

Vamos transformar esse mundo individualista

Sendo abraço, sendo colo a cada olhar opaco que baixar

Vamos transformar esse mundo faminto

Oferecendo o que pudermos para alimentar

Vamos transformar esse mundo doente da alma

Sendo a paz, a serenidade e a luz para curar

Vamos transformar esse mundo injusto

Sendo a mão que tenta as diferenças equalizar

Vamos transformar esse mundo incrédulo

Sendo a fé e o amor divino a quem precisar

Vamos transformar esse mundo de tanta angústia e dor

Sendo o bálsamo calmante e apaziguador

Vamos transformar esse mundo, sim

Como?

Pelo exemplo, pelo contágio, pelo amor

Devagarzinho, um ser humano de cada vez…

Alda M S Santos

Isso já é poesia

ISSO JÁ É POESIA

Um dia de paz, de alegria

Onde problemas ficam lá fora

Apenas esse encanto, essa magia

E a simplicidade da infância na natureza em total sintonia

Vento frio no rosto, calor no coração

E a natureza sempre aberta à interação

Tudo é energia, intensidade, emoção

A vida nos ensinando o valor da troca, da cooperação

Para a criança basta espaço e outras crianças, mesmo que de alma

Que a vida acontece até na fantasia, sem trauma

Ali o que vale é o valor da atenção, entrega sem preocupação

E o amor que flui de coração para coração

Domingo, família, parque, piquenique, euforia, amor…

Nem precisa de rima, meu senhor

Isso tudo já é poesia…

Alda M S Santos

Reflexo

REFLEXO

Somos reflexo daquilo que vivemos

Das vitórias alcançadas, das batalhas travadas

Das negações recebidas, das derrotas sofridas

Das pessoas que nos cercam

Do amor que conosco compartilham

Sofremos influências do meio todo o tempo

Positivas ou negativas

Mas não precisamos ser esponjas

Não devemos absorver tudo que se apresentar

Podemos repelir o que fizer mal

Tentar ser mais ímã, atrair mais o que nos é afim

Quem olha para nós enxerga apenas parte do que refletimos

A outra parte fica muitas vezes camuflada pelo que ela é ou sente

Por isso o que somos verdadeiramente nunca é visto totalmente

O brilho nos olhos, o sorriso espontâneo

O carinho que se doa, a autenticidade,

Muitas vezes não passa no filtro “carregado” do outro…

Vamos refletir mais amor

Ele atravessa qualquer filtro!

Alda M S Santos

Intimidade

INTIMIDADE

Intimidade é aquela relação prazerosa que cultivamos

Com quem nos é especial

Onde tudo podemos dizer, fazer, trocar

Sem nos envergonhar e, com isso, aliviar todo mal

Quem tem boas relações de amor, de amizade

Quase nunca é acometido pela solidão

Encontra nessa pessoa a disponibilidade

E a intimidade que complementa toda boa relação

A intimidade pede reciprocidade

Confiança que se abastece na troca, conexão

Nudez em sua totalidade

Intimidade não só de corpos, mais conhecida como paixão,

Mas intimidade de mente, sintonia

Principalmente, intimidade de almas, magia…

Uma boa intimidade de almas nunca se acaba

Vai além da vida…

Alda M S Santos

Dona do meu destino

DONA DO MEU DESTINO

Sou assim meio louca, imperfeita

Já desisti de tentar a todo custo ser aceita

Quero apenas não decepcionar a mim mesma

Sem desatino, ser a dona do meu destino

Sou assim meio inquieta, mais coração, menos razão

Tentando ser um pouco menos emoção

Buscando em tudo a magia do existir

Querendo nada da vida prender, deixar fluir

Sou a que quer sempre mais atividade

Mas que se contenta na singela e rica simplicidade

A que sonha voar alto, puro encanto

Mas que se realiza na magia de um doce encontro…

Por aqui vou tentando não viver de favor

Não ser clandestina, inquilina

Apenas buscando ser a dona do meu destino…

Alda M S Santos

Invernos íntimos

INVERNOS ÍNTIMOS

Gosto de chuva, de dias nublados, de inverno

Neles dá para notar melhor quem tem luz própria

Dá para melhor sentir o calor dos humanos

Não dá para se esconder atrás da luz ou calor do Sol

Não dá para fingir que tudo está bem

Não dá para deles tomar energia por empréstimo

Não que seja errado se energizar no Sol

Na claridade de um dia de verão

Pelo contrário, a natureza está aí para isso

Mas ela apenas complementa nossa essência

O que somos verdadeiramente não se perde num dia chuvoso

Não se esfria num dia de inverno

Não fica cinzento porque amanheceu nublado

Nosso sol e calor internos precisam brilhar e aquecer

Ainda, ou principalmente, quando lá fora estiver frio e chuvoso

É assim que superamos nossos invernos íntimos

Assim que clareamos nossas emoções nubladas

Assim que aquecemos nossa alma quando o coração esfria de dor ou saudade

Assim que lavamos nosso interior, mesmo com lágrimas

Assim que sobrevivemos ao tempo de hibernação…

Alda M S Santos

De pele ou de alma?

DE PELE OU DE ALMA?

Uns são música, outros são apenas barulho

Uns são preciosidades, outros são entulho

Uns são mente, outros são emoção

Uns são coração, outros são perdição

Uns são frescor, outros são terror

Uns são atalho, outros são abismo

Uns são realidade, outros são fantasia

Uns são saudade, outros são nostalgia

Uns são luz, outros são escuridão

Uns são amanhecer, outros são entardecer

Uns são poesia, outros são melodia

Uns são sonho, outros pura magia…

Uns são sede, outros são oásis

Uns são paixão, outros são solidão

Uns são de pele, outros são de alma

Uns são ternos, outros são eternos…

O que o outro é para nós

Ou o que somos para o outro

Sempre será uma relação dual

De ser e de permitir-se ser especial…

Alda M S Santos

Prontos para dizer adeus?

PRONTOS PARA DIZER ADEUS?

Um bom dia rotineiro ao amanhecer

A conversa trivial no café da manhã

O beijo de “vá com Deus” nos filhos

O banho rápido, o perfume, o vestido rodado, preferido

O ônibus lotado, o sinal fechado

O sorriso dado a um funcionário gentil

A impaciência na fila do banco

A discussão infrutífera com o chefe

Um dia cansativo no trabalho

O happy-hour adiado

Aquele abraço não valorizado

Um olhar de admiração ignorado

O amor que se fez ao adormecer…

E se tudo isso fosse pela última vez?

Se tudo fosse despedida?

Se não mais pudesse ser vivido?

Faria alguma diferença para você?

Se fosse possível rebobinar, faria algo diferente?

Certamente estaríamos mais atentos aos detalhes

O abraço seria demorado, o sorriso mais valorizado

O carinho estendido, a impaciência eliminada

Daríamos valor ao que realmente tem valor!

Lutaríamos pelo que queremos

Não desejaríamos o que não pode ser nosso

Aceitaríamos as pessoas como elas são…

Mas sempre estamos nos despedindo!

Por não saber o que nos aguarda no segundo seguinte

E também porque o momento nunca se repete

A situação sempre será diferente, não há reprises

Valorizemos cada segundo como se fosse o último

Sem demagogia, ele não volta mais!

Estamos sempre nos despedindo…

Prontos para dizer adeus?

Alda M S Santos

Onde carregas?

ONDE CARREGAS?

Onde carregas o que amas?

No pulso a contar o tempo

A te enternecer todo o momento?

Na carteira bem guardado

Onde proteges o valorizado?

Onde carregas o que amas?

Naquela imagem no celular estampada

Num cartão na página do livro marcada

Na camiseta em coração silkada

Ou numa declaração no corpo tatuada?

Onde carregas o que amas?

Na pele tal qual fragrâncias impregnadas

Na mente em muitas memórias ativadas

No coração em todos os espaços demarcados

Na alma, enfim, o amor eternizado…

Onde carregas o que amas?

Alda M S Santos

A chave

A CHAVE

Uma porta, uma fechadura, uma chave

Inseriu, girou, abriu

Nem sempre é assim tão simples

Pode estar emperrada como nunca se viu…

Às vezes a chave não é aquela

A fechadura está enferrujada

Ou talvez te falte o jeitinho

Para enfrentar essa parada

Outras vezes a porta não está à vista

Exigirá muito tato e habilidade

A chave não é tão concreta

Mas feita de carinho e intimidade

Não há portas intransponíveis

Tampouco fechaduras invioláveis

O que nos falta é perícia e perseverança

Para torná-las acessíveis, maleáveis

Se a força bruta não adiantou

A chave também não serviu

Não adiantará de nada arrombar

Use o amor, seja doce, seja gentil

E pela porta poderá entrar e ficar…

Alda M S Santos

Fazemos parte daqueles que amamos

FAZEMOS PARTE DAQUELES QUE AMAMOS

Fazemos parte de um jardim que plantamos, cuidamos

Fazemos parte da casa onde moramos, cada marca na parede, cada móvel

Fazemos parte da escola que frequentamos, da quadra de esportes, da biblioteca

Fazemos parte da igreja onde oramos, trabalhamos

Fazemos parte de cada espaço onde dia após dia deixamos um pouco de nós

Há ali nossas marcas, nosso trabalho, nossa energia

Mas, principalmente, fazemos parte das pessoas com as quais convivemos

Com aquelas com as quais trocamos laços de afeto, carinho, companheirismo

Amizade, cumplicidade, confidências, amor

Quanto maior a troca entre elas, mais serão parte uma da outra

Como com aquelas pessoas com as quais nos sentimos em casa

Como se fôssemos feitos da mesma massa, mesma essência

Sensação de pertencimento, fazem bem e pronto

Essas pessoas fazem parte da gente

Fazemos parte delas, para sempre

Estejam onde estiverem…

É muito bom fazer parte dos espaços onde estivemos

Mas é incomparável fazer parte de alguém

Ou ser parte de alguém…

Assim somos eternos naqueles que amamos e nos amaram…

Alda M S Santos

Lavo a alma

LAVO A ALMA

Debaixo de uma cachoeira gelada

Abro um sorriso assustada

Solto um grito, encantada

E saio de alma lavada

Água que alegra, que anima

Desperta-me para a vida

Banha-me, não tenho saída

E saio de alma despida

Água que escorre das rochas

Com a força da natureza

Nunca vi tamanha beleza

E saio de alma indefesa

Ali deixo a tristeza, a solidão

A pureza que brota do chão

Deve ser essa a razão

De minh’alma ser só emoção

Água, terra, natureza e eu

Renovação, encanto, sintonia

Um banho de pura magia

Na alma banhada de energia…

Alda M S Santos

SOS CORAÇÃO

SOS CORAÇÃO

O sol está alto no céu

E aquilo ali é uma cama

E está “feita” onde todos transitam

Cobertores embolados, papelões rasgados

Alguns ainda dormem

Sujos, barbados, vestidos da cor das ruas

Às vezes uma sacola com “tudo” o que têm na vida

Serve a eles de travesseiro

Guardam outras poucas peças de roupas

Talvez um pente ou uma escova de dentes

Um espelho quebrado, será?

Uma fotografia de outros tempos

Mas aquilo é uma cama!

Ali no meio do caminho

Exposta a todas as intempéries

Logo vai escurecer e esfriar, é inverno

Como pode um ser humano viver assim?

Dependentes da generosidade alheia

Será que levam ao pé da letra a passagem bíblica (Mt 6, 25-34)

Das aves do céu e dos lírios do campo

Que Deus alimenta, veste e cuida sempre?

Ou já em nada mais creem?

São muitas as histórias

São imigrantes que vieram e não encontraram emprego

Usuários de entorpecentes perdidos de si mesmos

Pessoas brigadas com familiares

Doentes da mente, do corpo, da alma…

Mas são pessoas!

E nós que temos também nossa cama

Nosso lar, nossas coisas, nossas conquistas

Até que ponto podemos ser considerados humanos

Se nada disso nos sensibilizar

Não nos fizer agir para isso tudo amenizar?

A humanidade pede socorro

SOS CORAÇÃO!

Alda M S Santos

Eclipses

ECLIPSES

Os eclipses encantam tanto do lado de lá

Que paramos sempre para observar

Lua entre Terra e Sol

Luz e sombra a nos fascinar

A olho nu ficamos do lado de cá

Ou nos telescópios a admirar…

Tantos eclipses acontecem em nós

Do lado de dentro, do lado de cá

Quando algo tapa nosso sol

Tudo escurece, vira breu

Mergulhados ali ficamos, tontos

Aguardando a vida girar

E devolver tudo para seu devido lugar

Para a gente de novo se aprumar…

Pós eclipse a vista arde

Pupilas dilatadas pela escuridão

Demoramos a recuperar a visão

Mas sabemos que nunca é tarde

Coração acelerado pela ansiedade

Aguarda a luz nos trazer de volta à realidade…

Alda M S Santos

Assim somos feitos

ASSIM SOMOS FEITOS

Do barulho das gargalhadas de alegria

Do colo quentinho que doamos, pura magia

Da luz de cada olhar que o bem irradia

Do mel de um beijo de bom dia

Assim somos feitos…

De uma oração no tapete ajoelhados

Dos gritos de medo na garganta sufocados

Dos abraços na ponta dos pés, apertados

Do adormecer no travesseiro de lágrimas molhado

Assim somos feitos…

Do passado que ficou na saudade

Do hoje que se impõe sem piedade

Do amanhã que aguardamos com ansiedade

Do viver sempre em busca da felicidade

Assim somos feitos…

Alda M S Santos

Páginas arrancadas

PÁGINAS ARRANCADAS

No livro de sua vida

Há mais capítulos novos

Ou páginas arrancadas

Há mais histórias apagadas

Ou novas registradas

Há mais folhas já usadas a desprender, esquecer

Ou mais em branco, a escrever

Há mais partes bem romanceadas

Que carregam marcas calientes de batom

Ou há mais dor nas vidas dos outros roubadas

Há muitos trechos daqueles de gargalhada solta

Ou mais de lágrimas escorridas

Que é melhor manter escondidas

Há mais corações grudados

Ou trechos rabiscados

Há ilustrações emocionantes

Ou textos longos e fatigantes

A leitura é prazerosa, instigante

Ou cansativa, maçante

A autoria é sua, compartilhada

Ou você a entregou de mão beijada

É uma história para na estante ficar esquecida

Ou lida, relida, revivida

Você recomendaria esse livro

Ainda que para si mesmo?

Alda M S Santos

Um brinde

UM BRINDE

Ao sol que nos aquece toda manhã

À vida que nos permite sonhar com um amanhã

Aos caminhos que a nossa frente se descortinam

Às pedras que a refletir nos ensinam

Tim tim!

Às lágrimas que lavam nossa alma

Aos amigos que nos trazem a calma

Às janelas dos sorrisos que nos iluminam

Às belas flores que em nós germinam

Tim tim!

À noite que nos acolhe sedenta

Às estrelas que iluminam nossa vida, às vezes cinzenta

À esperança que em nós desperta

À vida, às vezes, tão incerta

Tim tim!

Ao amor que brota em nosso peito

À saudade que faz tudo ser perfeito

Ao trabalho que nos enobrece

E à diversão que o cansaço amortece

À vida!

Tim tim!

Alda M S Santos

No meio do caminho

NO MEIO DO CAMINHO

No meio do caminho

Tinha buracos, tinha espinhos

Tinha amigos, tinha amores

Tinha poeira, tinha carinhos

E tinha você…

No meio do caminho

Tinha pedras, tinha árvores

Tinha rampas, tinha escadas

Tinha trabalho, tinha preguiça

E tinha você …

No meio do caminho

Tinha aviso, tinha perigo

Tinha desamparo, tinha abrigo

Tinha gritos, tinha silêncio

E tinha você …

No meio do caminho

Tinha sol, tinha chuva

Tinha luz, tinha escuridão

Tinha desânimo, tinha perseverança

E tinha você…

No meio do caminho

Tinha dor, tinha ansiedade

Tinha sorrisos, tinha lágrimas

Tinha medos, tinha afinidade

E tinha você…

Mas no meio do caminho

Tinha o mundo todo perfeito

De belas escolhas recheado

Da saudade acompanhado

Mas era insignificante, pois não tinha você!

Qualquer caminho só será bonito

Se tiver você!

Valorize-se!

Alda M S Santos

Onda de quê?

ONDA DE QUÊ?

Onda de calor, quarenta graus, frente quente

Daquelas que sugam a energia da gente

Onda de frio, temperaturas baixas, frente gelada

Daquelas que nos fazem encolher na madrugada

Tanta onda que aparece por aí

Queria tanto saber quando chegará por aqui

A onda de amor, frente de bondade

Que é dessa que tanto precisa a humanidade

Onda de compaixão, um pouquinho de atenção

Que levanta alguém do chão, que acolhe o irmão

Onda de solidariedade, que atinge qualquer idade

Desperta a piedade, atiça a caridade

Onda de carinho, chegando de mansinho

Daquelas que matam a saudade

Que nos pegam e nos dão um colinho

E afastam qualquer maldade…

Quando a onda do amor irá nos abater?

Só queria saber…

Alda M S Santos

Um pé e um coração fraturados…

UM PÉ E UM CORAÇÃO FRATURADOS …

Um pé quebrado, machucado

Pé engessado, pé fraturado

Dói muito, dor aguda, dor sofrida

Uma muleta, uns saltos, uns cuidados

Em dois meses logo está curado

E basta umas sessões de fisioterapia

Para poder voltar pra lida

Coração machucado, magoado

Dói tanto, dor que não tem nome, peito apertado

Desilusão que não tem remédio

O mundo parece feio, acabado

Que fazer para acabar com esse mal, esse tédio?

Sensação de que tudo foi em vão

Tristeza que atinge a alma

Dor que vem da profunda decepção

Que se pode fazer para retomar de novo a calma?

Será que se engessado, em repouso colocado

E com umas sessões de psicoterapia

O coração estará pronto para de novo ser amado

E reencontrar de novo a alegria?

Dar tempo ao tempo, não se culpar

Deixá-lo alegrias viver

Ter fé, confiar em si mesmo, se amar

E nunca da vida se esconder

Assim se cura um coração magoado

Afinal, perdeu foi quem não soube ser amado…

Alda M S Santos

De volta para casa

DE VOLTA PARA CASA

Quero pegar o caminho mais gostoso

Nem sempre flores, tantas vezes pedregoso

Quero pegar um atalho que me leve ao que amo

Àquilo que nunca deixou de existir

Quero pegar o caminho de volta para casa

Quero pegar o caminho do qual me afastei

Em busca daquilo que estava tão perto

Quero pegar o caminho que tão bem conheço

Que poderia perfazer de olhos fechados até aqui

Quero pegar o caminho de volta para casa

Quero pegar o caminho que me leve até mim

Aquela que outros caminhos percorreu

Voltas e voltas que deu para chegar cansada, voltar crescida

Quero pegar o caminho de volta para casa

Aquela que sempre esteve aqui

Que sabe o que quer e habita em mim

E logo percebi que todos os caminhos, afinal,

Eram necessários para me trazer de volta para casa

Para me trazer de volta para mim …

Oi! Voltei! Senti saudades!

Alda M S Santos

Eu me rendo

EU ME RENDO

Um friozinho da manhã

A relva toda molhada de orvalho

Um passeio a cavalo

O sol brilhando atrás da serra

Eu me rendo…

Pássaros cantando, bois mugindo

Cachorros brincando, patos nadando

A vida acontecendo

Eu me rendo…

Uma tarde preguiçosa

A rede na varanda

Todos parecem aboletados em algum canto

Uma soneca relaxante, aroma de café

Eu me rendo…

A noite chegando

A escuridão abraçando todos os espaços

Todos buscando abrigo

A lua reinando no céu

Gatos namorando em cima do telhado

E a gente cá embaixo

Eu me rendo…

A vida acontecendo lá fora

A vida acontecendo cá dentro

Eu me rendo…

Alda M S Santos

Sob o luar

SOB O LUAR

Sob a luz intensa do luar

Quero relaxar, me entregar

A um banho quente, envolvente

Que afaste tudo da mente

Exceto o prazer de ser gente

Quero um banho de Lua!

Sob a beleza da Lua

Por uma noite sem fim, sem pudor

Ou por toda a vida, de alma despida

Poder sem medo me abrir, me expor

Preciso de um banho de Lua!

Sob o poder e encanto da Lua

Deixar tocar e brilhar em mim

Raios de amor, gotas de poesia

Da pele suave à alma nua

Pura magia…

Quero um banho de poesia!

Embriagada de poesia ao luar

Mergulhada na ânsia de amar

Um nostálgico desejo me faz te chamar

Não quer comigo também se banhar

No mar, sob o luar?

Precisamos nos banhar

De lua

De poesia

De amor…

Alda M S Santos

Universo paralelo

UNIVERSO PARALELO

Alguns parecem viver num universo paralelo

Distantes e avessos ao que é tido como normal

Não gostam de seguir a boiada

Lutam por algo diferente, bem mais natural

Autênticos e verdadeiros

Não ferem a própria essência

Preferem ficar à margem

Ainda que acusados de demência

Entre tantos descaminhos

Dores e atrocidades de alta magnitude

Viver num universo paralelo

Além de autoproteção, chega a ser grande virtude…

Alda M S Santos

Aboletada

ABOLETADA

Ando meio cansada

Ainda não sei bem de quê

Quero apenas ficar aboletada

Até descobrir o porquê

De tanto andar desse jeito

Inquieta e sempre atarefada

Mesmo não sendo nenhum defeito

Quero mais é ficar aboletada

Andei levando alfinetada

De gente que não é muito camarada

Mas não me importo, sou arretada

E ficarei, sim, aboletada

Pensando, meio encasquetada

A uma conclusão cheguei

Tão bom ficar aboletada

Que até já descansei

E antes de ser mal interpretada

Seguirei assim agitada e com a vida encantada

E deixo uma coisa decretada

Sempre que quiser ficarei de novo na natureza aboletada!

Alda M S Santos

Injusta

INJUSTA

A vida pode ser cruel

Dolorosa, intensa, parcial

A cada um de nós caberá

Torná-la menos desigual

Muitas vezes parece tão longa

Noutras é por demais curta

Mas é o que fazemos por ela

Que a tornará menos injusta

Buscamos no outro a alegria

Ou a paz que de nós fugiu

Sequer percebemos que está na gente

O prazer de viver que um dia sumiu

Mesmo injusta ela é só nossa

Mas se torna mais bela

Quando destrancamos portas fechadas

E sorrisos abrimos em nossa janela…

Mesmo injusta ainda podemos fazer dela

Uma linda e encantadora aquarela…

Alda M S Santos

Na multidão

NA MULTIDÃO

Na multidão procura-se amenizar a solidão

Mas na multidão aumenta-se ainda mais essa sensação

Se com alguém dali não houver uma conexão

E enquanto não se perde essa ilusão

De que muita gente não é para ela a solução

A solidão continuará a apertar o coração…

Solidão é estado interior

É desarmonia entre tanta gente dentro da gente

Com tanta gente do lado de fora

É alma desgrudada do corpo

Mal que não se resolve no exterior

Um sintoma que é falha na sintonia interna

Ou ausência de um amor:

O próprio!

É preciso reconectar-se!

Alda M S Santos

Gratidão

GRATIDÃO

Entre os mais belos sentimentos

Figura a nobre gratidão

Saber reconhecer o valor

De quem sempre te estendeu a mão

A ela compara-se apenas a compaixão

O saber se colocar no lugar de um irmão

E para ele transferir o que temos de melhor no coração

Você pode ser ou fazer de tudo

Mas se não souber ser agradecido

Àqueles que te ajudam a ser o que é

Nunca será bom de verdade

Fazer o bem é gratidão

Ser gratos à vida, a Deus, ao universo

Nos fortalece, nos reabastece

Daquilo que nutre e alimenta toda alma grata:

O amor!

Alda M S Santos

Sobre amor, sobre amar

SOBRE AMOR, SOBRE AMAR

Se não valoriza o que você é

Se te pede para fazer o que você não gosta

Se quer te fazer outra mulher

Ou não se importa com o que você quer

Não te ama!

Se não te prioriza

Se não diz que você é linda

Se não te olha nos olhos

Nem te abraça apertado

Não te ama!

Se não passeia contigo

Se não assiste com você um filme de amor

Se não dança agarradinho à sua cintura

Se não dorme de conchinha

Nem toma banho juntinho

Não te ama!

Se não te protege

Se te põe em risco

Se põe em dúvida sua moral

Ou faz de tudo um vendaval

Não te ama!

Mas se tem um olhar especial

Um ombro que te cabe direitinho

Um beijo de arrepiar o cangote

Um abraço de urso quentinho

Coração grande e terno colinho

Palavras e ouvidos de puro carinho

Principalmente, respeita o seu jeitinho

E aceita seu amor, mesmo imperfeito

Ele te ama!

Mas sobre amor, sobre amar

Só a gente mesmo para saber ou falar…

Alda M S Santos

Baile dos Namorados!

BAILE DOS NAMORADOS

É noite de baile!

Nas canções começa toda a magia

Sob luzes, ora juntos, ora separados

Alegria contagiante, sinergia

Uns mais contidos, outros mais animados

É noite de baile!

Banda retrô, sessenta, setenta ou oitenta

Somos todos transportados via coração

Ativa-se a máquina do tempo

Levando todos para outra dimensão

É noite de baile!

O baile é dos casados, eternos namorados

Reina paz, carinho, aproximação

Tudo ali se atrai, se renova

Não há como fugir dessa emoção…

É noite de baile!

Alda M S Santos

Depende…

DEPENDE…

Um manhã ensolarada e morosa ou uma tarde longa e chuvosa

Uma noite na roça ao luar ou uma tarde na areia à beira-mar

Um inverno congelante ou um calor sufocante

Diante de uma sofisticada lareira ou em volta de uma simples fogueira

Uma cidadezinha do interior formosa ou uma grande metrópole famosa

Uma cachoeira na floresta ou uma praia deserta

Um sábado numa boate lotada ou um filme debaixo do edredom na madrugada

Um traje de gala sofisticado ou um vestido de flores delicado

Depende…

Tudo vai depender da companhia que se tem

Mais vale a escuridão de um caminho com um alguém

Que a iluminação de outro, na solidão, sem ninguém…

Alda M S Santos

Imperfeita

IMPERFEITA

Ela é assim, imperfeita

Interessante, atraente, convidativa

Ora boa, outras nem tanto

Mas com fé a gente se ajeita

Ela é assim, imperfeita

Bela, cinzenta ou colorida, engraçada

Faça rir ou faça chorar

Ninguém nunca a rejeita

Ela é assim, imperfeita

Inteira ou faltando pedaços

Repleta de amores e desamores

E de coragem que a gente respeita

Ela é assim, imperfeita

Nem sempre como almejamos

Mas é a vida que a gente não enjeita

E a amamos mesmo assim:

Imperfeita!

Alda M S Santos

Dentro do coração

DENTRO DO CORAÇÃO

Afixados nas paredes de um lar de idosos

Acima de cada cama, estão ali, à mostra

Uma colagem dos sonhos de cada um

Feita de recortes de revistas e um bom papo

Sonhos não têm idade

Nascem e crescem dentro do coração da gente

Uns tornam-se realidade

Outros existem para fazer brilhar a luz do olhar

De quem insiste em viver nesse lugar…

Ali para todos verem, expostos em papel

Os sonhos desses idosos falam, gritam

“Tenho muitos anos de vida

Mas nunca deixarei de sonhar

Pois quando isso acontecer

Já terei deixado de viver…

Alda M S Santos

Não me cabe

NÃO ME CABE

Nessa caixa não me cabe

Não é que eu não seja flexível

É que ela tende a me moldar

Colocar num padrão que me machuca

E que não vai me agradar

Nessa caixa não me cabe

Dobra daqui, dobra dali

Tira um pedaço desse lado

Aperta o outro, transfere de lugar

Até eu não mais me identificar

Nessa caixa não me cabe

E mesmo se coubesse eu não gostaria

É que prezo a liberdade de ser o que sou

Colocar-me ali me mataria

Nessa caixa não me cabe

Não sou boneca para viver em caixa, preciso de ar

Prefiro jardim, mata, rio, mar ou cachoeira

E assim quero viver a vida inteira…

Alda M S Santos

Tudo é novo!

TUDO É NOVO!

Tantos momentos únicos, ímpares

Como todos eles o são

Mesmo que pareça tudo igual

Não há repetição…

O entardecer acontece todo dia no horizonte

Mas sempre com novos matizes

A aurora desponta todas as manhãs na serra

Clara, intensa e brilhante na nossa janela

Mas não somos os mesmos a observá-la

Cada olhar, cada abraço, cada raiva ou decepção

Sempre ficarão para trás, serão passado, ainda que a gente queira segurá-los

Amanhã, novos olhares, novos abraços, novas raivas ou decepções

E o amor…

Esse que doamos ou recebemos é sempre novo

E isso é o motor do viver…

Alda M S Santos

Demolição

DEMOLIÇÃO

Demolir é tão importante quanto construir

Tantas vezes é pré-requisito para uma nova construção

Trincar, quebrar, desmoronar, ruir

O que não serve mais deixar cair, jogar no chão

Entregar-se, se preciso, à emoção

Sofrer, chorar, lamentar, mas levantar

Das ruínas tirar uma lição

Aproveitar o que for útil, der suporte

Regar com suor, sorrisos ou lágrimas esse chão

E ali construir base sólida, forte

Aproveitar a demolição para recomeçar

Nova e bela construção

Um novo castelo nascido em nós ressurge

Só assim mantém-se vivo nosso coração…

Alda M S Santos

Prazer instantâneo

PRAZER INSTANTÂNEO

Despertar um sorriso no olhar

Por mais discreto que seja

É tarefa prazerosa demais

Um sorriso lá, outro cá

E a tristeza não tem lugar…

Tantas vezes é preciso tão pouco

Para fazer alguém feliz, para sentir-se feliz

Nesse mundo tão louco

Onde quase nada de bom se ouve, se diz

Há coisas cuja reciprocidade é instantânea

Carinhos, beijos, abraços e sorrisos

Quando simples e verdadeiros

Na alma têm efeito bumerangue

Vão e voltam de maneira simultânea

Delicioso prazer momentâneo de caráter duradouro…

Alda M S Santos

#carinhologos

Pessoas

PESSOAS

Lembrar das pessoas de nossas vidas

E perceber o que cada uma fez ou deixou em nós

Deixa-nos ora saudosos, ora aliviados

É trabalho catártico, terapêutico

Vêm à mente palavras ou ações

Boas ou ruins, algumas já esmaecidas ou quase apagadas

Outras ainda marcantes como digitais

Muitas vezes nos esquecemos do cheiro, da voz, das palavras, do olhar

Mas sempre nos lembraremos

Da sensação que nos causaram

Dos sentimentos despertados

De como nos acordaram para a vida

Ou do modo que nos apagaram ou jogaram para baixo

Focar nos sentimentos bons que ficaram em nossa alma

É um modo inteligente de seguir em frente…

Pessoas são pessoas, errando ou acertando

Ser marcante positivamente

Deixar boas lembranças registradas nos corações dos outros

Deve ser um propósito de vida…

Alda M S Santos

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